sábado, 13 de fevereiro de 2010

A União


Sabemos que as palavras existem para representar as idéias que abrigamos em nossa mente. Muitas palavras, porém, têm a característica de se associar a mais de uma idéia, ora refletindo um conceito, ora outro, dependendo do sentido que lhe é emprestado por quem as profere ou escreve. Uma destas palavras, “amor”, é um caso clássico, à qual estão associadas diversas idéias. A palavra sozinha carece de um sentido, deixando-nos na dúvida, fazendo-se necessário situá-lo em algum contexto. Assim é que temos uma série de qualificativos, tais como “amor maternal”, “amor filial”, “amor conjugal”, “amor fraternal”, “amor platônico”, “amor desprendido”, “amor à natureza”, “amor ao trabalho” e assim por diante. Todas essas são expressões mais restritas, ou particularizadas, do Amor escrito com “A” maiúsculo, no sentido místico, o qual é a Lei das leis, o princípio básico subjacente ao próprio Cósmico. No seu pleno sentido, a palavra AMOR confunde-se com a idéia de Deus, como nos lembra o popularizado refrão “Deus é Amor”. Todos os “amores” desta vida são como que gotas de água imersas no oceano do Amor maior, ou seja, manifestam localmente as características do Todo. É minha intenção evidenciar neste ensaio que o Amor, em si mesmo uma força potencial toma forma, manifestando-se na existência, através da UNIÃO.

Se nos detivermos a observar e analisar o mundo que nos cerca, vamos perceber que em tudo que é manifesto faz parte da sua natureza intrínseca o sentido de ‘união’.

Começando pelo Microcosmo, o nível do Universo que fica nas fronteiras entre a pura energia e a matéria, temos a energias se condensando para formar as partículas elementares da matéria, as partículas subatômicas. Pensemos melhor o termo condensação. Tomando como ilustração as gotículas de água que se formam na parede externa de um recipiente gelado como resultado da aglutinação das moléculas de vapor d’água dispersas pela atmosfera circundante, percebemos que condensação é um termo que expressa a idéia de ‘união’ de partes antes dispersas em uma nova forma, mais densa.

Os átomos e as moléculas são o resultado da ‘união’ dessas partículas elementares, cujas diferentes combinações e proporções originam toda essa diversidade que presenciamos e vivemos. Por sua vez, átomos e moléculas se ‘unem’ para compor o Universo físico. E no reino da matéria são leis fundamentais a adesão e coesão, vistas em nossos estudos e responsáveis por fenômenos como as nuvens, a formação de gotas e o ato de colar ou cimentar, só para ilustrar. Pois bem, e o que mas são a adesão e coesão a não ser uma ‘união’? De forma que, toda vez que você observar o seu corpo ou qualquer coisa que o envolva, você estará diante de uma expressão do ‘Amor’, pelo simples fato desta matéria existir!

No Macrocosmo, aquele nível do Universo onde distinguimos planetas, estrelas e outros astros, temos a gravitação como a Lei básica subjacente à formação dos sistemas solares e das galáxias. De um outro ângulo, esta lei é tida como a força da gravidade, que impede um japonês de despencar para o espaço, faz os americanos despenderem enormes quantias de combustível para levar alguns quilos à estratosfera e fere aquele que atirou uma pedra acima de sua cabeça. O principio em questão é uma força de atração que um corpo celeste exerce ao seu redor, criando uma zona conhecida como campo gravitacional, o qual é mais ou menos abrangente em função da massa deste corpo. Mas esta força de atração não pode ser entendida como um ‘desejo’ de unir a si outro corpo que esteja no seu raio de ação? O Universo não seria tal qual o conhecemos se em cada parte sua não estivesse presente este sentimento de ‘união’. Quão errado estaria alguém que dissesse que entre o Sol e a Terra há um ‘caso de amor’?

Os organismos, por sua vez,não subsistem isolados. Em grupos pequenos ou grandes, por toda a sua vida ou apenas em parte, liderando ou sendo liderado, cada ser vivo precisa estar ‘unido’aos de sua espécie para poder efetivamente viver, reproduzir-se e aperfeiçoar-se. Lembremos das colônias de bactérias e de corais, dos bandos de aves, das manadas de ruminantes, dos enxames diversos de insetos, dos cardumes de peixes, de uma floresta de pinheiros, apenas para rememorar os casos mais característicos. Você consegue imaginar a vida de uma abelha sozinha? Ou de uma formiga sem as companheiras? Em todos estes casos e muitos outros que você deve estar recordando, temos a ‘união’ dos indivíduos em uma vida grupal como o ponto chave de sua sobrevivência. Podemos ver, nos bastidores deste fato biológico, o ‘Amor’ atuando e manifestando-se num outro nível.

Conseguimos maiores evidências analisando as relações de união entre os seres humanos, em sociedade. Iniciando pelo bebê e sua mãe, como se expressa o amor de um pelo outro?

Ambos querem ficar tão próximos quanto possível. O filho precisa, regra geral, da mãe junto a si para sobreviver. Então, a natureza o dota de característica que despertam, o amor do adulto e a ‘união’ se estabelece. Entre dois irmão pequenos, o amor os faz ficarem sempre juntos, seja brincando, seja brigando. Mas o exemplo que talvez nos deixe menos dúvida sobre a união ser a expressão do ‘Amor’, é um casal apaixonado, cujo desejo de estarem ‘unidos’é tão forte que superam muitos obstáculos para tanto, chegando mesmo a sentir um sentimento de ‘fusão’, como o momento do clímax de uma relação sexual plena. Quando há um forte sentimento de amor entre duas pessoas que não mantêm laços de sangue nem conjugais, é o caso de uma ‘verdadeira amizade’. Citando as palavras textuais de Maria A.Moura:

“A amizade é aquela virtude que une duas ou mais pessoas por laços de amor e confiança”.

O homem é um ser altamente sociável, tendo até sido afirmado pelo Pe. Teilhard de Chardin que “é mais fácil impedir a terra de girar do que o homem de se socializar”. E sociedade implica em associação, em relações de ‘união’, tais como as referidas acima. Por que o homem é o mais sociável dos animais? Uma das razões, penso, é porque ele tem a maior capacidade de amar.

A mais alta expressão da Vida na Terra, o Homem, é o resultado da manifestação de personalidade-alma já bem adiantadas em sua evolução através de um corpo físico que reúne a maior capacidade intelectual deste habitat, considerada, é claro, a média normal entre os seres humanos. A conjugação destes dois fatores permite o alto nível de autoconsciência conseguido na raça. Todavia, como o processo evolucionário inerente à vida não parou aí, a humanidade caminha, mais rapidamente do que se julga, para o advento da Consciência Cósmica, um estado da Alma Vivente que é o mais alto ideal dos místicos e que já se constitui em realidade para diversos destes, os chamados Mestres. Parece-me que a consciência, em qualquer de seus níveis, estando estreitamente ligada à faculdade da percepção, constitui-se numa ‘união’ entre o observador e o observado. Assim é que se diz que estamos onde a nossa consciência está. Se uma pessoa próxima a nós está fixando sua atenção consciente alhures, dizemos que ela está ‘ausente’, ‘longe dali’. Ao observamos uma bela paisagem, por exemplo, e dela ficarmos conscientes, nesse momento estamos trazendo-a ao nosso ser. De outro ponto de vista, podemos dizer que estamos nos projetando para a paisagem, como deixa mais claro o caso de um filme a que assistimos. Se não estão envolvidos os nossos sentidos físicos nessa união, então trata-se de uma projeção psíquica da consciência. Em qualquer dos casos, porém, vamos ter a ‘união’ do observador com o observado.[ Talvez este conceito ajude a compreender melhor o espaço como apenas uma construção da nossa mente objetiva]. Quando o observado é o Cósmico, temos o observador em estado de Consciência Cósmica, donde as referências à ‘união final’, ao ‘retorno à casa do Pai’, ao ‘círculo que se fecha’ ou ao símbolo da serpente que engole a causa, pois trata-se do fim do ciclo evolutivo da consciência, onde não subsiste a separação, apenas a ‘unidade’. Não é pura coincidência que o ‘Amor’ se manifeste crescentemente nas pessoas à medida que elas galgam os planos de consciência rumo à Consciência Cósmica, na relação direta da sua ‘união’ com cada vez mais partes do Todo.

Façamos agora um exercício de imaginação. Pensemos no Universo todo como um grande Coração. O coração pulsa em movimentos de sístole e diástole, ou contração e expansão. O Universo estaria agora numa diástole. Por que? Além de muitas evidências apontadas pela Ciência indicando um Universo em movimento de expansão, temos seu próprio nome. Inúmeras vezes você deve ter pronunciado a palavra ‘Universo’, mas alguma vez você reparou que ela diz “uno vertido”? A TEORIA cientifica do “Big Bang” que explica a origem do Universo por uma grande explosão, corresponde em parte à afirmação dos místicos de que o Ser Absoluto propagou-se pela PALAVRA. Podemos ainda dizer que NOUS separou as suas polaridades ou que a Mônada dualizou-se. Com um olho místico e outro cientifico procuremos enxergar a LUZ que brota nesta Criação. Na seqüência da diástole deste grande Coração, vem a VIDA com o seu constante movimento entre as polaridades de NOUS, a sustentar a consciência. E o AMOR? Sinto-o como a força da sístole, da contração, da reintegração. É a força que ‘une’ o que foi separado. Penso que o AMOR tende a se tornar cada vez mais forte em sua manifestação, provocando a crescente ‘união’ entre as partes e levando o Universo ao movimento de contração até a Unidade novamente.

Nessa linha de pensamento, podemos imaginar os ‘buracos negros’ do espaço sideral como zonas em que o Amor já “venceu”. Se “como em cima, é embaixo”, por que não pode o Cósmico respirar? A próxima expiração ou Criação, no entanto, não seria igual à presente, pois os ciclos evoluem segundo uma espiral.

Como consideração final, quero dizer que este ensaio não tem a pretensão de representar a verdade. Ele traduz, isto sim, as reflexões de um estudante rosacruz acerca dos mistérios que nos envolvem. A motivação principal de tê-lo escrito foi a idéia de que serviria como estímulo para as tuas próprias reflexões. Por sinal, as idéias aqui apresentadas só adquirem valor quando acalentadas pela tua mente.
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[Texto de Vadis A. Bellaver]

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O Mito da Alma


Este trabalho tem por objetivo informar sucintamente sobre a TEORIA DE PLATÃO, a respeito do MITO DA ALMA. As pessoas que habitualmente sentem saudade, nostalgia, sem motivo aparente, podem encontrar nessa TEORIA motivo para uma grande REFLEXÃO sobre os assuntos da alma humana, os quais transcendem o mero raciocínio objetivo.

O Mito Da Alma de Platão equivale, no misticismo cristão, Ao Mito Do Paraíso Perdido.

PLATÃO, aristocrata ateniense, orgulhoso de sua origem, impedido de realizar seu ideal político por circunstâncias da época, mergulhou na mais profunda Reflexão Filosófica, respondendo a muitas de nossas dúvidas, de nossas inquietudes.

Possuidor de grande valor criativo, foi consagrado como um dos mais hábeis artistas na prosa, legando à humanidade vários conceitos utópicos que são chamados MITOS.

Entre os belíssimos diálogos de Platão, convidamo-los a dar um passeio pelo Mundo das Idéias, o Mundo Supra-sensível, Invisível, de onde desceram as ALMAS.

MITO, na concepção da Filosofia, é a exposição de uma doutrina ou de uma idéia sob forma imaginativa, em que a fantasia sugere e simboliza a verdade que deve ser transmitida.

MITO é o produto de um processo inconsciente de um determinado grupo social, num determinado momento e lugar.

Pode ser equiparado a um sonho. Para Platão, o MITO é REAL [*]. Daí, começa o desenrolar de sua filosofia, conduzindo-a ao mais alto grau de sabedoria, com a pergunta:

O QUE É REALIDADE?
Antes de prepararmos a resposta dada por Platão, lembramos que muitos Filósofos Antigos dirigiram-se ao Egito em busca dos conhecimentos das Escolas de Mistérios, das quais teriam extraído a semente de sua Filosofia.

Na busca das “verdades”, encontramos descobertas que perduram até os nossos dias, verdades relativas às Leis da Natureza, relativas à Vida. São Verdades porque permanecem inabaláveis ao longo dos séculos.

[A Filosofia eleva a ALMA à pureza mais cristalina e é fonte da Verdade Única que transcende as palavras].


Para responder à pergunta “O que é a realidade?”, vamos entrar no MUNDO DAS IDÉIAS que Platão – o grande gênio da Grécia – legou à Humanidade: ensinamentos de profunda beleza e que vêm ao encontro das respostas de nossas inúmeras dúvidas.

[O Mundo Das Idéias É O Centro Do Pensamento Platônico.]


A REALIDADE está dividida em dois mundos distintos e contrapostos.

De um lado, o MUNDO SUPERIOR, invisível, eterno e imutável. De outro lado, o MUNDO FÍSICO, visível, sujeito à mudança.

Esses dois MUNDOS se contrapõem como abstrato e concreto, perfeito e imperfeito.

Há em nossa consciência a crença na existência de um mundo transcendente. Em CIMA – uma região indefinida, o estático, o imutável, a quietude, a ESSÊNCIA, os moldes. EMBAIXO – o mundo físico, o movimento, a troca, o dinamismo, a pluralidade, as imagens.

Assim, “contemplamos” dois mundos: O Mundo Visível e o Mundo Invisível.

As entidades desses mundos são opostas. As do Mundo Invisível são eternas, divinas, imutáveis, simples, uniformes, indissolúveis. São as verdadeiras causas das demais.

O Mundo Ideal é o Mundo do SER PURÍSSIMO, onde toda a REALIDADE é a própria “existência”.

As ESSÊNCIAS, que são a “natureza” das coisas, pertencem à ‘realidade do mundo invisível’.

Lembramos a explicação aristotélica de que a “essência” é a “potencia” com relação à “existência”. A existência, conseqüentemente, é o ato da potencia [é aquilo que se realiza].

Assim, como exemplo, podemos dizer que “o ovo está em potência à existência da galinha”.

A galinha [no ovo], ainda é o vir-a-ser [em potência]. É, portanto, a ‘essência’ que existe no mundo Inteligível, no Mundo das Idéias. Conhecendo essa realidade [que é a essência], a ALMA percebe verdadeiramente o Ser.

O Mundo Visível, pelo contrário, é mutável e pertence à mera opinião, motivada pelas nossas emoções.

Platão fundamenta a crença na existência de um mundo transcendente e formula vários argumentos para demonstrar a existência do Mundo Supra-sensível – o mundo que transcende a nossa visão física.

Concentrando o raciocínio no “conhecimento” que temos das coisas, procuramos uma explicação. Daí, o interesse em remontar à resposta que Platão oferece em seu ‘diálogo Fédon’, no qual revela a vivencia da ‘Alma’ no Mundo das Idéias, no Mundo Inteligível.

Abaixo do Mundo das Idéias, e dentro do Mundo Cósmico, existem as almas: A Alma do Universo e as almas humanas, as quais são a fonte e a origem do movimento que, conseqüentemente, é a origem do mundo sensível.

Entre o vasto campo de sabedoria transmitida por Platão, encontramos a relação do ‘conhecimento’ das coisas que adquirimos com as do Mundo Supra-sensível.

Platão explica através do MITO DA ALMA o conhecimento que temos das coisas visíveis, corpóreas.

[As essências são as próprias coisas]

Mas o que é o MITO na concepção Platônica?
Mito é a expressão fantástica que Platão, em sua profunda sabedoria, usou para clarear nossa mente e esclarecer o momento em que ocorre uma ‘Intuição’.

Levanta a hipótese de que as ‘almas’, antes de habitarem um corpo, viveram no Mundo das Idéias, onde conheceram todas as coisas na sua mais pura e perfeita essência [**].

Assim, a alma, ao cair do Mundo das Idéias [para se aprisionar em um corpo – invólucro pesado e grotesco], dada a sua sutileza, perde a consciência do conhecido que contemplou naquele mundo ideal.

[É a idéia das idéias, a causa, o fim e a razão última do Ser, da verdade, e a fonte do conhecimento de todas as coisas].

O Mundo Visível [físico] fica como se fosse um mundo dos sonhos, dos semelhantes, imagens obscuras da realidade, imitação das realidades verdadeiras do mundo superior.

Cabe à inteligência indagar: ‘A Idéia que temos das coisas antecede a percepção de um objeto? Ou, um objeto é que nos leva a ter Idéia daquilo que é?’

Do ponto de vista ontológico na Filosofia Platônica, a Idéia é anterior ao objeto conhecido. Conhecer é o despertar do conhecimento que a alma possui antes de vir ao mundo físico. É o conhecimento trazido do mundo Superior das Idéias.

A Alma, ao unir-se ao corpo, cai obscurecida, porém conserva toda a sua Essência [há somente a necessidade de recuperá-la por meio da recordação ou da intuição].

[Ignorância é o esquecimento. Sabedoria é recordação].

Aprender, na concepção Platônica, não é adquirir novos conhecimentos, mas sim recordar o já conhecido em uma existência anterior [no mundo das Idéias]. “Do mesmo modo que na flor nasce o perfume, na Alma Humana está latente o conhecimento”. O conhecimento oferecido pela luz da ‘ciência’ é adquirido através de instrumentos usados pelos órgãos dos sentidos, lançando mão de objetos fixos, estáveis, em busca de um resultado.

Platão apresenta a hipótese de que esses objetos corpóreos necessários à pesquisa são cópias ou imitações dos objetos existentes no mundo das Idéias, no mundo Invisível.

Explica Platão que a lembrança que temos das coisas é o reconhecimento daquilo que a alma já contemplou em uma vida anterior, com uma visão direta.

Essa passagem ao reconhecimento é o que se chama “reminiscência”. A reminiscência é o conhecimento das coisas que ficaram armazenadas na memória, provindas de tempos tão longínquos, que induzem o sentimento de saudade daquilo que foi contemplado no Paraíso Perdido...

Por exemplo: Uma folha branca de papel nunca é totalmente branca. Apresenta-se com uma tonalidade acinzentada ou amarelada. É quase branca. Também, essa folha de papel tem existência temporária. Assim, todas as coisas existentes nunca ‘são’. Falamos em papel quase branco. O que será o ‘branco’ absoluto? O ser quase branco das coisas exige a existência do que é verdadeiramente branco, que não está em coisa nenhuma, mas fora das coisas.

A este “ser verdadeiro” [real], distinto e fora das coisas visíveis, é que Platão chama Real. O ser verdadeiramente real está nas Idéias, mas as Idéias não são acessíveis ao nosso conhecimento direto; não estão no nosso mundo visível. As coisas são apenas um estímulo para que delas nos afastemos e nos elevemos até a Idéia. As coisas visíveis, diz Platão, “são sombras das Idéias”. O Homem, que para Platão é um ente caído, aparece caracterizado por ter vislumbrado as idéias, o verdadeiro ser das coisas.

O ser humano nasce, vai crescendo e tomando consciência das coisas que já foram conhecidas no mundo Inteligível [mundo das Idéias]. Nada estamos aprendendo, mas sim “recordando”.

Quando somos tomados de uma idéia súbita, como um lampejo, é hábito dizermos: “tive uma intuição”. A intuição é essa lembrança, é a tomada de consciência de algo esquecido...é uma ‘recordação’...provinda de outra vida. Se deixarmos que a nossa mente fique receptiva à beleza que o “Mito da Alma” nos oferece e iluminarmos as profundezas de nosso ser para vivenciar a “reminiscência”, tomando consciência de tantas incompreensões do mundo, será que restaria dúvida sobre essas verdades?

Será que Platão usou de uma “fantasia” com rara beleza mística e poética apenas para o nosso deleite, um delírio para o nosso lazer ou um fantástico elemento para envolver nossas emoções? Não podemos compreender esse “Mito” pela racionalização ou pelo raciocínio, mas somente poderemos vivenciá-lo pela ‘Intuição ou Iluminação’.

Cada um de nós encontrará um ponto focal – um encontro com os ditames de sua alma.

Continuando a nossa jornada de dúvidas, ainda resta perguntar: nossa alma já habitou um mundo antes de encarnar...será isso verdade? Devemos concordar com o que disse Platão por sentirmos essa verdade dentro de nossas emoções? Será a verdade captada apenas por grandes almas – almas sábias?

O indivíduo [homem] é um ser psíquico [quanto aos atributos espirituais de sua natureza], vivendo num mundo material, físico e emocional. Portanto, deve ajustar-se a essas condições – somos um pequeno Mundo dentro do complexo Mundo Cósmico. Por isso, precisamos dominar as adversidades da vida e delas extrair tudo aquilo que possa contribuir para o nosso desenvolvimento.

Não vamos ao exagero de rebaixar a natureza física do homem à categoria de invólucro pesado e grotesco, que aprisiona a alma, mas elevamos a matéria física ao nível que ela merece, lembrando que “o corpo é como a rocha que abriga o outro”. Assim como a ‘morada do ouro é a rocha’, a morada da alma é o corpo.

[O verdadeiro misticismo reconhece uma fonte Cósmica Unificada, para todos os fenômenos].
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Este Mito destina-se àqueles que gostam de refletir, pois conhecimento se adquire com ‘reflexão’. Lembramos que a ‘verdade’ é relativa em cada nível de consciência. Os fatos são verdadeiros quando encontram uma harmonia, uma integração com a consciência individual de cada um.

Reconhecendo que o “Mito da Alma” – cuja beleza nos transporta para o Mundo Ideal - não pode ser conhecido pela razão, deixemos nosso pensamento ser conduzido pela “Intuição”,oferecendo dessa forma condição para vivenciar a existência do Mundo das Idéias, do Mundo Superior, do Mundo Supra-sensível.

Platão, ao legar à humanidade o “Mito da Alam”, recebeu uma ‘intuição ou iluminação’. Em todos os seus diálogos, nota-se o desenvolvimento de uma revolução interior naqueles que pensam, reconduzindo-os ao ponto de partida.

Deixemos aqui, para contemplar o tema destinado à reflexão, a seguinte alegoria:

“As almas são forjadas em diferentes metais: alguns tem sua alma de ouro, outros de prata, e os terceiros de bronze...”

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[Texto de Ilma Manso Vieira Mansur]

O Universo Descontínuo.


Os conceitos sobre o universo físico mudam à medida que a experiência do homem abrange mais do universo observável e os experimentos científicos se tornam mais completos e perfeitos.


Um campo cujos conceitos estão se alterando relaciona-se com a continuidade da expressão de eventos físicos. Por exemplo, no período da Física clássica [ de Sir Isaac Newton, no século dezessete, a Max Planck, no começo do século vinte],ensinava-se que a energia, o tempo, o espaço e o momento [massa x velocidade] são quantidades contínuas. Poder-se-ia transmitir, em princípio, qualquer quantia de energia a uma partícula [ao elétron único do átomo de hidrogênio, por exemplo],mesmo numa quantia infinitesimal. Além disso, os antigos físicos acreditavam que era possível conhecer exata e simultaneamente a posição duma partícula. Esses conceitos foram o resultado direto de observações de corpos grandes [relativamente à escala atômica]e dos mais simples cálculos matemáticos necessários a predizer o comportamento desses corpos sob condições definidas.

Com o surgimento da nova Física nas primeiras décadas do século vinte, as noções clássicas tiveram de ser modificadas para explicar a natureza descontínua do universo atômico. Por exemplo, a descoberta do elétron, dos raios X, da estrutura do átomo e da unidade intrínseca de carga contida no elétron e no próton, foram valiosas no surgimento da nova Física. Os níveis de energia do elétron do átomo de hidrogênio [na realidade, de todos os átomos] são quantificados e não podem assumir valores arbitrários. A luz parece onda em certos experimentos e partícula [um fóton] em outros. Heisenberg demonstrou matematicamente que é física e teoricamente impossível determinar a posição e o momento ou a inter-relação de tempo-energia] exata e simultaneamente.

Este é o famoso PRINCIPIO DA INCERTEZA:

ð Momento x Posição > constante de Planck (h)/2PI

Essa relação indica que podemos determinar experimentalmente tanto a posição como o momento dum corpo somente dentro de certa quantidade (h), que, embora muito pequena, não é infinitesimal. Em certo sentido, a quantidade de (h) é um aumento universal na escala de medida da natureza. Seu valor não é arbitrário e está intimamente entrelaçado à própria essência do universo físico. Isso entra em conflito com a concepção clássica de que as dimensões comuns de medidas espaciais são totalmente arbitrárias.

Desse novo ponto de vista, é interessante perceber como esses conceitos mutáveis afetam nossas teorias metafísicas e filosóficas.

CONCEITO MÍSTICO DO ABSOLUTO_
O conceito de DEUS, o TODO, o Absoluto, apresentado pelo místico, entende o SER como Universal, que compõe a própria essência de tudo o que existe ou que pode existir. Nada existe além do SER. Como o SER é TUDO, é abrangente, e nada pode existir fora d’Ele ou exterior a Ele. Ele não é divisível, pois que é que poderia separar sua essência? Conseqüentemente, o SER é contínuo. Em certo sentido, os físicos clássicos enxergavam uma correspondência “de um a um” entre a necessidade da continuidade do ser e a continuidade da natureza. Psicologicamente, foi esse mesmo preceito que opôs resistência ao progresso da física de Bohr, Pauli, Dirac, Schrödinger e Heisenberg em seus primórdios.

A NOVA FÍSICA E O PENSAMENTO METAFÍSICO_
Uma contribuição vital da nova Física ao pensamento metafísico é a de que as manifestações da existência [SER] no universo físico são descontínuas e quantificadas quando vistas de perto. Além disso, nenhuma afirmação sobre a matéria é exata. Por exemplo, tudo o que se pode afirmar sobre o modo de manifestação dum elétron é que existe uma probabilidade especifica de que, num dado momento, o elétron se encontre numa determinada posição. Essa dicotomia entre o verdadeiro estado do SER e sua manifestação particular em nosso universo explica por que é tão difícil para o homem, um mecanismo biológico composto de partículas descontínuas, construir mecanismos para medir as manifestações psíquicas superiores do SER. Pelo que sabemos, essas manifestações podem possuir uma natureza contínua e ser estranhas aos nossos métodos de avaliação física.

Essa descontinuidade da natureza sugere que nossa consciência pessoal, embora encarnada num mundo físico, pode assumir [ou se manifestar em...] uma forma descontínua. É evidente, mesmo para o observador descuidado, que a nossa consciência ou percepção objetiva-subjetiva não é um fluxo temporal contínuo. Antes, nossa consciência consiste em pensamentos conscientes separados por hiatos ou períodos momentâneos de não-consciência. Nossa consciência de tempo é produto da seqüência desses intervalos discerníveis de consciência. Tempo e Consciência, enquanto no plano físico, são inseparáveis.

A avaliação interna desses intervalos de consciência ou percepção depende de como os vivenciamos. Por exemplo, é um fenômeno bastante conhecido o de que o tempo passa muito mais rapidamente num sonho que quando estamos acordados. Um sonho é de alguns segundos de duração talvez requeira muitos minutos de tempo do estado de vigília para ser relatado. Entretanto, não se deve entender isso no sentido de que nossas noções de tempo, ou seus métodos de manifestação, são totalmente arbitrárias. Não é razoável supormos que o tempo necessário a elaborarmos um pensamento esteja relacionado com a quantidade de circuitos neurais pelo cérebro nesse momento especifico. Provavelmente, o intervalo mínimo entre os pensamentos é determinado pelo tempo objetivo necessário a que um impulso elétrico de um neurônio, ou célula cerebral, a outro. Nessa situação, o período de transferência estaria de acordo com a nossa escala fundamental de tempo consciente – períodos mais longos de consciência requereriam números maiores de unidade operando seqüencialmente. Para que um pensamento seja registrado na memória durante os sonhos, pode ser que seja necessária uma parte do cérebro menor que a necessária em estado de vigília.

Com base no que foi dito acima, percebemos uma correspondência entre a natureza descontínua ou interrompida do mundo físico e a nossa consciência cerebral comum, uma analogia que não se tinha em mente na época da Física clássica. A nova Física tem auxiliado a compreender o nosso mundo.

Em contraste com o acima exposto, é interessante discutir a natureza da experiência mística ou noética. Durante esse estado mental, o indivíduo perde a noção de individualidade e sente-se ubíquo, isto é, que está em todas as partes ao mesmo tempo. A noção de tempo é tal, que só existe o agora [o passado, o presente e o futuro deixam de ter significado]. Aliás, não há nenhuma noção de tempo durante a absorção no estado místico. A mente se torna capaz de vivenciar e absorver o conhecimento extensivo, absorvente, completo, auto-suficiente e satisfatório, que parece surgir espontaneamente na consciência, sem recurso aos sentidos objetivos ou capacidades de raciocínio do cérebro. É como se de repente a pessoa compreendesse a totalidade e amplidão de certo assunto, em todas as suas ramificações e permutações.

A EXPERIÊNCIA MÍSTICA_
A natureza ininterrupta desse estado contrasta extremamente com a consciência normal de nosso mundo físico. Talvez isso seja significativo à nossa compreensão do estado místico, pois, durante esse estado, as noções de espaço e tempo não existem para nós. Esses são constructos do mundo físico, e não do SER. Parece que o estado noético pode representar a experiência direta da natureza do SER por parte da personalidade consciente individual. O método exato da transferência dessa informação ao cérebro humano é desconhecido.

A existência desse estado noético de experiência é uma das melhores evidências de que dispomos sobre natureza do SER, de DEUS ou do TODO. É a distinção entre a forma descontínua de manifestação do universo físico normal com suas qualidades espaciais e temporais e o estado de conhecimento espontâneo e sensação de ubiqüidade que cria muitos dos equívocos sob os quais laboramos. Para alcançarmos o sucesso máximo em nossa vida, precisamos compreender e utilizar as leis e regras que compõem nossas existências interior e exterior. Desvendar o plano do Supremo Arquiteto, e colocá-lo em prática, é o verdadeiro propósito da humanidade. Os métodos de conseguirmos isso estão contidos nos ensinamentos de fraternidades arcanas.
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[Texto de.: Michael J. Kell]

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O Campo de Energia Humano.


Nos últimos cinqüenta anos, e mais aceleradamente nos últimos cinco ou dez anos, os cientistas começaram a observar a energia que chamamos de corpo humano. Aos poucos, fomos nos libertando do conceito de que o corpo ‘contém’ energia, pensamentos e consciência. Passamos a compreender que campos de energia permeiam e apóiam toda a estrutura que chamamos de corpo, ao invés de estarem nele contidos.

Visualizem a estrutura elétrica e energética do universo, como seu fluxo de energia. Podemos visualizar também a estrutura energética do corpo humano. Por trás da aparência física encontra-se na verdade uma estrutura energética. À medida que começamos a compreender o corpo, podemos perceber a importância de controlar e alterar o fluxo de energia. Ao fazermos isso, estamos automaticamente mudando a estrutura física, porque a estrutura é realmente o resultado da energia.

Os cientistas tem procurado meios de registrar esses campos de energia na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, o Departamento de Cinesiologia conseguiu registrar correntes de energia da coluna vertebral. Essas correntes são especialmente importantes porque afetam toda a estrutura física e energética. A coluna vertebral é uma estrutura central de distribuição de energia. Como a energia flui a várias partes do corpo, a coluna vertebral quase sempre está envolvida.

Na antiga compreensão do universo, o aspecto físico era considerado a causa primordial, e tudo o mais somente um epifenômeno que dele surgia. Muitos físicos não mais encaram o universo desse modo. Ao contrário, vêem-no como o resultado de um campo de energia. Alguns pensadores aplicam esse mesmo conceito ao corpo humano – de que o corpo é o resultado da energia, e não a energia o resultado do corpo.

Outros vão além. Afirma que o “pensamento”, junto com a vontade, cria e altera o corpo “através” do campo de energia. A tecnologia atual não tem meios de registrar diretamente o pensamento ou a vontade, mas tem condições de registrar a “energia”. Ao considerarmos a possibilidade de o pensamento e a vontade afetarem diretamente e alterarem esse campo de energia, percebemos a importância da dinâmica do controle e fluxo da energia. Essa dinâmica envolve principalmente o pensamento e a aplicação consciente da energia por meio da vontade.

Segundo essa compreensão do corpo humano, o nosso pensamento altera a nossa energia e, portanto, a estrutura física. Assim, o ser humano é visto como um epifenômeno dum campo de energia. Esse campo de energia, por sua vez, está sujeito ao nosso pensamento e vontade. O impulso “inicial” provém do pensamento, que afeta o campo de energia primeira e, depois, o físico.

PENSAMENTO E ENERGIA_
Tomemos dois exemplos do efeito dos pensamentos na energia do corpo:

_Tarde da noite estamos cansados e temos pouca energia, mas se um velho amigo aparece à porta podemos passar o resto da noite acordados e bem-dispostos, indo até de manhã cheios de energia, conversando e renovando o relacionamento. Nossos pensamentos mudaram, de modo que a energia disponível também mudou.

_Em outro exemplo, uma pessoa pode estar tomando um prato de sopa e ingerir um verme sem o saber. Isso teria pouco ou nenhum efeito em seu corpo ou pensamentos, mas se a pessoa enxergar o verme na sopa, pode sentir náuseas, talvez a ponto de expelir do corpo o que já ingeriu, embora nem tivesse ingerido o verme. Ver e pensar no verme controlou as funções corporais.

Possuímos muitos pensamentos e expectativas de que não temos consciência. Quando padrões de pensamento são inconscientes, estão fora de nosso controle. Sem que o saibamos, esses pensamentos podem causar problemas no corpo. Se padrões inconscientes de pensamento são contrários aos conscientes, tornam ineficaz o nosso controle sobre o campo de energia. É somente quando temos controle consciente sobre o campo de energia, que podemos conscientemente sanar e alterar a estrutura física do corpo. Se um individuo tiver controle absoluto de seus pensamentos [e, portanto, sobre o fluxo de energia do corpo], poderá neutralizar até mesmo o veneno mais forte. Para neutralizar o veneno, os pensamentos devem operar através dos campos de energia.

Algumas pessoas tem a capacidade de enxergar a aura que circunda e permeia o corpo. A maioria de nós não pode ver esse campo áurico sem treinamento ou recurso especial. Podemos, porém, registrar eletronicamente a energia desse campo. Algumas observações indicam que uma alteração ou perturbação no campo áurico muitas vezes antecede uma exaustão ou doença no corpo físico. Esse fenômeno permite aos cientistas estudar o efeito do campo de energia no corpo humano.

ENERGIA CURATIVA_
Quando a energia é suprimida de alguma parte do corpo, doenças ou colapsos estruturais podem ocorrer. Essa supressão de energia pode ser física, como a quebra dum braço, mas pode também ser causada pelo “pensamento”. Às vezes, suprimimos a energia de alguma parte especifica do corpo por certos temores ou emoções perturbadoras. Pelo treino da vontade, é possível enviar energia a qualquer parte do corpo. Se pudermos enviar energia suficiente a todas as partes do corpo, poderemos curar doenças. Se mantivermos um fluxo equilibrado de energia em todas as partes do corpo, a doença poderá ser controlada, mas os pensamentos e emoções inconscientes podem interferir com esse fluxo de energia, provocando doenças, sem que disso tenhamos consciência.

Nossos métodos terapêuticos normais se processam por meio de drogas. As drogas alteram o fluxo de energia e, por conseguinte, afetam o corpo físico. O próximo passo mais importante na cura é aplicar esse fluxo de energia diretamente no corpo. Descobriu-se, por exemplo, que raios X, massagem, acupressura, acupuntura, etc., curam certas doenças.

Alguns afirmam que certas ervas e pedras preciosas, se colocadas em contato direto com o corpo, podem curar. Com o passar do tempo, outros meios de aplicar energia diretamente no corpo serão desenvolvidos.

Todos esses métodos requerem que alguém faça algo por nós. Esses métodos são úteis, mas se formos capazes de controlar nossos pensamentos um nível superior de cura se tornará possível. Podemos também curar o corpo físico usando a energia, pelo processo do pensamento e da vontade. Todos os pensamentos afetam o fluxo de energia, Por conseguinte, se temos pensamentos conflitantes, a energia ou é neutralizada, ou flui com muito menos intensidade.

Para curarmos o corpo com o pensamento e a vontade, devemos não nutrir em nenhuma parte da mente, consciente ou inconscientemente, qualquer pensamento oposto ao da cura. O fracasso em curarmos por nosso pensamento e vontade se origina principalmente dessas oposições. Mesmo sem oposições, é preciso intensa concentração e vontade para fazer com que bastante energia flua para curar o corpo. Se tivermos unidade de pensamento sem a capacidade de nos concentrar nesse pensamento, não seremos capazes de curar por meio do pensamento.

Quando não somos capazes de curar pelo pensamento,faz sentido usarmos outros meios de cura. O real fluxo de energia parte do sutil ao grosseiro, e não do grosseiro ao sutil, mas é difícil convencer a mente de que somos energia ou pensamento quando estamos tão abarrotados de experiências sensoriais. Se não pudermos fornecer à mente verdadeiras experiências em contrário, ela não ficará convencida. Para os sentidos, o corpo é o que parece real, não a energia ou os pensamentos. Somente quando descobrimos meios de registrar diretamente a energia, poremos alterar nossa compreensão, porque esse registro nos permitirá ter a percepção e a experiência dessa energia, o que, então, nos permitirá perceber a relação dessa energia com o corpo.
_
[Texto de Thomas Parker].

Caminhos da Vida.


Refletindo sobre os caminhos da vida,
Vamos libertando a alma progressivamente
Do que a faz estagnar em terrenos movediços.
Observando o nosso cotidiano,
Aparentemente não estão ocorrendo mudanças para melhor .
Mas a quem mantêm acesa a chama do interesse pelo que é SUPERIOR,
As transformações continuam ocorrendo,
Num acumulo sutil, gerando ações construtivas
Até que um dia atinge-se o ponto critico,
e a alma livre voa ao encontro da LUZ.
Precisamos então, manter o fluxo de energias benéficas,
Por que esta manutenção, facilitará a ocorrência,
Dos estados de espírito elevados,
E o ser sofrerá menos, pois estará sempre às voltas,
Com o que providencia a inexistência do infortúnio.
E, mesmo quando este se manifestar, apenas iremos contemplá-lo,
Como uma embarcação de grande calado que não se abala com os mares revoltos.
Vivamos com alegria essa passagem pelo mundo,
Isto é de grande beleza,
Pois é o fruto de imensa misericórdia a nosso favor.
Temos muitos meios para levitar acima das tormentas,
Para sermos aves migratórias, a caminho do mundo maior.
Esta vitória, é a conquista do pleno domínio,
Sobre as variantes da emoção, ao nos sentirmos soberanos,
Ante todo sentimento que brota do nosso coração.
VIVA A LUZ DO ESPÍRITO CRIADOR,
Elaborando transcendente beleza, enquanto trafega pela transitoriedade.
Vamos compondo sinfonias de forças da LUZ,
Para abençoar os irmãos de jornada,
Tornando-nos assim, desde já, os úteis servos do Altíssimo,
Que podemos ser, independente do grau que ocupamos na escada evolucionaria.
Venham as forças cósmicas a nosso favor
Acumulem-se aqui e agora
Brilhem com todo poder
Revelando ao consciente
Aquilo que inconscientemente já somos.
FAÇA-SE A LUZ,
reinado de beleza infinda.
Vamos repetindo assim:
Aqui onde vivo não há sombra alguma
Tenho comigo o cetro de poder,
que agora faço brilhar
Com a intensidade desta vontade.
Bendito o reino solar do Guardião dos Destinos.
Esta onda etérica de raios coloridos,
É a consumação do que magnetizo,
Para o meu bem, para o bem de todo ser humano,
Para o bem do meu mundo.
EU SOU a consagração do Universo ao meu redor.
Tenho LUZ.
EU SOU um com DEUS.
Meu CRISTO CÓSMICO é a LUZ QUE EU SOU.
Eu tenho vida eterna,
E ao criador de tudo,
Toda esta vida, eu dou.
Louvado seja DEUS,
Louvado seja o PODER DE DEUS,
Este poder está atuando aqui e agora,
Em raios violetas, ceifando tudo que não é de PAZ,
Desintegrando tudo que não é AMOR.
Devolvendo a quem se aproximar desta vibração,
A retomada de sua CONSCIÊNCIA ultra-dimensional.
A vida é em mim meu sonho sagrado,
Gerando tudo em que acredito,
Movendo tudo que afirmo,
Atraindo a mim, os raios da Divina Energia,
De que necessito.
Tudo fica bem, neste campo de alta vibração,
Por mim agora gerado.
A PAZ está REINANDO aqui.
Eu afrouxo os laços que me prendem ao mundo,
Para sentir e vibrar,
Na doce sintonia da VERDADE UNIVERSAL, do AMOR ONIPRESENTE.
Posso sentir meu ser expandindo-se.
Não tenho culpas,
Não tenho medos,
Eu perdôo e sou perdoado,
Eu amo e sou amado.
O planeta em que habito,
Recebe as bênçãos dos Mestres da LUZ.
Na PAZ que eu sinto,
Eu sinto a emanação amorosa e carinhosa,
De todos os seres, poderes, atividades da LUZ,
A serviço do CRISTO.
Grande é o poder agora em mim gerado,
Eu direciono esta poder,
A todos os irmãos necessitados,
Para suprir suas carências emocionais e espirituais.
Eu direciono este PODER para o bem da Terra,
Elevando a cota de energia humana,
Qualificada com o AMOR que sinto,
Por toda a Criação Divina.
Todas estas forças, não são em vão...
Toda esta LUZ,gerada no seio de cada coração,
É a conjugação da massa de energia,
Que prepara a definitiva elevação,
Da vibração planetária.
É o movimento interno dos representantes da Humanidade,
Responsáveis pela elaboração de uma nova civilização.

Portanto, vamos seguir afirmando:


_ EU CRIO UM MUNDO DE PAZ!
_ EU INVOCO O CÓSMICO MANANCIAL,
para a elaboração de um povo,
onde irmão ampara irmão
o fraco é protegido pelo forte,
e, cada um da si apenas o melhor,
para o BEM DA COLETIVIDADE.
_EU MENTALIZO e ATRAIO esta realidade,
que viaja no tempo, até nós.
_EU VOU ao encontro desta ERA DOURADA,
em meus pensamentos, sentimentos e percepções.
VERDADE CELESTIAL dos planos onde a LUZ É VENCEDORA,
Rompe a nevoa da Ilusão.
e cresce aqui desfazendo todos os enganos.
Infiltra-se aqui e se expande,
Ganhando forças em cada coração.
As fronteiras de LUZ aqui são criadas,
Nestes campos de sublime energia,
Por cada um de nós, TRABALHADORES DA LUZ, gerados.
Todo o bem que há em cada um,
É manifestado com imensa naturalidade,
E fica mais fácil sentir a alegria dos ANJOS.
E fica possível perceber,
O DEUS que há em toda parte.
E assim, avançamos,
Com a renovada força juvenil,
Dos construtores de um paraíso celestial,
Neste mundo que herdará toda a riqueza do universo
O AMOR COLETIVO, A SERVIÇO DA HARMONIA MULTIDIMENSIONAL.
Agradecemos ao PAI por fazer parte desta CONSAGRAÇÃO.
_
Targon Darshan.












terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O Carma Criativo


O ser humano é o Princípio Divino personalizado. Esse princípio personalizado é uma força em evolução. A evolução mística consciente ocorre naquele purificador momento de iniciação em que surge na consciência a percepção de que a Alma Suprema é TODA MENTE – TODA AMOR.

Mas se há evolução do EU, portanto, qual a sua meta?


A meta é a perfeição do ‘principio’ personalizado ao ponto em que se torne desindividualizado. Todo ele se torna princípio, puro princípio, nada mais – o mecanismo da evolução que chamamos ‘carma’. Entretanto, não estamos interessados aqui simplesmente pelo nome, pelo rótulo ‘carma’. O que devemos saber é: quais são os mecanismos? Usando a lei do triangulo, descobrimos que existem três dimensões pelas quais a personalidade evolui. Essas dimensões são as do Carma Moral, Carma Psíquico e Carma Criativo. O maior deles é o Carma Criativo.

Se nos perguntassem ‘por que usar o termo dimensão?’ a resposta só pode ser a de que isso se assemelha ao problema de espaço que o arquiteto enfrenta ao construir um edifício.

Pelas leis da construção, não pode ele construir qualquer tipo de edifício sem usar as dimensões de altura, largura e profundidade. Nós também estamos criando uma mansão, que é a condição, a morada em que viveremos nos amanhãs. Essa mansão, porém, pertence inteiramente a nós, ao nosso interior. Seremos melhores arquitetos do nosso futuro se soubermos que o “um é três” e o “três é um”. Devido a que cada uma das três divisões do carma possui magnitude por [e no interior de...] si mesma, ‘dimensão’ é um termo que não só define exatamente cada qual, mas transfere o tema, carma, do reino do abstrato ao reino do específico.

Para alguns, o carma tem significado compensação apenas por nossos pensamentos e ações morais. Mas essa compreensão do carma existe na consciência duma pessoa que está só alguns passos à frente da crença “céu-ou-inferno” das religiões ortodoxas. O Cósmico não nos coloca em situações que sejam ou boas ou más. Quaisquer que sejam nossas futuras condições, somos nós que a criamos. Entretanto, existe o Carma Moral, que constitui a primeira dimensão.

Seu axioma é o Amor Divino. Se todos nós compreendêssemos corretamente essa verdade sublime, e a incorporássemos completamente em nossa vida diária, seria impossível realizarmos algo imoral. Sermos bons, fazermos o bem, seria tão involuntário quanto o batimento cardíaco. Quando o coração do nosso Ser estiver batendo, pulsando, impelindo o sangue da vida espiritual – o Amor Divino – então, e somente então, saberemos que estamos sincronizados com o Coração do Pai.

Quando o estudante de ocultismo fala que leva consigo capacidades psíquicas de uma outra encarnação, raramente pensa nisso como carma – mas trata-se de carma. O axioma da ‘segunda dimensão’, o ‘Carma Psíquico’, é o domínio do EU psíquico sobre o físico. Deve-se compreender que as capacidade psíquicas que possuímos em determinado momento foram adquiridas por esforços através de um ou de outro método. Por isso, criamos, como Carma Moral, certas condições na personalidade, e o mesmo ocorre como o Carma Psíquico, isto é, criamos determinada capacidade para uso da personalidade.

A terceira dimensão do carma é, em muito, a mais importante para a personalidade.: a do Carma Criativo. Seu axioma é a capacidade de a personalidade prestar serviços. É esse princípio que o Cósmico usa para elevar o homem a uma civilização espiritual maior. É por essa dimensão especifica, a do Carma Criativo, que estamos interessados aqui.

SEJAMOS MODERNOS_
Para que possamos explicar o Carma Criativo, devemos lançar as bases sobre as quais ele está edificado. Se a pessoa deseja ser útil nesta e em futuras encarnações, precisa ser um verdadeiro representante de nossa época. Novas idéias surgem apenas na mente daqueles que estão sintonizados com as necessidades e problemas de sua época. Seria, acaso, possível hoje que alguém cuja mente estivesse muito atrasada no tempo criasse algum novo uso para a energia atômica? Isso seria impossível! Por isso, a primeira coisa que se faz necessária é extirpar da mente todos os conceitos antiquados que a estorvam. Em outras palavras, é preciso que sejamos verdadeiramente modernos.

Mas o que é ser verdadeiramente moderno?

Carl Jung, o grande psicanalista, sabiamente observou que a única diferença entre o selvagem e o civilizado é a dos conceitos. O selvagem primitivo demonstra tanta inteligência, ao enfrentar os problemas do seu ambiente, como nós ao enfrentarmos os nossos. Entretanto, nós, deste nosso estrato, possuímos um conjunto diferente de conceitos – numa ordem superior. Por conseguinte, é no mundo dos conceitos – o mundo da mente – que constatamos o verdadeiro moderno, e não em seu ambiente, nem na época em que vive. Muitas mentes ilustres de épocas passadas foram tão modernas em pensamento quanto muitas pessoas de hoje.

O ponto crucial de ser ou não ser um homem moderno não pode ser avaliado pelos padrões do homem comum. Se perguntássemos a um homem comum se ele se considera uma pessoa moderna em mentalidade e vida e, em caso afirmativo, por que, com ênfase ele nos diria que é moderno não só porque desagrada-lhe o antiquado modo de vida, mas porque em sua casa tem ele telefone, maquina de lavar, refrigerador e também um carro. Ele, portanto, deve ser um verdadeiro homem moderno. Isso é tudo o que para ele significa ser um ‘homem moderno’.

QUATRO PEDRAS FUNDAMENTAIS_
Mas esse homem comum ficaria surpreso em saber que nada mais é que alguém ‘enquadrado em nossa época’. Para avaliá-lo, não lhe perguntamos se ele gosta ou não gosta, usa ou não usa certo aparelhos mecânicos em seu lar ou local de trabalho. Testamo-lo extraindo alguns de seus conceitos, sem os quais ninguém poderia contribuir com uma coisa criativa sequer para a evolução do homem. Por conseguinte, nós que somos estudantes de misticismo [se nos referirmos absolutamente ao homem comum] e que buscamos criar dentro duma ordem superior de serviço, devemos orientar nosso pensamento pelo verdadeiro modernismo. Esses padrões são os conceitos que nutrimos a respeito dos:

=> sistemas econômicos ou sociais;
=> da ciência;
=> da religião;
=> e estética.


Essas são as quatro pedras fundamentais – o quadrado sobre o qual se alicerça a civilização.

É óbvio que todo o plano de vida do homem primitivo se baseia nesses quatro alicerces, assim como o nosso. O ser primitivo usa suas ciências para obter alimento e abrigo. Possui sua ordem social. Possui sua religião. Possui sua arte ou estética. Nossa civilização difere da sua apenas em refinamento. Em outro sentido, esses conceitos são só ferramentas - uma alavanca que o Cósmico usa para elevar o enorme corpo de massa humana de seu estado primitivo, da grande valeta em que caiu. É através da consciência do homem racional que o Cósmico opera para realizar o refinamento. Esses homens são as personalidades que conhecemos e de que nos lembramos como os “reveladores” de hoje e de épocas passadas.

Portanto, se são esses quatro conceitos “fundamentais” que o Cósmico usa, devem eles ser analisados e definidos para que cada um de nós os conheça em sua essência,pois, repito, a menos que nossa consciência esteja infusa com a essência desses conceitos, não podemos nos considerar verdadeiramente modernos.

1] Ciência, a inquirição do desconhecido.:Devemos estar sintonizados com as mentalidades cientificas que laboram atualmente, para que outro véu de trevas possa ser levantado amanhã. A ciência procura descobrir as causas e, depois de descobri-las, empenha-se em utilizá-las em benefício do homem. É ela a inquirição do desconhecido. O homem comum vive pelo que é conhecido; nós devemos conhecer o que é desconhecido. Não é preciso que todos os segredos estejam ao nosso alcance, mas precisamos saber que há conhecimento por ser revelado e que há trabalho por ser feito. E o que é mais importante, devemos ser capazes de prever os efeitos que as novas leis cientificas, ou a introdução de novas invenções cientificas, exercerão na ordem social, religiosa e estética. Um exemplo disso encontrado no passado é o da “Teoria de Copérnico” sobre o Universo. Esse novo conceito cientifico alterou todo o campo do pensamento social, religioso e estético. Hoje, faz isso a “Teoria da Relatividade”, de Einstein, que não só está revolucionando a ciência, mas seu impacto em nossa vida é tão tremendo que aqueles que não podem antever suas conseqüências lógicas e aqueles que não se dispõem a dominá-la olham o futuro com o ar de desespero e inutilidade. Recordem o efeito da ‘bomba atômica”.

2]A Ordem Social, a luta pela sobrevivência.: A ordem social é a primeira a sentir o impacto da ciência. A religião ensina que o homem não vive do pão apenas. Mas aqui aprendemos que devemos primeiro conseguir o pão. O pão sempre foi o símbolo das necessidades materiais do homem, e é como tal estamos usando esse termo aqui. O homem comum não tem a fortaleza espiritual de sustentar suas convicções quando lhe falta o pão.
Quando o pão só pode ser obtido como prêmio de guerra entre dois homens, é então que o homem retrocede seu comportamento ao do selvagem. O místico sabe que a ordem social não é um sistema de regras e regulamentos políticos, mas um grande laboratório no qual as leis da economia são usadas para criar um sistema que satisfaça eqüitativamente a necessidade de pão, a necessidade primordial.

3]Religião, o chamado a Deus.: A religião representa a mais alta ordem moral que o homem pode conceber como um padrão de conduta entre os homens e entre eles e o Criador da vida. Por trás disso há um impulso emocional de adorar um Ser Supremo. Esse impulso é tão real e poderoso na constituição do homem quanto seu impulso de buscar abrigo e alimento. Mas o conceito, a compreensão desse impulso, é uma coisa que evolui. O místico deve saber que na religião encontra-se a origem de muitos dos temores, repressões, inibições e superstições. Esses são os bloqueios emocionais que, como uma âncora, ficam atados ao pescoço espiritual do devoto. Surgem e são nutridos num grande volume de interpretações religiosas errôneas. As verdadeiras e prístinas religiões procuram LIBERTAR, não escravizar. Esse é o estandarte que o místico deve manter asteado.

4]Estética, o espírito criativo.: A arte ou estética é o supremo esforço criativo do homem em expressar a percepção que ele tem do mundo em que vive. Ela procura interpretar as forças que operam no pensamento e viver do homem. Torna-se ela um símbolo. A arte criativa jamais copia ou imita a aparência física dum objeto, mas trabalha para exprimir o espírito sutil do objeto. Sempre está à frente de seu tempo. O esteta – o artista – registra esse espírito em música, pintura, literatura, etc., na forma como surgem, mas que a “massa humana” não o reconhece até que um poder plenamente amadurecido se manifeste como parte integral da vida diária humana. O místico deve conhecer essas forças. Precisa saber quando surge esse espírito. Isso, naturalmente, significa que o místico é também um esteta. Aliás, não se pode ser um místico desenvolvido a menos que se seja antes um esteta. O esteta cria. O EU deseja ver suas criações – seus reflexos. O esteta místico, portanto, ao interpretar o surgimento de certo poder, cria um novo reflexo do EU do homem.

Como já afirmamos, o conceito das quatro pedras fundamentais e sua análise é o critério que de o místico possuir ao se conformar à causa da evolução espiritual do homem. Poderá haver uma falsa ciência, falsa ordem social, falsa religião e falsa estética. Demos aqui o padrão e a medida de cada uma delas, e esse padrão é tão fundamental que reflete todos os períodos da história. Esses padrões são verdades [”atualidades”], mas sua realidade [a forma como percebemos sua operação no mundo de hoje] é a coisa mais importante para nós como estudantes de ocultismo. Por isso, aquele que está procurando desenvolver-se na dimensão da responsabilidade moral, e na da esfera psíquica, deve aprender a conhecer a plena importância das tendências e conquistas da ciência, da ordem social, religiosa e estética, em beneficio do seu Carma Criativo – incorporando em sua consciência a medida total de cada uma, a ponto de, voluntária e involuntariamente, reagir ao novo e ao melhor desta e da próxima encarnação. Isso, e somente isso, faz do nosso ser um verdadeiro moderno.

Somente isso é criativo. No poder ou na vontade de cada um está a oportunidade de se tornar, nesta ou em futuras encarnações, algo que não se é. Tenham em mente aquilo que foi postulado no começo deste artigo: não é suficiente lutar por mais pureza e mais desenvolvimento psíquico. O Mestre Interior necessita duma personalidade de que possa se utilizar para levar a LUZ do conhecimento ao coração e mente dos homens.

Se a pessoa só tem desenvolvimento moral e psíquico, poderá o mestre usá-la para revelar alguma grande verdade cientifica? É claro que não. Assim, se a pessoa, através de muitas encarnações, não só continua a se desenvolver moral e psiquicamente, mas se prepara cientificamente, o mestre interior pode facilmente aceitar o serviço dessa personalidade. Se assim não fosse, a finalidade da doutrina da reencarnação cairia por terra.

Será que podemos imaginar que Einstein ou Milikan não estiveram envolvidos em empreendimentos científicos numa vida passada? Um Rembrant em pintura? Um Jesus em religião? Os conhecimentos e as técnicas dos conhecimentos não foram acumulados numa única vida.

PASSAGEM DE ENCARNAÇÕES_
Percebemos, assim, onde se encontra o caminho que leva ao Carma Criativo, a terceira dimensão. Devemos ser “modernos” em todos os planos. Mas se o nosso maior interesse e capacidade está, por exemplo, no campo cientifico, continuando a nos preparar para esse serviço, encontraremos maiores oportunidades nesta e nas próximas encarnações.

Nossa finalidade deve ser a estimulação do pensamento nas linhas do viver criativo progressivo. Como toda a literatura esotérica nos ensina, não existe um ponto de parada. Infelizmente, muitas pessoas progridem a passos muito lentos. Imaginem um ser humano passando de uma a outra encarnação, século após século, e carregando em sua consciência conceitos de dois séculos atrás! Uma pessoa assim é intelectual e emocionalmente estéril. Para ela, a ciência não significa mais que engenhocas mecânicas. No mundo social, não passa ela duma ovelha num rebanho. Em termos religiosos, ela se afina com os pagãos. Em estética literária, não vai além de histórias de sangue, crime e escândalo. Para ela, as grandes artes criativas são desconcertantes e confusas, e a boa musica é aborrecedora. Nossa recusa em sermos “modernos” não só traz danos a nós mesmos, mas é um grande crime – o crime de perpetuar a nossa própria ignorância. Com todo o alcance de nossa imaginação, será que podemos conceber algo mais monstruoso?

A divindade do principio que é o EU, o coração de Deus – o coração do homem, o sopro de Deus – o sopro do homem, tudo isso nada é para o homem se não for em sua compreensão. “Em todas as suas consecuções, consiga compreensão”, disse um mestre. Certamente, parte não pouco importante da compreensão é a percepção de que o homem cria seu próprio mundo. Por isso, como o Pai cria e governa por meio de sistema e ordem, nós também devemos criar por meio de sistema e ordem. O Carma é instrumento. As dimensões são seus mecanismos. A terceira dimensão torna mais brilhante o reflexo da LUZ MAIOR.
_
[Texto de Fred. A.Owens]

CONSCIENTIZAÇÃO_ Nova Era no Mundo.


O ANSEIO DE UMA NOVA ERA NO MUNDO.
É psicologicamente natural e forçoso que um momento de mal-estar suscite o desejo de um momento futuro que traga bem-estar. Isto é particularmente verdadeiro quanto ao forte anseio que a maioria dos seres humanos sente por uma “nova era no mundo”, sem guerras, assaltos, seqüestros, crises econômicas, corrupção, maldade de qualquer espécie, etc.

Mas de que depende essa nova era?

Numa abordagem imediata, de medidas que venham corrigir distorções ou aberrações sociais, como a pobreza e a competição comercial gananciosa; também do desenvolvimento de um sistema de produção agrícola e industrial cada vez mais avançado e bem regulado e da aplicação rigorosa de uma justiça bem elaborada e eficaz.

Mesmo sem uma análise completa e minuciosa desse tipo de solução, percebe-se que ele atua sobre o “comportamento” do ser humano e é, portanto, superficial, trabalhando precipuamente a fase objetiva de sua estrutura psíquica com reflexos infrutíferos ou negativos nas fases mais profundas dessa estrutura e dependendo de mecanismos de disciplinação externa. Isto confere a esse tipo de solução um caráter precário, aflitivo e muito custoso no dispêndio de energia e recursos. Sua aplicação parece mesmo, em muitos casos, realimentar as causas imediatas dos problemas, deixando intocada sua causa fundamental. Segue-se que aquelas medidas se mantêm permanentemente necessárias, o que determina seu caráter precário e impede que a solução seja definitiva e, por conseguinte, ideal. A história de sua aplicação parece comprovar tudo isso. Seja como for, esse tipo de solução, embora necessário “fonte de mieux”, intrisicamente não tem condição de produzir um “status” humano definitivamente feliz, pacifico, e profundamente evolutivo.

A SOLUÇÃO IDEAL_
A solução ideal – independentemente de qualquer consideração de tempo ou prazo – é necessariamente função de uma “filosofia mística” como base de uma “psicologia mística” através da qual seja catalisada a evolução natural do ser humano nas fases mais profundas de sua estrutura psíquica. Só assim poderemos deixar de ser forçados a atuar sobre o “comportamento” do ser humano – gerador ele próprio da maior parte dos problemas que o afliegm – um verdadeiro e persistente círculo vicioso. Alcançando aquela evolução um nível suficientemente elevado, as “motivações” do ser humano serão intrinsecamente boas – construtivas, positivas, justas e até amorosas – e produzirão impulsos de comportamento correspondentemente bons. Só assim será possível quebrar aquele circulo vicioso [problemas-medidas-problemas] porque, deixando de existirem os problemas causados pelo comportamento egoístico, tornar-se-ão desnecessárias as medidas corretivas e coercitivas.

PAPEL DO MISTICISMO
Não vejo papel ou função mais importante para o “misticismo” do que despertar nas pessoas a “consciência místicas” de que decorra naturalmente a filosofia mística que possa servi de base à psicologia mística, através da qual se possa conseguir a catálise de evolução aqui preconizada. O misticismo cujo objetivo seja precipuamente o de desenvolver-se no uso de faculdades psíquicas superiores para fins de projeção, premonição, recordação de vidas passadas, poder em suas relações com outras pessoas, com forças e coisas, etc..., é nisso muito pobre por mais egocentricamente deleitoso, fascinante e apaixonante que seja e não pode ser a base daquele ideal de vida melhor da sociedade humana.

A CONSCIÊNCIA MÍSTICA NA NOVA ERA
A Nova Era que a maioria de nós almeja, então, não virá por si mesma, por ação unilateral de algum poder cósmico, nem pela genialidade de algum ser humano que consiga conceber e implementar um plano perfeito de comportamento humano dirigido e controlado de fora dos indivíduos. Mas há de vir de uma humanidade composta de indivíduos psicologicamente despertos para a consciência mística de que “são ‘do’ e ‘no’ Ser Cósmico” que é fonte, sede e essência de TUDO, em mesmicidade essencial com tudo e em cósmica “fraternidade” para com seus semelhantes. Tais indivíduos da Nova Era serão, em consonância com o misticismo rosacruz, guiados pela Luz do Cósmico, que os fará motivados pelo Amor do Cósmico para uma vida que reflita no Cósmico a glória de Deus!

O VALOR MAIOR DO MISTICISMO
E isso não acontecerá de maneira fantástica e para fins fantásticos, mas de maneira pura e simples, para fins puros e simples, no maior dos quais assenta o maior valor do misticismo: a relação “amorosa” entre os seres humanos.

“E aqueles que considerem isto um devaneio romântico e utópico estarão condenando a humanidade a correr eternamente numa esteira sem fim, sem sair do lugar.”

A IDÉIA CENTRAL DO MISTICISMO
Acontece, porém, que o “comportamento” é a etapa final de um processo que começa pela “idéia e passa pela atitude”. Em outras palavras, primeiro é preciso alcançar a reta idéia, o pensamento e o sentimento naturalmente decorrentes da percepção própria da consciência mística. Trata-se do pensamento e sentimento de ser no “Ser Cósmico”, de ser em Deus, em comum com todos os seres e todas as coisas. Ou seja, a idéia como fato vivencial de percepção mística e não como mero jogo intelectual de lógica, leva automaticamente à atitude mística, que leva automaticamente ao comportamento místico.

Foi no intuito de cultivar essa idéia transformadora da estrutura psíquica do ser humano em suas fases mais profundas que consideramos a contemplação, reflexão, e meditação da concepção do ser no Ser, extremamente relevantes. Essa idéia pode ser intelectualmente compreendida, mas não tem então “força transformadora”. Psicologicamente, é preciso que ela resulte de contemplação, reflexão e meditação místicas, para que tenha a força necessária a levar automaticamente à atitude e ao comportamento correspondentes.

PUREZA E PODER DO SER HUMANO DA NOVA ERA
Na medida em que ocorra essa iluminação da consciência do ser no Ser, e somente nessa medida, é que poderá o comportamento humano ser amoroso porque reflita uma atitude amorosa que reflita uma idéia amorosa numa natureza amorosa. Abaixo dessa medida, em vão ansiaremos por uma Nova Era no Mundo, sem guerras, assaltos, seqüestros...

Quem faz as guerras?
Quem assalta?
Quem seqüestra?
Quem tem e causa crises econômicas?
Quem se corrompe?
Quem pratica maldade de qualquer espécie?

A Nova Era no Mundo, porque ansiamos, só poderá vir da pureza com que deixemos irradiarem-se em nós se espargirem no mundo a Luz, Vida e o Amor do Deus vivo no âmago do nosso Ser. Há poder nessa pureza! Para o bem!

Que maior valor poderá ter o misticismo?
E será digno do nome o misticismo que não tenha nisso o seu maior valor?

Nada é mais importante do que evoluirmos para um ‘estado’ de ser em que nos amemos como Irmãos Cósmicos, filhos todos do mesmo e único Deus. Nada!
_
[Texto de Zanelli Ramos ‘com adaptações’]

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A Montanha da Salvação


Notas sobre os Padrões Arquetípicos por trás da Montanha Sagrada do Oriente, a Montanha do Graal e o “Mons Philosophorum” Alquímico.
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A essência da Montanha Sagrada como símbolo puro reside na imagem de ascensão espiral através dos níveis do SER. Na vida real isto pode ser comparado à experiência do alpinista que tenta subir a encosta íngreme de uma montanha. Ele não pode mais esperar que a trilha se curve suave e gradualmente como fazia na planície. Ao contrário, ele é confrontado com subidas íngremes que ziguezagueam sobre encostas escarpadas. Embora relativamente pequenos em extensão, esses ziguezagues do caminho exercem uma demanda considerável sobe as reservas físicas do alpinista e ele pode muitas vezes duvidar de que alcance o seu objetivo – o cume.

Essa experiência de caminhar para frente e para trás, até mesmo de às vezes ter de descer de modo a continuar subindo, nos dá um sentido claro e literal da natureza espiral de nossa ascensão através dos níveis do SER. Porque a forma espiral da montanha parece tão notavelmente próxima, em natureza, à nossa experiência de vida no caminho espiritual, a montanha tem sido usada desde tempos imemoriais como um símbolo central para a prática espiritual, através do diligente esforço do constante subir e descer pela grande Cadeia do Ser.

Desde as montanhas da Ásia Central, os altos Himalaias, até as grandes cadeias das Américas, toda cultura humana reverenciou suas próprias montanhas sagradas, na medida em que estas espelhavam a ‘grande montanha interior’ dos mundo arquetípicos. Como imagem pura na mente do Cósmico, a grande montanha do universo está sempre no “axis mundi”, o eixo sobre o qual o mundo gira. Em geral, a montanha também se apresenta circundada por um rio ou oceano circular, significando sua separação das coisas mundanas. Em seu cume repousa a cidade sagrada – “a Cidade das Muralhas Quadradas” - que simboliza o encontro dos quatro elementos da vida. No centro da cidade, como misterioso e invisível quinto elemento, ou “quintessentia”, reside o Senhor do Mundo, que zela pela evolução de toda vida com um “olho” impessoal e matematicamente exato.

Em nossa ‘Tradição' estamos bem familiarizados com essa grande montanha sagrada em sua forma alquímica, como o “Mons Philosophorum” ou “Montanha dos Filósofos”, que são também conhecidos como os “Amantes da Sabedoria”. Conforme ilustrado no famoso “Geheime Figuren”, a montanha tem sua base guardada pela figura austera de Saturno, senhor da contrição e da passagem difícil. Isto simboliza o inicio do trabalho espiritual, que é empreendido em estado de escuridão, trabalho vigoroso e penúria interior. No topo da montanha alquímica ergue-se o orbe ou coroa do Senhor do Mundo, que é freqüentemente representado como Apolo ou Júpiter, Senhores do Ouro, da Luz, da expansão e da benevolência. A ‘Tradição Maçônica’ refere-se a esta figura como o “Grande Arquiteto do Universo”. Assim, os dois Senhores da base e do topo representam polaridades opostas de escuridão e luz, dificuldade e facilidade, chumbo e ouro, as quais definem bem a natureza ascendente e descendente, em constante espiral, da subida da montanha.

A JORNADA_
A jornada montanha acima, dos domínios do Senhor Saturno àqueles do Senhor Júpiter, pode ser dividida em quatro estágios primordiais de transformação, de ‘physis’ [matéria] até ‘spiritus’.

Começamos, naturalmente, no pesado e púmbleo mundo da materialidade, o submundo da ‘nigredo’, ou ‘enegrecimento’. Este é também o reino das cavernas subterrâneas de Vulcano, deus dos ferreiros, símbolo do subconsciente profundo. No centro destas vastas e labirínticas grutas está o trono da ‘Grande Mãe de Toda Vida”, aquela que manifesta e provê o elemento material do Ser, em toda a sua glória e esplendor.

Depois de passar por este reino escuro e extenuante, embora miraculoso, podemos então ascender ao menos pesado mundo do astral, ou etérico, governado pela “Senhora Sofia”, que representa o principio da sabedoria e sapiência. Como reflexo de sua mãe nutridora abaixo, Sofia é sempre representada alimentando seus amantes, os filósofos, com o leite de seus seios. Seu reino é também aquele da lua prateada, o primeiro portal para uma consciência mais elevada. Isto é representado em termos alquímicos como a “albedo”, ou “branqueamento” da alma.

O terceiro reino da ascensão é um intermediário entre a terra de Sofia – o jardim da rosa da sabedoria – e o topo da montanha, o trono do “Demiurgo”, ou “Senhor do Mundo”. Esse estado intermediário é conhecido na alquimia como “citrinitas”, ou, “amarelamento”, e corresponde àquilo que os grandes místicos conhecem como “ a noite negra da alma”. Esta é uma terra gélida, de neve, tempestades e gelo, onde podemos tão somente esperar pacientemente que correntes espirituais profundas fluam do interior, para que a passagem para a cidade sagrada seja permitida com segurança.Por mais negro que este reino possa parecer, o “amarelado” deste período nos dá também a esperança do ouro pleno da aurora do Sol ou rei, na cidade solar acima.

O SOL VIVIFICANTE_
Quando ascendemos deste terceiro reino intermediário, com seus desertos frios e congelados, descobrimos miraculosamente uma primavera dourada no grande cimo. Há neste pico um planalto bem-aventurado, agraciado com a presença harmoniosa e geometricamente perfeita da cidade quadrada, cujas doze portas representam os signos do zodíaco e a passagem de toda vida por todas as forças vivificantes do Sol. Em certo sentido o Sol no centro da cidade é o Senhor do Mundo, que canaliza e molda as forças espirituais do Sol elétrico na forma de manifestação na Terra abaixo. O Senhor é um figura estranha e algo distante, andrógino e onisciente, conhecido pelos gnósticos como “Ialdaboath, o Demiurgo ou Criador”, o qual é o representante metafísico do Cósmico incorpóreo. O Senhor pode também ser chamado de “Mônada Elevada” – uma janela, não-espacial e não-temporal, que permite olhar para dentro do coração do absoluto. O Senhor guarda a fonte da vida, no centro da cidade. Esta fonte, que é o coração da vida, distribui a cura e a própria força vital revivificante, que é muitas vezes contida no vaso sagrado, para ser usada pelo Senhor. No mundo ocidental, faz-se referência a este vaso com o nome de “Santo Graal”.

O REI PESCADOR_

O Senhor do Mundo freqüentemente é representado nos mitos arthurianos como o rico Rei Pescador; Prester John; Melquisedeque; ou como Imperador de Sarras, a misteriosa cidade do Graal no Leste, o lugar onde o Sol nasce. Na verdade, a “Montanha da Salvação ou Montanha do Graal” apresenta um paralelo extremamente próximo ao “Mons Philosophorum”. Em essência, devemos considerar ambas as montanhas como versões ligeiramente diversificadas do arquétipo singular mais amplo da “Montanha Sagrada”. No “Parcival”, de “Wolfram von Eschenbach”, o papel do Senhor Saturno, da Montanha Alquímica, é representado por Klingsor, o Mago Negro; enquanto Kundry, a Virgem do Graal, torna-se a Senhora Sofia, e o Rei Pescador, torna-se o Rei Solar da Montanha Alquímica.

Similarmente os aspectos geométricos e mandálicos do Monte Meru das tradições hindus e budistas, a Montanha da Salvação oculta uma presença sagrada dentro de seu cume – uma passagem que se liga aos domínios supernais do Cósmico e que pode ser representada por uma aurora, erguendo-se como uma imensa coroa acima do pico da montanha.

Existindo no próprio coração da Criação e paradoxalmente em todo lugar, a Montanha Cósmica arquetípica nos proporciona um caminho cristalino, porém em constante espirilamento, para o “Absoluto”.

Voltando ao nível das montanhas terrenas reais, é importante relembrarmos os muitos paralelos entre a ascensão física – alpinismo - a ascensão espiritual – o estudante na Senda. A gravidade é uma força viva contra a qual devemos lutar nas altitudes. A própria natureza parece conspirar para nos manter seguramente aninhados nos vales sombrios abaixo, enquanto o espírito anseia por pairar nos domínios da leveza e da luz. É talvez ao mesmo tempo irônico e comovente que nossa grande fábula moderna sobre a aventura da montanha, “Monte Análogo”, a obra-prima de René Daumal, tenha ficado inacabada em seu leito de morte. A escalada da montanha interior de fato não tem conclusão, pois um topo simplesmente nos conduz ao próximo, através de todos os mundos do Cósmico e além.
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[Texto de Timothy O’Neill]

Guerreira da LUZ


Ergo-me das profundezas do meu ser,
Conscientizo-me de quem verdadeiramente EU SOU.
E assumo o meu lugar, como Filha da LUZ.
EU SOU a Guerreira da LUZ.
Discípula da VIRGEM.
Imaculada Mãe Divina.
EU SOU a LUZ do Perdão.
E guardo em mim amor intenso,
Por todos os meus irmãos.
Dos recessos de minha alma,
Eu resgato a minha verdadeira serenidade,
E vivo a minha verdadeira PAZ.
Forço agora a porta sagrada do meu coração,
Para adentrar ao limo do meu SER,
Onde reside o pulsar da minha autentica HARMONIA.
PAZ!!!
EU SOU a essência da COMPREENSÃO,
EU SOU filha DIVINA, SERENA e CALMA, em todos os momentos.
EU SOU a vibração de HARMONIA,
EU SOU a LUZ DIVINA, radiante e intensa,
EU SOU o brilho que emana, do CORAÇÃO DA DIVINA MÃE.
LUZ!!!
EU SOU filha da LUZ,
EU SOU a força da SERENIDADE,
EU SOU a compreensão deste exato momento.
EU SOU a criança eterna, virgem, intocável, virtuosa.
EU SOU livre e tenho completo domínio de minha mente,
E faço o meu caminho.
EU SOU una com a SABEDORIA ETERNA.
EU SOU pura, e tenho o poder do AMOR em mim.
DEUS!!!
A serenidade da minha mente, traduz em meu verbo,
A compreensão e opera a CURA.
EU SOU um ser mágico, sereno e opero a cura,
Porque tenho em mim, o poder do AMOR por todas as criaturas.
EU fui gerada, em um momento de intensa ternura e carinho, entre
Os meus pais, os anjos e DEUS.
Vibro em uníssono com o AMOR,
E nenhuma mente ou circunstância,
Me moverá, em qualquer outra direção.
EU SOU a Filha do AMOR
E qualquer mente que entrar na minha,
Qualquer mente que entrar na minha freqüência,
Será por mim dominada.
EU SOU PAZ,
EU SOU HARMONIA,
EU SOU AMOR,
EU SOU A LUZ DIVINA, RADIANTE E INTENSA.
EU...SOMOS NÓS!!!



ASTROMITOLOGIA_A Ciência do Tempo, do Espaço e do Cosmo


Na linha do tempo das disciplinas cientificas, a astromitologia é um campo relativamente novo, mas em rápido crescimento. Esse campo de estudo dedica-se à exploração e análise dos principais mitos históricos como representações de ocorrências astronômicas, e à tentativa de explicar de que modo esses mitos foram adotados por povos antigos como revelações sobre o tempo, o espaço e o cosmo.

A astromitologia concentra sua atenção no vasto lapso de tempo desde o alvorecer da vida senciente até meados do século XVII d.C. Desde então a astronomia tem refletido nossa maneira de pensar, tal como é, baseado nas idéias de Newton e seus sucessores do Iluminismo. Na visão moderna, o cosmo é uma coleção impessoal de “coisas” a serem descritas e classificadas de acordo com sua massa, densidade, peso, cor e radiação de energia. Essas “coisas” são vistas ocupando um dado espaço numa estrutura de tempo relativo.Caracterizamos a nós próprios como amanuenses cósmicos, registrando [o melhor possível dentro dos limites de nossa percepção] as complexas operações de um sistema intricado e em constante fluxo. Tornamo-nos “espectadores” ao invés de participantes.

Tal não acontecia com o homem antigo, que se reconhecia como participante vital num universo orgânico.

Naqueles tempos antigos, o conhecimento cientifico era a esfera reservada ao sacerdócio, disponível apenas para os iniciados. A informação era quase sempre encoberta pelo manto mitológico e sua verdadeira mensagem ou significado era compreendida por uns poucos. Infelizmente, muitos historiadores científicos modernos freqüentemente repudiam esses mitos e verdades ocultas, considerando-os como singularidades de mentes menos sofisticadas. Isto provavelmente se deve à maneira como os cientistas e historiadores de hoje são educados para pensar de modo reto, linear e seqüencial. Isto bastaria se a história fosse uma seqüência clara e ordenada de eventos impressos como pegadas nas areias do tempo. Mas não é isto que acontece.

Tentando construir uma história da astronomia, esperamos apresentar o passado tão fielmente quanto possível. Baseamos nossa apresentação, tanto quanto possível, naquilo que acreditamos seres fatos, e apoiamos esses fatos em evidências bem definidas, tangíveis. Objetos como um tablete de argila com inscrições cuneiformes, da Babilônia, detalhando posições planetárias; uma carta estelar diagonal, pintada na parede de uma tumba no Egito; ou uma ‘clepsidra’ [relógio de água] ateniense, são muito mais fáceis de se identificar, classificar e posicionar num contexto histórico do que mitos como aqueles de um ‘dilúvio universal’; Horus trespassando com uma lança a esposa de seu irmão; ou Cronos mutilando Uranos – ainda que estes mitos sejam dessas mesmas três civilizações.

E, no entanto, os mitos têm os mesmos válidos direitos de serem incorporados à história da astronomia quanto os três itens materiais mencionados. Os três mitos contêm “idéias” astronômicas, enquanto os três itens são “formas” que expressam uma ideação anterior. Os historiadores modernos preferem basear suas apresentações primeiro nas “formas” ou artefatos, e mais tarde, quase que como uma reflexão tardia, explorar as idéias que estão por trás delas. E quando se torna necessário levar em consideração “meras idéias” – idéias em estado puro – muitos historiadores as rejeitam, caso elas não possuam correlação com uma “forma”. Sem objetos físicos que lhes dêem substância verificável, os mitos são com freqüência transladados da “ciência” para a “literatura”.

Nossos métodos modernos de comunicação e nossa maneira de pensar – linear e seqüencial – nos impedem de estabelecer uma conexão adequada com o mítico. Além disso, nossa abordagem “não-insensata” da ciência, com seu dedicado direcionamento para a abertura de novas vistas e sua onipresente orientação para o “agora”, simplesmente obliterou nossa capacidade de perceber prontamente, em primeiro lugar, a base sobre a qual se funda o “agora”. Raramente a mentalidade cientifica sonda com suficiente profundidade a forma mítica, de modo a discernir o subsistente conteúdo científico, oculto sob o manto dos mitos antigos. Como se pode ver, os historiadores em geral, e os astrônomos em particular, infelizmente têm sofrido de um caso avançado de miopia cultural.

A humanidade é filha do cosmo, na medida em que sua evolução segue o curso das leis naturais manifestas. Somos reflexos das leis operativas do cosmo, e estamos física e psicologicamente impressos pela natureza e as pressões naturais, às quais temos respondido com sucesso a fim de sobrevivermos neste mundo às vezes hostil. O homem primitivo aprendeu por observação e teve de se tornar um cientista natural pela mais prática das razões: ele tinha de aprender rápido e ‘lembrar-se’ do que aprendeu, ou morreria por ignorância.

De todos os fenômenos naturais, o céu estrelado com sua repetitiva regularidade era o mais conveniente para estudo. Enquanto outros eventos naturais alteravam-se ou passavam por ciclos de nascimento, vida, decadência e morte, o céu fornecia informação recorrente e intemporal, que impressionavam o homem, tanto física quanto psicologicamente. O céu fornecia o proeminente padrão que a humanidade escolheu para imitar e também elegeu como padrão básico para suas instituições sociais - e esta escolha não foi meramente a externalização de um processo interno. Ela foi a escolha ponderada d cientistas naturais, em sua lida com as pressões da sobrevivência.

O nascer e o pôr das estrelas, do Sol, da Lua e dos planetas, ao seguirem um padrão diário e anual ao longo do céu, fornecia eventos repetitivos, dos quais se derivava uma compreensão das leis naturais. O céu era o laboratório onde experiências recorrentes podiam ser realizadas. Qualquer estrela podia ser observada em relação a qualquer estrela, numa dada noite, e na noite seguinte a relação podia ser reavaliada. Após certo período de tempo, o conhecimento empírico delineava quais estrelas eram aparentemente imóveis ou “fixas” e quais eram “andarilhas” – planetas, que mudavam suas posições contra o plano de fundo ou das estrelas ficas.

O fenômeno celeste imprimiu-se no homem. O período claro do dia era um tempo para caçar e armazenar alimento; a escuridão da noite, um tempo para se esconder dos predadores noturnos. As variações climáticas das quatro estações, por sua vez, incitava o homem à plantação de grãos, à criação de animais, à estocagem da colheita e à busca de proteção contra o inverno. As atividades espelhavam o curso observável da natureza.

As luzes divinas da esfera celeste pareciam compelir ambos, natureza e homem. Com o tempo, essas forças percebidas vieram a ser reverenciadas como deuses, e as ações desses deuses tornaram-se a base para os mitos e as teologias.

O corpo de tradição [fábulas, lendas, composições, folclore], a que comumente chamamos “mito” é um grande armazém de informações. Além disso, contém alguns dos mais profundos e abstratos conceitos e idéias sobre o macrocosmo.

Mitologia é história porque recorda eventos, entretanto não é história na acepção ordinária da palavra, pois as personagens e situações que ali figuram podem nunca ter existido. Mitologia é ciência porque investiga e exprime a natureza e sua origem, embora em sua personificação e deificação da natureza a mitologia não seja ciência, tal como esta é normalmente definida.

A astromitologia procura estabelecer uma ponte entre o homem e o cosmo. Esta ponte é o processo simbólico de que o mito é a principal expressão. E a expressão mitológica é usada pelo todo da humanidade para exprimir o simbolismo que reside em nossa herança psicológica coletiva – uma herança adquirida através de séculos de exploração e contemplação ativas, realizadas pelo cientista natural que habita dentro de todos nós.
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[Texto de: Charles C. Warren]

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MITO E FATO na CIVILIZAÇÃO CLÁSSICA
As linguagens cientificas das antigas civilizações eram suas mitologias, e todos os “fatos” eram dispostos em formas antropomórficas. Assim:

MITO: O deus romano vulcano surpreende sua esposa infiel. Vênus, num encontro com Marte, e os prende em uma rede.
FATO: Vulcano [ com muitos dos atributos de sua contraparte grega, Cronos, deus do tempo], representando o Tempo, prende uma conjunção dos planetas Vênus e Marte em uma rede, referindo-se ao aglomerado estelar chamado Hiades, localizado na constelação de Touro.

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MITO: Faetonte, filho deus-Sol, pega às escondidas a carruagem solar de seu pai para se divertir, mas perde o controle dos fogosos corcéis e se aproxima demasiadamente da Terra, ameaçando queimar todo mundo. No momento crucial, Zeus [rei dos deuses] derruba Faetonte, salvando o mundo, permitindo que a carruagem solar retorne à sua rota normal e segura através do céu.
FATO: A queda de Faetonte marca o fim da helênica Era de Ouro dos deuses, a grande era mundial quando a Via Láctea [ligando Gêmeos e Sagitário] coincidia com as posições do Sol equinocial [no Hemisfério Norte]: equinócio vernal em Gêmeos, equinócio outonal em sagitário, período em torno de 6000-6400 a.C.

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MITO:Zeus, desgostoso com o banquete canibalístico que foi lhe servido por Licaon, vira a mesa em sua fúria.
FATO: Zeus, virando a mesa, pôs fim à Era Cósmica seguinte – a Era de Prata – quando Touro e Escorpião tomaram o lugar de Gêmeos e Sagitário, na regência dos equinócios. A mesa é uma metáfora para o Mundo, segundo a compreensão dos antigos; um mundo que incluía não apenas nossa Terra, mas os domínios do espaço, abrangendo as constelações zodiacais e também os planetas que pareciam se mover contra esse fundo estelar. O tampo da mesa – a mítica Terra “achatada”, equivalente ao mundo expandido – é o reino dos seres viventes, incluindo os deuses [Sol, Lua e os cinco planetas visíveis] e a humanidade. As pernas da mesa representam os quatro pontos cardeais da Terra – norte, leste, sul e oeste – e as quatro posições do Sol que delimitam as fronteiras desse mundo metafórico, que são os equinócios de primavera e outono, e os solstícios de verão e inverno.