sábado, 10 de abril de 2010

A Humanidade na Encruzilhada


Todas as sociedades de todas as culturas sempre tiveram por objetivo a consecução dum estado de harmonia, isto é, tentam elas fazer prevalecer a ‘paz’. Não obstante, muitas vezes a interpretação daquilo em que consistiria a paz é contrária à verdadeira natureza da paz. Essa paz tem sido entendida como a supremacia sobre outros povos por meio de conquista, supressão e restrição de liberdade. A História revela que essas coisas foram impostas a povos para que se adquirisse uma ‘suposta paz’.

Como tivemos oportunidade de afirmar em outra ocasião, a ‘paz não é uma coisa em si mesma’. Antes, é uma condição que decorre da remoção de certas irritações ou sofrimentos. Por isso, precisamos buscar a paz eliminando antes aquilo que nos perturba fisicamente, mental ou psicologicamente. O conseqüente estado de passividade é caracterizado pelo indivíduo ou pela sociedade com de ‘paz’.

A necessidade de mantermos a paz é o tópico dominante da atualidade, quando o potencial da guerra nuclear e o terrorismo paira sobre a civilização como a espada mítica de Dâmocles. Mas há outros obstáculos à paz. A iminência desses obstáculos não é tão evidente quanto a guerra nuclear, mas seus efeitos são igualmente devastadores para a humanidade.

Consideremos algumas dessas ameaças, que são, francamente, aspectos ‘negativos’.Na verdade, porém, só sabemos que certa coisa é positiva, por termos vivenciado o que parece seu oposto.

Aos poucos, o homem toma consciência de que a quantidade de ‘água’ está diminuindo no mundo inteiro. A gradativa diminuição da água do planeta não é um fenômeno recente. Os geólogos e os cientistas em campos correlatos determinaram que o deserto do Saara, por exemplo, era bastante arborizado na era geológica passada. Descobriram-se também aí fósseis marinhos. Em épocas mais recentes, os romanos usaram partes do Saara como celeiros.

O AVANÇO DOS DESERTOS
Os desertos do mundo inteiro estão gradativamente avançando por sobre regiões férteis. Não há chuvas nem acúmulo de água suficientes para recuperar as crescentes regiões áridas. Embora algumas civilizações antigas tenham sabido cultivar suas terras com menos água e nutri-las com fertilizantes, outras não o souberam. Quando o solo duma região ficava exaurido, as tribos se mudavam para outra região mais fértil, que, por sua vez, tornava-se exaurida.

Com as escassez da chuva em vários países, o bombeamento da água do subsolo em pouco tempo exauriu os lençóis d’água. Aliás, em certas regiões de baixa altitude próximas ao mar, o bombeamento trouxe água salgada aos lençóis subterrâneos, prejudicando a fertilidade do solo.

Séculos atrás, havia regiões virgens esperando os intrépidos pioneiros. Essas regiões não mais estão por ser descobertas. Pelo grande crescimento populacional, sua necessidade de água não pode ser facilmente suprida.

As ‘indústrias’ são grandes consumidoras de água. Fábricas de papel, siderúrgicas e industrias químicas são apenas alguns exemplos. Os meios de comunicação freqüentemente denunciam a indiferente e negligente poluição dos rios e lagos, forçando seu desuso. Parece que os indivíduos quem se enriquecem com essas indústrias e que são responsáveis pela poluição não compreendem que seus próprios filhos podem se tornar vitimas de suas perversidades.

Observamos nas grandes cidades do mundo um tráfego cada vez maior de automóveis e sua crescente poluição do ar. Como exemplo, em cidades como Nova Iorque, Londres, Los Angeles, Paris e Tóquio, milhões de pessoas, a caminho do trabalho, são obrigadas a inalar ar impuro. E isso contribui para doenças respiratórias e outras.

A ‘urbanização’ cresce aceleradamente na maioria das nações do mundo, e isso decorre de duas causas básicas. A ‘primeira’ é a impossibilidade de os pequenos agricultores viverem de sua própria produção. Grandes corporações compram regiões cultiváveis e mecanizam a agricultura. Menos mão-de-obra se faz necessária, e, como resultado, muitos inexperientes homens do campo afluem às cidades procurando emprego.

A ‘segunda’ causa da galopante urbanização é o maior atrativo de se viver numa cidade grande e a assistência social disponível nesses centros urbanos. Muitos homens do campo abandonam intencionalmente as áreas rurais por causa da possibilidade de encontrarem trabalho menos árduo nas cidades.

Essas pessoas vêem-se obrigadas, pelas circunstâncias por que passam, a viver em favelas. Alguns indivíduos conseguem superar os obstáculos, mas muitos desafortunados recorrem ao crime para sobreviver, e as áreas infestadas transformam-se em centros de doença e núcleos cada vez maiores de discórdia e violência.

A BOMBA-RELÓGIO POPULACIONAL
A ‘população’ é outro problema de nossa época, em sua explosiva aceleração. Intencionalmente, existe pouco estímulo ao controle de natalidade ou contracepção. As estatísticas demográficas revelam que em fins deste século a população mundial terá aumentado em ‘muitos milhões!’A menos que a produção de alimentos seja aumentada, esses seres humanos enfrentarão fome e inanição.

Mesmo hoje, estatísticas revelam que alguns grandes centros populacionais têm escassez de alimentos. Afirma-se que os grandes armazéns que distribuem ao mercado varejista m cidades como Nova Iorque, por exemplo, precisam se reabastecer a cada quarenta e oito horas – tal a sua demanda! É óbvio o que ocorreria se o reabastecimento fosse retardado por uma única semana.

Os Estados Unidos da América são um dos maiores exportadores de alimentos do mundo. [O Brasil já é o terceiro maior exportador agrícola do mundo – Apenas os EUA e EU vendem mais alimentos no Planeta que os agricultores e pecuaristas brasileiros_06.03.2010_Jornal o Estadão]. Mas a ‘urbanização’ está escasseando essa fonte de recursos em certos itens essenciais.

Que se pode fazer sobre a explosão demográfica? Impor-se limitação nos nascimentos, restringindo-se assim o crescimento populacional? Essa não é apenas uma questão erística, mas volátil também. É uma questão que hoje é considerada mais emocionalmente que racionalmente. A hagiografia das grandes religiões defendem a fecundidade da vida humana – transformando-a numa ‘obrigação moral’ por parte do homem. As religiões citam suas escrituras sagradas e seus decretos teológicos, que dizem que o homem deve se multiplicar. Considera-se sacrilégio proscrever essa tradição.

Os decretos que defendem famílias mais numerosas foram em grande parte produto dum período em que o aumento populacional era necessário a objetivos religiosos e nacionalistas. Esse crescimento, porém, não mais é benéfico à humanidade e à sociedade, mas uma crescente ameaça à nossa sobrevivência.

Devemos considerar com mente aberta esses problemas. Devemos individualmente alertar sobre seu perigo para o futuro imediato da humanidade. Se não quisermos fazer isso como indivíduos, devemos pelo menos apoiar as organizações que têm os meios e coragem de fazê-lo. Mas defender o que é certo e melhor para o homem sempre requereu ‘coragem’. O radical alcance da oposição à correção de um desses problemas veio à baila na imprensa: o surgimento de clínicas de controle da natalidade em muitas cidades dos Estados Unidos.

Se o intenso interesse pelo computador e a tecnologia eletrônica é um exemplo de uma era esclarecida, não a inibamos recusando-nos a examinar os costumes e tradições que estorvam esse antevisto futuro!

Devemos lutar contra as trevas tradicionais. Rendamos nosso apoio mental e prático, legal e ético, àqueles que buscam remover a venda que cega o homem à realidade do futuro. Analisemos o que ordinária habitualmente aceitamos como costumes e tradições, compreendendo seu verdadeiro valor para a humanidade. O que possui valor duradouro não deve ficar restrito ao próprio passado, mas revelar-se de igual valor para o futuro.
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[Texto do Imperator]

Dois Encontros com a Morte


NA NOITE EM QUE EU MORRI...Eu tinha apenas cinco anos de idade. Estivera doente dos pulmões desde o dia em que nasci. Nos três dias anteriores à minha morte eu estivera sofrendo de crupe. Eu dormia num berço, a um canto do quarto de meus pais, porque era muito doente e pequeno para a minha idade. Ali meus pais podiam velar por mim. Meus irmãos e irmãs caçoavam comigo, pois eles tinham seus próprios quartos.

Na noite em que morri, tinha tomado remédios e fora posto bem cedo na cama. Quase que imediatamente caí no sono. A próxima coisa de que eu me lembro foi que as luzes do quarto estavam acesas. Meu pai, de pijama, tinha meu corpinho em seus braços, enquanto eu flutuava acima dele olhando a cena.

“Meu Deus! Irene, ele está morto,” meu pai gritou. “Ele não está respirando. Eu gostaria que o Dr James viesse aqui. Ele disse que viria imediatamente.”

“Que é que vamos fazer?” exclamou minha mãe. Ela estava muito nervosa e em pratos. Meu pai suavemente colocou meu corpo na cama e voltou-se para consolá-la.

Agora eu não estava mais no quarto, nem em qualquer lugar que já tivesse estado antes. Flutuava num grande corredor ou túnel escuro. O túnel não tinha qualquer ligação com a casa ou a realidade, mas assim mesmo ainda podia ouvir meus pais chorando e falando de modo tão claro como se estivessem atrás de mim. Eu flutuava num movimento circular ou de espiral cada vez mais rápido.

“Não chore, Irene”, soluçou meu pai. “Foi melhor assim. O pequeno Billy era doente, e tinha um só pulmão quando nasceu, e era uma criança muito triste. Se não fossem os médicos ele teria morrido quando nasceu. Aconteceu o que tinha de acontecer. Ele sempre foi doentinho. Assim o nosso filhinho não vai mas sofrer. Foi bem melhor assim.”

Agora era o meu pai que chorava e minha mãe tentava consolá-lo. Eu podia ouvir o que eles estavam falando, enquanto eu ia em movimentos circulares através do túnel, em direção a uma luz na extremidade oposta.

Então tudo parou. Nada ouvi. Nada vi. Nada senti.

Meu corpo jazia na cama de meus pais. O Dr. James examinou-me e confirmou que eu estava realmente morto. Colocou meu corpo numa estranha posição sobre o travesseiro e, preocupando-se com os vivos, procurou consolar meus pais que ainda choravam. Foi então que os três ouviram um estranho gorgolejo vindo de minha garganta. O Dr. James imediatamente agarrou meu corpo pelos pés e começou a bater nas minhas costas, tentando expelir o muco.
O ar penetrou nos meus pulmões, restaurando a vida ao meu corpo. Eu me vi segurado de cabeça para baixo pelo médico, e comecei a chorar. O médico colocou-me de cabeça para cima e apertou-me em seus braços. Eu estava vivo.

O DIA EM QUE EU MORRI
Eu estava no centro de fisioterapia de um grande hospital. Agora com quarenta e seis anos de idade, estivera hospitalizado por muitos meses. Uma longa série de operações tinha sido completada em meu corpo deformado. Como conseqüência de estar com os músculos inativos por tanto tempo, eu perdera a capacidade de caminhar e de ficar ereto. Eu não podia sentar-me, caminhar ou ficar em pé. Meu abdômen estava envolvido por um tubo de gesso.

Agora eu lutava, tentando desesperadamente andar outra vez. Uma vez mais eu me encontrava em tratamento de fisioterapia. Tom, o meu terapeuta, levantou a mesa de elevação num ângulo de setenta e cinco graus. A cada dia Tom levantava a mesa alguns graus a mais. Naquele dia, Tom deixou-me ali dizendo: “Se você começar a sentir tontura, chame uma das terapeutas. Eu estarei de volta em quinze minutos”.

Com satisfação eu observava o trabalho das terapeutas, Nancy e Linda. Elas brincavam com algumas crianças, dando-lhes o tratamento de fisioterapia. Eram muito amáveis e gentis para com os pequenos. Enquanto eu observava, os minutos se passaram – dez minutos – e então senti tontura. O relógio ficou nublado. Gritei pedindo ajuda a Nancy e Linda.

Eu estava colhendo flores. Podia ver e ouvir, mas não sentia dor. Estava num estado d absoluto contentamento. Caminhava colhendo flores azuis, brancas e rosas, num jardim brilhante e belo. As flores eram perfeitas, sem o mínimo sinal de doença ou picada de insetos. Eram muito mais belas que qualquer flor da terra, e sua beleza me fez sentir júbilo.

Enquanto caminhava pelo campo, rumei para uma luz que brilhava no horizonte. A luz era esplendorosa como o Sol, mas não queimava nem incomodava meus olhos ao fitá-la. Continuei colhendo flores e caminhando em direção à luz.

Eu podia ouvir duas vozes que vinham de dentro daquela luz. Podia ouvir minha mãe chamando, “Venha Billy, venha aqui comigo. Venha aqui Billy”.

Eu tinha consciência de que a voz de minha mãe era a voz de uma mulher jovem e bela. Era a voz da mãe que eu conhecera em menino;não a da senhora que morrera havia dez anos. Mas não havia dúvidas de que era a voz de minha mãe. Numa voz jovem musical ela continuava a me chamar – “Venha Billy, venha aqui comigo.”

Oh, como eu quis ir com minha mãe, estar ao seu lado! Como eu queria ir até ela!

A outra voz que eu ouvia era a de um homem. Ninguém que eu conhecesse. A voz do homem dizia, “Colha algumas flores para sua mãe. Lembre-se de que ela gosta de flores rosas e azuis. Colha algumas flores para ela”.

Embora um homem feito, eu era então como uma criança de havia muitos anos. Eu colhia belíssimas flores para minha mãe enquanto caminhava em direção à luz e às vozes. Eu continuava repetindo para mim mesmo o que o homem continuava dizendo, “mamãe gosta de flores azuis e rosas, azuis e rosas”.

“Venha aqui comigo, Billy. Venha aqui.”

Então a voz do homem perguntou, “Você não quer ir com sua mãe?”

“Sim, eu quero ir com a minha mãe”, respondi. “Mas eles não vão me deixar ir. Eles não vão me deixar ir! Por favor, deixem-me ir com minha mãe!” implorei.

Tão rapidamente quanto um acender ou apagar de luzes, vi-me deitado no chão. Eu estava extremamente bravo. Sim, estava furioso porque eles não me deixaram ir com a minha mãe. Tentei soltar minha mão da mão da enfermeira, que checava o meu pulso. Ah, quanta raiva senti daquela gente!

Então tomei consciência da situação. Um médico suspirou:”Graças a Deus! Ele não está morto. Ele está vivo!”

A enfermeira que checava o meu pulso falou aos dois homens que seguravam os tanques de oxigênio: “Ele acaba de voltar a si”.

Naquele momento eu já não sentia mais raiva, pois perceba em que lugar me encontrava. Estava deitado no assoalho, cercado pelos médicos e enfermeiras da equipe de emergência ou de salva-vidas do hospital. Toda a equipe de fisioterapia ali estava olhando a cena com temor. Eu tinha me soltado da mesa de elevação e caíra no solo. Desde que eu gritara pedindo ajuda não sentia nada que estivesse sendo feito no meu corpo. Meus pés e mãos estavam frios. Eu tremia.

Agora Tom e a equipe de terapia falavam todos ao mesmo tempo,com vozes excitadas e aliviadas.

UM dos médicos, que parecia comandar a situação, gritou ao operador do painel de controle: “Cancele a chamada geral. Conseguimos reanimá-lo”.

Alguns dos rapazes ajudaram Tom a retirar o enorme pedaço de gesso recolocando-me no carrinho. Os terapeutas continuavam a me pergunta ao mesmo tempo:”Como você se sente? Está tudo bem?”

Tom disse: “Você nos pregou um susto. Você tinha desmaiado e nós não conseguíamos trazê-lo de volta. Sua pressão tinha baixado além do limite. Tivemos certeza de que tínhamos perdido você. Por favor não faça mais isso que você me mata de susto”.

Na verdade eu não tenho medo de morrer. Esses dois encontros com a morte mostraram-me que a vida continua depois da ‘morte’ física. O Eu interior – a alma do homem – liberta-se para vivenciar outro reino, outro plano da Existência.
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[Texto Bill James Cook]

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A Importância da Amizade


Uma pessoa que é gentil para com você, que se preocupa com você e sente o que é importante, é um verdadeiro amigo.

A partir dos três anos de idade, formamos associações íntimas fora da família. A maioria das pessoas tem uns poucos amigos realmente bons, com os quais partilham um nível profundo de intimidade e envolvimento pessoal.

Lílian Rubin, autora de ‘Just Friends’ [Apenas Amigos], diz: “nossos melhores amigos tem o poder de ajudar e magoar de modos que só se comparam aos de um companheiro ou amante.” De fato, amigos íntimos podem servir como o sistema de apoio principal de uma pessoa, na falta de parente próximo ou companheiro.

A pesquisa demonstra que as mulheres, mais do que os homens, tem amigas íntimas com quem podem discutir o que está acontecendo e que lhes dão uma força em fases de crise. Os homens, por sua vez, tendem a ter amigos com quem fazem coisas como jogar futebol ou trabalhar num projeto.

Estudos revelam que o fato de terem bons amigos pode até ajudar as pessoas a gozarem de boa saúde. O Departamento de Saúde Mental da Califórnia lançou um programa denominado “Amigos Podem Ser um Bom Remédio”. O estudo de uma quantidade enorme de pesquisa revelou que:

1_ as pessoas que se isolam correm duas ou três vezes mais o risco de morte prematura;

2_ o câncer terminal acomete mais solitários do que aqueles que tem bons amigos;

3_ A hospitalização por distúrbio mental é cinco a dez vezes maior para divorciados, separado e viúvos, do que para pessoas casadas;

4_ gestantes estressadas sem convívio social sofreram três vezes mais complicações do que gestantes estressadas que tinham fortes relacionamentos de apoio.

AS CARACTERÍSTICAS CENTRAIS DA AMIZADE
Keith E. Davis, Professor de Psicologia da Universidade da Carolina do Sul, e seu colega, Michael J. Todd, fizeram uma lista do que eles crêem que são as características centrais da amizade:

_ PRAZER: A despeito de aborrecimentos e desapontamentos mútuos, na maior parte do tempo os amigos gostam da companhia um do outro.

_ ACEITAÇÃO: Os amigos se aceitam sem tentarem mudar um ao outro.

_ CONFIANÇA: “A cola que mantém amigos juntos é a confiança”, insiste Mark Bidle, pastor do campus da Universidade Emory, em Atlanta, e pessoa que tem pesquisado muito essa questão da amizade. “A confiança numa amizade implica ‘você não vai me magoar’.

_ RESPEITO: Os amigos demonstram consideração para com os direitos e sentimentos um do outro.

_ AJUDA MÚTUA: Os amigos estão sempre pronto para ajudar e apoiar um ao outro durante fases de desânimo e necessidade.

_ CONFIDÊNCIA: Os amigos compartilham suas experiências mais íntimas e seus sentimentos mais profundos.

_ COMPREENSÃO: Os amigos sentem o que é importante entre si e compreendem por que amigos fazem o que fazem.

_ ABERTURA: Cada amigo é livre para ‘pensar alto’ sem necessidade de se esconder atrás de um papel superficial.

COMO DESENVOLVER AMIZADES MAIS PROFUNDAS
Para aprofundar amizades e torná-las mais íntimas, Alan Loy McGiniis, psicoterapeuta e co-diretor de um centro de aconselhamento em Glendale, Califórnia, e também autor de “The Friendship Facto’ [O Fator Amizade], oferece as seguintes diretrizes:

_ Toque em seus amigos quando estiver com eles. As pessoas que mantêm um relacionamento profundo, diz McGinnis,escutam com os olhos, ficam bem pertinho quando conversam, e fazem contato com o corpo para manter a comunicação num nível cálido.

_ Seja pródigo em elogios, Mark Twain disse: “ um bom elogio me sustenta por dois meses”. E McGinnis, salienta que elogios não custam absolutamente nada.

_ Seja aberto quanto aos seus sentimentos. “as pessoas começam a s sentir mais próximas de nós quando sabem algo das nossas necessidades”, diz McGinnis. Nos dias em que você se sente deprimido e está sofrendo, diga isso ao seu amigo. Você ficará espantado de ver o quanto se sentirá melhor só por compartilhar seus sentimentos.

_ Programe momentos para conversa. “Para conhecer e amar um amigo durante anos, você precisa ter papos regulares com ele”, é o que McGinnis incentiva. E isso não deveria realmente ser difícil. Programamos um tempo para cozinhar, para levar o cachorro ao veterinário e para outras atividades. Por que não para conversar?

_ Talvez o mais importante, segundo McGinnis, é desenvolver a arte de escutar. Não apenas ouvir, mas escutar com todo o seu ser. Isso inclui a consciência da linguagem de corpo um do outro, das expressões façais e do tom de voz. Alguns estudos mostram que até noventa por cento do que comunicamos é não-verbal.

Mesmo conversar pelos meios tecnológicos exigem a nossa atenção concentrada. Conheci pessoas que ficavam trabalhando no seu processador de textos, passando as páginas de um jornal ou assistindo televisão, enquanto um amigo está falando com elas. Essas coisas são tão insultuosas quanto um bocejo abafado quando a gente está conversando diretamente com alguém. Bons amigos escutam mesmo quando não podem ser vistos.

Cynthia Langham, que dá um curso sobre como escutar, na Universidade de Detroit, diz que, como nossa mente trabalha quatro vezes mais rápido do que a maioria das pessoas fala, podemos usar esse ‘tempo extra’ para refletir e reforçar o que está sendo dito. Escutar não é uma atitude passiva.

Escute e faça perguntas começando com ‘o que’ ou ‘como’. “como você se sentiu quando isso aconteceu?”. “O que era que você esperava dele?” “Quais são agora as suas alternativas?” Evite perguntas que comecem como “por que”, visto que elas soam como um julgamento.

TENSÕES NA AMIZADE
As pessoas realmente mudam com o tempo, de modo que amizades não duram necessariamente para sempre. Segundo Lety Cottin Pogrebn, autor de ‘Among Friends’ [Entre Amigos], há sete fatos da vida que causam tensão em amizades ou as modificam:

1. Casamento: Quando um dos amigos ou ambos se apaixonam ou se casam, as conversas e os interesses mudam. “Amigos solteiros sentem-se marginalizados; amigos casados sentem-s estereotipados e mal-compreendidos’, escreve Pogrebin.

2. Filhos: As pessoas que têm filhos não podem dar uma saidinha a qualquer momento para encontrar um amigo solteiro, e isso pode fazer o que é pai sentir-se culpado e o outro sentir-se rejeitado. Além disso, dois amigos com filhos podem ter idéias diferentes de como criá-los. Mas anime-se o tempo passa e esses fatos da vida mudam. Pode acontecer que os que não são pais se tornem pais, ou que os que não são pais fiquem menos preocupados com as crianças.

3. Separação e divorcio. Em geral os amigos permanecem leais à pessoa que conheceram primeiro, quando um casal se separa. Mas até essa amizade pode sofrer tensão, como explicou uma mulher: “quando minha amiga se divorciou, eu parei de visitá-la. Ela estava tão infeliz que eu tive medo de que ela me induzisse a me separar do meu marido, visto que o meu próprio casamento era bastante delicado. Ambas nos sentimos traídas durante aquela fase”. Além disso pais descasados com freqüência sentem necessidade de passar mais tempo com seus filhos menos com seus amigos.

4. Superdependência: Às vezes um amigo se torna dependente demais do outro, exigindo uma quantidade exagerada do tempo e da energia dessa pessoa. Mark Bidle sugere que a gente faça os amigos dependentes saberem que a gente estará pronta para ajudá-los, mas que não assumirá a responsabilidade de sua vida. Se você sabe que o chamado de uma amiga não é uma emergência, você pode dizer, “eu a visito no fim de semana e a gente discute o que você está sentindo”. Não corra toda vez que ela chame.

5. Competição e Inveja: É normal a gente comparar as nossas realizações com as dos nossos amigos e mesmo sentir um pouco de inveja de seus lances de sorte. Mas os verdadeiros amigos superam esses sentimentos e sinceramente desejam o melhor um para o outro. Aqueles que não fizerem isso, provavelmente não vão continuar amigos por muito tempo.

6. Favores Inadequados ou Excessivos: ”Uma amizade implica tanto dar como receber”, lembra Bidle. Bons amigos sentem o equilíbrio entre pedir demais e dar de menos. Aqueles que nunca aprendam isso serão vistos como ‘egoístas’ e terão dificuldade para forjar amizades duradouras.

7. Ver alguém de um modo diferente: Você pode de repente perceber num amigo características negativas que não tinha percebido antes. Essa nova perspectiva pode fazer você mudar seus sentimentos e seu relacionamento com essa pessoa.

Lembre-se de que à medida que as circunstâncias da vida mudam, é normal que haja mudanças em suas amizades. Embora você possa não se sentir tão ligado a alguns de seus velhos amigos, provavelmente formará novos amigos.

Quando uma ou ambas as pessoas amigas começam a se afastar, a amizade em geral vai diminuindo sem uma decisão consciente de nenhuma das duas. Uma coisa boa na amizade é que a gente não tem de ‘romper’, uma amizade pode ir diminuindo, assim como ir voltando aos poucos, quando as circunstâncias mudam.

Mas poucos de nós queremos perder amigos. A gente se esforça muito para mantê-los, porque eles nos oferecem mais prazer do que dor. Bons amigos nos ajudam a enfrentar os problemas da vida, aliviam as tensões, dão prazer, e estão disponíveis quando precisamos deles. Como disse Walter Wincjell: ”um amigo é aquele que vem quando outros estão indo embora”.
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[Texto de Dianne-Jo More]

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Objetivos na Vida


Uma coisa é viver; outra é ter algo para que viver. Lutamos instintivamente para viver, como o faz o mais simples ser vivo. Mas no caso de seres inteligentes viver é mais do que a preservação da entidade física. Não honra a inteligência humana o fato de o homem ser apenas um ser animado, consciente. Vida, no sentido biológico, é ação. E uma coisa dinâmica. Um ser humano sadio, uma pessoa normal, gera uma energia física e mental que precisa ser de algum modo dissipada. A função dessa energia cinética resulta na produção de algum tipo de trabalho. Fisicamente, isso pode resultar na locomoção do corpo ou na aquisição de alimento, ou nas outras coisas ou condições necessárias à satisfação sensual.

A mente e o ego também têm seus objetivos, seus fins a alcançar. Uma mente inteligente manifesta energia mental; abomina um estado passivo. A consciência objetiva está continuamente alerta para todas as impressões oriundas do seu ambiente. Em conseqüência, o indivíduo inteligente é observador, analítico, inquiridor. Se sua consciência não pode ser focalizada em alguma coisa que a ocupe, dá-se uma inquietação mental que produz irritabilidade e aborrecimento. Se é uma tortura negar atividade ao corpo e restringir suas funções, também é torturada a mente que é confinada ou inibida por falta de um meio de exteriorização.

A mente é satisfeita pela consecução de ideais. Um estado ou uma coisa concebida como essencial para a satisfação intelectual é um desejo mental. Tais desejos têm tanta energia quanto os desejos físicos. Se a mente não consegue realizar seus desejos, pelo menos em parte, vem a irritação que constitui psicologicamente infelicidade na vida do indivíduo. E foram esses impulsos subjacentes à natureza humana que fizeram a humanidade progredir. O fato de que essa auto-afirmação pode às vezes ser mal direcionada não diminui sua importância para o progresso humano.

O ego, como o todo da personalidade humana, física mental e moralmente, tem seus objetivos. E também não pode permanecer estático sem provocar desarmonia e várias perturbações para toda a personalidade. O intelecto interpreta como ideais os fins a que o ego aspira. O ímpeto do ego ocorre sob forma de impulsos emocionais e psíquicos que se originam nas profundezas do subconsciente. Esses impulsos são uma conseqüência da ‘memória das células’ e das mutações dos genes efetivadas como o ajuste da vida a inúmeras gerações. Tais impulsos do ego são também a resposta da consciência e da própria força vital às forças universais de que elas fazem parte. São como um eco fraco, não perfeitamente distinto, embora suficientemente persistente para penetrar e influenciar a formulação dos nossos pensamentos. Esses impulsos constituem a ‘vontade moral’. Fazem com que adaptemos nosso comportamento a eles, a fim de dirigirmos nossa vida, física e mentalmente, de modo a satisfazermos o ego. Nossa filosofia de vida, seja ou não expressa por nós em palavras, manifesta-se não obstante em nossas ações. Nossos ideais e nossas ações correspondem aos ditames do ego.

UMA VIDA MAIS PLENA
As coisas para as quais vivemos têm de ser ‘íntimas’. Têm de se originar nos elementos de nossa própria natureza; do contrário, a vida se torna estranha para nós, um vazio. O fato de seguirmos os costumes e as convenções da sociedade, ou as práticas de outrem, proporciona apenas um prazer passageiro e superficial, se na realidade não corresponde aos ideais relacionados com os elementos de nossa própria personalidade. É irrelevante se os outros concordam com o que perseguimos na vida. O importante é que isso representa o valor da vida para nós. Aquilo que constitui o nosso objetivo na vida deve consumir a atividade do nosso corpo e da nossa mente, além de satisfazer as características do nosso ego. VIVER É FAZER. O sr animado precisa realizar alguma coisa, ou terá fracassado. Biologicamente, produzir um ser da mesma espécie é uma forma de realização na vida. Mas isso deixa a mente e o ego sem realização. Devemos estar constantemente conscientes de nossa própria natureza trina. Um objetivo sensual na vida, de desfrutar somente prazeres físicos, com prejuízo de despertar talentos e cultivar a mente, implica em limitar as possibilidades de uma vida mais plena.

AVALIAÇÃO DA PERSONALIDADE
A auto-avaliação é fundamentalmente necessária para tornar a vida verdadeiramente valiosa. Pergunte a si mesmo: por que você quer viver? A resposta pode ser chocante para você mesmo. Aliás, você pode ter dificuldade para dar uma resposta para esta pergunta. Quando você pensa na vida como um meio para um fim, que representa esse fim para você? Como uma atividade em que a vida possa ser aplicada, o que é que lhe traria a maior felicidade? Talvez não seja nada do que você já tenha conhecido, mas algo que você espera finalmente realizar. Depois, pergunte a si mesmo se aquilo que “você está buscando” está dentro das suas potencialidades. Você tem a compleição, a saúde, a inteligência, a vontade, para conseguir isso? Além disso, aquilo por que você está lutando é uma coisa, um estado ou uma condição? Se é uma coisa, o prazer a ser obtido dela estará apenas em saber que a ‘tem’, pelo amor à posse? Uma coisa que proporciona satisfação somente por se saber que ela foi adquirida é fugaz, é momentânea. O prazer vai deixando de existir e a pessoa é forçada a perseguir um outro objeto, freqüentemente quimérico.

Se as coisas ou objetos específicos devem ser buscados, deve ser somente como instrumentos para criar um prazer mais permanente entre aqueles que os busquem. Uma coisa cujo meio de proporcionar prazer está limitado a suas próprias propriedades, ou qualidades, logo perde seu atrativo. Cedo aprendemos que prazeres não podem ser um único tipo de estímulo; eles precisam variar, ou sua monotonia se torna cansativa. Portanto,a coisa específica que buscamos tem de ser um meio de produzir uma cadeia de satisfações em nosso interior, ou seu atrativo tem vida curta. Os mesmos princípios psicológicos e filosóficos se aplicam a objetivos na vida que se relacionam com eventos ou acontecimentos isolados. Estes não devem ser momentâneos em seus efeitos, e sim causas também de futuras satisfações.

O objetivo que uma pessoa persegue na vida precisa ser freqüentemente ajustado a mudanças nas circunstâncias, ou não tem condição de cumprir sua finalidade. O sentido da vida para um jovem, uma pessoa de meia-idade, ou para um idoso, é bastante diferente. Isto é particularmente verdadeiro se os objetivos estão associados a prazeres físicos. A intensa energia de um jovem sadio requer uma aplicação física, como nos esportes e tudo aquilo que possa se tornar externamente o foco de suas faculdades. O jovem não tem experiência suficiente para formar ideais fundamentais que possam se tornar um estímulo interno. Assim, tanto o corpo como a mente literalmente mudam a todo instante de uma atividade para outra; isto consome energia vital, alivia tensões e proporciona prazer. Aplicar os objetivos do jovem a pessoas de meia-idade, só pode causar futuros desapontamentos na vida. Na maturidade, a pessoa não conta com a abundância de energia a ser descarregada, quer em atividade física, quer numa concentração alternada em inúmeras coisas. Esse esforço traz insatisfação à pessoa de meia-idade, e não felicidade.

Embora o jovem possa encontrar maior satisfação nos esportes e em experiências exteriores que estejam sempre mudando, o jovem inteligente vai procurar também determinar o que constitui um interesse secundário nesse período de sua vida. Esse interesse secundário pode muito bem consistir em prazeres mentais que reforcem a vontade e estimulem a imaginação, e que requeiram pensamento e habilidade. O desenvolvimento de passatempos intelectuais e que exijam habilidade deve ser estimulado. Que o jovem pense [como ele provavelmente vai pensar]que uma das coisas importantes para se viver é o esporte e a dedicação a atrativos externos. Essa atividade é a qualidade essencial desse período de sua vida. Mas que ele reconheça em seu próprio interior certas outras predisposições de sua mente, ou seja, tendências e talentos mentais. Estes devem ser estimulados sempre que possível. Assim ele acaba percebendo que essas predisposições proporcionam prazer, ainda que pareçam subordinadas aos interesses mais estreitamente relacionados com a fase que ele está vivendo. Isso resulta, então, num ajuste natural à vida, na fase em que os interesses maiores da juventude não mais sejam satisfatórios. Muitos homens e mulheres, quando ultrapassam a juventude, apegam-se pateticamente a objetivos na vida que não são mais capazes de perseguir ou realizar. Em conseqüência, a vida perde para eles o seu prazer e o seu sentido. Se eles tivessem cultivado desejos secundários em sua juventude, tais desejos viriam à tona como um novo ideal a ser alcançado e com novas satisfações.

PRIVILÉGIOS DE ESCOLHA
Não se preocupe com as metas habituais que as pessoas tendem a estabelecer para si mesmas, ou que pareçam ser a coisa costumeira ou mesmo ética a fazer. Decida-se, você mesmo, por algo que seja a realização da sua vida. Mas não desperdice a si mesmo. Não aplique a toa sua possibilidade de felicidade. Faça com que o seu objetivo seja expansivo, isto é, um objetivo que cresça com você ao invés de diminuir com o passar dos anos. Além disso, tome consciência de que não somente as coisas mudam, mas ‘você também muda’. Pense para além de cada momento. Será que você colheria ou poderia colher a mesma felicidade, daqui a vinte ou trinta anos, das coisas que hoje parecem proporcioná-la? Escolha um canal para a felicidade na vida, que possa ser desenvolvido ao longo dos anos e constituir uma inesgotável fonte de satisfação.

Quais são algumas das coisas para as quais vivemos? Só podemos sugeri-las no sentido mais amplo. Quanto aos detalhes em cada categoria, cabe ao indivíduo escolher, com base em suas tendências pessoais. As belas artes constituem uma dessas categorias. Pintar, desenhar, tocar um instrumento musical ou cantar, podem proporcionar continuado prazer para a pessoa cuja sensibilidade ou cujos talentos tendam para essa direção. A menos que a pessoa seja aconselhada por uma autoridade no sentido de que ela seja especialmente proficiente, não deve procurar ganhar seu sustento com uma dessas artes. O esforço da prática intensiva prejudicaria o prazer que esse empenho poderia proporcionar. É preciso que a pessoa demonstre excepcional qualificação e um intenso desejo de se dedicar a uma das artes, bem como treinar para alcançar perfeição na mesma e, ao mesmo tempo, continue a gostar de praticá-la. Se, por exemplo, a música lhe proporciona a maior satisfação emocional, então faça com que todos, os outros interesses sejam dirigidos exclusivamente para as necessidades e os compromissos da vida. Que a música seja ’aquilo para que você esteja vivendo’.

O mesmo se pode dizer àqueles que sentem que têm um profundo amor ao conhecimento, um anseio que só é satisfeito com a leitura de bons livros ou o estudo de alguma ciência. Por outro lado, se o seu amor está centralizado em realizações criativas, mentais ou físicas, faça disso o seu objetivo na vida. Invente, construa, experimente, ou escreva. S você adora pessoas e sente fascínio pelas consecuções humanas, como em história, exploração e viagens, então faça disso o seu objetivo. Tudo isso pode e há de proporcionar felicidade contínua, porque se desenvolve proporcionalmente com o tempo e o esforço que você emprega.

Parece tudo isso um empenho egoístico? Será que faz a vida nos servir somente como indivíduos? Como objetivos na vida, somente as coisas que têm natureza material, satisfazendo exclusivamente desejos sensuais, podem ser chamadas de egoísticas. A pessoa cujo objetivo se concentra em música, arte, literatura, viagens, ciência, ou qualquer empenho criativo, como pesquisa, escrever, etc., não pode ser considerada egoísta. Aquilo que ela faz, o que ela aprende e cria, não só proporciona prazer a ela, mas alimenta um fonte de que outras pessoas podem colher felicidade. Por exemplo, a pessoa que se dedica ao passatempo criativo da fotografia, não só cultiva seu próprio senso estético, pelo qual sente simetria na forma e harmonia na cor, mas projeta seus interesses para outras que estão em afinidade com ela. Seu ego, também, encontra satisfação no reconhecimento de suas realizações e no evidente prazer que outras pessoas colhem das mesmas.

Uma vida sem algo para que viver é como um barco sem leme. Seu rumo está sempre sendo alterado pelas condições a que é exposto.
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[Texto de Ralph M. Lewis].

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A CATEDRAL DA ARTE


A Catedral Gótica é ainda construída em fundamentos filosóficos, uma vez que tem como suporte conceitual o arcano do “Chamado da Pedra”, que é o início da grande Obra Alquímica no Homem. E tem como suporte plástico a própria pedra, matéria da qual é em grande parte edificada.

A construção em arte gótica [art-gôth; goecia, magia] conserva toda uma representatividade dos símbolos da Alquimia Transcendental.

No hermetismo alquímico, a figura de Cristo é identificada com a Pedra Flosofal [Lápidis Philosophorum], a Pedra Angular.

Destarte, a Obra Alquímica, de cujas etapas de realização a Catedral é uma figuração muda, caracteriza-se essencialmente pela realização no ser humano da Pedra dos Filósofos, pois “quando o Templo for sagrado, as pedras mortas tornar-se-ão vivas, o metal impuro será transmutado em ouro e o Homem recuperará o seu original estado de Inocência e Perfeição” [1].

A MENSAGEM DA ARQUITETURA GÓTICA
Teria sido essa a motivação transcendental que levaria o Imperator H.S.Lewis, a desenhar a catedral da Alma [Liber 777] em estilo gótico, sagrando assim, o Templo da Igreja Interior?

A Planta das Catedrais góticas apresenta a forma de uma cruz latina, templos esses em cujos subterrâneos há uma disposição gráfica muito semelhante à do Templo de Salomão, ou ‘Labirinto de Salomão’ [2], que assim demonstra a emblemática da Obra Cabalística-Alquímica.

As catedrais de Notre-Dame [Nossa Senhora] de Paris, d Chartres, de Amiens, de Bourges, etc., na França; de Wells e de Nuremberg, na Alemanha; de Salisbury, na Inglaterra; e de outras partes da Europa, quase todas com as suas duplas-torres, quais as colunas do Templo da Iniciação [Jachin e Boaz]. A porta do Sarmental existente no transepto da Catedral de Bourges é um síntese-mostruário da simbologia alquimista.

Em todas essas catedrais temos os vitrais coloridos em vermelho, preto e branco [rubedo, nigredo e albedo], símbolo das etapas básicas das operações alquímicas ... E as rosáceas assim coloridas são Mandalas autênticas!

O GÓTICO NO OCIDENTE
Causa espécie o fato de que, na Europa, a arquitetura gótica surgisse repentinamente, algo totalmente novo de repente, estava lá! Não surgiu como parte de um processo, na continuidade da arquitetura romântica, anterior e coexistente. Esta, com sua solução estática, opunha-se frontalmente ao estilo gótico surgido, dinâmico por excelência, pois que dotado de um verticalismo estrutural, a lembrar a saga dos Titãs na escalada do Olimpo. Seus arcos ogivais, abóbodas em cruzeiro e forma de bulbo, apresentaram soluções que superavam amplamente os conhecimentos científicos da época [3]. Devido ao aparecimento insólito do estilo gótico na Europa, em primeiro lugar e depois por todo o Ocidente, será essa forma de arquitetura em catedrais, capelas, palácios, etc., um ‘estilo importado?’Bem, a História da Arte relata que o estilo em questão sofreu enorme influencia da arquitetura árabe, sarracena.

Entrementes, havia [pelo menos a nível exterior] os sérios impedimentos de ordem religiosa e política uma vez que Bizâncio havia se separado de Roma e porque Jerusalém estava em poder dos turcos seljúcidas.

Dessa maneira, necessária se torna uma explicação a nível interior ou mais profundo, quando senão alheio aos cânones históricos e religiosos ortodoxos. É o que procuraremos delinear a seguir.

A CONJUNÇÃO MÍSTICA
Não obstante essas incompatibilidades, se atentarmos para alguns escritos antes secretos da Fraternidade Iniciática, verificaremos que, em 1096, em Constantinopla, deu-se a conjunção secreta do Islamismo [representada pelos Sufis], do Cristianismo [os Templários] e o Judaísmo [os cabalistas hebreus].

Por essa conjunção de natureza profundamente espiritual, tomada como ponto de partida e aliada a outro evento de conhecimento explicito, qual seja, o movimento das Cruzadas, inferimos o seguinte: É fato histórico que, em 1127, sob a inspiração de Bernardo de Claravel, os Templários [em formação] chefiados por Hugo de Paganis, seguiram para a Judéia, com a missão pública de defender os peregrinos cristãos que se dirigiam à Terra Santa. E que, segundo Louis Carpentier [4], os cruzados seguiram também com a missão reservada de buscar as Tábuas da Lei existentes na Arca da Aliança. Ora, para a liberação desses grandes segredos da Alta Iniciação, somente uma situação muito especial deveria ser criada. Eis o que nos descreve Carpentier, ao afirmar que os Templários, os Sufis e os cabalistas Judeus, devido à conjunção, eram depositários de um Conhecimento Superior. Eram filhos do mesmo Pai, o Pai Abraão. Eis a Fraternidade Esotérica, iniciada na Igreja Interior, quando se dissolve a “Nuvem do Santuário”. Efetivamente, Maomé já ensinara que os árabes eram descendentes de Ismael, o filho mais velho do Patriarca. Por seu turno, os cristão eram sabedores de que Jesus descendia em linha direta de Isaac, outro filho de Abraão. E toda a tradição religiosa do judaísmo repousa no berço do mesmo patriarca.

Então, para esse círculo secreto de Altos Iniciados, havia uma só religião [universal, pois], um só templo-catedral do qual o Templo de Salomão [a Sabedoria de Deus] era o protótipo, como síntese da Ciência de Hermes, a Alquimia ‘filha da Cabala’.

Todos esses grandes Iniciados – em especial os Templários – buscavam a Nova Jerusalém e o Santo Graal...

Assim a arquitetura gótica foi introduzida no Ocidente pelos cristãos templários! A Luz Maior daquela Divina Conjunção era e ainda é refletida e representada pela luz que escorre pelos vitrais, entra pelas rosáceas e ilumina, qual archote o Portador da Luz, as regiões sombrias dos Templos e os hieróglifos alquímicos, notadamente nas catedrais góticas francesas. “Os tempos são chegados” e o Templo-Igreja havia tomado o seu lugar na Tradição Cabalística Templos construídos por cristãos iniciados [templários], por islamitas iniciados [sufis] e por cabalistas como Moisés e Ezequiel. Pode ser que nos cultos exteriores desses três grandes movimentos religiosos as pedras estejam mortas e o metal impuro.

Todavia, na Igreja Interior – simbolizada pelas criptas [critpa ferrata, as criptas de Chartres e de Amiens] – “o archote do pensamento alquímico ilumina o Templo do pensamento cristão.” [5]

A CATEDRAL DA ARTE

A Catedral da Alma, construída em forma de uma igreja cristã, em estilo gótico, o Templo de Salomão e o Templo Rosacruz, são na expressão de Fulcanelli, a Mansão Filosofal!

Templo ou Catedral da Arte. Seu estilo arquitetural aliado à estatuária do simbolismo alquímico, demonstram a Unidade na própria Arte, na Ciência e na Religião, essa Unidade simbolizada pelo entrelaçamento dos anéis do Olimpo, do movimento olímpico.

A Obra de Arte é uma expressão espiritual por excelência, pois a Obra do Artista, na sua elaboração, inclui um poder de captação, de intuição ou de ‘sentir’ os quadros da Vida Cósmica.

O Artista ‘contempla’ as imagens arquetípicas do Mundo da Criação [Briah], mundo da Imago [nosso inconsciente]. O artista-místico projeta no exterior, por meio do suporte plástico, tudo aquilo que pode captar dessas vivências no mundo das idéias, como o definia o ‘divino Platão’. Então, essencialmente, ele não cria, mas procria [trabalha para o único Criador], indo ao mundo da ‘imagem que teve a sua morada na alma do artista. Imagens que existem no Espírito que cria. O Espírito Criador em cada artista’.[6] O verdadeiro artista é, assim, um místico autêntico!

Acreditamos que H.S.Lewis tenha ‘visto’ a Catedral da Alma em sua própria essência anímica ou psique, onde foi levado por seu Cristo-Mestre Interior. O Homem é essa Mansão Filosofal, a catedral construída em pedra-viva, sobre o qual o EU-CRISTO constrói a Sua Igreja, Pedro-Pedra da Alquimia.

E o estudante será levado, pela Iniciação, ao seu Sanctum Celestial através dos braços-transeptos da Rosacruz Redentorista, em Luz, em Vida, e habitará no Amor.

Nefer!

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[Texto de Helio Francisco Fernandes].
Notas.:
[1] Robert Fludd [obra Summum Bonum];
[2] O Labirinto é chamado Absolum Alquímico e seu desenho é de uma Mandala [nota do autor];
[3]Limites Cronológicos do gótico: 1137-1430;
[4] Historiador da Ordem do Templo;
[5]Fulcanelli [O Mistério das Catedrais];
[6]H.Hesse [Narciso e Goldmund
].

terça-feira, 6 de abril de 2010

Cosmicidade


Cosmicidade é o UNO que abrange TUDO. É a TOTALIDADE, tudo aquilo que possamos imaginar de físico e hiperfísico, material e espiritual; é o tudo do TODO. É a divindade Absoluta – REALIDADE – dos místicos. É Deus, o Supremo, dos religionistas. A mente Cósmica; a Alma Universal dos metafísicos.

Nada há fora da Cosmicidade. Tudo o que acontece está em ‘seu interior’; amor, ódio, atos de fraternidade, atos de atrocidade, guerras, etc.

Como explicar o Mal, perguntam alguns? O mal é a ausência do BEM. Quando se é o Bem, não há o mal. Tudo está em harmonia.

A Cosmicidade-Divindade-Totalidade é harmonia integral, não induz ao mal. Os seres humanos, com seu livre-arbítrio, é que decidem agir dentro da Lei Divina – Cósmica – ou não. Quando agem fora dessa Leu Suprema, incorrem em erro e aí se manifestam a corrupção,a s guerras, as desarmonias em geral; tudo o que é negativo e destrutivo no Homem.

Qual a finalidade do Homem na Terra? Sua finalidade é evoluir, desenvolver-se, despertar, conscientizar-se do que, realmente, ele é. O Homem é Divino em essência. Traz a Divindade em seu âmago. Como disse Teresa de Ávila, o Homem tem Deus em sua alma.”Nele vivemos, nele nos movemos, nele Temos o nosso ser”.

O homem cósmico é aquele que vivem em uníssono com a COSMICIDADE – a Lei Divina. Sendo a Cosmicidade o que inclui TUDO, também é a LEI TOTAL, o AMOR GLOBAL, a SABEDORIA CÓSMICA, DIVINA E INFINITA. Sendo a totalidade também é o cognoscível e o INCOGNOSCÍVEL. Não se pode conhecê-lo – é o eterno Desconhecido, porém conhecido através de suas manifestações ou criações, segundo alguns.

O Homem só pode SENTI-LO e não pode percebê-lo com seu sensor físico.

Apenas os místicos verdadeiros o experienciam quase que totalmente. Isso porque o TODO contém as partes, mas nenhuma das partes isoladamente ou em conjunto pode abarcar o TODO. O INFINITO inclui os finitos – as partes - mas o finito não pode, não consegue incluir o Infinito – o Cósmico.

Houve um Homem cósmico, um Místico plenamente desperto e realizado – IESCHOUAH [Jesus] – que manifestou a Divindade, Sua Cosmicidade, aqui na Terra. Quando afirmou “Eu e o Pai somos UM”, referiu-se a sua REALIZAÇÃO na COSMICIDADE [Alma Cósmica].

Ele pôde asseverar: “quem vê a mim, vê aquele que me enviou”. Que tremenda afirmação! Só um SER verdadeiramente realizado é que poderia dizer tal Realidade-Verdade-Totalidade! A Cosmicidade irradiava-se, plenamente, de todo seu ser.

Somente quando expressamos AMOR [manifestação de Cosmicidade] é que seremos, realmente, seres cósmicos, cumprindo a vontade da TOTALIDADE. “Deus est Amor”, Vida et Lux”; sejamos também LUZ, VDA e AMOR para lucificarmos, vivificarmos e amorificarmos nossos semelhantes, nossos irmãos, e a nós próprios na COSMICIDADE.
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[Texto de Paulo R.M. de Macedo]

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O FAMOSO CÃO DE ATENAS


Diógenes era conhecido no século IV antes de Cristo como o ‘Cão de Atenas’. Embora a imagem de um homem-cão possa excitar a nossa fantasia, há uma filosofia razoável por trás disso. Por exemplo, você sabia que Diógenes foi o mais famoso filósofo grego da escola grega do Cinismo?

O nome ‘Diógenes’ tende a evocar principalmente a imagem de uma figura encapuzada, com uma lamparina, em vão tentando encontrar um homem honesto. Ele de fato gostava do papel de censor da moral ateniense e, dada a degeneração que ocorria em seu tempo, sua cruzada contra a corrupção ocupou a maior parte do seu pensamento e de sua energia ao longo de seus 89 anos.

A história de como Diógenes tenha se tornado tão cínico parece em parte uma novela. Primeiro que tudo, ele nasceu na cidade de Sinope, de pais pobres mas desonestos. Seu pai, que era cambista, era tão mal-afamado que os cidadãos de sua cidade natal o expulsaram juntamente com sua esposa e seu filho. Os três foram morar em Atenas, onde Diógenes passou ao elevado discipulado socrático e ascético de Antístenes. Ora, Antístenes, pela simplicidade de sua vida e seus ensinamentos, tinha grande influencia entre as classes mais pobres. Mas, no seu lado negro, ele tinha um temperamento terrível e cometia atos de violência física contra seus discípulos quando estes o desagradavam. Evidentemente, Diógenes ofendeu seu mestre em mais de uma ocasião e sofreu considerável brutalidade durante seus anos de discipulado.

Talvez tenha sido a falta de autocontrole de Antístenes que tenha dado ao termo ‘cínico’ sua aceitação popular, hoje em dia, como símbolo de mau humor e desprezo do ponto de vista dos outros. Segundo essa definição corrente, um cínico é uma pessoa que acredita que o comportamento humano é motivado, consciente ou inconscientemente, totalmente pelo interesse pessoal e satisfação egocêntrica. Mas se essa fosse toda a história, por que teria o CINISMO se mantido tão atraente para a imaginação humana? Pretendemos explicar isso mais adiante.

Um começo assim tão duro teria amargurado um homem de menos caráter do que Diógenes. Mas ele não era um homem comum!Como um supremo defensor da vida simples, ele s livrou de tudo o que considerava posse ‘desnecessária’. Isso incluiu o luxo de uma esposa e culminou com o abandono de sua cuia de mendicância. Mas Diógenes manteve seu caráter bem amadurecido, bafejando os outros com seu esquisito humor.

Como patrono dos cultos de retorno à natureza, Diógenes tinha uma singular solução para o problema de habitação. Ele se mudou para um grande tonel de vinho vazio que ficava no terreno do templo de Cibele e que tinha uma esplêndida localização na Ágora de e Atenas. Ali ele viveu,dia e noite, por muitos anos, observando tranqüilamente o movimento da Ágora. Em qualquer dia bonito, podia-se encontrá-lo tomando banho de Sol complacentemente, diante de seu enorme tonel, mastigando a sua frugal ração ou discorrendo com amigos e discípulos sobre o seu tema favorito: a insensatez dos gregos.

O desapego dinâmico praticado pelo nosso famoso CÍNICO impressionou tanto a Alexandre o Grande que este rei fez uma visita especial ao tonel. Mas foi recebido por Diógenes com mal disfarçada indiferença. Respondendo a uma bondosa oferta de Alexandre de fazer alguma coisa por ele, Diógenes replicou:” há uma coisa, sim, meu príncipe. Vossa Majestade pode se afastar um pouco para o lado, pois está entre eu e o Sol, e eu estou com frio’. Durante algum tempo, Diógenes e Alexandre o Grande mantiveram uma estranha correspondência. Certa vez Alexandre enviou-lhe uma cesta com velhos ossos, com uma nota dizendo: ‘estes ossos são apropriados para um cão’. Diógenes devolveu os ossos com uma outra nota:’estes ossos não são apropriados para um Príncipe enviar’.

Obviamente, nosso famoso CÍNICO foi cognominado o “Cão de Atenas” porque, como ele próprio o expressou, latia aos calcanhares dos ricos, rosnava e mostrava os dentes aos políticos, fungava ante filósofos pretensiosos, e recebia com gratidão elaboradamente pretendida os restos de comida que lhe eram atirados. Além disso, sua moradia parecia um canil!

Alexandre não foi a única personalidade importante que foi alvo da virtuosa ira de Diógenes, que criou também aversão a Platão, seu patrício e aristocrata rico de grande finura. Pelos padrões do Cinismo, todos os nobres sofriam de vaidade. Assim, na primeira oportunidade, Diógenes deliberadamente pisou num manto novo de veludo de Platão, numa poça de lama, dizendo maliciosamente: “assim eu piso o orgulho de Platão”. Mas, sem sinal de aborrecimento, Platão retrucou com um sorriso amável e a tranqüila resposta: “pois é, Diógenes, e como você está orgulhoso de ter feito isso”.

Dia após dia o velho Cínico sentava-se do lado de fora do seu tonel, sua austera fisionomia franzida numa reprovação simbólica, vociferando suas repreensões, quer as pessoas as escutassem ou não. Em muitas ocasiões, quando lhe perguntaram por que ele falava sozinho, Diógenes respondeu brincando que não resistia à tentação de conversar com uma pessoa inteligente. Mas em certa memorável ocasião, um solilóquio evidentemente não foi o bastante para satisfazê-lo. Seguindo o impulso de sua musa predileta, Diógenes começou a fazer um discurso de grande profundeza. Continuou a falar por algum tempo, mas acabou percebendo que ninguém tinha parado para escutar suas palavras, de modo que sua fragrância intelectual estava sendo desperdiçada no vazio do ar.

Ajustando-se àquela emergência, Diógenes suspendeu sua dissertação e começou a cantar uma melodia popular de maneira desafinada. Deu alguns passos de dança grotescos, saltitando como um passaro desajeitado. Uma grande multidão logo se formou em frente ao seu tonel. Diógenes, então, parou de cantar e, em altos brados, xingou os espectadores de tolos que não tinham faro para fragrâncias espirituais e que só tinham ouvidos e olhos para dissonâncias inúteis e atos bobos. Depois, deu as costas para a multidão e voltou à sua solidão.

Numa outra ocasião, um admirador deu a Diógenes um frasco com óleo aromático que os aristocratas usavam para ungir a cabeça, mas, contrariando o costume, Diógenes sentou-se no chão e ungiu seus pés. E como a vida particular de Diógenes era pública, devido à maneira como ele vivia, um transeunte perguntou: “por que, Mestre dos Cães, você fere o costume e passa o óleo nos pés, em lugar da cabeça?” O velho CÍNICO retrucou rindo marotamente: “Se eu ponho o óleo no topo da minha cabeça, o perfume se evolta para cima e se perde no ar; e se eu o ponho nos pés, ele se eleva para minhas narinas e deleita minha alma”.

Depois de ter concedido suas atenções às necessidades dos atenienses durante muito anos, Diógenes resolveu viajar para lugares distantes e quis o destino que seu navio fosse capturado por piratas e ele fosse vendido no mercado de escravos de Creta. Consta que, enquanto aguardava o leilão, perguntaram-lhe qual era sua profissão e ele respondeu: “não tenho profissão além de dirigir homens. Gostaria de ser comprado por alguém que quisesse, não um escravo, e sim um mestre”. Graças a isto, a vida doméstica de Diógenes mudou. Ele foi comprado por um cidadão sábio que o nomeou tutor de seus filhos, de modo que o grande Cínico ficou em Corinto pelo resto de sua longa vida. Não obstante, sua reputação como o “Cão de Atenas” persistiu, assim como sua fragrância intelectual. Os Coríntios passaram a amar tanto aquele velho excêntrico que, quando ele morreu, erigiram m sua memória uma bela coluna de mármore com a figura de um cão agachado.

Agora que já consideramos as idiossincrasias do nosso “Cão Cínico, desfrutando seu forte humor, que foi que realmente fez a fama de Diógenes durar mais de 2.000 anos? Que há nos seus ensinamentos que intriga os filósofos de hoje?

Os antigos Cínicos acreditavam que o estudo das várias artes e ciências acadêmicas fazia os homens ficarem tão fascinado com esses objetivos intelectuais que eles ignoravam os problemas vitais de seu próprio caráter. Dissertando sobre este assunto, Diógenes disse: “eu sempre me admirei dos gramáticos que, pesquisando os infortúnios de Ulisses, esquecem os seus; dos músicos que, enquanto afinam seus instrumentos, tem sentimentos dissonantes em sua alma; dos matemáticos que, contemplando o Sol e a Luz, negligenciam o que está a seus pés; dos oradores que, proficientes em falar de coisas justas, esquecem de agir em conformidade com elas; e de pessoas gananciosas que gastam publicamente um dinheiro que na verdade amam acima de tudo”.

A alusão aos matemáticos que negligenciavam o que está a seus pés foi uma referência a um incidente na vida do filósofo Tales, o qual é bem conhecido. Certa noite, Tales ficou tão absorto em contemplar a Lua que caiu numa vala cheia de lama. Ele adorava contar essa história, para lembrar aos seus discípulos que “homens sábios têm de manter um olho na terra, mesmo quando o outro está focalizado em assuntos celestiais.”

Há muito que se dizer em favor da atitude do Cinismo quanto às falácias da educação, naquela época como hoje em dia. Em geral, a educação continua a mascarar o problema supremo da vida, que é o auto-aprimoramento. Só podemos aprender aquilo que já sabemos ‘interiormente’. Portanto, o fracasso em desenvolver a vida interior faz a educação formal resultar em nada.

Embora a vida de Diógenes pareça exaltar a pobreza, sua doutrina não era tanto de ênfase na privação extrema como de libertação da fixação de acumular bens, que,então como agora, domina a média das pessoas. Ele compreendeu e perpetuou o conceito socrático de que a felicidade tem de ser conquistada pela obediência à lei natural. Por outro lado, os antigos Cínicos de fato demonstravam pouca paciência com as boas maneiras sociais, eram muitas vezes acusados de serem incultos e, em alguns casos, eram realmente incivilizados. Cínicos posteriores mudaram esse extremismo.

Não obstante, qualquer extremismo injustificado tende a ofuscar o tema principal, que era o de evitar a aceitação das boas maneiras sociais como substituto para a integridade pessoal. O exemplo horrível dos Cínicos era o patife elegantemente culto e educado, que era aceito por seus modos mas na realidade não tinha nenhuma das virtudes fundamentais como apoio para seu polido exterior. Para os antigos Cínicos, esse tipo de sofisticação velava as fraquezas da vida moral e intelectual do homem, enquanto a tradição impunha limitações insensatas e muitas vezes destrutivas à perspectiva humana.

Por outro lado, Diógenes teria estado justificado em discordar de Epicteto, cuja definição doutrinária de Cinismo era “a ginástica da retidão pessoal”. Diógenes sabia que o Cinismo não é basicamente uma doutrina de condenação negativa. Trata-se antes de uma doutrina que objetiva ajudar o indivíduo a extirpar as más motivações de seu próprio interior. A primeira filosofia dos Cínicos teve raízes nas doutrinas de Sócrates, mas acrescentou um passo de enorme importância no pensamento humano: o auto-reconhecimento de que somos uma unidade moral no nosso sistema social, de modo que a preservação ou destruição desse sistema torna-se nossa responsabilidade pessoal.

A doutrina da responsabilidade pessoal, proposta pelos Cínicos, teve um efeito de longo alcance. Ela ainda é a base do melhor e mais honesto pensamento da nossa época. Essa doutrina requer que cada pessoa reconheça a si mesma como a causa de sua própria felicidade e seu infortúnio e que aceite a si mesma como um fator participante e dinâmico na preservação ou destruição da trama de seu sistema social. Estudantes sinceros sabem que o autodomínio e a responsabilidade social são os fatores irritantes da psique, e Diógenes era um irritador por excelência. No entanto, o velho Cínico era no íntimo um homem paciente e bondoso que nunca deixava de ajudar àqueles que recorriam a ele com seus problemas. Ele era um psicólogo popular o suficiente para saber que uma livre confissão fazia bem à alma. E achava também que escutar era um esplêndido meio de aprender.

Embora Diógenes muitas vezes criticasse os dogmas religiosos dos pagãos, ele era profundamente espiritual, acreditando nos deuses e em sua Musa pessoal, aquilo que muitas vezes chamamos de Mestre Interior. Achava ainda que os deuses tinham um senso de humor altamente desenvolvido, pois só um humor do mais alto nível podia ter criado o ser humano como uma caricatura da natureza divina. Diógenes ensinava que as divindades tinham também concedido a suas criaturas algo de seu divino humor, a fim de que os homens pudessem comprazer uns com os outros com um gosto pelo absurdo verdadeiramente jovial.

Mas o velho Cínico não passou sem uma ocasional queixa pessoal. Certa vez ele sofreu uma forte dor no ombro e queixou-se tanto desse incômodo que um estranho, ouvindo-o e não sentindo nenhuma compaixão sugeriu: “seria uma boa idéia que você morresse e assim se livrasse do seu sofrimento”. Diógenes replicou indignado: “não. A finalidade da existência é pôr a vida em ordem, de modo que não é correto que eu morra de alguma dor, e sim que, tendo superado a dor, eu morra como recompensa.

Entre os pagãos esclarecidos, a morte não era encarada como um desastre e sim como algo a ser desejado na plenitude do tempo. Os Cínicos compartilhavam com outras seitas gregas uma participação comum na tradição órfica – a imortalidade da alma, a metempsicose ou renascimento, e a perfeição final da natureza humana pela periódica reincorporação no estado físico. A força de sua crença superava todo medo da morte, que era encarada como uma aventura num novo estado de ser.

Como se pode ver, o uso atual do termo ‘cínico’ perverteu uma idéia básica. É um equivoco popular que o CINISMO é realmente uma doutrina de condenação negativa dos outros, ou a ‘ginástica da retidão pessoal’. Pelo contrário, o verdadeiro CINISMO nos ensina a extirparmos nossas más motivações do nosso próprio interior, de modo a alcançarmos a iluminação; portanto, o cínico radical de nosso século não é um iluminado, e sm desiludido. A desilusão persegue também aqueles que perdem a fé nas integridades subconscientes que sustentam o mundo e, com esta atitude, essas pessoas corrompem a si mesmas e também à sociedade.

Diógenes ensinava que o mundo é na verdade bom e que os deuses dirigiam suas criaturas com sabedoria, compreensão, paciência e humor. Eram os seres humanos que falhavam subjetivamente aos deuses, vivendo suas próprias realidades individuais de um modo indigno de sua divina origem e seu heróico destino. Não se contentando em fazer azedas observações sobre a insensatez dos gregos, a ridicularização que Diógenes fazia era sempre acompanhada de remédios construtivos. Ele procurava fortalecer a consciência social, estimular em pessoas reflexivas um impulso superior para o seu próprio aprimoramento. Por outro lado, o cínico moderno não tem essa base filosófica e se satisfaz em criticar e condenar. Hoje em dia, aqueles que estão mais insatisfeitos são os que menos tem a oferecer em remédios, para não falar em formas de bondade ou tolerância.

Concluindo, os antigos Cínicos eram um grupo reacionário que pouco tinha em comum com o espírito de rebelião de hoje. Quatro séculos antes do Mestre Jesus, os Cínicos representaram uma reação extremada à extravagância e à dissipação de muito atenienses cujo estilo de vida era uma grande ofensa às classes mais pobres. Diógenes tornou-se o espírito propulsor e o principal porta-voz das massas descontentes. Seu remédio para a maré enchente da corrupção ateniense era o retorno à vida simples e à autodisciplina. Ele não era socialista no sentido em que entendemos esse termo hoje em dia; sua depreciação de toda a teoria da riqueza vinha de profundas convicções religiosas e filosóficas. Diógenes defendia e praticava a evolução individual do caráter, ao invés de revolução de massa contra os deuses, a igreja, ou o estado.

Para ousarmos viver nossas próprias maiores convicções diante de idéias que não são mais apropriadas – quer se trate de ciência, religião ou filosofia – é preciso um fino discernimento, além de coragem para lançar idéias na agitação de um mercado. Diógenes tinha essa coragem e esta é mais uma razão para ele ter sobrevivido até o nosso século. Como extremista, ele viveu uma vida de cachorro. Mas devemos lembrar que ele era também iluminado por uma filosofia de caráter divino. Embora representasse a superação de costumes e idéias obsoletos, Diógenes – como Anúbis, o deus de cabeça de cão – representou também o processo de ressurreição do futuro Alvorecer.

Os filósofos podem reconhecer alguns conceitos básicos e, assim, o verdadeiro CINISMO continua a acrescentar sua fragrância à Rosa.

[Texto de Burnam Schaa]