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Spencer_Critica e Conclusão

O leitor inteligente terá percebido no decurso desta breve analise [*A analise é sem duvida incompleta. A estreiteza do espaço não permite a analise da Educação, dos Ensaios e de largas seções da Sociologia. A lição da Educação tem sido bem apreendida; mas nós reclamamos hoje algum corretivo à vitoriosa asserção de Spencer quanto ao primado da ciência sobre as artes e as letras. Dos ensaios os melhores são os sobre o estilo, o riso e a musica. O Herbert Spencer, de Hugh Helliot, constitui uma admirável exposição] certas dificuldades na argumentação, e apenas necessitará de breves indicações desses pontos fracos. A critica negativa é sempre desagradável, principalmente   tratando-se de uma grande obra; mas faz parte da nossa tarefa mencionar o que o Tempo corroeu na obra de Spencer. 1_ Primeiros Princípios O primeiro obstáculo é sem duvida o incognoscível. Cordialmente admitimos as prováveis limitações do conhecimento humano; não poderemos talvez devassar o grande oceano da existên...

Spencer_Ética: A Evolução da Moral

Tão importante pareceu a Spencer este problema da reconstrução industrial, que lhe devotou de novo uma das seções dos Princípios da Ética [1893] “parte última da minha obra, da qual todas as anteriores são subsidiárias”. Homem dotado da severidade moral do período vitoriano, era Spencer especialmente sensível ao problema de encontrar uma nova ética natural que substituísse a que tinha por base a fé. “As supostas sanções sobrenaturais da conduta, se rejeitadas, não deixam um vazio. Existem sanções naturais não menos enérgicas e cobrindo um campo ainda maior”. A nova moralidade deve ser erigida com alicerce na biologia. “A aceitação da doutrina da evolução orgânica determina certas concepções éticas”. Huxley em suas conferencias romanas em Oxford, em 1893, declarou que a biologia não podia fornecer as bases da moral; que a natureza ‘red in thoot and claw’ [como disse Tennyson] exaltava a brutalidade e a astúcia antes que a justiça e o amor; mas Spencer sentia que um código moral não ba...

Spencer_A Evolução da Sociedade

Para a sociologia já o veredicto da critica é totalmente diferente. Estes alentados volumes, cuja publicação levou vinte anos, constituem a obra prima de Spencer; cobrem o seu campo favorito e mostram-no no mais alto das generalizações e no ápice da sua filosofia política. Do primeiro ensaio publicado [ Social Statics] ao derradeiro fascículo dos Princípios da Sociologia, pelo espaço de quase meio século, seu interesse se concentra nos problemas econômicos e de governo; como Platão, Spencer começa e acaba com dissertações sobre moral e a justiça política. Homem nenhum, nem mesmo Comte [fundador da ciência, a qual batizou com um nome por ele criado] fez mais pela sociologia. Em um volume introdutório, O Estudo da Sociologia [1873], Spencer bate-se com calor pela admissão e desenvolvimento da nova ciência. Se o determinismo está certo na psicologia, devem existir regularidades de causa e efeito nos fenômenos sociais; e um cuidados estudante do homem e da sociedade não pode contentar-se...

Spencer_Psicologia: A Evolução do Espírito

Os dois volumes dos Princípios de Psicologia [1873] são os mais fracos da série spenceriana.   Muito antes [1855] havia ele produzido uma vigorosa defesa do materialismo e do determinismo, obra da mocidade; os anos maduros, porém, fizeram-no trilhar mais prudentes veredas, e surgiram estas centenas de paginas penosissimas, mas que não iluminam. Aqui, mais que em qualquer outra obra, mostra-se rico de teorias e pobre de provas. Apresenta a teoria dos nervos originados do tecido intercelular conectivo; e a teoria da gênese do instinto pela mistura de reflexos e transmissão de caracteres adquiridos; e a teoria da origem das categorias mentais com base na experiência da raça; e a teoria do ‘realismo transfigurado’ [* Spencer significa com isto que embora os objetos em experiência possam muito bem ser transfigurados pela percepção, tem existência que não depende do que neles percebemos]; e cem outras que possuem todo o pode ofuscante da metafísica e pouco da virtude clarificante da psi...

Spencer_ Biologia: A Evolução da Vida

O segundo e terceiro volumes da Filosofia Sintética apareceram em 1827 sob o titulo de Princípios da Biologia. Revelaram as naturais limitações de um filósofo que invade o campo do especialista; mas os erros de detalhes desaparecem diante das luminosas generalizações que deram nova unidade e inteligibilidade a vastas áreas do fato biológico. Spencer começa com a famosa definição: “Via é um continuo ajustamento de relações internas e relações externas”. A vida completa depende do completo dessa correspondência e a vida perfeita depende do perfeito dessa correspondência. A correspondência não é simples adaptação passiva; o que distingue a vida é o ajustamento das relações internas em antecipação de uma mudança nas relações externas, como quando um animal se agacha para evitar um golpe ou um homem faz fogo para aquecer seu alimento. O defeito da definição jaz não somente na sua tendência para desprezar a atividade remodeladora que o organismo exerce sobre o meio ambiente, mas também no ...

Spencer _Primeiros Princípios

1]_O Incognoscível “Freqüentemente esquecemos”, diz Spencer na abertura do livro, “que não somente há uma alma de bondade nas coisas más como também uma alma de verdade nas coisas errôneas” . Propõe-se, portanto, examinar as idéias religiosas com o intento de encontrar o coração de verdade que sob as formas variáveis de tantos credos deu a religião o seu persistente poder sobre a alma humana. O que imediatamente encontramos é que cada teoria da origem do universo nos arrasta a inconcebilidade. O ateísta procura pensar de um mundo que existe por si, não causado   e sem começo; mas não podemos conceber nada sem começo nem causa. O teista apenas recua a dificuldade; e para o teólogo que diz: “Deus fez o mundo”, surge a pergunta irrespondível da criança: “E quem fez Deus?” As idéias ultimas das religiões são logicamente inconcebíveis. As idéias ultimas da ciência situam-se igualmente para além da concepção racional.   Que é matéria? Reduzimo-la a átomos e somos forçados a divid...

Spencer_Dados Biográficos

Nasceu em Derby, em 1820. De ambos os lados, pais não conformistas ou “Dissenters”. A avó paterna fora devotada adepta de John Wesley; seu tio paterno, Thomas, embora sacerdote anglicano, chefiou um movimento wesleyano dentro da Igreja, nunca assistiu a concertos ou peças de teatro e tomou parte ativa nos movimentos políticos. Este impulso para a heresia tornou-se mais forte no pai, culminando no quase obstinado individualismo de Herbert Spencer. Seu pai jamais recorreu ao sobrenatural para a explicação do que quer que fosse e viu-se acoimado por alguém de suas relações como “homem sem religião” de qualquer espécie [embora Spencer considerasse isso exagero]” [* Spencer: Autobiografy]. Era, sim, inclinado à ciência e escrevera uma Inventional Geometry; na política foi um individualista como o filho e “jamais tirava o chapéu para alguém,fosse lá quem fosse”. “Se não podia responder a alguma pergunta que minha mãe lhe fazia, calava-se sem entrar em indagações. Foi assim durante a vida in...