sábado, 1 de maio de 2010

O Mundo dos Sonhos


Mesmo em nossa época esclarecida, a pessoa que conte seus sonhos corre o risco de ser olhada de soslaio por todos, exceto por um psicoterapeuta. Os sonhos tem efetivamente má reputação por causa da tagarelice dos perturbados emocionalmente.

O mundo físico, psicológico e psíquico dos sonhos continua sendo uma fascinante área de nossa psique, isso se aplica à pessoa regida pelo intelecto, à pessoa de tendências científicas e à que se deixa levar pelas emoções. Paradoxalmente, é na própria esfera dos sonhos que essas atitudes conscientes, descoordenadas e unilaterais, são esclarecidas.

Em alguns momentos de nossas horas de vigília, todos nós, por descuido, deixamos de perceber muitas coisas, Para a vida psíquica, isso tem o mesmo efeito que uma alimentação incompleta tem para o corpo. Os sonhos são essenciais à educação de nossa individualidade, para levá-la à plenitude e independência necessárias a esclarecer todos os talentos e funções que até o presente receberam pouca ou nenhuma conscientização objetiva.

Não é verdade que aquilo em nós de que não temos consciência é necessariamente negativo e, portanto, indesejável! Mas nossos sonhos ficam obscurecidos quando os analisamos de perto com nossa mentalidade cientifica. Tornam-se claros quando os consideramos à luz da compreensão.

Os místicos referem-se às ‘experiências de sonho’ como um estado ‘intermediário’ d consciência, que ocorre entre o sono profundo e o estado de vigília.

Por experimentos, a ciência descobriu, que o estado de sonho ocorre em breves intervalos, nos quais a pessoa vivencia o que pode se converter numa longa história quando tenta lembrá-lo. À guisa de exemplo, todos podemos recordar alguns sonhos em que estávamos envolvidos em alguma atividade que, em estado de vigília levaria horas para ser realizada. Um interesse limitado pelos sonhos, ou nossa incapacidade de recordá-los, podem ser os dois motivos principais de acharmos que não sonhamos muito. Contrariando isso, a ciência nos afirma que nós sonhamos com muita freqüência durante a noite.

SÍMBOLOS
A experiência do sonho deve vir à tona em nossa consciência objetiva, na forma de símbolos que precisam ser interpretados para que tenhamos qualquer percepção ou lembrança dela. Como todos sabemos pela experiência prática, os símbolos são difíceis de colocar em palavras.

Como exemplo, alguma vez você já tentou descrever uma cena ou um evento observado durante o dia a algum desconhecido? Talvez lembre, portanto, de quantas palavras precisou para transmitir corretamente o ‘mais simples’ detalhe! Assim também nossos sonhos, quando tentam ‘se explicar’ à nossa consciência objetiva, tem a mesma dificuldade que nós ao tentarmos explicar coisas ou acontecimentos a pessoas relativamente desconhecidas! Sem e tratando de assuntos complexos, quanto maior o tempo decorrido, mais distorcida se torna a nossa lembrança. Esse principio se aplica aos sonhos. Para que seja corretamente preservado, o sonho deve ser registrado tão cedo quanto possível.

As incessantes preocupações que tem o homem com seu mundo mental deram origem à moderna ciência da psicologia, a qual se dividiu em duas principais escolas a partir das pesquisas do Dr. Freud e do Dr. Jung.

A avaliação dos sonhos varia conforme consideremo-los do ponto de vista do sistema ‘causal’ freudiano, o nome técnico para o desejo onírico reprimido, ou do ponto de vista ‘sincronístico’ junguiano, que afirma que ‘os sonhos contêm o material subliminar do momento específico’.

A abordagem causal do Dr. Freud começa com a TEORIA DO DESEJO, anseio ou busca de realização reprimida. Embora sempre ‘comparativamente simples ou elementar’ segundo esse sistema, tais repressões ficariam ‘disfarçadas’ em múltiplas formas.

O apego a um significado invariável ou uniforme para os símbolos pode levar à atitude comum e estática da psicologia freudiana que considera todos os objetos oblongos nos sonhos como símbolos masculinos, e todos os objetos redondos ou côncavos como símbolos femininos.

OPORTUNIDADE DE EXPANSÃO
O Dr. Jung afirma que é injustificável considerar literalmente, em todas as circunstâncias, os tipos de sonhos, enquanto outros conteúdos são explicados simbolicamente. Tão logo consideremos nossos sonhos símbolos de algo possivelmente ‘desconhecido’ par a nossa mente racional no momento, nossas idéias sobre o que estão eles tentando nos revelar tem oportunidade de se expandir.

Como analogia, considerar nossos sonhos exclusivamente do limitado ponto de vista freudiano equivale a tratarmos um crônica dor de cabeça sem considerarmos a possibilidade de que ela seja o sintoma de outra coisa. Mas conferir um significado ‘fixo’ aos símbolos é o método mais difundido pela universidade americana moderna, que só ensina a Psicologia Freudiana Causal por considerá-la mais de acordo com o espírito cientifico de nossa época e seu estrito raciocínio causalista.

O estudante de misticismo tem especial atração pelas muitas obras do médico Suíço Carl Jung. Muitos místicos concordariam com o conceito junguiano de que ‘todas as imagens dos sonhos são importantes em si mesmas e por si mesmas’. Cada símbolo tem um significado especial próprio e uma razão especifica de estar incluído em nossos sonhos.

Contrariando o ponto de vista freudiano de que o sonho é essencialmente uma consecução almejada, um místico pode concordar com Jung, que diz: “ O sonho é uma auto-retratação, em forma simbólica, da real situação do inconsciente’.

Analisemos essa profunda afirmação.

“PROCESSO DE INDIVIDUAÇÃO’
Do ponto de vista sincronístico de Carl Jung, o símbolo onírico tem mais o valor duma ‘parábola’ ou ‘alegoria’, pois ‘não’ tenta disfarçar o que está tentando transmitir; antes, ‘ensina-nos’ a mudarmos a compreensão de nossa psicologia, a ‘vermos’ as coisas dum ponto de vista totalmente diverso. É altamente desejável que compreendamos o conteúdo simbólico de nossos sonhos para que alcancemos um relacionamento saudável e ‘bem-equilibrado’ entre nosso estado consciente e inconsciente de ser. Jung chama a isso ‘processo de individuação’, e um místico pode chamar de ‘tomada de consciência do Cósmico’ ou ‘harmonização com o Mestre Interior’.

O que já ouvimos ou lemos sobre os sonhos constitui, na maior parte, a interpretação ‘causal’ ou fixa dos símbolos, interpretação essa repetida infindavelmente em livros bem-intencionados. Quando aceitamos ‘somente’ essas interpretações, o conteúdo do sonho perde muito de seu valor como uma mensagem especial e pessoal para nós.

Cada ser humano é único no que se refere ao seu mundo onírico. Mesmo os gêmeos siameses podem ser distintos em seus sonhos! Por conseguinte, o ‘sonho típico’ é extremamente raro, mas, apesar dessa raridade, existe ‘efetivamente’ na forma dum ‘tema’.

A importância do tema ‘dum sonho típico’ acima citado está na comparação que podemos fazer com os temas inclusos em mitologias, contos de fada e na alquimia medieval e oriental. A alquimia chinesa é especialmente rica nesse particular. Os contos de fada infantis podem ganhar novo significado para nós, adultos, se mudarmos nosso modo de encará-los.

No outro lado do espectro dos sonhos, o filósofo Nietzche propôs a noção de que ‘os sonhos [as imagens dos sonhos] devem ser considerados um modo de pensamento filogeneticamente mais antigo’. Em outras palavras, assim como o organismo retém traços de seu desenvolvimento arcaico [como os diminutos músculos que fazem arrepiar nossos pelos], assim também a mente humana guarda vestígios de um arcaico modo de pensamento. Esses vestígios primordiais, embora não mais percebidos conscientemente, ainda colorem o material inconsciente que emerge à superfície de nossa consciência. Os conseqüentes símbolos oníricos provêm duma esfera em que o tempo e o espaço não parece que possuem algum conjunto de padrões. Vestígios de ‘pensamento’ primitivo antigos, e às vezes até inúteis, podem ser inseridos em nosso conteúdo onírico por associação casual, ou podem ser causados por nosso estado mental no momento do sonho.

Mas, na verdade, não nos deveria surpreender tanto o fato de que a linguagem figurada dos sonhos seja um vestígios de nossos primeiros ancestrais. Entretanto, nossos sonhos contêm reflexos apenas de certos conteúdos do inconsciente universal como um todo. Esses certos conteúdos ou conteúdos parciais estão concatenados associativamente e são selecionados por nosso estado de consciência no momento do sonho.

COMPLEMENTAÇÃO

Parece bastante óbvio, portanto, que, melhor interpretemos nossos sonhos, precisamos saber em que nossa consciência estava centralizada não somente no momento do sonho, mas durante o dia anterior também. O Dr Jung diz:’O sonho contém seu complemente inconsciente, os materiais que a situação consciente agrupou no inconsciente.’

Em outras palavras, aquilo que nos ocorreu no dia anterior e que só foi parcialmente percebido [com avaliação excessiva ou escassa] tenderá a ‘complementar-se’ ou a revelar à situação consciente outro lado por meio do veículo de nossos sonhos.

A complementação é uma forma de ‘compensação’, pois fornece o necessário equilíbrio para uma personalidade plenamente integrada. Mas é exatamente nesse ponto que a maioria de nós fica enrascada por adotar clichês como ‘pessoas tristes devem ter sonhos alegres’. Infelizmente para nós, esse não é o caso, porque algumas compensações em sonhos tomam a forma ‘redutiva’ de ‘combater fogo com fogo’.

Por exemplo: quando algum de nós tem sonhos consideravelmente piores que a situação consciente do momento, só o impacto do sonho já nos pode fazer alterar nossa percepção consciente e nos fazer enxergar uma perspectiva diversa, bastando que nos ocorra a percepção de que ‘as coisas poderiam ser piores’. Na realidade, os sonhos buscam nos fazer examinar nossos problemas e nossas atitudes conscientes, os quais podem não estar em harmonia com as coisas em sua verdadeira forma.

Precisamos lembrar aqui [algo de que às vezes nos esquecemos] que o caráter dos sonhos compensatórios não pode ser isolado de nosso Eu, de nossa individualidade. Aquilo que se presta a ensinar um homem nem sempre se presta a ensinar outro. Grande verdade é que mesmo a interpretação ‘profissional’ dos sonhos não é segura.

SONHOS ANTECIPATÓRIOS
Nossos sonhos podem nos revelar nossas antecipações futuras. O Dr. Jung rotula esse tipo de sonho de antecipatório; mas essa função não deve ser entendida como profética, pelo menos não mais que o diagnóstico dum médico ou uma previsão do tempo. Como cabemos, essas previsões nem sempre se concretizam!

Igualmente, o sonho antecipatório, como uma combinação antecipada de probabilidades, pode coincidir com o resultado ‘real’ de acontecimentos [de coisa], mas não precisa necessariamente coincidir nos mínimos detalhes. Como os sonhos em geral podem recorrer ao conhecimento superior dos vestígios subliminares de memória não mais acessíveis a nós conscientemente, estão em melhores condições de prever ou prognosticar. Mas esse conhecimento superior não deve ser convertido num olho-que-tudo-vê, como alerta o Dr. Jung, pois os processos de ‘consciência e inconsciência’ devem ser considerados ‘partes iguais de um todo’. O místico O místico perceberá que isso se harmoniza bastante com sua noção de dualiade.

Os ditos sonhos ‘psíquicos’, ao contrário dos sonhos induzidos fisicamente ou psicologicamente, ‘sempre são impessoais’, e estimulam nossa natureza superior, espiritual. Quando não há outro meio de aprendermos algo importante para o nosso desenvolvimento espiritual, podemos nos tornar recipientes de sonhos muito especiais. Tais sonhos não requerem uma interpretação objetiva para que compreendamos seu significado. Entretanto, a compreensão de seu conteúdo, quando não imediata, ocorrerá oportunamente, num modo bastante racional e equilibrado.

Quando alcançamos um nível de consciência em que não mais nos sentimos culpados ou temerosos por causa do conteúdo de nossos sonhos, podendo então considerá-los mais como ferramentas de aprendizagem, estamos perto do desapego compreensivo necessário ao progresso místico regular.

Os sonhos constituem um tema sumamente complexo, que um breve artigo não pode passar de um mero esboço. Contudo, queremos acentuar que a teoria dos sonhos elaborada por Jung ‘não’ derruba a ‘psicologia de tendência personalística’ brilhantemente concebida por Freud: simplesmente acrescenta um fator impessoal, um principio de conexões ‘acausais’, chamado por Jung de ‘sincronicidade’.

Um psicólogo americano, Erich Fromm, destacado discípulo de Freud, escreveu um dos mais interessantes e úteis livros sobre os sonhos, “A Linguagem Esquecida” , editado em 1951. Não obstante, o leitor deve ter cautela com as afirmações de Fromm a respeito da psicologia junguiana dos sonhos. O conteúdo dessas afirmações revela sua falta de familiaridade com as então muito escassas traduções das obras d C.C.Jung. Fromm chegou independentemente a quase as mesmas conclusões de Jung sobre a importância universal da linguagem dos sonhos.

Concluindo, esta introdução à psicologia junguiana dos sonhos visa transmitir a importância de considerarmos nosso mundo dos sonhos um mundo tão valioso quanto o nosso mundo racional, consciente. Conferir a nossos sonhos toda ou nenhuma importância equivale a sermos personalidades superficiais, estreitas, uma condição muito aquém da vida plena e harmoniosa que aspiramos.
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[Texto de B.J.Schaa]

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Azul, Vermelho ou Verde – de que tipo é você?


Todos nós temos um comportamento mais destacado – o modo pelo qual habitualmente interagimos com as outras pessoas. Nosso modo de comportamento baseia-se nos diferentes modos de pensar e sentir, que levam a diferentes modos de agir. Embora os seres humanos sejam por demais complexos para serem rotulados, podemos descrever certos tipos genéricos e classificar a nós e aos outros no espectro dos variados tipos interpessoais.

Alguns indivíduos se relacionam muito bem com os outros. Gostam de trabalhar em conjunto, num ambiente caloroso e amigável. Sensíveis às necessidades dos outros, esperam que os outros sejam sensíveis às suas. Esses indivíduos estabelecem objetivos elevados para si e para os outros, e darão 110 por cento de si a um projeto ou causa se perceberem a importância do empreendimento. Os indivíduos que se enquadram nessa classe podem ser chamados de ‘Ajudantes Zelosos’. Se fossemos escolher uma cor para eles, ela seria o azul – ‘azul natural’.

Outro grupo de pessoas, que chamaremos de ‘Realizadores Decididos’, adoram desafios e competições. Gostam de assumir responsabilidades e lutarão para conseguir o controle de um grupo. Reconhecendo que alguém possui maior competência técnica ou que ocupam um cargo de poder, podem se submeter a ele, porque, valorizando o poder e a competência como fazem, respeitam essas qualidades nos outros. Tomam decisões rapidamente e enfrentam conflitos diretamente. Gostam de controlar recursos, de tr autoridade para realizar trabalhos e de ser livres para estabelecer suas próprias prioridades. Se fôssemos escolher uma cor para os ‘Realizadores Decididos’, ela seria o vermelho – ‘vermelho intenso’.

O terceiro grupo é o das pessoas calmas e racionais. Gostam de trabalhar com dados e minúcias, e tomam decisões a partir de informações. São lentas no falar, porque valorizam a exatidão, e querem estar certas de que refletiram muito sobre um problema antes de assumirem uma posição. Essas pessoas podem ser tímidas e reservadas em situações sociais e com freqüência sentem-se pouco à vontade em situações emotivas. Chamamos esse grupo d ‘Pensadores Lógicos’; Sua cor é o verde – ‘verde claro’.

Todos os três tipos são mais ou menos eficientes, dependendo das exigências da situação. Possuem um conjunto de capacidades e, paradoxalmente, cada qual pode fracassar quando excessivamente pressionado.

Os pontos fortes dos ‘Azuis Naturais’ são: a busca de qualidade e perfeição, o reconhecimento da necessidade dos outros, a capacidade de conseguir a colaboração de outrem, a focalização em objetivos relevantes e o idealismo. Quando os ‘Ajudantes Zelosos’ recorrem demasiadamente a essas capacidades em que são fortes, podem se tornar perfeccionistas e moralistas. Não conseguindo agir segundo seus padrões, sentem-se culpados e podem oportunamente transferir esses sentimentos de culpa aos outros também. Ás vezes, quando colocam a necessidade dos outros acima das suas, acham que foram explorados e, em análise retrospectiva, desejariam ter feito o que fizeram. A menos que acreditem ser preciso defender um principio, quase não toleram conflitos. Lutarão para defender o que acreditam ser certo ou justo.

CAPACIDADES ESPECIAIS
Os ‘Vermelhos Intenso’ são especialmente fortes em determinação, integralidade e orientação de ações. Dispõem-se a correr grandes riscos e acolhem de bom grado desafios e novidades. Suas fraquezas potenciais residem em tomar decisões prematuras, que às vezes se devem à falta de paciência para esperar todas as informações, e lês podem se comportar de modo dominador e autoritário. Às vezes assumem muitas coisas apenas para provar que elas podem ser realizadas; assim, seus esforços ficam dispersos. Dedicando-se a uma tarefa, os ‘Realizadores Decididos’ podem esquecer as necessidades interpessoais.

Metódicos e coerentes, os ‘Verdes-Claros’ são excelentes na coleta de informação e análise de dados. Gostam do que já foi testado e que se provou verdadeiro, e fazem modificações com calma e firmeza, construindo o futuro com base no passado. Sempre tem um olho voltado para as conseqüências. Gostam de ordem e sistema, e com freqüência são autores de manuais de procedimentos, os criadores de orçamentos e os analistas que realizam estudos de permutas. Em sua preocupação com detalhes, podem se tornar tão enredados na busca de informações adicionais, que ficam paralisados em análises e se tornam incapazes de tomar decisões dentro do prazo. Porque lidam com fatos, podem se tornar por demais detalhistas, um comportamento e especialmente irritante para um ‘Vermelho Intenso’, que pouco se interessa por detalhes. O empreender com método mudanças só pode cristalizar em oposição.

Há vários meios de determinar o estilo interpessoal de ação da pessoa. Um deles é observar o comportamento. Algumas pessoas usam de um estilo com tanta persistência, que é relativamente fácil apontar seu estilo dominante. Outros podem servir-se duma fusão de dois estilos, e outros têm tanta flexibilidade, que se tornam quase completamente adaptáveis na utilização do estilo. Escolhem o que acham que funcionará num situação específica, com algum indivíduo ou algum grupo. Algumas pessoas possuem um ‘estilo principal’, usado quando as coisas vão bem, e um ‘estilo secundário’, por elas trazido à tona quando seu estilo principal não está funcionando.

EM QUE PONTO DO ESPECTRO?

Outro meio de determinar o estilo de um indivíduo é observar o ambiente que ele cria para si. Por exemplo, os ‘Azuis Naturais’ gostam de móveis e decorações informais’. No escritório, podem colocar nas paredes fotos de paisagens, pinturas de cenas naturais, ditados, fotografias da família, troféus e diplomas. Os ‘Vermelhos Intensos’ posicionam os móveis de modo que tenham controle e domínio. A sala em que trabalham pode estar com um amontoado de coisas – os indícios de todos os projetos em que estão envolvidos. Nela também terão diplomas e troféus, e às vezes retratos em que estão com personalidades importantes ou em que ganharam algum prêmio. Os ‘Verde-claros’ geralmente possuem escritório bem organizado. Nas paredes, colocarão calendários d planejamento, diagramas ou arte não-figurativa. Escritório típico de um ‘Verde-Claro’ é o do engenheiro eletrônico que tem na parede uma foto ampliada de seu mais recente microcircuito, ou na mesa uma peça de ‘hardware’.

O método mais preciso de determinar o estilo de uma pessoa é entregar-lhe um questionário de avaliação que apresente descrições de comportamento e que leve a pessoa a indicar os comportamentos que mais ou menos se assemelham ao dela. O resultado é um perfil que representa a auto-percepção do indivíduo. O próximo passo é pedir a três ou quatro pessoas, que conheçam bem o indivíduo, que completem a avaliação, a fim de confrontar a autopercepção com a percepção dos outros. Existem no mercado vários desses testes de percepção, muitos dos quais devem ser ministrados por alguém qualificado. O questionário que corresponde melhor aos estilos de personalidade apresentados neste artigo é o ‘Questionário de Avaliação de Atribuições’ [‘Strenght Deploymente Inventory’], criado por Elias Porter, Ph.D.

Muitos benefícios se colhem da compreensão de nosso estilo de relações interpessoais e da determinação do estilo dos outros. Pesquisas revelam que pessoas que compreendem-se a si mesmas e percebem os fortes e fracos de seu estilo são mais eficientes, porque podem maximizar seus fortes e estar alerta aos indícios de que estão usando excessivamente essas capacidades. Trabalhos em equipe são estimulados quando os integrantes reconhecem as capacidades e as diferenças de estilos dos outros. Os Azuis Naturais e os Verde-Claros necessitam dos Vermelhos Intensos para levar adiante empreendimentos. Os Vermelhos Intensos e os Verde-claros necessitam dos Azuis Naturais para lembrá-los de que as pessoas são os nossos mais importantes recursos. Os Vermelhos Intensos e os Azuis Naturais necessitam dos verdes-claros para mantê-los conscientes de fatos e cifras.

Compreender o estilo aumenta a eficiência de comunicação do indivíduo, porque, tendo compreendido o estilo mais comum dos outros, sabemos quais procedimentos são mais eficazes e que tipos de preocupações dominam sua mente. Por exemplo, um Azul Natural sempre deseja saber ‘que efeito isso terá nas pessoas?’; um Vermelho Intenso pode perguntar: ‘Onde está o desafio?’; e a principal preocupação do Verde-claro é: ‘Quanto custará?’. ‘Isso já deu certo antes?’. Em nossos processos de comunicação é possível ajustar nosso estilo natural a um estilo mais compatível com o daqueles que nos cercam. Isto é análogo a sintonizar num rádio de avião a freqüência correta para falar com a torre de controle de tráfego aéreo.

Nossos estilos de comportamento são o resultado de fatores genéticos e de influencias ambientais. O grau em que o estilo pode ser modificado é ainda um tema controvertido entre os cientistas do comportamento. Muitos sustentam que quanto mais amplo for o alcance de estilos de comportamento em nosso cabedal, mais eficientes seremos em alcançar os resultados que desejamos no trabalho com os outros e por meio deles, contanto que seja boa nossa habilidade em determinar o estilo apropriado para a situação. O fato mais relevante, porém, é o de que muitos indivíduos conseguiram ampliar sua escala de estilo, segundo as exigências de comportamentos diferentes que a vida ou o trabalho impôs.

Azul, Vermelho ou Verde – talvez todos possamos aprender a incorporar em nossa personalidade os aspectos mais positivos de cada um desses estilos, tornando-nos assim indivíduos mais dinâmicos e flexíveis.
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[Texto de Bobette Williamson, professora de Técnicas de Comunicação Interpessoais, Liderança, Chefia e Relações Humanas, na Universidade da Califórnia.]

terça-feira, 27 de abril de 2010

Física Atual – Ciência ou Filosofia



No berço, a ciência, nascida que foi da filosofia, tinha no seu acervo bastante conhecimento intuitivo, e os contatos objetivos não eram mais do que os necessários à comprovação da lei natural intuída. Mas cresceu, ganhou corpo e desligou-se de sua mãe, chegando até a impedir que ela tivesse ingresso no seu santuário. Pois ciência era resultado d observações metódicas, medidas precisas e equações matemáticas; não havia lugar para medições filosóficas ou verdades intuídas.

Com o advento da TEORIA DA RELATIVIDADE, de Einstein, e as descobertas de partículas duais no domínio do átomo, sta posição foi abalada. O espírito especulativo não é estranho à ciência de hoje. Admitimos que grande parte do trabalho prospectivo requer simplesmente medidas cuidadosas e pensamento lógico. No entanto, os avanços mais importantes têm surgido invariavelmente de intuição súbita, e, nestes casos, o trabalho do cientista não difere do de um escritor, pintor ou compositor.

A ciência atual não constitui a verdade última, mas responde a um número muito maior de fatos experimentais e, embora possa ter limites, ainda não vislumbramos. O seu relacionamento com a verdade, como entendida pela filosofia, não é essencial, pois uma dada lei natural atua independentemente da exatidão ou precisão do modelo cientifico que a descreve. A partir do momento que colocamos os estímulo corretos na ordem certa, conscientemente ou não, a lei atua, não porque o modelo cientifico está correto, mas sim porque a lei natural age independente de nossa vontade e conhecimento. Isso acontece por entendermos que ciência é um conjunto, organizado de forma metódica e sistemática, de descrições da natureza de acordo com modelos criados pelo homem.

Em que ponto estamos? Será lítico pensar que passou o tempo das surpresas e das descobertas? Temos certeza que não, pois nunca sabemos o que omitimos, até que se torne de fato evidente.

Ainda existem questões não respondidas de forma totalmente convincente. Por exemplo, levantamos um lápis, o mesmo adquire energia denominada potencial. Onde está armazenada essa energia? Nas moléculas do lápis, no campo gravitacional entre o lápis e a Terra? Não sabemos, podemos apenas especular. Outra: o principio da conservação da carga elétrica estabelece que estas não podem ser criadas ou destruídas, embora iguais quantidades de carga positiva e negativa possam ser simultaneamente criadas por separação! Separadas de onde? Quanta energia é necessária para reunir duas meias cargas criando uma? Podemos intuir – surgem do Um, que é positivo e negativo, e no ato da criação surgem ambas as polaridades. Mas isto é intuição, ou melhor, verdade mística. Introduzimos na ciência conhecimento místico! Este, no nosso entender, é o caminho.

Como vemos, não conhecemos nem compreendemos realmente o Universo em que vivemos. Hoje duas TEORIAS se salientam – a da Relatividade e a Quântica.

Ambas se mantêm incólumes, mas governam domínios diferentes. A matéria, como um todo, a descrevemos com Gravidade e a Teoria Geral da Relatividade de Einstein, as quais têm-se mostrado bem convincentes. O mundo atômico é descrito pela Tória Quântica da matéria e radiação. Uma teoria para o macro e outra para o micro! Até quando irá permanecer esta separação? Têm-se realizado muitas tentativas para unificar estas duas teorias, mas as dificuldades são enormes, por serem diferentes em espírito. A teoria exposta por Einstein acrescentou o tempo às três dimensões físicas do espaço e relacionou-as com a velocidade, e a matéria passou a ser uma perturbação no ‘continuum’ espaço-tempo. A Teoria Quântica aboliu o termo ‘é’ e recusa-se a descrever a realidade, oferecendo simplesmente a previsão dos resultados de nossos experimentos, ou seja, vivemos no mundo do ‘é provável’.

Para o físico moderno a sua realidade é diferente de sua percepção, sendo esta função do espaço-tempo, que por sua vez depende da velocidade; além dessa dualidade existe a do campo-matéria. Podemos citar a opinião de James Jean, astrônomo e matemático, como exemplo desta nova posição: “A tendência da Física moderna é reduzir o Universo inteiro a ondas e exclusivamente a ondas. Essas ondas são de duas espécies: ondas cativas, que chamamos matéria, e ondas livres, que denominamos irradiação, ou luz. Estes conceitos reduzem o Universo inteiro a um mundo de luz potencial ou real”.

Releiam esta citação, substituindo o termo onda por vibração.

Esta sempre foi a posição mística. Portanto, os próximos passos da Física a levam de volta a sua origem – a filosofia – ou, como achamos melhor, ela nunca esteve fora de sua origem, pois o conhecimento é um, as separações e rótulos são arbitrários e impostos por nós na nossa limitada visão do mundo.
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[Texto de Jorge Monteiro Fernandes].

Pelo Poder ...


Era comum os antigos governantes abrirem um decreto com as palavras: “Pelo poder a mim conferido, decreto que...”. A idéia por trás dessa frase e de frases análogas era a de que, pelo poder decorrente do cargo exercido, o governante decretava que certas coisas fossem feitas.

É notável o fato de que na maioria dos casos esses governantes não tinham outro poder de impor seus decretos ou exigir resultados além do das forças armadas. Individual e pessoalmente, raras vezes possuíam suficiente capacidade física ou mental para combater os ataques do menor de seus servos. Mas tão grande era o poder do cargo e da autoridade, que as nações muitas vezes tremiam de medo ante um decreto.

Esses autocratas, seguros em sua fortaleza protegida e onipotentes com um poder alheio ao seu próprio ser, às vezes viam-se dominados pela influência controladora duma mente poderosa.

Através da História constatamos registros de conquistas extraordinárias e de vitórias maravilhosas de homens e mulheres que possuíam e exerciam um poder que não era físico e que não dependia do organismo. Tais pessoas dominaram reis, potentados e governantes, e dominaram nações e impérios com sua personalidade magnética e com um poder invisível aliado à capacidade de conseguir realizar seus desejos.

Que é esse poder e de que modo pode ser exercido?

Em primeiro lugar, devemos compreender que o poder maior e mais extraordinário deste lado do círculo cósmico reside no próprio ser espiritual do homem. Qualquer poder ou capacidade física que o homem herde de ancestrais saudáveis, e qualquer poder que adquira ou desenvolva em seu corpo físico, a direção e o exercício do poder depende, afinal, da mente em seu corpo.

Aliás, a mente do homem possui a capacidade e a função natural de atrair para si, a seu auxilio e necessidades, um poder que às vezes o homem pouco compreende.

O homem essencialmente é uma contraparte de Deus – criado à semelhança espiritual de Deus. A certo grau, Deus conferiu ao homem SEU poder diretivo e criativo.

Consideremos analiticamente a questão. Temos o corpo físico do homem: argila, o ‘sal da terra’, um conjunto extraordinário de órgãos, um mecanismo maravilhoso. Por si mesmo e em si mesmo, o corpo não possui nem mesmo força suficiente para manter juntas suas células individuais ou para manter-se ereto sem o poder que reside somente na consciência espiritual ou no corpo psíquico dentro do corpo físico.

O corpo psíquico, invisível para a maioria e reconhecido por poucos, é o poder divino, o único poder que o homem possui. O corpo físico é seu mero instrumento, seu mecanismo grosseiro, para a realização de apenas algumas das atividades que deveriam constituir ocupação do homem.

Podemos comparar essa combinação aos grandes motores elétricos de grandes fábricas. O criador desses motores trabalhou cuidadosa e diligentemente para projetar e elaborar as minúcias mecânicas e técnicas,acrescentando até beleza e graça à aparência, mas tendo sempre em mente dois objetivos fundamentais: que o motor deveria funcionar adequadamente e que seria o instrumento de poder a ser nele infundido quando estivesse terminado.

A VITALIDADE É INSUFICIENTE

Mas enquanto percebeu que nenhum motor é maior que o poder que opera através dele, o homem passou a considerar seu corpo, e suas demonstrações de poder, como uma criatura independente, que possui em sua constituição física um poder que não se relaciona com a fonte divina de todo o poder.

Na verdade, o homem percebeu que suas capacidades pessoais e suas atividades físicas dependem da vida, daquela energia misteriosa que distingue os seres animados dos inanimados. Mas raramente ele percebe que a vida, como uma vitalidade do corpo, não é o poder diretor que lhe confere seus outros poderes. Pensem num corpo humano num estão inconsciente. A vida, como vitalidade, como energia e ação química, ainda está presente; mas o homem é impotente. A vida, como vitalidade do corpo, não basta para fazer do homem um ser poderoso em toda a sua Herança Divina.

A mente, o segmento inseparável da Vontade Divina, que reside no homem como principio criativo, deve operar para que o homem possa utilizar e demonstrar o seu real poder.

O homem tem a capacidade de dirigir seu maravilhoso poder criativo, em ondas invisíveis, a todas as áreas do corpo e a todos os pontos exteriores do corpo. Quando decidimos pegar uma caneta de cima da escrivaninha, nossa mente dirige aos músculos do braço e dos dedos o poder de fazê-los se mover. Maior poder é dirigido a essas partes quando decidimos levantar um objeto que pese cinqüenta quilos.

Quando o homem pensa, medita, visualiza e cria imagens mentais, está dirigindo ondas de poder criativo a seus centros mentais. Essas ondas são ondas de energia e poder. Elas podem ser dirigidas a um ponto exterior à consciência de modo mais uniforme e seguro que as ondas de rádio podem ser dirigidas duma estação transmissora.

Mas, repetimos, só poucos reconhecem e apreciam esse fato, disso decorrendo à crença errônea de que o poder físico demonstrado pelo corpo é o único poder que o homem possui e o único modo pelo qual o poder pessoal pode se manifestar.

Quando o homem reconhecer que pela concentração da mente num ponto, num principio, num desejo se irradiando a esse ponto um poder dotado de natureza criativa, pensará mais cuidadosamente, mais construtivamente e mais eficientemente. Então, a semelhança e imagem de Deus despontará na consciência do homem, para sua maior glória e para a eterna adoração do seu Criador.
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[Texto de H.S.L]

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O Sucesso na Senda _Cinco Atitudes Essenciais que Contribuem para...


A viagem pela Senda da Iluminação leva toda uma vida. Não se alcança a meta rapidamente. Não há métodos fáceis que, como num passe de mágica, permitam atravessar grandes distâncias com notável rapidez. A cada objetivo atingido, o viajante percebe outro mais além, que o incita para a frente.

Embora haja períodos de progresso aparentemente rápido suscitados por períodos de aparente estagnação, são meros indícios da percepção algo desconexa dum processo subjacente que se prova firme e cumulativo. Só se pode progredir passo a passo, hora a hora, dia a dia. Os passos na Senda são os pensamentos, sentimentos e ações do indivíduo. Esses, por sua vez, levam o indivíduo a experiências que contribuem para o desabrochar da rosa da alma – as lições que acarretam iluminação por criarem um portal para a Luz.

UMA ROTA MAIS DIRETA
Os visitantes da Senda logo descobrem a futilidade de procurarem atalhos que visem evitar experiências necessárias. Entretanto, é bastante razoável e mesmo admirável que eles se assegurem de que estão tomando a rota mais direta – não para evitar esforços, mas para focalizar, para concentrar suas energias.

Essa rota mais direta para a iluminação é construída sobre um alicerce psicológico e filosófico. Contrariamente às opiniões de muitos, esse alicerce subjacente não é composto de ensinamentos ou métodos, pois mesmo embaixo deles existe uma subestrutura: ‘atitudes’. As atitudes possuem componentes, afetivos e comportamentais. Podem determinar o modo como a pessoa pensa, sente ou age. Em suma, pode-se afirmar seguramente que as atitudes dão lugar a percepções e à correta utilização da técnica. As atitudes influenciam diretamente o modo de o estudante da vida mística encarar e dominar as tarefas necessárias ao desenvolvimento da personalidade anímica.

Estou declarando que certas atitudes são fundamentais à compreensão mística e ao autodomínio. Qualquer tentativa de catalogar essas atitudes essenciais exemplificadas na busca bem-sucedida de realização mística logo resultaria numa lista considerável. Por outro lado, vários desses itens se provariam pouco importantes para a maioria das pessoas. Muitas das atitudes necessárias são criadas a partir de intuições adquiridas somente após longo e árduo esforço.

Além disso, a maioria das intuições são percepções destinadas ao individuo apenas. São muito pessoais, aplicando-se exclusivamente à vida do próprio estudante. Outras intuições tendem a ser situacional e temporalmente específicas e, por conseguinte, têm pouco aplicabilidade geral. Existem, porém, inúmeras atitudes essenciais comuns aos viajantes da Senda, atitudes adquiridas por todos em algum ponto de jornada. Nesse sentido, elas são fundamentais. Consideraremos apenas cinco delas.

Antes, porém, é fundamental que o estudante imprima profunda e indelevelmente na consciência o conceito de que sempre existem duas causas para tudo. Qualquer fenômeno deve resultar necessariamente duma causa ativa e duma passiva, sendo produto da união dos aspectos positivo e negativo.[Estou, obviamente, usando positivo e negativo em seu sentido místico, e não como atribuição de valores]. Deve haver duas causas para produzir uma manifestação, que ocorre no ponto de união delas. Podemos usar uma analogia algo tosca: um depósito bancário é uma manifestação. Não pode consistir apenas no dinheiro; o banco é igualmente necessário.

ATITUDE PARA COM A CAUSAÇÃO
É importante compreender que qualquer situação é produto de algum fenômeno e da percepção pela consciência humana. Se não compreender claramente a dualidade da causação, o estudante tenderá a se concentrar apenas numa das causas, geralmente a mais óbvia. Assim fazendo, deixa de perceber os níveis mais profundos da causação, todo o escopo da força causal por trás duma ocorrência. Deixando de considerar a abrangência da causação e atribuindo realidade a uma só das causas, o estudante valoriza demais um único aspecto. A conseqüência é uma perda de perspectiva.

A pessoa que compreende a necessidade de duas causas tem melhor compreensão do EU. Geralmente, essa pessoas analisa algo ocorrido em sua vida, estando, portanto, alerta para reconhecer o papel que a personalidade desempenhou na causação do evento: o modo pelo qual ela compartilha responsabilidade.

ATITUDE PARA COM MUDANÇAS
A outra atitude essencial, relacionada a primeira, envolve as mudanças. Não só com a cabeça, mas com o coração também, o estudante deve compreender e aceitar as mudanças. Poucas coisas são tão estagnantes para a criatividade humana individual ou coletiva, tão deletéreas para o desenvolvimento social ou pessoal, que o apego errôneo a uma situação de ‘para todo o sempre’. As pessoas trabalham uma vida inteira visando a uma aposentadoria, achando-as às vezes vazia, mesmo fatal. Outros labutam incessantemente para criar algo, acham que sua criação é tudo o que elas desejavam – mas continuam insatisfeitas. Muitas acham que, tendo conseguido as coisas almejadas, será ocasião de as desfrutar. Mas não é assim: a mudança é a lei.

Assim como positivo e negativo continuamente se combinam e recombinam para produzir novas manifestações, assim também o estudante deve sondar e procurar compreender um mundo em contínua renovação ao seu redor. Se existem benefícios incidentais ao febril caminhar da civilização moderna, um deles é o de que a civilização força os seres humanos a compreender a transitoriedade e instabilidade de criações materiais e sociais. Os estudantes avançados já sabem isso e compreendem plenamente que não é só o mundo exterior que muda constantemente: eles também mudam.

Os desejos, objetivos e aspirações, todos passam por mudanças de acordo com o desenvolvimento e expansão da consciência. Um novo ser encara um novo mundo a cada manhã.

Conseqüentemente, os que encaram com seriedade o desenvolvimento pessoal não deixam de examinar diariamente sua filosofia pessoal à luz de nova experiência, porque sabem que a filosofia de ontem é inadequada para o viver de hoje. Todo estudante busca a perfeição, mas, ao mesmo tempo, não esquece que o próprio conceito de perfeição está evoluindo. Dentre todas as pessoas, os místicos não nutrem nenhuma expectativa de um mundo em que as coisas permaneçam como estão. Devem ter suficiente certeza em si para viver confortavelmente num mundo que está em contínua transformação, tendo uma atitude construtiva para com os problemas e oportunidades de cada novo dia.

Viajantes experientes na Senda acolhem de bom grado as mudanças como veículos de desenvolvimento. Com efeito, compreendendo as mudanças, transcendem a mera aceitação e procuram participar do processo, orientando as mudanças para benefício próprio e dos outros. Não encontraremos o adepto desejando o retorno do passado, nem o encontraremos lutando contra a mudança em defesa dum presente estático. Encontrá-lo-emos totalmente imerso no ativo presente, enquanto trabalha com ardor e sapiência pelo futuro. Ele é um agente de mudança compreensivo, disposto e entusiasmado.

ATITUDE DE AUTOCONFIANÇA
O componente de caráter conhecido como autoconfiança é a terceira atitude essencial, que flui diretamente do conceito de EU do estudante. Mas por autoconfiança não insinuo que os estudantes devem ser egocêntricos, nem que não devem auxiliar seus semelhantes, nem que não devem cumprir as obrigações sociais de bons cidadãos. Muito pelo contrário.

A autoconfiança tem estreita relação com qualidades como a coragem, a determinação interior e o profundo senso de responsabilidade. Os verdadeiros místicos sabem que nenhuma resposta advém de outras pessoas ou de outros lugares que não do seu próprio interior, do EU. Escutam atenciosamente os outros, dedicam-se ao estudo e investigação e partilham suas experiências com outros. Na medida m que façam suas as experiências de outros, aprenderão valiosas lições. Mas todas as respostas que eles buscam estão em seu interior, devendo, pois, buscá-las aí.

Não pedindo a ninguém mais as percepções que ele mesmo deve conseguir, e não recorrendo a ninguém mais, o estudante fita diretamente o rosto da pessoa que tem as respostas secretas – toda vez que se senta diante do ‘espelho’. Sabe-se que o eu é uma extensão do EU DIVINO. Não é ele o corpo, nem quaisquer posses, nem qualquer acúmulo de conhecimento, nem quaisquer conquistas pessoais. O estudante é o eu - uma humilde extensão da consciência divina. É para o u que ele busca toda a realidade. Isso é um componente duma filosofia corajosa e não se destina a todos. Um número enorme de pessoas buscam alguém de que possam depender. O estudante deve depender do EU. Como um corolário dessa atitude, o estudante não procura impor aos outros suas crenças pessoais, nem tenta fazê-los pensar segundo ele próprio.

ATITUDE DE IMPESSOALIDADE
A impessoalidade é a quarta atitude essencial, de vital importância, sendo uma das mais difíceis de ser alcançadas. O termo impessoalidade, por seu uso no mundo dos negócios e da burocracia, passou infelizmente a ter uma conotação de ‘frieza’, ‘insensibilidade’, ‘despreocupação’. Para o místico, porém, o termo significa algo muito diferente. A impessoalidade é uma fonte de compreensão e poder.

Agindo de modo pessoal, os seres humanos tendem a bancar deuses. Mesmo quando estão sinceramente tentando auxiliar os outros, as pessoas se acham no direito de controlar os receptores de seu auxilio, escolhendo os meios e os objetos de auxilio de acordo com padrões de julgamento estreitos e pessoais. Em outras palavras,eles escolhem a quem auxiliar e qual o auxilio que devem prestar. Manifestam a tendência de determinar o que a outra pessoa ‘deve’ fazer ou de sugerir o modo de elas viverem ‘melhor’. Na grande sabedoria do indivíduo, torna-se muito fácil desejar fazer evoluir a compreensão dos outros, significando com isso, naturalmente, tornar a compreensão dos outros muito parecida com a sua. Não estará em todas essas coisas presumindo demais aquele que auxilia?

É muito melhor ser impessoal. Permitam-me usar outra analogia, muitas vezes usada na instrução do místico: a da humildade vela. Alguns de nós seríamos muito felizes se a chama duma vela começasse a proporcionar luz só aos julgados dignos, ou se concluísse quais de nós precisam de luz, de calor, ou, ainda, se passasse a nos aconselhar sobre como usar sua luz. Mas não: a vela não nos pergunta quem somos, como vivemos nem mesmo o objetivo nosso para o uso de sua luz. A vela simplesmente ilumina de modo impessoal, sem nos impingir sermões, conselhos ou julgamentos. Ilumina a todos nós, e podemos usar suas vibrações como quisermos ou como pudermos. Ela fornece luz porque essa é a sua natureza.

Agindo de modo pessoa, o indivíduo se limita a auxiliar só aqueles que ele sabe estão precisando, limitando-se também pelas emoções. Obviamente, há certas ocasiões em que esforços pessoais são adequados e mesmo necessários, tanto a aspectos materiais como a não-materiais. Todo estudante deve responder ao apelo de auxilio. A algum grau, todos devem tratar os enfermos, confortar os infelizes e proteger entes queridos. Entretanto, a maioria dos labores do indivíduo devem ser devotados ao serviço impessoal, uma entrega total de si ao Cósmico no sentido de ser utilizado em todas as ocasiões e de todos os modos necessários, sem exigências de reter controle total, nem mesmo pelo conhecimento objetivo do sucesso de seus esforços individuais.

Impessoalmente, a pessoa serve a todos, conhecidos e desconhecidos, que precisem do que pode ser dado. Impessoalmente, a totalidade da consciência é suavizada, não só naquilo que se acredita necessário ou no que pode ser dado facilmente. O melhor de tudo é que, ao servir impessoalmente, o estudante não é detido por preocupações quanto a sucesso, nem se sente orgulhoso de se provar útil. Sim, os estudantes na Senda simplesmente doam a todos – porque sua natureza é doar – como a radiação duma luz num quarto escuro.

A ATITUDE DE RESOLUTA ASPIRAÇÃO
A quinta e última atitude essencial que consideraremos pode ser enunciada com simplicidade, mas requer grande esforço para ser conseguida. Essa atitude é a determinação de atuar sempre no mais alto nível de que o estudante é capaz. Significa manter a consciência elevada e trabalhar no mais alto nível de percepção que possa ser alcançado com conforto.

Inúmeros estudantes lamentam o fato de não poderem se tornar adeptos da noite para o dia. Eles se comparam com os mestres e, naturalmente, sentem-se frustrados. Durante todo esse tempo, deixam de usar os dons que já possuem. Sentindo-se incapazes e sem o poder suficiente para operar com facilidade e sutileza num plano vibratório muito elevado, eles nada fazem. Que desculpa esfarrapada para estudantes da vida mística! Nenhum de nós alcançou o mais alto plano de consciência a que aspiramos, e Oxalá jamais consigamos. Nenhum de nós pode em todas as ocasiões estar em completa harmonia. Somos seres humanos temos efetivamente certas limitações ligadas à nossa humana condição. Entretanto, sabemos que à nossa frente sempre há um caminho superior e um inferior – e devemos escolher. Se preferimos atuar no inferior, nossa liberdade de movimento não aumentará.

É melhor que o estudante não se compare com os mestres – e com ninguém mais a propósito disso - e que se decida firmemente a operar no plano de consciência mais elevado acessível no momento. Assim, o estudante sempre estará no limite superior da capacidade pessoal do trabalho místico. Nesse nível, ele recebe lampejos do que se encontra mais acima. O estudante passa a querer alcançar esses planos superiores e, por essa aspiração, os alcança. Não importa que o plano mais elevado não possa ser atingido hoje; importa que o estudante esteja sempre no nível mais alto possível. Há um antigo adágio, um truísmo: “Prove que lhe podem confiar um fósforo. Terá então permissão de segurar a vela”. Isso simplesmente quer dizer: ‘faça o melhor que possa agora, que alcançará maior desenvolvimento.’

Obviamente, essas cinco atitudes essenciais estão intimamente entrelaçadas, reforçando-se mutuamente. Aliás, só podemos isolá-las para análise. As atitudes não têm qualquer poder intrínseco, mas suas implicações são tremendas. Elas exercem influencia por efeitos nos pensamentos, sentimentos e ações. Sua eficácia reside em que permitem maior percepção e no emprego adequado de métodos e técnicas.

Com efeito, se a sociedade conferisse adequados fundamentos filosóficos aos seres humanos, nem haveria necessidade de falar dessas atitudes essenciais. Tudo o que essas cinco atitudes fazem é orientar psicologicamente os estudantes de misticismo de modo que possam realizar com maior eficiência o trabalho que se encontra dentro de suas capacidades pessoais. Corretamente compreendidas, essas cinco atitudes permitem que as capacidades pessoais se desenvolvam mais rapidamente para serem utilizadas na Grande Obra da Fraternidade.

Se quiser, apodere-se delas. Incorpore-as m suas próprias atitudes essenciais. Talvez elas lhe sejam úteis em sua jornada na Senda nos dias futuros.
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[Texto de Herbert George Baker]