quarta-feira, 21 de julho de 2010

A Rosa _ Símbolo de Psicologia Espiritual?


Durante muitas décadas, pode-se dizer que de modo geral psicologia e espiritualidade foram vistas como antinômicas. Jung, porém, colocou em evidencia a importância da dimensão espiritual como fator de evolução do ser humano, que é um ser em ‘devenir’, com real capacidade de transformação. Mas reconheçamos que na França Jung foi pouco compreendido que a maior parte dos ensinamentos da psicologia nas universidades francesas permanece fortemente marcada pelo pensamento materialista, o que, aliás, vai inteiramente contra o fenômeno da retomada de interesse pela espiritualidade; fenômeno com que nos encontramos e que deveria cumprir seu papel de pôr a questão em evidência em muitos campos.

Falar de psicologia espiritual é ter em conta, de modo global, a dimensão espiritual do ser no quadro da abordagem psicológica. Portanto, não se trata apenas de se interessar pela primeira infância, a infância, a esfera psico-afetiva ou a esfera profissional de um indivíduo, mas também de se ter em conta a esfera espiritual ou o despertar espiritual, com as qualidades psíquicas relacionadas, como por exemplo, a intuição, e com toda a simbologia que expressa, através dos sonhos, do corpo físico [simbologia corporal], do corpo psíquico [psico-energético], certos eventos interiores e certas enfermidades significativas. É também ter em conta os elementos da sombra em nós, isto é, os elementos negativos de nosso EU, os elementos que representam um problema e que devem ser reconhecidos e canalizados, para serem depois transmutados - é o caso da agressividade ou da passividade que devem ser reconhecidos como tal conscientemente. Posto que devem ser transmutados ao longo dos anos em uma energia positiva disponível para outra coisa. E é também integrar os fenômenos que fogem ao ordinário e que levantam questionamentos, como as experiências PES, as visões místicas, a sincronicidade, a memória de vidas anteriores, etc. – tudo isto faz parte da alquimia interior.

Como disse o Dr. JACQUES Vigne, “o que diferencia a psicologia espiritual é a experimentação pessoal: as observações são feitas mergulhando-se na própria psique, coisa que os sábios vêm praticando há milhares de anos, graças à meditação e a outras técnicas de expansão da consciência. Para eles, cada ser humano é seu próprio laboratório para explorar seus próprios estados interiores. Isto não é uma questão de crença ou de fé, é uma questão de experiência...”

Para nós ocidentais, não se trata de rejeitar, digamos assim, a psicologia clássica, convencional, que desenvolveu bastante o aspecto analítico, mas de inscrevê-la numa perspectiva espiritual que desenvolva o aspecto mais intuitivo e metafórico. Em outras palavras, trata-se de conciliar em nós o analítico e o intuitivo.

Freud, em sua obra, trabalhou bastante na estruturação do Ego, insistindo no papel da primeira infância, da infância, etc. Jung, por outro lado, aprofundou suas pesquisas na evolução do Ego rumo ao Eu. Em alquimia mental e em psicologia espiritual, sabemos que é essencial que haja um Ego bem estruturado – de onde a importância da infância e da adolescência – e sabemos também que a partir desse Ego bem estruturado pode se dar uma evolução de boa qualidade rumo ao Eu.

Os místicos aspiram à realização desse Eu, e a psicologia espiritual se interessa muito particularmente por esse campo. O Eu é o que há de mais elevado em nós e representa na verdade a ‘Imago Dei’ que todo ser humano possui em seu intimo, o reino de Deus dentro de nós. Como constatou o psiquiatra Adler, do ponto de vista psicológico o Eu pode ser considerado como a experiência de Deus em nós, de certo modo o Deus do nosso coração. Ele constitui o que podemos chamar de a mais alta intensidade de vida.

E é através da ampliação progressiva do campo da consciência que nosso Ego pode tender ao Eu cósmico, sendo a experiência última a reintegração da alma no Uno. E é essa ampliação que os rosacruzes realizam, aprendendo a desenvolver em si mesmos a consciência cósmica.

Abordaremos neste artigo três pontos simbólicos concernentes à rosa, de um ponto de vista psico-espiritual.

I – A Rosa como Símbolo do Desejo Espiritual de Realização do Eu
A jornada interior pode ser simbolizada pelo desabrochar da rosa na cruz. A rosa é considerada como um dos símbolos desse processo de mudança, dessa transmutação alquímica, mas outros símbolos, como o diamante, a flor de lótus, a criança interior, a esfera dourada, a luz branca, são também exemplos de símbolos do Eu. Podemos encontrá-lo nos sonhos espirituais, nos grandes mitos da humanidade, em alguns contos infantis tradicionais, como também nos manuscritos alquímicos ou ainda, por exemplo, nas cartas do Tarô iniciático.

Alertamos, porém, que não é suficiente sonhar com símbolos maravilhosos para que se seja um Realizado: os símbolos do Eu, as situações arquetípicas, devem ser consideradas sobretudo como um encorajamento e uma expressão do desejo de ir mais longe; não é o fim do processo, mas na verdade um novo começo para uma nova volta da espiral.

Do mesmo modo, podemos dizer que uma experiência de despertar, como uma visão mística, não é O Despertar. É simplesmente uma experiência de despertar, um encorajamento para a senda ou uma arrancada na evolução. A rosa em seu desabrochar, com suas diferentes pétalas, pode então traduzir esse desejo, mostrando que novas tarefas devem ser empreendidas.

II – A Rosa Como Símbolo do “Saber Dar” e do “Saber Receber”
A rosa pode ser apreendida como um magnífico símbolo de harmonização entre o ‘saber dar’ e o ‘saber receber’. Um bom numero de escritores já insistiu nessa necessidade de equilibrar em nós o saber dar e o saber receber, e entre esses podemos citar Jung, Maslow, Stanilas Grof, Annick de Sounzenelle, entre outros. Esse equilíbrio resulta de um movimento harmonioso, de uma aliança entre esses dois componentes, movimento que constitui uma dinâmica entre o exterior e o interior de nós mesmos. Em nossa vida cotidiana, não façamos a partilha do ‘saber dar’ e do ‘saber receber’. Por exemplo, não há uma hora de ‘saber dar’ seguida de uma hora de ‘saber receber’.

Nossa psique é constituída de uma energia masculina e uma feminina. A energia masculina representa nossa capacidade de ação no mundo físico: pensar, falar, mover-se, etc. Para o homem, como para a mulher, é a energia masculina que permite o agir; é a emissividade, a função emissa, e o ‘saber dar’ participa deste processo de emissividade.

A energia feminina representa nossa porção mas intuitiva, essa porção interior que pode se abri à inteligência suprema do universo. Para o homem, como para a mulher, é a receptividade, a função receptiva, e o ‘saber receber’ participa deste processo de receptividade.

De um modo esquemático, podemos dizer que o processo criativo traduz-se assim: o aspecto feminino recebe a energia criadora universal e o aspecto masculino a exprime no mundo pela ação; isto é parte da nossa alquimia mental e espiritual.

Se tomarmos o símbolos da rosa, poderemos nos dar conta de que este símbolo possui um núcleo central de onde emanam as pétalas. Ania Teillard, psicóloga, observou que tudo se passa como se neste símbolo da rosa houvesse, ao mesmo tempo, uma reunião em torno do ponto central e uma irradiação estelar emanando do centro:

- Por um lado, as energias vindas do exterior, que passam pelas diferentes pétalas e que são reunidas no centro da rosa, representam de certo modo nosso ‘saber receber’ – do exterior para o interior, o fenômeno da interiorização.

- Por outro lado, as energias que partem do interior, do centro da rosa, e se difundem através das pétalas irradiando-se para o exterior, representam de certo modo nosso ‘saber dar’ – do interior para o exterior, o fenômeno da exteriorização.

Tudo isso representa simultaneamente a concentração interior e a união com o mundo exterior. A mesma coisa participa também do processo de evolução individual e coletivo. Temos necessidade de ambos: do ‘saber receber’ e do ‘saber dar’. Talvez seja útil recordar em que consistem esses dois conceitos.

1_O ‘Saber Receber’
Nem todo mundo sabe receber ou estar em receptividade. Sylvie Galland e Jacques Salomé, psicoterapeutas, dizem que “reagimos como doentes do receber e, numa relação de longa ou de curta duração, muitas são as situações em que temos receio de receber.”

Receber presentes, palavras agradáveis, elogios, sinais de amor – pode parecer incrível, mas há muitas pessoas que não suportam essas atenções. Os autores citados acima colocaram a seguinte questão: a visão que temos de nós mesmos é tão severa, tão exigente, que não podemos aceitar o reconhecimento daquilo que é?

Mas receber é também receber as evidências, as opiniões diferentes, as proposições novas e até perturbadoras. A maioria dos seres humanos funciona com uma atitude defensiva; muitos dizem não pegar para si aquilo que lhes parece desconhecido; poucos estão realmente abertos às diferenças, o que explica bem os problemas das nossas sociedades contemporâneas que se caracterizam às vezes pela intensidade de sua intolerância. A falta de tolerância é um medo ancestral, um fechamento, um bloqueio de energia do receber.

2_ O ‘Saber Dar’
Assim como podemos estar doentes do ‘saber receber’, do mesmo modo podemos estar doentes do ‘saber dar’. Assim como a rosa pode receber a luz e o calor do sol sem reservas, do mesmo modo esta rosa pode dar seu perfume, sua irradiação, desinteressadamente e sem ficar privada do quer que seja.

Há prazer no saber dar, mas esse prazer não é algo calculado nem um troca de bons procedimentos, e menos ainda uma estratégia. O saber dar não põe em relevo o sofrimento e o sacrifício, ele revela uma forma de amor. Na vida cotidiana, é freqüente se ouvir frases como: “ E dizer que sacrifiquei dez anos de minha vida a tal causa, a tal ideal, a tal pessoa...” Aí não está a dádiva, o amor, mas o dever, e na psicologia moderna conhecemos bem os limites do dever. O dever nada tem a ver com o amor. Ora, é importante ter em mente que tanto no ‘saber dar’ como no ‘saber receber’ o prazer desempenha seu papel. Prazer de dar como prazer de receber, e vice-versa...

E isso pode ser feito muito naturalmente, como no exemplo da rosa que recebe calor e luz, e dá seu perfume e irradiação. O equilíbrio no cotidiano acha-se talvez na proporção, nessa adaptação com flexibilidade do ‘saber dar’ e do ‘saber receber’ que se faz simultaneamente.

O que dissemos da rosa, podemos aplicar ao símbolo Cruz. A cruz é qualquer parte da nossa vida cotidiana, isto é, um conjunto de experiências a serem vividas, com o braço vertical simbolizando a espiritualidade, o horizontal simbolizando a materialidade, e o ponto de encontro onde floresce a rosa, o desabrochar do ser. Podemos agora retomar os conceitos do ‘saber receber’ e do ‘saber dar’, pois material e espiritualmente recebemos do exterior elementos, informações, energias que vêm circular ao longo dos braços da cruz para se concentrarem no núcleo essencial que é a rosa; e inversamente, da rosa emana todo tipo de irradiações que vão se difundir ao longo dos braços da cruz, ressoando em nossa vida espiritual e material.

Não nos esqueçamos também que o que é válido para o funcionamento do individuo é igualmente válido para o funcionamento de um conjunto de indivíduos, podendo esse conjunto ser um grupo, uma nação e, por que não, todo o planeta. Se nosso planeta não vai atualmente muito bem, talvez seja por ele ter perdido o senso da proporção.

3_ A Rosa como Símbolo da Abertura do Coração
O que vamos abordar agora está completamente ligado ao que foi dito anteriormente: trata-se do que chamamos a ‘abertura do coração’, elemento essencial num caminho iniciático.

Na rosa-cruz, a rosa esta no centro da cruz, isto é, no ponto do coração do Cristo. Ângelus Silesius, místico do século XVII, autor de uma obra intitulada ‘O Peregrino Querubínico’, fez da rosa a imagem da alma, como também do Cristo.

Mantenhamos, então, essa imagem da rosa, símbolo, entre outros, da abertura do coração ... e mais particularmente da explicação simbólica da imagem do iniciado carregando um botão de rosa, que não deseja outra coisa além do desabrochar, como se o iniciado, em sua jornada interior, tivesse feito assomar em si o essencial. Esse essencial passa em verdade pela via do coração e a regeneração do Ser interior. O coração pode ser considerado como símbolo central dessa via, pois indica, quanto é importante para o homem saber amar a todos os níveis de seu ser, sendo o Amor Cósmico o nível mais elevado. Saber amar abre muitas portas, e num dos livros secretos dos gnósticos do Egisto havia esta expressão significativa: Vós, os Filhos do Conhecimento do Coração.

O centro cardíaco é um dos 7 centros psíquicos maiores. Lembremo-nos que, conforme recomendam os ensinamentos, é preferível não se polarizar excessivamente nesse ou naquele centro psíquico, pois é mais natural que o despertar, ou mais precisamente o redespertar, desses centros se faça de modo harmonioso, na exata medida em que se realiza a evolução espiritual. Do mesmo modo, as qualidades psíquicas, correspondentes aos centros psíquicos, despertam progressivamente. Os 7 centros psíquicos têm todos sua importância e seu desenvolvimento deve ser harmonioso, a fim d que a circulação energética possa ser feita normalmente de baixo para cima e de cima para baixo.

O centro cardíaco ocupa, entretanto, um lugar interessante no plano dos 7 centros psíquicos. De cima para baixo ele é o 4º, de baixo para cima é também o 4º. Alguns falam dele como sendo o primeiro centro altruísta. Sua localização mediana, à meia-distância entre a parte de baixo e a de cima, confere-lhe um papel especial, pois a abertura do coração, como se costuma dizer, favorece o desenvolvimento dos outros 3 centros superiores e tem uma ação aquietadora e harmonizadora sobre os outros 3 centros inferiores – são esses 3 centros inferiores que estão talvez exacerbados em nossa sociedade de hiperconsumismo e de hiperaglomeração emocional e especular.

É possível que a abertura do coração desenvolva o desejo espiritual de se ter uma relação mais intima com a alma. É possível que ele permita ao homem compreender melhor a natureza do amor.

Podemos acrescentar também que quanto mais adentramos na luz cósmica, mais somos iluminados no interior de nosso ser, e mais desejamos ajudar os outros e compartilhar com eles essas bases de compreensão, de conhecimento e de revelação mística que integramos em nós. De fato, quanto mais essa comunhão cósmica se dá, mais podemos amar e ajudar naturalmente e sem esforço da vontade pessoal, pois ajudar com esforço da vontade pessoal denuncia algo do conceito de poder.

Auxiliamos os outros na qualidade de transmissores, como canal espiritual. A abertura do coração, isto é, essa rosa que aos poucos se abre simbolicamente em nós, nos ensina a bondade interior. Esse desenvolvimento, pelo fato de estar carregado de amor, vai muito além do mero desenvolvimento intelectual. Ele tende a uma evolução mais profunda do ser, que proporciona uma expansão do campo da consciência e às vezes uma hiperconsciência – uma hiperconsciência transitória mas, ainda assim, uma hiperconsciência – como também um desejo espiritual de comunhão interior, e é sta comunhão interior que permite que se tome consciência do sentimento de universalidade e de unidade.

Não é então de se admirar que, a despeito de todo seu conhecimento, alguns cientistas passem longe da sua verdade: eles trabalham tão somente com a cabeça.

Ora, reconhecemos essa simplicidade do coração, esse calor interior, na tradição mística ocidental. A rosa e a cruz, através de seus diversos sentidos simbólicos, nos propõem manter, tão intactas quanto possível, essas qualidades da via do coração, mesmo no decorrer de experiências difíceis e talvez até mais ainda durante elas. Os estudantes sabem muito bem que vivenciar isto é parte do campo da iniciação. As experiências a serem vivenciadas podem ser individuais ou coletivas, mas todas devem ser consideradas significativas, ou seja, plenas de sentido.

E o conjunto das experiências, por um lado cotidianas, com seu quinhão de alegrias e sofrimentos para cada um, e por outro lado místicas e espirituais, pode conduzir afinal à experiências fundamental da luz interior, e com isto a aceitação plena e inteira do Plano Divino.


Há um adágio que diz: Ao te engajares num caminho, pergunta-te se esse caminho tem um coração. Não se trata,claro, do coração físico e nem do coração afetivo e emocional, mas do coração enquanto centro de integração de certas faculdades espirituais, esse coração centro do ser.

No limiar da Era de Aquário, sentimos, na psicologia espiritual, que o homem deve se reconciliar com seu coração. A inteligência sem coração, a ciência sem consciência, nos levaram à situação planetária atual, com nossas sociedades a um só tempo muito analíticas e muito emocionais na superfície, mas muito frias na profundidade. A abertura do coração pode dar um sentido e uma outra visão às descobertas da inteligência na vida cotidiana, e o coração purificado, no sentido alquímico da expressão, torna-se capaz de ver ‘aquilo que’ é em sua essência.

E como disse o poeta, numa visão muito idealista: Que é um coração puro senão aquele olho capaz de contemplar todas as coisas sem projeção, sem transferência, com aquela qualidade da inocência que faz com que o mundo nele se reflita como sobre água límpida...

Paralelamente a esta visão poética, podemos recordar a explicação de Mircéia Eliade sobre o simbolismo, que ele considera como um dado imediato da consciência total, quer dizer, do homem que se descobre como tal, do homem que toma consciência de sua posição no universo; essas descobertas primordiais são tais que o próprio simbolismo determina simultaneamente a atividade do subconsciente e as mais nobres expressões da senda espiritual.

UM TRIÂNGULO
Vimos assim 3 pontos simbólicos concernentes à rosa numa abordagem psico-espiritual; portanto, um triângulo com:

1ª ponta:a rosa como símbolo do desejo espiritual de realização do Eu.
2ª ponta:a rosa como símbolo do saber dar e do saber receber.
3ª ponta:a rosa como símbolo de abertura do coração.

Três pontos simbólicos que favorecem o sentimento de unidade. Três em Um – sentimento de unidade que pode ser traduzido também pela rosa no centro da cruz.

- Sentimento de unidade no Eu, com a harmonização dos diferentes componentes do nosso ser.

- Sentimento de unidade com os que vivem o mesmo ideal místico, e quanto a isto conhecemos o papel desempenhado pela Egrégora.
- Sentimento de unidade com os que estão na busca spiritual, de uma maneira geral.

- Sentimento de unidade com o conjunto da humanidade, com a qual somos solidários no nível das alegrias e das tristezas.

- E um dia, sentimento de unidade com o infinito...

A unidade através do Amor e do Conhecimento auxilia no estabelecimento de novos valores.

É a tudo isso que nos convida o símbolo da rosa que irradia no sentido espiritual do termo, mas também no sentido psicológico, com as mudanças de valores e de comportamento que ela acarreta no mundo do pensamento; e, claro, no sentido cotidiano, com as aplicações práticas, concretas, pragmáticas, na vida de todo dia. Portanto, uma irradiação nos três planos – espiritual, psicológico e cotidiano.

CONCLUSÃO
Pode-se dizer que a senda espiritual e também a psicologia profunda a que nos referimos, isto é, a que leva em consideração a dimensão espiritual, introduzem o conceito de jornada interior. Cada um tem em si uma parcela da imensidão cósmica, da infinitude, e da busca da harmonia possível com o Cósmico. A jornada interior consiste nos encontros consigo mesmo, no casamento alquímico interior, na unificação, efetuando um circulo completo que, como Ulisses, nos conduz ao nosso ponto de partida, mas com uma consciência muito maior e com as múltiplas experiências que terão balizado nossas vidas sucessivas como etapas necessárias.

A senda iniciática é uma imensa jornada de Amor, tal como a empreenderam todos os alquimistas, e somos todos, com diz a Ordem, alquimistas espirituais. É um imenso poema de Amor pela vida, nessa busca pelo Absoluto, uma jornada através dos planos de consciência, das estrelas também - por que não? – através do cotidiano que se torna nosso verdadeiro laboratório, para descobrir passo a passo a realidade crística do Amor e da Luz. Algo semelhante ao que disse Jacob Boehme quando afirmou que somos de natureza terrestre no âmago dessa natureza terrestre havemos de descobrir nossa existência celeste.

Sócrates e depois Platão, cada qual em sua época, ansiaram por estimular os homens a fim de revelar neles os traços de conhecimentos acumulados ao longo da jornada da alma, de modo que esses conhecimentos pudessem servir como fonte interior da verdade. A tradição iniciática, como fizeram Sócrates, Platão e muitos outros,apóia-se no fato de que as fontes de sabedoria, de amor e de conhecimento se ocultam nas profundezas do ser, e que são elas que se desenvolvem da maneira mais significativa, desde que lhes seja permitido expressarem-se totalmente. No mundo da psicologia contemporânea, numerosos são os que, aos poucos, admitem essa realidade, e cujas tentativas de modelos psicológicos e psicoterapêuticos de visão espiritual buscam responder às nossas necessidades modernas.

Edouard Schuré, m 1889, autor do Livro ‘Os Grandes Iniciados’, escreveu o seguinte capítulo sobre Pitágoras: “Será esta, segundo nós, a tarefa de fazer com que se venha a render às faculdades trancendentes da alma humana sua dignidade e sua função social, reorganizando-as com o auxilio da ciência e sobre bases universais, abertas a todas as verdades. Então, a ciência regenerada, de olhos abertos, alcançará essas esferas onde a filosofia especulativa vagueia de olhos vendados e tateando. Sim, a ciência se tornará clarividente e redentora, na medida em que nela crescerão a consciência e o amor à humanidade.”

A ciência com consciência e não mais a ciência sem consciência.

Então, a rosa, cuja importância história não requer maiores provas, permanece um autentico símbolo da maior consciência de ser e do ensinamento espiritual.

E o que melhor se pode desejar para a humanidade do século XXI do que esperar vê-la ampliar seu campo de consciência e sua capacidade de amor?

Uma ultima imagem simbólica para encerrar: nos manuscritos alquímicos dos séculos passados, a rosa foi muitas vezes denominada Flor dos Sábios, e nos seus casamentos místicos a rosa vermelha era atribuída ao Rei e a rosa branca à Rainha. Retenhamos em nossos pensamentos esta imagem da rosa como Flor dos Sábios e como símbolo de abertura da consciência.

A consciência é uma questão de qualidade e não de quantidade técnica conhecida, e a Flor dos Sábios se reconhece, claro, por sua qualidade....
_
[Texto de Jean-Pierre Clainchard]


Nenhum comentário:

Postar um comentário