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Mostrando postagens de abril 23, 2011

Kant_Sobre a Religião e a Razão

Tudo isto não parece comum, tímido e conservador? Mas não era assim; ao contrário, esta arrojada negação da teologia “racional”, esta franca redução da religião a fé e esperança morais, provocou protestos de todos os alemães ortodoxos. Enfrentar este “forty-parson-power” [como lhe chamaria Byron] requeria mais coragem que a habitualmente associada ao nome de Kant. Que era suficientemente intrépido, foi o que se provou cristalinamente quando deu a publico, aos sessenta e seis anos, sua Critica da Faculdade de Julgar e, aos sessenta e nove, A Religião dentro dos Limites da Razão Pura . No primeiro destes livros Kant volve a discutir o argumento da finalidade que, em sua primeira Critica, rejeitara por ser prova insuficiente da existência de Deus. Começa correlacionando a finalidade e a beleza; a beleza a seu ver é algo que revela proporção e unidade de estrutura, como pré-traçadas por uma inteligência. Observa de passagem [e Schopenhauer aqui bebeu bastante para a sua teoria da arte] ...

Kant_A Critica da Razão Pratica

Se a religião não pode basear-se na ciência e na teologia, em que se baseará então? Na moral. A base da teologia é muito insegura; melhor desistir dela, ou mesmo destruí-la. Devemos colocar a fé para além do alcance ou dos domínios da razão . Mas para isso a base moral da religião deve ser absoluta e não derivada da discutível experiência sensorial ou de precária dedução -   e não poluída pela associação com a razão falível; deve provir do seu interno pela percepção e intuição diretas. Precisamos encontrar uma ética universal e necessária; os princípios a priori da moral são absolutos e certos como os de matemática . Devemos mostrar que “a razão pura pode ser pratica, isto é, pode por si mesma determinar a vontade, independentemente de qualquer coisa empírica” [* Critica da Razão Prática, pág.31] e que o senso moral é inato e não derivado da experiência. O imperativo moral requerida para base da religião deve ser um imperativo absoluto e categórico. Ora, a mais surpreendente reali...

Kant_A Critica da Razão Pura

Que significa este titulo? Critica não quer dizer aqui precisamente um ataque e, sim, uma analise critica; Kant não se põe a atacar a “razão pura”, a não ser no fim, para mostrar-lhe as limitações; deseja, de preferência, mostrar suas possibilidades e elevá-la acima do impuro conhecimento que nos vem pelo canais deformadores dos sentidos. Razão “pura” significa – a que não nos vem por intermédio dos sentidos, independe de toda a experiência sensorial; é o conhecimento que temos em virtude da natureza e estrutura inerentes ao espírito. Logo de começo Kant manda um desafio a Locke e a escola inglesa; - o conhecimento não procede todo ele dos sentidos. Hume pensava ter demonstrado não existir alma nem ciência, sendo nosso espírito exclusivamente nossas idéias em séries e associações; e, nossas certezas, apenas probabilidades em perpetuo perigo de destruição. Estas falsas conclusões, diz Kant, são a conseqüência de premissas falsas: quem as tira presume que todo o conhecimento deriva de s...