quarta-feira, 10 de março de 2010

Introdução à Parapsicologia _ Parte 9

Para que possamos entender o que se passa no cérebro quando captamos uma mensagem telepática, explicaremos um experimento d telepatia realizado na Rússia em 1967.

Os sujeitos para essa experimento foram um ator chamado Karl Nikolaiv e seu amigo, o biofísico Yuyi Kamensky. Est último ficou m Moscou e Kikolaiev foi levado a Leningrado, a uma distância de 640km. Foi colocado num recinto a prova de som de um laboratório e nele foi ligado um eletroencefalógrago, para medir suas ondas cerebrais.

Quando Nikolaiev estava preparado e seu cérebro começou a produzir ondas alfas, os cientistas informaram isto a Moscou e Kamensky começou a transmitir uma mensagem desta cidade. Três segundos depois de iniciada a transmissão, as ondas cerebrais de Nikolaiev mudaram bruscamente, interrompendo-se as ondas alfa. Era a primeira vez que se tinha uma prova observada da transmissão telepática. Posteriormente se descobriu uma coisa muito importante: os ritmos cerebrais do transmissor e do receptor mudaram consideravelmente; especialmente, a interrupção das ondas cerebrais deste último foi acompanhada de ativação das áreas do cérebro correspondentes à captação consciente da mensagem. Por exemplo, se a mensagem continha algo parecido com uma caixa de charutos, a atividade cerebral se localizava na região occipital do cérebro associada à visão. Quando a mensagem consistia numa série de sons, a atividade se produzia na região temporal do cérebro associada normalmente à recepção do som.

A relação entre a telepatia e o ritmo alfa é fundamental. Na Faculdade de Medicina Jefferson, de Filadélfia, Estados Unidos, obtiveram-se resultados semelhantes com dois irmãos gêmeos. A produção de ondas alfa num deles provocava uma reação ou uma mudança idêntica no outro; essa reação é ainda mais notável quando ao mesmo tempo há uma boa condição física ou um estado emocional forte. Também foi comprovado que ocorrem alterações na pressão sanguínea e no volume do sangue. Algumas vezes, o pulso do transmissor e do receptor se sincronizam perfeitamente.

A CLARIVIDÊNCIA
Um fenômeno muito parecido com a telepatia e que geralmente é confundido com esta é a ‘clarividência’.

Já explicamos que a telepatia consiste em captar de maneira direta o que está ocorrendo na mente de outra pessoa, em geral quando isso tem caráter subjetivo e emocional. A clarividência, por outro lado, consiste na captação paranormal de coisas objetivas, físicas, de acontecimentos ou situações que não são conhecidos por outra pessoa no momento em que estão ocorrendo. E é precisamente nisso que reside a dificuldade para se saber quando um fato corresponde à clarividência, pois sempre, ou quase sempre, existe a possibilidade d que alguém esteja observando um evento e o esteja transmitindo telepaticamente.

Mas, a nível científico, foi justamente com as cartas Zener que se pôde comprovar que algumas pessoas são clarividentes. Havia um dotado excelente que, segundo a terminologia já explicada, era ‘ovelha’ e logo passou a ‘cabra’, quer dizer, começou a falhar em todos os testes telepáticos que eram feitos com ele, até que um belo dia um pesquisador muito minucioso descobriu o que tinha acontecido. As diferenças encontradas entre as cartas que o transmissor observava e as que o receptor anotava, não existiam realmente. Aconteceu que o receptor não anotava a carta que o transmissor estava observando, e sim a seguinte. Era como se o dotado soubesse a ordem em que as cartas Zener tinham ficado embaralhadas e isto foi, sem dúvida, fruto da clarividência.

A clarividência se classifica em:

ð pura ou simulcognição;
ð psicometria ou retrocgnição;
ð psicoscopia.

A simulcognição consiste em ver na mente um acontecimento objetivo, no instante em que está ocorrendo. Mas é preciso considerar o fator humano. Como saber se alguém o está observando? Pois, neste caso, seria telepatia. Muitas pessoas relataram, principalmente em tempo de guerra, que de repente viram uma pessoa ferida gemendo, bem como o lugar desse fato. Alguns acreditam que o espírito da pessoa se fez presente para dar a mensagem. A parapsicologia sustenta categoricamente que se trata de uma captação telepática, pois o ferido está se lembrando de sua família ou de seus amigos e transmite toda a sua carga emocional, incluindo a cena que está vivendo.

A retrocgnição é uma clarividência do passado, que pode ocorrer de maneira natural, mas em geral é necessário algum objeto ou uma peça de vestuário que tenha pertencido à pessoa. O dotado pega esse objeto, relaxa e se concentra; pode então ver em sua mente cenas de experiências vividas pelo dono do objeto. Isso também pode ser levado ao campo da arqueologia, de modo que um psicômetra poderia ir a um lugar onde tivesse ocorrido uma grande batalha e, relaxando e se concentrado, ver e sentir muitas cenas do passado. O mesmo ocorre com algumas crianças quando são levadas a um lugar onde alguém se suicidou. As crianças são muito sensíveis e podem sentir o pânico ou ver alguma coisa, sem saber exatamente o que é. Alguns adultos também tem essa faculdade e sentem-se mal quando chegam a um local onde ocorreram fatos violentos. Um dos mais famosos nesse campo foi um dotado holandês chamado Croiset, que ajudou a policia do seu país a encontrar pessoas desaparecidas ou objetos perdidos. Mas, além disso, projetava-se para o futuro, de modo que também podia dizer o que acontecia a uma pessoa.

A psicoscopia é uma modalidade de psicometria. Consiste em que o dotado capta as vibrações através do objeto, mas não se projeta ao passado; antes, faz contato mental com o dono desse objeto e assim estabelece na realidade uma ligação telepática.

É por isso que a telepatia e a clarividência sempre estão interligadas, como o paladar e o olfato, por exemplo, e muitas vezes é difícil estabelecer quando uma experiência é do tipo clarividente.

ALGUMAS INTERPRETAÇÕES
Consideraremos alguns exemplos para sua interpretação:

ð Um viajante comercial partiu preocupado porque sua esposa estava grávida e o dia de dar à luz estava próximo. Chegou a uma cidade distante e, ao meio-dia, deitou-se para descansar, no hotel. Logo viu algo como se um telegrama flutuasse no ar à sua frente e leu que sua esposa tinha tido um menino. Pensando que isso se devia a sua preocupação, adormeceu. Cerca de 15 minutos depois, foi acordado pelo boy do hotel, que lhe entregou um telegrama exatamente igual ao que ele tinha visto, com a notícia de que sua esposa tinha dado à luz um menino. Muitos pensarão que esta é uma experiência de clarividência, porque o homem viu algo objetivo, isto é, viu o telegrama. Mas há a possibilidade de que a pessoa que enviou o telegrama tenha transmitido a mensagem telepaticamente e inclusive que sua própria esposa tenha influído na experiência.
ð Quando São João Bosco freqüentava a escola, sempre passava muito bem nos exames. Mais tarde, quando se tornou santo e famoso, seus amigos e professores passaram a acreditar que ele se saia assim tão bem precisamente devido a suas qualidades espirituais. Mas logo se descobriu que este santo era também um dotado natural. Quando se aproximava a data dos exames, relaxava e se concentrava, e podia ver seu professor preparando as provas; tudo o que tinha a fazer, então, era estudar as perguntas. Também neste caso alguns opinarão que se trata de clarividência; é mais provável, porém, que se trate de uma captação telepática.

Vejamos agora uma experiência que esclarecerá melhor este assunto. Em 1936 foi realizada uma corrida internacional de balões, na Polônia; em cada balão iam duas pessoas. Quando a corrida terminou, tinha-se perdido um dos balões e ninguém conseguia encontrá-lo. Recorreram então a um dotado, o engenheiro Stephan Ossowieki, que, depois de se concentrar, disse onde havia caído o balão, assinalando um ponto num mapa que correspondia a uma pequena ilha no mar Báltico. Logo o dotado ficou tenso e disse: “acudam logo, pois os dois jovens estão em grave perigo, como se um grande animal quisesse devorá-los”. Quando chegaram ao lugar indicado para resgatar os jovens, eles contaram que tinham se assustado muito, pois perto dali tinha passado um urso. Aqui temos as duas faculdades em ação: em primeiro lugar, captar o local onde caiu o balão foi um ato de clarividência, pois os jovens não podiam transmitir esse dado por telepatia, visto que não sabiam onde estavam. Mas quando se assustaram ao ver o urso, que foi captada de maneira quase total pelo dotado; este foi um ato de telepatia.

Com isso pode-se concluir que muitos telepatas não são clarividentes, mas que, se um dotado é clarividente, como toda certeza também é um telepata.
-

[Texto de Pedro Raúl Morales]

Nenhum comentário:

Postar um comentário