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Mostrando postagens de julho 19, 2011

William James_O Pragmatismo

A direção do seu pensamento voltava-se para as coisas ; e se começou com a psicologia não foi como um metafísico amigo de perder-se em obscuridades etéreas, mas como um realista para o qual o pensamento, por mais distinto que possa ser da matéria, é essencialmente um espelho da realidade física externa. E é um espelho melhor do que muitos supõe; percebe e reflete, não somente coisas separadas, como queria Hume, mas as relações que as ligam; vê tudo em um contexto, que é percebido ao mesmo tempo que a forma, o gosto, o cheiro da coisa. Daí a falta de significação do “problema do conhecimento” de Kant [como por senso e ordem em nossas sensações?] – o senso e a ordem já estão lá. A velha psicologia atomística da escola inglesa, que concebia o pensamento como série de idéias separadas e mecanicamente associadas, é uma duplicata errônea da química e da física ; pensamento não é uma série, é uma corrente, uma continuidade de percepções e sensações que agem quais nódulos em transito, como os ...

William James_A Personalidade

O leitor terá compreendido que a filosofia que vimos de sumariar é européia em tudo, salvo quando ao lugar onde se originou. Tem as nuanças, o polido, a resignação característica das velhas culturas; sente-se em todas as suas partes que a Life of Reason não é uma voz americana. Já em William James a voz, a idéia e próprio torneio da frase são da América. Polvilham seus escritos expressões como “cash-value”, “results”, “profits” que lhe afinam o pensamento a compreensão do homem da rua”; James não fala com a reserva aristocrática de Santayana ou de um Henry James, mas em um vernáculo racial, com uma força e precisão que fizeram a sua filosofia do “pragmatismo” e das “reservas de energia” o correlato mental do “prático” e “ estrênuo” Roosevelt. E ao mesmo tempo verbalizou para o homem comum aquela confiança nos essenciais da velha teologia, que na alma americana vivem lado a lado com o espírito realista do comercio e da finança e com a rude coragem que transformou um deserto virgem em t...

George Santayana_Consideração Final

Há em todas as paginas de Santayana a melancolia do homem separado de tudo quanto lhe foi amor e costume – um homem desarraigado, um espanhol aristocrata solto na classe media americana. Uma tristeza irrompe-lhe a espaços: “ Que a vida é digna de ser vivida”, diz ele, “constitui a mais necessária das proposições e a mais impossível das conclusões”. No primeiro volume da “The Life of Reason” fala da significação da vida e da historia humana como o tema da filosofia; em seu ultimo volume mostra-se duvidoso de que a vida tenha alguma significação. Inconscientemente descreveu a sua própria tragédia: Há tragédia na perfeição, porque o universo em que a perfeição se ergue é em si mesmo imperfeito...Como Shelley, Santayana nunca se sentiu em casa neste mesquinho planeta; seu agudo senso estético parece ter-lhe trazido mais sofrimento com a vista das coisas feias do que deleite com a vista das coisas belas. Torna-se com freqüência amargo e sarcástico; jamais consegue o riso sadio e de coraçã...

George Santayana_Razão na Sociedade

O grande problema da filosofia é descobrir um meio de persuadir o homem a virtude sem o recurso aos terrores e esperanças sobrenaturais . Teoricamente foi este problema resolvido duas vezes; tanto em Sócrates como em Spinoza aparece um perfeito sistema de ética racional. Se os homens pudessem ser amoldados a essas filosofias, tudo estaria resolvido. Mas “uma verdadeira moralidade ou um verdadeiro regime social racional nunca existiram no mundo, e é difícil de lhe concebermos a possibilidade; permanecem um luxo de filósofos. “Um filosofo tem um céu em si, do qual, suspeito a bem-aventurança o seguirá em outras vidas...é um símbolo poético; tem prazer na verdade e uma igual presteza para gozar a cena ou abandoná-la [embora se observe nos filósofos uma teimosa longevidade]. Para o resto de nós a alameda do desenvolvimento moral deve estar, no futuro, como o foi no passado, no crescimento das emoções sociais que florescem na generosa atmosfera do amor e do lar”. È verdade, como argüiu Sch...

George Santayana_Razão na Religião

Sainte-Beuve disse de seus patrícios que continuariam a ser católicos mesmo depois de abandonassem o cristianismo. È como pensam Renan, Anatole e o nosso Santayana. Subsiste neste filosofo um amor ao catolicismo equiparável ao do amante enganado pela amante. “Creio nela embora saiba que me mente” . Santayana chora pela sua fé perdida, esse “esplendido erro que se conforma melhor com os impulsos da alma” do que a própria vida. E descreve-se em Oxford, empolgado por um velho ritual: Exile that I am Exile not only from the wind-swept moor, Where Guadarana lifts purple crest, But from the spirit’s realm,celestial, sure, Goal of all hope, and vision of the best. [Exilado que sou – exilado não só dos baldios surrados pelo vento onde Guadarana ergue a sua crista púrpura, mas do reino do espírito celestial, meta de todas as esperanças e visão do melhor]. Foi em virtude deste amor secreto, desta fé incrédula, que Santayana concluiu a sua obra prima com a Razão na Religião, impregnando suas p...