Voltaire_Londres_Cartas Inglesas
Voltaire corajosamente empreendeu assimilar a nova língua. Desagradava-lhe saber que plague, peste, tem uma sílaba e, ágüe, febre palustre, duas; desejou que a praga devorasse uma metade dessa figura e a febre a outra. Mas logo pode traduzir bem o inglês e, dentro de um ano, conhecia o melhor da literatura inglesa daqueles tempos. Foi apresentado aos homens de letras por Lord Bolingbroke, e jantava ora com um, ora com outro – até com o esquivo e sarcástico Dean Swift. Não tinha pretensões a nobre, nem exigia nobreza dos outros. Quando Congreve falou de suas próprias peças como de ninharias, declarando preferir ser considerado fidalgo ocioso a ser tido como autor teatral, Voltaire retrucou-lhe ferino: “Se tivésseis a desgraça de ser apenas fidalgo como os outros, nunca eu viria à vossa casa”. Surpreendia-o a liberdade com que Bolingbroke, Pope, Addison e Swift escreviam o que lhes agradava; ali estava um povo com opiniões próprias, que refizera sua religião, enforcara seu rei, im...