26 de ago. de 2010

O VALOR DO CETICISMO

“Não se pode conhecer realmente uma coisa sem tê-la experimentado”, este é um antigo adágio. Entretanto, há uma falha neste ditado. Muito do nosso conhecimento atual não é resultado da experiência direta. Somos obrigados a aceitar como conhecimento uma considerável quantidade de coisas, relativas a nós mesmos, apenas pela autoridade implícita de outras pessoas. A maior parte deriva-se de fontes como professores, sacerdotes, jornalistas, políticos e pessoas conhecidas. A aceitação das idéias que nos são transmitidas é crença.

Em um mundo complexo, não nos é possível descobrir, por nossos próprios meios, tudo o que devemos saber. Tampouco podemos por à prova tudo o que nos é dito, de modo a comprovar sua validade. A crença, portanto, torna-se um substituto para o conhecimento intimo que se adquire como resultado de nossa própria observação e reflexão. Ao longo de nossas lidas cotidianas, adquirimos conhecimento pessoal até certo ponto. Não podemos deixar de observar que acontecem à nossa volta. Esse conhecimento perceptual é pelo menos factual, tanto quanto possamos confiar naquilo que vemos e ouvimos.

Para muitas pessoas hoje, esse conhecimento perceptual impõe-se sobre elas, sendo forçosamente trazido à sua atenção pelas circunstâncias. Ao se realizar uma ação especifica, uma série de coisas imprevistas, como causas e efeitos, podem ocorrer, as quais não se pode deixar de observar. Usando uma frase jurídica, tudo pode ser totalmente circunstancial e, portanto, uma cuidadosa investigação subseqüente pode provar ser algo diferente do que parecia.

A crença só deveria ser admitida quando a fonte da informação tivesse sido amplamente estabelecida como confiável. Um exemplo de crença justificável são os conselhos do medido. Pode-se verificar pela licença sob a qual ele trabalha que o médico recebeu treinamento técnico em algum campo de terapia. Isto significa que sua opinião e conclusões baseiam-se em um conhecimento de experiência pessoal. Não se pode querer que qualquer um seja uma autoridade na multidão de assuntos técnicos de que depende a vida moderna. Uma tal crença então é uma atitude mental razoável em nossos relacionamentos.

Muito daquilo que lemos hoje em publicações populares e mesmo em noticias jornalísticas é totalmente baseado em uma opinião. Uma opinião é uma conclusão não necessariamente fundamentada em fatos, embora possa ser uma crença honesta. Uma opinião pode ser plausível, pode soar de modo racional e parecer lógica em sua apresentação das idéias. Mas plausibilidade não significa necessariamente que os conteúdos sejam verdadeiros. O desconhecimento de um certo conhecimento pode fazer com que uma afirmação pareça convincente.

Na Idade Média parecia plausível que se uma pessoa caminhasse para muito longe numa única direção, acabaria atingindo os limites da Terra. Essa conclusão fundamentava-se na premissa de que a Terra era achatada. Como exemplo mais recente, pessoas que desconhecem as causas de certos fenômenos celestes naturais por elas percebidos aceitam como afirmações plausíveis que esses fenômenos são provocados por seres extretarrestres no espaço.

No que diz respeito a conhecimento abstrato e temas especulativos que não envolvem fatos reais, deveríamos confiar um pouco na crença. Ninguém é verdadeiramente uma autoridade em questões de opinião pessoal e resultantes de mera interpretação individual. Ninguém pode se afirmar como autoridade em algo que não pode ser demonstrado e que consiste apenas em uma convicção pessoal. A verdade deve ter a confirmação da experiência. Não podemos sustentar que alho é verdadeiro se não podemos, igualmente, submetê-lo à prova de nossas experiências sensoriais. Podemos raciocinar até certo ponto que a questão é bastante auto-evidente para nós. Nós, em questão é bastante auto-evidente para nós. Nós, em nós mesmos, podemos não ter qualquer dúvida sobre ela.

Entretanto, expor um conceito a uma análise objetiva pode subseqüentemente provar que ele é falso. Assim, somos obrigados a aceitar as descobertas principais das nossas experiências sensoriais, em contraste com a razão apenas. Se nos recusamos a aceitar o que os sentidos comunicam, a realidade de certas condições podem nos destruir. Não podemos, por exemplo, fechar os olhos e imaginar que uma rua está livre de carros passando, e caminhar para o meio dela sem correr o risco de um desastre.

Portanto, a apresentação racional de um conceito por uma pessoa, sem a comprovação da experiência objetiva, é quando muito uma verdade relativa. Ela é relativa ao raciocínio particular do individuo que a expõe. Em assuntos abstratos, sua contemplação e interpretação pessoal, que para ele representam uma convicção auto-evidente, são equivalentes às de qualquer outro individuo.

Consideremos a noção abstrata de Deus. Este é um conceito sem uma realidade objetiva. Em outras palavras, não existe uma coisa material que seja uma contraparte da idéia de Deus e que tenha aceitação universal por todos os seres humanos. Conseqüentemente, a concepção de Deus alcançada por um individuo possui uma relativa verdade, igual à alcançada por qualquer outro individuo sobre a mesma questão.

Desacreditar nossa opinião sobre assuntos abstratos, simplesmente por ser nossa opinião, e aceitar a de uma outra pessoa, que se diz uma autoridade, é um desnecessário sacrifício da nossa liberdade intelectual. Encontramos essa crença e fé cega muito comumente à mostra hoje em dia. Porque alguém muito popular escreve ou fala de modo convincente sobre um assunto, que não pode ser empiricamente demonstrado, não deve garantir uma crença implícita nas afirmações feitas. Há uma crescente necessidade de um ceticismo saudável.

Um cético não é alguém com uma mente fechada para as postulações e exposições dos outros. Pensar assim é cometer uma injustiça para como verdadeiro cético. O verdadeiro cético é alguém que chegou a uma convicção pessoal sobre um assunto ou questão. Para ele a questão está até certo ponto satisfeita. Ele não é persuadido a substituir sua própria concepção pela de um outro, a menos que os fatos possam refutá-los ou, no caso de ser algo relativo a um assunto abstrato, que surja um argumento mais lógico que o seu.

O verdadeiro cético é um individualista intelectual, alguém que pensa por si mesmo. Ele não é facilmente influenciado pela opinião das massas, pelo fato de um certo numero de pessoas acreditar nisto ou naquilo, ou por uma publicação popular ter feito esta ou aquela declaração. Para esse cético, verdade é realidade. Ela tem de ser aplicável a certas circunstancias e ter preponderância do respaldo das experiências. Se algo tem em si os elementos da verdade, então é merecedor de aceitação, quer tenha ou não a concordância das massas.

O cético, contrariamente à conceituação popular, não é alguém inclinado à descrença. Ele é tão prontamente um buscador do conhecimento quanto o não-cético, sendo que a diferença é que o cético tem certos critérios pelos quais aquilo que é oferecido como conhecimento é avaliado. Esses critérios são a demanda por uma demonstração razoável de tudo o que é declarado, a menos que se trate de conclusões abstratas ‘prima facie’. Em verdade, o cético diz: “Eu quero acreditar. Eu quero saber. Mas não vou aceitar credulamente tudo o que me dizem, nem vou aceitar sem questionar uma opinião sem provas.” Talvez o cético demore um pouco mais para aumentar seu reservatório de conhecimento. Entretanto, ele é menos suscetível de ficar decepcionado ou desiludido.

Como um homem pode ser livre se não pensar por si mesmo? Afinal, só aqueles que ‘pensam fazem uma escolha verdadeira’. Os demais estão sujeitos à influencia da sugestão, seja ela sutil ou direta.

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[Texto de R.M.L]

Além de qualquer duvida razoável.


Perturbado, Trix examinou mais uma vez os relatórios anteriores sobe o Planeta Azul que já enchia todo o horizonte. Eram deprimentes. Como podiam seres inteligentes agir de forma tão destrutiva e cruel? O mais belo planeta daquele quadrante do universo vinha sendo sistematicamente poluído, desvitalizado, descaracterizado. Os seres que o dirigiam tinham tecnologia e conhecimentos suficientes para o uso adequado daquele admirável mundo - mas algum defeito em seus sistemas de pensamento os impedia de enxergar a realidade clara e simples das coisas. Pior, estavam brincando com forças cujo alcance e poder não aquilatavam devidamente. Manipulavam energias, cujo alcance desconheciam, com uma arrogância insuportável, e estavam enveredando pelos campos desconhecidos e perigosos da engenharia genética, como crianças a brincar com explosivos.

Tudo para eles era motivo para a criação de novos armamentos e novos meios de dominação das muitas raças que povoavam o planeta. Ignoravam a beleza de seus campos, rios, flores. Se soubessem como era descolorido e monótono o planeta de onde vinha Trix...No entanto, lá havia paz, harmonia, justiça e evolução; era um recanto do universo onde tudo tendia para o amarelo-ocre – águas, montanhas, pessoas – contudo, em Mauria existia a compaixão, o amor fraterno e o desejo sincero de evoluir para a Perfeição, enquanto que no planeta azul – dotado das mais espantosas riquezas e maravilhas, como tantos climas e locais promissores para a formação de civilizações superiores - tudo isto era desperdiçado, mal utilizado, desprezado, em nome da mais grosseira ambição, egoísmo e desejo de dominação. Com o correr dos séculos, a maldade dos homens tinha formado uma aura tenebrosa ao redor do planeta, que fazia mal a todos os investigadores que dele se aproximavam para observação e estudo; aura essa cujas emanações estavam se tornando insuportáveis, e se avizinhavam do ponto de causar prejuízos a outras civilizações daquele quadrante.

Trix já vivera muito, tinha visto muitos mundos e estudado muitas civilizações, e nada se comparava àquele extraordinário desperdício de oportunidades. Ele controlou as emoções que o invadiam, pois seu trabalho exigia a mais absoluta frieza e imparcialidade. Sua missão era dar a última palavra sobre o extermínio ou não dos habitantes do planeta azul, para que o mesmo pudesse um dia abrigar criaturas mais merecedoras e sensíveis. Vários estudos tinham sido feitos, verificados e reverificados, porque os Maurianos, cujo dever era cuidar daquele quadrante do espaço sideral, eram justos e tinham horror a qualquer infração das sagradas leis que regem o universo. Trix recebera ordens de fazer a derradeira revisão, e sua decisão seria definitiva. Ele sentia o peso dessa responsabilidade, e pensava quase que obcecadamente nas recomendações finais do Conselho de Mauria: o povo do planeta azul só seria exterminado após qualquer possibilidade de haver uma ‘duvida razoável’ ter sido declarada inexistente.

Trix desligou o aparelho onde os relatórios feitos nos últimos séculos mostravam com muita clareza que os ‘humanos’ pareciam irrecuperáveis – eram maus, ambiciosos, egoístas e cegos para os valores mais elevados da Vida Universal. Em seguida, ordenou à sua mente que esquecesse aquelas cenas e palavras gravadas nos relatórios, para poder ver o planeta de maneira imparcial e isenta de pré-julgamento.

Entrou na nave menor, própria para o seu trabalho, e iniciou a inspeção final da Terra. Usando os sensores de bordo, sua capacidade telepática superior e contato visual pelos visores, viu a beleza das geleiras cintilando ao Sol, dos campos pontilhados de flores [era primavera], das montanhas majestosas, dos rios murmurantes, dos dourados desertos [vários deles causados pelo descuido dos homens]; examinou as grandes cidades, as fabricas imensas vomitando veneno pelas chaminés, as belas casas e os jardins dos poderosos, como também os prédios desumanos com seus apartamentos frios e sem personalidade, as favelas miseráveis, e principalmente as armas, as articulações secretas de grupos de homens, cujos resultados eram sempre a fome, a morte e o sofrimento de nações inteiras. O ‘ruído’ de todas essas coisas era insuportável e Trix precisou usar todo o seu extraordinário controle para continuar a inspeção. Captou as intenções malévolas dos humanos em geral, a falta de compaixão, a ausência de ternura, de alegria, de simplicidade, e o nível da moralidade atingindo o fundo da escala. ‘Viu’, através dos poderes de sua mente, humanos jovens se destruindo lentamente no desespero de drogas perigosas, práticas perversas, crimes, loucuras. O ‘ruído’ malévolo e dominante de todas essas coisas era ensurdecedor, invadia todo o espaço e não lhe permitia captar as vibrações amorosas emitidas por alguns seres humanos.

Trix pensou, atordoado: “Se eu não fosse tão bem treinado, morreria em um minuto nesta atmosfera pestilenta, carregada de ódio, inveja e mesquinhez. Como é que ‘eles’ conseguem viver assim? Devo concluir sem sombra de duvida que seres mais merecedores deverão ter o privilégio de viver um dia neste planeta tão belo. Seus habitantes devem ser exterminados; não souberam usufruir com dignidade e inteligência dessa dádiva divina que lhes foi concedida por algum alto desígnio. Mas devo ser justo ao máximo. Só por desencargo de consciência, vou descer num ponto desabitado qualquer e sentir o planeta fisicamente, para ter certeza de que não existe uma duvida razoável, pois esta é uma decisão muito pesadas, que poderá ter conseqüências cármicas muito vastas. Ela deve ser correta e visar o bem maior.

Trix pousou a nave sobre uma rocha que se erguia numa praia deserta. Desceu e, pela primeira vez, seus pés tocaram o solo do planeta azul. Todo os eu ser se encheu de emoção: o cheiro do ar, o fragor das ondas verdes e espumosas do poderoso oceano, a sensação deliciosa do vento em seu corpo, o azul profundo do firmamento – era tudo tão belo, tão divino! Viver em um lugar assim ‘teria’ que inspirar sentimentos nobres, não todos aqueles sentimentos horríveis que envolviam a Terra com tão medonha aura. Aquele recanto estava protegido por penhascos, mas ainda assim era fácil detectar o angustiante e sombrio peso do ambiente terreno.

Trix nem percebeu que uma criança o olhava com admiração. Davi tinhas ido brincar na areia com suas bolinhas de vidro, único brinquedo que possuía, pois era muito pobre, e ficava a maior parte do tempo sozinho – a mãe era empregada doméstica numa casa a uns dois quilômetros dali, onde não admitiam a presença de crianças. Nem por isso Davi era infeliz. Sua mão o amava, contava-lhe histórias bonitas e ensinava preces, transmitia idéias positivas e alegres, cheias de esperança e amo. É claro que às vezes ele se sentia muito só, mas sabia conversar com o vento, com as águas do mar, coma s gaivotas que ali vinham pescar. Ao ver aquele estranho homem alto, magro, de pele amarelada, com aparência nobre e sábia, Davi adivinhou logo quer ‘era um astronauta’. E por ser criança não teve medo e foi se aproximando.

Trix se surpreendeu um pouco com a própria distração, indevida naquelas circunstancias. Mas ao sentir as vibrações daquele serzinho miúdo, soube que tudo estava bem. Em poucos minutos os dois estavam jogando bolinhas, ‘tecando’ umas nas outras, colocando-as nos buraquinhos feitos por Davi na areia molhada e firme. Trix achou as bolinhas fascinantes, com suas volutas coloridas e misteriosas. Davi, a certa altura, disse que gostaria de viajar pelo espaço, mas só se a mãe fosse junto. Trix respondeu que era impossível, não podia levar passageiros. Porém, podia mostrar-lhe a pequena nave de reconhecimento. Feita a visita, que maravilhou o menino, Trix infantilmente pediu para brincar mais um pouco com as bolas de vidro – estava encantado com o brinquedo.

“É normal haver uma exceção neste mundo – creio que este serzinho é a exceção que confirma a regra”, pensou Trix tristemente, cuja decisão continuava firme. Sua descida tinha sido apenas mais um meio de captar impressões sobre um planeta que logo estaria desabitado, tendo que assim permanecer por vários séculos, até que a aura se purificasse e ele pudesse ser mais uma vez o berço de novas civilizações.

“Sinto muito, menino”, pensou ele, “mas você é apenas um entre bilhões de criaturas sem caráter, cujo fim só pode ser a destruição. A operação-exterminio apenas irá apressar esse fim, que virá sem dor ou sofrimento.”

Então Trix se despediu de Davi, dizendo: “Tenho de partir, tenho obrigações a cumprir. Adeus e obrigado”.

“Mas tão depressa? É uma pena, gostei da sua companhia. Foi muito engraçado saber que vocês podem viajar entre as estrelas, mas não sabem fazer bolinhas de vidro colorido para brincar!”

“Não é mesmo estranho? Gostei desse jogo, acho que meus filhos adorariam jogar também. Tentarei fabricar bolinhas de vidro, mas não conseguirei fazê-las tão coloridas – em meu mundo os recursos de cores são pequenos, talvez seja este o único defeito do meu planeta natal...”

“Está certo, Trix. Faça boa viagem, vou sentir sua falta, você é um cara legal. Mando lembranças para seus filhos.”

“Adeus, Davi. Quem sabe nos encontraremos de novo um dia, em algum lugar do universo, para continuar nosso joguinho de bolinhas...”

Com estas palavras, ditas com uma certa amargura, Trix começou a andar na direção da nave, enquanto o menino olhava tristemente para o novo amigo que ia embora tão depressa. Então teve uma idéia e saiu correndo atrás do ‘astronauta’, depois de contemplar por algum tempo as bolinhas de vidro, sua única riqueza, que mal cabiam na mãozinha miúda.

“Trix! Espere um pouco!”

“Tome, leve isto, é um presente!”

Trix, parou, voltou-se e viu as bolinhas coloridas na mão estendida para ele, numa dádiva totalmente pura e generosa, de real amizade. Emocionado, ele pegou as três e as levou para a nave, depois de abraçar carinhosamente o garotinho.

Trix tinha que terminar sua missão, mas estava inquieto, uma agitação interna o perturbava. Decidiu voltar à praia para pensar um pouco mais e senti pela ultima vez a delicia daquele lugar e o frescor da brisa marinha. Levou as bolinhas e sentou-se numa pedra para meditar, fixando o olhar no encantador colorido do vidro, à luz suave do crepúsculo. Aos poucos, sentiu vibrações muito sutis e foi separando-as do tumulto que envolvia o planeta com uma densa nuvem.

E então, ouviu a voz de um poeta exaltando a glória da natureza. E a cantiga de uma jovem mãe embalando o filhinho. Sentiu a força do ideal que levava os defensores do meio ambiente a lutar com denodo pela saúde da Terra. Captou preces de místicos em meditação, harmonizando-se com a Divindade, orando pela paz, pele amor, pela fraternidade entre os homens. Percebeu que entre os louco tecnólogos haviam alguns que tinham o desejo de disciplinar o uso do saber. E sonhadores a desenhar no ar um mundo melhor e mais justo. Homens e mulheres sacrificando seu tempo e conforto para levar alivio e pão aos doentes e famintos.

Eram bem frágeis aquelas vibrações diante da força selvagem da maldade humana, por isto tinham passado despercebidas no ‘ruído’ grotesco que sufocava Terra. Trix tomou conhecimento delas, e não podia ignorá-las...O episódio das bolinhas de vidro tinha servido de catalisador ou de ‘sintonizador’.

Voltando à nave maior, TRix sentiu-se confuso, dividido entre a decisão já tomada e a inquietação que o acometia. A luz do teto incidiu com força sobre as bolinhas de Davi, ao lado do teclado fatal, com os botões que iam decidir o destino do planeta azul. O olhar de Trix foi atraído para elas e nesse instante soube com intima convicção que lhe seria impossível apertara a tecla ‘execute’ que determinaria o breve extermínio da humanidade.

A generosa e espontânea dádiva de Davi [que nunca saberia do fato...] tinha presenteado o povo da Terra com mais uma chance de corrigir seus descaminhos, e se tornar digno do planeta azul, ao criar uma poderosa ‘dúvida razoável’...

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Há muitas pessoas chegando a acreditar, com amargura e ceticismo, que a raça humana não é digna da vida, que não ‘presta’, etc. E ainda que não digam isto com estas ou outras palavras semelhantes, dizem-no com atitudes de um constante ‘não vale a pena’, seguindo as massas em comportamentos de degradação e na inversão de valores e princípios universais. Publicamos esta historia de ficção com o intuito de, criar no coração de cada um uma mesma ‘dúvida razoável'...

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[Texto de Ceslawa Nycz]