Sócrates
A julgar pelo busto, salvo entre as ruínas da escultura antiga, Sócrates, mesmo para um filosofo, estava longe de ser belo. Calvo, rosto grande e redondo, olhos fundos e arregalados, um nariz largo e túrgido, indicativo da sua assiduidade em numerosos simposions – sua cabeça lembrava antes a de um carregador do que a do mais celebre dos filósofos. Mas se atentarmos melhor, veremos, através da bruteza da pedra, algo da humanitária bondade e da simplicidade natural que faziam daquele pensador de rude aspecto o amado dos mais distintos jovens de Atenas. Mui pouco sabemos sobre ele, embora mesmo assim o conheçamos mais intimamente do que a aristocrático Platão ou ao reservado e douto Aristóteles. Após dois mil e trezentos anos podemos ainda vê-lo com seu desajeitado sempre vestido com a mesma túnica surrada, a passear pela Agora, indiferente aos rumores políticos, reunindo no pórtico do templo os jovens encontradiços para lhes pedir a definição dos termos das coisas que afirmavam. Era bem...