sábado, 21 de novembro de 2009

A TEIA DA VIDA_A INTELIGÊNCIA UNIVERSAL


Em seu livro, A TEIA DA VIDA – Uma Nova Compreensão dos Sistemas Vivos, o físico Fritjof Capra mostra, com base em farta documentação, que a natureza é de fato inteligente – algo que os místicos de séculos atrás já sabiam.

A idéia central do livro do físico Fritjof Capra mostro todo o alcance da mudança revolucionária que está ocorrendo no pensamento científico. Com habilidade, senso comum e farta documentação, o livro A TEIA DA VIDA – UMA NOVA COMPREENSÃO DOS SISTEMAS VIVOS leva o leitor a concluir do mesmo modo que os místicos e santos de muitos séculos atrás:

“A mente universal está presente na natureza. Portanto, a natureza é inteligente. Porém, a inteligência não é necessariamente um processo verbal. A compreensão que fica presa às palavras é superficial. O conhecimento pode ocorrer de modo direto, independentemente de informações.”

Com doutorado na Universidade de Viena,autos de livros famosos como O TAO DA FÍSICA E O PONTO DE MUTAÇÃO, Capra é um dos principais pensadores da Nova Era, cujo surgimento ele estuda e descreve a partir dos avanços da ciência e da redescoberta das filosofias orientais.

Em The Web of Life [“A Teia da Vida”][1],Capra faz uma crônica da evolução cientifica no século 20 e retoma as teses de O PONTO DE MUTAÇÃO para discutir as teorias sistêmicas, que procuram ver todas as coisas em conjunto e nunca isoladamente. Para ele, não só a física, mas todas as áreas especificas da ciência moderna desembocam hoje inevitavelmente na visão ecológica do mundo, assim como os rios encontram o oceano. A visão ecológica é idêntica à visão mística.

Capra abre seu livro com um poema de Ted Perry, inspirado na famosa mensagem do chefe indígena Seattle ao presidente norte-americano, considerado como o maior manifesto ecológico de todos os tempos:

“Isto nós sabemos.
Todas as coisas estão ligadas
Como o sangue que une uma família...
Tudo o que afeta a terra
Afeta os filhos e filhas da terra.
O homem não teceu a teia da vida;
Ele é apenas um fio dela.
Tudo o que ele faz à teia
Ele faz a si mesmo.”

A concepção sistêmica da vida não vê as coisas como elementos isolados, mas como partes de padrões vibratórios integrados, conjuntos cheios de significados, cujas características mais importantes não estão em suas partes, mas na maneira como estas partes se relacionam. Este enfoque surge, de certo modo, da física quântica. “Os objetos sólidos da física clássica se dissolvem no nível subatômico em padrões de probabilidades que tem forma de ondas”, escreve Capra:

“Estes padrões, além disso, não representam probabilidades de coisas, mas de interconexões. As partículas subatômicas não significam nada como entidades isoladas, mas só podem ser compreendidas como interconexões, ou correlações, entre vários processos...em outras palavras, as partículas subatômicas não são coisas, mas relações entre coisas, as quais, por sua vez, são relações entre outras coisas, e assim por diante.”

O paralelo com a tradição mística e esotérica é inevitável. “O mundo físico é MAYA, ilusão”, diz o budismo há 2.500 anos, antecipando a física moderna, “e além desta aparência ilusória está o vazio que “plenitude”. A sabedoria hermética afirma: “Assim é o grande como o pequeno, e tudo está unido a tudo o tempo todo.”

A unidade de todas as coisas não significa que não haja diferença entre elas. Afinal, estamos acostumados a compreender o mundo pelas suas partes, e estabelecendo contrastes entre elas: frio e quente, alto e baixo, rápido e lento, próximo e distante. Há um nível de percepção da realidade em que estas distinções funcionam perfeitamente [conforme a física de Newton]. Mas a aparente exatidão e a segurança desta dimensão da ciência são limitadas. Capra dá um exemplo disso.

Suponhamos, diz ele, que uma professora de física deixa cair de certa altura um objeto até o chão, e mostra a seus alunos como calcular o tempo de queda do objeto de acordo com a formula newtoniana clássica.[2] Como a maior parte da física de Newton, a fórmula vai ignorar a resistência do ar, e por isso não será perfeitamente exata. Se o objeto fosse uma folha de papel, a experiência fracassaria. A professora pode ir além desta primeira aproximação e levar em conta a resistência do ar acrescentando mais um elemento à sua formula. Mas isto também não dará uma precisão total. A resistência do ar depende da temperatura e da pressão atmosférica, e também do movimento do ar da sala, o qual é movimentado inclusive pela respiração dos estudantes. Capra mostra, então, que a precisão nunca é total, derrubando o velho paradigma de que o conhecimento científico é exato. “A ciência avança através de respostas parciais a questões cada vez mais sutis, que alcançam cada vez mais profundamente a essência dos fenômenos naturais”, escreveu Louis Pasteur. “Em ciência, nós sempre lidamos com descrições limitadas e aproximadas da realidade”, completa Fritjof Capra. E é a aceitação desta “imprecisão relativa” que leva a desistir da obsessão com o detalhe e a olhar as coisas em seu conjunto.

O cérebro humano, por exemplo, pode ser visto como uma rede ou teia de relações. “A estrutura do cérebro é tremendamente complexa”, diz Capra. “Ela contém 10 bilhões de células nervosas[neurônios], que estão interligadas formando uma grande rede graças a 1 bilhão de junções[sinapses].” O cérebro pode ser dividido em seções, ou sub-redes, comunicadas entre si de modo não-linear, isto é, com a troca energética fluindo em todas as direções ao mesmo tempo e provocando uma ação instantaneamente coordenada.

Algo semelhante ocorre com o planeta Terra, como ecossistema natural. Há uma auto-organização. E, segundo a hipótese Gaia, a auto-organização ecológica também é consciente. Deste modo, vemos que existe um ecossistema mental, que reúne nossas idéias e pensamentos, e que tem como ponto de apoio no mundo físico o nosso cérebro; existe um ecossistema emocional, que tem como ponto de apoio físico o nosso sistema nervoso; e há um ecossistema físico, nosso corpo com os aparelhos digestivo, circulatório, respiratório, etc. Cada um destes ecossistemas tem sua própria forma de inteligência e capacidade de auto-organizar-se. Mas a visão ecológica da vida, que é, por estranho que pareça, igualmente ‘mística e científica’ não pára neste ponto. Os ecossistema físicos e naturais externos ao ser humano também são auto-regulados e têm sua própria forma de inteligência. Grande parte do livro de Capra é dedicado “à hipótese de Gaia”, segundo a qual o planeta Terra vive e regula seu metabolismo mantendo a temperatura certa e as outras condições necessárias à vida.

“O processo de auto-regulação foi a chave para a idéia de James Lovelock[criador da hipótese Gaia], escreve Capra. “Ele sabia, graças à astrofísica, que o calor do Sol aumentou em 25% desde o começo da vida na Terra, apesar disso, a temperatura na superfície do planeta tem permanecido constante, em nível confortável para a vida, nestes últimos 4 bilhões de anos.”

Foi então que Lovelock formulou a hipótese de que a Terra seria capaz de regular sua temperatura-assim como a composição química da sua atmosfera, a salinidade dos seus oceanos, etc.- do mesmo modo que os organismos vivos descritos pela biologia. A Terra não era mais “um planeta morto feito de rochas, oceanos e atmosfera inanimados”, mas sim um conjunto vital capaz de auto-regular-se. A ciência moderna redescobria deste modo a deusa grega Gaia. E é bom lembrar, a esta altura, que James Lovelock não era nenhum poeta romântico ou estudioso das tradições místicas orientais, mas um especialista em química atmosférica contratado pela Nasa para fazer parte do programa de investigações sobre a vida em Marte.

Neste livro, como em textos anteriores, Capra parece cometer uma certa injustiça em relação a Isaac Newton, quase sempre citado como expressão maior da ciência estreita e mecanicista. Na verdade, Newton era praticante da alquimia e temia as tendências materialistas do pensamento cientifico, que levaram a uma falta de reverencia e de ética diante da vida. Ele aceitava a doutrina da vida universal e da colocação, por Deus, do espírito divino m todas as coisas, o que, com palavras diferentes, é a mesma idéia central de Capra outros físicos atuais. Lembrando o famoso episódio em que Newton desenvolve a sua teoria a partir da queda de uma maçã, enquanto ele repousava sob uma árvore, Helena Blavatsky escreveu, com seu estilo irônico:

“As idéias e os pensamentos mais íntimos de Newton foram deturpados, e da sua profunda ciência matemática aproveitou-se apenas a crosta física. Se o pobre Sir Isaac Newton houvesse previsto o uso que seus sucessores e discípulos dariam à sua “gravidade” aquele homem piedoso e crente teria preferido certamente comer tranqüilamente a maçã, sem jamais dizer uma palavra sobre as idéias mecânicas sugeridas pela sua queda.”[3]

De qualquer modo, uma das contribuições revolucionárias de A TEIA DA VIDA trata da natureza do conhecimento. Adotando a chamada TEORIA DE SANTIAGO, formulada por HUMBERTO MATURANA e FRANCISCO VARELA, Capra afirma que a mente não é uma coisa, mas um processo. A mente é a aquisição de conhecimento, e está imersa na própria vida concreta da natureza:

“As interações de um sistema vivo com seu meio ambiente são interações cognitivas, isto é, de conhecimento, e o próprio processo da vida é um processo cognitivo. Nas palavras de Maturana e Varela, VIVER É CONHECER.” A idéia é inspiradora. Não há vida sem conhecimento, e portanto o próprio desenvolvimento do mundo vegetal – por exemplo – é uma ampliação de conhecimento. Inverte-se, pois, a famosa frase de Descartes, “Penso, logo existo.” O saber é inseparável da existência, e não há vida sem saber. Tudo o que existe tem consciência. Podemos imaginar uma árvore que diz:

“Estou viva, busco os nutrientes no solo, estendo minhas raízes de modo a firmar melhor meu tronco, abro minhas folhas de modo a captar melhor a luz e a energia do Sol, e estas são diferentes formas de conhecimento. Meu conhecimento da vida é direto, e não verbal. Não preciso falar para buscá-lo ou usá-lo. Mas posso falar através da própria imaginação humana de quem me compreende.”

Os cidadãos de hoje, perdidos em um mar de palavras, esquecem do conhecimento direto. A consciência plena, independente do discurso verbal, é objeto da ioga e do samadhi ou êxtase místico. Não é por mero acaso que os santos e sábios buscam o convívio com a natureza. Eles tem o mesmo tipo de conhecimento direto que as plantas e animais, e desenvolveram uma percepção imediata da realidade que não necessita da intermediação do pensamento, porque sabem que navegam no universo e que a separatividade é uma ilusão.

Mesmo mantendo-se dentro dos limites da linguagem cientifica acessível ao público leigo, Capra amplia a relação cada vez mais vasta, hoje, entre ciência e sabedoria esotérica. E, ao traçar a enorme diferença entre conhecimento e informação, lança um desafio fascinante ao jornalismo e aos meios de comunicação de massa.

Quando o rádio e a televisão despejam uma quantidade imensa de informações a cada instante, não estão transmitindo nenhum conhecimento real. A comunicação autentica não é uma mera transferência de informação, mas sim uma troca entre sistemas vivos. Os meios de comunicação de massa devem fazer o cidadão crescer como ser humano, e não apenas lançar sobre seu cérebro atônito imagens desconexas de coisas que estão ocorrendo em algum lugar, mas que ele não entende porque não percebe qual a relação delas com sua vida concreta.

Será preciso que os meios de comunicação social renunciem ao abuso do que é “fantástico” e “extraordinário” para que possam cumprir sua missão, acelerando conscientemente o surgimento de uma mente humana mais profunda e poderosa, livre do ruído interior da busca de “novidades”. O verdadeiro conhecimento é interior e não-verbal. Quando o jornalismo adequar-se a este fato, a transição para a NOVA ERA se completará com uma velocidade surpreendente. As informações serão, então, transmitidas dentro de um contexto significativo de crescimento interior, em que as noticias do mundo externo – boas ou más – fazem parte do processo do nosso desenvolvimento espiritual e o aceleram. O que se poderá chamar de “visão sistêmica do jornalismo e da informação” é, cada dia mais, uma necessidade objetiva da nossa cultura.

A lição central do livro de Capra é que não existe nada separado, seja dentro de um átomo, em nosso planeta ou no universo. Cada ação ou atitude nossa provoca certas conseqüências, não é sobre os outros, mas sobre nós próprios. “Toda ação provoca uma reação igual em sentido contrário”, diz a terceira lei de Newton, que é uma perfeita formulação da lei do carma. Sabendo disso, talvez o melhor que podemos fazer é lembrar sempre dos versos imortais:

“Pare de fazer o mal.
Aprenda a fazer o bem.
Purifique seu coração.
Este é o ensinamento dos Budas.”

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Notas


[1]The Web of Life, a New Scientific Understandign of Living Systems, Anchor Books, Doubleday, Nova York,mEUA, 1996, 333 pp.

[2]The Web of Life, pp 41-42.

[3]Helena Blavatsky em A Doutrina Secreta, Ed. Pensamento, Vol II, p.194. ver também Helena Blavatsky, a Vida e a Influencia Extraordinária da Fundadora do Movimento Teosófico Moderno, de Sylvia Cranston, Editora Teosófica, Brasília, 1997.


[4]Texto por Carlos Cardoso Aveline.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

MERGULHO NO INCONSCIENTE_A CHAVE DO CONTENTAMENTO


A satisfação proveniente de um desejo realizado ou de um objetivo conquistado é sempre passageira. Para alcançar o contentamento duradouro, o homem, na verdade, precisa enfrentar o mundo interior e desenvolver maior compreensão de si próprio.

Quem não quer contentamento?

Embora todos queiram, há uma verdadeira epidemia de descontentamento na vida moderna.É a tragédia de nosso tempo que, seja o que for que a gente consiga, seja qual for a quantia de dinheiro que a gente ganhe, sejam quais forem as bênçãos que nos sejam concedidas nunca é o bastante. Pois, para cada desejo que a gente satisfaz, outro sempre o segue muito de perto. Você pode ter uma casa em Aspen ou ganhar tanto dinheiro quanto Bill Gates e, apesar disso, ainda sentir que a plenitude continua se esgueirando para longe de você. Isso acontece porque o contentamento não é um resultado do que você tem, nem mesmo do que você faz na vida. O contentamento não está lá fora. Bem, talvez você tenha um aperitivo ou outro lá fora, mas eles deixam de satisfazê-lo em pouco tempo e,então, você já está ansiando por mais. E, por mais que tente,nenhum volume de propriedade, poder ou prestigio satisfaz por muito tempo.

Pense numa época em que você esteve contente de verdade. Quase todos conseguem se lembrar de momentos que um desejo profundo foi satisfeito. Talvez você estivesse olhando seu filho comer um pedaço do bolo de seu primeiro aniversário, ou dar seus primeiros passos. Que experiência maravilhosa, plena! Talvez você estivesse pescando num lago tranqüilo de uma montanha, ou caminhando sossegadamente pelos bosques, longe dos prazos e pressões do trabalho e do aborrecimento constante das tarefas domésticas. O contentamento também pode surgir no trabalho – naqueles momentos em que parece que você entrou no ritmo de suas tarefas. Em vez de ficar consultando o relógio a cada cinco minutos, você fica completamente absorvido pelo que está fazendo, e o tempo voa. Realizar um objetivo pode dar contentamento durante algum tempo.

Mas esses momentos se desvanecem rápido demais. Muitas vezes, você só percebe que cruzou a fronteira do céu alguns dias ou semanas depois, quando começa a sentir saudade do que está faltando. E então tenta reproduzir as condições que levaram ao contentamento. Você faz outro bolo ou volta a caminhar nos bosques. Mas não é mais a mesma coisa.

O contentamento é difícil de preservar. Com conseguir tranqüilidade interior, satisfação e paz de espírito?

Nossa sociedade ensina que a única realidade é aquela que podemos pegar. Valoriza as experiências externas e as posses materiais. Portanto, procuramos o contentamento “lá fora” e vivemos com uma mentalidade de “assim que...” “Assim que eu terminar meu trabalho, vou relaxar.” “Assim que eu me casar, vou ficar contente” ou, inversamente: “Assim que meu divórcio sair, vou ficar contente”. “Assim que eu ganhar bastante dinheiro, vou poder ficar mais tempo com meus filhos”. “Assim que eu tiver um chefe melhor, um emprego melhor, uma casa maior, um carro novo...” E, assim, nosso contentamento “escorre” por entre os dedos como água – outro momento, um lugar diferente, uma situação melhor.

“Poderosos criadores de descontentamento” – A Madison Avenue compreende a nossa fome de contentamento e a usa como base da publicidade moderna. Sopas, automóveis, seguros de vida – vende-se de tudo com a promessa de satisfação que vai trazer ou do desconforto que vai nos ajudar a evitar. A publicidade infiltra-se em praticamente todos os recessos da vida moderna, dos comerciais de rádio e televisão aos dos jornais, revistas, traseiras de ônibus, outdoors, bancos de praça, camisetas, a Internet – e até nossos telefones residenciais. Todas essas mensagens se destinam a nos MANIPULAR no sentido de desejar um produto ou serviço. Somos impelidos pelos desejos e empurrados pelos medos. A Madison Avenue e a mídia são poderosos criadores de descontentamento.

James Joyce, o grande romancista do século 20, ao refletir sobre o papel da arte na sociedade, observou que a propaganda se destina a criar sentimentos de desejo ou aversão no publico. O desejo insiste conosco para possuirmos, ir atrás de uma certa coisa, enquanto a aversão insiste conosco para abandonarmos, para nos afastarmos de uma certa coisa. Joyce contrasta isso com a arte, que, em sua opinião, eleva a mente humana, cria tranqüilidade interior e nos conecta ao que é”grave e constante” no destino da humanidade.

Segundo esse modo de ver a civilização, grande parte da cultura popular de hoje – e não só a publicidade – é mera propaganda com o objetivo de instigar nosso descontentamento.

Como evitar o martelar constante da propaganda na vida moderna? Um bom primeiro passo é reconhecer que ir atrás de coisas novas ou diferentes nunca satisfaz, e seu contentamento é importante demais para ser perdido num ciclo interminável de ganhar e gastar, desejo e arrependimento.

Como você provavelmente já percebeu, fazer mais do que já fez até agora não é a resposta. Mais bens de consumo, mais trabalho, mais férias, mais amantes não levam a mais contentamento. O que você precisa é desenvolver mais CONSCIÊNCIA e a COMPREENSÃO de si. O contentamento vem de dentro.

“Em Busca do Contentamento” – O que é contentamento? O dicionário informa que é a experiência de estar satisfeito, de não desejar mais do que você tem. Este é um ponto de partida, mas ignora elementos importantes do contentamento, inclusive os aspectos mais essenciais, a partir de uma perspectiva psicológica. Como é a experiência do contentamento? Quais são as condições que levam a ele?

Procure lembrar de novo de um momento de satisfação em que tudo parecia certo: não havia necessidade de mudar o que você estava fazendo, nem a pessoa com quem você estava, nem o lugar onde se encontrava. Durante esses momentos, a vida é rica e plena. O burburinho das preocupações, medos e ansiedades misturados, que tantas vezes ficam em volta da cabeça como um enxame de mosquitos famintos, silencia. Em vez de julgar a si mesmo ou chorar pelo leite derramado, você está satisfeito só por existir. Até aquela voz antiga e familiar do desejo, a inquietação na sua cabeça que chora como uma criança mimada e exigente, “gritando eu quero, eu quero, eu quero”, também está calada. O contentamento é cheio de paz como o luar no fundo de um rio, tranqüilo no meio da mudança constante.

Agora. Aqui. É isso. O contentamento proporciona uma experiência diferente do tempo; a mente pára de perambular pelo passado ou pelo futuro. Como pessoas modernas que somos, perdemos muito tempo desejando estar numa situação diferente, o que, claro está, é impossível. Você pode dizer que contentamento é estar apaixonado pelo momento presente, não apenas aceitando-o como um casamento arranjado, mas abraçando com êxtase e sofreguidão o eterno agora como quem abraça seu amor.

O contentamento surge de uma disposição de abandonar idéias preconcebidas e de afirmar a realidade tal como ela é. Respeitar “as coisas como elas são“ é o exato oposto de viver com aquela mentalidade do “assim quem...”. A realidade nem sempre é como você gostaria que fosse. E, quando não é, ou você fica frustrado e redobra os esforços para curvá-la à sua vontade, ou aprende a aceitar, confirmar e até a dançar com o que lhe é dado.

“Arusacumar, o vendedor de coco – Mark Twain“ disse certa vez que nada amplia tanto a visão de uma pessoa quanto viajar para um país estrangeiro. É difícil perceber os pressupostos e hábitos em torno dos quais sua vida gira enquanto você não sai de sua órbita.

Há um vendedor de coco chamado Arusacumar que vive num barraco de bambu perto da cidade de Pondicherry, no sul da Índia. É um mestre da arte de cortar o topo de um coco verde com um facão, introduzir um canudinho e oferecê-lo a seus fregueses. Você se senta num saco de estopa cheio de cocos para saborear a sua água, pois é a única mobília de sua banca no meio-fio. Arusacumar é um dos homens mais contentes do mundo, e esse estado semidivino é extremamente contagiante. Ele canta e ri e faz você entrar no clima do Jardim do Éden, onde passa os seus dias.

O contentamento está além dos caprichos da sorte e das posses. As opções de Arusacumar são limitadas, suas expectativas são poucas e seu contentamento é grande. Ele ainda faz muita bobagem e se mete em muitas encrencas, mas, quando está em dificuldades, não se sente culpado, nem fica obcecado pelo que poderia ter feito ou deixado de fazer.

Arusacumar tem uma CONSCIÊNCIA profunda de uma REALIDADE INVISIVEL, ETERNA. Quando as coisas não estão do jeito que ele gostaria que estivessem, ele supõe que um plano maior está em ação. Essa estrutura invisível – dê-lhe o nome de destino, ou de vontade de Deus – pode não ser clara em termos imediatos, mas ele confia em que acabará por lhe ser revelada, e a aceita. Que diferença da abordagem moderna de agarrar a vida pelos colarinhos e tentar esganá-la para que ela se submeta à sua vontade!

“PERDA DE CONTATO COM NOSSAS RAÍZES” – Fez parte da genialidade do psiquiatra suíço CARL JUNG reconhecer que a vida moderna atribui uma tarefa grande demais ao eu pessoal. A sociedade ocidental nos ensina que cada um de nós é um eu separado, isolado. Esquecemos a existência de uma camada mais profunda de experiências que partilhamos com toda a nossa cultura e com toda a criação. A essa camada, Jung deu o nome de inconsciente coletivo – uma fonte de sabedoria, de propósito, de significado.

O INCONSCIENTE COLETIVO é um grande mar onde todos nós nascemos. Nesse mar vivem os sentimentos, as idéias, as capacidades, os comportamentos, os defeitos e virtudes que identificamos como nós mesmos; e desse mar brota cada individuo, cada ego, cada “eu”.

Muitas pessoas inteligentes de nossos dias recusam-se a admitir que tem um inconsciente. Insistem em dizer que sabem porque querem o que querem, e porque fazem o que fazem.

INCONSCIENTE é um termo curioso, como IRRESISTÍVEL. Diz o que algo não é, em lugar de dizer o que é. Mas o inconsciente não é tão vago e esotérico assim. Consiste em todos aqueles processos que ocorrem dentro de você e à sua volta,mas no segundo plano. Você sabe que a sua pressão sangüínea e o ritmo de sua respiração ajustam-se quando sobe um morro correndo, ou quando o tempo muda, e você não precisa pensar nisso conscientemente. O corpo faz muitas coisas sem precisar de pensamento consciente, e a mente também. Dizer que temos um inconsciente é uma forma de dizer que, mental e fisicamente, fazemos parte da natureza. As profundezas do inconsciente são as profundezas da natureza. Mesmo quando nos sentimos inteiramente isolados dos outros, é importante lembrar que nosso lar psicológico comum continua o mesmo.

O doutor JUNG levantou questões importantes para as pessoas modernas em relação à natureza de nosso verdadeiro eu, ou SELF, lembrando-nos de uma coisa que as civilizações anteriores tinham como ponto pacífico - que o verdadeiro EU encontra-se numa camada muito mais profunda que a razão e o intelecto, mais profunda que nossa individualidade. As proezas dos deuses e demônios dos antigos parecem fantásticas e irracionais pelos padrões de hoje, mas os povos pré-modernos ao menos tinham conhecimento do fato importante de que há forças poderosas em ação em nossa vida, forças que tem uma existência própria, independente de nossos desejos e de nossa vontade consciente. Para chegar ao contentamento, não podemos simplesmente ignorar os poderes do inconsciente. Precisamos nos relacionar com eles.

RELIGIÃO COM ALGO MAIOR – Vivemos numa era de CONSCIÊNCIA do “EU”. Os seres humanos dominam o mundo físico de uma forma que ninguém julgava possível. Nossos edifícios e nossas cidades são monumentos a nós próprios. Basta olhar a linha do horizonte de uma grande metrópole; os edifícios mais altos são símbolos do poder humano, de “status” e controle. Antigamente, na história ocidental, as construções mais altas eram sempre dedicadas ao divino. Mas, à medida que fomos adquirindo a capacidade de controlar a realidade externa, também fomos nos enchendo de um sentimento de onipotência.

Não faz muitos anos, o edifício da Shell Oil em Londres foi construído andar por andar, até sua altura exceder a cúpula da Catedral de São Paulo. Houve um clamor nos jornais e uma controvérsia tremenda; disseram que uma era antiga terminara e uma nova era secular de comércio e negócios estava substituindo os valores tradicionais.

Crises ecológicas de vários tipos estão nos mostrando a tolice de pensar que podemos manipular a natureza à vontade, sem conseqüências graves. Todas as formas de vida são interconectadas e são interdependentes. No nosso mundo interior também.

Arranjamos todo tipo de problemas por pensar que a vida pode ser medida, compreendida e controlada exclusivamente pela nossa vontade consciente. O indivíduo isolado procura chegar ao contentamento por meio da novidade, do poder, do prestígio – manipulando o mundo externo. Sem contato com o INCONSCIENTE COLETIVO, ficamos cheios de ansiedade e insegurança.

O “eu” dentro de nós pode tornar-se arrogante e alienado de suas raízes na natureza. É difícil para nós admitir que há muita coisa na vida fora de nosso controle. Mas um pouco de humildade é um dom maravilhoso.

“DE NOVO COM OS PÉS NO CHÃO” – Temos familiaridade com a palavra ‘humus’, que significa terra fértil, que você coloca em seu jardim para fazer com que ele se desenvolva. Está relacionada com as palavras “humildade, humilhar e humildade” – todas elas implicam fazer com que voltemos à terra. O contentamento não requer raciocínio e força de vontade; se esses dois atributos fossem tudo quanto é necessário, a humanidade certamente estaria contente agora. Mas não está. Precisamos, isso sim, aprender a diminuir nosso orgulho e reconhecer que o “eu” lá de dentro não sabe tudo e, às vezes, passa por maus bocados até descobrir o que é melhor para nós.

O contentamento requer que a gente acabe com a arrogância da consciência moderna voltando a pôr os pés e os joelhos no chão e restabelecendo uma relação permanente com o inconsciente coletivo.

A maior parte da psicologia atual – 90% ou mais – procura facilitar a relação de uma pessoa com o mundo externo. Talvez você não esteja conseguindo ter alguém, ou seu casamento vai mal, ou você seja desajeitado socialmente, ou algo assim. Essas são questões importantes e muitas vezes precisam ser trabalhadas. Mas, para chegar ao contentamento, precisamos enfrentar o mundo interior, igualmente maravilhoso e difícil.

Há aquela história de um homem empenhado na busca espiritual que um dia perguntou a seu mestre: “Dizem que antigamente as pessoas iam e conversavam com Deus. Por que isso não acontece mais?”. O mestre respondeu: “Porque hoje em dia, ninguém se rebaixa a esse ponto.”.

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Notas
[*]O texto é um excerto dos capítulos 1 e 2 do Livro CONTENTAMENTO, de Robert A. Jhonson e Jerry M.Ruhl, lançado pela Editora Mercuryo, Tradução: Dinah de Abreu Azevedo.



quinta-feira, 19 de novembro de 2009

REVISÃO BÍBLICA_A REENCARNAÇÃO SEGUNDO CRISTO


Embora fosse uma crença universal na época de Jesus, a reencarnação não foi mencionada no Novo Testamento. Uma leitura mais atenta das Escrituras, porém, mostra que a doutrina era plenamente aceita por Cristo.

“Quando Jesus ia passando, viu um homem cego de nascença. E os discípulos perguntaram: Mestre, quem pecou para este homem nascer cego, ele ou os seus pais?[ João 9:1-2]

Os estudiosos da Bíblia tem de admitir que os verdadeiros autores do Novo Testamento são desconhecidos para a maioria. A coleção de textos que o compõe é só uma pequena parcela dos inúmeros manuscritos em circulação antes do Concilio de Nicéia[325 d.C] arbitrariamente decidiu quais escritos sagrados seriam incluídos. De maneira bastante semelhante ao Antigo Testamento, os quatro Evangelhos simplesmente são uma coletânea “autorizada” das palavras de um homem chamado Jesus, sobre quem, historicamente, pouco sabemos.

Se é verdade, como sugere Josefo, que os essênios acreditavam na reencarnação, eram pastores e carpinteiros, dedicados a servir ao Pai invisível, usavam cabelos compridos, vestindo-se com uma simples túnica tecida circularmente sem costuras e um manto escarlate, temos aí então uma descrição tradicionalmente aceita de Jesus.

Evidentemente que se ‘tanto’ João Batista ‘quanto’ Jesus foram membros desta seita, como acreditam vários estudiosos, eles deveriam conhecer os ensinamentos judaicos e orientais sobre reencarnação.

Com isso em mente, examinemos os diversos diálogos atribuídos ao Mestre sob outro ponto de vista:

Para começar, quando os discípulos de Jesus perguntaram sobre o homem que nasceu cego, não estavam longe das indagações dos antigos irmãos cabalistas.

É lógico que só quem já acredita na possibilidade de uma vida anterior é capaz de perguntar se uma criança ‘nascida’ cega pecou ‘nesta’ vida. Logo, ou ela cometeu algum pecado numa existência anterior ou nasceu cega por alguma transgressão dos pais, ou ambas.

Infelizmente a resposta de Jesus, pelo menos como aparece nos Evangelhos, não se refere ao renascimento. Ele simplesmente afirma que não foi nenhum dos casos. A criança nasceu cega, disse o Mestre, para que as obras de Deus fossem manifestadas nela.

O conhecido pesquisador bíblico James Pryse, em sua obra clássica [edição esgotada] REINCARNATION IN THE NEW TESTAMENT, comenta:

“Considerando o assunto reencarnação pelos autores desses textos, é importante observar que, embora essa crença fosse praticamente universal na época de Jesus e uma doutrina essencial em todas as assim chamadas religiões pagãs, ela não é negada, discutida ou questionada em parte alguma do Novo Testamento. Quando o assunto vem à baila, como ocorre com freqüência, o fato da reencarnação é ou tacitamente aceito ou inequivocamente confirmado, como no caso de Elijah.”

Os judeus sempre esperaram a reencarnação de todos os seus grandes profetas. Acreditava-se quem Moisés fora Abel, o filho de Adão; que Adão viera numa segunda vez como Davi e era aguardado que retornasse como o, há muito esperado, Messias.

Entretanto, antes da vinda do Messias, outros seria enviado como mensageiro, segundo a profecia encontrada em Malaquias 4:5, “Eis que vos envio o profeta Elijah, antes que venha o dia do Senhor.”

Como Elijah já havia morrido muito tempo antes, é evidente que essa profecia só poderia ser à chegada de alguém que nascera como Elijah em outra época e lugar, que no idioma grego era chamado de “Elias”.

Diante do exposto, observemos o relato de Mateus 17:10-13:
“E seus discípulos o interrogaram dizendo: Por que os escribas dizem que Elias deve vir primeiro?“ E Jesus respondeu: ele há de vir para restabelecer todas as coisas. Mas eu vos digo que Elias já veio e não o reconheceram, mas fizeram com ele o que quiseram. Do mesmo modo, também o Filho do Homem está para sofrer da parte deles. Então os discípulos compreenderam que Jesus tinha lhes falado a respeito de João Batista.”

Estas palavras de Jesus só fazem algum sentido se entendermos que João Batista foi Elias, ou Elijah, em uma vida anterior. Como o Mestre fala [no passado]que já fizeram o que queriam com João e que Seu destino seria o mesmo, esta conversa obviamente aconteceu depois que João já havia sido decapatidado.

Temos que ter em mente que os diálogos de Jesus foram arbitrariamente organizados nos Evangelhos pelo autor ou autores que deles se lembravam, muitos anos após terem efetivamente ocorrido. A seqüência dos eventos apresentada em um dos Evangelhos pode, portanto, ser diferente em outro.

Por analogia, até mesmo dentro de um Evangelho podem ser encontradas discrepâncias de detalhes em uma determinada historia, assim como ocorre com as pessoas que, vendo um acidente acontecer, podem,dependendo das posições e dos pontos de vista, sugerir causas diferentes.

Ao descrevermos outra passagem de Jesus e seus discípulos, que também deve ter ocorrido após a morte de João Batista, encontramos:

“Quando Jesus chegou à região de Cesaréia de Felipe, perguntou aos discípulos: “O que dizem por aí que eu, o Filho do Homem, sou?” “Responderam: “Uns dizem que é João Batista;outros dizem que é Elias;outros, enfim, que é Jeremias ou algum dos profetas.”
“Então lhes perguntou”:’E vós mesmos, quem dizeis que eu sou?’”Simão Pedro interveio e respondeu:”Tu és o Cristo, Filho do Deus vivo.” Jesus retomou a palavra e declarou: “És feliz, Simão Barjona, pois não foram a carne e o sangue que te revelaam isso, mas meu Pai que está nos céus!” [Mateus 16:13-16]

Esta conversa é muito interessante, pois apresenta vários elementos claramente sugestivos de que a doutrina da reencarnação era conhecida pelo publico da época e principalmente pelos discípulos de Jesus.

Quando fez a pergunta: “O que dizem por ai que eu, o Filho do Homem, sou?”, Jesus obviamente estava tentando descobrir quais eram os boatos locais e seu respeito. A resposta de Pedro foi clara e profunda. Incluía as absurdas possibilidades de Jesus ser a reencarnação de João Batista, morto recentemente, e do Messias ser a reencarnação de um dos profetas, um crença antiga.

Pedro não teria motivos para incluir todas essas possibilidades se não fossem tema de conversas na cidade.

Observemos o novo nome – Barjona – que Jesus deu a Pedro. Em sírio, o prefixo “Bar” é traduzido como “o filho de”. Então, chamando Pedro de “o filho de Jonas” – que claro, ele não era-, Jesus diz aos outros discípulos que não apenas ele, mas também Pedro “viveram antes” como o profeta Jonas.

A tradução da mesma escritura por James Pryse, empregando outras fontes além do grego, assinala este ponto de maneira mais dramática:”Você é imortal, Simão, filho de Jonas! Porque a carne e o sangue não lhe revelam[este segredo], mas meu Pai que está nos céus.”

No Evangelho de João encontramos outra declaração do Mestre sugerindo que já vivera antes. Quando lhe perguntaram se era o grande Abraão ou algum outro profeta falecido, respondeu:
“Abraão,vosso pai, alegrou-se intensamente com o pensamento de ver meu dia. Ele o viu e ficou alegre.” Os judeus lhe disseram: “Ainda não tens 50 anos e já viste Abraão?” Jesus respondeu: “Eu vos afirmo e esta é a verdade:antes que Abraão nascesse, EU SOU.” [João 8;56-58].

É lógico que somente após ter vivido na época de Abraão é que Jesus poderia dizer que Abraão ficou alegre com sua chegada; entretanto, para enfatizar mais sua preexistência. Ele acrescenta que não viveu somente no tempo de Abraão, mas também antes dele.

Um ultima escritura que precisa ser discutida é encontrada no Apocalipse de João 3:12:”Farei do vencedor uma coluna no templo do meu Deus, de onde nunca sairá, e escreverei sobre ele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, aquela que desce dos céus, vinda do meu Deus e também o meu nome novo.”

Temos aí a expressão de uma idéia que aparecer inúmeras vezes em varias escrituras orientais: uma vez que se compreende a unidade com o cosmos, o renascimento se transforma em escolha, em vez de necessidade.

Não é preciso dizer que após a morte do Mestre os debates entre os antigos papas da Igreja sobre o que constituía a ortodoxia continuaram. Como muitos dos primeiros bispos eram convertidos das assim chamadas religiões pagãs, eles traziam consigo suas crenças originais, muitas das quais incluindo o conceito do renascimento.

Em 553 d.C o imperador Justiniano, líder de todo o Império Oriental, declarou guerra a Orígenes [185-254 d.C] e suas crenças, inclusive a do renascimento como extensão natural à crença na preexistência da alma.

Resolvido a destruir de uma vez por todas o que considerava heresia, Justiniano anunciou a sessão não oficial do Quinto Concilio Ecumênico, mais tarde chamado de Segundo Concilio de Constantinopla, excomungando Orígenes por suas doutrinas.

Embora estivesse em Roma naquela época, o Papa Vigílio, seqüestrado e mantido prisioneiro de Justiniano por oito anos, recusou-se a participar deste concílio quando Justiniano não assegurou o mesmo quorum de bispos representantes do leste e do oeste.

Uma vez convocado, o concílio só incluiu 1656 bispos da cristandade em sua reunião final, dos quais, 159 eram da Igreja oriental, garantindo a Justiniano todos os votos de que precisava.

Quem defendesse a “prodigiosa preexistência das almas” ou “dissesse que Cristo tinha corpos diferentes e vários nomes” era declarado proscrito, o que significava “um castigo eclesiástico formal envolvendo excomunhão”.

Em conseqüência, com exceção de umas poucas seitas heréticas como a dos CÁTAROS e dos ALBIGENSES,[1] que herdaram várias crenças gnósticas sobre o renascimento, o conceito aparentemente desapareceu da cristandade por aproximadamente 14 séculos.

Pode-se atualmente ser um cristão e ainda acreditar na reencarnação? A resposta, definitivamente, é sim, diz Hans Stefan Santessan:

“Se você acredita em reencarnação, considera o homem um entidade espiritual imortal, nascido muitas vezes em corpos físicos no decorrer de sua longa jornada evolutiva para a perfeição. Na verdade, não existe conflito com os ‘ensinamentos originais” da Igreja!

“Lembremo-nos... de que os Evangelhos que conhecemos não são os que os Pais da Igreja sabiam, ensinavam e estavam prontos a defender com suas vidas. Nossas versões “ortodoxas” do Antigo e Novo Testamento, ignorando por instantes os erros e omissões[além dos pecados] de autoridades posteriores, remontam o sexto século” [Reincarnation, pág 105].

Para concluir, as palavras de James M. Pryse, que talvez sejam as que melhor definam tudo:

“Já foi mostrado que a reencarnação, não somente no caso de um homem determinado, mas como lei da vida que se aplica a todos os homens, é ensinada de maneira diferente no Novo Testamento. Discutir este ponto é negar que os autores daquela coletânea de textos queriam dizer em linguagem inconfundível. Rejeitar a reencarnação é impugnar seus ensinamentos.”

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Notas
[*] O texto aqui apresentado é um excerto do terceiro capitulo de O Livro da Reencarnação, de ZOLAR, publicado no Brasil pela Editora Nova Era. Tradução: Roberto Argus.

[1]Albigeneses:da cidade de Albi, seita do sul da França no século 12[ Pequeno Dicionário Enciclopédico Koogan Larousse.][N.do T]


terça-feira, 17 de novembro de 2009

SIMPLIFICAÇÕES PERIGOSAS_OS MAPAS DA REALIDADE


Visões pessoais da realidade só fazem sentido quando utilizadas para facilitar a nossa vida cotidiana, sem que se perca de vista a possibilidade de outros paradigmas. Pressupor que a nossa perspectiva é a única forma correta de ver o mundo tende, geralmente, a criar sérios problemas para o ser humano. Impossibilidade de mudança, acúmulo de preconceitos, falta de criatividade e ausência de liberdade são apenas alguns deles.

Uma visão de mundo, um sistema de descrição de como o mundo funciona, é um mapa da realidade. Como em qualquer outro mapa, certas definições do que “existe” e do que é “real” são aceitas, outras não. O mapa diz: “O que mostro é real para o seu propósito, o que não mostro não é real para seu propósito”. Ele define a realidade, e a definição é válida, uma vez que ajuda a realizar nossos propósitos com mais facilidade. Tomemos um exemplo.

A seguir, vamos imaginar que temos dois mapas da área em torno da cidade de Nova York. Um deles é o que deve ser usado pelo piloto de avião partícula, quando o dia está claro. O piloto olha pra baixo, vê rios, pontos, prédios, etc., e a partir desses pontos sabe onde está e como chegar ao aeroporto. O outro mapa é utilizado pelo piloto de uma linha aérea comercial. Aponta apenas os sinais de rádio. Esses dois mapas do que “está fora” no mesmo espaço geográfico, ambos acurados, válidos e úteis, não têm um único traço em comum. Poderíamos levar a discussão mais adiante, imaginando outros tipos de mapas da mesma área,tais como mapas barométricos, de densidade demográfica, de relevo e outros mais. Cada um deles teria uma imagem diferente, conteria diferentes elementos, conduziria a diferentes comportamentos e serviria a diferentes objetivos. Cada um seria “um mapa” válido e não “o mapa válido”. [1]

A maior diferença ente um mapa físico e visão de mundo está neste último ponto. Quando olhamos para um mapa, sabemos que ele é válido apenas para o propósito a que se destina. Ele não tem o pressuposto de representar a “única” forma correta de se olhar o território. Uma imagem do mundo tem, quase invariavelmente, esse falso pressuposto e tende a criar para nós, humanos, a maioria das situações problemáticas com as quais nos deparamos. Esquecemos que, como acontece com o mapa físico, ele pode apenas nos ajudar a alcançar certas metas. As outras, ele define como irreais e não existentes, conduzindo portanto as partes de nosso ser que seriam alimentadas por aquelas metas a definharem insatisfeitas.

Estamos tão convictos de que o nosso sistema de organização da realidade é o único válido e “real que fica difícil compreendermos a idéia de que os símbolos usados por nosso sistema não são uma parte inextricável daquilo que representam. Em outras palavras, achamos que os símbolos que a nossa cultura nos ensinou a usar são os naturalmente corretos e todos os outros são errados. Se pronunciarmos a palavra “igle” diante de um americano e um alemão, o primeiro a associará a um pássaro e nada mais; o segundo, a um porco-espinho, como se somente um porco-espinho pudesse ser chamado assim.[2] Observe a afirmação de que 2+2=4. É difícil acreditar que o sinal + possa significar igualmente “dividido por”. Estamos tão bem treinados que o conceito “mais” parece o único natural e correto para o sinal +. A designação original foi completamente acidental e poderia muito bem ser “dividido por”, mas é muito difícil acreditarmos nisso.

Há uma velha anedota que ilustra bem esse sentimento. Adão e Eva davam nome aos animais no Jardim do Éden. Eva disse: “Este é um hipopótamos”. Adão perguntou por que esse nome, e Eva respondeu:”Por que ele parece um hipopótamo.” Hoje, de fato, ele parece mesmo. Seria muito difícil mudar seu nome para “phlerm” sem comentar secretamente:”Eu o chamo de ‘phlerm’,mas é, na verdade, um hipopótamo”. Os símbolos e o mapa da realidade que nos orientam parecem ser as únicas possibilidades válidas.

Um coisa deve ficar clara sobre nossa realidade, o mundo que percebemos e ao qual reagimos:ele é passível de transformações. Com a intenção de observar essa hipótese, falarei sobre alguns diferentes aspectos da realidade, começando com a variedade de idéias que elas contêm e o seu alcance.

No século 15, o maior engenheiro do mundo projetou um helicóptero. A máquina voadora de Leonardo da Vinci é perfeitamente viável e voaria não fosse uma razão:na percepção dele de realidade não havia o menor vestígio de um conceito que hoje todo garoto de 8 anos conhece – que a energia pode ser obtida de outras formas além do vento, da água e dos músculos. Isso simplesmente não fazia parte da realidade de Da Vinci. Conseqüentemente, quando levantou-se o problema de como fazer a hélice girar, a única solução encontrada por ele foi colocar dois homens no helicóptero girando manivelas. A solução não produziu força suficiente se comparada ao peso dos homens, e o helicóptero não pôde voar. Pelo que sabemos das habilidades de Leonardo, é óbvio que, se ele soubesse da possibilidade de uma força não proveniente do vento, da água ou dos músculos, teria construído rapidamente uma máquina a vapor e, bem ou mal, o helicóptero teria voado, cinco séculos atrás.

Este parece apenas um fato histórico medianamente interessante. Entretanto,tem suas implicações atuais. O incidente [...] sobre a discussão entre pai e filho a respeito da carreira deste último pode ser um exemplo. A convicção do filho de que o maior benefício para um indivíduo e para a sociedade advém do fato de que cada pessoa deve aprender a cantar sua própria canção, tocar a própria música com sua maneira de ser, criar e relacionar-se, talvez não exista na realidade do pai. Mas é crucial na realidade do filho. Por outro lado, a idéia de que conquistar qualquer coisa de valor na vida requer trabalho duro e disciplina pode fazer parte realidade do pai e não da do filho. A menos que os dois aprendam a escutar um ao outro e a perceber a realidade do outro, eles podem estar na mesma sala, bem próximos, conversando, mas a comunicação será pobre e a experiência não trará nenhum crescimento ou mudança [...]. Literalmente, nenhum deles é livre, nem tem livre-arbítrio, enquanto estiver preso a respostas convenientes à sua própria realidade; e uma vez que não admite a existência de outra realidade “real”, não pode mudar seu comportamento.

Até poucos anos atrás, o problema da ecologia - ou seja, a questão de não transformar nosso planeta em um imenso depósito de lixo inabitável – era impossível de ser solucionado porque dois pensamentos relacionados à ecologia não faziam parte da realidade da maioria das pessoas. Para elas, as noções de que todas as coisas se inter-relacionam e tudo tem de ir para algum lugar estavam tão distantes do jeito como percebiam o mundo quando a idéia do motor a combustível estava para Leonardo da Vinci. Só quando essas idéias passaram a fazer parte da realidade da vida das pessoas a ecologia tornou-se uma atividade significativa.

Nossas realidades mudam à medida que novas idéias passam a fazer parte delas. Algumas idéias novas, como a de que os seres humanos tem inconsciente, de que a Terra é redonda, de que a bactéria existe, de que as emoções podem afetar o corpo, já integram a nossa realidade. Uma vez que conseguimos aceitar novas idéias e que elas podem transformar o mundo em que vivemos, cada um de nós deve se perguntar de que novas idéias precisamos [ como a fonte de energia de Leonardo] para resolver os problemas importantes. Podemos manter os olhos voltados para essas novidades e então checá-las e testá-las. Podemos sugerir, para começar, a noção de que nossas idéias [portanto, o mundo em vivemos]podem mudar, somar-se a outras e tornar-se mais ricas. Só com esse conceito já introduzimos uma mudança significativa em nossa realidade: permitimos que ela se abra para novas transformações, se forem as que buscamos.

Outro aspecto da realidade de uma pessoas que pode mudar é o seu campo de ação: até onde ele vai? Podemos olhar para esse aspecto, perguntando: “Quantas pessoas ele abrange?” Isto é, quantas pessoas são reais para que você possa agir como se fossem tão reais quanto você? Há mais alguém além de você? Uma, duas, três ou mais? Família? Amigos? Colegas de trabalho? Será que uma criança que morre de fome em outro país é tão real que você a leve em consideração na hora de votar ou decidir sobre impostos, o racionamento ou alguma campanha de caridade? Pessoas diferentes incluem diferentes quantidades de outras pessoas em suas realidades.

Historicamente, o campo de ação da realidade mudou para a maioria com o crescimento populacional. Podemos observar esse fato claramente se considerarmos o assunto sob o ponto de vista do impulso para a ação, talvez de defender, lutar e até morrer por alguém. Provavelmente, primeiro havia apenas eu, ou eu e a família. Depois, ampliou-se até a tribo, a cidade, a província e a nação.

A cada nova expansão, a realidade continuou abrangendo todas as pessoas que já faziam parte dela em vez de substituí-las. É interessante notar que nossos sentimentos em relação às pessoas que vivem uma realidade mais ampla que a nossa são muito diferentes dos que nutrimos pelas pessoas inseridas numa realidade mais limitada. Imagine como você se sentiria em relação a alguém disposto a lutar por uma cidade, mas não pelo país. Digamos que essa pessoa lutasse pela Borgonha ou por New Jersey em vez de pela França ou pelos Estados Unidos. Agora imagine o que sentiria por alguém que vê todo o planeta como sua própria realidade, como Dag Hammarskjold ou Albert Schweitzer. Obviamente os sentimentos são diferentes.

Desde que se tenha CONSCIÊNCIA da extensão da própria realidade, pode-se decidir o que se sente por ela; se se deseja ou não mudá-la. Este é o primeiro passo e é crucial: estar consciente de um aspecto da sua realidade, saber que pode ser modificado e decidir se quer ou não fazê-lo.

Há exemplos de que nossa contribuição tenha mudado o que existe fora, de que nossa percepção do mundo e nosso comportamento tenham,portanto, também mudado? Certamente, essa tem sido uma verdade constante em nosso julgamento do belo. Michelangelo era considerado um escultor de segunda linha, e Shakespeare, um escritor elisabetano menor. Exemplos deste tipo são infinitos. Podemos também observar o conceito de criança. A lei que permitia tirar crianças [de 7 e 8 anos] das escolas para trabalhar nas fábricas de dez a 12 horas por dia foi revista apenas recentemente. Houve, na época em que aprovamos a lei, há apenas 50 ou 60 anos, alguma transformação na criança que tivesse mudando nosso comportamento com relação a ela? É evidente que não; mas houve uma mudança em nossas contribuições para a realidade, para o que existe no mundo “fora”. É possível até que nossas contribuições para o que é real e importante mudem novamente e cheguemos à conclusão de que o valor de nosso carro é menor que a saúde de nossas crianças. Se assim o fizermos, mudaremos nosso comportamento e aprovaremos leis realmente eficazes contra a poluição.

Não existe algo como tamanho do espaço. “Qual é o tamanho do espaço?” Essa pergunta não faz sentido. “Qual o tamanho do espaço para mim?” Podemos, legitimamente, fazer esta segunda pergunta e obter uma resposta razoável. O tamanho do espaço, em nossa realidade, é apenas suficiente para conter e separar todos os objetos e pessoas aos quais reagimos, como se, nesse momento, eles fossem verdadeiramente reais e presentes. As pessoas e os objetos devem influenciar nosso comportamento, pois essa é, para nós, a definição de real.[3]

Assim como nosso espaço é suficiente para conter e separar todas as coisas presentes em nossa vida, o mesmo se dá com a definição de tempo. Não podemos esperar uma resposta significativa à pergunta: “Qual é a duração do tempo?” Podemos perguntar: “Quanto dura o tempo para mim?” O tempo dura o suficiente para conter e separar todas as pessoas e atos aos quais reagimos, como se fossem reais. Se reagirmos a problemas que poderão surgir dentro de 20 anos economizando para a nossa aposentadoria, nosso tempo avançará no futuro pelo menos 20 anos. Se reagirmos agora a incidentes e atmosferas de nossa infância, como todos fazemos em maior ou menor grau, nosso tempo real se estenderá pelo menos até aquele ponto do passado. Um historiador percebe os fatos presentes que lhe influenciam e ao seu comportamento como parte de uma seqüência de acontecimentos ocorridos antes de ele nascer; nesse caso, seu tempo real estende-se muito no passado. Se reagirmos ao que pode acontecer depois da nossa morte biológica, tentando evitar um futuro acidente ecológico ou demográfico, nosso tempo será ‘real’ pelo menos até onde se estende o futuro.

Talvez essa idéia fique mais clara se, em vez de perguntarmos quantos números existem, a pergunta seja quantos números são reais para nós. Contrastam aí dois extremos: o ignorante que consegue contar até dez e chama o número seguinte de “muitos”, e o matemático. Consigo também estimar meus próprios limites. Até certo ponto, reajo diferentemente a cada número. Além desse ponto, reajo somente a diferenças maiores [como entre 100 e 125, mas não entre 100 e 101]. Há um limite além do qual novos acréscimos simplesmente não mudam meu comportamento. Não acho, por exemplo, que me comportaria de forma diferente diante de um ou dois milhões de uma mesma coisa. Um “milionário”, um estatístico e um contador de uma grande empresa iriam se comportar de maneiras completamente diferentes.

Há mais um aspecto ligado à nossa percepção de tempo e espaço. Dentro de nossa realidade essas áreas são nitidamente delimitadas [como a superfície de um tabuleiro de damas] ou são uma única “peça” de roupa bem acabada? Percebemos e reagimos ao tempo como se ele fosse composto de períodos claramente delimitados, ou como a água corrente de um rio cujas partes não podem ser separadas? O espaço é uma série de círculos concêntricos à nossa volta[minha família, meus amigos, minha cidade, meu país] que nos leva a reagir de maneira diferente a fatos que ocorrem entre esse círculos? Ou será que percebemos e reagimos ao nosso espaço como se dentro dele não houvesse limitações e as coisas e pessoas estivessem inextricavelmente interligadas ao ponto de, como afirmou o físico P.C.Bridgeman, “qualquer movimento local agita todo o universo?”. Como veremos na discussão sobre as diferentes imagens do mundo, esse é um importante aspecto da realidade sujeito à nossa decisão de transformá-lo.

Escrevi [...] sobre a questão levantada por Voltaire a respeito do índio que visitou os tribunais da Inquisição e não entendeu as ações daquelas pessoas. Obviamente, o índio e os espanhóis organizavam a realidade de maneiras diferentes, por isso percebiam e reagiam às imagens da realidade de forma bastante diferente. Isso é algo que nós, seres humanos, podemos fazer: organizar a realidade de diferentes maneiras e, deste modo, modificá-la. È bastante improvável que os animais tenham essa capacidade na mesma proporção. O animal parece ser bem limitado em suas escolhas.

É verdade que os animais também utilizam várias descrições da realidade. Um forte impulso-proteção, forme, sexo - dominando o animal provocará a reestruturação de seu universo e dará diferentes significados aos objetos. Um crustáceo perceberá e reagirá a uma anêmona, seja como alimento, abrigo ou armadilha, dependendo do impulso mais forte no momento [4]. Não há comunicação entre as diferentes organizações de realidade:”elas estão separadas como as diferentes cenas em um palco giratório”.[5].

Nesse ponto, a diferença ente seres humanos e animais não é apenas o maior número de opções, mas o fato de que os primeiros podem exercitar a prerrogativa humana de escolher a organização da realidade mais eficaz para atingir suas metas. O animal muda automaticamente de acordo com o impulso. Seres humanos podem fazer de outro modo.

Começa a se delinear aqui uma definição de ‘ser humano’. Ele é um organizador da realidade e tem grande variedade de opções. Quanto mais usa suas opções, mais humano e menos animal ele é. Defino aqui o ser humano a partir do modelo da ciência moderna, não pelo que ele é em si – no caso, uma pessoa -, mas pelo que faz. A ciência do Renascimento definia as coisa primeiro em termos de estrutura [quais são seus componentes?]; hoje, a ciência as define primeiro em termos de processo [o que faz?]. Diante da grande variedade de opções, talvez possamos definir o ser humano como alguém que tem e exerce a escolha de alternativas, e quanto mais ele as utilizar, mais estará exercitando a função especificamente humana.

O inverso dessa definição de ser humano também é verdadeiro. Quanto menos uma pessoa exercitar suas opções, menos consciência terá das diferentes e válidas possibilidades de se organizar a realidade, de perceber e reagir a ela, e menos utilizará seu potencial especificamente humano. Essa poderá ser brilhante e capaz de lidar com organização específica da realidade que considera única e “real”, mas estará limitada a responder a qualquer outra coisa que aconteça de acordo com sua forma única de ver o mundo; portanto, estará limitada e terá diminuído seu livre-arbítrio.

Este conceito nos leva a outro: nenhuma visão de mundo funciona completamente. Não se trata de uma mapa da realidade, mas o mapa de uma forma de organizar a realidade. Fundamenta-se na crença em certas coisas básicas [a matemática chama-os de axiomas, que jamais podem ser provados] e na exclusão de outras não pertencentes ao sistema, portanto, “irreais”.[6]. Em função disso, todos os sistemas metafísicos, todas as visões de mundo “falham”; funcionam bem para alguns propósitos e mal para outros. Nenhuma dessas visões encerra todas as necessidades humanas. Aquelas por exemplo, que lidam eficazmente com a questão do “como“, lidam com menos eficácia[ou nenhuma] com a questão do “por que” e vice-versa. As que satisfazem nossas necessidades de prever e controlar a realidade não satisfazem nossa necessidade de compreensão. O inverso também é verdadeiro.

Aparentemente, esse é um dos motivos pelo qual os seres humanos tem se mostrado ineficientes com seus problemas da vida. Estamos sempre desequilibrados em alguma área. [É provável que haja exceções, mas certamente são raras]. Não há registro algum na historia humana d que em algum momento tenhamos conseguido usar todo o nosso potencial de prazer, alegria, produtividade, amor e bondade. É evidente que temos um grande potencial em todas essas áreas, porque já o experimentamos e vimos outros fazê-lo em vários momentos da vida. Reconhecemos também o respeito que sentimos por aqueles que utilizam seu potencial intensamente em uma determinada área e respeito ainda maior pelos que o fazem em mais de uma.

É como se nosso comportamento limitado em relação a nós mesmos, em relação aos outros e ao planeta, se devesse, em parte, ao fato de vivermos a realidade do universo de uma forma que é incompleta pela natureza. Estamos atrelados a essa realidade descoberta-inventada porque ela é um pressuposto de toda visão de mundo: parte do principio de que a imagem da verdade é única e é impossível ser “realista”, aceitar ou mesmo levar a sério qualquer outra verdade. Forçados a viver num universo que preenche apenas parte de nossas necessidades humanas, debatemo-nos em agonia atacando primeiro a nós mesmos, depois a nosso vizinho, e prestando pouca atenção à natureza universal que nos mantém vivos.

A saída, se esse conceito for válido, seria aumentar o número de visões de mundo ao qual podemos reagir-perceber, de modo a satisfazer todas as necessidades humanas. Dessa forma, poderíamos escolher o conceito de realidade que mais se ajustasse às necessidades predominantes do momento. Evidentemente, não podemos fazê-lo até termos a clareza de que nenhum dos sistemas válidos de organização da realidade está mais próximo da “verdade” que outro;que cada um representa uma forma diferente de perceber e reagir ao que existe.

Uma nova definição de liberdade começa a aparecer em nossa busca. Parece-me ser a capacidade de procurar novas formas de relacionamento entre nosso “ser” e o “mundo exterior”. Na medida em que pudermos provocar novas formas de conceber-descrever a realidade, seremos livres; se não conseguirmos efetuar esta busca, não seremos livres, mas estaremos fadados a reagir à realidade da maneira que nossa cultura nos permite. Uma vez que essa é a única realidade concebível, devemos responder a ela adequadamente. E nesse conjunto de respostas “apropriadas” não somos livres. Entretanto, se tivermos outras ferramentas, outras formas de criar a realidade, outros jeitos de organizar e relacionar o ‘self’ com o ‘mundo exterior’, seremos livres para escolher entre diferentes formas cada uma delas com um diferente conjunto de respostas apropriadas e, portanto, seremos mais livres.

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Notas
[1]O presente artigo é um excerto do capitulo 3 de Realidades Alternativas, de Lawrence LeShan, publicado no Brasil pela Summus Editorial. Tradução:Edith Elek e Vera Palma.

[2]O exemplo é de Gestalt Psychology, de Kohler, W. Nova Yor, Horace Liveright, 1929, p.72

[3] Este item é uma paráfrase de The Grammar of Science, de Karl Pearson. Nova York, Medidian Books, 1957.

[4]Uma análise cuidadosa disso foi feita por Jacob von Vexkuçç, em seu “Um Passeio Pelos Mundos de Animais e Homens”, in C.H. chiller Instinctive Behaviour.C.H. Schiller, Nova York, International University Press, 1957.

[5] Werner, H. The Comparative Psychology of Mental Development. Nova York, International University, 1973, p.339.

[6]”... já que toda prova se baseia em pressupostos, é inútil que a filosofia pretenda provar todas as suas proposições materiais...Não podemos explicar a experiência nem qualquer outra coisa sem presumir algo...” Cohen, M.R. Studies in Philosophy and Science. Nova Yorkk, Harper & Row, 1949, p.10.
Um dos grandes avanços na matemática ocorreu quando o matemático Kurt Godel mostrou que todos os sistemas matemáticos devem se basear numa série de pressupostos impossíveis de serem provados – os “axiomas”.

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[Por Lawrence LeShan]

Bilderberg _ um clube secreto governa o mundo


Criado há 53 anos, o Clube Bilderberg reúne anualmente, em caráter sigiloso, nomes influentes da política, da economia e da mídia do Ocidente para debater assuntos de interesse mundial. Seus defensores dizem que essas conferências são uma ocasião única para a busca de consenso, mas seus críticos afirmam que em tais encontros se trama o destino do mundo.

É tudo muito discreto: quem atende o telefone do Clube Bilderberg, em Leiden, na Holanda, é uma impessoal voz feminina que, após repetir o número, sugere que a pessoa deixe uma mensagem após o sinal. Alguém mais desavisado poderia até pensar que ligou por engano para uma residência. Mas o que está por trás do tal número de telefone vai muito além disso: para muitos, o Clube Bilderberg é o maestro oculto da política e da economia ocidental há mais de cinco décadas. Todo o segredo que cerca suas atividades (nem portal na Internet ele tem) só contribui para essa imagem.

Fundado em 1954 pelo príncipe Bernhard, da Holanda, pelo primeiro-ministro belga Paul Van Zeeland, pelo conselheiro político Joseph Retinger e pelo presidente da multinacional Unilever na época, o holandês Paul Rijkens, o Clube Bilderberg é uma organização não-oficial que nasceu supostamente para promover a "cooperação transatlântica" e debater "assuntos relevantes em nível mundial" - o que, em plena Guerra Fria, equivalia a discutir a ameaça comunista.
O nome Bilderberg vem do hotel holandês que abrigou a primeira reunião, em 1954. O sucesso desse evento convenceu os seus organizadores a realizá-lo anualmente, em algum país europeu, nos Estados Unidos ou no Canadá.

Atualmente, os encontros do Clube reúnem cerca de 120 personalidades européias e norte-americanas influentes na política, na economia e na mídia. Eles ocorrem em hotéis sofisticados e preferencialmente isolados, que são fechados por ocasião do evento.

Nesse período, um fortíssimo esquema de segurança, a cargo de agentes norte-americanos e de vários outros países europeus, além da polícia local, garante a privacidade dos participantes.

O COMITÊ organizador das conferências tem sido bastante criterioso nas suas seleções de convidados, como se pode constatar pelas listas disponíveis. O polêmico ex-secretário de Defesa norte-americano Donald Rumsfeld era nome habitual nos encontros, assim como Peter Sutherland (ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, atual diretor-executivo da British Petroleum e da Goldman Sachs International e membro do comitê organizador do Bilderberg), Paul Wolfowitz (ex-subsecretário de Defesa do governo de George W. Bush e ex-presidente do Banco Mundial) e Henry Kissinger (ex-secretário de Estado norte-americano).

Bill Clinton, Tony Blair, o ex-secretário- geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) Javier Solana e os bilionários David Rockefeller e Bill Gates também já integraram essa exclusiva relação.

Ao reunir tanta riqueza e poder e zelar pela privacidade absoluta em seus eventos (nenhum participante pode falar sobre o que viu e ouviu nos encontros), o Clube Bilderberg se tornou prato cheio para as teorias conspiratórias. Segundo elas, a organização manipula políticas nacionais e eleições, provoca guerras e recessões e chega a ordenar assassinatos e renúncias de líderes mundiais - como teria acontecido, respectivamente, com o presidente norte-americano John Kennedy e a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher.

PARA MUITOS sérvios, o Bilderberg foi o responsável pela queda de Slobodan Milosevic. Fala-se ainda que três famosos terroristas - Timothy McVeigh (responsável pelo atentado de Oklahoma City), David Copeland (um dos responsáveis pelo atentado ao metrô de Londres) e Osama Bin Laden - também pensam que os governos nacionais dançam conforme a música tocada pelo Clube.

O curioso é que o Bilderberg incomoda tanto conservadores quanto liberais. Para os primeiros, a organização é um plano sionista liberal. Para os outros, com tanto cacife e sigilo envolvidos, coisa boa não deve sair dali. "Quando tanta gente com tanto poder se reúne em um só lugar, acho que nos devem uma explicação sobre o que está acontecendo", disse o exjornalista britânico Tony Gosling ao jornalista Jonathan Duffy, do BBC News Online Magazine ("Bilderberg: The Ultimate Conspiracy Theory", de 3 de junho de 2004).

Por mais verossímeis ou DESCABELADAS que sejam, as ESPECULAÇÕES sobre a verdadeira ATUAÇÃO do Clube Bilderberg dificilmente poderão ser CONFIRMADAS ou refutadas.

Segundo Gosling, o economista britânico Will Hutton, ex-participante das conferências do Bilderberg, comparou o evento ao encontro anual do Fórum Econômico Mundial, no qual "o consenso estabelecido é o pano de fundo contra o qual a política é feita em nível mundial". Gosling exemplificou os perigos desse "consenso": "Um dos primeiros lugares onde ouvi sobre a determinação de as forças norte-americanas atacarem o Iraque foi no encontro de 2002 do Bilderberg, graças a um vazamento de informação."

Os organizadores se defendem. Para o belga Étienne Davignon, ex vice-presidente da Comissão Européia, vice-presidente da multinacional francesa Suez-Tractebel e atual presidente da conferência do Clube Bilderberg, é impossível pensar em comando mundial único.

"Não creio numa classe governante global porque não creio que tal classe exista", disse ele ao jornalista da BBC Bill Hayton ("Inside the secretive Bilderberg Group", de 29 de setembro de 2005). "Apenas penso que são pessoas influentes interessadas em conversar com outras pessoas influentes."

O jornalista Martin Wolf, do diário inglês Financial Times, que foi convidado para alguns encontros, também pensa que não há fogo atrás dessa fumaça: "A idéia de que tais eventos não podem ser realizados na privacidade é fundamentalmente totalitária", disse a Duffy. "Não é um organismo executivo. Nenhuma decisão é tomada lá."

O EX-CHANCELER britânico Denis Healey, uma das presenças de primeira hora das conferências do Clube Bilderberg, também minimizou as críticas: "Nunca procuramos atingir um consenso sobre os grandes temas nas conferências", disse a Duffy."É simplesmente um lugar para discussões." Healey é só elogios ao Clube: "O Bilderberg é o grupo internacional mais útil do qual participei. A confidencialidade permite às pessoas falarem honestamente, sem medo das repercussões", acrescentou ele.

Por mais verossímeis ou descabeladas que sejam, as especulações sobre a verdadeira atuação do Clube Bilderberg dificilmente poderão ser confirmadas - ou refutadas - por completo. Elas, aliás, não surpreendem o pesquisador britânico Alasdair Spark, especialista em teorias conspiratórias ouvido por Duffy.

"A idéia de que uma panelinha sombria está mandando em todo o mundo não é nada nova", comentou Duffy. "Por centenas de anos as pessoas acreditaram que o mundo é governado por um grupo de judeus. Não deveríamos esperar que os ricos e poderosos organizassem as coisas em seu próprio interesse? Isso é chamado de capitalismo."

Lista seleta

Os 20 nomes relacionados a seguir, convidados pelo Clube Bilderberg para a conferência deste ano em Istambul, são uma amostra da elite ocidental reunida pela organização.

✧ Rainha Beatrix, da Holanda.
✧ Lloyd Blankfein, presidente e chefe-executivo do banco Goldman Sachs.
✧ Paul Gigot, editor da página de editoriais do Wall Street Journal.
✧ Jaap de Hoop Scheffer, secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte.
✧ Rei Juan Carlos I, da Espanha.
✧ Muhtar Kent, presidente e diretor de operações da Coca-Cola.
✧ Henry Kissinger, ex-secretário do ex-presidente Richard Nixon e atual presidente da Kissinger Associates.
✧ Klaus Kleinfeld, presidente da Siemens.
✧ John Mickletwait, editor do The Economist.
✧ Jorma Ollila, chairman da Nokia e da Shell.
✧ Príncipe Philippe, da Bélgica
✧ Eric Schmidt, presidente e chefe-executivo do Google.
✧ Klaus Schwab, presidenteexecutivo do Fórum Econômico Mundial
✧ Javier Solana, secretário-geral do Conselho da União Européia.
✧ Michael Tilmant, presidente do ING Group.
✧ Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu.
✧ Daniel Vasella, presidente e chefe-executivo da Novartis.
✧ Jeroen van der Veer, chefeexecutivo da Shell.
✧ Paul Wolfowitz, presidente do Banco Mundial.
✧ Robert Zoellick (na época, executivo do Goldman Sachs. Assumiu a presidência do Banco Mundial em julho).
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[ Por Eduardo Araia Outubro/2007]

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

ESOTERISMO AQUARIANO _ A FRATERNIDADE BRANCA EM PERFIL


Duas organizações nascidas nos Estados Unidos na década de 50 respondem pela veiculação das idéias sobre uma instituição extrafísica bastante popularizada, especialmente, no final do milênio passado: A GRANDE FRATERNIDADE BRANCA. Composta por mestres que já viveram diversas vezes na Terra, ela se dedica sobretudo a despertar no homem a consciência do nosso Ser Divino.

É notável como o apelo da Nova Era fomenta diferentes idéias ao sabor da atual exaltação do desejo pela espiritualidade. E os preconceitos e a desinformação criam focos de interpretações que só iludem ainda mais o publico leigo.

Objetivando trazer outras idéias a certos temas da cultura da Nova Era, decidi buscar na obra da Grande Fraternidade Branca Universal informações sobre o ciclo planetário que vivemos. Minhas fontes foram mensagens publicadas pelas organizações PONTE PARA A LIBERDADE e SUMMIT LIGHTHOUSE DO BRASIL.

Essas duas organizações nasceram no mesmo país e época: os Estados Unidos da década de 50. A Summit Lighthouse é a mais nova: surgiu em 1958, em Washington, e hoje está sediada no Estado de Montana. Fundada no Brasil em 1990, tem sua sede atual em São Paulo.
Já a Ponte para Liberdade nasceu em 1956, em Long Island [Nova York], mas hoje em dia não existe mais nos EUA;sua sede mundial fica em Porto Alegre, onde surgiu em 1972.

Talvez o leitor se pergunte “por que a Fraternidade Branca?” Segundo as fontes mencionadas, a Grande Hierarquia Cósmica [outro de seus nomes] dedica-se a proteger e guiar a humanidade há mais tempo do que se pode imaginar; seu primeiro contato com o nosso plano físico teria ocorrido há cerca de 18 milhões de anos! Por não se tratar de uma ordem externa, ela também é conhecida como a Hierarquia Oculta, sendo composta por mestres ascencionados que já tiveram encarnações aqui na Terra, e seguem servindo e amando a humanidade das esferas mais elevadas em que se encontram.

EW, 1951, contam os textos, a Fraternidade Branca realizou um Concilio no Santuário de Rocky-Mountain, onde se promulgou um decreto cósmico com novas orientações para a Terra e o Sistema Solar. Nosso planeta, a partir de então, comprometeu-se a “irradiar mais LUZ para manter-se no Sistema Solar”. De modo que os mestres, seus discípulos e as LEGIÕES DE LUZ passaram a redobrar seus esforços, a fim de recuperar a evolução não alcançada em vários séculos.

Segundo consta, a razão desse atraso está no processo de desenvolvimento da quarta raça-raiz, ocorrido no continente de ATLANTIDA. Foi a queda do homem, provocada pela encarnação, na Terra, de almas apegadas à imperfeição e ao mal. Contrariando as expectativas de auxilio à evolução destes retardatários vindos de outros mundos, os habitantes da Terra, que apresentavam elevado desenvolvimento espiritual, foram prejudicados. O homem tornou-se vitima da impureza e da degradação por séculos, colhendo até hoje as conseqüências deste retrocesso.

Atualmente, contam os textos, vivemos a Era da Liberdade, iniciada em maio de 1954 e com duração de 2 mil anos. É a era do MESTRE SAINT-GERMAIN, O PATRONO DA ERA DE AQUÁRIO, quando o homem deverá ter CONSCIENCIA da necessidade de purificar seus corpos inferiores [o corpo mental inferior, o corpo astral ou dos sentimentos, o corpo elétrico ou das recordações e o corpo físico] e de viver em harmonia com tudo e com todos. SAINT-GERMAIN é o CHOHAN [orientador] do RAIO VIOLETA, e nos concede o PODER TRANSMUTADOR DA CHAMA VIOLETA para realizarmos a purificação que haverá de substituir toda imperfeição pela perfeição divina.

Nos últimos tempos, a Terra passou a produzir energias mais aceleradas e sutis, sincronizadas com o constante erguimento do seu eixo. Isso tem causado o aumento da capacidade vibratória dos nossos corpos inferiores, uma preparação à renuncia das impurezas que dificultam o nosso aperfeiçoamento espiritual.

Na verdade, o homem “É UM DEUS EMBRIONÁRIO” e deve resgatar a sua responsabilidade sobre todas as forças e a matéria, de acordo com a lei divina do amor e da harmonia. Conscientizando-se de que ele é sua própria medida naquilo tudo que cria em pensamento, sentimento, palavra e ação; pois toda força da vida imperfeita permanece no seu campo áurico como forte dissonância.

Levando em conta que dois terços da humanidade ainda vive numa fase pré-histórica da evolução espiritual e que “apenas um nono é constituído por aspirantes, probacionários e discípulos na senda do bem e do serviço da Grande Fraternidade Branca Universal”[1], a amplitude e a urgência da tarefa de colaborar com o ciclo evolutivo do nosso maltratado planeta já deveriam estar na ordem do dia de governos do mundo inteiro. Muitos de nós encarnamos comprometidos com a transição em curso, mas lamentavelmente a maioria ainda está inconsciente disso.

A FRATERNIDADE BRANCA ou FRATERNIDADE DOS GUARDIÕES DA CHAMA tem discípulos [chelas], grupos de estudo e centros de ensino nas maiores cidades do mundo. Através de mensageiros, ela envia periodicamente seus ensinamentos aos interessados no seu aperfeiçoamento pessoal e na elevação da humanidade. Trata-se do manancial de sabedoria que, no passado, se restringia aos inúmeros templos, mas que nesta época deve ser transmitida a todo sincero pesquisador da verdade e candidato à ascensão - a condição do ser unificado com o seu centro divino, a Presença “EU SOU“, que se mantém sobre cada individualidade e a envolve.

Sem duvida, esta é a maior promessa da Idade de Ouro da entrante Era de Aquário. Tanto que o planeta Urano, regente desse signo, também representa a ligação direta do homem com as coisas do alto, de onde viemos e para onde havemos de retornar.

Saber como funcionamos desidentificados do eu-personalidade [o eu inferior], na perspectiva de intuir a nossa autentica missão nesta existência, já é um bom começo. Portanto, vamos interpretar a imagem do EU DIVINO, juntamente com o SANTO-SER-CRISTICO e o corpo físico, utilizada pela FRATERNIDADE BRANCA.

A Presença EU SOU, ou DEUS individualizado para cada filho/filha, está rodeada por sete esferas coloridas que constituem o corpo causal, onde se acumula todo bem adquirido em vidas passadas, o ‘tesouro ajuntado no céu’ pelo homem. A Presença é um SER VIVENTE que escuta nossos apelos e orações, nos aconselha, ilumina, dá amor, cura e toda perfeição. Ela e o corpo causal formam a MÔNADA DIVINA, de cujo centro parte a corrente de LUZ [ o cordão de cristal] que desce à segunda figura[vide imagem colacionada].

É O SANTO-SER-CRÍSTICO, CRISTO PESSOAL ou CONSCIÊNCIA CRISTICA, intermediário entre DEUS e o HOMEM. Também é chamado de “anjo da guarda”. Sua vibração é una com a atividade do EU SOU, tendo pó característica particular a sua natureza emocional. É o ZELADOR SILENCIOSO da pessoa, protegendo e inspirando o seu eu inferior. Sobre sua cabeça, vê-se a pomba do ESPIRITO SANTO. Quando o discípulo atinge considerável progresso, o SANTO-SER-CRISTICO revela-se ‘através do seu próprio corpo físico’. Daí dizer-se que cada um de nós deve “SER um CRISTO na Terra”,o que significa a anunciada segunda vinda do Messias.


A Terceira e última figura da ilustração é homem nos planos da matéria [o eu inferior], onde se encontra a alma em evolução e revestida pelos quatro corpos inferiores. O corpo físico ancora os raios de luz emanados da Divindade, porém não é o verdadeiro homem. A figura está imersa no fogo violeta, purificador dos seus quatro corpos inferiores; por cima da cabeça, a corrente de luz penetra o corpo físico, conduzindo a energia que faz pulsar a CHAMA TRINA e o coração físico [chacra cardíaco],permitindo assim a evolução da alma na matéria. A Chama Trina ou Chama Cristica [nas cores azul,poder;dourada, sabedoria;e rosa, amor] é a centelha de vida, o potencial divino do homem.

O tubo de luz que parte do coração da Presença do EU SOU e envolve o homem é um campo de força protetor, mantido no espírito e na matéria para assegurar a individualidade do discípulo. A PRESENÇA DO EU SOU, o corpo causal e o SANTO-SER-CRISTICO formam os nosso três corpos superiores.

Observando cuidadosamente a figura do eu inferior, o leitor tem uma representação de como ele deverá visualizar-se ao invocar a CHAMA VIOLETA – em nome da PRESENÇA EU SOU e do seu SANTO-SER-CRÍSTICO – para purificar os seus corpos inferiores e preparar o “Casamento Alquímico” [a sagrada união do eu inferior com o EU SUPERIOR].

A Consciência do nosso SER DIVINO pode levar-nos ao intraduzível mistério do encontro com DEUS em nosso coração,esta sabedoria original conhecida de antigas tradições espirituais. Nesta época, ela nunca foi tão acessível, apesar das manipulações religiosas que usam da culpa para separar o homem da sua natureza divina.

Temos de aprender a usar o livre-arbítrio para manifestar em nosso mundo as forças construtivas do amor, da luz, da pureza. E o ponto de partida somos nós próprios, pois tudo aquilo que emanamos a nós retorna inevitavelmente [lei de causa e efeito]. Imagine o quanto de energia de vida mal aplicada tem sido colhida pela humanidade a nível coletivo; e reflita sobre as calamidades generalizadas que estão ocorrendo no planeta no presente.

Encontramo-nos na situação de aprendizes da refinada arte de lidar com as energias e as vibrações, mal utilizada há muitas existências. Quando pensamos, sentimos, dizemos e agimos acionamos, sem saber, as forças modeladoras do fluxo de energia projetado da Nossa Presença_EU SOU.

O poder do verbo, da palavra, é ensinado pela FRATERNIDADE BRANCA como um recurso indispensável para produzir mudanças no aqui-agora. São os apelos e decretos que devem ser feitos com assiduidade e concentração, cujos resultados dependem do praticante. [vide abaixo].Mesmo porque toda ação dos mestres ascensionados pelo bem da humanidade deve processar-se através do canal humano, com a devida abertura do discípulo para isso.

Apelar ou invocar a CHAMA VIOLETA diariamente, por exemplo, é algo que ajuda a afastar as criações negativas, livrando-nos das substâncias limitadoras.

Quanto maior for o seu emprego, tanto maior serão os benefícios colhidos, já que a CHAMA VIOLETA tem inteligência e amor.

A FRATERNIDADE ensina que no PLANO DIVINO e sobre a Terra tudo se divide em sete esferas ou SETE RAIOS. Cada um destes raios representa uma esfera de atividade e tem um mestre como seu diretor.

Segundo ela:

ð O primeiro raio é azul e seu mestre ascensionado é EL MORYA, o hierarca do Santuário da Vontade de Deus, situado [no plano etérico] em Darjeelimg, Índia. O Senhor da Chama da VONTADE DIVINA viveu na Terra como Melchior, um dos Reis Magos, o lendário Rei Arthur e o humanista e estadista Thomas Morus. Morya e Kuthumi foram os introdutores da Teosofia, movimento espiritualista que divulgou ao Ocidente a sabedoria dos mestres ascensioandos, a partir de 1875, com Blavatsky e Henry Olcott. As qualidades atribuídas ao Raio Azul do Poder são: perfeição, proteção, vontade de Deus, construção, direção, fé, obediência, amor a Deus e as suas leis, luz,energia, coragem, domínio, governo, negócios, comércio, transportes, lei cósmica e natural.

ð O segundo raio é dourado e seu mestre ascensionado é LANTO. Seu retiro no plano etérico fica sobre o Grand Teton, Montanhas Rochosas, em Wyoming, EUA. Lanto foi imperador da China e contemporâneo de Confúcio, e foi também o sábio duque de Chou. Até 1956, a CHAMA DOURADA da iluminação estava sob a direção do mestre ascensionado Kuthumi, atualmente na categoria de Instrutor do Mundo. As qualidades do Raio Dourado da Sabedoria são: percepção do EU DIVINO, iluminação, humildade, razão divina, sabedoria, compreensão, consciência cósmica, discriminação entre bem e mal, inteligência, engenhosidade, mentalidade aberta, intuição, perspicácia.

ð O terceiro raio é rosa e sua mestra ascensionada é ROWENA. Seu templo etérico está sobre a Inglaterra. Até 1964, a Chama Rosa do Amor Divino era orientada pelo mestre ascensionado Paulo, o Veneziano, elevado ao cargo de representante do Espírito Santo para a Terra. As qualidades atribuídas ao Raio Rosa do Amor são: amor divino, adoração a Deus, tolerância, diplomacia, capacidade de renuncia, altruísmo, beleza, conforto, graça, harmonia, criatividade, compaixão, compreensão, unidade, adesão,coesão, comunhão com a vida.

ð O quarto raio é branco e seu mestre ascensionado é Serapis Bey. O hierarca do Templo da Ascensão, em Luxor [plano etérico], Egito, nos traz a Chama Branca da Pureza, da Ressureição. Serapis Bey foi o faraó Amenhotep III. A Chama daAscensão liga o reino interno da perfeição à manifestação externa do Plano Divino no mundo da forma, sendo esta a mata final de toda vida, o motivo da nossa encarnação. As qualidades do Raio Branco da Pureza são: perfeição, pureza, autodisciplina, equilíbrio, moralidade, vida, esperança, alegria, bem-aventurança espiritual, integridade, lei, ordem, ressureição, ascensão.

ð O quinto raio é verde e seu mestre ascensionado Hilarion. Seu Templo da Verdade situa-se, no plano etérico, acima da ilha de Creta, na Grécia. Hilarion foi o apóstolo Paulo e também o mestre sírio Iâmblico, da filosofia pitagórica no século 2. As qualidades da Chama Verde da Cura e da Verdade são: abundância, verdade, prosperidade, ciência, saúde, cura, integridade, rejuvenescimento, regeneração, concentração, dedicação.

ð O sexto raio é vermelho-rubi e sua mestra ascensionada é NADA. Mestre Nada também é mensageira do deus Meru e seu Templo de Iluminação está localizado na América do Sul. Nada foi sacerdotisa do Templo do Amor, na Atlântida, e advogada em diversas encarnações terrenas;ascendeu em 700 a.C.e tem a rosa como seu símbolo. O sexto raio nos ensina a ver apenas o divino nas pessoas com as quais nos relacionamos, ajudando-as a desenvolver suas virtudes. As qualidades atribuídas ao Raio Vermelho-Rubi da PAZ são: fraternidade, vida familiar inspirada nos ensinamentos de Cristo, bondade, sagrado ministério, devoção, amor, serviço a Deus.

ð O sétimo raio é violeta e seu mestre ascensionado é SAINT-GERMAIN. Seus templos etéricos ficam em Table Mountain, Estado de Wyoming, EUA, e na Transilvânia, Romênia. Os textos contam que Saint-germain recebeu a custódia da Era de Aquário, a Era da Liberdade, e recebeu sua ascensão no ano de 1684. Teve diversas encarnações na Terra, entre elas como São José, Santo Albano e Cristóvão Colombo. As qualidades ligadas ao Raio Violeta da Liberdade são: transmutação, perdão, misericórdia, liberdade, justiça, tolerância, purificação, diplomacia, equilíbrio, profecia.

Pode-se invocar a energia de cada raio, pedindo ao respectivo Mestre as qualidades de que está precisando na existência. Em várias partes do mundo, há discípulos da Fraternidade Branca Universal que se reúnem em grupos para irradiar preces e apelos pela humanidade, atraindo curas, aperfeiçoamento e iluminação, numa demonstração de que o planeta, nesta sua hora cósmica, começa a alargar seus horizontes para cumprir o seu destino como a estrela sagrada da liberdade.

Nota [1]Citado de mensagem do Senhor Gautama, em A Grande Revelação, Ponte Para a Liberdade.

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INVOCAÇÃO AO EU SOU
Bem-Amada Presença Divina EU SOU, Fonte de toda Vida presente em cada coração humano, nós Vos amamos e bendizemos.
Selai-nos em Vossa Luz, em Vosso Amor e na Força da Vitoriosa Conclusão; guiai-nos e iluminai-nos, para que nossa meditação, concentração e expansão irradiem vibrações benéficas poderosas.
Nós Vos Agradecemos.

APELO à CHAMA VIOLETA
EU SOU, EU SOU, EU SOU a vitoriosa Presença do Onipotente Deus que chameja o FOGO VIOLETA DA LIBERDADE[3x]através de cada partícula de meu ser, e em um mundo.
Selai-me num pilar de FOGO SAGRADO e TRANSFORMAI, TRANSFORMAI, TRANSFORMAI, toda criação humana em mim, em minha volta e as que são enviadas contra mim, em pureza, liberdade e perfeição.

[Extraídos do Livro Invocação à Luz, Editado pela Ponte Para a Liberdade,.1994]

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[Por Romeo Graziano]

TULPAS _ QUANDO OS PENSAMENTOS VIRAM MATÉRIA


É possível um pensamento ser tão fortemente vitalizado a ponto de se tornar visível e até palpável? Budistas tibetanos, místicos e mágicos acreditam que sim. Tanto que muitos deles se dedicam à arte mágica de criar TULPAS – formas-pensamento extremamente poderosas, produzidas por um ato deliberado da vontade.

Certa vez, a ocultista Dion Fortune viveu uma experiência inusitada. Há algum tempo, ela andava alimentando ressentimentos contra alguém que a havia magoado. Deitada na cama, estava pensando no terrível monstro-lobo da mitologia escandinava, Fenrir, quando subitamente viu um grande lobo cinza materializar-se à sua frente e sentiu seu corpo pressionar o dela.

Por tudo que lera a respeito do assunto, ela sabia que precisava dominar a fera imediatamente. Então, enfiou o cotovelo entre as peludas costelas da criatura, jogando-a para fora da cama. O animal desapareceu através da parede.

A história não estava, contudo, terminada. Logo depois, outro membro da família disse ter visto os olhos de um lobo no canto de seu quarto. Dion percebeu que devia destruir a criatura. Invocando-a, viu um fino fio costurar-se diante dela e começou a imaginar que estava tirando a vida da besta puxando aquele fio. O lobo transformou-se gradualmente numa massa cinzenta sem forma até deixar de existir.

Este relato, encontrado no livro “Psychic SelfDefence” [Autodefesa Psíquica], de autoria da própria Dion Fortune, não é o único na literatura mística do Ocidente. Em meados da década de 20, Alexandra David-Neel, uma francesa que 30 anos antes lançara a fama como cantora de ópera, tinha história semelhantes para contar. Já consagrada como soprano, Alexandra viajou para muitos lugares estranhos, onde vivenciou experiências mais bizarras ainda. Entre elas, o encontro com um mágico que lançava encantamentos atingindo seus inimigos com bolos de ‘arroz’ voadores e o aprendizado das técnicas do ‘tumo’ – uma arte oculta que capacita seus adeptos a sentarem-se nus sobre as neves do Himalaia. A mais extraordinária de todas,contudo, foi a que envolveu a criação, através de exercícios mentais e psíquicos, de uma TULPA – forma espectral nascida unicamente da imaginação e tão fortemente vitalizada pela vontade que chega a se tornar visível para outras pessoas. Em poucas palavras, a TULPA é um exemplo extremamente poderoso do que os ocultistas denominam FORMA-PENSAMENTO.

Para entender a natureza da TULPA, é preciso considerar o pensamento-como fazem os budistas tibetanos e a maioria do ocultistas ocidentais – mais do que uma função intelectual. Todo pensamento, acreditam eles, afeta a ‘MENTE MATERIAL’ que permeia o mundo físico, da mesma forma que uma pedra atirada num lago produz ondulações na superfície da água.

Normalmente, as ondulações geradas pelo pensamento tem vida curta, desaparecendo com a mesma rapidez com que foram criadas e deixando impressão efêmera. Se,entretanto, o pensamento é muito intenso, produto de uma paixão ou de um temor profundo, ou de longa duração, objeto de preocupação constante ou meditação, sua ondulação constrói uma forma-pensamento mais vívida e duradoura.

As TULPAS e outras formas-pensamento não são consideradas ‘reais’ pelos budistas tibetanos. Mas, de acordo com eles, tampouco o mundo da matéria que nos rodeia e nos parece bastante sólido é ‘real’. Ambos são ilusórios. Um budista clássico do século 5 disse:
=> ”Todos os fenômenos originam-se na mente e não tem realmente uma forma externa;portanto, como não existem formas externas, é um erro pensar que existe qualquer coisa externamente. Todos os fenômenos provêm simplesmente de falsas noções da mente. Se a mente se libera dessas falsas idéias, todos os fenômenos desaparecem”.

Se as crenças a respeito das formas-pensamento sustentadas pelos monges budistas, místicos e mágicos ‘são verdadeiras’, muitos acontecimentos fantasmagóricos, aparições e lugares envoltos em forte ‘atmosfera psíquica’ podem ser facilmente explicados. Parece plausível, por exemplo, que as formas-pensamento criadas pelos violentos e passionais processos mentais de um assassino, suplementados pelas emoções de terror de sua vítima, possam permanecer na cena do crime por meses, anos ou mesmo séculos. Essa permanência poderia produzir intensa depressão e ansiedade naqueles que visitassem o lugar assombrado. E, se as formas-pensamento forem suficientemente poderosas, aparições, como a reencenação do crime, poderão ser testemunhadas por pessoas dotadas de sensitividade psíquica.

Discípulos do ocultismo afirmam que, algumas vezes, os ‘espíritos’ que assombram determinado lugar são, na realidade, formas-pensamento deliberadamente criadas por algum feiticeiro para servir a seus propósitos.

A existência de formas-pensamento fortes o bastante para reencenar o passado poderia também explicar os relatos, disseminados em todos o mundo, de visitantes de velhos campos de batalhas que assistiram a embates militares ocorridos muito tempo atrás.

A TULPA não é mais que uma forma-pensamento extremamente poderosa, não diferente em sua natureza essencial de muitas outras aparições. O que a distingue de uma forma-pensamento qualquer é o fato de adquirir vida não por acidente – como efeito colateral de um processo mental – mas, por um ato deliberado de vontade.

Embora a palavra TULPA seja de origem tibetana, há místicos e iniciados em quase todas as partes do planeta que asseguram ser capazes de construí-la, primeiramente contraindo e coagulando parte da mente material do universo e depois transferindo para ela algo de sua própria vitalidade.

Na região de Bengala, pátria por excelência do ocultismo indiano, essa técnica, denominada KRIYA SHAKTI [PODER CRIATIVO], é estudada e praticada pelos adeptos do tantrismo – um sistema mágico-religioso que incorpora aspectos espirituais da sexualidade e reúne tanto hindus quanto budistas entre seus devotos. Iniciados nos chamados cultos tântricos de ‘esquerda’, nos quais homens e mulheres entregam-se a rituais sexuais com finalidades místicas e mágicas, seriam especialmente habilitados em KRIYA SHAKTI. Isto porque a intensa excitação física e cerebral produzida durante o orgasmo engedraria formas-pensamento excepcionalmente vigorosas.

Muitas das técnicas místicas tibetanas originaram-se em Bengala, mais particularmente no tantrismo bengali. Há uma semelhança muito grande entre os exercícios físicos, mentais e espirituais praticados pelos iogues tântricos de Bengala e as disciplinas secretas do budismo no Tibete. Parece também que os tibetanos extraíram suas ‘TEORIAS’ sobre as ‘TULPAS’, bem como seus métodos de criar essas estranhas entidades, dos praticantes bengalis do KRIYAM SHAKTI.

Os novatos começam seu treinamento na arte mágica de criar TULPAS adotando um dos deuses do panteão tibetano como “deidade tutelar” – uma espécie de santo padroeiro. Mas, ao mesmo tempo em que encaram os deuses respeitosamente, os iniciados tibetanos não lhes devotam grande admiração. Isso porque, de acordo com a crença budista, apenas de terem fabulosos poderes sobrenaturais, os deuses não passam de escravos da ilusão, tão presos à roda do nascimento, morte e renascimento como o mas humilde dos camponeses.

O discípulo retira-se para uma ermida ou ouro lugar recluso e medita sobre sua deidade tutelar, conhecida como YIDAM, por muitas horas. Aqui, ele combina a contemplação dos atributos espirituais tradicionalmente associados ao YIDAM com exercício de visualização, destinados a construir no olho da mente uma imagem da deidade como retratada em pinturas e esculturas. E, para assegurar que cada instante de sua vigília seja dedicado à concentração no Yidam, continuamente entoa frases místicas relacionadas à deidade.

O iniciado também constróis o KYILKHORS – literalmente, círculos, mas,na verdade, diagramas simbólicos que podem ter qualquer formato -, considerado sagrado para seu patrono. Algumas vezes, desenhará esses diagramas com tintas coloridas no papel ou na madeira. Outras vezes gravará as figuras em cobre ou prata. Ou ainda traçará seu contorno no chão com pós coloridos.

A preparação dos KYILKHORS deve ser feita com o máximo cuidado, pois o mais leve desvio do padrão tradicional associado a um determinado YIDAM pode ser extremamente perigoso, colocando o imprevidente discípulo em risco de obsessão, loucura, morte ou de estagiar milhares de anos em um dos infernos da cosmologia tibetana.

É interessante comparar essa crença com a idéia amplamente disseminada por ocultistas ocidentais de que, se um mago, ao convocar um espírito para que se torne visível, desenham de maneira incorreta seu círculo mágico de proteção, será feito em pedaços.

Se o discípulo persiste nos exercícios prescritos, vê seu YIDAM, primeiro nebulosamente e em seguida com persistência e completa – e por vezes terrificante – nitidez.

Mas esse é apenas o estágio inicial do processo. A meditação, a visualização da deidade, a repetição das frases de contemplação dos diagramas místicos deve ser ininterrupta até que a TULPA, na forma do YIDAM, realmente se materialize. Nesse momento, o devoto pode sentir os pés da TULPA ao por a cabeça sobre eles, ver seus olhos seguindo-o enquanto se move ou até conversar com ela.

Por fim, a TULPA pode ser preparada para deixar as vizinhanças dos KYILKHORS e acompanhar o devoto em suas jornadas.

ALEXANDRA DAVID-NEEL conta como “viu” um desses fantasmas, curiosamente, antes mesmo que ele se fizesse visível para seu criador. Na ocasião, interessada na arte budista, ela recebeu a visita de um pintor tibetano, especializado em retratar deidades enfurecidas. Quando o artista se aproximou, ela ficou pasma ao perceber, atrás dele, um daqueles raivosos e desagradáveis seres. Chegando-se mais perto do fantasma, ela estendeu um dos braços em sua direção e sentiu como se estivesse tocando um objeto macio, cuja substância cedeu sob seu contato.

O pintor contou-lhe, então, que havia algumas semanas estava envolvido em ritos mágicos, invocando o deus cuja forma ela vira. Acrescentou ainda que havia gasto a manhã toda pintando seu retrato.

Intrigada com a experiência, Alexandra decidiu criar sua própria TULPA. Para evitar a influencia das inúmeras pinturas e imagens tibetanas que havia conhecido em suas viagens, decidiu criar então um deus, mas um gordo e bem-humorado monge que poderia visualizar com clareza. Retirou-se para uma ermida e por alguns meses devotou cada minuto desperto a exercícios de concentração e visualização. Logo, o monge começou a aparecer em breves relances, que ela captava pelo canto dos olhos. Em seguida, tornou-se mais sólido e vívido. Finalmente, quando ela deixou a ermida para iniciar uma jornada, o monge, agora claramente visível, engajou-se na caravana, praticando ações que ela não comandava nem esperava conscientemente que ele praticasse. Por exemplo, ele andava e parava para olhar ao seu redor como um viajante costuma fazer. Em determinadas ocasiões, ela chegou a sentir o manto dele roçar em sua pele, e, certa vez, teve a impressão de que uma mão tocava o seu ombro.

A TULPA de Alexandra David-Neel passou, então, a tomar atitudes inesperadas e indesejáveis. Assumiu uma expressão maligna e tornou-se “problemático e impertinente”. Um dia, um pastor que havia dado a ela um pouco de manteiga de presente viu a TULPA em sua tenda, e pensou que fosse um monge de verdade. A criatura estava definitivamente fora do controle de sua criadora, transformando-se no que ela classificou de “pesadelo diário”. Resolveu, por isso, livrar-se dela. Foram seis meses de esforço concentrado e meditação.

Se esta e muitas outras histórias similares contadas no Tibete são verídicas, a construção de TULPAS não é assunto para ser tratado com leviandade. É, pelo contrário, um fascinante exemplo dos notáveis poderes da mente humana.

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[Por Anna Clara Alves]