sábado, 13 de março de 2010

Zen, Koans e Dualismo


Em sua eterna busca de união com o Ser Divino, o ocidental criou rituais, cânticos e orações para alcançar esse objetivo. Contudo, apesar de todos os seus esforços, o homem continua cego ao fato de que a Verdade não pode ser alcançada por meios externos, e sim pelo que o Budismo Zen chama de ‘a arte de olhar para dentro do seu próprio ser’.
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Que é o Zen? Quais as suas característica, qual a sua filosofia? E, acima de tudo, por que alguém iria querer estudar o Zen? A resposta é que o estudo e a prática do Zen leva ao que se conhece como ‘abertura do terceiro olho’. No idioma japonês isso tem o nome de ‘satori’, que significa iluminação. Sucintamente, ‘satori’ é a união com o Ser Divino.

Em contraste com as religiões orientais, existe no Ocidente o conceito do dualismo. Esse conceito afirma que o homem e Deus são duas entidades separadas, que o homem ‘está aqui em baixo’ e ‘Deus está lá em cima’, eternamente fora do alcance humano. Este conceito dualista impede que o homem s torne unido a Deus e à Natureza.

Um excelente exemplo de não dualismo é encontrado no Budismo Zen. Com base nesse não-dualismo, sabe-se que os mestres Zen afirmam que nada há para ensinar, nada para aprender, que não existe ‘satori’. Que é que isto significa? Este é um conceito muito difícil de assimilar, especialmente por parte dos ocidentais, que medem o valor de realizações pela conquista e o acúmulo de mais e mais conhecimentos novos. A reação imediata, portanto, é: “ Por que preocupar-se com isso?”

Entretanto, se considerarmos a questão do ponto de vista de que não existe separação entre o homem e o Ser Divino, significando com isto que os dois são de fato um só e o mesmo, infere-se que nada há realmente para ensinar, nada para aprender e, assim, nenhum ‘satori’ Isto quer dizer que o homem, possui dentro de si mesmo tudo o que há para ensinar e tudo o que há para aprender, porque a ‘Sabedoria do Universo’ é também a sua sabedoria. Quer dizer também que o ‘satori’ se encontra aqui e agora em nossa vida diária.

Qualquer que seja o caso, acho que, à parte do conceito de não-dualismo, o homem é em si mesmo um ser dual. Ele tem um estado consciente e um estado inconscient de percepção. Em sua maior parte, o homem age num nível consciente, objetivo, durante sua vida diária. Esse estado objetivo de consciência só lhe permite limitada observação da ‘Verdade do Universo’_ “adormecida” em seu inconsciente. É preciso trazer à superfície, à esfera da consciência objetiva, aquilo que se encontra no inconsciente. Mas como fazer isso? Como pode o homem estabelecer essa linha de comunicação entre esses dois níveis de consciência? O uso de ‘koans’ pelos mestres Zen é um meio de alcançar esse objetivo.

A pessoa que não esteja familiarizada com o Zen imediatamente perguntará: “ Que é um koan?” O ‘koan’ é uma resposta enigmática altamente ilógica por parte de um mestre Zen a seu estudante. Os ‘koans’ são desconcertantes para qualquer um – especialmente para o não-iniciado – e não podem ser solucionados intelectualmente. Nas palavras de Suzuki: “O koan é um tema, ou afirmação, ou pergunta que o Mestre Zen propõe, cuja solução leva o estudante a um lampejo de compreensão espiritual.” Entretanto, a afirmação “Sete queixos de linho” absolutamente não é uma resposta muito esclarecedora à pergunta: “Que é o Buda?” Pelo contrário, essa resposta não faz qualquer sentido.

Que é que o estudante tem de fazer com semelhantes respostas irracionais a suas perguntas perfeitamente racionais e profundas? Obviamente, a mera análise intelectual, objetiva, jamais trará a solução que leva ao lampejo de compreensão espiritual. Na verdade, a análise intelectual concentra-se no dualismo, convencendo o homem da eterna separação entre ele próprio e o Ser Divino, entre sujeito e objeto. O intelecto só pode compreender que ‘A’ é sempre e exclusivamente ‘A’, e jamais ‘não-A’. A chave do problema, portanto, reside na eliminação de nosso modo intelectual de pensar.

De acordo com a disciplina Zen, o estudante deve dedicar-s noite e dia à solução do seu ‘koan’. Seja qual for a atividade que ele esteja desempenhando, todo o seu pensamento deve estar fixo em seu koan. Essa é uma proposição de longo prazo; pode durar dias, talvez anos. Oportunamente, a mente do estudante acaba ficando vazia devido a exaustão extrema, e todas as suas faculdades de raciocínio estacam. Nesse momento a solução do ‘koan’ é revelada ao estudante num lampejo súbito de intuição. Isto constitui a ‘abertura do terceiro olho’, ou ‘satori’.

A fixação do próprio intelecto e atenção à solução do ‘koan’ é a forma Zen de meditação, ou ‘dhyana’. O pensamento que é constantemente mantido na mente objetiva torna-se uma poderosa sugestão para o inconsciente. Quando a mente objetiva se esvazia e o estudante perde toda a percepção consciente, o inconsciente responde ou reage à sugestão. O resultado disso é a Iluminação.

Na tradição ocidental de mistério, técnicas semelhantes de sugestão objetiva, destinadas a suscitar respostas do inconsciente, são empregadas com o objetivo de alcançar a iluminação. Quer a pessoa seja oriental ou ocidental, o resultado dessas técnicas, quando corretamente aplicadas, é o mesmo: união pessoal direta com o Ser Divino.

Pode-se afirmar, portanto, que o Ser Divino reside dentro do inconsciente do homem. Percebemos a Verdade dentro de nós, e ao mesmo tempo nós somos essa Verdade. Com efeito, ‘A’ é ‘A’ e também ‘não-A’, simultaneamente. Diz Gensha:”Estamos aqui como que imersos em água, com a cabeça e os ombros sob o grande oceano e, apesar disso, com que lamentação estendemos as mãos em busca de água.”
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[Texto de Edith Esty]

sexta-feira, 12 de março de 2010

Pensamentos Involuntários


Pensamentos muitas vezes podem impedir os processos mentais, do mesmo modo que obstáculos obstruem nosso progresso físico. Os pensamentos advêm ao primeiro plano da consciência, dominando nossa atenção, de dois modos. O primeiro, naturalmente, é pela vontade, pela recordação intencional de incidentes, pelo desejo de recordar-se de algo gravado na memória. Obviamente, esses pensamentos estão totalmente sob nosso controle. Podemos inibi-los ou afastá-los sempre que não os desejemos.

Os outros pensamentos são os do tipo involuntário. Tais pensamentos nos advêm por sugestão ou porque verdadeiramente dominam a nossa mente subconsciente. Dois dos fatores que explicam nossa atenção ou concentração são a intensidade e a extensidade das impressões. Por exemplo, quanto mais intenso ou alto for um som, tanto mais compelirá nossa atenção auditiva. Conseqüentemente, se nos colocarmos em posição tal que estejamos sujeitos a intensos ou extensos estímulos sugestivos provenientes das coisas – dos objetos – de nosso ambiente, podemos estar certos de que essas coisas, como pensamentos, dominarão nossa consciência, quer os desejemos ou não. Durante um período de meditação, por exemplo, podemos não querer pensar em certa marca de cigarros. Mas se nos colocarmos defronte de uma janela de modo que um anuncio luminoso de certa marca de cigarros nos distrais, sugerindo continuamente sua finalidade, não podemos ficar alheios a esse pensamento.

Talvez os pensamentos involuntários mais insistentes sejam os do último tipo – pensamentos que dominam nossa mente subconsciente. Estes podem surgir de hábitos há muito estabelecidos. Tão logo a pessoa esteja passiva, o estimulo do habito surte efeito, talvez como desejo intenso que domina a sua atenção até que ela o satisfaça. Muitos indivíduos, infelizmente, não podem relaxar por mais de alguns segundos sem sentirem o desejo de fumar. Devem saciar o hábito com um cigarro ou charuto para que voltem à normalidade, e até então são incapazes de se concentrar em outras questões. Esta é uma condição fisiológica ou nervosa, resultante do hábito de fumar. O pensamento dominante, porém, pode ter também uma causa psicológica. Pode haver um temor latente, um complexo de ansiedade, o resultado de alguma preocupação profundamente arraigada que chega ao primeiro plano da consciência tão logo a mente esteja relaxada.

OS BUSCADORES DE PRAZER
O hábito de prazer físico e ócio igualmente constitui uma força dominante para nós. Quando a pessoa começa a ler um texto, um livro, uma monografia ou alguma literatura que exija esforço mental [ e qualquer literatura valiosa o faz], se a pessoa é inclinada à indolência mental, a mente se rebela contra a concentração. Ela procura fugir ao domínio que lhe é imposto.

Como um alivio, pensamentos distrativos de prazer irromperão na consciência. Primeiro, sentiremos a inclinação de fugir à obrigação de ler e estudar. Em seguida, relacionada com esse desejo, advirão idéias de coisas que são física e mentalmente isentas de esforço, atividades que podem ser empreendidas a qualquer momento como alternativa. Começaremos até mesmo a justificar essas alternativas. Explicamos a nós mesmos por que precisamos dar uma cochilada, dar um passeio em volta da quadra ou telefonar a um amigo ao invés de fazer aquilo que é melhor para nós. Quando nos submetemos a essas fugas, enfraquecemos a nossa vontade e fortalecemos os pensamentos involuntários e os desejos.

Em termos psicológicos, naturalmente, quando deixados aos nossos próprios recursos e sem nenhuma compulsão externa, sempre fazemos aquilo que desejamos. Mesmo quando ‘nossa consciência nos incomoda’, como diz o ditado, e conscientemente fazemos o contrário do que devíamos, agimos segundo o nosso desejo mais intenso. Somos criaturas de desejo, e somos sempre motivados pelos impulsos mais fortes do momento. Um homem que embora com relutância voluntariamente deixa a fresca sombra de sua casa para ir consertar uma cerca quebrada sob o escaldante sol de verão está fazendo o que deseja; ele pode até argumentar consigo mesmo que preferia estar à sombra fresca a trabalhar sob o sol escaldante. Em verdade, porém, ele prefere a satisfação psicológica, o prazer mental d realizar algo necessário, a qualquer sensação de negligência, mesmo a da agradável sombra de sua casa. Caso contrário, não cumpriria a obrigação.

O CULTIVO DA MENTE
Como é que podemos, pois, nos libertar de pensamentos não desejados, de hábitos e desejos que tanto conflitam com os novos pensamentos que desejamos cultivar?

Antes de mais nada é essencial formularmos claramente os pensamentos que desejamos cultivar na mente, e idealizar esses pensamentos. Usemos mais uma vez a analogia do estudo. O estudo constitui esforço. Entretanto, o interesse e a prática diminuem o esforço necessário ao estudo. O simplesmente querer estudar não é inspirador e certamente não despertará suficiente entusiasmo para que se oponha à tentação de não estudar. Pergunte-se a você mesmo: Por que eu desejo estudar? É necessário não apenas que tenha um assunto em mente, mas que esteja certo de que tal assunto é pessoalmente atrativo. O assunto deve estimular a imaginação. Você deve poder idealizar os benefícios do mesmo, isto é, antever seus resultados prazerosos e as oportunidades que advêm do estudo do assunto.

Tenho ouvido certos adultos, conscientes da necessidade de maior instrução, dizerem:”Neste inverno vou fazer algum tipo de curso, não importa qual”. À guisa de análise, acompanhava os esforços dessas pessoas e os descobria muito incoerentes. Cedo ou tarde elas abandonavam qualquer tentativa de estudar e voltavam ao seu modo tolo de vida. Não havia qualquer motivação por trás de sua inclinação de estudar. Não havia qualquer anseio especifico que o estudo pudesse satisfazer, nem havia qualquer estimulo para que o estudo continuasse; este era todo trabalho e nenhum prazer.

Se não está certo quanto àquilo que você deseja estudar, ou por que, então não o comece. Semelhante atitude não faria com que o estudo fosse uma prioridade em sua consciência. O estudo tornar-se-ia presa fácil dos estímulos mais vigorosos de outros hábitos e outros desejos. A intenção de estudar logo seria afastada da mente.

Suponha que um individuo tivesse a impressão de que gostaria de estudar Filosofia e talvez não fosse capaz de dizer por que esse pensamento o atraía. Antes de ele verdadeiramente começar um estudo sistemático da filosofia moderna e antiga, seria aconselhável que fosse a uma biblioteca publica ou a alguma loja de livros usados e lesse um esboço elementar da vida de alguns dos filósofos. Se após ter lido a obra a sabedoria dos antigos sábios estimulasse suas idéias, se ele sentisse que estava explorando um mundo novo, se colhesse muita satisfação da leitura desses tópicos, saberia então que o estudo do assunto ser-lhe-ia. Se, porém, ele não puder formar um ideal, isto é, se não puder achar uma razão suficiente e lógica para estudar esse assunto, é melhor que não o encare.

ANÁLISE DOS PENSAMENTOS INVOLUNTÁRIOS
Outro meio de lidar com pensamentos involuntários e desejos, é analisá-los. A análise enfraquece a influencia que eles tem sobre nós. Quando você tiver algum impulso de realizar algo de que não teria orgulho, analise-o primeiro em sua mente. Não sinta simplesmente os pensamentos e sensações de modo global. Descubra em que consistem eles. Que é que os causa? Se esses pensamentos e sensações possuem aspectos repugnantes, não obscureça tais aspectos. Não os coloque de lado em favor dos aspectos mais atraentes. Coloque os aspectos desfavoráveis ‘à luz da razão’.

Esse tipo de análise diminui a influência que os pensamentos ou desejos podem exercer sobre a nossa consciência. Muitas vezes somos motivados por pensamentos que em seu todo talvez pareçam agradáveis. Mas quando submetemos esses pensamentos a análise, suas falácias tornam-se evidentes e isso obscurece o antigo atrativo, fazendo com que seja fácil eliminar esses pensamentos ou desejos.

Recentemente tive um debate com um estudante sobre a questão da libertação de pensamentos indesejáveis durante a meditação. Revelou-me ele um método fácil que tem aplicado com sucesso. Sempre que o estudante era distraído por um fluxo de desejos ou pensamentos involuntários, tomava ele um bloco de rascunho e caneta e escrevia acerca desses sentimentos e pensamentos. Terminando de escrever, rasgava as folhas de papel e as jogava no lixo. Com a destruição dos papéis, fazia a afirmação d que sua mente estava livre daqueles pensamentos. Podia então facilmente concentrar-se no fim em mente.

Na verdade, é psicológica a única relação que existe entre escrever os seus pensamentos indesejáveis e depois destruir as folhas de papel e a limpeza mental. Ao escrever, a pessoa é obrigada a analisar seus pensamentos e emoções mais cuidadosamente para que possa formulá-los em palavras; conseqüentemente todas as suas fraquezas tornam-se evidentes. Expressos desta maneira, os pensamentos perdem seus atrativos quando a pessoa está prestes a destruir os papéis. Eis por que se afirma que “a confissão faz bem à alma’. Ela libera emoções reprimidas e converte pensamento em ação – em energia que é então gasta.

Tente este método caso sinta o mesmo conflito com pensamentos involuntários. Não se esqueça também de analisar com clareza seus pensamentos ‘desejados’ de modo que conheça o rumo que está tomando. Desse modo os pensamentos desejados dar-lhe-ão o necessário ímpeto naquela direção.
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[Texto do Imperator]

quinta-feira, 11 de março de 2010

SONO_Por que o sono é necessário ao ser humano?


Quem desconhece a ‘essência’ do sono desconhece 1/3 de sua vida.
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Por que o sono é necessário ao ser humano?

Se o ser humano não precisasse dormir, seria como se ele tivesse um acréscimo de cerca de um terço no seu tempo de vida. Muitos fisiologistase médicos já escreveram a respeito do mecanismo fisiológico do sono. Mas pode-se dizer que não existe nenhum livro que explica com clareza o que é realmente o sono.

As pálpebras se fecham, a respiração se torna lenta, a temperatura corporal baixa um pouco, a quantidade do sangue enviado ao cérebro diminui, o estímulo sobre os órgãos dos sentidos não produz impressão correta etc, etc – tudo isso são fenômenos ligados ao sono, mas não é o sono em si. Parece que, mesmo no circulo médico, ainda não existe uma teoria clara sobre ‘o que é o sono propriamente dito’.

Durante o sono, não usamos muito o cérebro. Portanto, o sono proporciona descanso ao mecanismo cerebral, promove a eliminação de matérias envelhecidas e inúteis e substitui células desgastadas por células novas – essa é a idéia que algumas pessoas tem a respeito do sono. Trata-se, porém, de um ponto de vista baseado meramente no senso comum e nas noções de fisiologia.

Talvez seja verdade que, quanto mais usar o cérebro, mais células gastas e velhas surgem nele, e precisa ser aumentado proporcionalmente o tempo de descanso e de reparação do mecanismo cerebral.
Mas será que o sono, em si, tem apenas a função de proporcionar descanso ao cérebro promover reparos nos eventuais desgaste?
Será que, para o descanso e reparos dos órgãos internos em geral, é preciso um período de tempo tão longo como o que comumente chamamos ‘tempo de sono’?
O coração funciona sem parar durante toda a nossa vida, ‘descansando’ apenas um breve tempo entre os movimentos de sístole e de diástole, e mesmo assim consegue realizar o trabalho de remover os ‘materiais’ desgastados e inúteis e substituir as células velhas pelas novas. O mesmo ocorre com a maioria dos órgãos internos. Não existem órgãos que precisam ter um tempo de descanso tão longo como o período de sono. Portanto, se a finalidade do sono fosse apenas proporcionar descanso ao cérebro e reparar o desgaste do seu mecanismo fisiológico, o período de sono não precisaria ser tão longo.
Para descanso do cérebro, não seria suficiente o intervalo de tempo entre um pensamento e outro, ou, em outras palavras, o espaço de tempo da transição de idéias?

De fato, dizem que quando mudamos de serviço, nosso cérebro descansa bastante. Por exemplo, se a pessoa estiver com a mente cansada de estudar inglês e passar a estudar matemática, surgirá nela um novo ânimo; e quando a mente se cansar da matemática, poderá passar a estudar o vernáculo e ficar com o animo renovado. Portanto, podemos proporcionar descanso ao cérebro alternando habilmente as matérias escolares a serem estudadas ou o tipo de tarefa a ser executada. Desse modo, mesmo sem recorrer ao ‘descanso que consiste em ficar sem fazer nada’, é possível proporcionar descanso ao cérebro e conseguir um bom desempenho nas atividades ao longo do dia. Esse é um modo de viver muito positivo.

Modernos estudos da fisiologia do cérebro revelaram que as funções do cérebro variam conforme as regiões e que cada área se encarrega de uma tarefa peculiar; assim, existem a região em que atua o senso de economia e finanças, outra em que atua o senso estético, e assim por diante. Significa que, quando está funcionando o senso de economia e finanças, a região do cérebro em que age o senso estético fica em repouso. Por esse exemplo, pode se deduzir que, alterando com habilidade as tarefas e mudando a disposição mental, não é preciso que o cérebro tenha longo tempo de descanso. E se a finalidade do sono fosse apenas proporcionar descanso ao cérebro, seria lógico concluir que o sono não é imprescindível. Mas o fato é que as pessoas comuns necessitam de sono, por mais que alterem as tarefas e mudem habilmente a execução de trabalhos que requerem a ação mental.
Qual a razão disso?
Considerando a questão, percebemos que isso mostra tacitamente que a essência do sono abrange algo muito mais importante do que proporcionar descanso ao cérebro e reparar desgastes fisiológicos.
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Do Livro Köfuku Seikatsuron

Projeto HAARP


DEFINIÇÃO ‘OFICIAL’
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O projeto HAARP (High Frequency Active Auroral Research Program, Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência) é uma investigação financiada pela
Força Aérea dos Estados Unidos, a Marinha e a Universidade do Alaska com o propósito oficial de "entender, simular e controlar os processos ionosféricos que poderiam mudar o funcionamento das comunicações e sistemas de vigilância. Iniciou-se em 1993 para uma série de experimentos durante vinte anos. É similar a numerosos aquecedores ionosféricos existentes em todo mundo, e tem um grande número de instrumentos de diagnóstico com o objetivo de aperfeiçoar o conhecimento científico da dinâmica ionosférica.
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ESPECULAÇÕES ?
Existem especulações de que o projeto HAARP seria uma arma dos Estados Unidos, capaz de controlar o clima provocando inundações e outras catástrofes. Em 1999, o
Parlamento Europeu emitiu uma resolução onde afirmava que o Projeto HAARP manipulava o meio ambiente com fins militares, pleiteando uma avaliação do projeto por parte da STOA (Science and Technology Options Assessment), o órgão da União Européia responsável por estudo e avaliação de novas tecnologias. Em 2002, o Parlamento Russo apresentou ao presidente Vladimir Putin um relatório assinado por 90 deputados dos comitês de Relações Internacionais e de Defesa, onde alega que o Projeto HAARP é uma nova "arma geofísica", capaz de manipular a baixa atmosfera terrestre.
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LOCALIZAÇÃO
O lugar onde se situa HAARP fica próximo à Gakona, Alasca (lat. 62°23'36" N, long 145°08'03" W), ao oeste do Parque Nacional Wrangell-San Elias. Depois de realizar um relatório sobre o impacto ambiental, permitiu-se estabelecer ali uma rede de 180 antenas. O HAARP foi construído no mesmo lugar onde se encontravam algumas instalações de radares, as quais abrigam agora o centro do controle do HAARP, uma cozinha e vários escritórios. Outras estruturas menores abrigam diversos instrumentos. O principal componente de HAARP é o Instrumento de Investigação Ionosférica (IRI), um aquecedor ionosférico. Trata-se de um sistema transmissor de alta frequência (HF) utilizado para modificar temporariamente a ionosfera. O estudo destes dados contribui com informações importantes para entender os processos naturais que se produzem nela.

Durante o processo de investigação ionosférica, o sinal gerado pelo transmissor envia-se ao campo de antenas, as quais a transmitem para o céu. A uma altitude entre 100 e 350 km, o sinal absorve-se parcialmente, concentrando-se numa massa a centenas de metros de altura e várias dezenas de quilômetros de diâmetro sobre o lugar. A intensidade do sinal de alta frequência na ionosfera é de menos de 3 µW/cm2, dezenas de milhares de vezes menor que a radiação eletromagnética natural que chega à Terra procedente do Sol, e centenas de vezes menor que as alterações aleatórias da energia ultravioleta (UV) que mantém a ionosfera. No entanto, os efeitos produzidos pelo HAARP podem ser observados com os instrumentos científicos das instalações mencionadas, e a informação que se obtém é útil para entender a dinâmica do plasma e os processos de interacção entre a Terra e o Sol.

O local onde se encontra HAARP foi construído em três fases. O protótipo tinha 18 antenas, organizadas em três filas de seis antenas cada. Esta instalação inicial demandava 360 kW de potência, e transmitia a energia suficiente para os testes ionosféricos mais básicos.

Na segunda fase foram instaladas mais 48 antenas, ordenadas em seis filas de oito antenas, com uma potência de 960 kW. Com esta potência, já era comparável a outros aquecedores ionosféricos. Esta fase foi utilizada para vários experimentos científicos que deram seus frutos, e várias campanhas de exploração ionosférica durante vários anos.

O desenho final de HAARP consta de 180 antenas, organizadas em 15 colunas de 12 unidades a cada uma. Provém um ganho máximo estimado em 31 dB. Requer uma alimentação total de 3,6 MW. A energia irradiada é de 3981 MW (96 dBW). Em verão de 2005, todas as antenas estavam já instaladas, mas ainda não se tinha transmitido à máxima potência.

Cada antena consta de um dipolo cruzado que pode ser polarizado para efetuar transmissões e recepções em modo linear ordinário (modo Ou) ou em modo extraordinário (modo X). A cada parte da cada um dos dipolos cruzados está alimentada individualmente por um transmissor integrado, desenhado especialmente para reduzir ao máximo a distorção. A potência efetiva irradiada pelo aquecedor está limitada por um fator maior de 10 à mínima frequência operativa. Isto se deve às grandes perdas que produzem as antenas e um comportamento pouco efetivo.

O HAARP pode transmitir numa onda de freqüências entre 2,8 e 10 MHz. Esta intensidade está acima das emissões de rádio AM e por embaixo das freqüências livres. Não obstante, HAARP tem permissões para transmitir unicamente em certas frequências. Quando o aquecedor está transmitindo, a largura de banda do sinal transmitido é de 100 kHz ou menos. Pode transmitir de forma contínua ou em pulsos de 100 microssegundos. A transmissão contínua é útil para a modificação ionosférica, enquanto a de pulsos serve para usar as instalações como um radar. Os cientistas podem fazer experimentos utilizando ambos métodos, modificando a ionosfera durante um tempo predeterminado e depois medindo a atenuação dos efeitos com as transmissões de pulsos.
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CONTROVERSIAS_Suposto potencial para uso como arma
O Projeto HAARP tem sido objeto de controvérsias desde meados da
década de 1990, após alegações de que as antenas poderiam ser utilizadas como uma arma. Em agosto de 2002, o Parlamento Russo apresentou formalmente uma menção crítica. O Parlamento emitiu um comunicado de imprensa a respeito do HAARP escrito pelas comissões de Relações Internacionais e de Defesa, assinado por 90 deputados e apresentado ao presidente Vladimir Putin. Segundo o comunicado:


Os Estados Unidos estão criando novas armas geofísicas que podem influenciar a baixa atmosfera terrestre [...] A significação deste salto qualitativo pode ser comparada à transição de armas brancas para armas de fogo, ou de armas convencionais para armas nucleares. Este novo tipo de armas difere dos tipos anteriores à medida que a baixa atmosfera terrestre torna-se objeto direto de influência e um de seus componentes.

Por sua vez, o Parlamento Europeu, em resolução de 28 de janeiro de 1999 versando sobre meio-ambiente, segurança e política externa, assinalava que o Projeto HAARP manipulava o meio-ambiente com fins militares e solicitava que o mesmo fosse objeto de avaliação por parte da STOA (Science and Technology Options Assessment) sobre as possíveis consequências de seu uso para o meio-ambiente regional, mundial e para a saúde pública em geral. A mesma resolução do Parlamento Europeu pedia a organização de uma convenção internacional com vistas à proibição em escala global do desenvolvimento ou utilização de quaisquer armas que possam permitir a manipulação de seres-humanos.


Alegações de uso e teorias conspiratórias
O HAARP é o protagonista de diversas
teorias conspiratórias, nas quais são atribuídos motivos ocultos e capacidades ao projeto. Algumas destas capacidades incluem controle climático e geológico, mapeamento de imagens subterrâneas e controle mental.

O jornalista Sharon Weinberger chamou o projeto HAARP de "a Moby Dick das teorias da conspiração" e disse que a popularidade das teorias da conspiração muitas vezes ofusca os benefícios que o projeto HAARP pode trazer para a comunidade científica.


Em janeiro de 2010, setores da imprensa venezuelana afirmaram que o terremoto de 2010 no Haiti poderia ter sido causado por armas produzidas pelo projeto HAARP. O site "Venezuelanalysis" afirmou que Chavez nunca fez tais proposições, e que na verdade a proposta teria surgido em uma coluna de opinião do site da internet de uma emissora de televisão governamental.
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HAARP, responsável por terremotos e furacões, aquecimento global e controle mental –

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quarta-feira, 10 de março de 2010

Introdução à Parapsicologia _ Parte 1


Vivemos numa época em que se fala abertamente dos fenômenos psíquicos [paranormal], sem nenhum temor. Mas isso não foi sempre assim. Houve uma época em que isso era tão perigoso que até podia trazer como conseqüência a morte na fogueira. Depois, em fins do século dezoito e começo do século dezenove, alguns cientistas começaram a se interessar por esses temas, e foi em meados deste século, em 1953, que a parapsicologia finalmente adquiriu caráter cientifico.

Mas bem poucas pessoas sabem disso. Se agente perguntar, “que é parapsicologia, ou quem são os parapsicólogos?”, seguramente vai obter respostas que não terão relação alguma com a verdade. Alguns acreditarão que se trata da prática de artes para ler a sorte, adivinhar o futuro,desenvolver poderes mágicos e mentais, praticar curas e até entrar em contato com extraterrestres.

E isso acontece precisamente devido ao desconhecimento do tema e também porque, como os cientistas dedicados a esse estudo não se uniram para formar uma associação de classe, assim como fazem os médicos, advogados, engenheiros, qualquer pessoa se intitula parapsicólogo, anuncia-se assim pela imprensa escrita e falada e começa a dar consultas para adivinhar o futuro ou encontrar tesouros ocultos. E isto é o que muita gente pensa que é a parapsicologia, inclusive aquelas mesmas pessoas, que não fazem a menor idéia do que é realmente essa disciplina [que, como veremos em artigos sucessivos, já é uma verdadeira ciência].

Apesar disso, as pessoas que se anunciam como parapsicólogas têm sua importância no estudo dos fenômenos psíquicos, de modo que também explicaremos como elas se classificam segundo as faculdades que supostamente podem desenvolver. Mas antes de mais nada devemos dizer que é necessário eliminar da mente a crença em que toda pessoa que diz ter alguma faculdade psíquica [ou que de fato a tem] é um parapsicólogo. Não. Parapsicólogo é um indivíduo devidamente qualificado, com formação acadêmica que lhe permite dedicar-se ao estudo desses fenômenos, para entendê-los e nos poder então explicar como e por que ocorrem. Os parapsicólogos autonomeados que produzem os fenômenos são chamados de ‘dotados’.

Feito este esclarecimento, começaremos explicando como nasceu a parapsicologia e, nos artigos subseqüentes, analisaremos o que ela estuda, faremos uma classificação dos fenômenos psíquicos mais importantes e dos que ocorrem com mais freqüência.

Os fenômenos psíquicos não são novos; sempre existiram. Mas, na antiguidade e na Idade Média, eram interpretados segundo as idéias supersticiosas da época. Mesmo hoje em dia ainda há grupos que atribuem sua origem ao diabo ou satanás. Na religião católica isto já foi superado; muitos eminentes representantes da Igreja, como jesuítas, são parapsicólogos, como é o caso do Padre Gonzáles Quevedo. Na Universidade Luterana do vaticano há uma cadeira de Parapsicologia.

A primeira sociedade de pesquisa psíquica nasceu em 1882. Mesmo antes, porém, em 1870, William Crookes, Prêmio Nobel de Química, comunicou suas observações à comunidade cientifica de Londres. O tema despertou grande interesse, embora os cientistas que se ‘atreviam’ a estudá-lo fossem tachados de loucos ou tolos. Depois foi fundada na América do Norte a Sociedade Americana para Pesquisa Psíquica e realizaram-se congressos internacionais, o que causou grande agitação nos círculos da ciência ortodoxa.

O nome, PARAPSICOLOGIA, foi criado na Alemanha por Max Dessoir, em 1889, e começou a ser usado nos Estados Unidos a partir de 1908. Mas foi somente em 1934 que ele foi difundido, graças aos trabalhos desenvolvidos, juntamente com sua esposa, pelo Dr. Joseph Panks Rhine, licenciado em Ciências Biológicas pela Universidade de Duke, na Carolina do Norte, no campo da telepatia, faculdade que finalmente pôde ser comprovada. Ao analisarmos esta faculdade, nos artigos seguintes, explicaremos com detalhes os trabalhos desse eminente cientista e parapsicólogo.

Em 1953 foi realizado em Utrech, Holanda, um Congresso Internacional de Parapsicologia. Aí se deu pela primeira vez uma aula sobre o tema, ministrada pelo Dr. W.H.C. Tenhaeff e, desde então, a parapsicologia está reconhecida como ciência.

Como podemos então perceber, a parapsicologia tem apenas alguns anos de existência. Diríamos que ela ainda está usando fraldas, mas, a cada dia que passa, mais cientistas se dedicam seriamente ao seu estudo, no que pesem as dificuldades que encontram em muitos de seus colegas, além da má imagem que as pessoas inescrupulosas, ou mesmo ignorantes, estão causando ao se anunciarem como parapsicólogos e realizarem atividades que nada têm a ver com essa nobre ciência.

Atualmente, a maioria dos teóricos do tema argumentam que sua definição não corresponde aos fenômenos que ele estuda. Do ponto de vista etimológico, a palavra ‘parapsicologia’ implica que os fenômenos estão totalmente contidos no campo da psicologia, mas a parapsicologia realmente abrange outros campos, como a biologia, a física, a química, etc. Por esta razão tentou-se empregar o termo PSICOTRÔNICA, que no entanto não conseguiu substituir o termo ‘parapsicologia’.

A definição de psicotrônica é: ‘ciência que, de maneira interdisciplinar, estuda os campos de interação entre pessoas e seu meio ambiente, tanto interno como externo, e os processos energéticos envolvidos nessa interação’. A psicotrônica reconhece que a matéria, a energia e a consciência, estão interligadas. Como ciências afins, para compreender a verdadeira natureza e a origem dos fenômenos paranormais, ela se apóia na parapsicologia, na biologia, na física, na matemática, na sociologia, e até tem de pedir às vezes a orientação dos ilusionistas, devido a que há muitas pessoas que afirmam possuir faculdades psíquicas e o que realmente fazem são truques.

Em nosso artigo seguinte, começaremos a classificar os fenômenos paranormais e os ‘dotados’, isto é, as pessoas que os produzem. Daremos uma explicação cientifica de cada um deles, com relatos de fenômenos autênticos que ocorreram a certas pessoas, que, por não conhecerem ou saberem nada sobre o assunto, se assustaram ou traumatizaram. Esperamos que esses artigos sirvam para os leitores conseguirem uma compreensão mais clara dos fenômenos da vida, bem como para que possam se orientar melhor.
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[Texto do Prof.Pedro Raúl Morales].

Introdução à Parapsicologia _ Parte 2

Continuamos a informação prometida no artigo anterior. Desta vez trataremos de classificar os fenômenos ‘paranormais e dotados’, vale dizer, as pessoas que percebem ou produzem fenômenos psíquicos que não são comuns.

Mas antes quero me referir a uma característica ou função mental denominada PANTOMNÉSIA. Este termo significa ‘memória total ou completa’. Implica em que nosso subconsciente nunca esquece nada, tem tudo arquivado. Em certas condições, como durante sonhos, estados de relaxamento, etc., recordamos coisas que nos aconteceram muito tempo atrás. Por meio de técnicas hipnóticas, pode-se recordar até o momento do nascimento. Relacionada também com este fenômeno, temos a CRIPTOMNÉSIA, ou ‘memória de coisas ocultas’,que é uma memória não reconhecida como tal, pois a pessoa encontra coisas que tinha sido perdidas muito tempo antes, ou de repente vem à sua mente consciente o nome de alguém que a pessoa conheceu muitos anos atrás e de quem já não se lembrava. A Criptominésia faz parte da Pantomnésia. Um exemplo clássico desse fenômeno ocorreu com a Divina Comédia de Dante. O Cântico número 13 perdido e ninguém sabia onde estava. Em maio de 1321, o filho menor de Dante sonhou que seu pai se aproximava dele e o levava a um quarto onde havia passado os últimos anos de sua vida, e ali indicava um lugar. Quando acordou, procurou esse lugar e nele achou o manuscrito. Evidentemente, trata-se de um caso de Criptominésia. Em algum momento o rapaz viu seu pai guardar ali o cântico, ou ouviu ele dizer onde estava o manuscrito Depois essa informação passou para o subconsciente e, com o tempo, voltou através de um sonho, devido ao alvoroço das pessoas que tentavam encontrar esse escrito, provocando na mente do rapaz o desejo de descobrir seu paradeiro.

A pessoa que se dedica ao estudo da Parapsicologia deve considerar muito, tanto a Pantomnésia quanto a Criptominésia, pois alguns fenômenos, como o que descrevi, não são realmente parapsicológicos nem paranormais. Mais adiante, quando fizermos de fato a classificação, consideraremos também alguns outros sentidos que temos, como seres humanos, a fim de compreendermos que muitas coisas que assustavam nossos avós eram na realidade fenômenos naturais, captados através do sistema nervoso.

De um ponto de vista muito geral ou global, os fenômenos paranormais se classificam em ‘sensoriais e extra-sensoriais’.

Os fenômenos ‘sensoriais’ são aqueles que se captam ou se produzem com a participação de nossos sentidos físicos. Os ‘extra-sensoriais’, por sua vez, são captados ou produzidos por vias indiretas, sem a participação direta do sistema nervoso, embora este acabe sempre participando numa fase secundária, a fim de que nosso cérebro compreenda o fenômeno. Como exemplos gerais, entre os fenômenos sensoriais temos a RADIESTESIA e, entre os extra-sensoriais, a TELEPATIA.

Quanto aos ‘dotados’, classificam-se conforme os fenômenos que captam ou produzem. Se o dotado é de efeitos sensoriais, chama-se ‘sensitivo’, e se é de efeitos extra-sensoriais, ‘paragnosta ou metagnomo’. Como foi explicado no artigo anterior, é possível que um parapsicólogo seja dotado, embora isso não seja muito comum, e sim uma coisa muito rara. Também foram encontrados dotados tanto sensitivos quanto paragnostas, o mais famosos dos quais foi ‘Douglas Hume’, que podia produzir à vontade todos os fenômenos psíquicos.

Recentemente foram conseguidos muitos avanços na compreensão dos mecanismos emocionais e cerebrais dos ‘dotados’, bem como das características e da produção dos fenômenos paranormais. Sabe-se agora que:

1_ Esses fenômenos costumam ser acompanhados de experiências subjetivas de forte teor emocional.

2_ Os dotados produzem mais e melhor quando trabalham em seu ambiente natural. Na presença de um pesquisador ou de um parapsicólogo, o êxito está condicionado ao grau de simpatia ou de amizade que existia entre eles, assim como a que os experimentos sejam motivadores e não aborreçam o dotado.

3_ Os casos de fenômenos espontâneos se produzem principalmente em estados especiais do cérebro denominados ‘Estados Alterados de Consciência’. Também influi muito a confiança em si mesmo.

Para produzir esses estados de consciência, as técnicas mais usadas tem sido a hipnose e os sonhos controlados, que são praticadas em diversos laboratórios, como é o caso do “Maimonides Medical Center de Nova Iorque”.

Segundo uma das hipóteses, o centro de controle das percepções paranormais está localizado a nível do rinencéfalo. Nas técnicas de relaxamento, hipnose, privação sensorial mediante o sonho, os êxtases místicos, etc., o rinencéfalo adquire um papel predominante, porque pode transmitir a mensagem recebida para a zona cortical ou o córtex cerebral, onde ela se torna consciente. Não obstante, isso deve ser feito com muito cuidado e controle, pois, do contrário, a mente consciente poderia perder o controle do subconsciente e então a pessoa perderia também o controle de suas funções básicas e a capacidade de raciocinar, podendo chegar à loucura ou à perda total ou parcial da realidade.

Os estados alterados de consciência podem ocorrer pelas seguintes vias normais:

1_ Via TROFOTRÓPICA _ que consiste numa diminuição dos estímulos sensoriais, como acontece no relaxamento, no transe hipnótico ou magnético, no sonho, no isolamento numa câmara de silêncio, etc.

2_ Via ERGOTRÓFICA _ ou por excitação. O medo, o arrebatamento ou êxtase místico, a introdução súbita de uma pessoa em água muito fria ou muito quente, a crença de estar na presença de um Santo ou de um Mestre de conhecimento espiritual, ou a presença real de um destes, podem produzir esse fenômeno e dar origem à captação ou à produção de fenômenos paranormais. Exemplos clássico são as curas chamadas de milagrosas, que se produzem em grutas famosas, como a de Lourdes. O doente se apresenta com muita fé e grande esperança, mas ignora que a água é gelada. Quando é introduzido de repente na água, o estímulo pode provocar uma cura paranormal. Um parapsicólogo francês, Robert Toquet, calculou que, em condições de paranormalidade, a divisão das células pode se acelerar até 30 vezes em relação à normal. Se isso é possível, nada há de estranho em que um mal seja curado em questão de minutos ou de algumas horas; mas como até pouco tempo não se compreendia esse fenômeno, dizia-se que era um milagre.

Voltando aos ‘dotados’, todos o somos, mas em estado potencial. Em outras palavras, ocasionalmente, todos temos a experiência de algum fenômeno psíquico. A diferença entre um dotado natural e um potencial está em que, no primeiro, os fenômenos são transferidos de modo natural e espontâneo das áreas mais profundas do cérebro para a superfície e aí se tornam conscientes, ao passo que no outro não ocorre isso, e sim nosso cérebro guarda a informação em suas zonas mais profundas, sem que o saibamos. Mas algumas vezes se produz uma sensação estranha, como angustia, ou o pressentimento de algo sem saber exatamente o que. Ainda não se conhece o mecanismo de transferência de uma zona do cérebro para outra, nem está claro como nosso cérebro pode receber informação por via extra-sensorial. Não obstante, a Parapsicologia, como toda ciência, continua pesquisando, e tem-se a esperança de que algum dia se chegue a conhecer tudo isso, de modo que os fenômenos psíquicos possam ser desenvolvidos em muito mais pessoas, para que eles tenham aplicação prática e positiva.

No artigo que virá a seguir, explicaremos a relação dos sentidos físicos com os fenômenos que no passado eram considerados milagrosos ou paranormais, mas que não são perfeitamente naturais.
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[Texto de Pedro Raúl Morales]

Introdução à Parapsicologia _ Parte 3

Conforme prometemos no artigo anterior, consideraremos nossos sentidos físicos, pois, como já explicamos, temos mais sentidos do que pensamos e eles são responsáveis por muitas situações que têm sido consideradas milagrosas ou misteriosas.

Tradicionalmente, os sentidos físicos são:
ð visão;
ð audição;
ð olfato;
ð tato; e _
ð paladar

Mas, além destes, temos outros que se inter-relacionam com eles. Por exemplo, na polpa da ponta do dedo, além do tato, dispomos de:

1_ receptores de calor chamados corpúsculos de Rufini;
2_ receptores de frio denominados de corpúsculos de Krause;
3_ receptores de pressão conhecidos como corpúsculos de Pacini e Golgi;
4_ receptores da dor nos terminais nervosos livres.

O número de receptores varia muito; foram encontrados uns 250.000 corpúsculos de frio e somente uns 30.000 de calor.

Em nosso ouvido interno, além dos receptores específicos de uma ampla faixa de freqüências mecânicas, há sentidos da aceleração da gravidade, das acelerações lineares e angulares, e do equilíbrio. E esses sentidos são diferentes do próprio ouvido, pois os responsáveis por seu funcionamento são os canais semicirculares, cheios de endolinfa, e umas cavidades provindas de uma pequena esfera móvel chamada otolita.

OUTROS SENTIDOS_
1_ Sentido Feromonal: há moléculas de estruturas simples que podem transmitir informação capaz de produzir uma reação nos diferentes organismos, sem intervenção da razão. Os hormônios produzem um efeito decisivo no comportamento de uma planta ou de um animal. Trata-se de substancias segregadas por certos órgãos do corpo, que controlam seus processos metabólicos.

Entre alguns animais da mesma espécie, eles segregam substancias portadoras de informação chamadas ‘feromônios’, que são capazes de modificar sua conduta. Em geral, elas são liberadas para o meio ambiente por um membro da espécie e, ao serem detectadas por um outro, através do olfato ou do paladar, desencadeiam uma reação específica. Há vários tipos de feromônios, e todos temos observado nos animais certos comportamentos que não compreendemos, a menos que estejamos inteirados de como atuam essas substâncias.

Exemplos:

- feromônios de atração sexual. Um dos mais bem estudados é o do gusano de seda. Em plena noite essa substancia pode atrair o macho até a 12 km de distância, se o vento é favorável.

- feromônios de alarme: são liberados por animais que se encontram em perigo, provocando uma reação de espanto em seus congêneres. Nos insetos podem provocar também reações de agressão, como é o caso das formigas, vespas e abelhas.

- feromônios de sinalização: servem para marcar uma rota ou um território. Quando as formigas encontram alimento e o transportam para sua casa, enquanto caminham vão roçando intermitentemente o abdomên no solo, deixando cair um rastro feromonal que transmite às outras alguma informação sobre a importância do achado, indicando também a direção e a distância. Descobriu-se que o costume que têm os coelhos de esfregar a cabeça com as patas tem o objetivo de impregná-las com uma substância que logo espalham pelo solo, demarcando assim seu território.

Estudos recentes revelaram que a comunicação feromonal existia na antiguidade, e que atualmente é mais freqüente do que se acreditava. Pensa-se que o homem primitivo possuía esse sentido feromonal, que ele foi perdendo à medida que foi se esmerando mais na higiene e também atrofiando o olfato. Mas há evidência de que ainda o possuímos parcialmente. Um biólogo francês, J. Lê Magneu, fez experiências com uma lactona denominada ‘exatolide’, que pode ser percebida, somente por via olfativa, por mulheres sexualmente maduras e em período de ovulação. Para que um homem possa detectar essa substância, é preciso que lhe sejam injetados estrógenos femininos.

Alguns casos de premonição de morte, cuja informação os ‘dotados’ percebem por via olfativa, poderiam se explicar por esse sentido feromonal. Os dotados afirmam que percebem um cheiro característico que os faz pensar que a pessoa que o emite vai morrer em pouco tempo. É possível que certa exsudação feromonal seja portadora de informação acerca de uma enfermidade mortal, e que alguns dotados sejam capazes de senti-la. O autor deste artigo conhece uma médica, que vivem em Quito, que possui essa faculdade que lhe permite saber quando um de seus pacientes não tem salvação.

2_ Sentido Opiáceo: a palavra ‘opiáceo’ significa ‘prazer’. Os receptores opiáceos [de prazer] estão situados no tálamo central. Desde o ano de 1977 se sabe que o cérebro se auto-estimula com drogas geradas por ele próprio, chamadas endorfinas. Alem disso, produz suas próprias anfetaminas, tranqüilizantes e alucinógenos. Em outras palavras, todos somos viciados em drogas por nossas próprias endorfinas. Parece que a técnica da eletroacupuntura estimula o cérebro a produzir mais endorfina, e é por isto que a dor pode ser eliminada com essa técnica. Ao que parece, o estado chamado de êxtase místico e outros estados alterados de consciência são provocados pela estimulação do centro opiáceo. O estado de deleite que um devoto pode alcançar em certos ritos está relacionado em parte com as endorfinas, segregadas por seu próprio cérebro.

Do ponto de vista médico, a descoberta das endorfinas abriu um caminho muito amplo de pesquisa para as curas chamadas de milagrosas. Já se sabe que a região hipotalâmica do cérebro produz peptídios liberadores e hormônios que atuam sobre a glândual pituitária ou hipófise, e que a produção de endorfinas influi na diabete, na cequeira e nas alterações cardíacas.

Num congresso de bioquímica realizado em Hamburgo, foi revelado que um tripeptídio isolado do hipotálamo do gado vacum é capaz de converter uma proteína encontrada no sangue dos esquizofrênicos numa outra proteína não patológica. Outra hipótese é a de que os ‘placebos’, remédios falsos que por vezes conseguem curar tanto quanto uma droga real, o que realmente fazem é estimular os centros opiáceos por meio de sugestão. Também se sabe que, injetando-se numa pessoa transtornada um neutralizador de endorfinas [quer dizer, que impede que seu cérebro produza endorfinas], eliminam-se as alucinações. Algumas experiências que se consideravam psíquicas ou paranormais, eram na realidade alucinações.

3_ O Sentido do Sonar: neste caso, alguns animais podem se orientar por sons ou ultra-sons, como é o caso dos morcegos. No ser humano, este sentido se desenvolve quando se perde a visão, e mais concretamente nos cegos de nascença. O leitor já deve ter observado que alguns cegos, quando chegam perto de um obstáculo, ficam tensos como se estivessem captando algo ou pressentindo um perigo.

4_ O Sentido de Orientação: este sentido está envolvido na maioria dos animais migratórios. Exemplos: as andorinhas, os salmões, os pombos-correio, etc. Os cientistas crêem que o gato é o campeão deste gênero de animal.

Em 1854, os cientistas H. Precht e Elke Lindenlaub fizeram a seguinte experiência: colocaram um gato dentro de um saco totalmente opaco e o levaram para o laboratório completamente às escuras. Depois de darem várias voltas pela cidade, deixaram esse gato num labirinto que tinha 24 saídas, e observaram que ele sempre escolhia a saída que ficava na direção de sua casa. Repetiram esse experimento com 142 gatos e sempre obtiveram os mesmos resultados.

O Dr.J.B.Rhine, professor e pesquisador da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, o qual já mencionamos como o pioneiro da parapsicologia, constatou os seguintes casos:

a]Em 1939, Hugo Perkins, jovem que vivia perto de Summersville, na Virgínia Ocidental, encontrou um pombo-correio extraviado e cuidou dele. Em abril de 1940, tiveram de internar Perkins num hospital de uma cidade situada a 170km de distancia. Poucos dias depois, o pombo-correio entrou pela janela do prédio onde ele estava hospitalizado.

b] A família Woods morava num povoado da Califórnia e tinha um gato chamado Sugar. Em junho de 1951, os Woods tiveram de se mudar para uma granja situada em Oklahoma, a uma distancia de 2.300km, e decidiram deixar o gato com uns amigos. Um ano e dois meses depois Sugar chegou à granja em Oklahoma. Para todos foi um mistério que o gato tivesse atravessado a pé grande parte dos Estados Unidos, e que ele tivesse podido se orientar para encontrar seus donos.

Podemos observar que, a nível humano, o sentido de orientação está muito desenvolvido nas pessoas que vivem de modo primitivo, como nossos índios e os esquimós, que se orientam sem terem pontos fixos de referencia. Um esquimó sai para caçar e, ainda que ao retornar dias depois a paisagem tenha mudado completamente, ele sabe onde está seu iglu e sua família.

Colocadas todas estas necessárias explicações, passamos a focalizar os fenômenos mais importantes que são estudados pela Parapsicologia.

Classificamos esses fenômenos em duas categorias: ‘sensoriais e extra-sensoriais’. Começaremos analisando os fenômenos de natureza sensorial. E lembraremos que os dotados deste tipo de fenômeno são chamados de ‘sensitivos’.

No campo sensorial, os fenômenos se subdividem em:

ð Hiperestesia;
ð Xenoglossia;
ð Radiestesia.

_ Os fenômenos de hiperestesia não só podem ser observados no campo humano, mas também no campo animal.

O termo ‘hiperestesia’ significa agudeza dos sentidos, ou seja, uma supersensibilidade para captar sensorialmente os fenômenos. Isto significa que, se alguém possui capacidade visual muito aguda, é hiperestésico em relação à média. Quando alguém viaja a uma região selvagem,por exemplo, percebe que os indígenas têm os sentidos físicos mais desenvolvidos. Certos índios têm o olfato tão desenvolvido que podem saber, por meio dele e a qualquer hora do dia, se um animal está dormindo ou caçando. Também podem enxergar no escuro ou ouvir qualquer som ou ruído que o ‘homem civilizado’ não consegue perceber. Com estes exemplos queremos indicar que esse indígenas são ‘hiperestésicos’.

Nos animais costuma ocorrer também esse fenômeno, pois seus sentidos são mais desenvolvidos do que os nossos. Em termos gerais foi estabelecido o seguinte:

1.Eles podem se orientar e encontrar seus donos a grandes distancias.
2.Pressentem terremotos e outros desastres.
3.Alguns animais podem perceber campos elétricos e magnéticos, assim como outros estímulos a que o ser humano é insensível.

Alguns exemplos de cataclismos pressentidos por animais, são:

ð na noite de 26 de agosto de 1883, a ilha de Krakatoa, que estava situada entre Java e Sumatra, desapareceu em conseqüência de uma erupção vulcânica cujos efeitos foram sentidos em todo o mundo. Alguns dias antes os animais estavam tomados de pânico; os pássaros emigraram sem causa aparente e os mamíferos fugiram jogando-se ao mar e procurando chegar às ilhas vizinhas. Mas os moradores de Krakatoa não souberam interpretar o comportamento dos animais e foram buscá-los em lanchas, condenando-os assim, juntamente com eles próprios, a uma morte certa.

ð Em fevereiro de 1939, alguns cachorros São Bernardo, embora fossem muito fiéis, recusaram-se a sair para sua costumeira expedição destinada a auxiliar as pessoas extraviadas na neve. Uma hora mais tarde, uma tremenda avalanche de neve se abateu sobre o vale. Como será que os cães pressentiram isso?

ð Na grande inundação da Holanda, em 1961, 48 e 24 horas antes os ratos, coelhos e outros animais, abandonaram lugares que iam ser inundados e foram para pontos mais elevados.

Em nosso próximo artigo daremos mais exemplos de animais que captaram perigos, e também narraremos casos de pessoas que possuem essas mesmas faculdades.

[Texto de Pedro Raúl Morales]

Introdução à Parapsicologia _ Parte 4

Em nosso artigo anterior, estivemos considerando a hiperestesia dos animais. Continuaremos agora com alguns exemplos a esse respeito.

 Um caso muito famoso foi o dos cavalos de Eberfeld, que aparentemente sabiam somar, subtrair, multiplicar, dividir, e até extrair a raiz quadrada de um número. Muitos curiosos e cientistas presenciaram isso e se espantaram ao observar como esses cavalos davam respostas corretas para questões de aritmética, dando com a pata dianteira tantas batidas no chão quantas necessárias para a resposta. Por exemplo, se perguntavam a um cavalo quanto era 3+5, ele dava 8 batidas no chão, quanto era 4 vezes 3, ele dava doze batidas. Ao pedido da raiz quadrada de 9, ele respondia com 3 batidas, e assim por diante. A maioria acreditava que aqueles cavalos eram sumamente inteligentes e que tinham aprendido as operações básicas de aritmética. Mas um belo dia em que o dono treinador do cavalo não estava presente, chegou alguém e perguntou quanto era 5+9, e o cavalo começou a bater no chão sem parar,chegando a passar de 100 batidas. E isso continuou até que o dono apareceu. Percebeu-se então que havia uma relação dono-animal e que os cavalos agiam com base no princípio do reflexo condicionado, mas em função de sinais que, embora fossem imperceptíveis para o público, não o eram para os cavalos. Devido justamente à hiperestesia, eles podiam saber o número correto de batidas porque seu dono fazia um gesto sutil com os olhos ou com a respiração. Isto indicava ao cavalo que era o momento de parar de bater. Quem na realidade sabia a resposta era o dono e não o cavalo. É com base nesse principio do reflexo condicionado que trabalham os animais treinados que vemos nos circos e locais de exibição pública.

 Em Stanford, Califórnia, alguns cientistas afirmam que os chimpanzés podem ajudar os seres humanos a predizerem terremotos, porque se inquietam de maneira anormal quando os terremotos estão prestes a ocorrer. Cientistas chineses disseram que observaram um comportamento anormal do gado antes que um abalo de grandes proporções sacudisse a cidade e Halcheng. A doutora Helena C. Kraemer, Professora Associada de Bioestatística, disse que observou a possível ligação entre chimpanzés e terremotos quando fazia um estudo de símios numa instalação ao ar livre, perto da falha de Santo André, em San Francisco, Califórnia, área onde todos os dias se registram pequenos tremores imperceptíveis para o ser humano e que somente os sismógrafos acusam. Pois bem, com base nisto, os chineses tem grandes jaulas com chimpanzés e observam tanto o comportamento desses animais quanto os instrumentos científicos. Quando notam que os chimpanzés estão muito inquietos e em pânico,sabem que um grande abalo se aproxima, e assim puderam salvar milhares de vidas.

Há uma explicação cientifica para este fenômeno. Devido a sua HIPERESTESIA, os chimpanzés e muitos animais captam vibrações sutis e infra-sons [sons abaixo de 16 ciclos por segundo, imperceptíveis para o ser humano] e essas impressões alcançam o tálamo central do cérebro, provocando o pânico. No caso do ser humano, quando essas vibrações são captadas produzem um fenômeno semelhante, com a diferença de que em nós o pânico é irracional. Isto pode ser comprovado pela observação de que, depois de um terremoto, as pessoas correm e caminham a esmo, sem rumo fixo ou definido, sem saberem realmente o que se passou.

No ser humano, a HIPERESTESIA assume outras modalidades. Em primeiro lugar, consideraremos a ‘Hiperestesia Direta’, também chamada ‘visão para-óptica, visão extra-retinana, extra-ocular ou cutânea’.

O fenômeno consiste em que em que algumas pessoas podem distinguir cores ou objetos com os olhos fechados. São vários os ponto do corpo por onde se capta a luz. Pode ser pelos dedos das mãos, pelas maças do rosto, pelos lóbulos das orelhas,m pela ponta do nariz, etc. O fenômeno poderia se estender a outros sentidos, como a audição, o olfato e o paladar, mas até agora só foi observado a nível da visão.

Vejamos alguns exemplos:
 Giselle Court, menina que ficou cega por causa de uma perturbação nervosa, foi pouco a pouco hiperestesiando as pontas dos dedos até que, por aproximação tátil, conseguiu distinguir cores.

 Rosa Kuleshova, da cidade de Nizlin-Tagil, estudada em 1962 pelo professor Isaac Goldberg, psicólogo da Clínica Svedolov, e depois pelo Instituto de Neurologia da Academia de Ciências Médicas de Moscou, sob a direção do Dr. Gregory Razrah, pode distinguir pelo tato as cores, ler impressos, perceber uma fotografia, com os olhos vendados. Também passou nessas provas lendo com os dedos grossos dos pés e com a língua. Os russos encontraram umas seis pessoas com visão digital.A pele reage à luz como se fosse os olhos.

 Também se conhece o caso de uma americana chamada Molee Faucher, totalmente cega, que podia ler toda espécie de livro servindo-se das mãos, fazia bordados, tapeçaria, distinguia cores e confeccionava flores artificiais. Isto foi observado em 1884 e foi explicado pelo biólogo inglês Herbert Thurston.

 Um fenômeno parecido ocorreu no pequeno povoado de Santo Domingo, numa das ilhas Canárias, La Palma. No princípio deste século vivia ali um cego chamado Julio, que era sapateiro e fazia sapatos sob medida. Ele reconhecia as pessoas pelos passos.

 Recentemente descobriu-se uma jovem japonesa que podia ver pelo nariz. Ela se chama Sayuri Tanaka, foi estudada em Tóquio e fez demonstrações para a televisão do Japão. Fez as seguintes demonstrações com os olhos vendados: guiar uma bicicleta em linha reta; descrever um programa de televisão que se tinha tirado o som; tirar fotografias perfeitamente focalizadas, com sua máquina; ler trechos de um livro que nunca tinha visto; pegar uma bola arremessada; verter chá em várias xícaras sem derramar, etc. Mas se, além de ter os olhos vendados, seu nariz é tapado, ela não consegue fazer nenhuma dessas coisas.

No total, forram registrados até hoje dez casos de visão através da pele, no mundo inteiro. Na maioria dos casos, a pessoa ‘dotada’ foi uma mulher ou uma menina.

Quanto a TEORIAS sobre este fenômeno, alguns cientistas sustentam que existem na pelo minúsculos foto-receptores, que captam a luz. Outros dizem que se trata de uma faculdade que o homem primitivo possuía e que é um vestígio dela que aparece em algumas pessoas. Este estudo despertou muito interesse no campo da parapsicologia, e pensa-se em ajudar os cegos procurando HIPERESTESIAR partes do seu rosto, a fim de que eles possam se orientar melhor. Acredita-se que, no futuro, poder-se-ia desenvolver isso empregando a técnica da hipnose.

Trataremos agora de outra modalidade, chamada HIPERESTESIA INDIRETA ou LEITURA SENSORIAL DO PENSAMENTO, que é bastante comum e talvez alguns dos leitores conhecem alguém que tenha essa faculdade, embora pensem que é outra coisa, por desconhecerem os fenômenos paranormais.

Como já dissemos, a Hiperestesia Indireta consiste na capacidade de alguns sensitivos de ler o pensamento da pessoa ou das pessoas que estão perto deles, especialmente se podem ver seu rosto. Esses sensitivos são comumente chamados de ‘adivinhos’.

Dizem os pesquisadores que, a certa distancia, é possível captar a linguagem fisiológica mínima, isto é, os reflexos externos das idéias. Não se capta realmente o fato mental e sempre é necessária a presença da pessoa consultante. Em outras palavras, o pensamento de uma ação prestes a se realizar pode mover nossos músculos sem intervenção da vontade e sem percebemos esses movimentos. Ocorrem sinais mínimos, ações que correspondem a nossas idéias, sentimentos, desejos, anseios, etc., sem o querermos e sem estarmos conscientes de que as fazemos. O ‘sensitivo hiperestésico’ capta tudo isso por via subliminar e o transfere para sua mente consciente.

Outra hipótese propõe que, quando pensamos alguma coisa, movemos sutilmente as cordas vocais e isto produz no ar uma vibração imperceptível para qualquer pessoa exceto o sensitivo, que neste caso seria um ‘hiperestésico auditivo’. Para confirmar esta hipótese, o doutor Lehman, Diretor do Laboratório de Parapsicologia da Universidade de Copenhague e seu colaborador, C. Hansen, fizeram uma experiência. Colocaram dois espelhos côncavos um de frente para o outro e a uns dois metros. Colocaram uma pessoa junto e diante de um dos espelhos, com boca aberta, e lhe pediram que pensasse alguma coisa. Diante do outro espelho, colocaram um sensitivo com o ouvido encostado ao espelho, e este conseguiu ‘ouvir’ o que a outra pessoa ‘pensava’. Ou seja, houve articulação das palavras correspondentes aos pensamentos. Esta experiência está baseada em observações que foram feitas na vida real com uma menina chamada Ilga K. de Trapene. Quando ainda não tinha aprendido a ler e escrever, ela podia declamar uma poesia ou dar o resultado de uma soma ou uma subtração, desde que estivesse perto de sua mãe e esta estivesse lendo ou pensando a poesia ou a operação aritmética. Mas se a menina era colocada num lugar onde não podia ver a mãe, ou se colocava uma barreira como um vidro para que o ar não pudesse passar e, portanto, também não passasse o som, a menina se queixava de que não conseguia ouvir a mãe.

Também se confirmou que, quando se diz a uma pessoa hipnotizada que ela vai ouvir muito mais do que o normal, ela consegue ouvir uma conversa mantida em voz baixa a vários metros de distância. Também é possível estimular a sua visão e, ao se colocar um relógio sobre a sua cabeça, ela consegue ver a hora.

Para compreendermos completamente este fenômeno e depois fazermos algumas recomendações, analisaremos agora outra modalidade de hiperestesia. Na Hiperestesia Indireta ou Leitura Sensorial do Pensamento, faz-se a adivinhação sem que haja contato físico. Só é preciso contato visual e estar a certa distancia do consulente.

Outra forma de ‘adivinhação do pensamento’ é a que se faz por contato. Esta modalidade é denominada “CUMBERLANDISMO”. Este nome vem de um ilusionista chamado Garner, que, em fins do século passado, usava o pseudônimo de Stuart Cumberland e apresentava esta modalidade em seus espetáculos, a fim de adivinhar onde qualquer objeto havia sido escondido no público.

Trata-se de um fenômeno psicomotriz, por meio do qual chega-se a perceber os movimentos inconscientes de outra pessoa. Todo ato psíquico genuíno tem uma carga inconsciente, exteriorizada mediante manifestações quase imperceptíveis. Qualquer reflexo fisiológico pode ser percebido por outra pessoa, se há um contato físico. Isto pode explicar em parte a chamada ‘Quiromancia ou leitura da mão’. Talvez o adivinho comece a captar muitas experiências do consulente devido a que o contato corporal lhe transmita essas experiências.

No caso do ‘Cumberlandismo’, o ilusionista segura a mão de uma testemunha e começa a captar movimentos involuntários e inconscientes sutis, correspondentes ao testemunho, embora o publico também possa guiar o ilusionista de maneira inconsciente. A testemunha e o público desejam intimamente que o ilusionista não fracasse e, como este é muito sensível, capta o retesamento muscular sutil que ocorre quando ele se afasta do objeto e, do mesmo modo, a descontração da mão quando ela se aproxima da pessoa que tem o objeto.

Há experiências combinadas de hiperestesia que são muito curiosas e ilustrativas. O Dr. Boirac encontrou uma mulher histérica que podia ler um livro sobre o qual ele passava a ponta dos dedos enquanto ela pegava na mão dele. O que acontecia? O Dr. Boirac captava a informação por meio de HIPERESTESIA DIRETA ou VISÃO DIGITAL, mas essa informação não chegava à sua mente consciente e, sim, era transferida por meio do contato corporal [Cumberlandismo] à mente consciente da histérica. Isto explica os fenômenos que se produzem em corrente de sessões espíritas, quando o médium começa a se dar conta das coisas ou situações que se passam com cada um dos presentes.

Embora isso tudo seja muito interessante, especialmente para os cientistas dedicados ao estudo da parapsicologia, pode acabar sendo um tanto perigoso para as pessoas que costumam consultar os chamados ‘adivinhos’, pois estes não podem discernir se os pensamentos ou as idéias dos consulentes obedecem a causas reais ou imaginárias.

Por exemplo: um homem acreditava que estava muito doente dos rins, porque sentia certos problemas na cintura. Em vez de ir a um médico, consultou um adivinho famoso que, ao vê-lo disse: seus rins estão doentes. O adivinho captou as suspeitas do consulente e as confirmou. Assim, por causa da sugestão, esse homem adoeceu realmente e, portanto, o tratamento médico foi mais complicado e caro. Outras vezes faz-se uma pessoa acreditar que não tem nada, quando ela está realmente doente. Pelo mesmo processo de sugestão, ela crê que está bem e não sente nenhum problema; mas a doença segue o seu curso sem produzir sintomas, até que culmina em algo extremamente grave ou a morte. Também foram constatados casos de pessoas [homens e mulheres] muito ciumentas que imaginam que seu cônjuge tem um amante e que podem até suspeitar de algum vizinho ou companheiro de trabalho. Quando elas vão ao ‘adivinho’, este lê sua mente, mas, sem saber se se trata de algo real ou imaginário, confirma tudo e descreve com riqueza de detalhes a pessoa que o consulente imagina. A partir desse momento, este último se convence de que suas suspeitas são certas e pode-se criar uma situação de rompimento conjugal ou alguma coisa pior. Há muitos exemplos de casos dramático.
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[Texto do Prof. Pedro Raúl Morales]

Introdução à Parapsicologia _ Parte 5

Consideraremos agora outro fenômeno dentro do campo sensorial, que está sumamente relacionado com a PANTOMNÉSIA e também com a HIPERESTESIA. Trata-se da ‘XENOGLOSSIA’.

Antes, porém, cabe advertir que os fenômenos psíquicos não se apresentam isolados e sim misturados, de modo que muitas vezes é difícil determinar com exatidão a natureza de uma experiência psíquica. Nestes artigos, vamos descrevendo os fenômenos separadamente, para analisá-los e compreendê-los; no final, estaremos mais capacitados a analisar e compreender em sua totalidade uma experiência de natureza paranormal.

A ‘Xenoglassia’ foi observada e estudada por um cientista chamado Charles Richet, que foi professor de Fisiologia e Prêmio Nobel em 1913.

Ele foi um dos pioneiros da parapsicologia e, juntamente com o Dr. J.B. Rhine, é tido como o pai dessa disciplina.

O termo ‘Xenoglossia’ vem de ‘Xenos’, que significa ‘estrangeiro’, e ‘Gloto, que quer dizer ‘falar em línguas ou empregar linguas’. Também se denomina ‘Glossolalia’, equivalente ao dom de falar em línguas estrangeiras. Algumas vezes o ‘dotado’ como veremos mais adiante num exemplo, em vez de falar em línguas conhecidas, inventa novas línguas, e então o fenômeno se denomina ‘Pseudo-Xenoglossia’.

A ‘Xenoglossia’ pode, no entanto, manifestar-se em outras formas. Foi classificada em: Escrita, também chamada de Psicografia, que é conhecida como escrita automática. Falada, que é propriamente a ‘Xenoglossia clássica’, e por meio do movimento de objetos para dar respostas de ‘sim ou não’ às perguntas que se fazem ao dotado. Estas três modalidades de ‘xenoglossia’ podem ser mecânicas ou automáticas, ou podem se manifestar de modo inteligente.

A ‘Xenoglossia’ pode se manifestar ou expressar por meio de transes, traumatismos ou em forma experimental através do hipnotismo.

As respostas podem ser inteligentes sem que o ‘Sensitivo ou Dotado’ entenda o sentido do que diga.

Como se explica esse fenômeno?

Na verdade, encontram-se muitas pessoas que, de repente, em condições já descritas de transe ou depois de terem recebido uma pancada na cabeça, etc., começaram a se expressar em línguas estranhas que nunca haviam estudado, ou então começaram a escrever com sinais estranhos ou numa linguagem estrangeira, e às vezes em seu próprio idioma.

Os parapsicólogos dizem que esses fenômenos são de tipo mecânico, pois repetem-se palavras ou frases aparentemente esquecidas mas que estão no arquivo do subconsciente. [Lembre-se o que foi explicado em artigos anteriores sobre a pantomnésia].Além disso, s o ‘Sensitivo’ está em transe, torna-se HIPERESTÉSICO e pode extrair informação da mente dos consulentes ou das testemunhas. Outra possibilidade é que também comece a receber informação por via extra-sensorial, fenômeno que estudaremos mais adiante. Já começamos a nos dar conta de como os fenômenos paranormais se vão misturando e de como as experiências psíquicas vão então se complicando.

No caso da ‘Xenoglossia por meio do movimento de objetos’, como por exemplo, vasos, pêndulos, mesas, etc., trata-se de uma forma pela qual se manifesta automaticamente a atividade interna inconsciente. Um exemplo claro desse fenômeno é a chamada “Mesa Ouija”, onde estão distribuídos as letras do alfabeto e os algarismos de 0 a 9. Coloca-se um copo emborcado no centro da mesa e várias pessoas põem sobre ele o dedo indicador; faz-se uma invocação ou oração e de repente o copo começa a se deslocar rapidamente, sem que ninguém aparentemente o esteja movendo. Ao se fazerem perguntas, o copo começa a se dirigir para letras e números, e com isto vai construindo uma resposta coerente e que em geral satisfaz a curiosidade dos presentes. Há tendência a crer que quem transmite a mensagem é alguma entidade que já não se encontra no plano terreno e, no final dessa mensagem, aparece um nome estranho que é identificado com essa entidade.

Esse fenômeno deve ser analisado com muito cuidado, pois quando é praticado por pessoas muito sugestionáveis ou crianças, pode causar muito dano, inclusive doenças, pânico, e sofrimentos. Os parapsicólogos sustentam que as mensagens são produzidas pela pessoa mais sensitiva do grupo, que mantêm o dedo no copo. Como esse individuo se tornou hiperestésico, extrai de seu próprio conteúdo pantomenésico as respostas às perguntas, assim como pode extraí-las da mente de seus companheiros. Por que, então, o suposto agente informante se identifica com um nome raro? Para nós, que temos estudado as faculdades de nossa mente, isso não é precisamente raro e, sim, comum. Nosso subconsciente tende a se acomodar ao ambiente, e também a transmitir mensagens através de dramatizações, geralmente por meio de sonhos, o que estudaremos ao considerarmos as precognições. Costuma-se chamar tudo isso de “Talento do Inconsciente”. Talvez você mesmo tenha tido a experiência de estar perplexo ante uma situação ou um problema que não consegue resolver, e um belo dia acordar feliz porque sonhou com a solução.

Agora consideraremos duas situações observadas no campo paranormal, que nos esclarecerão muitas dúvidas a respeito da “Xenoglossia”.


FALAR EM LÍNGUAS ESTRANGEIRAS
Primeiro, vem o caso de um menino que, depois de ter recebido uma pancada na cabeça e ficado inconsciente, começou a dizer frases numa língua estranha. Alguém teve a impressão de que eram palavras em chinês e concluiu que provavelmente havia morrido algum chinês na cidade, que se tinha incorporado no menino. Chamaram então alguns chineses que tinham uma lavanderia ali perto. Quando eles ouviram as frases do menino, começaram a rir e, quando lhes perguntaram por que riam, disseram que o menino estava dizendo coisas indecentes. O fato é que aquele menino brincava com os filhos dos chineses e, embora não entendesse o que eles diziam, sua mente subconsciente tinha gravado as frases e estava então repetindo. Neste particular, deve-se notar que, no passado, todos os médiuns ou pessoas em transe falavam em latim, mas os médiuns modernos não o fazem porque agora a missa é rezada no idioma do lugar e eles têm o latim em seu conteúdo pantomnésico.

Em segundo lugar, temos o caso de uma médium chamada Helen Smith. Consultada por uma mãe angustiada que tinha perdido seu filho, disse-lhe que o jovem estava no planeta Marte, mas que não podia lhe dar detalhes porque não conhecia o idioma marciano. A mãe continuou visitando-a e, passados seis meses, a médium tinha elaborado um idioma ‘marciano’. Mas uma pesquisa séria por parte de um filósofo chamado Dr. Floumoy, demonstrou que se tratava de uma ‘fraude inconsciente’, de modo que tudo o que ela dizia era uma modificação, palavra por palavra, d um livro em francês que tinha lido quando era muito criança e que tinha arquivado em seu conteúdo pantomnésico.

Mas nem tudo é negativo. Essa força pode também ser aproveitada para resolver problemas ou situações difíceis. Já explicamos como nossa mente interior pode nos ajudar a resolver alguma coisa. Acredita-se que alguns artistas compõem suas obras, ou pintam, em estados de semitranse que lhes proporciona maior inspiração.

Em outras palavras, nunca devemos pressionar nem exigir demais do nosso subconsciente. Se temos uma preocupação e manifestamos sutilmente a ele que precisamos de seu auxilio, ele nos ajuda. Mas se o pressionamos demais, se lhe fazemos perguntas muito complexas, etc., para nossa satisfação, ele nos diz qualquer coisa, inclusive uma mentira.

A RADIESTESIA
Trata-se de uma técnica que permite perceber as radiações da natureza mediante varinhas ou pêndulos [meios físicos], ou por condutores humanos paranormais. O termo vem do latim ‘radius’, raio, e do grego ‘aisthesis’, sensibilidade.

Na antiguidade era conhecida como ‘Rabdomancia’ e é um tema que aparece nos baixos-relevos do Egito Antigo. Numa representação do imperados chinês ‘Kwang Su, de 2200 a.C’., vêem-se figuras procurando água. A bíblia faz alusão à vara ou bastão usado para esse fim. O fenômeno também foi conhecido dos gregos e dos romanos.

Muitos procuram explicar esse fato por meio do fenômeno da ressonância, já que dois terços do nosso corpo consistem em água. Ao que parece, a radiação se manifesta nos músculos longos do corpo. Os animais também são muito sensíveis à água, principalmente o elefante.

INSTRUMENTOS
Os zaorís, rabdomantes ou radiestesistas, usam a baqueta ou varinha de avelã, embora empreguem também diversos utensílios, como varinhas de metal, prendedores de roupa, barbatanas de colarinho, fios de cobre, bastões, forquilhas, pêndulos, etc. Dizem que alguns até já se valeram de salsichas alemãs.

O pai da radiestesia é o abade Bouly [1865-1958] e o aristocrata da radiestesia é Henri de France [1872-1947], que, em 1910, promoveu na França os estudos sérios do tema; publicou um livro intitulado o Zaorí Moderno e, em 1933, participou na criação da Sociedade Britânica de Zaorís. O termo foi cunhado pelo abade Bagard, em 1919, e foi ele quem pôs em desuso os termos Rabdomancia e Zaorí. Na Rússia foi conseguido um progresso nessa matéria e os soviéticos chamam o fenômeno de ‘Método de Efitos Biofísicos’.

O uso do pêndulo foi adotado em fins do século dezoito, por Antoine Gerboin, professor da Faculdade de Medicina de Strasburg. Embora as reações sejam menos violentas e enérgicas do que as da baqueta, seu uso está generalizado e parece mais seguro.

Em 1919, Emile Cristophe criou o vocábulo ‘teleradiestesia’, ou ‘radiestesia a distância’. Joseph Treive [1877-1946] especializou-se na prospecção a distância. Um avanço maior seria a Radiestesia Mental.

A TEORIA de Chevreul, químico famoso, explica o fenômeno da seguinte maneira: o pêndulo ou a varinha só se move quando segurado pelo operador. Este capta a mensagem por via paranormal [sensorial ou extra-sensorial] e inconscientemente a traduz em movimentos involuntários. Supõe-se que a Mesa Ouija funciona por um mecanismo semelhante.

PRECAUÇÕES
ð 1. Evitar a auto-sugestão;
ð 2. Evitar as idéias preconcebidas;
ð 3. Não cruzar as pernas nem os braços e colocar os dois pés sobre o solo;
ð 4. No campo, não trabalhar em dias de chuva ou de muito vento;
ð 5. Trabalhar com roupa não muito apertada;
ð 6. Não usar coisas metálicas [anéis, pulseiras, relógios, etc];
ð 7. Não trabalhar depois de uma refeição pesada;
ð 8. Também não trabalhar depois de ter corrido ou se está muito emocionado;
ð 9. Trabalhar com boa iluminação;
ð 10.Trabalhar descontraído;
ð 11.Uma vez por mês, desimpregnar os instrumentos;
ð 12.Não trabalhar na presença de céticos ou curiosos;
ð 13.Não trabalhar mais de meia hora por sessão.

USOS
a) Para determinar o sexo. Os japoneses usam ovos de galinha; o eixo do ovo deve estar na direção norte-sul. Se o pêndulo oscila ao longo do eixo, o ovo é estéril. Se gira em círculo no sentido horário, é um macho; no sentido oposto, uma fêmea. Consegue-se 99% de êxito.
b) Em criminologia. É possível determinar o sexo de um criminoso com uma gota de sangue, de saliva, um cabelo ou uma unha.
c) Encontrar pessoas desaparecidas.
d) Detectar doenças.
e) Encontrar água, petróleo ou minerais.
f) Na agricultura, para detectar doenças nos vegetais.

Em nosso próximo artigo, narraremos algumas experiências relacionadas com este tema.
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[Texto de Pedro Raúl Morales]

Introdução à Parapsicologia _ Parte 6

Vamos agora narrar algumas experiências relacionadas com a radiestesia.

ð Em 1966, o minerologista, Nikolai Kochevanov, dirigiu uma expedição perto da fronteira da China com a Rússia, voando sobre o rio Chu. No avião equipado com um magnetômetro, havia alguns sensitivos com varinhas. Observou-se que o efeito ocorria somente quando voavam sobre as margens do rio e não sobre a superfície. Parece que o que mais afeta o ser humano é a água atritando o solo, se a superfície deste é grande. Também se fez o teste voando sobre depósitos conhecidos de minerais e os sensitivos tiveram reações consideráveis. Em testes feitos no solo, a equipe localizou um depósito de chumbo de três polegadas de espessura, a 150 metros de profundidade.
ð O geólogo holandês, Jolco Tromp, demonstrou que os zaorís são muito sensíveis ao eixo magnético da Terra e reagem a mudanças nesse campo. Na Universidade de Yale foi comprovado que, dentro de alguns desses campos magnéticos, os zaoris apresentam aumento da pressão sanguínea e do número de pulsações. Embora isto tenha sido comprovado com os zaoris, parece que a reação é comum a todos os organismos. Por exemplo: ratos não dormem dentro da área desse campo;as plantas não crescem ou não há vegetação nesse campo; as pessoas reumáticas sentem contrações musculares, bem como dores nas articulações, num campo produzido por água. Essas áreas, geralmente, exercem má influência sobre a saúde. Também se verificou que uma pessoa que não é zaori apresenta diferença de potencial quando entra numa dessas áreas.
ð Os animais em geral são muito sensíveis a esses ‘campos’. É por isto que escolhem lugares especiais para dormir.

A PERCEPÇÃO PRIMÁRIA
Estamos sofrendo uma rápida transformação. Quando a humanidade do futuro contemplar o passado, dar-se-á conta de que a era psíquica começou no ano 70.[William Tiller, Conferência no Simpósio de Saúde da Universidade da Cidade de Los Angeles].

Até pouco tempo atrás, a maioria dos parapsicólogos acreditava que os fenômenos psíquicos só podiam ser atribuídos à mente e que não havia correlação com o aspecto físico. A metafísica deu ênfase a essa correlação, pesquisando para além do ponderável.

Tiller apresenta, hipoteticamente, as características dos fenômenos psicoenergéticos.

ð 1. Ao que parece, os padrões de energia são completamente diferentes dos que a ciência convencional conhece;
ð 2. Os experimentos sugerem que há na matéria um nível cujas características são predominantemente magnéticas quando aumentam a temperatura, com uma organização maior que a tendência para a desordem. [O que parece violar a segunda lei da termodinâmica].
ð 3. Parece haver um padrão de radiação ou holograma de energia, que atua como uma força presente na organização das substancias a nível físico.
ð 4. Como resultado de experiências com vegetais, animais e o ser humano, há uma evidência de que existe ‘um interconector ao próprio nível da substância do universo, entre todas as coisas que nele existem’.
ð 5. Há indícios de manifestações de energia que são estáveis em diferentes níveis de tempo-espaço que nos são familiares. Espaço e tempo poderiam ser formadores de ondas de substância nesses níveis. Tiller também sugere que há um contínuo mente-matéria, freqüentemente interpenetrando diversos níveis, variando de espessura e densidade; o físico através de muitos estratos da mente, até chegar a um que ele chama de espírito.

RESULTADOS DE EXPERIMENTOS
Harold Cahn, pesquisador em Biologia e Física da Universidade do Norte do Arizona, diz que o mundo é um interconector. Uma equipe de cientistas sugeriu que os organismos da mesma espécie empregam um sistema de comunicação que usa radiação eletromagnética, coerente e modulada.

Justa Smith, bioquímica e chefe do laboratório de ciências naturais do Colégio Hill Rosário, em Buffalo, dirigiu vários experimentos sobre saúde, descobrindo então que campos magnéticos fortes ativam o funcionamento das enzimas. Relatou que Oskar Estebany, um coronel húngaro aposentado e terapeuta de excelente reputação, acelerava a atividade de enzimas ruins colocando os organismos em suas mãos durante alguns minutos por dia. A cura é muito parecida, qualitativa e quantitativamente, com o efeito dos campos magnéticos. Diz Justa Smith, também, que a espécie humana está avançando para a realização maior das faculdades psíquicas através do desenvolvimento do sistema cérebro-espinhal. As atividades de Estebany foram pesquisadas também por Bernard Grad, da Universidade McgIll, em Montreal. Foram observados o crescimento acelerado das plantas e a cura de ratos doentes.

Em 1971, Robert Miller, cientista, pesquisador e industrial, e ex-professor de engenharia química do Instituto Tecnológico da Geórgia, dirigiu um importante experimento com Ambrose e Olga Worral. Os Worral, que são bem conhecidos por suas faculdades curativas, estavam em Baltimore e Miller em Atlanta, controlando o crescimento lento de arroz em germinação, o qual tinha se estabilizadoo em 0,00625 polegadas por hora.

Como tinha sido programado, às 21 horas, os Worral visualizaram as plantas crescendo vigorosamente, dentro de uma luz branca. No período das dez horas seguintes, o ritmo de crescimento aumentou em cerca de 840%.

Experimentamos com dois ratos anestesiados, para que alguns psíquicos tentem fazer com que um deles se recupere mais rapidamente do que o outro, têm dado excelentes resultados.

A teoria de que existe a percepção primária nas plantas não é nova. Charles Darwin especulou que as plantas podiam ser sensíveis aos efeitos da música e construiu um instrumento para tocar em seu jardim.

Backster, que descobriu acidentalmente no laboratório que as plantas reagem quando se quebram ovos, pesquisou também a sensibilidade dos ovos e ficou espantado ao descobrir que também eles apresentam percepção primária: Disse ele: “temos feito experimentos também com células de cultura, amebas, frutas frescas e vegetais, e com culturas e amostras de sangue. Verificamos que tudo isso parece ter a mesma capacidade das plantas... Nossos experimentos sugerem que toda a memória pode estar no nível de uma célula simples”.

A barreira ou linha divisória entre a matéria orgânica e a inorgânica vem se modificando. A linguagem verbal é inadequada para descrever a dinâmica da vida. Como disse um físico laureado com o Premio Nobel: “fazemos distinção entre matéria viva e matéria morta, entre corpos que se movem e corpos inertes. Este é um ponto de vista primitivo. Aquilo quer parece inanimado, como uma pedra ou um prego, está neste instante e estará sempre em movimento. Já nos acostumamos a julgar pelas aparências externas, pelas impressões ilusórias, que chegam aos nossos sentidos. Teremos de aprender a descrever as coisas em novos e melhores termos”.

FENÔMENOS EXTRA-SENSORIAIS
Estamos entrando agora no campo dos fenômenos extra-sensoriais e devemos lembrar que os indivíduos dotados dessas faculdades são denominados ‘PARAGNOSTAS ou METAGNOMOS’. Certamente, alguns sensitivos podem se situar em ambos os campos e ser também paragnostas.

Quanto à percepção extra-sensorial, parece que os homens primitivos têm esse tipo de percepção mais desenvolvido do que os homens civilizados. O famoso psicólogo, Freud, e os parapsicólogos, Tenhaeff e J.B. Rhine, comentaram amplamente a natureza atávica da psique.

Foram feitos testes científicos entre os aborígenes australianos, o povo mais primitivo, que vive nas mesmas condições em que existia na Idade da Pedra. Séculos de luta pela sobrevivência aguçaram, não somente suas faculdades físicas, mas também seus poderes psíquicos. Segundo escreve Albert Abarbanel, em seu livro “ São os Aborígenes Psíquicos?” , eles causaram espanto naqueles que fizeram com eles testes controlados de percepção extra-sensorial. Foram pesquisados também os métodos de clarividência e adivinhação dos cafres da África do Sul. Há ainda informações de testes psíquicos de muitas culturas primitivas, inclusive com os maoris na Nova Zelândia e os xamãs dos Mixtecos [México], que se tornam clarividentes depois de terem mastigado ‘cogumelos sagrados’. Além disso, foi comprovada a comunicação extra-sensorial entre os Mestres do Tibet, e é um mistério como o faziam os incas do Peru, pois há informação de que quando os espanhóis viajavam para um lugar distante, os incas o sabiam com muita antecipação, e não havia possibilidade de que alguém tivesse se adiantado ou transmitido a informação por algum meio então conhecido.

Os parapsicólogos soviéticos chamam a percepção primária de “Bioconcordância”. No ocidente ela se denomina “Telepatia de Percepção ou Telepatia Visceral”. Não é fácil compreender esse fenômeno, de modo que, para entendê-lo melhor, vamos começar com alguns exemplos.

ð Os russos colocaram num submarino, a 185 metros de profundidade, 10 coelhos de 5 semanas, e se afastaram 1200 quilômetros do laboratório de parapsicologia em que uma equipe de biólogos, parapsicólogos, médicos e psiquiatras, acompanhavam os eletroencefalógrafos que registravam as ondas cerebrais das coelhas mães de cada um dos coelhinhos. Cada vez que se matava um desses coelhinhos no submarino, observava-se no laboratório uma alteração na onda cerebral da respectiva mãe; houve êxito em 80% dos casos, isto é, das 10 coelhas, 8 tiveram reações observáveis. Este experimento foi de grande ajuda para se compreender a natureza da telepatia, que está relacionada com a transmissão e captação de algum tipo de energia.
ð Os americanos fizeram um experimento semelhante com golfinhos. A mãe estava num aquário e o golfinho filho foi levado para o mar várias vezes, até que a mãe se acostumou a ficar sem ele. Num dado momento, fez-se explodir uma carga colocada no corpo do golfinho filho. Esse instante não era conhecido de ninguém no aquário, mas as pessoas ali presentes logo o reconheceram porque, no mesmo instante em que foi ativada a carga e o golfinho morreu, a mãe teve um comportamento de desconsolo, muita fúria, e demonstrou um estado semelhante a loucura, isto demonstra que não importam o tempo, o espaço, os campos gravitacionais, eletromagnéticos, etc., para que se transmita a mensagem.
ð Outro experimento consistiu em reunir num laboratório, vários casais. As pessoas foram levadas para uma casa, onde lhes colocaram eletroencefalógrafos para medir suas ondas cerebrais enquanto liam revistas; elas ficaram muito felizes e tranqüilas. Enquanto isso, os maridos foram colocados numa outra casa e lhes foi solicitado que se concentrassem em olhar fotografias da época de sua juventude. Quando um deles estava com a foto de uma mulher que tinha sido sua noiva, por exemplo, notava-se que o gráfico do encefalógrafo de sua esposa se alterava, embora ela não estivesse consciente do que seu marido fazia. Este experimento serve para entender por que certas pessoas sentem de imediato angústia ou ansiedade sem uma causa aparente e, mais tarde, toma conhecimento de que um parente muito chegado, ou um amigo intimo, estava em dificuldades muito sérias, sofrera um acidente ou morrera. Mais tarde, quando nos aprofundarmos mais nos fenômenos telepáticos, tomaremos este exemplo como base para explicar por que a feitiçaria e a bruxaria afetam muitas pessoas e por que não afetam outras, e você mesmo aprenderá a ficar protegido de suas superstições.
ð Também se sabe que o astronauta MItchel, do espaço sideral, e o engenheiro sueco Hohnson, numa dependência da NASA, fizeram experimentos de telepatia com excelentes resultados. Mais tarde, Mitchel se dedicou ao estudo da parapsicologia.

RESPOSTAS PROVÁVEIS.
Os cientistas procuram explicar como surge a comunicação do nível subconsciente para o nível consciente. A resposta poderia ser que ela se origina em forma de reação automática, pressentimentos, ou como imagens visuais, auditivas ou olfativas.

Antes de continuarmos com o estudo da telepatia, será necessário explicarmos o fenômeno das ondas cerebrais, pois parece que são um elemento chave na compreensão desse fenômeno e de alguns aspectos fisiológicos do nosso organismo.

Como este estudo é de grande interesse e, embora sirva para compreender a telepatia, não faz parte dela, dedicaremos o próximo artigo exclusivamente às “Ondas Cerebrais”.

Voltando ao campo animal, observaram-se também vínculos telepáticos entre membros de uma mesma espécie. Numa ilha do Japão, ensinaram-se macacos a lavar batatas antes de comê-las. Simultaneamente, os macacos que viviam numa ilha vizinha também aprenderam a lavá-las, mas o mistério é como aprenderam, pois, de uma ilha para outra não se podia transmitir a informação por contato visual. Este fenômeno telepático também foi observado com as formigas e as abelhas. O cientista, Ivan Sandarson, estudou a formiga ‘Atta’, da América Tropical. Essas formigas fazem uma cidade subterrânea de uns 800 metros, muito complicada. Quando se coloca um obstáculo na entrada, logo chegam grupos especializados para fazer a limpeza,muito antes de que possam receber informação por meio de comunicação ou transmissão de sinais físicos.

Com base em todas essas informações, o biólogo, Sir Alister Hardy, de Oxford, propõe uma hipótese revolucionária dizendo que, possivelmente, a evolução também é impelida pela transmissão telepática de informação.
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[Texto de Pedro Raúl Morales]