20 de nov. de 2009

MERGULHO NO INCONSCIENTE_A CHAVE DO CONTENTAMENTO


A satisfação proveniente de um desejo realizado ou de um objetivo conquistado é sempre passageira. Para alcançar o contentamento duradouro, o homem, na verdade, precisa enfrentar o mundo interior e desenvolver maior compreensão de si próprio.

Quem não quer contentamento?

Embora todos queiram, há uma verdadeira epidemia de descontentamento na vida moderna.É a tragédia de nosso tempo que, seja o que for que a gente consiga, seja qual for a quantia de dinheiro que a gente ganhe, sejam quais forem as bênçãos que nos sejam concedidas nunca é o bastante. Pois, para cada desejo que a gente satisfaz, outro sempre o segue muito de perto. Você pode ter uma casa em Aspen ou ganhar tanto dinheiro quanto Bill Gates e, apesar disso, ainda sentir que a plenitude continua se esgueirando para longe de você. Isso acontece porque o contentamento não é um resultado do que você tem, nem mesmo do que você faz na vida. O contentamento não está lá fora. Bem, talvez você tenha um aperitivo ou outro lá fora, mas eles deixam de satisfazê-lo em pouco tempo e,então, você já está ansiando por mais. E, por mais que tente,nenhum volume de propriedade, poder ou prestigio satisfaz por muito tempo.

Pense numa época em que você esteve contente de verdade. Quase todos conseguem se lembrar de momentos que um desejo profundo foi satisfeito. Talvez você estivesse olhando seu filho comer um pedaço do bolo de seu primeiro aniversário, ou dar seus primeiros passos. Que experiência maravilhosa, plena! Talvez você estivesse pescando num lago tranqüilo de uma montanha, ou caminhando sossegadamente pelos bosques, longe dos prazos e pressões do trabalho e do aborrecimento constante das tarefas domésticas. O contentamento também pode surgir no trabalho – naqueles momentos em que parece que você entrou no ritmo de suas tarefas. Em vez de ficar consultando o relógio a cada cinco minutos, você fica completamente absorvido pelo que está fazendo, e o tempo voa. Realizar um objetivo pode dar contentamento durante algum tempo.

Mas esses momentos se desvanecem rápido demais. Muitas vezes, você só percebe que cruzou a fronteira do céu alguns dias ou semanas depois, quando começa a sentir saudade do que está faltando. E então tenta reproduzir as condições que levaram ao contentamento. Você faz outro bolo ou volta a caminhar nos bosques. Mas não é mais a mesma coisa.

O contentamento é difícil de preservar. Com conseguir tranqüilidade interior, satisfação e paz de espírito?

Nossa sociedade ensina que a única realidade é aquela que podemos pegar. Valoriza as experiências externas e as posses materiais. Portanto, procuramos o contentamento “lá fora” e vivemos com uma mentalidade de “assim que...” “Assim que eu terminar meu trabalho, vou relaxar.” “Assim que eu me casar, vou ficar contente” ou, inversamente: “Assim que meu divórcio sair, vou ficar contente”. “Assim que eu ganhar bastante dinheiro, vou poder ficar mais tempo com meus filhos”. “Assim que eu tiver um chefe melhor, um emprego melhor, uma casa maior, um carro novo...” E, assim, nosso contentamento “escorre” por entre os dedos como água – outro momento, um lugar diferente, uma situação melhor.

“Poderosos criadores de descontentamento” – A Madison Avenue compreende a nossa fome de contentamento e a usa como base da publicidade moderna. Sopas, automóveis, seguros de vida – vende-se de tudo com a promessa de satisfação que vai trazer ou do desconforto que vai nos ajudar a evitar. A publicidade infiltra-se em praticamente todos os recessos da vida moderna, dos comerciais de rádio e televisão aos dos jornais, revistas, traseiras de ônibus, outdoors, bancos de praça, camisetas, a Internet – e até nossos telefones residenciais. Todas essas mensagens se destinam a nos MANIPULAR no sentido de desejar um produto ou serviço. Somos impelidos pelos desejos e empurrados pelos medos. A Madison Avenue e a mídia são poderosos criadores de descontentamento.

James Joyce, o grande romancista do século 20, ao refletir sobre o papel da arte na sociedade, observou que a propaganda se destina a criar sentimentos de desejo ou aversão no publico. O desejo insiste conosco para possuirmos, ir atrás de uma certa coisa, enquanto a aversão insiste conosco para abandonarmos, para nos afastarmos de uma certa coisa. Joyce contrasta isso com a arte, que, em sua opinião, eleva a mente humana, cria tranqüilidade interior e nos conecta ao que é”grave e constante” no destino da humanidade.

Segundo esse modo de ver a civilização, grande parte da cultura popular de hoje – e não só a publicidade – é mera propaganda com o objetivo de instigar nosso descontentamento.

Como evitar o martelar constante da propaganda na vida moderna? Um bom primeiro passo é reconhecer que ir atrás de coisas novas ou diferentes nunca satisfaz, e seu contentamento é importante demais para ser perdido num ciclo interminável de ganhar e gastar, desejo e arrependimento.

Como você provavelmente já percebeu, fazer mais do que já fez até agora não é a resposta. Mais bens de consumo, mais trabalho, mais férias, mais amantes não levam a mais contentamento. O que você precisa é desenvolver mais CONSCIÊNCIA e a COMPREENSÃO de si. O contentamento vem de dentro.

“Em Busca do Contentamento” – O que é contentamento? O dicionário informa que é a experiência de estar satisfeito, de não desejar mais do que você tem. Este é um ponto de partida, mas ignora elementos importantes do contentamento, inclusive os aspectos mais essenciais, a partir de uma perspectiva psicológica. Como é a experiência do contentamento? Quais são as condições que levam a ele?

Procure lembrar de novo de um momento de satisfação em que tudo parecia certo: não havia necessidade de mudar o que você estava fazendo, nem a pessoa com quem você estava, nem o lugar onde se encontrava. Durante esses momentos, a vida é rica e plena. O burburinho das preocupações, medos e ansiedades misturados, que tantas vezes ficam em volta da cabeça como um enxame de mosquitos famintos, silencia. Em vez de julgar a si mesmo ou chorar pelo leite derramado, você está satisfeito só por existir. Até aquela voz antiga e familiar do desejo, a inquietação na sua cabeça que chora como uma criança mimada e exigente, “gritando eu quero, eu quero, eu quero”, também está calada. O contentamento é cheio de paz como o luar no fundo de um rio, tranqüilo no meio da mudança constante.

Agora. Aqui. É isso. O contentamento proporciona uma experiência diferente do tempo; a mente pára de perambular pelo passado ou pelo futuro. Como pessoas modernas que somos, perdemos muito tempo desejando estar numa situação diferente, o que, claro está, é impossível. Você pode dizer que contentamento é estar apaixonado pelo momento presente, não apenas aceitando-o como um casamento arranjado, mas abraçando com êxtase e sofreguidão o eterno agora como quem abraça seu amor.

O contentamento surge de uma disposição de abandonar idéias preconcebidas e de afirmar a realidade tal como ela é. Respeitar “as coisas como elas são“ é o exato oposto de viver com aquela mentalidade do “assim quem...”. A realidade nem sempre é como você gostaria que fosse. E, quando não é, ou você fica frustrado e redobra os esforços para curvá-la à sua vontade, ou aprende a aceitar, confirmar e até a dançar com o que lhe é dado.

“Arusacumar, o vendedor de coco – Mark Twain“ disse certa vez que nada amplia tanto a visão de uma pessoa quanto viajar para um país estrangeiro. É difícil perceber os pressupostos e hábitos em torno dos quais sua vida gira enquanto você não sai de sua órbita.

Há um vendedor de coco chamado Arusacumar que vive num barraco de bambu perto da cidade de Pondicherry, no sul da Índia. É um mestre da arte de cortar o topo de um coco verde com um facão, introduzir um canudinho e oferecê-lo a seus fregueses. Você se senta num saco de estopa cheio de cocos para saborear a sua água, pois é a única mobília de sua banca no meio-fio. Arusacumar é um dos homens mais contentes do mundo, e esse estado semidivino é extremamente contagiante. Ele canta e ri e faz você entrar no clima do Jardim do Éden, onde passa os seus dias.

O contentamento está além dos caprichos da sorte e das posses. As opções de Arusacumar são limitadas, suas expectativas são poucas e seu contentamento é grande. Ele ainda faz muita bobagem e se mete em muitas encrencas, mas, quando está em dificuldades, não se sente culpado, nem fica obcecado pelo que poderia ter feito ou deixado de fazer.

Arusacumar tem uma CONSCIÊNCIA profunda de uma REALIDADE INVISIVEL, ETERNA. Quando as coisas não estão do jeito que ele gostaria que estivessem, ele supõe que um plano maior está em ação. Essa estrutura invisível – dê-lhe o nome de destino, ou de vontade de Deus – pode não ser clara em termos imediatos, mas ele confia em que acabará por lhe ser revelada, e a aceita. Que diferença da abordagem moderna de agarrar a vida pelos colarinhos e tentar esganá-la para que ela se submeta à sua vontade!

“PERDA DE CONTATO COM NOSSAS RAÍZES” – Fez parte da genialidade do psiquiatra suíço CARL JUNG reconhecer que a vida moderna atribui uma tarefa grande demais ao eu pessoal. A sociedade ocidental nos ensina que cada um de nós é um eu separado, isolado. Esquecemos a existência de uma camada mais profunda de experiências que partilhamos com toda a nossa cultura e com toda a criação. A essa camada, Jung deu o nome de inconsciente coletivo – uma fonte de sabedoria, de propósito, de significado.

O INCONSCIENTE COLETIVO é um grande mar onde todos nós nascemos. Nesse mar vivem os sentimentos, as idéias, as capacidades, os comportamentos, os defeitos e virtudes que identificamos como nós mesmos; e desse mar brota cada individuo, cada ego, cada “eu”.

Muitas pessoas inteligentes de nossos dias recusam-se a admitir que tem um inconsciente. Insistem em dizer que sabem porque querem o que querem, e porque fazem o que fazem.

INCONSCIENTE é um termo curioso, como IRRESISTÍVEL. Diz o que algo não é, em lugar de dizer o que é. Mas o inconsciente não é tão vago e esotérico assim. Consiste em todos aqueles processos que ocorrem dentro de você e à sua volta,mas no segundo plano. Você sabe que a sua pressão sangüínea e o ritmo de sua respiração ajustam-se quando sobe um morro correndo, ou quando o tempo muda, e você não precisa pensar nisso conscientemente. O corpo faz muitas coisas sem precisar de pensamento consciente, e a mente também. Dizer que temos um inconsciente é uma forma de dizer que, mental e fisicamente, fazemos parte da natureza. As profundezas do inconsciente são as profundezas da natureza. Mesmo quando nos sentimos inteiramente isolados dos outros, é importante lembrar que nosso lar psicológico comum continua o mesmo.

O doutor JUNG levantou questões importantes para as pessoas modernas em relação à natureza de nosso verdadeiro eu, ou SELF, lembrando-nos de uma coisa que as civilizações anteriores tinham como ponto pacífico - que o verdadeiro EU encontra-se numa camada muito mais profunda que a razão e o intelecto, mais profunda que nossa individualidade. As proezas dos deuses e demônios dos antigos parecem fantásticas e irracionais pelos padrões de hoje, mas os povos pré-modernos ao menos tinham conhecimento do fato importante de que há forças poderosas em ação em nossa vida, forças que tem uma existência própria, independente de nossos desejos e de nossa vontade consciente. Para chegar ao contentamento, não podemos simplesmente ignorar os poderes do inconsciente. Precisamos nos relacionar com eles.

RELIGIÃO COM ALGO MAIOR – Vivemos numa era de CONSCIÊNCIA do “EU”. Os seres humanos dominam o mundo físico de uma forma que ninguém julgava possível. Nossos edifícios e nossas cidades são monumentos a nós próprios. Basta olhar a linha do horizonte de uma grande metrópole; os edifícios mais altos são símbolos do poder humano, de “status” e controle. Antigamente, na história ocidental, as construções mais altas eram sempre dedicadas ao divino. Mas, à medida que fomos adquirindo a capacidade de controlar a realidade externa, também fomos nos enchendo de um sentimento de onipotência.

Não faz muitos anos, o edifício da Shell Oil em Londres foi construído andar por andar, até sua altura exceder a cúpula da Catedral de São Paulo. Houve um clamor nos jornais e uma controvérsia tremenda; disseram que uma era antiga terminara e uma nova era secular de comércio e negócios estava substituindo os valores tradicionais.

Crises ecológicas de vários tipos estão nos mostrando a tolice de pensar que podemos manipular a natureza à vontade, sem conseqüências graves. Todas as formas de vida são interconectadas e são interdependentes. No nosso mundo interior também.

Arranjamos todo tipo de problemas por pensar que a vida pode ser medida, compreendida e controlada exclusivamente pela nossa vontade consciente. O indivíduo isolado procura chegar ao contentamento por meio da novidade, do poder, do prestígio – manipulando o mundo externo. Sem contato com o INCONSCIENTE COLETIVO, ficamos cheios de ansiedade e insegurança.

O “eu” dentro de nós pode tornar-se arrogante e alienado de suas raízes na natureza. É difícil para nós admitir que há muita coisa na vida fora de nosso controle. Mas um pouco de humildade é um dom maravilhoso.

“DE NOVO COM OS PÉS NO CHÃO” – Temos familiaridade com a palavra ‘humus’, que significa terra fértil, que você coloca em seu jardim para fazer com que ele se desenvolva. Está relacionada com as palavras “humildade, humilhar e humildade” – todas elas implicam fazer com que voltemos à terra. O contentamento não requer raciocínio e força de vontade; se esses dois atributos fossem tudo quanto é necessário, a humanidade certamente estaria contente agora. Mas não está. Precisamos, isso sim, aprender a diminuir nosso orgulho e reconhecer que o “eu” lá de dentro não sabe tudo e, às vezes, passa por maus bocados até descobrir o que é melhor para nós.

O contentamento requer que a gente acabe com a arrogância da consciência moderna voltando a pôr os pés e os joelhos no chão e restabelecendo uma relação permanente com o inconsciente coletivo.

A maior parte da psicologia atual – 90% ou mais – procura facilitar a relação de uma pessoa com o mundo externo. Talvez você não esteja conseguindo ter alguém, ou seu casamento vai mal, ou você seja desajeitado socialmente, ou algo assim. Essas são questões importantes e muitas vezes precisam ser trabalhadas. Mas, para chegar ao contentamento, precisamos enfrentar o mundo interior, igualmente maravilhoso e difícil.

Há aquela história de um homem empenhado na busca espiritual que um dia perguntou a seu mestre: “Dizem que antigamente as pessoas iam e conversavam com Deus. Por que isso não acontece mais?”. O mestre respondeu: “Porque hoje em dia, ninguém se rebaixa a esse ponto.”.

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Notas
[*]O texto é um excerto dos capítulos 1 e 2 do Livro CONTENTAMENTO, de Robert A. Jhonson e Jerry M.Ruhl, lançado pela Editora Mercuryo, Tradução: Dinah de Abreu Azevedo.



19 de nov. de 2009

REVISÃO BÍBLICA_A REENCARNAÇÃO SEGUNDO CRISTO


Embora fosse uma crença universal na época de Jesus, a reencarnação não foi mencionada no Novo Testamento. Uma leitura mais atenta das Escrituras, porém, mostra que a doutrina era plenamente aceita por Cristo.

“Quando Jesus ia passando, viu um homem cego de nascença. E os discípulos perguntaram: Mestre, quem pecou para este homem nascer cego, ele ou os seus pais?[ João 9:1-2]

Os estudiosos da Bíblia tem de admitir que os verdadeiros autores do Novo Testamento são desconhecidos para a maioria. A coleção de textos que o compõe é só uma pequena parcela dos inúmeros manuscritos em circulação antes do Concilio de Nicéia[325 d.C] arbitrariamente decidiu quais escritos sagrados seriam incluídos. De maneira bastante semelhante ao Antigo Testamento, os quatro Evangelhos simplesmente são uma coletânea “autorizada” das palavras de um homem chamado Jesus, sobre quem, historicamente, pouco sabemos.

Se é verdade, como sugere Josefo, que os essênios acreditavam na reencarnação, eram pastores e carpinteiros, dedicados a servir ao Pai invisível, usavam cabelos compridos, vestindo-se com uma simples túnica tecida circularmente sem costuras e um manto escarlate, temos aí então uma descrição tradicionalmente aceita de Jesus.

Evidentemente que se ‘tanto’ João Batista ‘quanto’ Jesus foram membros desta seita, como acreditam vários estudiosos, eles deveriam conhecer os ensinamentos judaicos e orientais sobre reencarnação.

Com isso em mente, examinemos os diversos diálogos atribuídos ao Mestre sob outro ponto de vista:

Para começar, quando os discípulos de Jesus perguntaram sobre o homem que nasceu cego, não estavam longe das indagações dos antigos irmãos cabalistas.

É lógico que só quem já acredita na possibilidade de uma vida anterior é capaz de perguntar se uma criança ‘nascida’ cega pecou ‘nesta’ vida. Logo, ou ela cometeu algum pecado numa existência anterior ou nasceu cega por alguma transgressão dos pais, ou ambas.

Infelizmente a resposta de Jesus, pelo menos como aparece nos Evangelhos, não se refere ao renascimento. Ele simplesmente afirma que não foi nenhum dos casos. A criança nasceu cega, disse o Mestre, para que as obras de Deus fossem manifestadas nela.

O conhecido pesquisador bíblico James Pryse, em sua obra clássica [edição esgotada] REINCARNATION IN THE NEW TESTAMENT, comenta:

“Considerando o assunto reencarnação pelos autores desses textos, é importante observar que, embora essa crença fosse praticamente universal na época de Jesus e uma doutrina essencial em todas as assim chamadas religiões pagãs, ela não é negada, discutida ou questionada em parte alguma do Novo Testamento. Quando o assunto vem à baila, como ocorre com freqüência, o fato da reencarnação é ou tacitamente aceito ou inequivocamente confirmado, como no caso de Elijah.”

Os judeus sempre esperaram a reencarnação de todos os seus grandes profetas. Acreditava-se quem Moisés fora Abel, o filho de Adão; que Adão viera numa segunda vez como Davi e era aguardado que retornasse como o, há muito esperado, Messias.

Entretanto, antes da vinda do Messias, outros seria enviado como mensageiro, segundo a profecia encontrada em Malaquias 4:5, “Eis que vos envio o profeta Elijah, antes que venha o dia do Senhor.”

Como Elijah já havia morrido muito tempo antes, é evidente que essa profecia só poderia ser à chegada de alguém que nascera como Elijah em outra época e lugar, que no idioma grego era chamado de “Elias”.

Diante do exposto, observemos o relato de Mateus 17:10-13:
“E seus discípulos o interrogaram dizendo: Por que os escribas dizem que Elias deve vir primeiro?“ E Jesus respondeu: ele há de vir para restabelecer todas as coisas. Mas eu vos digo que Elias já veio e não o reconheceram, mas fizeram com ele o que quiseram. Do mesmo modo, também o Filho do Homem está para sofrer da parte deles. Então os discípulos compreenderam que Jesus tinha lhes falado a respeito de João Batista.”

Estas palavras de Jesus só fazem algum sentido se entendermos que João Batista foi Elias, ou Elijah, em uma vida anterior. Como o Mestre fala [no passado]que já fizeram o que queriam com João e que Seu destino seria o mesmo, esta conversa obviamente aconteceu depois que João já havia sido decapatidado.

Temos que ter em mente que os diálogos de Jesus foram arbitrariamente organizados nos Evangelhos pelo autor ou autores que deles se lembravam, muitos anos após terem efetivamente ocorrido. A seqüência dos eventos apresentada em um dos Evangelhos pode, portanto, ser diferente em outro.

Por analogia, até mesmo dentro de um Evangelho podem ser encontradas discrepâncias de detalhes em uma determinada historia, assim como ocorre com as pessoas que, vendo um acidente acontecer, podem,dependendo das posições e dos pontos de vista, sugerir causas diferentes.

Ao descrevermos outra passagem de Jesus e seus discípulos, que também deve ter ocorrido após a morte de João Batista, encontramos:

“Quando Jesus chegou à região de Cesaréia de Felipe, perguntou aos discípulos: “O que dizem por aí que eu, o Filho do Homem, sou?” “Responderam: “Uns dizem que é João Batista;outros dizem que é Elias;outros, enfim, que é Jeremias ou algum dos profetas.”
“Então lhes perguntou”:’E vós mesmos, quem dizeis que eu sou?’”Simão Pedro interveio e respondeu:”Tu és o Cristo, Filho do Deus vivo.” Jesus retomou a palavra e declarou: “És feliz, Simão Barjona, pois não foram a carne e o sangue que te revelaam isso, mas meu Pai que está nos céus!” [Mateus 16:13-16]

Esta conversa é muito interessante, pois apresenta vários elementos claramente sugestivos de que a doutrina da reencarnação era conhecida pelo publico da época e principalmente pelos discípulos de Jesus.

Quando fez a pergunta: “O que dizem por ai que eu, o Filho do Homem, sou?”, Jesus obviamente estava tentando descobrir quais eram os boatos locais e seu respeito. A resposta de Pedro foi clara e profunda. Incluía as absurdas possibilidades de Jesus ser a reencarnação de João Batista, morto recentemente, e do Messias ser a reencarnação de um dos profetas, um crença antiga.

Pedro não teria motivos para incluir todas essas possibilidades se não fossem tema de conversas na cidade.

Observemos o novo nome – Barjona – que Jesus deu a Pedro. Em sírio, o prefixo “Bar” é traduzido como “o filho de”. Então, chamando Pedro de “o filho de Jonas” – que claro, ele não era-, Jesus diz aos outros discípulos que não apenas ele, mas também Pedro “viveram antes” como o profeta Jonas.

A tradução da mesma escritura por James Pryse, empregando outras fontes além do grego, assinala este ponto de maneira mais dramática:”Você é imortal, Simão, filho de Jonas! Porque a carne e o sangue não lhe revelam[este segredo], mas meu Pai que está nos céus.”

No Evangelho de João encontramos outra declaração do Mestre sugerindo que já vivera antes. Quando lhe perguntaram se era o grande Abraão ou algum outro profeta falecido, respondeu:
“Abraão,vosso pai, alegrou-se intensamente com o pensamento de ver meu dia. Ele o viu e ficou alegre.” Os judeus lhe disseram: “Ainda não tens 50 anos e já viste Abraão?” Jesus respondeu: “Eu vos afirmo e esta é a verdade:antes que Abraão nascesse, EU SOU.” [João 8;56-58].

É lógico que somente após ter vivido na época de Abraão é que Jesus poderia dizer que Abraão ficou alegre com sua chegada; entretanto, para enfatizar mais sua preexistência. Ele acrescenta que não viveu somente no tempo de Abraão, mas também antes dele.

Um ultima escritura que precisa ser discutida é encontrada no Apocalipse de João 3:12:”Farei do vencedor uma coluna no templo do meu Deus, de onde nunca sairá, e escreverei sobre ele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, aquela que desce dos céus, vinda do meu Deus e também o meu nome novo.”

Temos aí a expressão de uma idéia que aparecer inúmeras vezes em varias escrituras orientais: uma vez que se compreende a unidade com o cosmos, o renascimento se transforma em escolha, em vez de necessidade.

Não é preciso dizer que após a morte do Mestre os debates entre os antigos papas da Igreja sobre o que constituía a ortodoxia continuaram. Como muitos dos primeiros bispos eram convertidos das assim chamadas religiões pagãs, eles traziam consigo suas crenças originais, muitas das quais incluindo o conceito do renascimento.

Em 553 d.C o imperador Justiniano, líder de todo o Império Oriental, declarou guerra a Orígenes [185-254 d.C] e suas crenças, inclusive a do renascimento como extensão natural à crença na preexistência da alma.

Resolvido a destruir de uma vez por todas o que considerava heresia, Justiniano anunciou a sessão não oficial do Quinto Concilio Ecumênico, mais tarde chamado de Segundo Concilio de Constantinopla, excomungando Orígenes por suas doutrinas.

Embora estivesse em Roma naquela época, o Papa Vigílio, seqüestrado e mantido prisioneiro de Justiniano por oito anos, recusou-se a participar deste concílio quando Justiniano não assegurou o mesmo quorum de bispos representantes do leste e do oeste.

Uma vez convocado, o concílio só incluiu 1656 bispos da cristandade em sua reunião final, dos quais, 159 eram da Igreja oriental, garantindo a Justiniano todos os votos de que precisava.

Quem defendesse a “prodigiosa preexistência das almas” ou “dissesse que Cristo tinha corpos diferentes e vários nomes” era declarado proscrito, o que significava “um castigo eclesiástico formal envolvendo excomunhão”.

Em conseqüência, com exceção de umas poucas seitas heréticas como a dos CÁTAROS e dos ALBIGENSES,[1] que herdaram várias crenças gnósticas sobre o renascimento, o conceito aparentemente desapareceu da cristandade por aproximadamente 14 séculos.

Pode-se atualmente ser um cristão e ainda acreditar na reencarnação? A resposta, definitivamente, é sim, diz Hans Stefan Santessan:

“Se você acredita em reencarnação, considera o homem um entidade espiritual imortal, nascido muitas vezes em corpos físicos no decorrer de sua longa jornada evolutiva para a perfeição. Na verdade, não existe conflito com os ‘ensinamentos originais” da Igreja!

“Lembremo-nos... de que os Evangelhos que conhecemos não são os que os Pais da Igreja sabiam, ensinavam e estavam prontos a defender com suas vidas. Nossas versões “ortodoxas” do Antigo e Novo Testamento, ignorando por instantes os erros e omissões[além dos pecados] de autoridades posteriores, remontam o sexto século” [Reincarnation, pág 105].

Para concluir, as palavras de James M. Pryse, que talvez sejam as que melhor definam tudo:

“Já foi mostrado que a reencarnação, não somente no caso de um homem determinado, mas como lei da vida que se aplica a todos os homens, é ensinada de maneira diferente no Novo Testamento. Discutir este ponto é negar que os autores daquela coletânea de textos queriam dizer em linguagem inconfundível. Rejeitar a reencarnação é impugnar seus ensinamentos.”

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Notas
[*] O texto aqui apresentado é um excerto do terceiro capitulo de O Livro da Reencarnação, de ZOLAR, publicado no Brasil pela Editora Nova Era. Tradução: Roberto Argus.

[1]Albigeneses:da cidade de Albi, seita do sul da França no século 12[ Pequeno Dicionário Enciclopédico Koogan Larousse.][N.do T]