sábado, 14 de agosto de 2010

O Eu e o Cérebro

O Eu é um principio cósmico ativo do qual somos uma parte e um produto. Mas o materialista discorda, encarando o Eu como um simples produto da função cerebral. Será o Eu simplesmente um ‘ego’, um subpoduto do cérebro, ou será um processo incrivelmente rico, um autêntico tesouro que justifica a busca que os místicos tem feito desde tempos imemoriais?

Evidentemente, a identidade e a integridade do Eu individual, como é ele comumente vivenciado, tem uma base, física que parece estar centralizada em nosso cérebro. Podemos perder porções consideráveis de nosso cérebro sem que isso venha a interferir com a personalidade. Em 1980, o neurologista John Lorber publicou um artigo na prestigiosa revista ‘Science’ que demonstrava esse fato. O artigo apresentava figuras de vitimas de excesso de fluido no cérebro, com mais de noventa por cento do córtex cerebral ausente – condição conhecida como hidrocefalia. Mesmo tendo noventa por cento do córtex faltando, sua condição não era percebida até que, por razões que nada tinham a ver com o caso, batia-se chapas de raio-x da cabeça do paciente. Essas pessoas levavam uma vida normal, e tinham inteligência acima da média.

Por outro lado, dano à integridade mental parece dever-se largamente a dano ou desordem no cérebro. Paradoxalmente, uma lesão no cérebro pode produzir um grande dano aos mecanismos físicos que facilitam o autocontrole e a autoconsciência. Entretanto, se a mesma lesão ocorrer ocorrer lentamente durante um longo período de tempo pode não produzir qualquer dano. Na verdade, a dependência que a consciência do Eu tem do cérebro não é tão definida como se supõe à primeira vista.

Embora se conjeture que a ligação entre o Eu e o cérebro seja extremamente intima, devemos apontar uma série de importantes fato que depõem contra relacionamento tão intimo e tão mecânico. Muito trabalho tem sido realizado para descobrir as funções desempenhadas pelas várias áreas do cérebro humano. Uma das descobertas mostra que existem ÁREAS COMPROMETIDAS bem como ÁREAS DESCOMPROMETIDAS. Por exemplo, as áreas sensorial e motora estão comprometidas com essas funções desde o nascimento. Por outro lado, o centro da fala não parece estar plenamente comprometido. Até os cinco ou seis anos de idade o hemisfério cerebral direito coopera com o esquerdo no controle das funções da fala. Isso pode explicar a recuperação da fala quando o centro principal no hemisfério esquerdo é danificado. Se a criança é muito crescida quando o centro da fala é danificado, a perda da fala pode ser permanente. Em todos os tipos de processos de crescimento, a ocorrência das coisas no momento correto é um fator muito importante.

A qualidade de não-comprometimento de extensas áreas do córtex cerebral pode também ser percebida de outros modos. Consideráveis porções do córtex descomprometido podem ser removidas sem dano evidente a qualquer função mental. Acidentes e remoções cirúrgicas de partes do cérebro no tratamento de graves casos de epilepsia produziram mesmo alguns casos de melhoria da capacidade intelectual.


O CÉREBRO E O COMPUTADOR

Naturalmente, isso tudo não é suficiente para refutar a afirmação materialística de que a estrutura física do cérebro pode explicar tudo sobre a mente. Alguns cientistas proeminentes notaram, aliás, que o desenvolvimento de um novo centro da fala no hemisfério intacto lembrava-lhes a reprogramação de um computador. A analogia mecanística entre e o cérebro e o computador pode ser admitida no sentido de que evidencia o fato de que o computador nada faz sem um programador.

Algumas das funções cerebrais parecem estar numa ‘de um para um’ com a experiência. Mas parece haver muitos outros casos para os quais este tipo de relação não pode ser apoiada empiricamente. O neuro-psicólogo Karl Lashley passou anos tentando descobrir a sede da memória no cérebro, mas nunca encontrou sequer uma região geral que fosse responsável por um traço especifico de memória. Suas descobertas eram mais compatíveis com a idéia de que as imagens e as lembranças decorrem de campos ou padrões de energia gerados em toda a superfície do cérebro.

O neurologista William Penfield demonstrou que a recordação pode iniciar-se numa estimulação lobo-temporal. Contudo, a estimulação não é especifica tratando-se de recordações específicas. Tudo o que se pode afirmar é que ocorrerá alguma recordação. Uma estrutura que se encontra no interior do lobo-temporal, chamada de sistema límbico, é importante para essa recordação. Danos no sistema límbico resultam em prejuízo à capacidade de recordar, mas não se pode afirmar quais impressões da memória não serão recordadas. Um paciente com dano no sistema límbico pode ‘esquecer-se’ da morte de um amigo intimo mas não a de um bichinho de estimação favorito.

Podemos também considerar o fato de que existem sentenças ou frases que usamos uma única vez. Poder-se-ia teorizar uma relação ‘de um para um’ entre as palavras e certos processos cerebrais. Entretanto, a experiência de compreendermos uma sentença transcende a mera compreensão da seqüência das palavras. Temos experiência disto quanto temos de ler duas ou mais vezes uma sentença difícil para compreendê-la. Visto que essa experiência pode ser uma dentre muitas que são essencialmente únicas, não podemos arbitrariamente supor que um processo cerebral guarda uma relação ‘de um para um’ numa base de ‘um para um’. Só podemos falar numa relação ‘de um para um’ se alguma regra ou lei universal correlaciona os dois processos, o que geralmente acredita-se não existir. Naturalmente, poucos pensadores materialistas, mecanicistas ou deterministas duvidariam de que existe um processo cerebral, talvez único, ocorrendo ao mesmo tempo e interagindo com a experiência. Considerações semelhantes dizem respeito a todas as experiências criativas. Com efeito, poderíamos descrever a formação de qualquer nova sentença como criativa, o que faz com que possamos nos considerar criativos na maior parte do tempo.

Outro ponto enfatizado pelo neurocientista John Eccles, laureado com o Prêmio Nobel, é o de que não apenas existe o problema da identidade do Eu em sua relação com a identidade do cérebro, mas também o problema da unidade do Eu. Nossas experiências freqüentemente são complexas, e às vezes, mesmo nossa atenção é dividida. Assim mesmo, por nossa experiência de introspecção, todos nós sabemos que o Eu possui unidade, embora não pareça haver parte definida do cérebro que corresponda a esse Eu. Ao contrário, parece que todo o cérebro, se não todo o complexo das células do corpo, deve estar plenamente ativo para ser ligado à consciência. Este é um processo ou sentimento, intuitivo de inimaginável complexidade.

Ao invés do cérebro produzir Eu, o cérebro é produto do Eu, do Ser em seus ininterruptos esforços para existir. O cérebro é o instrumento incrivelmente refinado criado pelo Eu no processo de expressar sua própria natureza. O Eu é sempre ativo. No sentido místico/filosófico, esta constante atividade do Eu é a única atividade genuína que conhecemos.

O Eu psico-físico ativo é o programador do ‘computador cerebral’. O Eu é o músico,e o cérebro, seu instrumento. A mente, como disse Platão, é o piloto, e não como David Hume e William James propuseram: a soma total ou o fardo das percepções, ou a torrente das experiências do cérebro. Este ponto de vista tende a sugerir passividade. Esta visão talvez resulte da tentativa de observar passivamente ao invés de reexaminar nossas ações passadas. Acima de tudo, o Eu é um principio cósmico ativo do qual nós próprios somos uma parte.

Estas considerações nos mostram que o Eu não é simplesmente um ‘ego’ ou um objeto a ser observado passivamente. Antes, o Eu é um processo incrivelmente rico, o tesouro que os místicos têm procurado desde tempos imemoriais. Como um piloto, nosso Eu observa e age ao mesmo tempo. Age, sofre, recorda o passado, planeja o futuro. Nosso Eu anseia, e nosso Eu determina. Contém em imediata sucessão, ou contém tudo de uma só vez. Nosso Eu encerra uma vívida consciência de ser o centro da ação. Nosso Eu deve a consciência dessa individualidade às interações com outras pessoas, outras partes do Eu e o mundo meditativo dos símbolos, princípios e idéias arquetípicas – tudo isso interagindo intimamente com a tremenda ‘atividade’ que ocorre no cérebro do Eu.

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[Texto de George F. Buletza P.hD]

Referências: Buletza G., Wilson O., Schaa J., [1978]; Pesquisa: Mistérios Internos do Cérebro, o Sistema Límbico – Memória e Aprendizagem, ‘O Rosacruz’ – junho/81.

Peenfield W., [1975]: The Mysteri off the Mind, Princeton University Press, Princeton, New Jersey.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Lei Natural e Espiritual

Qual é a diferença entre uma lei natural e uma lei espiritual?

Leis naturais e espirituais referem-se a diferentes níveis de fenômenos de que o homem tem experiência. A distinção está na humana percepção e concepção, e não na essência. Por analogia, qual é a diferença entre ‘acima e abaixo’? A resposta é: ‘a posição em que o individuo assume em relação a um objeto ou a uma direção’. O que está mais alto que a nossa cabeça é ‘acima’, e o que está mais baixo que os nossos pés é ‘abaixo’., nem acima nem abaixo têm natureza absoluta:Ambos são relativos à nossa percepção de direção. A lei natural consiste em fenômenos que ocorrem periodicamente. Esses fenômenos pertencem ao tipo de realidade, ao tipo de ser, que parece ter tanta existência física quanto o próprio ser humano. Quando falamos em natureza, queremos dizer todas as forças, energias e substâncias que o homem percebe objetivamente e que não tem origem em sua imaginação e sua vontade. Uma outra maneira de conceber a natureza consiste em pensar nela como expressão ou manifestação de energia e ordem cósmicas, que o homem é capaz de discernir. Trata-se de matriz de fenômenos cósmicos que estão dentro da faixa de percepção humana.

Obviamente, aquilo que transcende essa faixa de percepção humana ou não é conhecido pelo homem ou ele apenas especula a seu respeito. Essa realidade desconhecida ou abstrata geralmente não é concebida como natureza e, sim, como o ‘Absoluto’. A maioria das pessoas situa o absoluto na categoria do campo Divino ou espiritual. É uma falácia comum associar aquilo que não é compreendido pela mente humana ou que se diz que a transcende com o espiritual. Este último, por sua aparente invisibilidade e qualidade de infinito, é tido como um produto mais direto de um ser ou uma mente Divina. Em sua cosmogonia, os gregos antigos pensavam que o firmamento para além das montanhas mais altas dos limites marítimos, tal como eles o conheciam, era divino, devido a seu mistério e sua infinidade. Quanto mais o homem reduz o infinito ao finito, isto é, a uma natureza qualitativa e quantitativa, mais material isso se torna para ele, mas cai na categoria do que ele chama de ‘forças naturais’. Portanto, isso não pertence à categoria do sobrenatural.

Podemos dizer que, com efeito, o ‘espiritual’, para a maioria das pessoas, implica ‘sobrenatural. Significa que transcende ou parece transcender o universo físico. Ultrapassa aquilo de que o homem é objetivamente consciente. É um fenômeno que ele parece não poder dirigir à vontade.

Com o passar dos séculos, mais e mais do ‘sobrenatural’ tem sido reduzido ao nível do ‘natural’. Alguns homens na realidade consideram aquilo que eles compreendem menos importante do que o intangível e desconhecido. O que é ‘misterioso’ sempre inspira temeroso respeito. Na maioria das mentes, é de imediato associado, diretamente, com ser divino, e assume para elas uma qualidade completamente fora de proporção à sua verdadeira natureza.

Houve época em que tentar analisar cientificamente o sangue era considerado sacrilégio por algumas seitas religiosas; era tido como uma invasão do campo espiritual, do reino sobrenatural. Os alquimistas, por suas tentativas de transmutar metais inferiores, eram considerados pervertidos. Dizia-se que Deus tinha um processo secreto para a criação dos elementos. O homem era presunçoso ao penetrar no campo sobrenatural e tentar descobrir as leis espirituais que nele operavam. As mesmas idéias são às vezes expressas por algumas pessoas com relação às pesquisas da natureza da matéria pela Física moderna.

O HOMEM INQUIRIDOR

Hoje em dia, a maioria dos homens está condicionada à pesquisa de fenômenos físicos. Eles não questionam, ou raramente o fazem, o direito do homem de arrancar do universo os seus segredos, capazes de liberar forças materiais. Para eles, o espiritual continua relacionado com o que eles chamam de alma e suas propriedades. A alma é vista como uma consciência ou mente amorfa, divina, com certos atributos, como os impulsos morais que eles chamam de Consciência. A combinação cabe diretamente a Deus. Todos os princípios ou regras de pensamento e códigos morais que parecem ter origem na alma, na Consciência, são assim tidos como ‘leis espirituais’.

Quando a Filosofia e a Psicologia modernas revelam que a Consciência não é totalmente um produto de alguma qualidade espiritual inata, muitas vezes causam ressentimento naqueles que insistem numa separação entre o espiritual e o material. São estes que querem que essa separação seja absoluta, e não apenas relativa. E eles se ressentem também da afirmação de que a personalidade-alma seja também a conseqüência de um ajuste psicológico entre o nosso ambiente e a nossa consciência do ego.

O motivo desse ressentimento é que esses indivíduos pensam que relacionar fenômenos naturais, ou aquilo que tem propriedades físicas, com os fenômenos mais intangíveis, é um sacrilégio. Para eles parece que Deus perde sua Eminência se fica demonstrado que qualquer função que Lhe é atribuída tem uma extensão no universo físico. Esta concepção é extremamente dualística. Assenta na idéia de que Deus, sob todos os aspectos e sempre, tem de transcender o mundo real. Essas pessoas acham que Ele não pode ser imanente, ou seja, vivente de algum modo dentro do mundo. A natureza, ou o universo físico, para elas é apenas um subproduto de Deus. Elas concebem o mundo como uma espécie de mecanismo criado por um artesão e tal que o artesão pode dirigis, mas em que não existe nenhuma parte dele próprio [já que o mundo é apenas um produto da inteligência e das mãos do artesão].


A IDÉIA DO MÍSTICO

Para o verdadeiro pensador metafísico e o panteísta místico, como o filósofo ‘rosacruz’, existe somente um vasto espectro ou escala de fenômenos. É o Cósmico, a mente universal ou mente de Deus, atuando através de um mar de energia vibratória. As leis são na realidade a função básica dessa energia. Não há divisões de fenômenos nesse espectro. Cada manifestação se funde com o inicio seguinte. O homem sente esses fenômenos de dois modos:

Um é totalmente objetivo, resultante de seus cinco sentidos receptores e das limitações orgânicas especificas dos mesmos. Esta parte da realidade tem para o homem uma substancia, uma qualidade que ele chama de ‘material’ ou ‘física’. Ele descobriu muitas de suas causas imediatas, que chama de ‘naturais’. Há outros fenômenos que o impelem e que são subjetivos, como sonhos, ou mesmo suas inspirações, suas emoções, seu idealismo moral. E ele percebe que é difícil remontar esses fenômenos a causas ditas naturais. Por isto eles são relacionados pelo homem com a causa primordial, com o espiritual.

Na realidade, porém, em essência, esses fenômenos não são mais espirituais do que as forças que causam a majestosa procissão dos planetas ou o movimento da Terra em torno do Sol. Se descobrimos que as maravilhosas experiências místicas que temos, e que transcendem em sua beleza e inspiração qualquer coisa percebida objetivamente, na realidade não fluem diretamente de uma fonte espiritual externa, e sim das profundezas de nossa própria consciência, elas passam a ser menos divinas? A consciência em nosso âmago é como um rio; à medida que ela flui para fora, para o Oceano do Cósmico, torna-se mais profunda e ampla, e mais extensiva nas impressões que gera na mente humana. Essas experiências mais amplas de nossa consciência são apenas uma perspectiva maior de toda a inteligência divina no interior do nosso ser.

Quando contemplamos uma flor, ou o mar, ou um simples elemento químico, ou organismo humano, estamos nos colocando face a face com a causa divina. Essas coisas não são em si mesmas Deus, mas ‘pertencem à Sua consciência’. Ele está presente nelas.

Uma árvore não é nenhuma de suas folhas, mas, para ser uma árvore, ela precisa incluir todas as partes de que se compõe. Não podemos ver a olho nu as células microscópicas que dão à árvore vida e crescimento; não obstante, não seria razoável chamarmos essas células de ‘espirituais’ e a manifestação mais grosseira das mesmas [a casca da árvore e as folhas] de materiais.

Tenhamos em mente que as manifestações do Cósmico que são suficientemente baixas para serem objetivamente percebidas, nós chamamos de ‘materiais’ por hábito. Ordinariamente as atribuímos à natureza. Inversamente, aquilo que no momento transcende essa faixa, definimos como ‘espiritual’. Subjacentemente, porém, suas respectivas causas se fundem para formar a harmonia do absoluto – o Cósmico.

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[Texto de Ralph M. Leewis]

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Rumo à Consciência Cósmica

“ Saúde, sanidade, santidade, felicidade - tudo isto são apenas nomes vários para uma e mesma idéia: que o indivíduo, sendo uma parcela distinta - mas não separada do Universo - deve estar em perfeito equilíbrio com o Todo Cósmico, a fim de gozar um bem-estar universal.“
“ Somente o homem inteiramente harmonizado com o universo é um homem perfeito, no corpo e na alma - Um homem feliz...
O homem feliz é o homem cósmico, o homem crístico. Para que o HOMEM-EGO, guiado pelo instinto e pelo intelecto, se possa integrar, como HOMEM-EU, na razão que é o seu centro ainda desconhecido, deve ele realizar exercícios freqüentes e intensos de interiorização, geralmente chamados ¨meditação¨, deve descobrir a verdade central sobre si mesmo, porque esta verdade, uma vez conhecida e vivida, o libertará de todos os males.
É, no entanto, de suma importância, para a felicidade da vida, que o homem consiga ultrapassar as fronteiras da pequena consciência do seu EGO PERIFÉRICO e entre na grande consciência do seu EU CENTRAL.
Ter apenas lido e ouvido falar do mundo espiritual é como fogo pintado numa tela - ao passo que viver e saborear pela vivência a realidade divina é como fogo real. Nem com um museu inteiro de telas de fogo pintado artisticamente se pode iluminar ou aquecer uma sala - mas com uma pequena chama de fogo real pode-se incendiar a maior das florestas e iniciar um calor mundial.
Nem se pense que esses exercícios (Meditação) visem apenas a zona da vida espiritual do homem: eles beneficiam todas as atividades humanas, mesmo as que nada parecem ter que ver com meditação. O comerciante, o industrial, o estadista, a dona de casa - todos eles verificarão que o encontro com o seu centro traz reais benefícios a todas as atividades da vida humana.

Entre os frutos colhidos pela interiorização se contam, entre outros, os seguintes: Segurança interior, certeza em todas as dúvidas, tranqüilidade de espírito, paz da alma, acuidade mental, independência de opiniões alheias, permanente alegria de viver, benevolência para com todos os seres, felicidade em pleno sofrimento, certeza da imortalidade na vida presente.
VOCÊ DESEJA SE ENCONTRAR COM O SEU CENTRO DIVINO?
No contato consciente com o CENTRO DIVINO encontra o homem definitiva segurança e tranqüilidade, paz e impertubável serenidade em todas as vicissitudes da existência, mesmo no meio das mais violentas tragédias e tempestades da vida. Ao passo que o homem que não encontrou esse centro divino é infeliz no meio dos seus gozos; e, por ser infeliz, procura a sua felicidade fora de si, por toda parte, nas periferias do seu ego físico, mental e emocional, num interminável circulo vicioso. O desejo o leva ao gozo, e o gozo gera novos desejos. Há gozo ou sofrimento no ego da personalidade. Enfim, todas as coisas externas nos podem dar gozo ou sofrimento; somente a realidade interna nos pode fazer felizes ou infelizes.
Poderíamos dizer que a semente simboliza o EGO, a planta representa o EU. Se a semente morresse realmente, nunca nasceria a planta. A semente não morre como vida, morre apenas como semente; morre o estreito invólucro que encerra a vida, que, após essa pseudomorte da semente, brota como planta. É exatamente isto que se dá com a semente-ego e a planta-eu: morre a estreiteza do ego para que possa nascer a largueza do Eu. Assim, entendemos por EGO as periferias da nossa natureza material-mental-emocional, que também se chama pessoa, persona ou personalidade; nunca identificamos este termo como o EU. Usamos , invariavelmente, a palavra EU para o CENTRO DIVINO da nossa natureza, que é o indivíduo, a individualidade, aquilo que o Cristo chama a alma, ou o espírito de Deus no homem. O nosso eu espiritual é essencialmente centrípeto, introvertido, tendendo, sempre , ao centro da natureza humana.
O nosso ego físico-mental-emocional é, por sua natureza, centrífugo, extravertido, demandando sempre `as periferias do mundo objetivo. O seu ambiente é o mundo externo, dos sentidos, da inteligência, das emoções. O nosso ego é visceralmente exteriorizante.
Esses dois pólos se acham no Universo. O UNO é do EU, o VERSO é do EGO. Sendo, porém, o curso da nossa evolução de fora para dentro, é natural que primeiro atinjamos o VERSO e, somente mais tarde, o UNO.
Enquanto esses dois componentes do cosmos não estiverem harmonizados no composto único, não haverá paz e sossego na vida humana. No homem profano prevalece o Verso. No homem místico impera o Uno. O Homem Cósmico realiza a grande síntese do Universo: ele e o universo são um. Ele é universificado – é o homem Univérsico.
Considerando que a imensa maioria da humanidade pertence ainda ao mundo dos profanos, é lógico que o primeiro passo a dar está em ultrapassar a face caótica da dispersividade do ego, e entrar na zona mística do eu. E para chegar a essa zona, vem em primeiro lugar a CONCENTRAÇÃO MENTAL, que passa pela MEDITAÇÃO e culmina na CONTEMPLAÇÃO.

Na zona 1 os nossos pensamentos correm, suavemente, em direção paralela, sem esforço ou, até, em forma dispersiva. Com algum esforço, consegue o homem disciplinar as tendências do seu ego, reduzindo a dispersividade ou o paralelismo mental a uma ligeira convergência mental. Em vez de ter 20 ou 10 pensamentos em rápida sucessão, a mente os reduz a 5 ou 2 e, finalmente, a um só pensamento, que enfrenta com o ponto único. A mente está, então, UNIPOLARIZADA – grande vitória para o homem habitualmente pluripolarizado, distraído, dispersivo, indisciplinado. A fim de conseguir a focalização unipolar do pensamento único, convém repetir, audível ou inaudivelmente, algum MANTRA, sempre o mesmo; por exemplo: EU E O PAI SOMOS UM....Pouco a pouco, esse pensamento sucessivo culmina na consciência simultânea: Eu e o pai somos um. A UNIPOLARIDADE DO PENSAMENTO é agora, substituída pela UNIPOLARIDADE DA CONSCIÊNCIA. Morreu a ANÁLISE MENTAL e nasceu a INTUIÇÃO ESPIRITUAL. O meditante superou a zona baixa das tempestades e turbulências e entrou na estratosfera da grande quietude e do silêncio. A linha vertical marca a fronteira entre dois mundos : entre o mundo turbulento do ego, sujeito a tempo, espaço e causalidade – e o mundo tranqüilo do Eu, que habita no eterno, no infinito.

Pela primeira vez, o homem chega a saber, então, que o céu e inferno não são regiões geográficas ou zonas astronômicas, mas sim ESTADOS DE CONSCIÊNCIA. O homem que cruzou a linha divisória, passou da MEDITAÇÃO para a CONTEMPLAÇÃO. Está com o templo (Com-templar).Ele não pensa, não analisa, não medita mais – ele simplesmente CONTEMPLA, visualiza tranqüilamente a suprema Realidade. E, como ele é um canal aberto, as águas vivas da realidade fluem e jorram para dentro desse homem, assim como a plenitude se derrama necessariamente para dentro da vacuidade. Do ponto 3, partem linhas divergentes para a direita, linhas que tanto mais se abrem quanto mais se distanciam do seu nascedouro. Estas linhas, que principiam na zero-dimensão e na zero-duração 3, fronteira entre o EGO e o EU, representam, em seu crescente afastamento, o grau de receptividade do homem. A meditação inicial se transformou em contemplação. Já não há meditação – há, tão-somente, contemplação consciente, altamente consciente. Nunca o homem é tão intensamente consciente como quando todo o seu pensar culminou em intuir. Durante todo esse tempo – embora fora do tempo – mantenha-se o aspirante na permanente vibração espiritual “ Eu e o Pai somos Um” , sem nada pensar, sem nenhuma discursividade mental, em plena simultaneidade consciente, flutuando no imenso oceano do seu profundo “EU SOU”

Isto é orar... ORAR é derivado da palavra latina OS (ORIS), que quer dizer “ boca” . Orar seria, pois, “abrir a boca” – a boca espiritual do Eu. Abrir a boca denota fome. O Espírito Finito EU abre a boca rumo ao Espírito Infinito Deus, cuja presença se lhe tornou intensamente consciente, durante a contemplação. Abre a boca, porque tem fome e sede de justiça. Sente a presença da FONTE, cuja plenitude pode saciar a vacuidade do homem. Nesse momento, a Fonte Divina flui para dentro do recipiente humano. A zona das grandes revelações, que emanam do infinito. Depois de saturar a consciência espiritual, pode o homem regressar, externamente, para o mundo do seu velho EGO – flechas reversivas 5 da figura – sem, todavia, perder o contacto com o mundo divino do seu EU CRISTICO, o qual , daí por diante, aureolará e permeará todas as atividades do Iluminado. UM ÚNICO SEGUNDO DE CONTATO REAL COM O MUNDO DIVINO PODE TRANSFORMAR A VIDA INTEIRA DE UM HOMEM...
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[Trecho do livro: Rumo à consciência cósmica – Humberto Rohden c/adaptação].

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

OS CÓDIGOS DA INTELIGÊNCIA


"O ser humano aprendeu a atuar no teatro social com brilho, mas não no teatro psíquico, onde é preciso filtrar estímulos estressantes, gerir seus pensamentos, proteger sua emoção. Somos tímidos espectadores onde deveríamos ser ágeis atores.
No dia-a-dia, a mente pensa tolices, a emoção dá crédito a elas e o eu ingênuo, que não aprendeu a decifrar os códigos da inteligência, paga a conta por não saber filtrar os pensamentos. A vida tão bela se torna, assim, uma fonte de angústias. Decifrar os códigos da inteligência não é um luxo intelectual, mas uma necessidade psíquica vital! "
[Augusto Cury, autor do livro “O Código da Inteligência” ]


O QUE SÃO:
São códigos capazes de estimular as pessoas a libertar sua criatividade, expandir a arte de pensar, desenvolver saúde psíquica e excelência profissional. Pessoas que decifram plenamente alguns destes códigos saem do rol dos comuns e se destacam na vida social, profissional ou acadêmica. CURY chama códigos às funções da inteligência porque diz que não basta admirá-los nem entendê-los logicamente. É preciso decifrá-los intimamente, desvendar os seus segredos, ter disciplina e treinar para os assimilar.

ARMADILHAS DA MENTE HUMANA:
As armadilhas da mente bloqueiam a capacidade de decifrar os códigos da inteligência e são construídas ao longo do processo de formação da personalidade humana. São elas:

- O conformismo: É a arte de não reagir e de aceitar passivamente as dificuldades. O conformista é inerte e mentalmente preguiçoso na área em que se considera incapaz e acredita que tudo é obra do destino.

- O coitadismo: É o conformismo potencializado, a arte de ter compaixão de si mesmo. O coitadista espera sempre que os outros o encorajem, lhe digam coisas positivas. Pode ser ótimo com os outros, mas em geral se auto-abandona, não cuida de si.

- O medo de reconhecer os erros: É o medo inconsciente de se assumir como ser humano, com defeitos, fragilidades e incoerências. Sabemos que errar é humano, mas insistimos em sermos deuses.

- O medo de correr riscos: Bloqueia a ousadia, a liberdade. É impossível eliminar todos os riscos. A existência em si já é um contrato de risco. Todas as grandes conquistas são frutos de ações com risco

OS CÓDIGOS DA INTELIGÊNCIA:

- Código do Eu como gestor do intelecto:
Devemos sempre exercer a arte da dúvida, da crítica e da determinação, deixando a condição de espectador passivo frente à vida e tornando-se autor da sua própria história. Para isso, temos que aprender a filtrar os estímulos estressantes, reeditar as janelas killer de nossa mente, construir janelas light paralelas e fazer constantemente a mesa-redonda do eu.

- Código da Autocrítica:
É a postura madura de quem analisa seu papel como ser humano, educador, profissional, amigo. Para isso, precisamos pensar nas conseqüências dos comportamentos. A memória não obedece a nossa vontade. Tudo que vivemos é registrado e tudo que falamos é arquivado. Por isso pense antes de agir! Pense antes de reagir e pense nos resultados dos nossos atos. Pensar antes de reagir é fundamental, pois nos segundos que se seguem a um foco de tensão somos controlados por zonas de conflito que bloqueiam milhares de janelas light, impedindo o acesso a informações que nos forneceriam serenidade, coerência intelectual e raciocínio crítico.

- Código da Psicoadaptação ou da Resiliência:
É a capacidade de sobreviver às intempéries da existência. Aplausos e vaias, risos e lagrimas fazem parte do teatro da vida. O grau de resiliência de um ser humano depende da capacidade de superar e de se adaptar perante as adversidades que surgem no caminho na sua vida. É preciso estar ciente de que a vida é cíclica e que todas as escolhas têm suas perdas.

- Código do Altruísmo:
Altruísmo é a capacidade de se colocar no lugar dos outros. O altruísmo é o contrário do egoísmo e do individualismo. Com estes expressamos a nossa natureza animalesca ou instintiva, e seremos agentes da exclusão e da agressividade. Com aquele expressaremos a grandeza da alma, e seremos agentes da bondade, compaixão, generosidade e desprendimento. Seremos solidários com quem falha e estimularemos o outro incluindo-o. Os altruístas não são ingênuos. Doam-se aos outros porque aprenderam a reconhecer e a agradecer aos que se doaram por eles. O altruísmo ensina-se pelo exemplo. No ensino do altruísmo a eloquência do silêncio é mais eficaz do que as palavras.

- Código do Debate de Idéias:
O debate de idéias é o alicerce do processo de formação de pensadores, o segredo que fundamenta intelectos livres, seguros e participativos. É preciso questionar as idéias transmitidas, aprender a expor e não impor suas idéiais, dando direito para que os outros a confrontem.

- Código do Carisma:
É o código da capacidade de encantar, de envolver, de surpreender, de admirar os outros e de se admirar a si mesmo. É o código da afetividade, da amabilidade, da afabilidade e do romantismo existencial. Elogiar quem está próximo e agradecer as pessoas que contribuem com você com as coisas mais singelas, ter prazer em ajudar o próximo e aprender a valorizar o que se tem são algumas das ferramentas para se decifrar o Código do Carisma.

- Código da Intuição Criativa:

É o código que liberta o imaginário, expande a inventividade, produz novos conhecimentos, refina o olhar multifocal perante os fenômenos físicos, psíquicos e sociais para os poder analisar sob múltiplos ângulos. É o código que alicerça o processo de observação, dedução, indução e raciocínio esquemático. Ele nos dá subsídio para produzir soluções não vistas e saídas não enxergadas. Para decifrar este código não podemos ter medo de pensar diferente, devemos enxergar o caos como oportunidade criativa e evitar dar respostas fechadas, prontas.

- Código do Eu como Gestor da emoção:
É o código que nos posiciona como administradores dos sentimentos, gestores da insegurança, dos temores, medos, angústias, humor triste, ciúmes, agonia e aflições. É o código que dá um choque de lucidez nas emoções, recicla o seu controlo de qualidade, propicia terreno para cultivamos a tranquilidade, o prazer, o júbilo, o deleite e o usufruto existêncial.

Sobre o autor:
Augusto Cury, médico psiquiatra, psicoterapeuta, cientista e escritor, produziu uma nova teoria sobre a lógica do pensamento, o processo de interpretação e o processo de formação de pensadores. É autor de dezenas de livros, dentre eles “Pais Brilhantes, Professores Fascinantes”, “O Vendedor de Sonhos” e “O Código da Inteligência”.

Pesquisador da Psicologia, desenvolveu ao longo de 20 anos uma das técnicas mais complexas da atualidade sobre o funcionamento da mente e a construção da inteligência, publicada no livro “Inteligência Multifocal – Análise da construção dos pensamentos e da formação de pensadores”. A teoria da Inteligência Multifocal tem sido usada em teses de mestrado e doutorado em diversos países, nas áreas de psicologia, ciências da educação, sociologia, pedagogia e outras.

“Administrar a emoção é mais difícil do que gerenciar uma empresa com milhares de funcionários.”

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Mudanças


Os padrões sempre fluentes de nossa vida são marcados por variações e momentos decisivos, mudanças desejáveis e indesejáveis. É essencial refletir sobre as mudanças a fim de compreendermos o progresso que tenhamos realizado como criaturas humanas.

Mudanças são inevitáveis em todas as vidas; mas às vezes é muito difícil lidarmos com elas. O desconhecido pode ser assustador e mesmo mudanças positivas podem ser muito estressantes. Os psicólogos usam uma escala de estresse que mede a intensidade da tensão comumente sentida devido a eventos especiais da vida, e descobriram que mesmo as mudanças mais desejáveis podem produzir estresse. Por exemplo, um novo casamento ou uma promoção no emprego podem causar grande felicidade, embora um forte estresse possa também ser sentido.

Mas, podemos nos preparar melhor integrar as mudanças da vida de maneiras positivas e satisfatórias. Chave para isso está na importância ao conhecimento do Eu Interior e ao insight que decorre de nossas experiências na vida. Sabemos que mesmo uma experiência de vida difícil pode proporcionar uma oportunidade para crescimento pessoal e maior compreensão de nós mesmos e do mundo em que vivemos.

Com efeito, com freqüência verificamos que uma mudança ou experiência que parecia a ‘pior coisa que podia ter acontecido’ acaba sendo um catalisador que dirigiu nossa vida para um sentido muito positivo e desejável.

Podemos perceber as mudanças como experiências de transição, revelando que, quando alguma coisa está terminando, uma outra está começando. Refletindo nisso sua compreensão de que um término apenas anuncia um novo começo nos padrões da vida que estão constantemente mudando.

NOSSO SACRIFÍCIO
É interessante notar que, todos nós temos um desejo em comum: o desejo de mudança em nossa vida. Mas para alcançá-la precisamos ter um compromisso interior com a mudança e estar dispostos a fazer os sacrifícios necessários.

Mas, que sacrifício precisam ser feitos? Os dicionários definem sacrifícios como a renuncia ou a destruição de algo valorizado ou desejável, em troca de algo considerado superior ou mais premente. A palavra ‘sacrifício’, que vem do latim, significa ’tornar sagrado’. Segue-se que a força do nosso compromisso pode ser medida pelas coisas que estamos dispostos a renunciar ou eliminar de nossa vida.

NOÇÕES PRECONCEBIDAS
Nosso sacrifício pode ser de renunciarmos a crenças muito estimadas e a noções preconcebidas, bem como, às emoções que as sustentam. Isso pode se tornar necessário porque precisamos então desenvolver novas habilidades e novos recursos para nossa vida diária, e aprender a usar os que já temos de maneiras novas e criativas. Podemos sentir necessidade de sacrificar muitos padrões familiares em nossa vida, para ‘tornar sagrado’ o novo rumo que escolhemos.

Se não renunciarmos à nossa velha maneira de ver as coisas e não mantivermos a mente aberta para um novo modo de pensar, simplesmente projetaremos nossas velhas crenças e não compreenderemos o que estivermos tentando aprender. Por exemplo, há uma estória a respeito de um homem chamado Mulla Nasrdin, que levou uma manada de jumentos para atravessar a fronteira do seu país com uma país vizinho, todos os meses, durante muitos anos. Quando os oficiais da alfândega lhe perguntavam qual era o seu negócio, ele sempre respondia, ‘contrabando’.Os oficiais davam e então uma busca na manada, mas nunca encontravam nenhum contrabando.

Anos mais tarde, quando Nasrdin tinha se aposentado, um dos oficiais da alfândega o encontrou no mercado e perguntou: ‘agora que você está aposentado, não quer me dizer o que era que estava contrabandeando todos aqueles anos?’ E Nasdrin respondeu: ‘jumentos’.

A razão pela qual os oficiais não conseguiram encontrar os objetos contrabandeados era que eles tinham idéias preconcebidas. Presumiam que esses objetos estariam escondidos e, por isto, não percebiam o ‘óbvio’.

Não é fácil fazermos essas mudanças em nosso pensamento, se confiamos sempre nos outros para nos dizerem em que deveríamos acreditar e como deveríamos nos comportar, ou se presumimos que já temos todas as respostas. Devemos examinar todas as opiniões que já tínhamos formado sem reflexão ou análise. Devemos aprender a pensar e verificar a validade de novos conceitos demonstrando-os a nós mesmos, não somente pelo estudo mas através de exercícios e experimentos. Assim aprendemos a testar, em nossa própria vida, os princípios das leis da natureza. Desse modo chegamos a conhecer uma verdade viva e não apenas acreditar nela. Graças a esse método, a validade do aprendizado é estabelecida por cada um de nós, em nossa própria vida.

O CONHECIMENTO DA VERDADE
Como podemos ver, as mudanças na vida não são apenas as que vem de fora, mas na realidade aquelas que o próprio ser humano desencadeia. Isso exige coragem e envolvimento, pois a senda não é fácil. Muitas vezes, somos obrigados a ver nosso mundo de uma nova maneira, diferente de como o percebemos no passado, e isto pode resultar num sentimento de desilusão. Em outras palavras, vivenciamos o processo de extirpar uma ilusão. Isso não é necessariamente uma experiência agradável, de modo que podemos ser tentados a retomar nosso velho e confortável modo de pensar. Mas, uma vez impressionados com a verdade, não podemos mais ser felizes em retornar. Com o apoio do Cósmico, encontramos nosso próprio caminho, passamos a conhecer a nós mesmos, nos empenhamos em servir aos outros.

Na lenda do Rei Arthur fala-se de certa noite em que os cavaleiros estavam reunidos na Távola Redonda. O Rei se recusou a deixar a festa começar antes que ocorresse um milagre. Logo apareceu uma forma velada do Santo Graal. Em função dessa experiência mística, Sir Gawain propôs uma aventura. Foi decidido que cada um deles passaria um ano procurando o Graal, sozinho e começando por entrar nos pontos mais densos da floresta, onde não houvesse nenhum caminho.

A busca do Graal, por esses cavaleiros lendários, é a busca da verdade velada que é o Eu Interior. Devemos aceitar essa busca, sabendo que é algo que temos de fazer por nós mesmos, uma vez que se trata de encontrarmos nosso verdadeiro Eu. Mas as ferramentas e os ideais que podem nos servir nessa busca podem ser encontrados nos ensinamentos rosacruzes. Assim como os cavaleiros encontravam apoio e recursos na Corte do Rei Artur, nós os encontramos nos ensinamentos dos Mestres, para nossa busca tão pessoal. Essa busca é essencial ao nosso trabalho e constatamos que toda vida humana é enobrecida pelo dedicado esforço de conhecer a si mesmo.

As mudanças exteriores em nossa vida são meras distrações transitórias, mas as mudanças interiores definem quem somos. Citando Ralph Waldo Emerson: ‘o que está atrás de nós e o que está à nossa frente é insignificante em comparação com o que está dentro de nós.’
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[Texto de Donna G.O’Neill]




A Racionalidade da Reencarnação


Cedo ou tarde o buscador da verdade mística de defronta com a doutrina da reencarnação. Geralmente, nesse ponto, ele é iniciado nas doutrinas mais secretas dos filósofos místicos ou encerra sua busca e fecha para sempre o livro da revelação mística.

Não é necessário que o buscador do conhecimento superior aceite essa doutrina, para que possa progredir em sua busca desse conhecimento. Lê pode rejeitá-la totalmente e, mesmo assim, alcançar um estágio elevado. Mas é preciso que a rejeite sem qualquer preconceito, mantendo uma mente aberta que diga: ‘não a compreendo e, portanto, vou deixá-la de lado até que esteja convencido de que ela seja verdadeira ou falsa’. Mas é raro que alguém que se recuse a aceitar essa doutrina o faça com essa atitude. Conseqüentemente, a pessoa acaba inibindo sua futura iluminação.

Que é tão difícil na doutrina da reencarnação para as mentes do mundo ocidental aceitarem? Que é que existe na educação e nas convicções religiosas dessas mentes, que não dá margem a essa aceitação? Cerca de três quartos da população da Terra tem aceitado essa doutrina há séculos e somente as atuais religiões judaicas e cristãs não têm princípios que permitam sua aceitação. No entanto, originalmente, essas religiões aceitavam a reencarnação. Isto fica provado por escrituras sagras ainda existentes.

Será incompatível com qualquer manifestação na vida que conhecemos afirmar que nada morre, que tudo simplesmente muda e renasce numa forma semelhante, embora ligeiramente superior? A ciência nos informa de que tanto a matéria como a energia são indestrutíveis. A despeito de como modifiquemos a matéria, ela não perde sua substancia e se manifesta novamente, de modo progressivo, em outras formas.

Se cremos que a personalidade humana, ou o caráter espiritual presente no âmago do ser humano deixa de existir ao térmico do seu ciclo de expressão no plano terreno e nunca mais volta a se manifestar numa forma física semelhante, então estamos fazendo uma exceção a uma grande lei universal. Para os filósofos antigos e para todo estudante da lei natural e espiritual, essa exceção era incongruente e impossível.

Estou ciente de que há um grave equívoco generalizado quanto à doutrina da reencarnação no mundo ocidental. Por alguma razão inexplicável, ela acabou confundida com uma antiga doutrina supersticiosa denominada ‘metempsicose’, que já era um deturpação da doutrina da reencarnação. Só acreditavam nela as mentes não inquiridoras de épocas antigas, que eram dadas a toda sorte de crença supersticiosa.

Essas pessoas gostavam de acreditar que o renascimento na Terra não era apenas uma lei da alma humana, mas podia ocorrer em formas inferiores de expressão física, tais como cães, jumentos, répteis, aves e outros animais, muitos dos quais eram venerados como bichos sagrados em suas religiões. O fato de que pessoas inteligentes zombem da idéia da reencarnação baseando-se em que não acreditam que ‘a alma humana renasça num cão ou num gato’, é um dos aspectos espantosos de nossa atual compreensão das leis naturais e espirituais.

A DOUTRINA ORTODOXA
O cristão ortodoxo em geral é talvez o mais forte oponente da doutrina da reencarnação. Ele argumenta que essa doutrina refuta as doutrinas da fé cristã. Não percebe que não há nada na Bíblia, original ou em versão revisada, que contradiga a doutrina da reencarnação ou seja incompatível com princípios religiosos revelados. Essa doutrina pode ser incompatível com certos credos e princípios teológicos adotados pelas igrejas cristãs, mas esses credos e princípios foram estabelecidos por ‘concílios religiosos’ depois que a Bíblia foi escrita. Trata-se de postulados teológicos e não de princípios cristão fundamentais revelados por Jesus ou ensinados pó seus discípulos.

Portanto, de um ponto de vista puramente ortodoxo e dialético, não é a doutrina da reencarnação que está destacada, e sim esses credos e princípios que foram introduzidos após a época de Jesus. Se o devoto cristão quiser discutir sua fé com base na ortodoxia rigorosa, verá que será mais fácil aceitar a doutrina da reencarnação do que rejeitá-la em função de doutrinas teológicas. Isto se aplica também ao devoto do judaísmo na forma moderna de sua religião.

O CONCEITO BÍBLICO
Para aqueles que talvez perguntem onde podem ser encontradas insinuações na Bíblia que apóiem a declaração de que os cristão e judeus anteriores à era cristã acreditavam na doutrina da reencarnação, chamo atenção para alguns pontos ou trechos especiais e sugiro que a eles sejam dedicadas a mesma consideração e análise das doutrinas teológicas tidas como incompatíveis com a doutrina da reencarnação. Se essas pessoas forem tão tolerantes e analíticas para com as citações bíblicas que seguem como são em sua tentativa de contradizer a doutrina da reencarnação, verão que só esta doutrina pode explicar esses trechos.

Por exemplo, nas escrituras pré-cristãs, encontramos o livro de Jô, capitulo quatorze, vários provérbios e comentários sobre a vida do homem, seu nascimento, o desenrolar de sua existência e sua transição. No versículo 12 daquele capítulo, há uma clara afirmação relativa ao corpo físico do homem e ao fato de que, na chamada morte, ele vai para o túmulo e ali permanece até ‘que não haja mais céus’. Afirma-se que esse corpo nunca mais desperta do seu sono. Mas no versículo 14 levanta-se uma outra questão clara quanto ao ‘verdadeiro ser humano’, a parte que é realmente viva. Afirma-se então que o homem verdadeiro aguarda durante os dias do tempo que lhe cabe, após a transição, até que ocorra sua mudança.

Todo esse capítulo de Jô deve ser estudado analiticamente, para que se possa sentir a mensagem divina nele contida. Certamente, o versículo 12 não deixa margem a nenhuma interpretação que pudesse ser considerada coerente com a doutrina teológica da ressurreição do corpo e de uma nova vida no mesmo corpo. O versículo 14 não permite outra interpretação senão a de que a alma do homem aguarda seu momento ‘determinado’ para a mudança que ocorrerá.

Passemos agora ao capítulo 33 de Jô. Todo o capítulo é esclarecedor, especialmente a segunda metade. No versículo 28, lemos que Deus há de livrar a alma do homem de ir para a cova e que ela verá novamente a luz. No versículo 29,lê-se que essas coisas ‘são obra de Deus, duas e três vezes para com o homem’. Em que outro sentido que não o da reencarnação podem esses versículos ser interpretados? Se a alma do homem deixa a cova e volta para a luz dos vivos, e isto acontece várias vezes, não precisamos procurar nenhuma outra afirmação para apoiar a doutrina da reencarnação.

Essas passagens são extraídas das escrituras judaicas e não lhes é dada nenhuma ênfase elaborada. Não há nenhuma tentativa de fazê-las parecer doutrinas religiosas especiais, visto que são citadas tão naturalmente quanto qualquer um dos complexos da vida, porque a doutrina da reencarnação era tão universalmente aceita e compreendida como uma lei cientifica, biológica e física do universo.

Para verificarmos o quanto a crença na reencarnação era universal entre os judeus mesmo durante os dias da missão d Jesus, basta nos voltarmos agora para os Evangelhos cristãos e localizarmos um dos muitos incidentes que revelam total compreensão e crença na reencarnação. Chamo sua atenção para o incidente em que Jesus voltou-se para seus discípulos e fez uma pergunta que pareceria estranha se não soubéssemos nada a respeito da doutrina da reencarnação. Jesus perguntou: “quem dizem que eu sou?”

Que era que Jesus queria saber, que não teria importância para ele a menos que se relacionasse com algo que revelasse a percepção e compreensão espiritual cujo desenvolvimento ele esperava constatar no povo? Ele não fez essa pergunta para receber cumprimentos ou elogios.

UM PROFETA VOLTA À TERRA
Jesus queria verificar se o povo relacionava sua obra com a dos profetas que o haviam precedido e se percebia que ele era um de seus antigos profetas que retornara à Terra como tinha sido previsto e esperado. Que era essa a sua intenção fica indicado claramente pelas respostas dadas por seus discípulos. Eles disseram que o povo achava que ele era esse ou aquele profeta que vivera antes.

Depois, quando lê lhes perguntou quem eles próprios achavam que ele era, sua resposta indica que os discípulos estavam conscientes da razão desse questionamento, que sabiam que ele queria verificar se eles compreendiam que ele era, não somente a reencarnação de um grande profeta mas, também o espírito infinito da mais alta consecução como Filho de Deus. Lendo esse incidente da vida de Jesus e associando-o às declarações de João Batista e de outros profetas a respeito daquele que ainda estava para nascer, podemos perceber que só a doutrina da reencarnação pode explicar essas passagens.

NOS EVANGELHOS
Que é que pode ser encontrado nos Evangelhos que refute a doutrina da reencarnação? Pessoas que não pensam podem argumentar que, segundo as doutrinas cristãs, a alma da pessoa, no momento da transição, passa para um período de consciência suspensa, a fim de aguardar o dia do juízo, quando todos alcançaremos o reino espiritual e viveremos eternamente na consciência e presença de deus. E pode sustentar que esta doutrina contradiz a possibilidade de renascimento e a doutrina da reencarnação.

Mas será que isso é verdadeiro?
Haverá algo na doutrina cristã que exclua as mudanças freqüentemente mencionadas no livro de Jó? A verdadeira doutrina da reencarnação nos assegura que termos muitas encarnações na Terra, mas que, finalmente, após muitas oportunidades de aprendermos as lições da vida e fazermos compensação por nossos atos errôneos, chegaremos ao dia do juízo. Nessa ocasião será determinado se nos tornamos puros de espírito, semelhantes a Deus e dignos de viver eternamente na consciência divina.

Toda noite, quando fecharmos os olhos e adormecemos, encerramos um período que apresentou muitas oportunidades para o bem ou mal e com lições destinadas a nos purgar de nosso comportamento errôneo. Cada despertar é como um renascimento para a luz, como no versículo 28 do capitulo 33 de Jó. Cada dia é um novo período de existência encarnada para corrigirmos os males do dia anterior e nos redimirmos antes que chegue o dia do juízo. Se comparamos cada período de encarnação a um dia de nossa vida, vemos que a final e a suspensão da vida terrena que precede a hora do julgamento não exclui a possibilidade de períodos intermediários de encarnação e preparação antecipando o dia do juízo final.

A doutrina da reencarnação ensina, entre muitas outras coisas maravilhosas, extensas demais para serem enumeradas aqui, que a finalidade da vida, com seus períodos de reencarnação, é de nos habilitar a trabalhar pela nossa salvação. Devemos fazer compensação pelos males que cometemos, de modo que possamos finalmente ser absorvidos na consciência de Deus e ali permanecer eternamente.

Será isso incompatível com os princípios místicos e espirituais ensinados por Jesus e seus discípulos? Embora a doutrina da reencarnação possa parecer incompatível com algumas doutrinas teológicas que foram posteriormente acrescentadas aos ensinamentos cristãos, ela não é incompatível com o que Jesus ensinou e revelou.
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[Texto de H.S.Lewis]

Hiroshima e Nagazaki [Agosto Negro: 06 e 09/08/1945]


Hiroshima e Nagasaki relembram 65 anos de ataque dos EUA
Em 2010 se comemora o 65º aniversário da vitória sobre o nazi-fascismo, um feito de luta e de resistência aos povos que pôs um fim a um período de terror que marcou a história recente da humanidade. Esse aniversário também está associado, mas não por boas razões, ao primeiro bombardeio atômico de duas cidades. As japonesas Hiroshima e Nagasaki foram as primeiras vítimas da nova arma.
Por Humberto Alencar.

Na manhã de 6 de agosto de 1945, Hiroshima foi a primeira cidade do mundo arrasada por um ataque nuclear: 140 mil pessoas foram mortas instantaneamente e dezenas de milhares morreram ao longo dos anos em consequência da ação letal da radiação deixada pela explosão.

Três dia depois seria a vez de Nagasaki presenciar o desfecho de um dos crimes mais hediondos cometidos contra a Humanidade. Mais de 80 mil pessoas foram desintegradas pela explosão atômica de imediato. Os Estados Unidos haviam arrasado completamente duas cidades japonesas sem importância estratégica militar que justificasse um ataque.
A guerra no Pacífico já se encontrava em seus momentos finais. Em julho daquele ano o governo japonês já estudava as condições para a rendição, já que o país se encontrava praticamente cercado, desabastecido e destruído por sucessivos ataques aliados.
O Projeto Manhattan, que planejou e concretizou a nova arma, tinha sido concebido originariamente como um contra-ataque ao programa da bomba atômica da Alemanha nazista. Com a derrota da Alemanha, vários cientistas que trabalhavam no projeto consideraram que os EUA não deveriam ser os primeiros a usar tais armas. Um dos críticos proeminentes dos bombardeios foi Albert Einstein.
Com extrema hipocrisia, o imperialismo justifica o seu crime afirmando que poupou vidas que seriam perdidas com uma eventual invasão do Japão. O processo de revisão da História, em curso atualmente, investe na diminuição do significado e do impacto desse ato terrorista, omitindo o nome dos seus autores e diluindo os motivos reais que levaram à execução do crime.
A verdade de Hiroshima e Nagasaki tem a sua raiz na manifestação demente de poderio militar dos Estados Unidos diante do mundo, em particular diante da União Soviética, potência aliada vencedora da Segunda Guerra Mundial, procurando desta forma submeter o mundo e os povos, através da chantagem nuclear, às suas pretensões hegemônicas.
Antes de deflagrar o ataque, vários cientistas defendiam que o poder destrutivo da bomba poderia ser demonstrado sem causar mortes. Esses cientistas não foram ouvidos. A situação militar e estratégica do Japão era tão frágil que até mesmo setores do exército americano reconheciam, em um estudo, que a explosão das duas bombas foi desnecessária.
O United States Strategic Bombing Survey escreveu, após ter entrevistado centenas de japoneses civis e líderes militares, depois da rendição do Japão: "Baseado numa investigação detalhada de todos os fatos e apoiados pelo testemunho dos sobreviventes líderes japoneses envolvidos, é a opinião da Survey que, certamente antes de 31 de dezembro de 1945, e, em todas as probabilidades, antes de 1.º de novembro de 1945, o Japão ter-se-ia rendido mesmo se as bombas atômicas não tivessem sido lançadas, mesmo se a Rússia não tivesse entrado na guerra e mesmo se a invasão não tivesse sido planejada."

O bombardeio
Na madrugada de 6 de Agosto de 1945 o bombardeiro B-29, pilotado pelo coronel Paul Tibbets, decolou da base aérea de Tinian no Pacífico Ocidental, a aproximadamente 6 horas de voo do Japão. A aeronave chamava-se Enola Gay, nome da mãe do piloto.
A meteorologia determinou a escolha do dia 6. No momento da decolagem, o tempo estava bom. O capitão da Marinha William Parsons armou a bomba durante o voo, desarmada durante a decolagem para minimizar os riscos. O ataque foi executado de acordo com o planejado e a bomba de gravidade, uma arma de fissão de tipo balístico com 60 kg de urânio-235, comportou-se como esperado.
Inicialmente, o alvo seria Quioto, ex-capital e centro religioso do Japão, mas o secretário da Guerra, Henry Stimson, trocou-o por Hiroshima, por ser uma cidade situada entre montanhas, detalhe que amplificaria os efeitos da explosão.
O avião aproximou-se da costa a mais de 8 mil metros de altitude. Cerca das 8h, o operador de radar em Hiroshima concluiu que o número de aviões que se aproximavam era muito pequeno não mais do que três, provavelmente - e o alerta de ataque aéreo foi levantado.
Os três aviões eram o Enola Gay, o The Great Artist (em português, "O Grande Artista") e um terceiro avião que no momento não tinha batismo mas que mais tarde seria chamado de Necessary Evil ("Mal Necessário"). O primeiro transportava a bomba, o segundo tinha como missão gravar e vigiar toda a missão, e o terceiro foi o avião encarregado de fotografar e filmar a explosão.
Às 8h15, o Enola Gay largou a bomba nuclear sobre o centro de Hiroshima. Ela explodiu a cerca de 600 metros do solo, com uma explosão de potência equivalente a 13 mil toneladas de TNT, matando instantêneamente um número estimado de 70.000 a 80.000 pessoas e destruindo mais de 90% das construções da cidade.
Nagasaki foi atingida no dia 9 de agosto, às 11h02 da manhã. Inicialmente o plano era de jogar a bomba sobre Kokura, em Fukuoka. Mas o tempo nublado impediu que o piloto visualizasse a cidade, escolhendo a segunda opção. Os americanos não consideravam Nagasaki "um alvo ideal" porque a cidade é rodeada por montanhas, o que diminuiria a devastação de gente e de edifícios.
A bomba, chamada Fat Boy, era de plutônio 239, com potência equivalente a 22 mil toneladas de TNT, ou seja, 1,5 vez mais potente que a bomba jogada sobre Hiroshima.
As forças de ocupação dos EUA censuraram as fotos das cidades bombardeadas. Elas foram classificadas como secretas por muitos anos. O governo dos Estados Unidos queria impedir que as imagens do horror fossem vistas pelo mundo.
Símbolo da luta pela paz
O viajante que chega à moderna e povoada cidade de Hiroshima fica maravilhado com os grandes e suntuosos edifícios, hotéis e bem delineadas avenidas por onde passam milhares de veículos.
No entanto, no meio deste turbilhão deslumbrante, o visitante não pode esquecer que se encontra na primeira cidade praticamente volatizada pelo afã dos Estados Unidos de dominar o mundo.
Este impacto é recebido quando se visita e percorre o Parque da Paz, o Museu das Vítimas e a chama eterna adiante do cenotáfio negro que inscreve os nomes das vítimas do genocídio da Casa Branca para chantagear o mundo dia 6 de agosto de 1945.
A presidente do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, que está no Japão participando dos eventos em memória da tragédia, descreve por e-mail enviado à redação do Vermelho a sensação que teve ao visitar o Museu das Vítimas e o Parque da Paz: "O que os EUA fizeram não tem perdão. As pessoas derretiam literalmente. Não é aceitável o imperialismo continuar cometendo crimes contra a humanidade, como fez em Hiroshima e Nagasaki há 65 anos e recentemente em Faluja, no Iraque".
"O uso das armas de destruição em massa, além das mortes instantâneas, faz com que até a terceira geração as pessoas nasçam com mutações genéticas, sem olhos, sem órgãos, outros com cancer generalizado", relatou.
"É incrível que os EUA continuam impunes e falando em combate ao terrorismo! Os maiores terroristas da humanidade são eles! Eu fiquei estarrecida, só de ver as fotos. É inesquecível!" protestou Socorro.
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[Causa e Efeito = 2 bombas nucleares/2 torres]