sábado, 6 de fevereiro de 2010

Os Teóricos da Utopia


Entre os mais antigos sonhos da sociedade, encontramos o que costumamos chamar Utopia. Teoricamente, uma utopia é qualquer lugar onde a cortesia humana reina soberana e o idealismo nobre supera todas as qualidades grosseiras da natureza do homem. Quando o homem, pela primeira vez, se tornou consciente do seu próprio comportamento e das relações entre seus semelhantes, descobriu que certas condutas ou atos de seus companheiros eram prejudiciais à própria coletividade. Podemos dizer que, em tal época, surgiram os rudimentos dos princípios éticos e morais.

Em seu caráter específico, a moral é, fundamentalmente, utilitária. Entretanto, o seu fundamento é duplo. Primeiro temos o impulso inerente para fazer o que é ‘certo’. Este ‘certo’, na sua interpretação primordial, não era o impulso para fazer o BEM ou evitar o MAL. De fato, tal conceito precedeu, mesmo, o dos vocábulos ‘bem’ e ‘mal’. Os homens desejam empenhar-se numa atividade que tenha aceitação coletiva, isto é, tudo que contribua para o bem-estar geral de si mesmos e dos outros. Psicologicamente, então, fazer o certo é não se opor ao curso de ação no qual os homens parecem vislumbrar supremacia de sua espécie. A chamada ‘consciência’, em seu estado primitivo, é o impulso para fazer o Bem.

O outro aspecto da moral se relaciona com o primeiro – isto é, o desejo de fazer o certo – mas, neste caso, o certo está formado pelos costumes da sociedade a que pertence e aos tabus e preceitos de costumes estabelecidos. Considerando que na maioria das sociedades as normas pelas quais são regidas provêm de uma fonte religiosa, tal como o clero, a elas [leis e regulamentos] se dá uma autoridade espiritual ou implicitamente divina.

Analisando-se a maioria dos códigos de ética, verificamos que os mesmos, em sua base, apresentam um aspecto prático, utilitário. Em outras palavras, mesmo se neles não houvessem preceitos de ordem religiosa, ainda assim os homens veriam a desvantagem prática para a sociedade de condutas tais como o homicídio, o roubo, o estelionato, o adultério e o abuso de incapazes.

As leis de Moisés e o código de Hamurabi, antigo Rei da Babilônia, incluíam preceitos morais, decretos divinos, para coibir condutas que a sociedade havia verificado ser prejudicial ao seu bem-estar material. Por exemplo, constituía pecado a ingestão de certos alimentos apenas porque, do ponto de vista higiênico, tal dieta não era sadia. O fato de se atribuir tais códigos a uma fonte divina, deu-lhes maior eficácia do que se fossem atribuídos meramente ao Homem; e, por conseguinte, maior obediência lhes foi assegurada.

Entretanto, os homens verificaram que tais códigos de conduta eram de difícil observância, sob as condições de vida existentes. Certos hábitos dão margem a tentações que provocam violações de preceitos morais e éticos. Conseqüentemente, se as emoções e paixões não são disciplinadas com propriedade, não poderemos evitar uma demonstração qualquer de cobiça, inveja e ódio. Força ou autoridade mal colocada – ou melhor, tirania – resulta em ódio fumegante no coração dos homens, a conspirar uns contra os outros. Desigualdades de oportunidade e direitos criam a inveja e a perfídia.

Assim, desde as primeiras civilizações viemos raciocinando no sentido de que as sementes da justiça devem ser plantadas num solo fértil, para que os homens vivam uma existência digna e nobre. Devemos escolher um ambiente e prescrever um meio de vida que possa promover uma transição completa nas relações humanas, ou seja, uma UTOPIA. Encontramos nos “Diálogos de Platão” uma das primeiras utopias, o “Timeus”. Ali se relata um conto segundo o qual um sacerdote egípcio falara a Sólon, o grande estadista ateniense, a respeito de um poderoso império que existira nove mil anos atrás, no Oceano Atlântico.

“Tal poderio advinha do Oceano Atlântico, pois, naqueles dias, este oceano era navegável; e havia uma ILHA situada defronte dos estreitos que vós denominais de Colunas de Hércules...Nesta ILHA, havia um grande e maravilhoso império que dominava não só a própria ILHA, assim como várias outras e determinadas regiões continentais...”.

Os árabes, também, possuíam lendas a respeito de um paraíso terrestre, uma UTOPIA, no Oceano Ocidental ou Atlântico. Tal paraíso corresponde à ATLÂNTIDA referida na obra de Platão. Também é interessante ler o relato de Plutarco sobre a vida ideal em Esparta, sob o regime de Licurgo. Isso tudo eram sonhos onde os homens concebiam uma vida isenta de frustrações, tentações e frivolidades da sua existência normal e com todas as recompensas e virtudes de um paraíso. Mais tarde, haveria de aparecer, ainda, a renomada “ UTOPIA de Sir Thomas More [1566] e também a Nova Atlântida, de Sir Francis Bacon.”

CONCEITOS MODERNOS_
Hoje em dia defrontamo-nos com histórias de novas utopias distantes, remotas no espaço e tão românticas como as reivindicadas, pelos antigos, para a Atlântida. Os entusiastas da nave espacial e simpatizantes dos Discos Voadores, em grande parte da sua literatura e nas palestras públicas proferidas por alguns dos seus líderes, sustentam a existência de utopias em planetas remotos. Tais artigos e conferencias aludem a comunicações com essas inteligências celestiais. Os contatos, segundo se diz, seriam realizados pela conversação direta com os viajantes espaciais que teriam aqui aterrisado, ou, por algum misterioso encontro mental, através do espaço, esses visitantes da Terra, vindos de planetas do nosso sistema solar ou de algum outro, têm a missão de descrever, pessoalmente, aos terrestres, a maneira pela qual vivem.

Somos induzidos a acreditar que essas civilizações dos outros mundos não estão, apenas do ponto de vista tecnológico, tremendamente adiantadas sobre as nossas realizações terrenas. Também são grandes em comparação com a nossa espécie de civilização, nos aperfeiçoamentos de ordem sociológica, moral e ética. Contudo, é interessante notar que as descrições dessa utopias espaciais estão expressas em termos de valores que são feitos para transcender condições em que os humanos pensam como sendo defeitos, nas próprias grandes civilizações extraterrestres. Em outras palavras, é estranho que se diga que os seres desses planetas tenham aperfeiçoado um método de vida transcendental, mas que não tenha relação com o nosso.

Tal semelhança está em que o povo da UTOPIA ESPACIAL daria a entender ter, deliberadamente, procurado corrigir, em algum lugar remoto, todas as falhas de pensamento e ação em sua maneira de viver, das quais ainda somos portadores. Esses homens espaciais possuem uma sociedade que não é revolucionariamente diferente da existente na Terra, mas, ao contrário, apenas de caráter corretivo. Neles, então, a utopia se encaixa numa concepção possuída pelos terrestres, a respeito daquilo que deva ser uma UTOPIA.

Não estamos preocupados com a verdade, falsidade ou mesmo a probabilidade de que tais histórias sobre a vida em outros planetas tenham sido reveladas pelos seus respectivos habitantes. O que é de interesse é que os humanos que descrevem as UTOPIAS desses planetas estão, aparentemente, muito influenciados pelos seus próprios fundamentos sociais, políticos, econômicos e religiosos.

Estão fazendo com que as respectivas concepções a respeito de um povo superior do espaço e de sua maneira de vida obedeçam a um ideal que nós, os terrenos, afagamos com carinho. Um ideal nascido da consciência dos elementos inferiores na estrutura da própria conjuntura social terrena e dos tempos por que passa a raça humana.

Quais são, na sociedade, os males de que os homens poderiam se livrar? Que tipo de conexão ou comportamento imaginam como uma UTOPIA capaz de impedir a reincidência dos males e transtornos por que agora passam? Busquemos uma resposta através dos olhos de alguns dos que têm emitido TEORIAS a respeito de um Estado ideal, a UTOPIA ou paraíso sobre a Terra. Desigualdade e diferença de classes sociais tem desempenhado um papel destacado na descrição da vida, na utopia. Alguns desses paraísos concebiam a segregação como sendo essencial para a felicidade a ser desfrutada numa utopia. Outros, porém, insistiam na dessegregação como necessária para a harmonia entre os homens.

Thomas More pensou numa comunidade de cerca de quatro milhões de pessoas. As relações familiares não deviam ser perturbadas. Não devia haver distinções quanto aos serviços a serem executados. Nem, tão pouco, classes privilegiadas de artesões, nem classe permanente de trabalhadores subalternos. Nessa sociedade ideal, todas as pessoas, a seu tempo, deviam participar das várias tarefas. O trabalho agrícola era considerado o mais árduo; mas dele todos deveriam participar mediante um sistema de rodízio. O povo elegia os superintendentes das suas tarefas. Aparentemente, a teoria do plano era que nenhuma pessoa poderia assumir uma atitude sobranceira com relação à sua tarefa e, assim, provocar a ira daqueles que estivessem fazendo algo menos complexo ou árduo. Por conseguinte, sustentava Thomas More que a hierarquia de classes era um fator que contribuía para a dissensão em qualquer sociedade.

Para evitar os parasitas sociais e o mal deles decorrente, advogava Thomas More a idéia de que, na sua utopia, todas as pessoas deveriam exercer as suas tarefas na presença dos outros. Conseqüentemente, “não poderia haver pessoa preguiçosa, já que seria observada pelos outros”. Segundo a teoria econômica de More, se todas as pessoas trabalhassem, não haveria privações nem, tão pouco, cobiça. Tudo depende, entretanto, de como se deve interpretar a palavra “privação”. Deve ser entendida como uma necessidade, ou um desejo inqualificável?

Há os apetites naturais que são saciados pelo fator quantitativo. Existem, porém, outros desejos que jamais são satisfeitos, isto é, jamais são integralmente atendidos como, por exemplo, a cupidez própria da natureza de alguns homens ao achar prazer na posse, na acumulação, sejam elas necessárias ou não, para a sua subsistência. Tais homens sempre hão de desejar exceder, em alguma coisa, os seus semelhantes, não importando a quantidade que cada pessoa possa adquirir. Homens de tal espécie jamais conheceriam a felicidade num Estado em que a cada um provê as suas necessidades de maneira equânime.

Platão era um aristocrata, oriundo de família rica e distinta. Em sua República Ideal pouca consideração dispensou aos princípios econômicos. Ele e sua família tinha consideráveis posses. Jamais souberam o que fosse privação. Outros contribuíam para a satisfação de suas necessidades, pelas quais pagavam. Seus esforços eram intelectuais. Os intelectuais seriam os filósofos, a classe mais alta m seu esquema utópico. Deviam ser firmes, inexoráveis, mas justos no exercício do comando sobre as outras divisões da sociedade, tais como os agricultores, artesões e soldados. Na realidade, no fundo mesmo, Platão reconhecia e aprovava o trabalho escravo, sistema este que vigorava na sociedade grega. Platão proclamou para a sociedade uma hierarquia definida de classes, a servir de meio para a consecução de um Estado pacifico e Feliz. Vemos, portanto, que Platão, tal como muitos outros no passado e também no presente, tinham pontos de vista restritos pelas respectivas épocas e ambientes.

Para os TEÓRICOS, assim como para muitas seitas religiosas de hoje, era óbvio que as crianças constituíam a base sobre a qual suas idéias deviam ser estruturadas. Platão sustentava que as crianças deviam ser educadas pelo Estado. Não se lhes devia dizer quais eram os seus pais, nem deveria haver distinção de berço. Todas as crianças deviam ter a mesma posição social. Não deveriam ser influenciadas pelas vibrações dos hábitos paternos, fossem eles bons ou maus. Sustentava-se que a uniformidade da instrução estatal haveria de formar homens de caráter forte tornando-os mais tratáveis e responsáveis dentro das respectivas classes sociais.

Thomas More não sugeria, na UTOPIA que expôs, o rompimento dos laços familiares. Quando uma família possuísse maior número de crianças do que pudesse sustentar, o excesso deveria ser adotado por aquelas que não tivessem filhos. Não haveria, pois, necessidade de se perturbar a tranqüilidade da UTOPIA. O sistema escolar paroquial da Igreja Romana e outras endossam a instrução da mentalidade infantil, a fim de perpetuar o dogma e a hierarquia religiosos. Pelo estabelecimento de certos conceitos e preceitos na mente de uma criança, em idade de formação, criavam raízes subconscientes que viriam a se constituir em hábito moral. Mediante tal definida impressão, constituem a ‘consciência’ privada, quando o individuo se torna adulto. Embora mais tarde possa estar sujeita, na sociedade, a pontos de vista antagônicos, a instrução infantil, certa ou errada, torna-se a influência dominante. Isto proporciona apoio ao sistema social ou religioso, seja ele, também, certo ou errado.

Francis Bacon, em sua Nova Atlântida, idealizava uma utopia em que a ciência seria a chave para a felicidade universal. Em sua obra, imaginava uma ilha onde os homens, livres das perturbações e preconceitos da sociedade, se orientavam na Senda do Conhecimento. Prosseguia dizendo que a maioria dos instrumentos que os homens haviam produzido eram descobertas acidentais e que muito mais poderia ser realizado se a humanidade metodicamente buscasse, exclusivamente, o CONHECIMENTO.

Francis Bacon, mediante a fala do Segundo Conselheiro, um dos personagens da sua obra, concebe um plano definido.

“Confiarei a Vossa Alteza quatro principais trabalhos e monumentos. Primeiro, organizar a mais perfeita e generalizada biblioteca que reunirá todo o conhecimento que o Homem até agora foi capaz de transferir para livros de real valor, sejam eles antigos ou modernos, impressos ou manuscritos... Em seguida, um maravilhoso jardim espaçoso, contendo todo e qualquer vegetal que o sol de diversos climas da terra faz surgir...neste jardim devendo haver compartimentos para acomodar todos os animais raros e enviveirar todos os pássaros raros, com dois lagos adjacentes, um de água doce, o outro, de água salgada, para nele habitarem os peixes mais variados. E então tereis, em pequena escala, um modelo privado da natureza universal...Terceiro, um enorme compartimento, bem apropriado, para conter tudo que mão do homem, por arte ou engenho esmerados, tornou raro, em forma, movimento ou matéria-prima...Quarto, uma residência silenciosa, tão provida de engenhos, instrumentos, fornos e recipientes quanto pode ser um alojamento próprio para uma pedra filosofal [laboratórios]”.

Plutarco, em sua biografia de Licurgo, descreve a qualidade utópica da antiga Esparta sob o governo daquele legislador. Licurgo eliminou a cobiça mediante a adoção de um estratagema. Determinou a requisição de todas as moedas de ouro e prata. Em troca, emitiu moeda feita de ferro, ‘cujo peso e quantidade’ eram de muito pouco valor.

“Qualquer acúmulo considerável de tal dinheiro importava em se ter que dispor de um grande espaço de armazenagem, sendo, outrossim, excessivamente difícil o seu transporte”. Fazendo isto, diz Plutarco: “ baniu-se, então, de Esparta, um grande número de vícios.” De modo particular, tornou-se difícil roubar tal moeda, de sorte que cessaram os crimes contra o patrimônio. Também o suborno foi eliminado em virtude de ser tal moeda de difícil ocultação. E considerando que o peso e o tamanho do dinheiro dificultaram o seu acúmulo, diz adiante que: “O rico não tinha vantagens sobre o pobre”. Outro vício que, de igual modo, se eliminou por força desse dinheiro feito de ferro, foi o da procura louca dos prazeres da carne.

Licurgo também determinou que todas as pessoas fizessem as suas refeições em comum, partilhando do mesmo pão e da mesma carne, de modo que os homens não engordassem demasiadamente, em seus lares, “como se fossem brutos gananciosos e se tornassem enfraquecidos pelo vício e excessos de qualquer natureza.” A atuação de Licurgo também se fez sentir na remoção do medo e da superstição relativos aos mortos. Exigiu-se que o povo sepultasse os seus mortos dentro da própria cidade “e mesmo ao redor dos seus templos”. Isso, para que se tornassem acostumados a tais espetáculos. Assim, não teriam medo de tocar um cadáver ou acreditar que o mesmo pudesse ser profanado, quando passassem sobre uma sepultura.

AUTO-ANÁLISE
Qual a vantagem de uma UTOPIA TEÓRICA?
Psicologicamente, constitui uma auto-análise e purificação. Aquele que concebe uma UTOPIA tem consciência daquilo que acredita serem práticas malévolas e insensatas. Não apenas deseja transcender os prazeres que na ocasião usufrui da vida, mas está vivamente consciente das coisas e circunstâncias que parecem lhe impedir de atingir um grau de felicidade ainda maior. A teoria racional utópica expõe um plano para evitar os elementos que parecem tornar indesejável a presente sociedade.

Os que procuram realizar uma sociedade ideal, no mundo atual, são tão realistas como idealistas. Aqueles, entretanto, que apenas imaginam uma UTOPIA, em alguma terra remota ou noutro planeta, são escapistas. É de pouso valor para os entusiastas do espaço conjeturar a respeito de uma utopia em Marte, Saturno, Vênus, ou algum outro planeta. É necessário, primeiro, que reconheçam as falhas de suas próprias naturezas e procurem retificá-las. Do contrário, contaminariam qualquer utopia neste ou noutro mundo que porventura pudessem visitar.

Jamais há de haver uma UTOPIA onde todos os homens e mulheres experimentem a felicidade de igual modo. Felicidade é prazer, e os prazeres são variados, tais como os do corpo, da mente e do espírito. São também relevantes para a inteligência, sistema nervoso, natureza emocional e experiências do ser humano. Pelo aperfeiçoamento total da individualidade e adiantamento da sociedade, podemos assegurar, a cada indivíduo, alguma espécie e grau de felicidade. Entretanto, tal felicidade somente é apreciada pela experimentação, até certo ponto, do seu estado oposto, ou seja, a irritação e a angústia. Se a felicidade for a satisfação de certos desejos, necessariamente, em tais desejos deve existir, primeiro, uma irritação, cuja remoção dá lugar à satisfação.
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[Texto de R.M.L]

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O Homem que Semeava Árvores


Para que o caráter de um ser humano revele qualidades verdadeiramente excepcionais, é necessário ter-se a sorte de poder observar a sua ação durante longos anos. Se essa ação é despida de todo o egoísmo, se a idéia que a orienta é de uma generosidade sem par, se é absolutamente certo que não a animava qualquer expectativa de recompensa e,ainda por cima, deixou no mundo marcas visíveis, então, sem risco de errar, pode afirmar-se que estamos perante um caráter inesquecível.
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Há cerca de quarenta anos, fiz uma longa caminhada na antiqüíssima região dos Alpes que entra pela Provença, a altitudes então absolutamente desconhecidas dos turistas.

Esta região é delimitada a Sudoeste e a Sul pelo curso médio do rio Durance, entre Sisteron e Mirabeau; a Norte pelo curso superior do rio Drôme, desde a nascente até Die; a Oeste pelas planuras de Comtat Venaissin e pelos contrafortes de Mon-Ventroux. Compreende de toda a parte Norte do departamento dos Alpes-Baixos, o Sul do Drôme e um pequeno enclave de Vaucluse.

Eram, na altura em que empreendi o meu longo passeio por esses desertos, terras nuas e monótonas, a cerca de 1.200-1.300 metros de altitude. Apenas alfazemas silvestres cresciam por lá.

Atravessei esta região na sua maior extensão,e, após três dias de marcha, achava-me numa desolação sem par. Acampei ao lado de um esqueleto de aldeia abandonada. Já não tinha água desde a véspera e precisava de a encontrar. Estas casas aglomeradas, embora em ruínas, como um velho ninho de vespas, fizeram-me pensar que devia ter por ali existido, em tempos, uma fonte ou um poço. Havia efetivamente uma fonte, mas seca. As cinco ou seis casas sem telhado, corroídas pelo vento e pela chuva, a pequena capela, de campanário desmoronado, alinhavam-se como as casas e as capelas nas aldeias vivas, mas toda a vida tinha desaparecido.

Era um belo da de junho cheio de Sol, mas, nestas terras sem abrigo e de altitude, o vento soprava com uma brutalidade insuportável. O seu ribombar na carcaça das casas fazia lembrar o ronco de uma fera perturbada durante o seu repasto.

Vi-me forçado a levantar o acampamento. Ao fim de cinco horas de marcha não tinha ainda encontrado água e nada indiciava que a viesse a encontrar. Por toda a parte a mesma secura, as mesmas ervas lenhosas.

Pareceu-me entrever, ao longe, de pé, uma pequena silhueta negra. Tomei-a pelo tronco solitário de uma árvore. Ao que desse e viesse, dirigi-me para lá. Era um pastor. Uma trintena de carneiros, deitados na terra ardente, repousavam perto dele.

Deu-me de beber de sua cabaça e, pouco depois, conduziu-me ao seu redil, numa ondulação do planalto. Tirava a sua água, excelente, de um poço natural, muito profundo, por cima do qual tinha instalado um sarilho rudimentar.

Era um homem de poucas falas, o que é feitio dos solitários, mas revelava-se seguro de si e confiante nessa segurança. Não deixava de ser insólito numa região desprovida de tudo.

Habitava não numa cabana, mas numa verdadeira casa de pedra, na qual se reconhecia muito bem como, com o seu trabalho pessoal, tinha reconstruído as ruínas que encontrara à chegada. O telhado era sólido, estanque. O vento fazia nas telhas um ruído que lembrava o do mar das praias.

Todo o interior estava em ordem, a louça lavada, o soalho varrido e a espingarda oleada;uma sopa fervia sobre o fogo. Notei então que estava também barbeado de fresco, que todos os botões se apresentavam solidamente cozidos e a roupa repassada com o cuidado minucioso que torna os remendos invisíveis. Partilhou comigo a sua sopa e quando, pouco depois, lhe oferecia minha bolsa de tabaco, disse-me que não fumava. O cão dele, silencioso como o dono, era afável sem subserviência.

Combinamos de imediato que eu passaria ali a noite, pois a aldeia mais próxima ficava ainda a mais de dia e meio de marcha. Além disso, eu conhecia bem o gênero de pequenos e raros povoados da região. Haveria quatro ou cinco aldeias, distantes umas das outras e dispersas pelas encostas, nas matas de carvalhos brancos, situadas no extremo das estradas transitáveis por carroças. São habitadas por lenhadores que fazem carvão de madeira. Trata-se de locais onde se vive mal. As famílias confinadas umas contra as outras, neste clima excessivamente rude, tanto no verão como no inverno, dão largas ao seu egoísmo. A ambição cega torna-se desmedida, na expectativa continuada de fugir da região.

Os homens vão levar o carvão à cidade nos seus camiões, depois regressam. As mais sólidas virtudes esboroam-se, sob a ação deste perpétuo ‘banho escocês’. As mulheres fervilham rancores. Há concorrência sem tréguas em tudo, tanto na venda do carvão como pelo banco na Igreja; há concorrência nas virtudes, que se combatem entre si; nos vícios, que se combatem também entre si, e há concorrência ainda na confusão geral de vícios e virtudes. Ainda por cima, o vento, que sopra sem descanso, irrita os nervos. Acontecem epidemias de suicídios e os casos de loucura, quase sempre assassina, são numerosos.

O pastor, que não fumava, foi buscar um pequeno saco e espelhou sobre a mesa um monte de landes. Pôs-se a examiná-las, uma após outra, com toda a atenção, separando as boas das más, enquanto eu fumava meu cachimbo. Propus-me ajudá-lo. Disse-me que era tarefa sua. Com efeito, vendo o cuidado que ele punha na sua escolha, não insisti. E a nossa conversa ficou-se por aí. Quando juntou do lado das boas um monte de landes bastante grande, contou-as em conjuntos de dez. Ao mesmo tempo, examinando-as de perto, eliminava os frutos mais pequenos ou que estavam ligeiramente estalados. Quando acabou de juntar, diante de si, cem landes perfeitas, parou e fomo-nos deitar.

A companhia deste homem transmitia paz. No dia seguinte, pedi-lhe que me autorizasse a descansar em sua casa por mais uma jornada, o que ele achou muito natural. Ou, mais exatamente, deu-me a impressão de que nada o poderia incomodar. Esta pausa não me era absolutamente necessária, mas eu estava intrigado e queria saber mais. Fez sair o rebanho e conduziu-o à pastagem. Antes de partir, molhou num balde de água o pequeno saco onde tinha posto as landes cuidadosamente escolhidas e contadas.

Reparei que, em jeito de cajado, levava um varão de ferro da grossura de um polegar e com cerca de metro e meio de comprimento. Fiz de conta que me passeava para descansar e fui seguindo um caminho paralelo ao dele. A pastagem dos seus animais era no fundo de um pequeno vale.

Deixando o rebanho à guarda do cão, subiu em direção ao sítio onde eu me encontrava. Receei que viesse censurar-me pela minha indiscrição, mas nada disso: era esse o seu caminho e convidou-me a acompanhá-lo, caso não tivesse nada de melhor para fazer. Dirigia-se a uma elevação, duzentos metros mais acima.

Chegando ao local almejado, pôs-se a espetar o varão de ferro na terra, fazendo assim um buraco em que depunha uma lande, e depois tapava o buraco. Ele ‘semeava’ carvalhos. Perguntei-lhe se o terreno lhe pertencia. Respondeu-me que não. Sabia de quem a terra era? Não sabia. Supunha que se tratasse de uma área comunal, ou então de propriedade abandonada pelos donos. Era questão que não o preocupava. Assim, semeou as suas cem landes, com um cuidado extremo.

Após a refeição do meio-dia, recomeçou a escolher as suas sementes. Fui, penso bastante insistente nas minhas perguntas, pois se deu ao trabalho de me responder. Há três anos que semeava árvores nesta solidão. Tinha entretanto semeado cem mil. Dessas cem mil, vinte mil tinham vingado. E destas vinte mil contava perder ainda metade,devido aos roedores ou por força de tudo quanto há de imprevisível nos desígnios da Providência. Restavam dez mil carvalhos que iriam crescer neste lugar onde dantes nada havia.

Foi então que quis saber a idade deste homem. Tinha visivelmente mais de cinqüenta anos. Cinqüenta e cinco, disse-me. Chamava-se “Elzéard Bouffier”. Tivera uma quinta na planície. Aí vivera em plenitude a sua vida. Tinha perdido o seu único filho, depois a mulher. Retirara-se para esta solidão, onde se dava o prazer de viver vagarosamente, com as suas ovelhas e o seu cão. Parecera-lhe que esta região morria por falta de árvores. Não tendo ocupações muito importantes, acrescentou, tinha decidido remediar tal estado de coisas.

Vivendo eu próprio, nessa época apesar de ser ainda jovem, uma vida solitária, eu sabia tocar com delicadeza as almas solitárias. No entanto cometi um deslize. A minha juventude, precisamente, levava-me a imaginar o futuro em função de mim mesmo e de uma certa busca da felicidade. Disse-lhe que, dentro de trinta anos, esses dez mil carvalhos, seriam magníficos. Ao que ele me replicou, muito simplesmente, que, s Deus lhe concedesse a vida, dentro de trinta anos, teria semeado tantas outras árvores que aqueles dez mil carvalhos seriam como que uma gota de água no mar.

Estudava já, de resto, a reprodução das faias e tinha perto de casa um viveiro delas; os exemplares que aí cresciam,protegidos dos seus carneiros por uma cerca que ele construíra, eram de grande beleza. Penava igualmente em bétulas, para os fundos, onde, dizia-me ele, uma certa umidade se esconderia, a alguns metros abaixo da superfície do solo.

Separamo-nos no dia seguinte.

Um ano depois começou a guerra de quatorze, na qual estive mobilizado durante cinco anos. Um soldado de infantaria não podia, em tal situação, refletir muito sobre árvores. E para falar com verdade, o fato não me tinha marcado; tinha-o considerado como algo de pueril, uma coleção de selos, e esquecido.

Saído da guerra, vi-me na posse de um prêmio de desmobilização minúsculo, mas com um grande desejo de respirar um pouco de ar puro. Assim, foi sem qualquer idéia preconcebida, salvo esse simples objetivo, que retomei o caminho dessas paragens desertas.

A região não tinha mudado. Contudo, passada a aldeia morta, lobriguei ao longe uma espécie de nevoeiro cinzento que cobria as elevações como um tapete. Desde a véspera, tinha recomeçado a pensar naquele pastor que semeava árvores. “Dez mil carvalhos”, dizia comigo mesmo, “ocupam realmente um espaço muito grande”.

Tinha visto morrer muita gente, durante cinco anos, para não imaginar facilmente a morte de Elzéard Bouffier, tanto mais que, quando se tem vinte anos, considera-se aqueles que tem cinqüenta como velhos a quem não resta senão morrer. Mas Elzéard Bouffier não tinha morrido. Tinha mesmo rejuvenescido e mudara de ocupação. Ficara apenas com quatro ovelhas e, em compensação cuidava de uma centena de colméias. Desfizera-se dos carneiros que punham em perigo as suas árvores. Porque, disse-me [e eu constava-o], sem dar qualquer atenção à guerra, continuara imperturbavelmente a semear árvores.

Os carvalhos de 1910 tinham então dez anos e estavam mais altos que qualquer um de nós. O espetáculo era impressionante. Eu sentia-me literalmente sem palavras e, como ele não falasse, passamos todo o da em silêncio a passear na sua floresta. Esta tinha, em três troços, onze quilômetros na sua maior extensão. Se se considerar que tudo era obra das mãos e da alma de um só homem, sem meios técnicos, compreende-se que os seres humanos poderiam ser tão eficazes como Deus, em domínios diferentes da destruição.

Ele tinha posto em prática a sua idéia e as faias, que chegavam à altura dos meus ombros e se espalhavam a perder de vista, eram bem testemunho disso. Os carvalhos eram fortes e tinham passado a idade de estarem à mercê dos roedores. Quanto ao desígnios da própria Providência, para destruir a obra assim criada, precisaria de lançar mão dos ciclones. Mostrou-me admiráveis bosquezinhos de bétulas, que, com os seus cinco anos, haviam sido semeadas em 1915, altura em que eu combatia em Verdun. Tinha-as semeado nos terrenos fundos, onde, com razão, ele suspeitava haver umidade quase à flor da terra. Tinham o porte tenro e decidido de adolescentes.

A criação tinha, aliás, o ar de se repercutir em cadeia. Ele não dava atenção a isso; prosseguia obstinadamente a sua tarefa muito simples. Ao descer de novo para a aldeia, vi correr água em ribeiros que a memória dos homens sempre recordara secos. Era a mais formidável reação natural em cadeia que me tinha sido dado observar. É que esses riachos, em tempos recuados, haviam transportado água. Algumas das tristes aldeias de que falei, no início desta narrativa, haviam sido construídas sobre as ruínas de antigas aldeias galo-romanas de que ainda subsistiam vestígios, postos a descoberto por arqueólogos. Entre tais vestígios contavam-se anzóis, encontrados em sítios onde, no século XX, era forçoso recorrer a cisternas para recolher alguma água.

O vento, por sua vez, dispersava determinadas sementes. Assim, como a água, ressurgiam também os salgueiros, os vimes,os prados, as hortas, as flores e uma certa razão de viver.

A transformação operava-se tão lentamente que entrara nos hábitos sem suscitar espanto. Os caçadores que subiam as tais solidões, em perseguição de lebres ou javalis, bem tinham constado o pulular de pequenas árvores mas atribuíam-nas aos caprichos naturais da terra. Por isso ninguém tocava na obra daquele homem. Se tivessem suspeitado dele, tê-lo-iam contrariado. Só que ele era absolutamente insuspeito. Quem poderia imaginar, nas aldeias e nas repartições, uma tal obstinação na generosidade mais magnífica?

A partir de 1920, não deixei nunca de passar mais de um ano sem visitar Elzéard Bouffier. Jamais o vi recuar ou duvidar. Mas Deus saberá, se é que Deus cresce em semelhantes paragens. Não cheguei nunca a inventariar os seus dissabores. Pode bem imaginar-se, no entanto, que para chegar a um tal sucesso, há de ter sido forçoso vencer a adversidade; que para assegurar a vitória de uma tal paixão, terá sido inevitável bater-se com o desespero. Semeara, durante um ano, mais de dez mil olmos. Morreram todos. Um ano depois, abandonou os olmos para retornar as faias, que vingaram ainda melhor que os carvalhos.

Pra ter uma idéia aproximada deste caráter excepcional, é necessário ter presente que se manifestava numa solidão total; tão completa que, perto do fim da vida, Elzéard Bouffier tinha perdido o hábito de falar. Ou talvez não visse necessidade disso!

Em 1933, recebeu a visita de um guarda florestal aparvalhado. Este funcionário intimou-o a não fazer fogo ao ar livre, para que não pusesse em perigo aquela floresta “natural”. Era a primeira vez, disse-lhe aquele homem ingênuo, que se via uma floresta crescer sozinha.

Por essa época, ele ia semear faias a doze quilômetros de sua casa. Para s poupar tal caminhada de ida e volta, pensava em construir uma cabana de pedra na própria área de suas “plantações. Fê-lo um ano mais tarde.

Em 1935, uma verdadeira delegação administrativa veio inspecionar a “floresta natural”. Compunham-na um alto funcionário das Águas e Florestas, um deputado e técnicos. Pronunciou-se muitas palavras inúteis. Decidiu-se fazer alguma coisa, mas, felizmente, nada se fez, a não ser a única coisa útil – pôr a floresta sob a proteção do Estado e proibir que se fizesse carvão no seu perímetro. É que era impossível não se ser subjugado pela beleza destas árvores jovens e cheias de saúde. E essa beleza não deixou de seduzir o próprio deputado.

Um dos responsáveis florestais que fizera parte da delegação era meu amigo. “Expliquei-lhe o mistério”. Na semana seguinte, fomos ambos à procura de Elzéard Bouffier. Encontramo-lo em pleno trabalho, a vinte quilômetros do sítio onde tivera lugar a inspeção.

Este responsável florestal não era uma amigo qualquer. Ele conhecia o valor das coisas e soube guardar silêncio. Ofereci alguns ovos que tinha levado de presente. Partilhamos os três uma merenda frugal e passamos algumas horas em contemplação silenciosa da paisagem.

O lado de onde viéramos estava coberto de árvores de seis a sete metros de altura. Eu lembrava-me bem do aspecto da região em 1913 – o deserto...O trabalho pacífico e regular, o ar vivo das alturas e, sobretudo, a serenidade da alma tinham dado a este ancião uma saúde quase solene. Era um atleta de Deus. E eu perguntava-me quantos hectares iria ele ainda cobrir de árvores?

Antes de partir, o meu amigo fez simplesmente uma breve sugestão a propósito de certas espécies arbóreas às quais o terreno, ali, parecia ser conveniente. Não insistiu. “Por uma boa razão”, disse-me ele depois, “é que este bom homem sabe mais do que”. Ao fim de uma hora de marcha, tendo nele amadurecido o pensamento, acrescentou: “Ele sabe muito mais do que todos nós. Descobriu um meio fabuloso de ser feliz”.

Foi graças a este responsável que não só a floresta mas a felicidade desse homem forram protegidas. Providenciou para que fossem nomeados três guardas florestais que assegurassem essa proteção e atemorizou-se de tal forma que eles permaneceram insensíveis a todas as tentativas de corrupção por parte dos lenhadores.

A obra só correu um risco sério durante a guerra de 1939. Os automóveis moviam-se então a gasogênio, e não havia madeira que chegasse. Começaram a fazer-se cortes nos carvalhos de 1910, mas a região ficava tão longe de todas as redes de estradas que a iniciativa se revelava péssima do ponto de vista financeiro, sendo por isso abandonada. O pastor nem se apercebeu do que se passara. Andava então a trinta quilômetros de distância, prosseguindo pacificamente a sua tarefa e ignorando a guerra de 1939 como já ignorara a de 1914.

Vi Elzéard Bouffier, pela última vez, era junho de 1945. Tinha ele então 87 anos. Retomara eu, pois, uma vez mais, a estrada do deserto, mas, agora, apesar do descalabro em que a guerra tinha deixado o país, havia um carro a fazer serviço entre o vale de Durance e a montanha. Atribuía a este meio de transporte relativamente rápido o fato de não reconhecer os lugares das minhas primeiras caminhadas. Parecia-me, também, que o itinerário me levava por sítios novos. Foi-me necessário ver o nome de uma aldeia para concluir que me encontrava, de fato, na mesma região que eu conhecera, outrora, desolada e em ruínas. O carro deixou-me em Vergons.

Em 1913, esta aldeola com dez ou doze casas tinha três habitantes. Eram selvagens, detestavam-se, viviam da caça com armadilhas, mais ou menos no estado físico e moral dos homens das cavernas. A vegetação devorava, então, as casas abandonadas. Não havia esperança, na sua contradição. Para eles não havia mais nada a esperar senão a morte, situação que, de modo algum, predispõe às virtudes.

Tudo mudara. Até o próprio ar. Em lugar das ventanias secas e brutais que me acolhiam outrora, soprava uma brisa doce e carregada de odores. Um rumor semelhante ao da água vinha das alturas:era o soprar do vento nas florestas. Por fim, coisa mais espantosa, ouvi o ruído da própria água a correr para uma represa. Reparei então que tinham construído uma fonte donde a água corria abundante e, fato que comoveu ainda mais, alguém plantara nas proximidades uma tília que deveria ter já quatro anos, vigorosa, símbolo incontestável da ressurreição.

Além disso, Vergons apresentava sinais de atividade para a qual a esperança é requisito indispensável. A esperança tinha, pois, voltado. As ruínas tinham sido removidas, os troços de muros instáveis haviam sido desmontados e cinco casas tinham sido restauradas. O lugarejo albergava agora vinte e oito habitantes entre os quais se contavam quatro jovens casais. As casas novas, caiadas de fresco, estavam rodeadas de hortas onde cresciam, misturados mas alinhados, os legumes e as flores, as couves e as roseiras, os alhos porros e as bocas de lobo, os aipos e as anêmonas. Era agora um local onde apetecia viver.

A partir daí fiz o meu caminho a pé. A guerra de que mal saíramos não possibilitara o desenvolvimento completo da vida, mas Lázaro levantara-se do túmulo. Sobre os flancos menos declivosos da montanha, podia ver pequenos campos de cevada e de centeio; e no fundo dos vales estreitos verdejavam alguns prados.

Bastaram os oito anos que nos separam dessa época para que toda a região resplandecesse de saúde e prosperidade. Sobre as ruínas que tinha visto em 1913, erguiam-se agora quintas bem cuidadas, caiadas, que denotavam uma vida feliz e confortável. As antigas nascentes, alimentadas pela água das chuvas e das neves, que as florestas armazenavam, tinham voltado a jorrar. E as águas tinham sido canalizadas. Ao lado de cada quinta, nos bosques de bordos, as bacias das fontes transbordavam sobre tapetes de fresca hortelã. As aldeias foram sendo reconstruídas pouco a pouco. Uma população vinda da planície, onde o preço da terra é elevado, fixou-se na região, trazendo-lhe juventude, movimento, espírito de aventura.

Encontram-se nos caminhos homens e mulheres bem alimentados, rapazes e raparigas que sabem rir e retomaram o gosto pelas festas campesinas. Contando com a antiga população, agora irreconhecível, porque vive com gosto, e com os novos residentes, mais de dez mil pessoas devem a sua felicidade a Elzéard Bouffier.

Quando penso que um só homem, apenas com os seus recursos físicos e morais, foi capaz de fazer surgir do deserto esta terra Canã, descubro que, apesar de tudo,a condição humana é admirável. Mas ao constatar quanto terá sido necessário de constância na grandeza de alma e de perseverança na generosidade, para alcançar tal resultado, sou tomado de um imenso respeito por este velho camponês iletrado que soube levar a cabo esta obra digna de Deus.

Elzéard Bouffier morreu em paz, em 1947, no Hospital de Banon.
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[Texto de:Jean Giono. Artigo extraído da revista “Vida Maior”, maio de 1992, veículo de um movimento naturalista em Lisboa, Portugal]








quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

DOM PUGLIESE_ JESUS FOI MESMO UM ALIENÍGENA.


Em 18 de junho de 2003, assistindo ao programa Jô Soares Onze e Meia,o país inteiro ficou perplexo diante da figura de um religioso capaz de fazer impressionantes revelações sobre discos voadores, seres extraterrestres e sua relação com as escrituras. Era dom Fernando Antonio Sampaio Pugliese, bispo da Igreja Católica Apostólica Brasileira, que atuava na época em Maceió [AL]. Jô Soares, experiente condutor de entrevistas com personalidades das mais diversas áreas, foi um dos que mais se espantou com as afirmações de dom Pugliese. Raras vezes na historia brasileira um bispo causou tanta polêmica. E na tevê! Dom Pugliese estava discorrendo sobre suas interpretações bíblicas quando o Jô Soares mandou buscar uma Bíblia traduzida para o português , narrando-a para o convidado, perguntou-lhe sobre o episódio em que Ezequiel descreve sua visão de algo que se supõe ser uma nave extraterrestre.

O bispo não teve dúvidas: não só confirmou que o que o apóstolo viu foi mesmo um disco voador, como também afirmou que há uma ligação profunda entre os textos bíblicos e a intervenção de alienígenas na Terra. Dom Pugliese não é um religioso qualquer. Estudou filosofia e teologia na Pontífice Universidade Gregoriana Romana, que é considerada a mais brilhante instituição de ensino teológico da Itália. Estudou também nos ateneus de Paris, Lindsbruk e Munique, conheceu e foi pupilo do francês Gabriel Marcel, um dos maiores existencialistas do pós-guerra. O religioso conhece também hebraico, o que é muito importante quando se busca compreender a interação do Fenômeno UFO na história da humanidade e, principalmente, sua influencia nos destinos da civilização moderna.

Logo após o programa Jô Soares Onze e Meia, a Equipe UFO, que também foi tomada de surpresa e não conhecia as atividades de dom Pugliese, mobilizou-se para encontrá-lo e solicitar uma entrevista ao religioso. Nossos consultores Roberto Affonso Beck, que reside em João Pessoa, e Fernando Aragão Ramalho, de Brasília [DF], imediatamente contataram dom Pugliese e foram muito bem recebidos. O religioso não apenas confirmou tudo o que havia dito ao Jô, como se aprofundou ainda mais em suas afirmações, e ainda mostrou-se excepcionalmente bem informado sobre Ufologia. Eis a entrevista:

UFO:_Dom Pugliese, o senhor pode nos falar de sua formação educacional e vocação religiosa?
>Dom Pugliese: Tive formação católica romana, fui seminarista em Maceió e acadêmico de filosofia na Universidade Gregoriana de Roma. Fiz teologia em Munique e no Instituto Católico de Paris. Mas deixei a vida eclesiástica antes de me ordenar sacerdote, ingressando no magistério universitário. Então contraí matrimônio e fui pai de três filhos, hoje já adultos. Ingressei na Igreja Católica Apostólica Brasileira, fui ordenado sacerdote e, posteriormente, sagrado bispo. Isso aconteceu alguns anos mais tarde, quando já era professor universitário, estava casado e era pai de família.

UFO:_Desde quando o senhor vem se interessando por Ufologia?
>Dom Pugliese: Desde quando li uma entrevista sobre o avistamento de uma nave espacial, publicada na revista “O Cruzeiro”, mais ou menos em 1957. O caso, ocorrido nas imediações da Ilha da Trindade, foi detalhadamente descrito e ilustrado com ótimas fotografias, tiradas de bordo de um navio da Marinha brasileira, por um repórter que se encontrava em missão jornalística naquela embarcação.

UFO:_O senhor já viu um disco voador?
>Dom Pugliese: Já tive incontáveis avistamentos. Entretanto, o mais notável foi no dia 22 de dezembro de 1984, mais ou menos às 22:40 horas, quando rezava o rosário como de costume, em uma passarela do quintal de minha cãs. O objeto surgiu por trás de um frondoso abacateiro. Era uma bela nave espacial, com cúpula profusamente iluminada e de cor alaranjada. Seu diâmetro era de aproximadamente 20m. Ao se levantar, vagarosamente, o UFO apagou a luz e desapareceu em vertiginosa velocidade. Meu sangue gelou nas veias e fiquei praticamente paralisado por alguns momentos. Eu me encontrava a uns 30m de distância do objeto.

UFO:_O senhor é um bispo católico. Sua igreja aceita abertamente a vida inteligente em outros planetas?
>Dom Pugliese: A Igreja Católica Apostólica Brasileira deixa o tema completamente livre para quem quiser opinar. Ela é de estrutura essencialmente liberal e praticante do lema: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Minha igreja admira os cidadãos “livres e de bons costumes”.

UFO:_ Na Bíblia existem citações referentes à vida inteligente noutros pontos do universo, além da Terra. Como o senhor vê essas passagens?
>Dom Pugliese: Nos chamados livros canônicos, bem como nos apócrifos, não encontramos citações ‘stricto sensu’[exatas] sobre isso. Entretanto, há inúmeras menções que praticamente nos impelem no sentido da aceitação, por dedução lógica, da existência de vida inteligente em outras partes do Cosmos.

UFO:_ O senhor já teve algum contato pessoal, de qualquer forma, com seres alienígenas?
>Dom Pugliese: Nunca tive oportunidade de ver seres extraterrestres entrando ou saindo de naves siderais. Mas já tive visões de entidades angelicais e creio que parte da chamada “hierarquia Angélica”, ao menos nos graus inferiores ditas ‘nove castas’, citadas pelo apóstolo Paulo e repetidas pelo grande bispo Dionísio Pseudoareopagita, de Paris, é formada de extraterrestres como anjos e arcanjos. As categorias mais elevadas como ‘querubins e serafins’, provavelmente são de natureza mais sutil.

UFO:_ O senhor disse que acredita ter em um de seus pés alguma espécie de ‘chip’ ou implante. Quando notou a presença desse objeto e de que forma?
>Dom Pugliese: São duas pequenas bolinhas no pé esquerdo. Ao sentir uma forte e incômoda dor nele, tirei uma radiografia e, além de um incipiente esporão calcâneo, meu médico constatou algo estranho. O laudo anexo à radiografia, de 13 de julho de 2000, descreve uma “imagem filiforme de densidade cálcica, que pode ser compatível com corpo estranho”.

UFO:_ Falando um pouco da Bíblia, por favor descreva-nos qual é o método que usa para estudá-la.
>Dom Pugliese: Com relação aos estudos bíblicos temos dois métodos bem distintos. O primeiro é usado normalmente pelas faculdades teológicas ou pelos institutos bíblicos espalhados pelo mundo. Trata-se da chamada ‘Exegese ou Hermenêutica Bíblica’. Ela consiste na análise comparativa dos textos e contextos doutrinários, lingüísticos, culturais e históricos contidos nas sagradas escrituras. Já o segundo é o método criptológico, através do qual se aplicam alguns códigos específicos, tais como o cabalístico, o Atbash, o método das seqüências alfabéticas ou das seqüências lineares. Este eu mesmo aplico, a fim de detectar mensagens ocultas no texto original hebraico, conhecido como massorético. O método das seqüências lineares proporcionais, entrecruzadas e repetidas, é outro sistema, desenvolvido por mim no decorrer de alguns anos.

UFO:_ Há diversas provas fósseis, documentais e artísticas de povos primitivos que nos levam a concluir sobre a presença entre nós, desde o início dos tempos, de seres extraterrestres e tecnologicamente superiores aos humanos. Em seus estudos sobre as codificações contidos no Velho Testamento, o senhor chegou a alguma conclusão semelhante?
>Dom Pugliese: Inegavelmente, devemos a Erich von Däniken a coragem e mesmo a ousadia de romper a barreira do medo levantada e imposta sobretudo por entidades religiosas, com relação a civilizações extraterrestres e naves siderais. Lembremo-nos que Giordano Bruno, frade da Ordem Dominicana, foi queimado vivo pela inquisição romana por manifestar, no ano de 1600, idéias semelhantes. Sobre a existência de civilizações extraterrestres, além das fortíssimas insinuações nos textos correntes ou normais do “Antigo Testamento”, tenho encontrado claras referencias em mensagens cifradas, notadamente no capitulo 60 do profeta Isaías, com especificações sobre uma próxima manifestação de seres extraterrestres de forma agigantada. O mesmo se dá no texto do profeta Daniel, capitulo 12, na parte conhecida como “Apocalipse” de Daniel. Na “Torah” ou no “Pentateuco”, através de um processo cabalístico de caráter numerológico chamado ‘guematria’, encontramos menção a um grupo de 318 entidades extraterrestres. Está em ‘Gênesis’, capítulos 14 e 15, oculta e cifrada sob o nome de “Eliezer”.

No livro do “Êxodo”, capítulo 14, precisamente nos versículos 19 a 21, levantamos os nomes dos 70 anjos – seguramente extraterrestres – que desceram a Terra a fim de efetuar a participação ou divisão dos povos e lhes ensinar os 70 troncos lingüísticos que deram origem aos principais idiomas naturais do nosso planeta. Para compreender isso é necessário se aplicar ao texto uma variação do método de decodificação ‘Atbash’, de difícil explicação. Essas entidades vieram ao nosso mundo sob o comando do grande e admirável Arcanjo Miguel, chamado pelo profeta Daniel de príncipe ou comandante da Milícia Celeste. Ele é citado também em ‘Apocalipse’, capitulo 12, e no texto grego do ‘Novo Testamento’ como ‘vencedor da batalha contra o dragão”.

UFO:_ Existem textos antigos, em línguas extintas ou em desuso, que serviram como base para várias religiões atuais, como os indianos ‘Ramayana, Mahabarata e o Vymaanika-Shaastra’. Eles falam dos vimanas, naves que riscavam os céus há mais de 20 mil anos, conduzindo reis e soldados a guerra. O senhor chegou a analisar esses registros ou outros, em hebraico ou sânscrito?
>Dom Pugliese: Com relação a textos anteriores ao massorético hebraico ‘Tanach/Torah, Neviim e Khetuvim, que significam lei, profetas e escritos, citaria o hindu ‘Rig Veda’, ressaltando nele o ‘Atharva Veda’,e, notadamente, os chamados ‘Sutra e Upanishads’, todos em sânscrito. Citaria especialmente o ‘Bhagavad Gita’, também em sânscrito, que fala do guerreiro ‘Arjuna’. Esse texto é interpretado geralmente sob um aspecto mais esotérico e místico. Em referência a esses registros em sânscrito, não conheço ainda qualquer método criptológico para sua decodificação. No entanto, venho obtendo alguns resultados aplicando os processos de decodificação nos ‘Targum’ aramaicos, do famoso “Pentateuco Samaritano”, ou mesmo em siríaco, como no caso da versão chamada “Peshitta”.

UFO:_ Os apócrifos bíblicos possuem uma série de afirmações ainda mais contundentes que os canônicos sobre a presença de seres extraterrestres semelhantes aos homens e suas máquinas voadoras. Os exemplos mais claros estão no ‘livro de Enoque’ e no ‘Proto-Evangelho de Thiago’. O senhor tem conhecimento do conteúdo desses apócrifos?
>Dom Pugliese: Esses livros apócrifos, tanto os do Antigo Testamento da Nova Aliança, são particularmente reveladores não só da existência, mas também da atuação concreta das naves espaciais provenientes de outros mundos habitados. Começando pelo patriarca antediluviano ‘Enoque”, bisavô do famoso Noé, sobrevivente do dilúvio, notamos que o texto canônico ‘Gênesis” se refere apenas ao seu arrebatamento, com vida, da Terra. No entanto, no apócrifo “Livro de Enoque I” é narrada, com surpreendentes detalhes, a viagem que se segue ao arrebatamento o meio de transporte usado, com todas as características de propulsão, iluminação e vertiginosa velocidade de um objeto voador não identificado. Além das etapas e características de possíveis estações espaciais.

UFO:_ Além da abdução de “Enoque” há ainda a supreendente experiência do profeta “Elias”.
>Dom Pugliese: Comparando o caso de ‘Enoque’ com o posterior arrebatamento do profeta ‘Elias’, testemunhado pelo seu discípulo predileto, o profeta ‘Eliseu’, é importante notar, no apócrifo “Gênesis”, uma importante referência a uma espécie de planeta habitado, um “outro paraíso” denominado “Parwain”, para onde teriam sido levados vivos Eboque e Elias, com seus corpos materiais. Esse apócrifo foi descoberto nas cavernas de “Qumran”, ao lado do Mar Morto. E sabe-se que Elias viu com seus próprios olhos um carro ou carruagem celestial “com cavalos de fogo”. Mais curioso ainda é constatar que “São Tomás de Aquino”, grande teólogo católico do Século XIII, já em plena idade média admitia claramente que “Enoque e Elias” se encontraram em um ‘outro paraíso terrestre’, num outro planeta. Deduz-se disso, evidentemente, a existência de outros planetas habitados. Isto se encontra na “Suma Teológica” de sua autoria.

Já nos “Evangelhos Árabe e Armênio da Infância” bem como no próprio canônico de “Mateus”, encontramos referência sobre a estrela de Belém, que teria guiado os reis magos que vieram do Oriente,provavelmente da Arábia, Pérsia e Índia. Eles estariam reunidos em ‘Ecbátana”, passaram por Jerusalém e foram até a cidade de Belém, onde se encontrava o menino Jesus. Pelas características do texto, creio ser impossível outra interpretação para a referida estrela - que se movia, parava, tornava a se movimentar e a parar, sempre de maneira inteligente etc – que não seja a de uma nave espacial.

UFO:_ Na sua opinião, qual é a relação entre esses seres, supostamente extraterrestres, e Jesus Cristo?
>Dom Pugliese: Creio que tal relação é profundíssima. Tenho até a forte impressão de que “JESUS é um deles”, porém de estrutura cósmica ou meta-física mais sutil, a ponto de poder tomar a natureza humana através da encarnação em um corpo feminino que foi o de sua mãe telúrica, a Virgem Maria. Pelas suas características somáticas ou mesmo psicossomáticas, dá para se notar que seu corpo, a despeito dele ter sido também humano, tinha aspectos especiais. De acordo com as narrativas evangélicas, eu ressaltaria o fato de que, em momento de grande angustia ou depressão, JESUS podia suar gotas de sangue, fenômeno que a medicina chama de ‘hematídrose’.

UFO:_ Há rumores de que exista grupos ou pessoas que têm conhecimento desses fatos estranhos, mas que tramam seu acobertamento. Eles estariam inseridos nos mais variados setores da sociedade, ocupando cargos de destaque em pontos-chave das organizações mundiais. O senhor tem conhecimento de algum desses grupos ou pessoas participando ou dirigindo tais atividades, infiltrados na igreja?
>Dom Pugliese: Tenho convicção de que existem grupos, pessoas e religiosos de alto nível que sabem muito a respeito da existência e atuação de extraterrestres não só aqui, no nosso planeta, mas também fora dele, em outras partes do Universo. Mas tratam desse assunto de forma altamente reservada, por força de conveniências políticas, psicológicas e, sobretudo, religiosas.

UFO:_ Baseado em seus estudos das escrituras, o senhor chegou a alguma conclusão sobre a origem e as intenções desses seres que nos visitam?
>Dom Pugliese: Acho que a influência dos extraterrestres, assim como aconteceu na remota Antiguidade, vem se dando até hoje – e a meu ver, em vários sentidos. Especialmente na chamada tecnologia de ponta e particularmente nas áreas militares de alguns países. Tal influência alienígena também ocorre na medicina e, quase escandalosamente, na área das telecomunicações, informática, eletrônica e outras modalidades.

UFO:_ O que o senhor tem a nos dizer sobre a aparição de Fátima, em Portugal, até hoje defendida pela igreja como uma visão da Virgem Maria?
>Dom Pugliese:Não acredito que tenha sido uma aparição da Virgem Maria, pelo menos não da forma direta e pessoal. Creio que houve uma manifestação gritantemente ufológica, não só pela suposta, absurda e irracional “dança” que o Sol teria realizado naquele dia, conforme os registros da época, mas por outros detalhes do acontecimento. Ora, as evoluções que o suposto sol realizou são típicas e conhecidas na Ufologia como de naves espaciais. Além disso, toda a fenomenologia do acontecimento assim nos leva a pensar, como o fato do tal sol ter realizado vôos rasantes e seu calor ter enxugado as vestes encharcadas pela chuva das pessoas que ali se encontravam. Outro elemento importantíssimo desse caso é aquela espécie de boneca mecânica, sem viva, de mais ou menos 1,1m de altura, que baixava sobre a copa do pé de azinheira, na Cova da Iria, deixando fortes traços de sucção nos ramos e folhas. Essa figura é vista pela igreja como a Virgem Maria. Tenho o privilégio de possuir os mais quentes depoimentos das testemunhas daquele fato, colhidos com rigor pelos canais competentes. Eles dão conta da real natureza dessa manifestação.

Aquele ser tinha as características mecânicas de um robô de aparência feminina, que falava sem mover os lábios, sem olhar, sem gesticular para os três videntes. Tal ser, ao término do contato, voltou às costas para os meninos também mecanicamente, como se estivesse atrelado a um eixo e fosse recolhido por algo que o sugava, começando a ocultá-lo da cabeça aos pés, até desaparecer. Outras características tipicamente ufológicas desse caso também se apresentavam, tal como a queda do céu de uma substância filamentosa e viscosa, conhecida na Ufologia como “cabelo de anjo” e, segundos antes da aparição, o indefectível relâmpago seguido do ribombar de um trovão.

UFO:_Essas afirmações são bombásticas para um religioso, o senhor não acha?
>Dom Pugliese:Bem, para concluir estas modestas observações, vamos lembrar somente as palavras do ‘Mestre Jesus’, quando afirma categoricamente: “Os verdadeiros oradores do Pai são aqueles que o adoram em espírito e na verdade.”

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O LABIRINTO DO MUNDO_ A Obra mística do Educador Comenius.


Na literatura mística, a obra do educador checo, “João Amós Comenius” [1592-1670], intitulada o “O Labirinto do Mundo”,ocupa lugar de destaque, assim pela beleza da forma como pelo alcance da mensagem válida ainda nos dias atuais.

Escrito logo após a eclosão da Guerra dos Trinta Anos, o livro teve grande sucesso, alcançando várias edições e servindo de alento espiritual para inúmeras pessoas, além de constituir deliciosa sátira da organização social da época.

Comenius era pastor dos Irmãos Morávios, seita religiosa de inspiração hussista, e havia acabado de assumir a administração das escolas de sua igreja espalhadas pela Boêmia, quando a célebre ‘Defenestração de Praga’ veio a dar início à guerra.

Na esperança de dias melhores, o jovem pedagogo refugiou-se nos bosques da Moravia e, instalado em rústico casebre, pôs-se a escrever uma série de opúsculos religiosos dos quais o principal é esse ensaio datado de 1623.

No prefácio, o autor esclarece que a obra não é produto da imaginação ou da fantasia, embora escrita em linguagem alegórica, e sim o relato de suas próprias experiências no trato com as pessoas e com as instituições.

Como hábil psicólogo, Comenius soube, desde os tempos de estudante na escola secundária de Prerov e, depois, em Herbon e Heidelberg, analisar os trabalhos, as mentiras, a ignorância do mundo e concluir como Salomão que debaixo do Sol tudo não passa de vaidade e a vida terrena é uma constante insatisfação.

Para concretizar o seu pensamento sobre a trajetória do homem na face da Terra, ele tomou da tradição hermética duas imagens de profundo simbolismo: o labirinto e a viagem.

A idéia do labirinto remonta ao palácio cretense que o rei Minos mandara construir para encerrar o Minotauro: um entrecruzamente de caminhos que representa o conjunto de provas pelas quais deve passar aquele que pretende chegar ao centro, a fim de captar algo sagrado ou precioso. Por sua vez, a viagem simboliza a busca da verdade e exprime o desejo de mudança interior que leva à descoberta de novos horizontes. Viajar pelo labirinto sem se deixar prender nos desvios das veredas é atingir a unidade perdida, transformando-se em novo ser.

No livro de Comenius, o mundo é apresentado como um labirinto – uma grande cidade cheia de ruas, por onde os homens circulam no afã diário de tirar proveito das coisas terrenas.

Enquanto erram pelo mundo muitas pessoas buscam a felicidade nas riquezas, outras em prazeres, outras na glória e na boa forma e outras no convívio social.

Comenius mostra a ineficácia dessa postura e sugere uma experiência com o divino mediante o recolhimento interior.

À semelhança de Dante na Divina Comédia, o protagonista da narração, o peregrino, põe-se a empreender um viagem. Não, todavia, uma viagem para o além e sim pelo mundo, a fim de encontrar um modo de viver que lhe dê bem poucas aflições e o máximo de sossego e paz de espírito.

Ao viajor, apresentam-se dois guias que, de ordinário, acompanham aqueles que andam pelo mundo: a curiosidade, que descobre tudo o que é oculto, e a opinião, que ensina a compreender as coisas segundo o costume vigente. Cada cicerone coloca uns óculos no peregrino e este sai pelo mundo, um verdadeiro labirinto repleto de ruas, praças, casas e outros edifícios por onde se agitam as pessoas como formigas nos afazeres diários.

O peregrino observa quão diferentes são os homens em suas inclinações pessoais. Uns preferem caminhar,outros correr; outros preferem ficar parados em pé, outros sentados, outros deitados. Alguns apreciam ficar sós, enquanto outros estão sempre reunidos em grupos maiores ou menores...

Percebe, também, a máscara que todos levam ao rosto.

Ao prestar atenção aos seres humanos, descobre-lhes os vícios e defeitos comuns:

“Observando, pois, com atenção, percebi que todos não só na cara, como também no corpo, estavam muito desfigurados. Geralmente eram leprosos, sarnosos ou pesteados, e além disso um tinha focinho de porco, outro os dentes de cão, outros os cornos de boi, outro as orelhas de asno, outro os ombros de basilisco, outro a cauda de raposa, outro as unhas de lobo. Alguns tinham o pescoço de pavão e o levantavam bem alto; outros tinham o penacho de polpa que a todo momento eriçavam; outros tinham os cascos de cavalos,etc.; a maioria, porém, se assemelhava aos maçados.”

Vê que a esses pobres seres faltava compreensão mútua, o que os fazia viver em rixas e discórdias e os levava a ocupações inúteis, a escândalos e a maus exemplos.

No labirinto, a inconstância, o orgulho, a soberba, a vaidade, as enfermidades e a morte.

Condói-se ao ver “como a criatura, destinada à imortalidade, perece tão miseravelmente, tão súbito, de mortes tão variadas. Principalmente quando observei ser regra quase geral que, quando alguém se prepara a passar a vida mais cômoda e longa, reúne os amigos, cuida o mais possível de seus negócios, constrói casas, junta dinheiro e provisões, de repente vem voando a ele a seta da morte e acaba tudo, e quem estava preparando para si uma morada neste mundo, é retirado para fora, e todas as suas obras foram feitas debalde”.

A viagem desdobra-se por todas as ruas dessa cidade curiosa, onde se instalam os exercentes das várias profissões: os industriais, os carroceiros, os eruditos, os médicos, os filósofos, os juristas, os retóricos, os matemáticos, os religiosos e os governantes. À medida que o peregrino os visita, vai se decepcionando com as ocupações, alegrias, aflições, tolices e hipocrisias dos seres humanos.

O que mais lhe causa espécie, entretanto, é que, apesar da inconstância e da mutabilidade da existência humana, os habitantes do labirinto orgulham-se de seus feitos e se desvanecem com seus misteres, embevecidos com sua própria imagem até serem consumidos pela morte.

O viajante tem vontade de fugir do mundo, pois até a sabedoria, personificada na rainha do labirinto, é enganosa. Suas mãos são cheias de lepra e todo o seu corpo é disforme. As conselheiras dessa rainha, as virtudes, não passam de aparências: a vigilância é suspeição, a prudência é astúcia, a afabilidade é lisonja, a valentia é desaforo, o amor é libertinagem, o zelo é raiva, a diligência é escravidão, a inteligência é mera suposição, a devoção não passa de hipocrisia...

Persuade-se de que o saber humano é insuficiente para corrigir a natureza corrompida do homem e trazer a almejada felicidade. No fim, todas as empresas, ainda aquelas honradas em toda a parte, terminam com a morte:

“Ó pobres homens, miseráveis, infelizes. Esta é a vossa última glória, esta a conclusão de tantas obras suntuosas, este é o alvo do vosso saber e da vossa arte, de que tanto vos orgulhais; este é o descanso e a calma anelados e atingidos depois de inumeráveis trabalhos e sofrimentos; esta é a imortalidade que sempre vos prometeis. Oxalá nunca houvera nascido. Oxalá nunca tivera passado pela porta da vida, se depois de todas as vaidades do mundo não me aguardam senão estas trevas e estes horrores...”

No momento em que estava já a despertar em meio a cenário tão negro, o peregrino ouve uma voz que lhe diz: “volta para trás. Regressa para lá donde saíste, volta ao aposento de teu coração. Entra e fecha a porta”.

O viajante obedece e volta-se para o seu interior, onde faz excursão muito mais proveitosa, que o leva a Cristo:

“Ó Senhor meu Deus. Já compreendo que Tu mesmo és tudo; quem possui, não se importa de perder tudo que ao mundo pertence, não se importa por que em Ti tem mais do que sabe querer. Já compreendi que errei vagando pelo mundo e buscando descanso nas coisas criadas. Mas desde já não desejo senão o teu amor. A Ti me entrego agora inteiramente. Fortalece-me, para que eu não torne a cair de TI às coisas criadas, porque assim cometeria novamente aquela estultícia de que o mundo é cheio. Guarda-me a Tua graça, na qual tenho plena confiança.”

Tal experiência transfigura-se e o faz encontrar a verdadeira felicidade. Outros óculos são dados ao peregrino e ele pode assim discernir melhor as vaidades do mundo e distinguir os cristão autênticos que formam uma cidade bem distinta do labirinto: “ com imenso prazer que vi que tudo ali era diferente do mundo. Pois no mundo eu encontrava por todas as partes trevas e cegueiras e, aqui, clara luz; no mundo engano, aqui a verdade; no mundo muitas desordens, aqui uma ordem excelente; no mundo desassossego, aqui tranqüilidade; no mundo cuidados e aflições, aqui contentamento e alegria; no mundo faltas, aqui abundância; no mundo escravidão e opressão, aqui liberdade; no mundo tudo difícil e custoso, aqui tudo fácil; no mundo inúmeros acidentes; aqui só segurança”.

A iluminação vem do alto e o paraíso é o coração humilde, pronto para receber a luz a fim de experimentar o prazer supremos da união com Deus, como se vê no epílogo do livro:

“Tu, ó Senhor, és a plenitude das plenitudes; o nosso coração é intranqüilizável, enquanto não descansa em Ti. Não te ocultes ao meu coração, ó Beleza perfeitíssima. Guia-me, guarda-me, conduze-me para que eu não caia e não erre o caminho que leva a Ti. Faze que eu Te ame com amor eterno, e que não ame outra coisa além de Ti, senão por causa de Ti e em Ti, ó Amor infinito. E o que mais falarei? Aqui estou, sou Teu, eternamente Teu. Renuncio ao céu e à Terra para ter-te a Ti. Leva-me a ti quando quiseres, ó Senhor, meu Deus; eis que estou pronto; chama-me quando e onde e como quiseres. Irei onde me mandares e farei o que ordenares. O Teu Bom espírito me governe e guie por entre as cidades do mundo como em terra plana e limpa e a Tua misericórdia me acompanhe em toda a minha peregrinação e através desta escuridão do mundo me leve até a Luz Eterna.”

É “O Labirinto do Mundo” a grande obra mística de Comenius. Mas é, também, o ponto de partida de sua pedagogia, igualmente mística. Na educação comeniana, a união com Deus é alvo para ser atingido, porque do contrário, o que se aprende, segundo Comenius, não passa de vã jornada, um exercício de mera vaidade. [Texto de Sergio Carlos Covello]

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A JORNADA DO PENSAMENTO À AÇÃO


Afirma-se que existem três tipos de pessoas:

ð as que perguntam o que está acontecendo;
ð as que perguntam de que modo está acontecendo, e;
ð as que fazem as coisas acontecer.


Os dois primeiros tipos são o mesmo no sentido de que essas pessoas têm pouquíssima consciência da vida – apenas fazem perguntas, não indo além disso. São curiosas, mas não agem, e ficam surpresas de como as coisas acontecem, porém param aí. Estão bem mais interessadas no nível material de vida, e por isso são limitadas em seus pensamentos.

As pessoas do terceiro tipo - as que ‘fazem’ as coisas acontecer – são mais interessadas. Saíram do nível da simples curiosidade, e buscam. Sabem como ‘perguntar’ e ‘responder’ e manifestar os resultados conforme seu nível de evolução.

Entre aquelas que fazem as coisas acontecer existem duas categorias:
ð a positiva,e;
ð a negativa.

A negativa orienta sua técnica no sentido de seus objetivos egoístas e ambiciosos. As pessoas da outra categoria, que se orientam no sentido do aspecto ‘positivo da vida’, conhecem a lei de causa e efeito e usam seu conhecimento em benefício da humanidade. São chamadas de ‘amigos do ser humano’ e ‘homens e mulheres de boa-vontade’. Ambos os grupos servem-se da mesma lei – o primeiro negativamente e o segundo positivamente. Uma vez que a lei é impessoal, opera em ambos os sentidos. Mas uma é duradoura e eterna, a outra, passageira e efêmera.

Para que façamos as coisas acontecer – para ‘criarmos’ – devemos seguir certos dispositivos da lei com diligência e fidelidade. Para fazermos uso da capacidade criativa, devemos explorar totalmente os poderes do pensamento.

Que é o pensamento? O pensamento é uma força, uma vibração, como a luz, o calor, o som, etc., embora sem qualquer manifestação física definida. Na vida nada se produz sem antes ter sido um pensamento. Como diriam os cabalistas “sof ma’aseh be-ma’hashava tefilla”, que significa: “ A concretização duma ação ou criação ocorre primeiro no pensamento”.

Mesmo o “primeiro ato da criação” do “verbo” foi antes formado no pensamento. Podemos dizer que ‘no princípio era o pensamento’. O pensamento vibra no invisível, forma a imagem do verbo [a ação], e a manifesta, criando-a.

Por conseguinte, o pensamento é sempre criativo. Quando imanifesto, existe ainda no reino invisível do ser, em estado potencial, até o momento de manifestar-se. Se não manifesto imediatamente, talvez não seja o momento correto, o local correto, ou a pessoa correta, para sua manifestação.

O pensamento raramente é pessoal, e quando o inconsciente o mostra, mesmo quando não nos apercebemos, retém sua influência até que chegue a época de sua ativação.

Apesar de sua imaterialidade, o pensamento possui realidade mais duradoura que as manifestações materiais, tangíveis. Por exemplo, consideremos o arquiteto que deseja construir uma casa. Para que possa torná-la uma realidade, deve primeiro usar seu pensamento para projetar a forma exata que ele tem em mente. Só depois que a imagem está clara, precisa e completa nos mínimos detalhes pode ele começar a manifestá-la com material e forma. Por isso, uma casa completada é o resultado dum pensamento. Como diria o Mestre Budista, “O homem é o resultado do seu pensamento”.

De acordo com as teorias místicas, quando um ser humano emite um pensamento, ele cria uma “entidade”, e, conforme a intensidade de sua ação cerebral, essa criatura espiritual terá uma vida longa e duradoura.

Possuímos pensamentos positivos e negativos conforme nosso grau de percepção. Entidades da mesma natureza agrupam-se pela lei de atração e criam assim pensamento focalizados num único objetivo. A sabedoria sufi descreve isso como:”Almas que se reconhecem agrupam-se; as que não se reconhecem, brigam entre si”.

O USO DO PENSAMENTO

Os pensamentos que nutrimos são forças vivas presentes na aura ao nosso redor, como passarinhos que voam em busca dum solo fértil, para que se manifestem e despertem à ação enquanto haja uma entidade consciente ou inconsciente que os conduza ao plano da realidade.

De acordo com nossa evolução, em qualquer sentido que empreguemos nosso pensamento, positiva ou negativamente, a mesma lei está em operação. Vemos aqui a impessoalidade do pensamento. Dispomos da liberdade de escolha e agimos conforme a mesma, empregando conscientemente o processo do pensamento de modo a criar a realidade.

Como estudantes de misticismo, orientados pelo aforismo “Conhece-te a ti mesmo”, escolhemos o aspecto positivo da ação, ao mesmo tempo em que não negamos a existência do aspecto negativo com que nos defrontamos. Nossa escolha é o resultado de experiência e experimentos; esse é um conhecimento genuíno, baseado em percepções sólidas e firmes.

Para que compreendamos o uso correto do pensamento, usemos da analogia da semente plantada na terra. A técnica é a mesma. Quando plantamos uma semente, devemos cuidar dela de muitos modos: mantendo-a com atenção concentrada, molhando-a, limpando a área ao redor e nutrindo-a para que frutifique.

O mesmo é verdade com relação ao pensamento. A intensidade da focalização do pensamento específico, a manutenção de sua imagem em nosso interior, a compreensão do potencial criativo do seu emprego, o propósito e a atenção consciente a ele dedicados e a intenção de usá-lo em benefício de todos, permite-lhe transformar-se em realidade consciente. É assim que a jornada do pensamento à ação é concretizada. Uma vez alcançado o seu domínio, podemos prosseguir na criação de inúmeros projetos que visem ao serviço de outrem, cumprindo assim nossa missão nesta encarnação.

Pelo uso da técnica acima, que visa ao nosso bem-estar e saúde, podemos substituir os remédios, pois a origem da doença encontra-se no pensamento da pessoa, seja esse consciente ou inconsciente. Basta que dirijamos nosso pensamento, de modo tranqüilo e relaxado, à região da doença, pois sabemos que as células possuem sua própria consciência, que absorve e sofre influência do pensamento. Ao nutrirmos a imagem mental de harmonia e bem-estar em todo o organismo, ao sentirmos a luz criativa que circunda o corpo, e pela perseverança e boa-fé, oportunamente ficaremos surpresos e maravilhados com os resultados da operação dessa magnífica lei. Para aqueles que têm a experiência, isso é um fato e os resultados são surpreendentes. Aqui a dúvida é uma inimiga,e, apesar de todos os aspectos negativos, devemos ter confiança durante a aplicação dessa lei.

O PENSAMENTO COMO PODER CURATIVO
No processo de cura, a força do pensamento opera por auto-sugestão. O inconsciente acata a sugestão com muita facilidade, e passa a agir de acordo com a mesma. Se não interferirmos, a conseqüência será o estado que chamamos de ‘harmonium’. Essa lei, naturalmente, pode ser eficaz tanto nas doenças físicas como nas doenças mentais. Em suma, para empregarmos corretamente nossos pensamentos, devemos aprender a controlá-los pacientemente, isto é, termos consciência plena das opções. A utilização dos pensamentos positivos, naturalmente, contribui para o sucesso e, assim, abrevia o tempo entre o pensamento e a ação. Pela experiência, confiança e certo modo de agir e pensar, esse caminho é abreviado e temos a sensação de transcendermos o tempo e o espaço como resultado do foco do trabalho. Isso só ocorrerá se cultivarmos conscientemente o jardim de nossos pensamentos, com um nobre propósito de sermos felizes e úteis para a humanidade e nós mesmos.

Enfatizamos isso com o propósito de voltarmos nossa atenção para isto: assim como os pensamentos são usados e exercem sua influência no nível do consciente, assim também são usados e exercem sua influência no estado inconsciente. Nisso reside a diferença entre viver conscientemente e viver automaticamente.

Para fazermos as coisas acontecer, ou para apenas perguntarmos o porquê e o como... somos nós que devemos fazer a escolha.

Esse é só um dos muitos aspectos da prática do conhecido adágio “Conhece-te a ti mesmo”. A aplicação das leis aqui mencionadas acarreta resultados benéficos a todos os envolvidos. A experiência, a perseverança e o silêncio provarão que esse é um empreendimento de muito sucesso, cujo resultado é tornar-se um ser ativo na fase da evolução humana e individual.

Outro ‘truque’ para o sucesso e a autotransformação é que os pensamentos devem ser dirigidos e orientados ao benefício de toda a humanidade. Os obreiros da luz devem possuir uma atitude perspicaz e sincera, e plena fé, sem nenhuma dúvida, na operação da lei, e, acima de tudo, nutrir um amor autêntico pela humanidade e pelo ‘outro’ – nosso próximo – para que se tornem verdadeiros amigos e elevem a condição do homem.

Por isso, meu amigo, não faça vista grossa às situações óbvias. Não se deixe enganar pelas aparências. Esteja consciente e alerta, calmo em meio ao tumulto. Fique silente e conheça o poder do Supremo Criador, Que está em nosso ser e Que instilou em nós, e em nossa consciência, o poder do pensamento para que, por nossa vez, possamos criar uma civilização construtiva que cumpra a grande finalidade da existência e traga o bem a toda a criação.

O pensamento foi conferido a você para que dele se servisse. A tarefa é sua, amigo. Trabalhe sem visar ao lucro pessoal, coloque a lei em prática diligentemente por algum tempo, que você terá uma grande surpresa.

Os pensamentos que se seguem são de fontes cabalísticas e sufis. Medite sobre eles na intimidade do santuário de seu coração:

“O dia é breve, e o trabalho é grande, e os obreiros são morosos, e a recompensa é muita, e o mestre é urgente.” Pirke Avoth, 2.20

“Tudo foi antevisto, mas recebeu-se a liberdade de escolha; pois o mundo é julgado pela graça, e tudo é conforme a quantia de trabalho.” – Pirke Avoth, 3.19

“Minha existência se faz através de você, e seu aparecimento se faz através de mim; mas se eu não tivesse aparecido, você não teria sido”. – Ibn-Arabi-1240 d.C.

“Eu era um tesouro oculto, e ansiava por ser conhecido. Assim, criei o mundo para que eu pudesse ser conhecido.” – Ibn-Arabi.
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[Texto de Samuel Avital]

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

TEILHARD DE CHARDIN _ Cientista e Místico


Pierre Teilhard de Chardin[1881-1955], o geólogo, paleontólogo, filósofo e teólogo mundialmente famoso foi um dos pensadores místicos mais originais do século XX. Ele nasceu em Sarcenat, no Sul da França, o quarto dentre os onze filhos duma família abastada. Ingressou na Ordem Jesuíta aos dezoito anos e, devido ao eterno fascínio que tinha por rochas, combinou o estudo de teologia com a paixão por geologia. Após completar seus estudos, que foram entremeados de inúmeras viagens a sítios arqueológicos, ordenou-se sacerdote em 1912. Depois de servir como padioleiro na Primeira Guerra Mundial [recebendo a Legião de Honra por sua coragem], completou os estudos do doutorado em Geologia.
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Em 1923, Teilhard fez a primeira de suas muitas expedições paleontológicas à China. Ele esteve envolvido na famosa descoberta do crânio do homem de Pequim, e ampliou muito o nosso conhecimento das culturas paleolíticas da China. Durante esse período, o treinamento científico e sua perspicácia mística dos processos de evolução combinaram-se para produzir sua obra magna. “ O Fenômeno do Homem”, em que ele revela uma nova ‘hiperfísica’, que faz a ligação entre a evolução física e a evolução espiritual.

O estudo que fez da evolução convencera-o de que inerente ao processo havia um mecanismo destinado a intensificar e captar a energia psíquica do universo. Em seu livro, afirma que a evolução ‘não’ é um processo ‘físico aleatório’ decorrente dum grande número de probabilidades, mas ao contrário, um processo ‘físico’ intencional que está convergindo para uma eventual apoteose cósmica. A meta da evolução, conforme Teilhard, é gerar formas de consciência cada vez mais complexas que acabarão convergindo a um “Ponto Ômega” que as fundirá e as consumirá dentro de si. O Ponto Ômega representa a unidade para a qual todos os níveis de existência convergem através do desígnio de “um Centro distinto que se irradia do centro de um sistema de centros”. A consciência humana é vista como “gravitando em direção dum foco mental divino que a atrai para a frente... Assim algo no cosmos foge cada vez mais à entropia”.

EVOLUÇÃO CÓSMICA
No conceito de Teilhard sobre a evolução cósmica não nos defrontamos simplesmente com a mudança nomundo, mas com a “gênese”, que é algo bem diferente. Desse ponto em diante, afirma ele, o processo evolutivo continua seu desenvolvimento não tanto na esfera da vida, a “biosfera”, mas na esfera da mente e do espírito, a “noosfera” ou “camada do pensamento”, que, desde sua germinação no Período Terciário, espalhou-se pelo mundo e acima deste. A humanidade, continua ele, está agora no período “psicozóico”. Para seres extraterrestres “capazes de analisar radiações siderais psiquicamente, do mesmo modo que fisicamente, a primeira característica do nosso planeta não seria o azul do céu nem o verde das florestas, mas a fosforecência do pensamento”.

De acordo com Teilhard, a evolução a esse ponto é essencialmente uma ascensão até ao homem e à consciência reflexiva. A formação da “noosfera” continua esse avanço em direção do Ômega, a manifestação derradeira da tendência que a Mente Divina tem de absorver consciência Nela Mesma. Mas, alerta Teilhard, esse processo de evolução cósmica não é determinista. A elevação da consciência também cria a liberdade de escolher-se a convergência ou a divergência do fluxo de energia psíquica que se move rumo ao Ômega.

O PODER DO AMOR
Para Teilhard, o amor é a única forma de energia psíquica capaz de conduzir a humanidade à convergência com a Consciência Suprema. Só o amor une os seres humanos de modo a completá-los, pois só o amor os une àquilo que há de mais profundo neles mesmo. Portanto, para que o homem continue a evoluir em direção daquela unidade psíquica que é o destino supremo, o poder do amor deve desenvolver-se gradualmente até abranger toda a humanidade.

Uma objeção comum a essa idéia é a de que a capacidade humana de amar não ultrapassa a esfera de uns poucos preferidos, de que o amor é contraditório, uma atitude falsa que acaba levando a não amar-se a ninguém. “A isto eu responderia”, replica Teilhard, “que se, conforme alegam, é impossível um amor universal, de que modo podemos explicar aquele instinto irresistível de nosso coração que nos leva à harmonia sempre e em qualquer sentido que nossas paixões sejam despertadas? Uma apreensão do universo, um sentimento do ‘todo’...parece uma expectativa de uma Grande Presença. O amor universal não é apenas psicologicamente possível: é o único, completo e derradeiro modo pelo qual somos capazes de amar.”

O amor, afirma Teilhard, é portanto a chave de toda a natureza cósmica; é a energia fundamental que unifica o universo. Num universo que passa pela evolução espiritual, a lei suprema da moralidade é que o mal consiste numa limitação dessa energia do amor.”O amor, em todas as suas sutilezas, não é nada mais e nada menos que...o sinal impresso diretamente no coração do ser pela convergência psíquica que faz o universo em sua própria direção.”

Quanto Teilhard fala da “maturação planetária da humanidade”, denota o crescimento psíquico resultante da pressão que a aglomeração do homem exerce sobre a face da Terra. O que o pessimista entende como uma crescente tensão internacional e uma aproximação do apocalipse, Teilhard vê como a necessária crise de crescimento na evolução da humanidade. As experiências por que estamos passando, sem que disso tenhamos consciência, é na realidade o começo duma nova fase de “noogênese”, a fase de contração em que os homens ascendem em espirais a um único grupo de pensamento homogêneo, em que eles tanto transcender-se-ão a si mesmo como requererão uma nova designação. A interdependência física é o primeiro passo necessário à interpenetração psíquica.

Pela tecnologia somos impelidos a uma organização exterior mais complexa da humanidade, uma espécie de “mega-síntese”, ao mesmo tempo em que produzimos uma intensificação correlata da temperatura psíquica da noosfera. “Não estaremos porventura vivenciando os primeiros sintomas duma agregação de ordem ainda mais elevada, o nascimento de algum centro único decorrente dos raios convergentes de milhões de centros elementares dispersos sobre a superfície da terra pensante?”

A asseveração de Teilhard ao homem moderno consiste em apontar para o padrão que ele revelou através de sua física de evolução generalizada. Tempo, espaço, mente e matéria, só são aterradores se considerados aleatórios e cegos; tornam-se compreensíveis tão logo surge um movimento definido que demonstra serem parte dum todo que se desenvolve. “O homem não é o centro do universo, como pensávamos em nossa simplicidade, mas algo muito mais maravilhoso - a flecha que aponta o caminho da unificação final do mundo em termos de vida.” Toda a ascensão rumo à vida, da vida em direção do espírito e do espírito rumo ao Ômega, todo esse movimento não se deve a algum impulso mecânico irracional que parte de baixo, mas a uma atração que parte do alto. É, de acordo com Teilhard, uma forma de gravitação inversa.

Para Teilhard portanto, a explicação final de evolução é que o universo está convergindo a um centro cósmico preexistente. A Mente Divina, então, deve encontrar-se tanto no começo como no fim do universo, bem como interpenetrada em tudo o que existe entre os dois extremos. Mas cada homem deve ainda exercer sua liberdade de harmonizar-se com a Mente Divina. “O amor universal só vivificaria e separaria finalmente uma fração da noosfera para consumá-la – a parte que decidisse ‘cruzar o umbral’, para sair de si mesma e penetrar na outra parte.”

Em última instância, portanto, o fim do mundo não ocorrerá através de algum cataclismo no plano físico, mas através de dum paroxismo de júbilo no reino psíquico. No fim, conclui Teilhard, o SER engolfará os seres. Em meio a um oceano acalmado, em que toda gota de consciência terá tanto percepção de si como do Outro Infinito, a extraordinária aventura do mundo terá chegado ao seu clímax. O sonho de todos os místicos ter-se-á tornado uma suprema realidade.
[Texto de Joseph Parko]
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domingo, 31 de janeiro de 2010

VAMOS NOS DIVERTIR COM AS DIFICULDADES


Quem foi derrotado na luta pela sobrevivência tende a guardar rancor contra os outros, achando que foi vencido pelos concorrentes. Mas, na verdade, não foi vencido por ninguém.


A VIDA de cada um de nós é regida por uma LEI rigorosa, a qual sentencia que “somente aquele que está em maior concordância com a LEI da manifestação da VIDA consegue se desenvolver melhor”. Aqueles que culpam os concorrentes são pessoas de ânimo fraco, que precisam ser estimuladas a agir, pois, caso contrário, permanecem apáticas e nada fazem para progredir, podendo até regredir; na melhor das hipóteses conseguem dar um jeito de manter-se na situação atual. Justamente para estimular tais pessoas, surgem na vida delas concorrentes, dificuldades e até infortúnios. As vicissitudes fazem parte do processo de desintegração das ilusões, sendo, portanto, necessárias para o crescimento da alma. Pelo fato de surgirem estímulos e questões que exigem reflexão, as pessoas tem oportunidade de fazer um exame de consciência, purificar a alma, acumular experiências e obter crescimento espiritual.
[Fonte: A Verdade da Vida, Vol.I]
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É portanto, interessante, aprendermos a nos divertir com as dificuldades, assim como as ondas do mar brincam com os rochedos. Vamos subir alegremente pelas encostas das dificuldades, assim como os macacos sobem alegremente pelos troncos das árvores. Ninguém aplaude um malabarista quando ele está simplesmente andando pela rua. A flor do abrunheiro é muito admirada e apreciada porque desabrocha em pleno inverno.

Claro que, não estamos dizendo para suportamos todas as dificuldades. Devemos sim, nos divertirmos com elas. Esta vida se torna alegre e radiosa quando transformamos as dificuldades em diversão.

As dificuldades e os obstáculos são instrumentos esportivos que a VIDA utiliza para se divertir e se exercitar. Vocês acham que esquiar é um trabalho árduo? Que praticar alpinismo é uma infelicidade? Que jogar golfe é um sofrimento? Que praticar natação é uma coisa trágica? Claro que não! Quando transformamos as dificuldades em diversão, a nossa VIDA se torna alegre e radiosa, e sentimo-nos repletos de uma vigorosa e infinita força vital.[Fonte: A Verdade da Vida, Vol 7]

NÃO PENSE EM FUGIR DOS PROBLEMAS
O verdadeiro êxito não está na obtenção de riqueza nem na prosperidade dos negócios. O verdadeiro êxito está no aperfeiçoamento do caráter. Em termos de metapsíquica, ele está na elevação do espírito. Lucrar ou perder nos negócios, obter sucesso ou sofrer fracasso nos empreendimentos etc., não passam de “jogos recreativos” que são praticados no curso da vida. Vencendo ou perdendo, estaremos apenas praticando um “esporte recreativo”. Contudo, por meio desses “jogos recreativos” vamos formando a personalidade, aperfeiçoando o caráter e elevando o espírito. Os lucros provenientes dos negócios, a fortuna acumulada, os empreendimentos realizados, nada disso constitui uma conquista no verdadeiro sentido. A verdadeira conquista é aquela que se pode levar após a morte do corpo. A elevação espiritual, a firmeza ou a perfeição do caráter – essas são as únicas e verdadeiras conquistas.

Não devemos pensar em fugir do ambiente ou da situação em que estamos. Os diversos acontecimentos que surgem em nosso ambiente são como disciplinas escolares destinadas a forjar nosso caráter, aprimorar nossa personalidade e elevar nossa alma. Aquele que busca a comodidade fugindo dessas disciplinas nunca conseguirá aprimorar a sua personalidade, forjar seu caráter e elevar a sua alma. Somente quando enfrentarmos o ambiente e a situação e os vencemos é que podemos fortalecer nosso caráter e elevar nossa alma. Isso não significa, absolutamente, o culto ao sofrimento. Devemos nos tornar pessoas capazes de dominar tanto o “difícil” como o “fácil”.

Alguns pensam que esta vida seja uma sucessão de infelicidades e sofrimentos, mas isso não é verdade. Quando a pessoa procura evitar as experiências que lhe foram destinadas para aprimorar a alma, essas experiências passam a parecer sofrimentos ou infelicidades. Mas, quando ela toma a postura de enfrentar as dificuldades, estas se transformam em matérias agradáveis de estudar e lhe permitem passar para outro curso de nível mais elevado. A cada experiência, a alma aprende algo e vibra com a conquista, do mesmo modo que o pescador vibra de alegria quando fisga um peixe. Não devemos nos lamentar dizendo que os caminhos da vida são íngremes. Dependendo da atitude mental com que encaramos a jornada da vida, esta poderá se tornar tão agradável e alegre como uma caminhada num campo florido ou como a prática de esqui.

O caráter [disco ou filme de vibrações mentais] de uma pessoa constitui a causa, e os acontecimentos ou a situação ao seu redor são reflexos de seu caráter. O caráter é a causa, e as circunstâncias são a conseqüência. Não haverá engano se pensarmos que as circunstancias que nos cercam são aspectos do nosso caráter refletidos no espelho. Se o ambiente em que você vive não lhe agrada, pense: “Ah, é o meu caráter que está refletido no espelho” e procure mudar o seu caráter. Em vez de detestar a imagem repugnante refletida no espelho, é melhor corrigir as falhas de seu caráter. Por exemplo, se o ambiente é hostil, reconheça que você tem um caráter agressivo, irritadiço e intolerante, e procure tornar-se generoso.

Mesmo que troquemos o espelho em que aparece refletida a nossa imagem imperfeita pensando que o defeito seja do espelho, a imagem refletida no novo espelho continuará sendo a mesma. E, se destruirmos o espelho julgando que ele é o culpado, a imagem imperfeita continuará refletida nos cacos do espelho. Chegamos então à conclusão de que não há outro meio para melhorar a imagem refletida senão melhorando a nós próprios. Afinal, tanto o ambiente como as circunstâncias são “disciplinas” para mostrar as nossa falhas. Por isso, não devemos fugir deles. Melhorando nosso caráter, conseguiremos prosperidade nos negócios e êxito nos empreendimentos, bem como seremos benquistos e respeitados.

Cultivando o bom caráter, colheremos bons frutos no ambiente em que vivemos. [Fonte: A verdade da Vida, vol. 38_ Do livro Você é Dono de Potencialidade –Compilação: Kamino Kusumoto, pp.98-100].

CONFIEMOS NA ORIENTAÇÃO DO CÓSMICO [DEUS]
Para ter um futuro feliz, é preciso abandonar a atitude mental de lamentar o passado e o sentimento de autocomiseração. Devemos ver no insucesso do passado um ensinamento do Cósmico [DEUS]. Com efeito, após sofrer a derrota na guerra, compreendemos que o Cósmico mostrou a importância da PAZ. Se, após sofrer um fracasso, queremos alcançar a felicidade, é essencial perdoar a pessoa que aparentemente causou nosso fracasso. Devemos saber que ela não é alguém que nos causa danos, e sim um ‘preparador’ enviado pelo Cósmico para corrigir o rumo errado que estávamos tomando. Se ainda existir resquícios dos erros do passado, devemos repará-los. No caso de erros que já não podemos reparar em contato direto com a pessoa envolvida, devemos repará-los de outra forma, atuando em outra direção. Por exemplo, se alguma vez causamos sofrimento aos outros em decorrência de um erro nosso, devemos reparar esse erro salvando as pessoas que estão sofrendo por causa de um erro que alguém cometeu. E devemos fazer isso agradecendo ao Cósmico. Devemos agradecer ao Cósmico pelo fato de nos orientar sempre, mesmo quando parece que estamos perdidos por causa de nossos próprios erros.

Quando você receber uma orientação do Cósmico, não a retenha apenas para si próprio. Passar a orientação divina para o próximo é o meio de agradecer ao Cósmico.

O que você deve fazer para passar para o próximo a orientação que recebeu do Cósmico? Questões que requerem orientação do Cósmico variam de pessoa para pessoa. Por isso, de nada adianta passar adiante a orientação exatamente da mesma maneira que você recebeu. O meio correto de passar para o próximo a orientação recebida consiste no seguinte: Quando for procurado por alguém que busca orientação, você deve meditar e direcionar as vibrações construtivas e curativas do Cósmico, par que a orientação divina lhe seja dada e lhe proporcione felicidade e entendimento. Existem muitos casos de pessoas que afirmam ter percebido claramente o próprio caminho justamente após passar cerca de algum tempo em meditação com espírito abnegado e receptivo à orientação do Cósmico, para os outros, em vez de buscá-la para si mesmas.

Mesmo que você esteja desfrutando a felicidade proporcionada pelo Cósmico, deve ter a docilidade mental de abrir mão dessa felicidade quando lhe for orientado pelo Cósmico. Se a sua felicidade foi realmente proporcionada pelo Cósmico,retornará sempre, por mais que você abra mão dela. Assim é o ‘desenrolar’ da virtude do desprendimento, que é uma das quatro virtudes infinitas [misericórdia, compaixão, jubilo e desprendimento] preconizadas pelo budismo. Seja qual for a felicidade que você desfruta agora, não se apegue a ela. Assim, desaparecerá a falsa felicidade que você desfrutava por engano e surgirá em seguida a verdadeira felicidade. Reflita com sinceridade: “Deus, seja feita a Vossa Vontade. Orientai-me conforme a Vossa Vontade”. Essa é a reflexão que expressa a virtude do desprendimento. È a reflexão em que a pessoa mostra a disposição de confiar totalmente no Cósmico, eliminando por completo o egoísmo e os interesses pessoais. Refletindo desse modo, do fundo do coração, você se harmonizará verdadeiramente com a vontade do Cósmico e adquirirá a perfeita PAZ ESPIRITUAL. Somente o que vem com reflexo da verdadeira harmonia e verdadeira paz de espírito é a felicidade autentica proporcionada pelo Cósmico. Neste momento, lembrei-me do seguinte verso sagrado, que fale de Deus:
“Reconhece-O em todos os teus caminhos, e ELE endireitará as tuas veredas.” [Provérbio 3.6] [Texto do livro Köfuku Seikatsuron, ainda não traduzido em português/; prov.:Teoria Sobre a Vida Feliz., pp. 100-102.]

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Vida Vívida
"Quem disse que sou um covarde
Sucumbindo ante as dificuldades?
Quem disse que sou corpo feito de alimentos?
A Vida não é figura de cera, não é figura de gesso.
Eu sou ciclone, sou furacão, sou redemoinho.
Eu transformo o ambiente, como se dobrasse um arame,
No aspecto que eu desejo.
Eu sou uno com a poderosa força
Que criou o Universo.
Eu sou a própria energia
Que da atmosfera faz o relâmpago,
Que transforma os raios solares em arco-íris,
Que faz eclodir do negro solo as rubras flores,
Que faz explodir os vulcões.
E que criou o sistema solar a partir da nebulosa.
Que é ambiente?
Que é destino?
Na hora exata, quando eu quiser,
Eu me liberto do mais triste destino
Como o peixe que se esgueira pelas fendas.
Não sou ferro,
Não sou argila,
Sou Vida.
Sou energia viva.
Não sou matéria inerte
Moldado pela situação
Ou pelo destino.
Eu sou como o ar:
Quanto mais comprimido for,
Mais força manifesto.
Tal como a bomba explode a rocha.
Eu sou Vida que,
No momento certo,
Rompe impetuosamente a situação ou destino.
Sou também como a água.
Nenhuma barreira poderá represar-me.
Se barrarem a minha passagem
Colocando grandes pedras no meu leito,
Converter-me-ei em torrente, cachoeira,
E saltarei impetuosamente.
Se me fecharem todas as saídas,
Eu me infiltrarei no subsolo.
Permanecerei oculto por algum tempo,
Mas não tardarei a reaparecer.
Em breve estarei jorrando
Através de fontes cristalinas
Para saciar deliciosamente a sede dos transeuntes.
Se me impedirem também de penetrar no subsolo
Eu me transformarei em vapor,
Formarei nuvens e cobrirei o céu.
E, chegando a hora,
Atrairei furacão, provocarei relâmpagos e trovões,
Desabarei torrencialmente, inundarei e romperei
Quaisquer diques e serei finalmente um grande oceano."

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Masaharu Taniguchi