22 de mai. de 2010

A Sabedoria dos Sábios


Será que podemos dizer que a alguns homens escolhidos foi concedida a SABEDORIA das eras – que ‘alguns’ homens possuem conhecimentos que não são comuns e compreensíveis a todos? Essa afirmação não pode ser feita sem alguma alteração. A pergunta lógica seria: ‘escolhidos por quem e por quê’?

Conhecimento compreensível! A compreensão pressupõe uma base de entendimento e uma completa percepção consciente. Mas a ‘base de entendimento’ depende da ‘relatividade’, e esta da apresentação de fatos...

Afirma-se que ‘conhecimento’ é o “estado de ser ou de ter se tornado consciente do fato ou verdade”. A posse do fato e da verdade, que essencialmente são uma coisa só, constitui conhecimento. A educação é a ‘transmissão ou aquisição de conhecimento’ - consistindo em fato e verdade...

“O conhecimento”, diz o místico, “é a soma dos fatos e verdades colhidos da experiência, educação ou compreensão, sem preconceito com relação ao canal pelo qual o influxo de conhecimento possa advir, a fonte da educação, sua natureza, ou a objetividade da compreensão”.

Para o místico todo fenômeno requer observação cuidadosa para que seja classificado e relacionado corretamente com outras causas ou com a grande causa primordial. Não mais o místico pode ser considerado ‘aquele que sustenta a possibilidade duma relação inequívoca, direta e consciente com Deus através duma espécie de êxtase’, a menos que esse êxtase inclua todo método sadio de raciocínio...

O místico não sente qualquer estranheza em sua comunhão com Deus através de todos os fenômenos. Para lê, o contato com Deus não apenas é possível, mas é uma constante realidade, através do estudo da mais diminuta forma de vida celular.

Para ele a ‘compreensão’ é fundamental - ele compreende o que outros não compreendem, entende o que os outros não podem entender. Se a base do entendimento é a ‘relatividade’, o Místico tem perfeito entendimento sobre porque descobriu a verdadeira relação de todas as coisas e todas as leis...

Essencialmente, portanto, o Místico e aquele cuja compreensão está baseada num entendimento divino de coisas fundamentais; e aquilo que ele analisa deve revelar fatos verdadeiros... que se associam com os fundamentos bem estabelecidos em sua consciência.

Meras abstrações não encontram lugar no verdadeiro conhecimento... Toda lei deve ser ‘demonstrável’ e deve enquadrar-se no esquema perfeito das coisas, segundo revelação de seu conhecimento e compreensão singulares.

Será que não poderemos, portanto, dizer que a poucos homens advém a sabedoria que não é comum a todos? E não será a lei da escolha tão lógica e justa quanto todas as outras leis da natureza?

A LEI DA ESCOLHA

O primeiro mandamento do decálogo da Lei da Escolha é:
1] “Desejarás a sabedoria com um coração isento de dúvidas!”
A dúvida é a lança envenenada do Maligno, com a qual ele nos espeta em nossas inquirições e pesquisas, mas também nos tortura tanto que acabamos nada mais desejando além da libertação do veneno da ‘ansiedade específica’. A dúvida nos conduz por um caminho longo e escuro, rumo à porta atrás da qual esperamos encontrar a luz, e rejubila-se com o fato de que nos mantém nas trevas e nos impede de perceber os muitos portais que não havíamos notado.

O segundo mandamento é:
2]”Não serás crédulo!"

A credulidade é definida como débil ou ignorante consideração quanto à natureza ou força da evidencia sobre a qual uma crença está fundamentada ... em geral, uma disposição, proveniente da ignorância ou debilidade de acreditar-se prontamente – especialmente em coisas impossíveis ou absurdas”.

Em que é que a dúvida e a credulidade diferem essencialmente? Ao duvidarmos, não estamos considerando a evidencia apresentada? Não demonstramos disposição para crer? Não substituímos certa crença, em geral nossa credulidade preciosa, pela de outra pessoa?

O místico nem duvida nem é crédulo. Exige e ‘busca’ a prova. Ele não acredita em nada – ou sabe ou não sabe.

O terceiro mandamento é:
3]”Buscarás com uma mente aberta!”

Isso parece muito simples. Mas ousamos dizer que a média dos homens de negócios não abrem o jornal pela manhã sem estarem dispostos a encontrar ali o que confirmará suas idéias preconcebidas ou que fortalecerá suas dúvidas e credulidade.

Uma mente aberta? A oscilação no número de membros duma congregação deve-se à determinação que o buscador da verdade bíblica faz no sentido de que essas revelações coincidam com suas noções preconcebidas ou que venham ao encontro das crenças mutáveis de sua mente vacilante...

A verdade deve primeiro estabelecer sua capacidade de lembrar o caráter das coisas no interior da mente do buscador, ou o buscador não penetrará na câmara para aprender!

O quarto mandamento é:
4]“Buscarás com humildade e sinceridade!”

Para o humilde todas as coisas são possíveis. Isso não é uma abstração para o Místico – que a ‘sabe verdadeira’...

Humildade não é submissão no sentido da submissão que impede a existência do caráter e magnetismo pessoais. A humildade dirige o caráter e o magnetismo pessoal a canais eficientes, proporcionando expressão mais livre à personalidade interior enquanto o manto exterior é calmamente abandonado.

A pessoa deve aprender que a alma é apenas uma parte do infinito, residindo temporariamente num corpo mortal, e que a compreensão e a harmonização perfeitas dependem da percepção da humildade da alma e da relação com Deus, isenta de qualquer espécie de poder temporal.

A sinceridade parece uma qualificação óbvia, mas, como a da mente aberta, raramente existe no grau necessário a que se cumpra o mandamento. O Lord Lytton, disse: “O entusiasmo é o espírito alentador da sinceridade.” Se a sinceridade da pessoa não se manifestar em entusiasmo [e numa disposição de fazer sacrifícios em favor da busca], a busca da Sabedoria, que só se manifesta ao humilde e sincero, é infrutífera.

O quinto mandamento do decálogo é:
5]“Aproxima-te com reverência daquilo que é Sagrado!”

No sentido de que o que é Sagrado é santificado, podemos concordar com a afirmação do Místico: “Eu santifico aquilo que está livre de equívocos morais, físicos e espirituais. Aquilo que é de caráter nobre, puro e inviolável, e que se prova um eficiente meio para a felicidade anímica e bem-aventurança espiritual, é verdadeiramente santificado.”...

O Místico sempre tem consciência do ‘fato’ de que em Deus e através de Deus são todas as coisas. Na operação de toda a lei em todos os fenômenos naturais, o Místico vê a mente de Deus e reconhece a ‘divindade’. Para ele, tudo é ‘sagrado’, por sua própria natureza e por existir simplesmente.

Aproximar-se com reverencia do ‘umbral’ do conhecimento místico é como aproximar-se da presença de Deus com santidade no coração e na mente.

O sexto mandamento é:
6]“Não por direito, mas por privilégio desfrutarás o conhecimento!”
É tão simples acreditar que o conhecimento devesse ser propriedade comum de todos os homens, por ‘direito’. É verdade que Deus nos concedeu olhos para ver, ouvidos para ouvir e um cérebro para compreendermos e recordarmos. Mas esses dons são privilégios, e tudo o que é retido na consciência, como resultado do funcionamento das faculdades sensoriais, é um privilegio e não um direito. Assim diz o Místico.

A aceitação de um dom não acarreta maior obrigação de reconhecimento e reciprocidade que o uso dum privilégio nos obriga a sentir o inegoísmo do nosso benfeitor. Por isso, lógica e racionalmente, o Místico concorda com o outro mandamento do decálogo...

O Sétimo mandamento é:
7] Com um coração abnegado beberás do vinho e compartilharás do pão na festa dos Sábios Místicos!”

O vinho que enche o corpo com o espírito da vida e o pão que fortalece os tecidos do ser mortal: esse o místico partilha com um coração altruísta.

Será inegoísmo buscar-se o conhecimento pelo qual se possa vangloriar do poder assim alcançado, ou usar esse conhecimento exclusivamente para o progresso pessoal, ou negar aos outros qualquer serviço que possa ser prestado pelos benefícios colhidos desse conhecimento? Isso constitui aquele ‘egoísmo’ que deve ser purgado do coração e da mente para que a Iluminação divina possa manifestar-se na compreensão das maiores verdades.

O Oitavo mandamento é:
8]”Amarás teu semelhante pelo amor que Deus te deu!”

Pode parecer meramente filosófica a afirmação d que todo Amor é de Deus. Se qualificarmos o termo Amor, interpretando-o como o principio de atração compassiva ou prazerosa dos seres sencientes e racionais [que é puro, nobre e bom], poderemos seguramente concordar que o Amor é Deus é Deus em manifestação a nós aqui na Terra.

Visto que Deus inspirou Amor m nós, devemos amar nossos semelhantes. O Místico sabe que aparentemente é impossível amar o seu semelhante como ele mesmo. Mas como provam todos os atos e pensamentos do verdadeiro Místico, acha ele possível amar seu semelhante com a inspiração que lhe permite ser amável e tolerante, justo e obsequioso, cordial e prestativo, atitudes que todo homem espera que Deus manifeste a ele, por causa do Amor que habita em Deus.

...Não é preciso estabelecer-se outra fraternidade universal que não a da expressão do Amor de Deus que, potencialmente, está no coração de todos os seres humanos. Quando o alvorecer da Consciência Mística chega ao neófito, junto chega a compreensão de que toda a humanidade está unida divinamente por um laço Infinito.

O Nono mandamento é:
9]” Preparar-te-ás para a missão de tua existência!”

Nascemos para cumprir uma missão na vida!... Não é preciso acreditarmos que cada personalidade-alma foi colocada num corpo físico para cumprir certa missão predeterminada... Viemos a esta vida ignorantes e sem poderes ou capacidade, exceto os que Deus nos conferiu. Com esses dons adquirimos, por privilégio, outros conhecimentos e capacidades. Esses dons nos obrigam a usá-los para a finalidade que Deus tinha em mente ao concedê-los a nós – e isto se torna nossa missão na vida: ‘fazer aquilo que beneficiará os outros e trará Luz do conhecimento e a paz da compreensão àqueles que não as possuem.

Devemos nos preparar para essa missão - aprender a enxergar bem, pois quanto melhor for nossa visão e acurada a nossa interpretação, melhor será a nossa compreensão...

Devemos ampliar o nosso armazém de memória para que disponhamos da faculdade de recordar aquilo que servirá a nós ou aos outros quando preciso. Devemos conhecer as leis da natureza para que disponhamos das potentes possibilidades que sempre estão ao nosso alcance e esperam a nossa aplicação. Devemos nos preparar para que, quando surgir a oportunidade ou a ordem de cumprirmos a ‘missão’, estejamos prontos em conhecimento e experiência para realizar aquilo que nossa preparação nos inspire a fazer como nossa ‘missão.

O Décimo mandamento é:
10]”Agirás segundo a Trindade – Consagração, Cooperação e Organização!”

Este último mandamento revela o objetivo deste artigo. Visa ele oferecer-lhe a oportunidade de seguir os mandamentos do decálogo e, pela preparação que só advêm a poucos, cumprir sua missão na vida. Pela consagração de ideais, cooperação com outros inspirados analogamente, devemos auxiliar de modo organizado a difundir a Grande Luz nos vales obscurecidos do nosso planeta.

Considere isto um convite a obedecer o terceiro e quarto mandamentos deste artigo. E tendo assimilado esta mensagem, você a transmitirá, de acordo com o sétimo mandamento, àqueles que compartilhem da oportunidade que chegou a você. Desse modo esta mensagem chegará a muitas pessoas, não ficando restrita ao coração de somente um. Considere-se escolhido para distribuir esta mensagem entre os seus conhecidos que estejam interessados, que por sua vez a transmitirão a outros. Em silencia, e sem nome ou personalidade, a chegará alguém que está buscando, e assim se cumprirá a missão dum simples artigo.
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[Texto de Spencer Lewis]

21 de mai. de 2010

Ciência x Religião _ O Hiato cada vez maior


Qual é o objetivo da sociedade atual?
As variedades dos interesses humanos, hoje em dia, são consideráveis. No entanto, para as chamadas nações adiantadas, o interesse principal parece ser um crescente ‘materialismo’. Este pode ser definido em termos de posses e prazer sensual. Em outras palavras, o objetivo da vida parece ser o ‘prazer e a aquisição de coisas’ que contribuam primordialmente para a satisfação dos ‘desejos físicos’.


Tais desejos físicos são naturais para um organismo autoconsciente. Constituem aquilo que pode proporcionar e assegurar sua vida com um mínimo de irritabilidade. Esses desejos, porém, embora biologicamente necessários, se não são disciplinados intensificam a agressividade na medida em que inibem os sentimentos e emoções mais elevados. Simplesmente, nossos desejos acabam se tornando o ideal da vida a ser obtido sem consideração para com os interesses alheios.

O instinto de autopreservação é compulsivo em suas exigências para manter o EU Físico. Mas essas compulsões podem acabar resultando na destruição do indivíduo, especialmente se ele é um membro da sociedade. O Eu maior do homem, no sentido ‘físico,é a sociedade’.Não mais podemos existir como pequenos grupos de indivíduos ou como tribos, ou mesmo como uma sociedade maior ‘isolada’. Nossa sobrevivência depende de sermos membros integrantes e cooperativos da sociedade. Podemos ser competitivos, mas não ao ponto de prejudicarmos outros membros do conjunto social de que nós mesmos participamos. Não podemos restringir outras pessoas ao ponto de que elas não tenham a mesma oportunidade de se valer das vantagens da vida coletiva.

Figuradamente falando, se há um tal declínio de moral e ética que a vantagem pessoal se torna o direito supremo, então os homens estão impiedosamente entrincheirados uns contra os outros.

Não basta que se tenha somente compreensão intelectual desta necessidade. É preciso que haja também uma ‘compaixão emocional maior’, um mais firme senso de retidão. Sempre que esse tipo de emoção está adormecido ou é inibido, o homem se torna impiedoso [querer, para esse individuo, é ter direito].

Hoje em dia, sentimos que um crescente ‘materialismo’ parece estar tomando conta do mundo. Mesmo nações subdesenvolvidas e em depressão econômica parecem avaliar o sucesso e a felicidade exclusivamente em termos de riqueza e cupidez – [isto é, o amor às posses é o sonho de muitos]. É compreensível que uma pessoa subnutrida anseie e trabalhe pelas necessidades de sobrevivência.

Mas o sonho de muitos indivíduos, assim como de nações ricas, é um estado ‘máximo de luxo’.

DA CIÊNCIA
Grande parte das mentes da sociedade se vê entre dois fortes pólos opostos. Um desses pólos é a exagerada ênfase posta na ‘ciência’. Para as massas, a ciência parece uma espécie de ‘gênio’ moderno; isto é, uma espécie de ser que, figuradamente, agitando a varinha mágica de sua tecnologia, pode criar uma vida maravilhosa de abundância e conforto material para toda a humanidade. Isto, naturalmente, é mais evidente no extraordinário desenvolvimento das ciências físicas e sua ‘aplicação’ para transporte, comunicação e comodidade. É claro que esta interpretação é grosseiramente injusta para com a ciência.

Existem dois aspectos gerais da ‘ciência’. Um é a ‘pesquisa pura’, a busca de ‘conhecimento’ para compreender as leis da natureza. Trata-se de transformar o desconhecido em conhecido, e com isto erradicar a superstição e sua perigosa influencia sobre a mente humana. Esta é uma das maiores contribuições à ‘verdadeira liberdade’ do homem.

O outro pólo ou sentido da ciência é sua ‘aplicação’, seu valor utilitário. ‘Conhecimento é poder’. As leis naturais que são reveladas pela ciência tornam-se ferramentas para ‘uso’ do homem. Essas ferramentas podem ser e são aplicadas pelo homem, tanto em prol da sociedade como contra ela. Em outras palavras, elas podem ser empregadas de maneira a beneficiarem não somente aqueles que as estejam usando, mas outras pessoas também. Inversamente, podem ser usadas em beneficio de alguns e em detrimento de outros.

A dificuldade está na ‘motivação moral’ da ciência aplicada. Se a avareza, a cobiça, predominam, então um materialismo empedernido se espalha pela sociedade. As descobertas, as revelações da ciência, são então pervertidas. A resultante produtividade da ciência é por conseguinte entendida como vantagem material exclusiva do individuo. E essa vantagem é encarada como diminuição de trabalho, mais lazer e recursos financeiros suficientes para satisfazerem qualquer prazer desejado.

Grande ênfase é posta em modernos recursos para diminuição de trabalho, nesta explosão da era cibernética. Promete-se que os homens terão mais tempo livre de trabalho para suas variadas maneiras de viver. Em que irão eles investir esse tempo? Significará isso que eles estarão procurando novos meios de intensificar a satisfação de seus sentidos mais grosseiros?

DA RELIGIÃO
Numa consideração superficial do assunto, dir-se-ia que a influencia mediadora deveria ser a ‘religião’. Presume-se que isso, por inspiração, despertaria os sentimentos e emoções mais nobres, que se acredita constituir a cultura avançada da sociedade.

Mas a religião tornou-se extremamente ‘polarizada’. Ela tem sentido fortemente que está em perigo devido a Ciência; simplesmente, que a ciência está se apresentando como a futura ‘salvação’ da humanidade há de proporcionar alívio de muitas pressões que o homem sofre hoje em dia. Além disso, a religião muitas vezes interpreta o desenvolvimento e progresso da ciência como uma tentadora utopia aqui na Terra. Por contraste, então, a atual ortodoxia teológica pareceria apenas uma ‘vaga promessa’ de uma sublime vida póstuma.

PROBLEMAS ATUAIS POR RESOLVER
Para combater o que considera uma influencia destrutiva da ciência, a religião insiste na aceitação literal das escrituras. Este ‘fundamentalismo’ se recusa a reconhecer que a Bíblia é principalmente uma composição de ‘fatos’ históricos, uma antologia e uma matriz de simbolismo. Ela encerra valores morais, porém muitos de seus relatos são lendários e grande parte do seu conteúdo foi reescrita por ‘concílios de teólogos’. Não é portanto racional, nesta época de cultura moderna, impor crença absoluta na Bíblia tal como existe, como se ela fosse o ‘fiat’ final de Deus.

O resultado do fundamentalismo religioso, portanto, é uma transferência da geração jovem de cultura mais moderna para o campo da ciência. O simples fato de que certos grupos fundamentalistas tentam repudiar aquilo que a ciência pode apresentar como evidências comprovadas indica sua intolerância. Esta atitude contribui para diminuir o apoio geral à atual ortodoxia religiosa ‘extremada’.

Tais condições causam um hiato, um vácuo, entre os dois pólos: de um lado o progresso da ciência, com sua busca de conhecimento e a aplicação do mesmo; e, de outro lado, a inflexibilidade da ortodoxia religiosa radical. Os indivíduos que desejam satisfazer suas impressões psíquicas de retidão, ou que desejam ampliar seu sentimento de ‘unidade’ com a realidade, o Cósmico, são aparentemente isolados. Seu problema parece ser o seguinte: deverão todos os sentimentos superiores do u, que eles sentem, ser primeiro submetidos a explicação cientifica, isto é, como resultados exclusivamente de fenômenos físico? Ou, por outro lado, se o que eles sentem é chamado de espiritual, deverá isso então ser explicado somente por limitadas ou restritas doutrinas religiosas, que não satisfazem?

O hiato entre os dois extremos, esses pólos de diferença, está aumentando. A ciência pura não é a responsável. Mas aqueles que a ‘comercializam’ exclusivamente em termos d materialismo e conforto material, são uma das principais causas do estado de coisas reinantes.

A outra causa é o aspecto da religião que insiste em restringir a “Consciência Pessoal”; que persiste em impor sua interpretação de ‘idealismo espiritual’, declarando que ela detém o único critério verdadeiro para o estado supremo de consciência.

O individuo que tende a se dedicar ao estudo do misticismo, metafísica e assuntos correlatos, é com freqüência encarado, por muitos daqueles que são devotos estritos do valor utilitário da ciência, como excêntrico e dado a fantasias. Por outro lado, ele pode ser considerado, pelos fundamentalistas religiosos, como carente de espiritualidade, se não como ateu!

Não podemos ver nesse estado de coisas um fator de criminalidade? Por um lado, parece a muitos que o ‘hedonismo’ [isto é, o materialismo e seus prazeres] constitui a plenitude da vida, a ser alcançada a qualquer preço. Por outro lado, a espiritualidade parece estar aprisionada pelo dogmatismo ortodoxo. Este problema básico terá de ser resolvido ao avançarmos mais na era da tecnologia.
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[Texto do Imperator]