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Mostrando postagens de abril 18, 2011

Voltaire_Ferney: Candide

Lês Délices fora uma residência temporária, um centro donde Voltaire pudesse descobrir um abrigo para mais duradoura permanencia. Encontrou-o em 1758 em Ferney, na Suíça, rente à linha divisória com a França; achava-se ali a salvo do governo francês e, igualmente, bem perto da França, para o caso de procurar molestá-lo o governo suíço. Esta ultima mudança rematou seu Wanderjahre. Suas idas irrequietas para um e outro lugar não refletiram mera agitação nervosa; refletiram igualmente seu sentimento de insegurança em caso da perseguição que de toda a parte receava; só aos sessenta e quatro anos foi viver em casa que seria também lar. Há uma passagem no fim de uma de suas novelas “Viagens de Scarmentado” que quase se aplica a seu autor: “Depois que vi tudo o que existia de raro ou de belo na terra, resolvi não mais ver, pra o futuro, outra coisa a não seu meu próprio lar; casei e logo suspeitei de que ela me enganava; não obstante essa duvida, achei ainda que, de todas as condições da vid...

Voltaire_O Ensaio Sobre a Moral

Qual a causa do novo exílio? Foi ter publicado em Berlim “sua obra mais ambiciosa, mais volumosa, mais característica e arrojada” [* Morley,146]. O titulo não entrava em pouco na culpa: Ensaios sobre os costumes e o espírito das Nações e sobre os principais fatos históricos desde Carlos Magno até Luiz XIII . Ele começara-a em Cirey para Mme. Du Chatelet; estimulou-o a escrevê-la a desaprovação, por parte da Marquesa, domado por que se costuma escrever a historia. É “um velho almanaque”, dissera ela. “Que importa a mim, francesa e que vivo em minha propriedade, saber que Egil sucedeu a Aquin, na Suécia, e que Othman era filho de Toghrul?” Li com prazer a historia dos gregos e romanos, que oferecia, para mim, alguns quadros atraentes. Mas nunca consegui terminar a leitura de alguma historia longa de nossas nações modernas. Mal posso ver ali mais que confusão; uma congerie de pequenos acontecimentos sem nexo ou seqüências e de mil batalhas que nada significam. Renunciei a um estudo qu...

Voltaire_Potsdam e Frederico

Os que não podiam ir vê-lo, escreviam-lhe. Em 1736 começou sua correspondência com Frederico, então príncipe e ainda não o Grande. A primeira carta de Frederico semelhava-se a de um menino a um rei; sua prodigalidade em lisonjas dá-nos mostra da fama que já tinha Voltaire – embora não houvesse ainda escrito   nenhuma de suas obras primas. Proclamavam-no “o maior homem da França e um mortal que faz honra a linhagem humana...Considero uma das maiores honras em minha vida ser contemporâneo de um homem de tão eminentes predicados como os seus... Não é dado a todos fazer o espírito rir”; e “que prazeres podem sobrepujar os do espírito?” [* Em Sainte-Beuve, I, 212-215]. Frederico era um livre-pensador que encarava os dogmas como um rei encara seus súditos; e Voltaire tinha grandes esperanças de que, subindo ao trono, esse monarca poria em voga o racionalismo, representando ele, tralvez, o papel de Platão do Dioniso prussiano. Quando Frederico protestou contra as lisonjas com que Voltair...