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Henri Bergson_Evolução Criadora

Com esta nova orientação a evolução nos aparece como algo diferente do cego mecanismo de luta e destruição que Darwin e Spencer descreveram.   Nós sentimos a duração da evolução, o acumulo do poder vital, a inventiva da vida e do espírito, a “continua elaboração do absolutamente novo”. Estamos preparados para entender porque os mais recentes e hábeis investigadores, como Jennings e Maupas, rejeitam a teoria mecânica da conduta protozoária e porque o professor E.B. Wilson, decano dos citologistas modernos, conclui em seu livro sobre a célula com a declaração de que o “estudo das células tem, no todo, alargado antes que estreitado o enorme lapso que separa do mundo inorgânico ainda as mais baixas formas de vida”. E em toda parte, nos campos da biologia, referve a rebelião contra Darwin. Darwinismo significa, presumivelmente, a origem de novos órgãos e funções, novos organismos e espécies, pela seleção natural de variações favoráveis. Mas esta concepção apenas com meio século já anda...

Henri Bergson_Espírito e Cérebro

Nós naturalmente nos inclinamos para o materialismo, argüi Bérgson, porque tendemos a pensar em termos de espaço; somos todos geômetras . Mas o tempo é tão fundamental como o espaço; e é sem dúvida o tempo que encerra a essência da vida e talvez toda a realidade. O que temos de compreender é que o tempo é uma acumulação, um crescimento, uma duração. Duração é o progresso continuo do passado que corroí o futuro e vai inchando enquanto avança”. Duração significa que o passado perdura e que nada dele se perde. “Sem duvida pensamos unicamente com uma parte mínima do nosso passado; mas é com o nosso passado inteiro que desejamos; queremos e agimos”. E desde que o tempo é uma acumulação, o futuro nunca pode ser o mesmo que o passado, visto que uma nova acumulação se ergue a cada passo. “cada momento não é somente novo, mas imprevisível...a mudança é muito mais radical do que supomos”; e   esta geométrica predictibilidade de todas as coisas, que constitui a meta de uma ciência mecanista,...

Henri Bérgson_ A Revolta contra o Materialismo

A História da Filosofia moderna gira em torno da guerra entre física e psicologia. O pensamento pode começar com o seu objeto, e por fim experimentar trazer sua mística realidade para o circulo dos fenômenos materiais e das lei mecânicas; ou pode começar consigo mesmo e ser levado pelas aparentes necessidades da lógica e conceber todas as coisas como formas e criações do espírito. A prioridade das matemáticas e da mecânica no desenvolvimento da ciência moderna e o recíproco estimulo da industria e da física sob a pressão comum das necessidades expansionistas, deram a especulação um impulso materialista; as ciências mais bem sucedidas tornaram-se os modelos da filosofia. O despeito da insistência de Descartes, de que a filosofia deve começar com o “eu” e depois projetar-se fora, a industrialização da Europa ocidental afastou o pensamento do próprio pensamento e o pôs na direção das coisas materiais. O sistema de Spencer fez-se a Expressão culminante deste ponto de vista mecânico. Aclam...

Nietzsche_Consideração Final

“Quero o que aspira a criação de algo além de si mesmo e depois perece”, disse Zarathustra. Indubitavelmente a intensidade do pensamento de Nietzsche consumiu-o prematuramente. A guerra contra o seu tempo desequilibrou-lhe o espírito; “é sempre uma coisa horrível combater o sistema moral de uma época; há reações vingadoras por dentro e por fora” . No fim da vida o trabalho de Nietzsche cresce em amargor; atacava pessoas e idéias – Wagner e Cristo. “Crescer em sabedoria”, escreveu, “pode ser exatamente medido pelo decrescer do amargor”. Mas não conseguia convencer sua pena. Até o riso tornou-se-lhe neurótico á medida que o espírito se quebrava; nada revela melhor o veneno que o corroia do que esta reflexão: “Talvez eu saiba por que é op homem o único animal que ri: tão excruciantemente sofre que foi compelido a inventar o riso”. Doença e cegueira progressiva eram os aspectos fisiológicos da sua queda. Começaram a sobrevir ilusões paranóicas de grandeza e perseguição: na dedicatória de...

Nietzsche_Critica

É um belo poema, bem mais poema que filosofia. Sabemos que há absurdo aqui, e que o homem foi muito longe na tentativa de convencer-se e corrigir-se; mas podemos vê-lo sofrendo em cada linha e temos de amá-lo ainda quando nos choque. Há em nossa vida fases em que nos cansamos de sentimentalismo e ilusão, e ansiamos pelas picadas da duvida e da negação; Nietzsche nos aparece então como um tonico, como janela aberta depois de   longa cerimônia em igreja cheia. “Quem sabe respirar nos meus escritos reconhece que é o ar das alturas. Um homem precisa construir-se para suportá-lo; de outro modo as chances são de que tal ar o mate”. Não confundir este acido com leite para crianças. E que estilo! “O mundo dirá algum dia que Heine e eu somos os maiores artistas que ainda escreveram em alemão, e que deixamos o melhor que qualquer alemão possa fazer a uma enorme distancia atrás”. E é assim [* Nietzsche considerava-se um pólo]. “Meu estilo dança”, diz ele; cada sentença é um dardo; a linguag...

Nietzsche_Aristocracia

A democracia significa enxurro; significa permissão dada a cada parte do organismo de fazer o que quer; significa lapso de coerência e interdependência, entronização da liberdade e do caos. Significa adoração da mediocridade e ódio à superioridade. Impossibilidade de grandes homens – como poderia um grande homem submeter-se as indignidades e indecências de uma eleição?   Que chances teria ela nela? “O que é odiado pelo povo, como o lobo pelos cães, é o espírito livre, o inimigo dos grilhões, o não-adorador”, o homem que não é “membro de um partido” . Como pode o super-homem erguer-se em tal ambiente? E como pode uma nação tornar-se grande, quando seus maiores homens permanecem açaimados, desencorajados, desconhecidos? Tal sociedade perde o caráter; a imitação é horizontal em vez de vertical – não o homem superior, mas o homem da maioria pode tornar-se o ideal e modelo; todo mundo fica parecido com todo mundo; ainda os sexos se similarizam – os homens se tornam mulheres e as mulher...

Nietzsche_Democracia_Decadência

Conseqüentemente, o caminho para o super-homem jaz na aristocracia. Democracia – “esta mania de contar narizes” – deve ser erradicada enquanto é tempo. O primeiro passo será a destruição do cristianismo nos homens mais altos. O êxito de Cristo foi o começo da democracia: “o primeiro cristão era, dentro dos seus instintos mais profundos, um revoltado contra tudo que era privilegiado; vivia e lutava irremitentemente por “direitos iguais” e nos tempos modernos seria enviado para a Sibéria. “Aquele que é o maior dentro vós – fazei dele vosso servo” – isto é a inversão de toda sabedoria política e de toda sanidade; realmente, quem lê o Evangelho sente uma atmosfera de romance russo; uma espécie de plágio de Dostoievski. Unicamente entre os humildes tais noções poderiam enraizar; e só em uma idade em que os imperantes haviam degenerado e cessado de imperar. “Quando Nero e Caracala subiram ao trono deu-se o paradoxo de que os mais baixos homens valiam mais que os ocupantes da curul suprema...