12 de mai. de 2010

Palavras Impensadas Podem Ferir


A vencedora da competição escolar levantou-se e inclinou-se para a platéia. Uma mulher cochichou para sua amiga: “Eu quisera ter uma filha esperta assim!” Na cadeira de metal ao seu lado uma garotinha se mexeu nervosamente e olhou para sua mãe com tristeza no olhar.

Numa casa de convalescença, uma senhora idosa, apoiando-se em seus cotovelos, levantou-se para se despedir do seu visitante:”Venha outra vez no próximo fim de semana!” Suplicou-lhe ela. “Se eu não tiver mais nada a fazer, eu virei!”, respondeu-lhe o homem enquanto saiu.

Um artista retira o véu de uma escultura, e o ouve alguém da turba à sua frente exclamar: “Como ela é feia!”

Cenas semelhantes ocorrem com freqüência, simplesmente porque algumas pessoas nunca aprenderam a ser discretas. Dizem impulsivamente qualquer coisa que lhes vem à mente, e chamam isto de ‘franqueza’, inconscientes da infelicidade que provocam. Isto poderia ser evitado se, em vez disso, tais pessoas desenvolvessem a capacidade de inverter mentalmente os papéis – imaginando com se sentiriam no lugar da outra pessoa.

Ter ‘tato’ é a arte de permanecer polido, firme, e, não obstante, ser sincero diante de uma situação embaraçosa, e, com um pouco de sensibilidade, isto pode ser aprendido para o proveito de todos. Rakph Waldo Emerson escreveu: “ A imperfeição nas maneiras é normalmente imperfeição de discernimento” - - e a percepção do sentimento das outras pessoas é, de igual modo, a chave para se ter mais tato no trato com os outros.

Alguns podem atribuir pouca importância ao efeito de suas desconsiderações, pensando que a mágoa que eles causam é apenas temporária. A verdade, porém, é que essa mágoa pode arruinar sem necessidade o dia de alguém, ou pode vir a ser lembrada muito tempo depois, como aconteceu no caso de Sara.

Sara, uma mulher de fala branda, torna-se amarga quando recorda o funeral de seu filho, que foi acompanhado por uma grande multidão de pessoas. Ela enxuga as lágrimas que lhe vêm toda vez que faz menção a Lenny, o filho mongolóide de cinco anos de idade que ela perdeu. Sara esclarece: “Supõe-se que condolências sejam um meio de se compartilhar da dor; no entanto, elas nos trouxeram mais angústia, porque ouvimos muitas vezes: “Ainda bem que não foi o seu outro filho!” Eles deveriam saber que nós amávamos Lenny tanto quanto ao seu irmão”.

Constantemente damos as nossas opiniões, tomamos decisões, assumimos posições; e revisamos o modo como nos comunicamos - e tais ações nem sempre condizem com a nossa personalidade, nem sequer com aquilo que queríamos comunicar. Descobrimos que parecemos muito ásperos ou muito submissos, porque falamos ou agimos mais rápido do que pensamos. Como podemos, então, melhorar a nossa auto-estima e o nosso relacionamento para com os outros?

É importante sabermos o que queremos e nisso sermos positivos. Contudo, ao expressarmos o nosso ponto de vista, devemos também considerar o sentimento dos outros. O critério correto talvez esteja contido num ditado de carpinteiro: “A melhor regra para o falar é a mesma que para a carpintaria – medir duas vezes e serrar uma só”.

Isto é tudo o que o tato é – um meio de se comunicar sentimentos, mesmo a ira ou uma indiferença de opinião, de modo civilizado. E os diplomatas reconhecem o tato como um instrumento poderoso para se chegar a acordos satisfatórios em tempos de crise. Não é tanto o que é dito, e sim como é dito, que conta. A escolha adequada das palavras pode fazer uma grande diferença.

Quando eu era ainda garoto, minha família e eu costumávamos visitar uma professora aposentada, que vivia numa bela casa. Eu achava que ela era a mais amável anfitriã, porque ela sempre nos levava ao lugar mais confortável da casa. ‘Vamos para o terraço, onde está mais fresco!’ dizia ela no verão – mudando, no inverno, para: “Vamos para perto do fogo, onde é mais aconchegante’.. mais tarde, quando minhas pernas eram compridas o suficiente para que eu me sentasse em seu sofá de veludo branco, sem que meus pés nele tocassem, compreendi que a professora assim nos mantivera, a nós crianças, com jeito, fora de sua sala de estar.

Todos os dias, a vida nos coloca numa variedade de situações incomodas. Algumas dessas situações são de menor importância, enquanto outras são muito aborrecidas. Queremos saber, por exemplo, como informar ao fumante que está junto da gente, que a sua poluição do ar que ambos respiramos é incomoda para nós? Ou, como dizer ‘não’ ao amigo que está sempre pedindo emprestado tudo o que possuímos, como se vivêssemos numa comuna? Como confessar a uma criança que sua pintura está bem colorida, mas não é nenhuma obra-prima? A lista é infindável.

Usualmente reagimos a estas situações de maneira dócil, agressivamente, ou com tato.

As pessoas dóceis deixam-se levar facilmente pelos caprichos de todos, convencidas de que esta é a melhor solução para continuarem em segurança. Assim agindo, apenas se condenam a enfrentar novamente os mesmos problemas e, eventualmente ressentem-se por serem tratadas como fantoches.

Ron se enquadrava nesta categoria. Ele não sabia dizer ‘não’ diplomaticamente e, em vez disso, acabava dizendo ‘sim’. Por isto, prometera ele o seu apoio a muitas instituições de caridade, ainda que não tivesse possibilidade de cumprir todos esses compromissos.
Falando s obre a sua mudança de atitude, Ron explica: “Um dia, percebi que eu não ajudava muito a nenhuma daquelas organizações e que estava decepcionando pessoas que contavam comigo. Então escolhi as duas causas favoritas, abrindo mão das outras, e ainda estou espantado de como foi fácil resolver o problema com tato. Nunca estive antes tão envolvido com as duas obras de caridade que retive”.

Em contraste, as pessoas agressivas são despóticas. Impõem suas idéias aos outros, criando animosidade aonde quer que vão, porque lançam mão de insultos, zombaria ou berros, para que prevaleçam sobre os demais. Elas desanimam todo mundo.

Brenda, uma estudante universitária, é uma vitima destas condições. Seus pais divorciados casaram-se ambos outra vez, de modo que agora ela tem duas famílias. ‘Dupla dor de cabeça!’ diz Brenda. “Eu supliquei ao meu pai e a minha mãe para não fazerem comentários difamatórios um acerca do outro quando eu estivesse por perto, mas eles persistem em fazer isto. Eu sou parte de ambos, e me sinto pessoalmente atingida quando um ou o outro é ferido em sua dignidade, de modo que cheguei ao ponto de não sentir mais prazer em visitar qualquer um deles.”

Entre os dois extremos – dóceis e agressivos – as pessoas de fino trato saem vencedoras. Não se deixam intimidar; sabem onde pisam e dizem o que pensam de modo construtivo, cuidando para não ofender ninguém deliberadamente. Seu elogio ou sua critica, são genuínos, desfazendo qualquer mal-entendido, e eles fazem amigos fiéis.

Usar de tato para com as pessoas, positivamente, é um bem para o proveito de todos.

E um bom local para se começar é em casa, porque, como Eugene Kennedy escreveu; “É no seio de nossas famílias e através delas que nos tornamos mais humanos”.
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[Texto de Annick O. Shinn].

11 de mai. de 2010

Esperanto a Língua do Homem


Nesta era moderna, o homem sente que a Terra se torna cada vez menor. Sua noção de ‘países estrangeiros distantes’ tem mudado para a de ‘vizinhos próximos’. Seus antepassados viajavam meses para chegar a lugares que ele agora alcança em poucas horas de vôo. A crescente explosão demográfica mundial tem exigido recursos materiais cada vez maiores, que se encontram dispersos pelo globo em poder de ‘potências estrangeiras’. Este fato demonstra claramente nossa condição de interdependência como países. A interdependência, por sua vez, torna a comunicação um fator absolutamente necessário entre os países que possuem e os que precisam de recursos. Entretanto, desde os dias da Torre de Babel [ou coisa que o valha], o homem desenvolveu sua comunicação apenas no seio de sua tribo ou de seu clã, uma vez que esse era o limite de seu mundo. Mais recentemente, porém, o homem foi tomando consciência de um mundo ‘exterior’ maior e de muitas línguas. Que pode ele fazer para comunicar-se?

Há duas soluções possíveis: o individuo aprender todas as línguas, OU ‘todos’ os indivíduos aprenderem uma língua comum. Os habitantes dos países de fala inglesa dizem que não existe problema: “Todo mundo fala inglês!” Mas é somente eles que se jactam disto. M verdade, conforme estatísticas, apenas ‘dez por cento’ da população mundial fala inglês. E muitos dentre estes estão empregados, no mundo inteiro, em funções criadas tão-somente para a comunicação com aqueles que só falam o inglês. São eles os intermediários que servem de ponte para o abismo que separa a minoria da maioria de ‘noventa por cento’.

A civilização criou outros problemas [o Terceiro Mundo, por exemplo]. Povos que durante muito tempo estiveram sob o domínio de culturas como a inglesa, a francesa, a espanhola, a portuguesa, etc, sofrem um problema psicológico como nações recém independentes, ao se confrontarem com seus antigos idiomas coloniais. Tais povos querem esquecer seu passado infeliz. Orgulham-se de seu idioma nativo, e insistem em seu uso. Sua herança [inclusive o idioma nativo] é coisa preciosa para eles e deve ser preservada. Calcula-se que existem alguns milhares de idiomas diferentes. Estatísticas fáceis de ser obter mostram que há cerca de trezentos idiomas falados por pelo menos um milhão de indivíduos. Entre estes idiomas estão o estoniano, o congolês e o macedônio, falados por pelo menos um milhão de pessoas. Os povos dessas culturas não querem e não devem abandonar seus idiomas. Assim mesmo, a crescente necessidade de comunicação continua sendo um grande problema. O que fazer?

UMA NOVA LÍNGUA
Cerca de cem anos atrás, um jovem polonês sofria com este tipo de problema, embora talvez por razões um tanto diferentes. Luiz L.Zemenhof, filho de um professor e censor, morando em Bialystok, região da Polônia ocupada pela Rússia, sofreu pessoalmente as tristes condições resultantes da confusão de línguas. Nessa cidade polonesa, era proibido falar o polonês. O ensino era ministrado em russo, e todos os procedimentos legais também eram efetuados em russo. A literatura polonesa, igualmente proibida, só podia ser conseguida clandestinamente. Nessa cidade havia pessoas de várias nações, como em muitas das históricas cidades européias. Os habitantes falavam russo, polonês, alemão, iídiche ou hebraico, conforme sua origem. Era inevitável que eventualmente ocorressem muitas lutas e amargos conflitos. Isto era um espetáculo deprimente para que um jovem frágil e sensível suportasse. De fato, isto afligiu a mente de Zamenhof, levando-o a buscar uma solução para esse problema tão angustiante. Ele concluiu que a língua e a religião eram a fonte dessa amargura. Convenceu-se de que era necessária uma segunda ‘língua para conversação’ que não interferisse com a língua nativa, a língua nacional usada em família ou secretamente.

Em 1887, após dez anos de intenso trabalho e aperfeiçoamento, e com pequeno auxilio financeiro, o jovem Zamenhof publicou seu livreto intitulado ‘Língua Internacional’. Usara o pseudônimo de ‘Dr. Esperanto’[que significa aquele que espera]a fim de proteger sua identidade e escapar de certas penalidades ou censura. O sucesso foi imediato, e a língua logo tornou-se conhecida simplesmente como “Esperanto”. Evidentemente o mundo já estava esperando essa resposta ao seus problemas de comunicação. O uso do ESPERANTO logo propagou-se por todo o mundo, motivando a realização de um congresso internacional, que ocorreu em Boulognesur-Met, na França, em 1905. Desde então, realizou-se anualmente um congresso internacional, com exceção de 1914, devido à eclosão da Primeira Guerra Mundial. O Grande Congresso de 1981, realizou-se no Brasil, na cidade de Brasília. O esperanto tem florescido em ciclos, com recessos temporários devidos às Grandes Guerras. Ditadores e Políticos de má vontade encabeçam a lista dos que têm procurado impedir a propagação do Esperanto, pelo menos até os dias atuais. Sendo de natureza não lucrativa, esta língua também tem sofrido por causa da pequena publicidade, como a maioria dos movimentos minoritários.

Nenhuma língua pode ser aprendida sem um sincero esforço. Não obstante, dentre todas as línguas, o Esperanto é a mais fácil de se aprender. A razão disto? Ele está estruturado cientificamente para evitar os obstáculos comuns que dificultam a aprendizagem da maioria das ‘segundas línguas’. O Esperanto é freqüentemente usado como introdução às línguas estrangeiras mais tradicionais. Quais os segredos da atração por uma língua tão fácil? Por que a sonoridade flui musical e naturalmente? Por que ele está sendo falado hoje em mais de noventa e três países? Que há nele que possibilita a pessoas de diferentes culturas falarem-no com a mesma facilidade?

O Esperanto é uma língua fonética: ‘uma letra – um som’. Escreve-se como se pronuncia e pronuncia-se como se escreve. O acento tônico cai ‘sempre’ na penúltima sílaba. As dezesseis regras básicas ‘não’ admitem exceções. ‘Não há’ verbos irregulares [o terror de todos os estudantes de línguas]. Não há sons difíceis de se pronunciar para pessoas de diferentes nacionalidades. O vocabulário é relativamente pequeno devido ao uso sistemático e abundante de prefixos e sufixos. Por exemplo: o bono – o bem; bona- bom ou boa; bone – bondosamente; boneco [pronuncia-se ‘bonetso’] – a bondade; plibona – melhor; plejbona [pronuncia-se pleibona] – o melhor de todos; malbona – ruim; bonulo – um indivíduo bom.

Um dos principais fatores da aceitação universal do Esperanto é o fato de ser ele ‘neutro’. É ‘apocaliptico’ visto não pertencer a qualquer nação ou cultura. O orgulho e o nacionalismo de todos os países, especialmente dos menos favorecidos, opõem resistência à adoção de uma língua de outra nacionalidade. Por isto, o Esperanto pode ser aprendido ‘igualmente’ por ‘todas’ as nações, grandes ou pequenas. No entanto, alguns eruditos sofisticados contestam, ‘mas é uma língua artificial!’Sim, exatamente como ‘todas’ as línguas. Todas foram criadas pelo homem algum dia no passado. O Esperanto, sendo cientificamente construído, tem a vantagem de evitar todas as incômodas excentricidades das línguas ‘naturais’ [e nacionalistas].

Em nosso mundo economicamente conturbado, os serviços de tradução e de intérpretes estão exaurindo os recursos financeiros de todas as organizações que servem ao relacionamento dos povos. As Nações Unidas, o Mercado Comum Europeu, a Organização da Unidade Africana, e grupos semelhantes necessitam empregar exércitos de tradutores e interpretes num exaustivo esforço para manter seus membros informados. Mas por melhor que seja, esse serviço inclui no máximo nove idiomas. Por conseguinte, cada representante deve conhecer no mínimo uma das línguas oficiais, a despeito de sua língua nativa. Quanto tempo ainda teremos de esperar para que se compreenda que, com o esperanto [que, diga-se de passagem, com freqüência aprende-se sozinho], um esforço conjunto através das Nações Unidas, por exemplo, possibilitaria a ‘todos os cidadãos do mundo’ se comunicarem com clareza em não mais que ‘uma’ geração! Visualize isto por um momento!

O Esperanto não é um brinquedo, tampouco um sonho impossível. Embora seja ainda relativamente uma criança [ com pouco mais de 100 anos de idade] entre as línguas do mundo, ele está solidamente estabelecido e seu uso em crescente expansão. Há atualmente 127 dicionários técnicos e vocabulários em cerca de cinqüenta ramos de ciência, filosofia, tecnologia, bem como manuais publicados na Língua Internacional Esperanto. A literatura também é vasta, contando com obras traduzidas e romances ‘originais’, contos, peças teatrais, poesias, bem como trabalhos científicos, filosóficos e didáticos. Só a Biblioteca da Associação Britânica de Esperanto conta com cerca de 30.000 volumes registrados. Há também numerosos periódicos publicados em Esperanto no mundo inteiro. Cerca de vinte e três estações de rádio transmitem regularmente programas em esperanto. A Associação Universal de Esperanto, com sede em Rotterdam, mantém relações de consulta com a Organização das Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos. Há milhares de clubes e associações de esperanto no mundo inteiro.

Para que o mundo desfrute da verdadeira fraternidade humana, a compreensão e o entendimento mútuos devem ser diretos. Embora a tradução de línguas nos tenha levado longe em nossa civilização, ela se compara à fotografia de um lugar, à gravação de uma boa musica, a um perfume, ou ao sabor artificial. Tudo isto é verdadeiramente artificial! Qualquer ser humano ‘pode’ comunicar-se diretamente com seu semelhante, se decididamente o quiser.

Agora teste sua capacidade lingüística pelo pequeno texto que se segue: “Inteligenta persono lernas la lingvon Esperanto rapide kaj facile. Simpla, fleksebla, belsona, gi estas la praktica solvo de la problemo de universala interkompreno. Esperanto meritas viam seriozan konsideron”. Tradução: “Uma pessoa inteligente aprende a língua Esperanto rápida e facilmente. Simples, flexível, sonora, ela é a solução prática do problema da compreensão mútua universal. O Esperanto merece sua séria consideração.
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Feliz é o homem que plantou em seu coração as sementes da benevolência; o fruto será a caridade e o amor. “A Ti Concedo”.

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[Texto de Cris R. Warnken].