sábado, 11 de setembro de 2010

Ideias polêmicas rondam o 11 de Setembro nos EUA

Queimar o Alcorão e a suposta autoria do governo americano nos atentados de 2001 são algumas das ideias controversas.

Além de desatar o pânico, as guerras no Afeganistão e no Iraque, e de prejudicar a convivência entre os mundos muçulmano e Ocidental, o 11 de Setembro produziu extremismos e teorias controversas, especialmente dentro dos Estados Unidos.
O pastor da Flórida Terry Jones, que chamou a atenção ao propor a queima do Alcorão para marcar o novo aniversário do 11 de Setembro, é o mais recente de uma lista de personagens com ideias polêmicas relacionadas aos ataques. Além dele, há grupos cristãos de extrema direita e intelectuais que contestam até hoje a autoria dos atentados de 2001, que deixaram quase 3 mil mortos em Nova York, Washington e Pensilvânia. Para alguns, o governo americano - então liderado pelo presidente George W. Bush (2001-2009) - não foi apenas cúmplice como participou ativamente do planejamento dos ataques que chocaram o mundo e configuraram um novo xadrez na geopolítica mundial.

A seguir, algumas das principais vozes polêmicas em torno do 11 de Setembro.
Terry Jones  O pastor da Flórida conseguiu ser o centro das atenções nas últimas semanas. Líder da Igreja Dove World Outreach Center, Jones - que tem antecedentes complicados com a seita Comunidade Cristã de Colônia, que chefiava na Alemanha nos anos 80 – foi alvo de polêmicas por lançar a campanha de queimar 200 exemplares do Alcorão no nono aniversário do 11 de Setembro. A Dove World comporta um grupo cristão de 50 membros em Gainesville, apresenta-se como encarregada de levar aos fieis a palavra de Deus do Novo Testamento e vende produtos (de livros a camisetas e bonés) pregando o Islã como “diabólico”. A campanha do pastor radical levou a secretária de Estado Hillary Clinton e o presidente Barack Obama a condenar o plano.

Right Wing Extreme  A organização, formada por cristãos conservadores em sua maioria, inicialmente apoiou a iniciativa do pastor Terry Jones. O grupo defende que Obama é um muçulmano que está destruindo a economia e a Constituição dos Estados Unidos e tem uma agenda socialista voltada para uma Nova Ordem Mundial. O recente apoio dado por Obama à construção de um centro islâmico perto do Marco Zero de Nova York - onde ficavam as Torres Gêmeas atacadas em 2001 - é visto pelo grupo como insulto e motivo para despertar o ódio entre os americanos. Para eles, a mídia “esquerdista” satura os leitores com esse assunto em uma tentativa de incitar violência, racismo, intolerância e extremismo.

Kevin Barret – O acadêmico de Wisconsin se viu em meio a polêmicas depois de defender a teoria de que o 11 de Setembro teria sido planejado pelo próprio governo americano. Em seu blog, ele diz que “assumir que os EUA foram atacados por muçulmanos em 11/09 alimenta a percepção de que o Islã é uma religião violenta e os muçulmanos são culpados, antes mesmo de provarem inocência”. Membro do Painel Científico sobre o 11/09, ele é visto por parte dos americanos como ameaça dentro das salas de aula. Recentemente, Barret escreveu uma carta para Obama em favor da construção do centro islâmico em Nova York para “reparar o trabalho interno do 11 de Setembro”.

Morgan Reynolds – Ex-economista chefe do Departamento do Trabalho na administração de George W. Bush, o texano ganhou atenção pública quando se mostrou como o primeiro oficial do governo a culpar as próprias autoridades pelo suposto planejamento dos ataques do 11 de Setembro. É um dos membros da organização Scholars for 9/11 Truth, que questiona a autoria dos atentados. Em sua argumentação, Reynolds ressalta que, em menos de 72 horas após os atentados, Bush fez um discurso sobre a necessidade da união nacional e a coragem que deveriam ter os americanos frente à ameaça que se apresentava: “O conflito começou na hora e nos termos de outros. E terminará da maneira e na hora em que escolhermos.” Além disso, diz não haver nomes árabes na lista de passageiros dos aviões que colidiram com as Torres Gêmeas ou mesmo um vídeo dos suspeitos, dizendo que o FBI não apresentou provas suficientes na época dos ataques.

James Fetzer – O filósofo e acadêmico californiano é uma das vozes que se opõem à versão dada pelo governo americano de que o 11 de Setembro teve autoria de muçulmanos extremistas. Em sua investigação, Fetzer argumenta que o 11 de Setembro serviu para dar sustentação à onda neoconservadora que apoia intervenções e guerras envolvendo os EUA. Também levanta alguns pontos que colocam em xeque a natureza dos ataques, como a temperatura necessária para derreter o aço usado na construção das Torres Gêmeas (1.538 graus), que seria bem superior à temperatura desencadeada pela explosão por combustível de um avião (982 graus).

Gore Vidal – Para o historiador e escritor nascido em West Point (Nova York), o 11 de Setembro é um golpe de Estado liderado pela “Junta Bush-Cheney" (em referência ao presidente George W. Bush - e seu vice, Dick Cheney). No livro O Inimigo Interno (2002), Vidal considera a administração cúmplice dos terroristas. Ele questiona também por que o presidente Bush, também comandante-em-chefe, ficou paralisado em uma sala de aula na Flórida quando soube que os ataques estavam ocorrendo. Em seu ataque ao ex-presidente, ele garante: a principal razão que levaram os Estados Unidos a darem início à guerra no Afeganistão foi o desejo de controlar a passagem de riquezas energéticas para a Eurásia e a Ásia Central.
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[Texto de Marsílea Gombata, iG São Paulo ]

Como são projetados os Pensamentos

Nestes dias em que tanto se escreve acerca da transmissão do pensamento e do seu efeito sobre as pessoas e as situações, poderia parecer que a projeção do pensamento fosse amplamente aceita como fato, e que não fossem necessários argumentos para comprovar as leis metafísicas evolvidas. Contudo, há muitas pessoas que são cépticas, e há muitas que acreditam que tal manifestação de leis metafísicas seja casual ou acidental, e não conseqüência de um processo objetivo que todos podem estudar, praticar e dominar.

Há não muitos anos, lembro-me, um grande grupo de homens e mulheres reunia-se mensalmente em New York, com o objetivo de investiga e testar esta e outras teorias metafísicas. O fenômeno da projeção de pensamento era então definido como a transmissão de um pensamento conservado na mente de uma pessoa ou de um grupo de pessoas.

Afirmava-se que, pelo emprego de algumas leis místicas recentemente descobertas, a pessoa em cuja mente o pensamento se originara podia, voluntariamente e com êxito, enviar tal pensamento pelo espaço para um dado ponto. De centenas de experimentos realizados  pelos membros da  mencionada sociedade de investigação, apenas cerca de 20 por cento obtiveram sucesso. Quando tinham êxito, não eram realizados de acordo com o processo teórico aplicado em outros experimentos. Além disso, parecia haver um elemento de acaso, que envolvia a manifestação de alguma lei desconhecida que controlava a transmissão e a recepção de pensamentos.

Há determinados princípios envolvidos na projeção do pensamento que são facilmente demonstráveis. Revelam que o processo é devido a certas leis até agora não explicados oficialmente. Cremos que para haver êxito na pratica desta técnica, de muitos séculos, tal êxito se deva tanto ao conhecimento das leis físicas do universo, quanto das leis metafísicas.

A tentativa de psicólogos, místicos e dos chamados ocultistas, para explicar a projeção do pensamento em bases puramente metafísicas, conduziu a experimentação inútil, com a mesma reduzida percentagem de resultados positivos que se verifica sob condições de teste. Não é de admirar que cientistas de tendências materialista e grande parte das pessoas sensatas tenham-se recusado a aceitar as explicações místicas. A tendência de estudante de misticismo e metafísica para escrever e falar inconseqüentemente de coisas cientificas, sem estarem familiarizados com os mais elementares princípios de metafísica e química, cosmologia e ontologia, levou as pessoas de mentalidade cientifica a atirar todos os postulados metafísicos e místicos ao lixo.


Energia e Pensamentos
Compreendemos que o pensamento resulta de certos processos da mente, envolvendo energias mentais concentradas ou postas em circulação, pelos quais essas energias convergem e se organizam numa unidade de expressão. Poder-se-ia dizer que o pensamento se assemelha à faísca produzida por dois fios carregados de energia elétrica postos em contato por um momento, assim concentrando-se a energia neles existente e produzindo-se o instantâneo fenômeno, ou a manifestação de sua energia que chamamos de faísca elétrica.

Um pensamento sustentado durante certo tempo é côo uma centelha prolongada ao se conservar os fios ligados de modo que suas correntes se choquem e invertam rápida e livremente a polaridade, o suficiente para manter a faísca. A única diferença é que o pensamento – completo, perfeito e de nada carente em sua constituição para ser uma expressão perfeita de uma idéia racional – provavelmente se constitui de muitas correntes de energia que se focalizam num ponto, e não apenas duas como no caso dos fios elétricos.

Os cientistas modernos descobriram que a energia e os impulsos nervosos do corpo humano são realmente comparáveis à energia elétrica com que estamos familiarizados. A  energia cerebral, portanto, e a energia utilizada no pensamento, são extraídas da  energia nervosa do corpo e, inquestionavelmente, constituem-se de certa freqüência ou fase da energia vital que se encontra no organismo humano.

Somos tentados, por isso, a comparar o pensamento à centelha produzida no equipamento de transmissão de uma estação de rádio, a transmissão sem fio de sinais limitava-se quase exclusivamente à produção de tais centelhas, pressionando-se uma chave. Supunha-se que esses impulsos elétricos originavam ondas que flutuavam no éter hipotético, em todas as direções, assim produzindo, nos receptores sensíveis, um sinal de natureza idêntica à centelha original. Esta tendência, então, a considerar o pensamento análogo a uma centelha de natureza superior levou-nos a explicações que envolvem, não apenas o suposto éter, mas, também outros elementos hipotéticos.

Do nosso ponto de vista, o pensamento não se transmite como se supõe que a faísca elétrica se transmita através do éter. O pensamento não constitui um distúrbio da  tranqüilidade, da condição estática do éter, produzindo ondas que se irradiem em   todas as direções.

A antiga analogia para esta concepção era a de que uma pedra, jogada na superfície lisa da água, produz ondas que se irradiam em todas as direções, provocando um movimento impulsivo num objeto que esteja flutuando na água a certa distancia. Esta analogia requeria a substituição do meio liquido pelo éter hipotético, pois, se o pensamento fluía em ondas, como as ondas na superfície da água, era necessário que se inventasse algo para tomar o lugar da água.

A IMUTÁVEL MENTE CÓSMICA
Sabe-se hoje que a Consciência Cósmica, ou Mente Cósmica, é uma substancia ou energia uniforme e imutável, de alta freqüência vibratória, que impregna todo o espaço e está em contato real e permanente com a consciência de todas as criaturas vivas. Não é intangível, no sentido de que sua existência não possa ser objetivamente comprovada ou percebida pelas faculdades do homem; mas é invisível e superior a todas as limitações dos elementos físicos constituídos de vibrações inferiores.

Já deve o leitor ter percebido que, ao se entrar numa sala em que todas as portas e janelas estejam fechadas, o abrir ou fechar uma porta faz com que as janelas vibrem suavemente em suas esquadrias. O movimento rápido de uma porta, ou sua movimentação sucessiva, cinco ou dez centímetros para um lado e outro, provocam movimento em outras partes da sala. Isto se deve à atmosfera invisível da sala, que, à semelhança de alguma espécie de substancia sólida, preenche todo o espaço do ambiente, de modo que a pressão aplicada numa extremidade ao se abrir contra ela a porta causa pressão contra as janelas do lado oposto da sala.

Os indígenas podiam perceber a aproximação de cavaleiros distantes, apertando o ouvido contra a terra e ouvindo as batidas das patas dos cavalos no chão. Em regiões isoladas dos Estados Unidos, quando desejava saber se algum trem estava se aproximando da estação, pressionava meu ouvido contra os trilhos e ouvia o ruído do comboio a duas ou três milhas, quando não se podia vê-lo ou ouvi-lo de outro modo. Nestes casos, as impressões de som ou de contato se propagaram através das substancias sólidas, não na forma de ondas flutuando na superfície, mas pela natureza da pressão sobre a matéria sólida, que se transmite automaticamente de um extremo a outro, sem perder sua identidade. Da mesma forma, todas as consciências existentes na terra estão, de algum modo ou em certo grau, em contato com a Mente Cósmica, pois a Consciência Cósmica é simplesmente a soma total das consciências de todas as criaturas  vivas.

Poderíamos comparar esta consciência universal a um imenso tabuleiro de xadrez, com suas casas brancas e pretas. Se marcássemos um pontinho no centro de cada casa e considerássemos o ponto a consciência de uma criatura viva, e o restante da casa ao seu redor a aura ou a consciência de cada pessoa, veríamos que, em razão de se tocarem mutuamente todas as casas, a consciência de todas, e o próprio tabuleiro, realmente constituiriam a consciência universal. Se uma das mentes no centro de um das casas produzisse um impulso de pensamento em sua própria casa, tal impulso seria sentido por todas as outras casas do tabuleiro, exatamente como uma batida numa extremidade de uma tabua seria percebida em qualquer ponto de sua extensão.

Nos primeiros experimentos, anos atrás, verificou-se que algumas pessoas eram mais receptivas às impressões transmitidas do que outras. Isto não significa que tivessem maior contato com a Consciência Cósmica, mas que haviam estimulado, despertado e assim desenvolvido maior grau de sensibilidade às impressões recebidas.

O estudante de musica desenvolve gradualmente maior sensibilidade à freqüência do som e, após algum tempo, é capaz de detectar as mais sutis vibrações na altura de uma dada nota. O pintor é capaz de desenvolver um grau maior de percepção dos matizes de cor. O arquiteto e o desenhista desenvolvem a sensibilidade às linhas retas e curvas e tem aguda percepção da correção horizontal ou vertical de uma linha.

Constatou-se há séculos, que existem exercícios e princípios que podem ser empregados pela pessoa comum para desenvolver as faculdades do Eu interior, de modo que as impressões possam ser recebidas e instantaneamente identificadas. Esse desenvolvimento é sempre acompanhado de intensificação da atividade das faculdades de transmissão de idéias e impressões.

Mesmo que não estão interessados nas leis metafísicas descobrem que determinados resultados positivos se manifestam quando aplicam certos princípios. Isto deve tornar claro que para se alcançar  o desenvolvimento para a utilização das faculdades e funções do Eu interior, deve-se basear em princípios científicos. Facilmente demonstráveis e eficazmente utilizados na promoção do bem-estar do individuo e na superação de condições infortunadas.
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“O atributo da vida é a consciência. Sem ela, torna-se a vida um mero processo mecânico.”

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[Texto de H.S.L]          

Constantes inconstantes criam revolução na física?

Resultados recentes de observações astronómicas parecem pôr em causa um dos pilares fundamentais da física moderna: o de que as chamadas constantes fundamentais da natureza são... bem, constantes. Pode parecer um simples pormenor matemático, mas longe disso: se as medições estiverem correctas, o Universo é muito mais misterioso e complexo do que aquilo que pensamos - e, por mero acaso, nós vivemos numa pacífica vizinhança cósmica em que as constantes parecem ter os valores ideais.

Mas esta conclusão está longe de ser consensual, e os resultados estão a causar grande controvérsia na comunidade de astrofísicos. De facto, a serem verdade obrigariam a uma reformulação completa da famosa teoria da relatividade de Einstein, que assenta precisamente no princípio de que as leis da física são iguais em todo o Universo. E esta teoria, testada com sucesso vezes sem conta, é uma das bases mais sólidas do nosso conhecimento actual.

Desde que Newton viu a maçã a cair e teve a inspiração que o levou a formular a teoria da gravitação universal que os físicos sabem que a natureza é regulada por um conjunto de "números mágicos": constantes fundamentais que têm valores universais (isto é, iguais em todo o Universo), e cujos valores não podem ser deduzidos por cálculos, mas apenas medidos experimentalmente. Encontram-se entre estas a constante da gravitação universal, que determina a força com que, por exemplo, as estrelas e os planetas se atraem, ou a constante da estrutura fina (conhecida por alfa), que governa a interacção entre a luz e a matéria. Ninguém sabe por que estas grandezas têm os valores que têm, mas sabe-se que se fossem ligeiramente diferentes o resultado seria caótico: por exemplo, se alfa tivesse um valor apenas 4% diferente, as estrelas não seria capazes de sintetizar carbono e oxigénio - e, logo, a vida como a conhecemos não seria possível. Assim, alfa - que curiosamente tem um valor de cerca de 1/137 - é um dos números-chave mais importantes da natureza.

Mas um artigo agora publicado pelo físico John Webb , da Universidade da Nova Gales do Sul em Sydney, Austrália, vem sugerir que alfa tem um valor um pouco diferente em regiões remotas do Universo. Ainda mais surpreendente é a conclusão de que a suposta variação do valor de alfa tem uma orientação específica: aumenta para um lado do Universo, e diminui para o outro. No meio estamos nós, onde alfa tem o valor "certo". No quadro da física moderna, esta hipótese é uma autêntica heresia!

Webb e os seus colaboradores retiraram estas conclusões da análise de centenas de observações astronómicas obtidas com o Very Large Telescope (VLT) no Chile. Já há uma década atrás, Webb tinha-se baseado em resultados obtidos no telescópio Keck no Havai para propor que alfa teria variado no tempo, ao observar linhas espectrais da luz emitida por  quasares longíquos, há 12 milhares de milhões de anos atrás. Com este novo resultado, a polémica atingiu um ponto escaldante.

Orfeu Bertolami, astrofísico do Instituto Superior Técnico em Lisboa, está céptico em relação ao trabalho de Webb, e explica os seus motivos: "A independência das leis da física da posição no espaço é um dos pilares fundamentais da teoria da relatividade geral de Einstein, e que, até ao presente, é consistente, com grande precisão, com todos os factos observacionais conhecidos. O resultado das observações de Webb e colaboradores contradiz directamente este preceito basilar da teoria de Einstein."

Carlos Herdeiro, da Universidade do Porto, partilha esta opinião: "A presente observação, a confirmar-se, traz uma novidade algo revolucionária. O paradigma da cosmologia é o 'princípio cosmológico': podemos escolher instante de tempo de modo a que o Universo é essencialmente igual em todo o lado, para um dado tempo. Contudo a presente alegação é que o Universo não é exactamente semelhante em todo o lado, isto é, a física depende da posição espacial."

Bertolami foi um dos participantes no recente simpósio "From Varying Couplings to Fundamental Physics" que decorreu em Lisboa no início de Setembro no contexto do Joint European and National Astronomy Meeting (JENAM 2010), e em que Webb participou através de vídeo-conferência desde a Austrália. Segundo refere, as suas dúvidas e as de muitos outros colegas não foram esclarecidas com esta interacção: "A questão mais preocupante refere-se aos erros sistemáticos inerentes à instrumentação utilizada (os telescópios VLT e Keck) e a dificuldade na selecção das linhas espectrais."

Na sua opinião, estes novos resultados são apenas uma variação da controvérsia iniciada há uma década, com a hipótese da variação de alfa no tempo: "Assistimos agora aos capítulos iniciais da 'novela' da variação espacial. Naturalmente, só a repetição das observações e a reprodução dos resultados por outros grupos de astrónomos poderá confirmar a validade desta alegada dependência." 

Herdeiro acrescenta: "Os resultados (de há dez anos) têm pouco significado estatístico e, após muitas re-análises dos dados, a inexistência de variação encontra-se ainda dentro da barra de erro. Ainda assim, as consequências de uma tal medição seriam tão importantes que muito trabalho teórico e observacional se seguiu às primeiras observações de Webb."

Mas e se Webb estiver correcto e, de facto, algumas constantes universais não o forem? Quais seriam as consequências para a nossa visão do Universo? "Como físico teórico, não vejo nada de particularmente extraordinário acerca da possibilidade de que alfa varie de sítio para sítio no Universo," afirma Bertolami. "É uma hipótese perfeitamente admissível que pode ser acomodada no contexto de muitas teorias mais gerais que a de Einstein." Herdeiro concorda: "Embora haja modelos de física de altas energias onde as constantes fundamentais aparecem naturalmente como campos dinâmicos (como a Teoria de Cordas), a comunidade científica é céptica relativamente a esta hipótese."

Contudo, segundo Bertolami, admitir esta possibilidade significa também reconhecer a nossa incapacidade de progredir em direcção a uma compreensão mais abrangente da natureza: "Até ao conhecimento detalhado desta teoria presumivelmente mais fundamental, teremos que abdicar da magnífica possibilidade de compreender a física do Universo, pois sem esta não sabemos o valor noutros sítios do Universo de grandezas que assumimos terem o mesmo valor em todas as partes. Assim, sem a teoria mais fundamental, a física fica reduzida ao estatuto aristotélico de descrever apenas acontecimentos cosmicamente locais. Uma perspectiva que eu julgo ser muito pouco auspiciosa."
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[Texto de Gonçalo Figueira_Sociedade Portuguesa de Física]

Um gene antirracismo?

O preconceito pode parecer inevitável. Mesmo indivíduos que se autodefinam como não racistas mostram evidências de racismo inconsciente, implicando que o racismo teria base social ou biológica. Mas foi mostrado em um artigo publicado recentemente que um grupo de pessoas parece não formar estereótipos raciais (Santos, A. e colegas, Current Biology, 2010).

A síndrome é rara, causada por uma mutação genética, removendo 25 a 30 genes do cromossomo 7. Como diversas outras doenças raras, a síndrome talvez não chamasse tanta atenção, não fossem as consequências comportamentais que os portadores dessa mutação apresentam. Crianças com a síndrome de Williams são demasiadamente amigáveis, hiper-sociais e apresentam um interesse demasiado em pessoas desconhecidas. “Todas as pessoas do mundo são meus amigos” – frase que se costuma usar para caracterizar crianças com essa síndrome.

Isso porque não apresentam bloqueios sociais ao entrar em contato com estranhos. A razão disso já foi discutida numa coluna anterior e está relacionada à Teoria da Mente (capacidade que temos de imaginar o que o outro estaria pensando). Esse defeito acontece durante o desenvolvimento, e as razões neuronais ainda são obscuras.

O estudo em questão mostra que essas crianças não desenvolvem atitudes negativas contra outros grupos étnicos, mesmo apresentando atitudes estereotipadas comuns a crianças normais da mesma idade. Essa parece ser a primeira evidência sugerindo que diferentes tipos de estereótipos e preconceitos podem ser biologicamente distintos.
Indivíduos adultos com a síndrome de Williams apresentam atividade neuronal anormal numa estrutura cerebral conhecida como amígdala. Essa região está envolvida com a resposta a ameaças sociais, acionando inconscientemente respostas emotivas negativas contra outras etnias. Tendências racistas estão associadas ao medo: adultos são mais propensos a associar objetos negativos ou eventos repulsivos (por exemplo, choques elétricos) a pessoas de outras etnias. Mas de acordo com esse último estudo, seria o medo social que levaria ao preconceito. Uma perspectiva com sérias implicações, sem dúvida. Poderíamos sugerir, por exemplo, intervenções para reduzir o medo social como alternativa contra o preconceito. Mas será que existem evidências suficientes na pesquisa para garantir essa conclusão?

O trabalho consistiu em mostrar imagens de pessoas a 20 crianças de 5 a 16 anos portadoras da síndrome de Williams e outras 20 crianças normais (grupo controle), com mesma faixa etária. Todas de origem europeia e de pele branca. O primeiro teste consistia em pedir para os dois grupos de crianças escolherem as imagens relacionadas com atividades geralmente associadas a homens ou mulheres, como por exemplo, brincar com bola ou bonecas. Os dois grupos mostraram o mesmo tipo de tendência estereotipada, associando figuras de meninos com a bola e figuras de meninas com bonecas.

As crianças também ouviram historinhas sobre os personagens das figuras, descrevendo atributos negativos, como sendo teimosos ou sujos, ou atributos positivos, como bonitos e inteligentes. Pediu-se para as crianças associarem os tipos de histórias com imagens de pessoas de pele clara ou escura. 
Um exemplo de história consistiu em: “Havia dois meninos, um deles era muito amoroso. Quando viu que o gatinho caiu no lago, o menino salvou o animal, evitando que ele se afogasse. Qual é o menino gentil e amoroso?”
Crianças-controle, sem síndrome de Williams, consistentemente associam características positivas a indivíduos de pele clara e características negativas aos de pele escura. 
Infelizmente, esses dados confirmam resultados anteriores feitos tanto em crianças claras como em negras. No entanto, as crianças portadoras da síndrome de Williams não mostraram nenhum tipo de bias (preconceito). A conclusão óbvia é que o medo social não é necessário para estereótipos sexuais mas é importante para o estabelecimento de preconceitos étnicos.

O dado é extremamente interessante, mas existem alguns detalhes que podem influenciar as conclusões dos pesquisadores. Os pacientes com síndrome de Williams têm outros tipos de problemas, como retardo mental e reduzida capacidade de aprendizado, que podem interferir com as escolhas feitas pelas crianças. 
Apesar do grupo ter escolhido participantes com QI e nível socioeconômicos parecidos, as crianças com Williams possuem experiências de vida bem diferentes de crianças normais. Até certo ponto, todas as crianças são expostas a modelos baseados em sexo pelo convívio com os pais, mas nem todas têm a chance de refletir sobre a questão do racismo. A exposição reduzida das crianças com Williams a estereótipos racistas pode ser uma outra forma de interpretar os resultados do grupo.

Além disso, o estudo não responde se o preconceito tem bases genéticas predeterminadas ou é baseado em experiência prévia. Alterações genéticas podem fazer alguém nascer sem as mãos e por isso ser incapaz de tocar piano. Não podemos inferir que exista uma base genética para tocar piano nesse caso. Com esse trabalho, a mesma coisa. Para examinar o papel da experiência prévia o grupo poderia, por exemplo, encontrar crianças que foram criadas por pais do mesmo sexo. De qualquer forma, o trabalho precisa ser replicado em grupos maiores e com outras faixas etárias.

O que parece ser um fato é que preconceitos e estereótipos diferentes podem ser biologicamente discriminados. Se isso é por causa de genes, ambiente ou uma complicada interação entre ambos, é uma questão cuja resposta ainda está por vir.

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[Texto de
 Alysson Muotri]

Consciência Lavada

Quem já não se perguntou como um político corrupto pode ter uma boa noite de sono depois de um dia recheado de falcatruas? Como consegue dormir sem peso na consciência? Talvez um banho antes do sono tenha alguma coisa a ver com isso…
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Esse tema é uma das áreas mais fascinantes da neurociência contemporânea, que é a busca experimental da compreensão da consciência humana.
 

O problema começa com a própria definição de “consciência”, que para uns não passa de uma forma de “atenção” e, assim sendo, não é de forma alguma restrita a nossa espécie: até mesmo um sapo precisa se concentrar para pegar uma mosca!

O assunto atraiu bastante a atenção do público com a notícia de que uma paciente de 23 anos, vítima de uma lesão cerebral e diagnosticada como em estado vegetativo, apresentou uma inesperada atividade cerebral quando interrogada verbalmente por pesquisadores (Owen et al, Science 313:1402, 2006).
Estaria ela realmente consciente do seu estado e do que estava se passando ao seu redor, ou os pesquisadores estariam apenas detectando uma atividade cerebral aleatória em resposta a estímulos verbais?

Afinal, como poderemos estudar a consciência se não sabemos nem ao menos defini-la? 
O dilema vem atraindo cada vez mais cientistas de outras áreas, como por exemplo Francis Crick, um ícone da biologia molecular por ter participado da descoberta da estrutura do DNA.
 
Crick acreditava que a consciência é algo mais complicado do que simplesmente atenção, envolvendo conceitos culturais como a moral e a ética. 
Além disso, Crick defendia a idéia de que certas formas de consciência podem ser mensuráveis através de experimentos científicos (para uma excelente visão das idéias de Crick sobre o assunto, convido o leitor a degustar o livro de sua autoria “The Astonishing Hypothesis: The Scientific Search for the Soul”).
Ora, mesmo que intuitivamente, a grande maioria de nós tem plena consciência da própria imagem moral perante a sociedade ou mesmo de quando estamos sendo anti-éticos em determinadas situações. 
E mais, podemos até apagar ou compensar essas atitudes anti-éticas, fortalecendo nossa imagem moral. 
Isso acontece diariamente em diversas religiões que, muitas vezes, utilizam alguma forma de purificação física, como banhos hindus ou mesmo o batismo católico.

Aparentemente, a conexão entre pureza corporal e consciência já é inerente a algumas sociedades. E foi recentemente alvo de um estudo cientifico, publicado na prestigiosa revista “Science” (Zhong & Liljenquist, 138: 1451, 2006).
O trabalho de dois pesquisadores, um do Canadá e outro dos Estados Unidos, descreve o efeito “Macbeth” (talvez aqui no Brasil tenderíamos a chamá-lo de efeito Pilatos), que diz que qualquer ameaça à nossa pureza moral induz uma limpeza física.
Os experimentos foram desenhados de forma elegante, com devidos controles e submetidos a rigorosos testes estatísticos.
A tragédia de Shakespeare empresta o nome a esse efeito, devido ao fato de que Lady Macbeth acredita poder se livrar do peso da consciência do assassinato do rei Duncan lavando-se com água. Lady Macbeth fica obcecada em limpar sua consciência ensangüentada removendo todo respingo de sangue que encontra (como comentam os autores do trabalho, impressionante mesmo é a afiada visão de Shakespeare sobre a psiquê humana!).
Para medir a consciência “suja”, os pesquisadores pediram aos participantes para se lembrar de episódios éticos e não-éticos em que estiveram envolvidos no passado. 
Depois, os participantes foram submetidos a um jogo de palavras onde poderiam optar por um grupo de palavras relacionados a limpeza (como por exemplo: sabão) ou totalmente não relacionadas, mas ortograficamente semelhantes (salão).
Participantes que se lembraram de episódios não-éticos optaram significativamente mais por palavras relacionadas a limpeza. Além disso, no final do experimento, os participantes podiam escolher um brinde (um lápis ou uma toalha anti-séptica – ambos previamente testados e classificados como neutros por um grupo de participantes-controle). A maioria daqueles que se lembraram de episódios não-éticos optou por escolher a toalha anti-séptica, evidenciando a preferência por limpeza física.


Num segundo experimento, os participantes tiveram de copiar uma redação em primeira pessoa, descrevendo uma atitude ética (como auxiliar um colega) ou não-ética (como sabotar um colega). Logo depois, tiveram que qualificar uma série de produtos de acordo com o seu desejo ou atração naquele instante. Novamente, os participantes que copiaram a redação com conteúdo não-ético optaram por produtos de limpeza ou higiene pessoal.
Mais revelador foi o último experimento, no qual os participantes que se lembraram de episódios não-éticos e que receberam a toalha anti-séptica puderam, ou não, usar a toalha para lavar as próprias mãos. Em seguida os pesquisadores perguntaram a eles se topariam participar de um outro estudo como voluntários, sem nenhuma remuneração. Presumidamente, os que lavaram as mãos iriam se sentir menos propensos a atividades voluntárias pois já haviam lavado a “consciência” e restaurado a imagem moral – não necessitariam então de ações compensadoras. Como esperado, o ato físico de lavar as mãos reduziu drasticamente o voluntariado!


Mas quais seriam as implicações dessa sobreposição psicológica entre limpeza moral e física?
Será que forçar certos políticos a um rigoroso processo de higiene os tornaria mais éticos?
Ou será que, ironicamente, a limpeza física teria o efeito oposto, fornecendo uma licença para comportamentos não-éticos? 
Teríamos então que impedir o hábito da higiene pessoal na política? 
Certamente ainda estamos longe de responder a essas questões, mas esses resultados mostram como atividades mundanas diárias podem ter um impacto profundo na forma como percebemos e julgamos nosso próprio comportamento. 

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[Texto de Alysson Muotri.]

A origem da religião e o nascimento dos deuses

Para Charles Darwin, a origem da religião não era segredo. “Assim que os importantes traços cognitivos relacionados à imaginação, questionamentos e curiosidade juntam-se ao poder do raciocínio, o homem passa a desejar a conhecer as razões dos fenômenos que o cercam, especulando vagamente sobre sua própria existência…”, escreveu Darwin em “The Descent of Man”.

No entanto, a “fé” sempre causou perplexidade a Darwin. Toda sociedade humana teve deuses. Sejam góticos, mitológicos ou maias, eles sempre estiveram presente. Em todas as culturas, os homens colocam esforços significativos na elaboração de catedrais, rituais. Sem nenhuma vantagem aparente na sobrevivência ou reprodução da população.
 Então, porquê e como a religião surgiu?

Não existe consenso entre os especialistas, mas novas ideias estão surgindo com a junção das disciplinas de arqueologia e estudos da mente. Esse campo emergente explora a hipótese de que a religião seria uma consequência natural da mente humana. Ou seja, os caminhos evolucionários que teriam criado nosso sofisticado cérebro, também teriam sido responsáveis pela crença no sobrenatural.

A afirmação é baseada em dados recentes que sugerem que os humanos teriam a tendência de procurar sinais de “agentes”, ou mentes como a nossa, no mundo natural. Em paralelo, arqueólogos buscam indícios de religião através da relação com outra atividade cognitiva humana: o comportamento simbólico levando a sociedades mais complexas. 

Esses dois campos tem se desenvolvido muito, mas a distância entre as evidências físicas arqueológicas e os modelos teóricos da neurociência ainda é enorme.


Através de objetos achados durante escavações arqueológicas, cientistas tentam unir o uso de símbolos com a emergência da espiritualidade humana. Cerca de 100 mil anos atrás, povos no sul da África, nas cavernas de Blombos, rabiscaram figuras geométricas em alguns objetos. Apesar de não ser possível associar esses registros com religião, é razoável pensar que o pensamento simbólico seria um pré-requisito para o comportamento espiritual.
Num período próximo, cerca de 95 mil anos atrás, encontrou-se esqueletos humanos em Qafzeh, Israel, sugerindo rituais de velório. Neandertais, há uns 65 mil anos atrás, também velavam seus mortos em algumas circunstâncias. Seriam essas as primeiras evidências de uma angústia metafísica?



Talvez tudo isso seja muito subjetivo para alguns, mas as pinturas dos caçadores da era do gelo são mais convincentes. Cerca de 30-35 mil anos atrás na Europa, temos o florescer do expressionismo simbólico, no período conhecido como a explosão do Paleolítico Superior.
Pinturas bem realísticas, retratando criaturas – meio-homem meio-animal – foram encontradas nas paredes das cavernas de Grotte Chauvet, na França. Também foram achadas pequenas esculturas em cavernas da Alemanha, incluindo uma “Vênus” e três “Homens-leão”, os primeiros seres quimeras.


A tal da Vênus ilustra bem a dificuldade em se conciliar as interpretações dos pesquisadores. Se por um lado, a mulher sem cabeça, com seios fartos e uma detalhada genitália é considerada como uma deusa da fertilidade, por outro lado, outros a consideram um típico exemplo de “paleo-porno”. Afinal, assim como a religião, a pornografia também sempre esteve presente em qualquer sociedade humana.


Ainda seguindo pistas arqueológicas, templos de 11 mil anos atrás foram achados em Gobekly Tepe, na Turquia. Ali, encontraram-se diversas esculturas de animais selvagem, indícios de velórios e de remoção do crânio. Mesmo assim, é difícil vincular esses achados com a adoração a deuses, a não ser que as culturas comecem a chamá-los por nomes específicos. Nesse caso, nos resta as culturas literárias da Mesopotâmia e Egito, cerca de 5 mil anos atrás. Nesses impérios, fica claro o poder e temor aos deuses nas escrituras.


Teriam sido doutrinados a crer ou já teriam nascidos crentes?
Segundo as novas ideias que estão emergindo de um modelo de religião cognitivo, humanos seriam tão especializados em compreender sinais e desejos de outros que se tornaram supersensíveis a “agentes” causadores. Essa sensibilidade seria uma consequência de uma hipertrofia cognitiva social, criando uma tendência em nosso cérebro de atribuir a um outro ser eventos estocásticos ou fenômenos naturais. Seríamos intuitivamente teístas por natureza.

Pesquisas recentes têm mostrado que crianças em idade pré-escolar preferem explicações teológicas a mecanísticas no que se refere a fenômenos naturais. Quando questionadas se as pedras seriam pontiagudas porque são constituídas por pequenas quantidades de matéria ou para proteção de animais que queiram sentar-se nelas, as crianças optam pela última explicação. Elas buscam uma qualidade animada para a pedra.

O valor de estudar isso em crianças é que elas podem distinguir melhor o que é inato do que é cultural. Mas é interessante notar que testes semelhantes, feitos em adolescentes sob pressão de responder rápido, resultaram em dados semelhantes. Pode ser que, sob pressão, nosso cérebro haja instintivamente, optando por explicações não científicas.


Essa disposição criacionista ecoa junto com uma outra tendência do cérebro humano: nosso supersensível detector de “agentes”, isto é, a capacidade de procurar por seres racionais mesmo em objetos inanimados. Num clássico experimento da década de 40, psicólogos notaram que pessoas assistindo animações de círculos, triângulos e quadrados tinham a inclinação de associar as formas geométricas a personagens, até mesmo criando narrativas em eventos aleatórios.
É o famoso barulho no meio da noite. Pensamos logo: quem está aí? É uma pergunta que surge quase instantaneamente. A tendência de procurarmos um agente pode ter sido programada em nosso cérebro pela evolução através de uma seleção natural que favoreceu falsos positivos. Afinal, um barulho no meio da noite pode muito bem ser um ladrão (ou um leão), nos colocando em estado de alerta.

Logicamente que isso está longe de ser uma explicação para a crença em deuses ou espíritos. Outra peça cognitiva que se encaixa perfeitamente nessa ideia vem da “teoria da mente” . A teoria da mente nada mais é do que a capacidade que temos de entender que um outro ser também tem uma mente, com intenções, desejos e crenças dela mesma.

Essa capacidade é desenvolvida com o tempo, sabe-se que só a adquirimos por completo depois dos 5 anos de idade, e nos auxilia a navegar nas complicadas relações sociais humanas. Enquanto o cérebro de um chimpanzé esta programado para lidar com relações pessoais num grupo de 50 indivíduos, o humano pode encarar até 150 pessoas.


Mas se já suspeitamos que um agente é o responsável por um evento misterioso, estamos a um passo pequeno para começarmos a imaginar que esse agente tem uma mente que funciona de forma semelhante à nossa. Oras, é lógico que o ladrão tropeçou no meio da noite procurando algo pra roubar. Elevando-se esse conceito a uma dimensão mais sofisticada, chegamos a uma rica representação do que deve ser a mente de um Deus. Passamos a atribuir desejos, paixões, ódio e vingança a um “agente-Deus”, da mesma forma que as sentimos.


Além disso, devemos estar também programados para não aceitar a morte da mente. Experimentos com crianças, mostrando um boneco de rato sendo engolido por um boneco de jacaré, mostrou que elas entendem a morte carnal, isto é, compreendem que o rato não precisa mais se alimentar, por exemplo. Mas falham em identificar a morte da mente.

Continuam a achar que o rato pode ter fome ou que estaria preocupado com seu irmão, indicando a persistência do estado psicológico, mas não físico. A separação da mente e corpo é comum em muitas religiões, retratada na vida após a morte ou reencarnação, sugerindo que talvez seja um fator humano universal na sua essência.

Nosso cérebro social pode explicar porque crianças são atraídas por animais falantes e fadas voadoras, mas religião é muito mais que isso. Derivar crenças a partir da arquitetura cognitiva da mente é, sem duvidas, necessário, mas não suficiente.


A velha alternativa continua valendo: a religião promove um comportamento cooperativo entre indivíduos desconhecidos e assim cria grupos estáveis capazes de adaptação em circunstâncias mais desafiadoras, como o frio intenso ou escassez de alimento. A religião melhoraria a sobrevivência e reprodução de seus membros.

Em suporte dessa ideia, vale lembrar que os homens são mais propensos a um comportamento altruísta e solidário se sabem que estão sendo vigiados. Dessa forma, a presença onipotente de um Deus supernatural e preocupado com a moralidade serve de estímulo ao comportamento altruísta, especialmente em grupos grandes ou quando o anonimato é possível. Mas existem poucas evidências científicas de que esse é realmente o caso. Faltam estudos investigando se os indivíduos realmente seguem todos os princípios da religião a que pertencem.

Acompanho essa discussão há um tempo e acredito que os objetos arqueológicos respondem apenas a um pedaço das questões e os modelos cognitivos ainda estão muito baseados em especulações. Mesmo assim, a forma como diferentes disciplinas têm convergido para a resolução desse problema sugere um aumento no interesse sobre o assunto.

Espero ver uma transformação nos próximos dez anos, com novas evidências e mais dados apontando para o porquê e como as religiões de fato surgiram e dominam sociedades humanas.
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[por Alysson Muotri]

A “Explosão Psíquica” _ seus perigos atuais.

Um estado de ambivalência se manifesta no atual campo dos fenômenos psíquicos. No começo do século, a palavra ‘psíquico’ era aplicada a funções da mente e do organismo humanos subjacente ao estado normal de consciência objetiva. Os assuntos classificados nesse campo eram, principalmente, a ‘insanidade’, as funções involuntárias do corpo, as emoções, e a natureza da consciência.

Temas como telepatia, telecinese, bilocação [projeção da consciência], eram incluídos no campo do sobrenatural, pela ciência. Eram classificados na mesma categoria da crença em fantasmas e espiritismo, ou seja, na comunicação com os mortos. Não obstante, naquela época, havia um núcleo de pessoas, tanto na Europa como nos Estados Unidos, interessado no estudo dos fenômenos psíquicos. Essas pessoas se organizaram em grupos locais denominados ‘sociedades de pesquisa psíquica’. Estas eram compostas de sinceros investigadores de fenômenos misteriosos, tais como intuição, premonição, precognição, telepatia, etc. Seus membros eram, principalmente, cientistas [suficientemente corajosos para ignorar o escárnio de seus colegas], bem como jornalistas, clérigos, e outros indivíduos de mente aberta. O Dr. H.S.Lewis, foi Presidente da primeira Sociedade de Pesquisa Psíquica da cidade de Nova York, no começo do século XX.

As revistas cientificas, especialmente as dos Estados Unidos, não publicavam as conclusões dessas sociedades. Declaravam que as descobertas não eram suficientemente conclusivas; que não se apoiavam em comprovação experimental.

Nesse estado embriônico de investigação, não era possível encontrar prova da causa dos efeitos observados. Naturalmente, os pesquisadores denunciaram muitas fraudes, e esses engodos foram revelados. Entretanto, observaram fenômenos que não podiam ser explicados por qualquer meio físico, e é preciso levar em conta que os componentes dessas sociedades eram pessoas inteligentes, que não se deixavam enganar facilmente.

Os relatórios das sociedades de pesquisa psíquica, decorrentes de seu persistente trabalho, foram afinal publicados, mas em suas próprias revistas e, não, na imprensa em geral. Isto atraiu a atenção de membros das faculdades de universidades famosas. Com certa cautela e quase de desculpando, essas personalidades acadêmicas deram então inicio à sua própria séria investigação dos fenômenos psíquicos. E levantaram estatísticas de suas observações. Seus primeiros comentários passaram a reconhecer esses fenômenos, porém, eles hesitaram em classificá-los decididamente, exceto para declarar que, aparentemente, relacionavam-se com desconhecidos poderes da mente ou ocultas profundezas da consciência.

PERCEPÇÃO EXTRA-SENSORIAL
Posteriormente, esses pesquisadores admitiram que, aparentemente, certas pessoas eram dotadas de ‘percepção extra-sensorial’.Foi declarado que essa faculdade ou esse poder transcendia os sentidos conhecidos, mas que a maneira como se desenvolveria e o alcance de suas funções permaneciam misteriosos. Esse reconhecimento final da percepção extra-sensorial e da aparente sensibilidade manifesta por algumas pessoas encorajou artigos a este respeito em publicações populares. O publico reagiu de vários modos a essa publicidade. Religiosos fundamentalistas classificaram-na de ‘malévola’, como uma espécie de invocação das forças de Satan latentes em todo individuo. Outros acharam que tudo não passava de magia e charlatanismo. Não obstante, inúmeras pessoas começaram a revelar suas próprias e inexplicáveis experiências, que nunca haviam ousado discutir com outrem, por medo de terem sido consideradas ‘um tanto esquisitas’.

Com o objetivo de explorar o interesse público, muitos periódicos populares, como inda hoje o fazem, editaram extravagantes artigos sobre o ‘misterioso mundo psíquico’. Para fins de maior circulação, exageravam o tema citando experiências de pessoas que na verdade eram emocionalmente instáveis, e o próprio relato da experiência indicava tratar-se de pessoa anormal. Avançando até os nossos dias, este assunto foi intensificado e atingiu o que pode ser chamado de ‘explosão psíquica’.

Indivíduos sem formação cientifica estão instalando equipamento para ‘testes’de biorritmo e outros, em lojas antes vazias. Anúncios afixados em suas vitrinas informam que eles se oferecem pra interpretar gráficos, com seus instrumentos simples. E os fazem de modo a ‘agradar’ aos seus clientes. Esta espécie de atividade é semelhante à que os observadores de bolas de cristal e adivinhos há muito vêm desenvolvendo. É evidente que essas pessoas, em maioria, não são sinceras, nem são pesquisadores qualificados. Para elas, trata-se apenas de uma nova ‘onda’ popular, que podem explorar.

Como afirmamos de inicio, esta situação levou a um estado de ambivalência no atual mundo dos fenômenos psíquicos. Em outras palavras, de um lado, há mentes progressistas e treinadas – médicos, psicólogos, biólogos, psiquiatras, estudantes de misticismo e de filosofia -  que pesquisam metodicamente, em laboratórios, com o devido equipamento técnico. Estes indivíduos não consideram os fenômenos psíquicos como coisas que transcendem a lei natural, ou pertencentes ao reino do sobrenatural. Como estudantes, sustentam eles que não fenômeno algum que transcenda o espectro total da realidade ou lei cósmica, ou que dele esteja separado. Portanto, com base nesta premissa, crêem eles que esses fenômenos podem ser experimentalmente estudados, isto é, reduzidos a inteligíveis leis da natureza. Esta é a idéia que prevalece também no Laboratório Rosacruz de Parapsicologia, dirigido pó pessoas que tem grau acadêmico em campos congêneres da ciência.

O ‘outro aspecto’ dessa ambivalência é muito perturbador, no transcorrer desta explosão psíquica, devido à confusão que gera, difundindo concepções errôneas, e ao comercialismo a ele associado. Muitas pessoas não estão interessadas em como ocorrem os fenômenos, mas, tão-somente numa apresentação bombástica, espetacular, pretensamente autêntica. Para essas pessoas curiosas e crédulas, muitas ‘igrejas’ foram fundadas. A pretexto de religião, podem tais igrejas fazer quaisquer declarações, por menos que estejam comprovadas, impunemente. Assim, suas atividades não são contestadas e, além disso, seus ‘imóveis são isentos de impostos’. Essas ‘igrejas’ ocupam, de inicio, algum vestíbulo de loja desocupado, ou mesmo a sala de estar de alguma residência. Declaram elas, em sua literatura, que se tornaram, graças ao ‘desenvolvimento psíquico’ de seus lideres, um canal direto para contato com inteligências de outros planetas. Além disso, pretendem receber ‘mensagens’ de divindades ou messias orientais, as quais transmitem a seus desventurados seguidores, que aceitam sua autenticidade sem contestação. Naturalmente, este gênero de igreja não é realmente uma religião, como teologia devidamente instituída, nem seus ‘reverendos’ tem formação teológica.

OS ‘MESTRES’ ou ‘GURUS’
Os lideres de muitas dessas atuais seitas psíquicas, quase todas declarando-se igrejas, afirmam que recebem diariamente revelações diretas de Jesus, do Buda e de Saint-Germain. [Por sua literatura, muitas indicam desconhecer que Saint-Germain nunca foi canonizado, que ele não é um santo. A palavra Saint era apenas parte do seu nome. Na verdade, sua reputação na Europa, durante sua vida, não foi geralmente louvável]. As pessoas crédulas que pagam contribuições a esses indivíduos, que em geral são chamados de ‘gurus’, com freqüência tem se tornado seriamente perturbadas, emocionalmente , devido a sua imposta submissão ao ‘guru’ ou ‘Grande Mestre’ de sua igreja.

Economicamente, essas vitimas são também gravemente afetadas. Em vários casos que ainda persistem, são elas obrigadas a se submeter inteiramente ao que lhes é transmitido, devido ao caráter ‘sobrenatural’ ou divino da autoridade associada a tais revelações. Por conseguinte, doam seus bens de raiz ao líder, reverendo ou guru da igreja -  bem como grande parte do seu dinheiro.

FALSAS PRETENSÕES
Uma pessoa ponderada tem dificuldade em compreender como pode alguém aceitar essas absurdas pretensões. Por exemplo, alguns declaram que o Cristo, o Buda e outros expoentes espirituais, escolheram-nos como divinos mensageiros para toda a humanidade, e em troca de uma contribuição monetária! Creio que é interessante citarmos parte de um artigo escrito pelo Dr.H. Spencer Lewis:

“O que eles oferecem de mais categórico, aos seus seguidores, é uma lista de promessas que incluem a capacidade de ascenderem a sagrada comunhão com os santos e entes espirituais do passado e do presente; a capacidade de se tornarem imunes aos problemas, testes e tribulações da vida terrena; o poder para se tornarem sobre-humanos ou supernormais; a fórmula ‘garantida’ para se elevarem, rápida e completamente, acima da rotina comum da vida, para uma triunfante, proeminente e próspera posição; a formula para se colocarem na mais intima associação com os ‘Mestres invisíveis’, e centenas de outras promessas, absurdas mas atraentes.
...
Desejamos ser, sempre, seres humanos sensatos e racionais, lidando com seres humanos sensatos e racionais, de modo sensato e racional. Esperamos assim continuar a servir aos nossos Fratres e Sórores, e nos apresentar ao mundo do mesmo modo honesto, sincero, que o fizeram os oficiais do passado, em toda parte.”

O efeito prejudicial deste aspecto do interesse pelos fenômenos psíquicos é que muitos sinceros buscadores são desorientados por essas falsas declarações. As fantásticas afirmações desses grupos pseudo-psiquicos atraem a atenção e o buscador comparece. Por fim verifica, na maioria de tais grupos, que foi explorado e que nada do que aprendeu lhe foi proveitoso. Afasta-se desapontado e, em muitos casos, cessa de buscar, acreditando que todas as demais sociedades ou organizações – mesmo que não se denominem ‘igreja’ – tenham o mesmo caráter.

Organizações sinceras, de longa e honrosa história, não fazem declarações desse gênero. Sabem que elas são falsas; sabem que a consecução que o individuo busca tem de ser alcançada por ele próprio, mediante ‘estudo pessoal’ de leis e princípios básicos. Não pode o buscador promover a evolução do seu próprio estado de consciência escutando as bombásticas afirmações de um guru, ou de alguém que proclame dispor de um canal exclusivo para todo o Cósmico.

Essa ‘mania de psiquismo’ acabará resultando no desmascaramento de muitos desses charlatães que estão explorando o inocente, ingênuo buscador de conhecimento. Entrementes, deve cada interessado verificar a credibilidade desses ‘lideres’ psíquicos e seus grupos ou ‘igrejas’, Isto é: que tradição, história ou reconhecimento publico foram por eles e suas obras confirmados? Podem eles para isto recorrer a  enciclopédias e dicionários, ou apontar qualquer reconhecimento publico de sua autenticidade? Poucos podem fazê-lo.
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[Texto por Imperator]