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Mostrando postagens de maio, 2011

Spencer_Psicologia: A Evolução do Espírito

Os dois volumes dos Princípios de Psicologia [1873] são os mais fracos da série spenceriana.   Muito antes [1855] havia ele produzido uma vigorosa defesa do materialismo e do determinismo, obra da mocidade; os anos maduros, porém, fizeram-no trilhar mais prudentes veredas, e surgiram estas centenas de paginas penosissimas, mas que não iluminam. Aqui, mais que em qualquer outra obra, mostra-se rico de teorias e pobre de provas. Apresenta a teoria dos nervos originados do tecido intercelular conectivo; e a teoria da gênese do instinto pela mistura de reflexos e transmissão de caracteres adquiridos; e a teoria da origem das categorias mentais com base na experiência da raça; e a teoria do ‘realismo transfigurado’ [* Spencer significa com isto que embora os objetos em experiência possam muito bem ser transfigurados pela percepção, tem existência que não depende do que neles percebemos]; e cem outras que possuem todo o pode ofuscante da metafísica e pouco da virtude clarificante da psi...

Spencer_ Biologia: A Evolução da Vida

O segundo e terceiro volumes da Filosofia Sintética apareceram em 1827 sob o titulo de Princípios da Biologia. Revelaram as naturais limitações de um filósofo que invade o campo do especialista; mas os erros de detalhes desaparecem diante das luminosas generalizações que deram nova unidade e inteligibilidade a vastas áreas do fato biológico. Spencer começa com a famosa definição: “Via é um continuo ajustamento de relações internas e relações externas”. A vida completa depende do completo dessa correspondência e a vida perfeita depende do perfeito dessa correspondência. A correspondência não é simples adaptação passiva; o que distingue a vida é o ajustamento das relações internas em antecipação de uma mudança nas relações externas, como quando um animal se agacha para evitar um golpe ou um homem faz fogo para aquecer seu alimento. O defeito da definição jaz não somente na sua tendência para desprezar a atividade remodeladora que o organismo exerce sobre o meio ambiente, mas também no ...

Spencer _Primeiros Princípios

1]_O Incognoscível “Freqüentemente esquecemos”, diz Spencer na abertura do livro, “que não somente há uma alma de bondade nas coisas más como também uma alma de verdade nas coisas errôneas” . Propõe-se, portanto, examinar as idéias religiosas com o intento de encontrar o coração de verdade que sob as formas variáveis de tantos credos deu a religião o seu persistente poder sobre a alma humana. O que imediatamente encontramos é que cada teoria da origem do universo nos arrasta a inconcebilidade. O ateísta procura pensar de um mundo que existe por si, não causado   e sem começo; mas não podemos conceber nada sem começo nem causa. O teista apenas recua a dificuldade; e para o teólogo que diz: “Deus fez o mundo”, surge a pergunta irrespondível da criança: “E quem fez Deus?” As idéias ultimas das religiões são logicamente inconcebíveis. As idéias ultimas da ciência situam-se igualmente para além da concepção racional.   Que é matéria? Reduzimo-la a átomos e somos forçados a divid...

Spencer_Dados Biográficos

Nasceu em Derby, em 1820. De ambos os lados, pais não conformistas ou “Dissenters”. A avó paterna fora devotada adepta de John Wesley; seu tio paterno, Thomas, embora sacerdote anglicano, chefiou um movimento wesleyano dentro da Igreja, nunca assistiu a concertos ou peças de teatro e tomou parte ativa nos movimentos políticos. Este impulso para a heresia tornou-se mais forte no pai, culminando no quase obstinado individualismo de Herbert Spencer. Seu pai jamais recorreu ao sobrenatural para a explicação do que quer que fosse e viu-se acoimado por alguém de suas relações como “homem sem religião” de qualquer espécie [embora Spencer considerasse isso exagero]” [* Spencer: Autobiografy]. Era, sim, inclinado à ciência e escrevera uma Inventional Geometry; na política foi um individualista como o filho e “jamais tirava o chapéu para alguém,fosse lá quem fosse”. “Se não podia responder a alguma pergunta que minha mãe lhe fazia, calava-se sem entrar em indagações. Foi assim durante a vida in...

Herbert Spencer_Comte e Darwin

A Filosofia kantiana que se dava como base de toda a metafísica futura, era maliciosamente um impulso ao modo tradicional de especulação; ao invés, entretanto, resultou em um golpe terrível em todas as metafísicas em geral. Porque a metafísica havia significado, através da história do pensamento, uma tentativa para descobrir a natureza intima da realidade, e os homens ficaram sabendo pela palavra do mais respeitável mestre que a realidade não poderia nunca ser apreendida pela experiência; que era um ‘noumenon’, concebível, mas não cognoscível; e que ainda a inteligência humana mais sutil nunca passaria além dos fenômenos e, pois, jamais levantaria o véu de Maia. As extravagâncias metafísicas de Fichte, Hegel e Schelling com suas varias interpretações do velho enigma, seus Egos e Idéias e Vontade haviam-se reduzido umas as outras a zero; e quando o século entrou a amadurecer já estava geralmente aceito que o véu não seria levantado. Após uma geração intoxicada do Absoluto,o pensamento ...

Schopenhauer_Considerações Finais

A resposta natural a semelhante filosofia é um diagnostico medico do seu autor e da sua época. Temos aqui um fenômeno aparentado com o que, logo depois de Alexandre e César, derramou sobre a Grécia e Roma uma vaga de fé e atitudes orientais. A característica do Oriente é ver a Vontade externa da natureza como muito mais poderosa que a do homem – e daí incubar doutrinas de resignação e desespero. Como a decadência da Grécia trouxe para o rosto de Helas a palidez do Estoicismo e do Epicurismo, assim do caos das guerras napoleônicas veio para a alma da Europa o lamentoso desanimo de que Schopenhauer foi a voz. A Europa sofreu de uma terrível cefalalgia em 1815 [* Considere-se a apatia e o desanimo da Europa de 1924 e a popularidade de livros como a Queda do Oriente, de Spengler]. A diagnose pessoal pode partir da admissão por Schopenhauer de que a felicidade do homem depende do que ele é antes do que das circunstancias. O pessimismo é um produto do pessimista. Dados uma constituição doe...

Schopenhauer_A Sabedoria da Morte

Algo mais ainda é necessário. Com o Nirvana o individuo alcança a paz da ausência de vontade e encontra a salvação; mas, e além do individuo? A vida sorri da morte de um individuo; sobrevive   na sua prole ou na dos outros;   e ainda que este riacho de vida seque, outros se vão tornando cada vez mais largos no decorrer das gerações. Como pode o Homem ser salvo? Há para as raças um Nirvana, como para o individuo? Obviamente, a conquista final e radical da vontade se faria pela supressão da fonte da vida – a vontade de reproduzir: “A satisfação do impulso reprodutor é profunda e intrisecamente repreensível por ser a mais forte afirmação da vida”. Que crimes   cometeram as crianças para serem condenadas a nascer? *Se contemplamos o torvelinho da vida vemos todo mundo ocupado com as suas misérias, lutando as extremas para satisfazer suas infinitas necessidades e varrer com suas inumeráveis aflições, e apesar disso não esperando outra coisa senão preservar o mais possível es...

Schopenhauer_O Mundo Como Mal

Mas o mundo é vontade, tem que ser um mundo de sofrimento, porque vontade quer dizer necessidade e o que é alcançado é sempre menos que o desejado . Para cada desejo satisfeito permanecem dez insatisfeitos. O desejo é infinito; a realização é limitada; - equivale a ‘esmolas dadas a um mendigo que lhe conservam a vida hoje para que sua miséria subsista amanhã...Enquanto nossa consciência estiver cheia da nossa vontade, enquanto nos abandonarmos a malta dos desejos com seu séqüito de esperanças e terrores, enquanto estivermos sujeitos a querer, não teremos felicidade ou paz”. A satisfação nunca satisfaz; nada tão desastroso para um ideal como a realização. “A paixão satisfeita leva com mais freqüência à infelicidade do que a à felicidade. Porque suas exigências tanto se chocam com o bem-estar das criaturas que o destroem”. Cada individuo traz dentro de si uma contradição arrasadora; o desejo realizado desenvolve outro desejo – e assim indefinidamente. “Isto no fundo decorre de ter a vont...