sábado, 26 de dezembro de 2009

ORIGEM DAS TRADIÇÕES DO NATAL


Em todos os períodos da historia os homens tem esperado uma era de ouro que elimine as deficiências que parecem existir em suas vidas. Essa era veria a realização dos sonhos e aspirações mais caros aos homens. Profetas, religiosos e sábios há muito previam o advento dessa era, mas não concordavam quanto à época e ao local em que surgiria.

Os videntes religiosos e os profetas das tribos afirmavam que a era de sapiência seria iniciada por um Messias. O próprio titulo “Messias” referia-se ao advento duma personalidade extraordinária. Ele viria a ser o libertador da humanidade, agraciado por Deus com poder de iniciar uma nova era. Nessa esperança há na verdade uma ânsia subconsciente, que revela que os homens desejam contar com um poder superior que os ajude a vencer suas reconhecidas fraquezas.

A palavra “Messias” vem do hebraico. Traduzida literalmente, significa”o ungido”. Essa unção denotava que a pessoa fora consagrada a um poder divino, que lhe conferia o poder de realizar alguma missão. No Velho Testamento, todo rei judeu é mencionado como “Senhor ungido”. Entre os essênios, seu líder espiritual de Retidão, sendo considerado um Messias.

No Velho Testamento, o Messias quase sempre está ligado à descendência de Davi:Pensava-se que a Casa de Davi originaria um Messias, que libertaria o gênero humano dos sofrimentos do mundo. A palavra Cristo na “Septuaginta [*] grega equivale à palavra Messias do Velho Testamento.

Uma vez que essa palavra está ligada aos ensinamentos dos Essênios, é bom que teçamos breve consideração sobre esta seita. Os Essênios eram uma seita secreta que teve destaque pela primeira vez nas praias do Mar Morto. Afirma-se que tiveram origem no Egito. Posteriormente, a colônia ao longo do Mar Morto foi dispersa a outras áreas pelas legiões romanas.

Os essênios esperavam a vinda dum grande salvador. Acreditavam que ele nasceria no seio de sua própria organização, e que seria a reencarnação de um dos grandes líderes do passado. Freqüentemente os Essênios eram tratados por Gentios. Gentio era alguém que não fosse judeu ortodoxo, como não eram os Essênios. Aliás, qualquer individuo que não pertença a uma determinada religião pode ser chamado de ‘gentio’.

NASCIMENTOS IMACULADOS_
Acreditava-se que muitos Messias do passado [que fossem Avatares]tivessem nascido de virgens. Como mostrado em alguns escritos, a Índia teve vários mensageiros divinos que, segundo a tradição, teriam nascido por concepção divina. Um deles recebeu o nome de Krisna, ou Chrishma, o Salvador. Sua mãe teria sido uma virgem chamada ‘Devaki’ que, devido à sua pureza, teria sido escolhida para ser a mãe de Deus.

Existem relatos de que também o Gautama Buda teria nascido duma virgem chamada ‘Maya’. Na Tailândia, havia um Deus-Salvador chamado ‘Codom’, que teria nascido duma virgem, alguns relatos afirmam que ‘Hórus’ nascera da virgem ‘Isis’. Do mesmo modo, Zoroastro, da Pérsia, nascera duma virgem que fora impregnada por uma luz divina que a ela descera.

A noção do nascimento imaculado não é nova, sendo evidenciada por muitos exemplos. Ciro, rei da Pérsia, teria tido origem divina. Ele era chamado de Cristo, o filho ungido de Deus. Lembremo-nos de que ‘Cristo’ é um título, não um nome.

Muitas pessoas acreditavam que Platão, do Quinto Século a.C., era um excelso filho de Deus. Sua mãe teria sido uma virgem chamada ‘Perictione’. Apolônio, que viveu durante a primeira parte da vida de Jesus, teria nascido duma virgem. Conta-se que sua mãe fora informada em sonho que daria à luz um mensageiro de Deus. No mundo ocidental, os Maias de Yucatan tinham um Deus nascido duma virgem. Esse Deus correspondia a Quetzalcoatl, um deus principal, chamado Zamna. Esse nome significa ‘filho unigênito dum deus supremo’.

O MESSIAS CRISTÃO_
Para os cristãos, Jesus, o Cristo, é reconhecido como Messias. Existem várias versões quanto ao local em que Jesus nasceu. O evangelho sinóptico de Mateus diz que Jesus nasceu numa ‘casa’, não numa manjedoura:”E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe...” [Mateus 2:11]. Salientamos que Eusébio, primeiro historiador eclesiástico célebre, diz que Jesus nasceu numa caverna. Assim também diz Jerônimo escritor cristão do Quarto Século. A tradição e os registros essênios afirmam que o menino nasceu à Maria numa gruta essênia perto de Belém. A referência a essa gruta, naturalmente, poderia corresponder ao relato histórico da caverna.

As opiniões de várias autoridades exegéticas divergem quanto à época em que Jesus nasceu. Por exemplo, o Livro de Mateus nos informa que Jesus nasceu no reinado de Herodes. O autor do Livro de Lucas nos informa que Jesus nasceu quando Cirênio era governador da Síria, ou mais tarde. As autoridades exegéticas ou bíblicas afirmam que Cirênio foi governador da Síria duas vezes – de 4 a 1 a.C., e de 5 d.C. – e que durante a sua administração foi realizado um censo para fins de impostos.

Quanto à confusão de datas, não nos esqueçamos de que o próprio Novo Testamento, que nos fornece o relato do nascimento de Jesus, não ficou estabelecido senão após o Quarto Século - ou seja uns quatrocentos anos após o nascimento de Jesus. Nesse ínterim houve muita chance para a confusão de datas.

OS MAGOS_
No relato do nascimento de Jesus estão misturados fato, fantasia e mito. Em geral pouco se conta a respeito de quem era os Magos que levaram presentes a Jesus. Na verdade, o termo ‘Magos’ aparece pela primeira vez nas inscrições cuneiformes, isto é, antiga escrita em forma de cunha encontrada nos rochedos de Behistun. Essas inscrições foram feitas no reinado de Dario, rei da Pérsia, que viveu cinco séculos antes de Cristo.

Os Magos eram uma casta de medas, umas das tribos persas. Eram porém sacerdotes, isto é, uma casta sacerdotal da tribo, considerados como sábios e profetas. Podemos dizer que eram comparáveis aos brâmanes da Índia, uma classe religiosa intelectual. Os Magos remontam à antiga Judéia, mais de seiscentos anos antes de Cristo.

Na verdade, a palavra ‘magia’ se origina de ‘Magos’ que eram conhecidos por suas capacidades divinatórias e de interpretação de sonhos. Famosos pelo conhecimento de Astronomia e astrologia, previam acontecimentos observando os astros. Parte dos ensinamentos dos Magos proclamava a ressurreição futura do homem a uma vida sagrada após a presente. Tudo isto, naturalmente, diz respeito a séculos antes do nascimento de Jesus.

Todos nós conhecemos o relato bíblico da estrela do oriente e o significado que lhe foi atribuído. Astronomicamente, essa estrela é conhecida como ‘estrela de nascer helíaco‘ – que se eleva no horizonte pouco antes do nascer do Sol, sendo invisível à noite. Esse fenômeno já era conhecido séculos antes do nascimento de Jesus. Trata-se dum fenômeno natural, não sobrenatural.

Os antigos egípcios observavam o nascer helíaco de Sírius, conforme constatamos em seus relatos. Sírius é a mais brilhante das estrelas fixas. O nascer de Sírius ocorre a cada 365 dias e 6 horas. O fenômeno duma estrela helíaca se deve ao seu nascer no meridiano solar. A luz dos raios solares a torna invisível à medida que a manhã avança. Os antigos egípcios teriam orientado uma série de seus templos conforme a posição dessa estrela helíaca.

Muitos astrônomos acreditam que era essa estrela que os pastores nômades viram. Em todo o caso, essa estrela os impressionou profundamente, como fizera com os Magos. Aliás, muito antes da época de Jesus era costume que os Magos predissessem que nasceria um avatar sempre aparecesse um grande cometa. Antigos registros mitraístas falam de pastores aclamando o nascimento duma criança de origem divina em função de algum fenômeno celeste.

Nem todos os povos tratavam Jesus pelo mesmo titulo. A palavra ‘Messias é Christos’ em grego. Os gregos, porém, não lhe atribuíam o mesmo significado que os judeus. Para os gregos, Messias ou Cristo não passava dum titulo: Jesus, o Cristo. Os discípulos e Jesus referiam-se a Ele em aramaico como ‘Maran’, que significa Mestre. Os gregos, por sua vez,referiam-se a Jesus como “Kyrios”, que significa Senhor. Entretanto, o titulo “Senhor” referia-se anteriormente a muitas divindades do Egito, Síria e Ásia Menor.

JESUS É EDUCADO NO EGITO_
É interessante conhecermos a respeito da educação de Jesus. Ele aprendeu a ler os livros sagrados em hebraico quando ainda jovem. Seu idioma natal era o aramaico, falado pelos habitantes da Galiléia. A primeira influencia religiosa na vida de Jesus se deu em parte pelo judaísmo, que consistia nas leis dos profetas e na interpretação das escrituras. Naquela época, os fariseus eram uma seita intelectual do judaísmo;eram eles considerados instrutores. Era com os fariseus que Jesus entrava em longas discussões polêmicas.

Autoridades judaicas, bem como outras fontes, afirmam que Jesus estudou no Egito. O ‘Talmude’ judaico diz que Jesus esteve no Egito em sua juventude. Sem duvida nenhuma Jesus também foi instruído pelos Essênios. Como os estudiosos sabem, muitas das doutrinas de Jesus possuem correspondência com pensamentos e pregações anteriores, isto é, não são totalmente originais. Após a prisão de João pelos Romanos, Jesus retornou à Galiléia. Declarou então que chegara a época de cumprir sua missão. Passou a falar às multidões nas praias e nas montanhas. Jesus era chamado pelas massas de ‘Rabi’, que é um titulo adequado para alguém que é sábio e que é venerado pelas pessoas.

O Natal, naturalmente, é a Festa da Natividade. Essa festa ocorre atualmente em 25 de dezembro. De que modo ou por que essa data foi estabelecida? Os primeiros cristãos acreditavam que a criação do mundo tivera início no equinócio vernal. Por isso, a natividade de Jesus, ocorreria nove meses depois, ou em dezembro. É interessante observar que alguns dos antigos pensadores acreditavam que o nascimento de Osíris e de Adônis, o deus grego, teria ocorrido em 25 de dezembro.

O DIA DO NATAL_
As primeiras comemorações do Natal, porém, eram realizadas em 6 de janeiro. Em Roma, no Quarto Século, este costume foi deslocado pelo Papa Libério, que aprovava o dia 25 de dezembro. O dia 6 de janeiro, porém, foi mantido como Festa da Epifania, ou a Festa do Batismo. Até algum tempo depois, o Natal era comemorado no dia 6 de janeiro em Constantinopla, no Oriente, e em 25 de dezembro no Ocidente.

Existe ainda outra importante razão de o Natal ter sido estabelecido em 25 de dezembro. A Igreja Cristã desejava afastar a atenção dos cristãos do chamado festival pagão “Sol Invictus”. Isso significa “Sol Invisível”, sendo época de antiga celebração mitraísta, levada a efeito por volta de 25 de dezembro. Havia também a grande celebração ‘romana’, a ‘Saturnália’, a Festa de Saturno, que culminava por volta de 24 de dezembro. Sendo realizado na mesma época que as outras festividades, os cristãos desejavam que o Natal com elas competisse. Finalmente, no Quinto Século, um dos famosos concílios cristãos escolheu definitivamente a meia-noite de 24 de dezembro como começo do Natal.

COSTUMES NATALINOS_
Muitas das tradições que hoje associamos ao Natal não tiveram origem cristã. O berço do menino, tão difundido nas celebrações natalinas da Europa e da América Latina, foi tomado emprestado ao culto de Adônis. Adônis teria nascido numa caverna, e o berço de Adônis desempenhou importante papel nos ritos antigos.

O festival romano de Saturnália proveu o modelo para a maioria de nossos costumes natalinos. A Saturnália era comemorada entre 17 e 24 de dezembro. Essa era uma ocasião de alegria e contentamento gerais. Enquanto a festividade durava, as escolas ficavam fechadas e não havia punições a criminosos. Toda a distinção de níveis sociais e financeiros era posta de lado, e os escravos podiam sentar-se à mesa com seus amos. Todas as classes trocavam presentes. Presentes comuns eram velas de cera e bonecas de argila para as crianças. As pessoas usavam chapéus cônicos, acendiam velas e comiam doces.

O NATAL_
Outros aspectos do Natal originaram-se em países setentrionais. Os países teutônicos celebravam o Natal, fato que se tornou conhecido pelas sagas irlandesas. As festividades germânicas e escandinavas, mais ao sul, eram realizadas no solstício de inverno, por volta de 21 de dezembro. Por causa das trevas, esse período era considerado o final do ano, e acreditava-se que monstros e espíritos erravam à noite. Mais tarde, porém, essas figuras imaginárias foram transformadas em figuras cômicas visando à festividade.

Na Inglaterra primitiva, os costumes seguiam os da Satunália romana. As pessoas acendiam enormes velas em suas casas e atiravam à lareira um pedaço de lenha, que chamavam de ‘acha de natal’. Após as orações, havia musica, distribuição de maças e nozes, e brincadeiras como o jogo de cabra-cega. As casas e as igrejas eram adornadas com sempre-verdes, especialmente viscos, vestígios da religião céltica.

Não encontraram-se vestígios do pinheirinho de natal antes do Século Dezessete. Entre os povos escandinavos e teutônicos, porém, havia um culto à arvore: acreditavam que as árvores possuíssem um espírito, e que algumas sempre-verdes eram sagradas. Essas árvores eram decoradas, estando isso talvez ligado aos nossos pinheirinhos de natal. Os germânicos também comemoravam sua grande festa de natal, celebrando o ígneo disco solar. Esse era um período de doze noites, entre 25 de dezembro e 6 de janeiro.

O nosso ‘papai noel’ teve origem num santo popular da igreja romana: São Nicolau, que teria sido Bispo de Mira no Quarto Século A.D. São Nicolau tomou parte no Concílio de Nicéia. Sua popularidade repousava nos muitos milagres que lhe são tradicionalmente atribuídos. As pinturas sempre retratam o santo em trajes episcopais e carregando três bolas para presentes. Foi a proximidade da celebração da Festa de São Nicolau com o Natal que acabou resultando na combinação de ambos.

O USO DO AZEVINHO_
O uso do azevinho e de outras plantas para decoração natalina é remanescente das festividades teutônicas e da Saturnália. Os teutônicos eram um povo silvestre. Penduravam sempre-verdes dentro de suas casas, acreditando que elas os protegeriam dos espíritos da floresta. Na velha Inglaterra o azevinho espinhoso era considerado ‘masculino’ e o sem espinho ’feminino’.

Na antiga Boêmia, era costume comum no mês de dezembro assar-se pão e cortarem-se e distribuírem-se maçãs. Árvores frutíferas eram embrulhadas em pano branco para garantir um ano de sorte, isto é, uma boa colheita. O costume de acender-se velas na noite de Natal, advém dos costumes do Dia de Todos os Santos. Pensava-se que na noite desse dia os mortos visitavam a casa de seus parentes. Velas ficavam acesas em sua memória enquanto as pessoas iam à Igreja.
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[Texto Imperator]

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Ressonância Mórfica de _ Rupert Sheldrake


Introdução
Na década de 20, animados por um espírito holístico, vários biólogos, trabalhando independentemente, propuseram uma nova maneira de pensar a respeito da morfogênese biológica: o conceito de campos morfogenéticos, embrionários ou de desenvolvimento.

Esses campos seriam semelhantes aos campos conhecidos pela física, no sentido de que corresponderiam a regiões invisíveis de influência, dotadas de propriedades inerentemente holísticas, mas constituiriam um novo tipo de campo desconhecido pela física.

Estariam dentro dos organismos, e em torno deles, e conteriam dentro de si mesmos uma hierarquia aninhada de campos dentro de campos - campos de órgãos, campos de tecidos, campos de células.

Como no caso da ciência do magnetismo e da eletricidade, na qual as almas foram substituídas por campos eletromagnéticos, no caso da biologia, graças a um passo comparável, as enteléquias foram substituídas por campos biológicos.

Os campos magnéticos constituíram, na verdade, uma das principais
analogias utilizadas pelos proponentes dos campos morfogenéticos.

Assim como quando se corta ímãs dividindo-os em pedaços obtém-se ímãs pequenos, mas completos, cada um deles com seu próprio campo
magnético, da mesma forma ao se seccionar organismos como os platelmintos obtém-se, no seu caso, pedaços dotados de campos "platelmínticos" completos, capacitando-os a regenerar-se como platelmintos completos.À semelhança das enteléquias, os campos morfogenéticos atraem os sistemas em desenvolvimento em direção aos seus fins, metas ou representações contidos dentro deles próprios.

Matematicamente, os campos morfogenéticos podem ser modelados em termos de atratores encerrados dentro de bacias de atração (Waddington, 1966). O matemático René Thom expressou essa idéia da seguinte maneira:"Toda a criação ou destruição de formas, ou morfogênese, pode ser descrita pelo desaparecimento dos atratores que representam as formas iniciais, e por sua substituição, por captura, pelos atratores que representam as formas finais" (Thom, 1975).

A idéia de campos morfogenéticos foi amplamente adotada na biologia do desenvolvimento. Mas a natureza desses campos permaneceu obscura. Para alguns biólogos, "campo morfogenético" é apenas um modo útil de expressão, mas, na realidade, essa expressão nada mais encerra que "complexos padrões espaço-temporais de interações físico- químicas ainda não perfeitamente entendidas".

Outros imaginam esses campos supondo-os governados por equações de campo morfogenético existentes num domínio platônico de formas matemáticas eternas.

Desse modo, as equações de campo morfogenético para os dinossauros, por exemplo, sempre existiram, até mesmo antes do Big Bang. Essas equações não foram afetadas pela evolução dos dinossauros ou pela sua extinção.

As equações de campo morfogenético para todas as espécies passadas, presentes e futuras, e, na verdade, para todas as espécies possíveis (muitas das quais podem realmente nunca ter existido) habitam eternamente, de alguma maneira, num domínio matemático transcendente. São verdades matemáticas que estão além do tempo; não podem evoluir e não são afetadas por qualquer coisa que realmente acontece no mundo físico.

São como planejamentos ideais para todos os organismos possíveis que existem na mente de um Deus matemático.Há uma terceira maneira de conceber esses campos. De acordo com a hipótese da causação formativa, eles constituem um novo tipo de campo, até agora desconhecido da física, e dotado de uma natureza intrinsecamente evolutiva. Os campos de uma determinada espécie, tal como o da girafa, têm evoluído; são herdados pelas girafas atuais, que os receberam de girafas anteriores. Contêm uma espécie de memória coletiva, à qual recorre cada membro da espécie e para a qual cada um deles, por sua vez, contribui.

A atividade formativa dos campos não é determinada por leis matemáticas intemporais - embora tais campos possam, até certo ponto, ser modelados matematicamente - mas pelas formas efetivas assumidas por membros anteriores da espécie.

Quanto maior for a freqüência com que um padrão de desenvolvimento
é repetido, tanto maior será a probabilidade de que ele venha a ser novamente adotado. Os campos constituem os meios pelos quais os hábitos de cada espécie são formados, mantidos e herdados.

Ressonância Mórfica
A hipótese da causação formativa, proposta pela primeira vez no livro A New Science Life (Sheldrake,1981), e posteriormente desenvolvida em The Presence of the Past (Sheldrake,1988), sugere que os sistemas auto-organizadores, em todos os níveis de complexidade - incluindo moléculas, cristais, células, tecidos, organismos e sociedades de organismos – são organizados por "campos mórficos".

Os campos morfogenéticos são apenas um tipo de campo mórfico, aquele que diz respeito ao desenvolvimento e à manutenção dos corpos dos organismos.

Os campos morfogenéticos também organizam a morfogênese das moléculas; por exemplo, moldando a maneira pela qual as cadeias de aminoácidos codificados pelos genes são distribuídas nas complexas estruturas tridimensionais das proteínas.

De modo semelhante, o desenvolvimento dos cristais é modelado por campos morfogenéticos dotados de uma memória inerente de cristais prévios do mesmo tipo.

Sob esse ponto de vista, substâncias tais como a penicilina cristalizam-se da maneira como o fazem não porque são governados por leis matemáticas intemporais mas sim porque, antes, já tinham se cristalizado dessa maneira; estão seguindo hábitos estabelecidos através da repetição.

A maneira pela qual indivíduos do passado, tais como moléculas de hemoglobina, cristais de penicilina ou girafas, influencia os campos mórficos dos indivíduos atuais que lhes correspondem, depende de um processo chamado ressonância mórfíca, a influência do semelhante sobre o semelhante através do espaço e do tempo. A ressonância mórfica não diminui com a distância. Não envolve transferência de energia, mas de informação.

Com efeito, essa hipótese permite entender que as regularidades da natureza são governadas por hábitos herdados por ressonância mórfica, e não por leis eternas, não-materiais e não-energéticas.

Essa hipótese é inevitavelmente controvertida, mas pode ser testada por experiências, e já existem consideráveis evidências circunstanciais a seu favor.

Por exemplo, quando uma substância química orgânica recém-sintetizada (digamos, uma nova droga) cristaliza-se pela primeira vez, não ocorrerá nenhuma ressonância mórfica proveniente de cristais prévios do seu tipo.

Um novo campo mórfico tem de passar a existir; dentre as muitas maneiras energeticamente possíveis pelas quais a substância poderia se cristalizar, uma realmente acontece. Mas a próxima vez que a substância for cristalizada em qualquer parte do mundo, a ressonância mórfica proveniente dos primeiros cristais tornará mais provável a ocorrência do mesmo padrão de cristalização, e assim por diante.

Uma memória cumulativa irá sendo construída na medida em que o padrão for se tornando cada vez mais habitual. Como conseqüência, os cristais tenderão a se formar mais prontamente em todo o mundo.
Essa tendência é, de fato, bem conhecida; novos compostos são geralmente difíceis de cristalizar, levando, às vezes, semanas ou até mesmo meses para formar cristais a partir de soluções supersaturadas.

Porém, à medida que o tempo passa elas tendem a aparecer com mais facilidade em todo o mundo. Entre os químicos, a explicação mais popular para esse fenômeno é a de que fragmentos de cristais seriam transferidos de laboratório para laboratório nas barbas ou nas vestimentas de químicos emigrantes (Danckwerts, 1982).

Passariam, então, a servir como núcleos para novos cristais do mesmo tipo. Supõe-se também que essas sementes de cristais poderiam ser transportadas pelo vento para o mundo inteiro sob a forma de microscópicas partículas de poeira na atmosfera.

A hipótese da causação formativa prediz que essas cristalizações também devam ocorrer mais prontamente sob condições padronizadas à medida que o tempo passa, mesmo que osquímicos emigrantes sejam rigorosamente excluídos do laboratório e que as partículas de poeira sejam filtradas da atmosfera.

No domínio da morfogênese biológica, a hipótese prediz que quando
organismos seguem um caminho inusitado de desenvolvimento - por exemplo, quando surgem adultos anormais como resultado da exposição de embriões a um ambiente inusitado - quanto maior for a freqüência com que isso aconteça, maior será a probabilidade de que volte a acontecer novamente.

Já existem evidências obtidas em experimentos com moscas-das-frutas indicando que, de fato, elas são mais propensas a se desenvolver anormalmente depois que outras sofreram desenvolvimento anormal (Sheldrake, 1988).

De acordo com esse ponto de vista, os organismos vivos herdam não somente genes, mas também campos mórficos. Os genes são transferidos materialmente de seus ancestrais e lhes permitem fabricar determinados tipos de moléculas de proteínas; os campos mórficos são herdados não-materialmente, por ressonância mórfica, não apenas de ancestrais diretos, mas também de outros membros da espécie.

O organismo em desenvolvimento sintoniza os campos mórficos de sua espécie e, desse modo, tem à sua disposição uma memória coletiva ou de grupo onde colhe informações para esse desenvolvimento.

Mutações genéticas podem afetar esse processo de sintonização e a capacidade do organismo para se desenvolver sob a influência dos campos, assim como alterações nos condensadores ou em outros componentes de um aparelho de TV podem afetar a sintonização de determinados canais ou a recepção de programas; os sons ou as imagens podem ficar distorcidos.

Mas o simples fato de os componentes mutantes poderem afetar as imagens e os sons produzidos pelo receptor de TV não prova que os programas são programados pelos próprios componentes do aparelho e gerados dentro dele.

De maneira semelhante, o fato de que mudanças genéticas podem afetar a forma e o comportamento dos organismos não prova que sua forma e seu comportamento são programados nos genes.

O Mistério do Instinto
O comportamento instintivo apresenta as mesmas características holísticas e propositadas da morfogênese. Uma vespa-caçadora fêmea, por exemplo, constrói um ninho subterrâneo, reveste-o com lama, e depois constrói um grande tubo e um funil sobre o orifício da entrada.

A função da estrutura parece ser a de impedir o ingresso de vespas parasitas, que, desse modo, não conseguem agarrar-se à superfície lisa do interior do funil.

Põe então um ovo no fundo do ninho, o qual a seguir ela estoca com lagartas paralisadas, fechando-as em compartimentos separados.

Finalmente, tampa com lama o buraco ao nível do solo, destrói o funil cuidadosamente construído e espalha os fragmentos. Faz tudo isso instintivamente, sem que precise aprendê-lo com outras vespas.

Essa seqüência de comportamentos, como o comportamento instintivo, em geral, consiste numa série de "padrões de ação fixados" (Tinbergen, 1951).

O ponto final de uma essas ações serve como ponto de partida para a seguinte. E como na morfogênese, os mesmos pontos finais poderão ser alcançados por diferentes caminhos se a rota normal for perturbada.

Por exemplo, se um funil quase completo for danificado, a vespa-caçadora o reconstrói; ele é regenerado.

De um ponto de vista vitalista, tal comportamento instintivo propositado depende da atividade organizadora da alma, ou enteléquia, que organiza a atividade dos sentidos, o sistema nervoso e os órgãos motores dirigindo-os para a realização de suas finalidades.

Do ponto de vista criptovitalista, hoje convencional, essa organização direcionada para uma meta (goal-directed) pode ser atribuída ao programa genético. Mas a maneira como a síntese de determinadas proteínas resulta em comportamento complexo direcionado para uma meta, como ocorre no caso da vespa-caçadora, permanece completamente obscura.

De um ponto de vista holístico, tal comportamento propositado depende de princípios organizadores holísticos.

A natureza desses princípios, às vezes chamados de "propriedades sistêmicas emergentes", é em geral deixada na obscuridade.

Eu os imagino como campos mórficos, que, à semelhança de outros tipos de campos mórficos, são herdados por meio de ressonância mórfica.

Instintos são os hábitos de comportamento da espécie e dependem de uma memória coletiva inconsciente.

Graças aos campos mórficos, padrões de comportamento são atraídos em direção a fins ou metas fornecidos por seus atratores.

Se o comportamento é, de fato, governado por campos mórficos, quando alguns membros de uma espécie adquirem um novo padrão de comportamento e, conseqüentemente, um novo campo comportamental, por exemplo, aprendendo uma nova habilidade, então outros membros dessa espécie deveriam manifestar tendência para aprender a mesma coisa mais rapidamente, mesmo na ausência de quaisquer meios conhecidos de conexão ou de comunicação.

Quanto maior for o número de membros dessa espécie que aprenderem essa nova habilidade, maior deveria ser esse efeito no mundo inteiro.

Assim, por exemplo, se ratos de laboratório aprendem um novo truque na América do Norte, ratos de laboratório em qualquer outra parte do mundo deveriam apresentar uma tendência para aprendê-Io mais depressa. Há evidências experimentais indicando que esse efeito realmente ocorre (Shekdrake, 1981, 1988).

O Mistério da Memória
Até mesmo animais muito simples possuem a capacidade de aprender a
partir da experiência. E até mesmo os padrões de ação fixados do comportamento instintivo envolvem aprendizagem individual: as vespas-caçadoras, por exemplo, aprendem a reconhecer várias características do meio ambiente em torno do ninho que estão construindo; de outro modo, seriam incapazes de encontrar seu caminho de volta ao ninho quando saem à procura de lama ou para caçar lagartas.

Além disso, aprendizagem implica memória. Como elas se lembram?
Teorias mecanicistas da memória supõem, inevitavelmente, que a memória depende de "traços de memória" materiais, que se acham, de algum modo, armazenados dentro do sistema nervoso. Esses traços hipotéticos são, com freqüência, assimilados a conexões numa central telefônica, ou a gravações em fita, ou a videotapes, ou a locais de armazenamento de memória no computador.

A idéia mais popular é a de que os traços de memória dependem, de alguma maneira, de modificações que ocorrem nas junções entre as células nervosas, as sinapses.

Os neurocientistas vêm tentando, há décadas, localizar traços de memória nos cérebros de animais usados em experimentos.

O procedimento usual consiste em treinar esses animais para fazer alguma coisa e depois cortar partes de seus cérebros para descobrir onde as memórias são armazenadas.

Mas até mesmo depois que grandes pedaços de seus cérebros foram removidos - em alguns experimentos, mais de 60% - os infelizes animais podem freqüentemente lembrar-se do que eles foram treinados para fazer antes da operação (Lashley,1950).

Um pesquisador resumiu o malogro em encontrar traços de memória localizada observando que "a memória parece estar, ao mesmo tempo, localizada em toda a parte e em nenhuma em particular" (Boycott,1965).

Alguns cientistas propuseram que as memórias podem estar armazenadas de uma maneira distribuída, vagamente análoga ao armazenamento de informações em hologramas, sobre grandes regiões do cérebro (Pribram,1971).

Outros postularam a existência de sistemas de armazenamento "sobressalente" (backup) não-identificados como responsáveis pela sobrevivência de hábitos aprendidos, depois que vários supostos locais de armazenamento de memória foram removidos por cirurgia. Mas pode haver uma razão ridiculamente simples para esses malogros recorrentes em encontrar traços de memória nos cérebros: eles podem não existir. Se você procurar, no interior do seu aparelho de TV, traços dos programas que você assistiu na semana passada, sua busca estará condenada ao fracasso pela mesma razão: o aparelho sintoniza transmissões de TV, mas não as armazena.

A hipótese da causação formativa sugere que a memória depende da ressonância mórfica e não de localizações materiais para armazenamento de memória.

A ressonância mórfica depende da similaridade. Envolve um efeito de semelhante sobre semelhante. Quanto mais semelhante um organismo é em relação a um organismo no passado, tanto mais específica e efetiva será a ressonância mórfica.

Em geral, qualquer determinado organismo é o que há de mais semelhante a si próprio no passado e, por essa razão, ele está sujeito a uma ressonância mórfica altamente específica oriunda do seu próprio passado.

Por exemplo, você é mais semelhante ao que você era um ano atrás do que semelhante ao que eu era. Essa auto-ressonância ajuda a manter a forma de um organismo, a despeito das contínuas modificações dos seus materiais constitutivos.

De maneira semelhante, no domínio do comportamento, ela sintoniza um organismo especificamente com os padrões de atividade do seu próprio passado.

Nem seus hábitos de comportamento, de fala e de pensamento nem suas lembranças de determinados fatos e de eventos passados precisam estar armazenados sob a forma de traços materiais em seu cérebro.

Mas o que dizer do fato de que se pode perder lembranças em conseqüência de lesões no cérebro?

Alguns tipos de lesões em áreas específicas do cérebro podem resultar em tipos específicos de dano: por exemplo, a perda da capacidade para reconhecer rostos após uma lesão do córtex visual secundário do hemisfério direito.

Uma vítima desse tipo de lesão pode ser incapaz de reconhecer até mesmo os rostos de sua esposa e de seus filhos, embora ainda consiga reconhecê-Ios pelas suas vozes e de outras maneiras (Sacks,1985).

Isso não provaria que as memórias relevantes estavam armazenadas dentro dos tecidos danificados?

De modo algum.

Pense novamente na analogia com a TV.

Danos produzidos em certas partes do circuito podem levar à perda ou à distorção da imagem; em outras partes do circuito, os danos podem levar o aparelho a perder a capacidade de produzir som; danos no circuito de sintonização podem provocar a perda da capacidade para receber um ou mais canais.

Mas isso não prova que as imagens, os sons e programas inteiros estejam armazenados no interior dos componentes danificados.

Essa idéia permite que o funcionamento da memória individual e a herança de instintos e de capacidades comportamentais sejam encarados como diferentes aspectos do mesmo fenômeno. Ambos dependem da ressonância mórfica, mas o primeiro é mais específico do que a segunda.

A memória individual e as capacidades de aprendizagem têm lugar contra o background de uma memória coletiva herdada por ressonância mórfica de membros anteriores da espécie.

No domínio humano, tal conceito já existe na teoria de Jung do inconsciente coletivo, como uma memória coletiva herdada (Jung,1959).

A hipótese da ressonância mórfica permite que o inconsciente coletivo seja visto não apenas como um fenômeno humano, mas como um aspecto de um processo muito mais abrangente, por intermédio do qual os hábitos são herdados por toda a parte na natureza.

O Mistério da Organização Social
Sociedades de cupins, de formigas, de vespas e de abelhas podem conter milhares ou até mesmo milhões de insetos individuais. Podem construir ninhos grandes e elaborados, exibir uma complexa divisão de trabalho e se reproduzir.

Essas sociedades têm sido freqüentemente comparadas a organismos dotados de um nível mais alto de organização, ou superorganismos.

Inevitavelmente tem havido, desde há longa data, discussões no sentido de se estabelecer se tais sociedades realmente representam um nível superior de organização viva, dotada de propriedades holísticas, irredutíveis e específicas, ou se elas devem ser consideradas como agregados explicáveis em termos de suas partes e das interações mecanicistas entre os insetos individuais.

De um ponto de vista vitalista, a colônia, como um todo, possui uma alma que coordena os insetos individuais dentro dela (Marais,1973). Os mecanicistas, ao contrário, têm de tentar entender tudo isso em termos do comportamento das partes isoladamente estudadas.

Por uma questão de princípio, nenhuma alma misteriosa ou nenhum misterioso fator holístico de organização podem estar envolvidos (Wilson,1971).A partir da perspectiva holística, tais colônias são realmente organismos de um nível superior ao dos insetos individuais que vivem dentro delas.

Seus princípios organizadores são usualmente concebidos lançando-se mão de termos vagos, tais como propriedades sistêmicas ou padrões auto-organizadores de informações. Sheldrake propõe que tais princípios devam ser considerados como campos mórficos.

Tais campos abrangem e incluem os indivíduos dentro deles, assim como campos magnéticos abrangem e incluem as limalhas de ferro que eles organizam segundo padrões característicos. Os insetos individuais estão dentro do campo mórfico social assim como as partículas de ferro estão dentro do campo magnético.

Com base nesse ponto de vista, tentar compreender o campo mórfico social a partir do comportamento de insetos isolados seria tão absurdo quanto tentar entender o campo magnético apenas retirando algumas dessas partículas de ferro individuais para fora do âmbito de ação desse campo e estudando suas propriedades mecânicas isoladas.

A organização de colônias de insetos envolve várias características misteriosas que se manifestam totalmente à parte da prodigiosa complexidade de sua própria organização social. Por exemplo, em seus estudos sobre os cupins sul-africanos, o naturalista Eugène Marais descobriu que eles podiam reparar bem depressa danos provocados nos montículos dos cupinzeiros, reconstruindo túneis e abóbadas, trabalhando a partir de ambos os lados da fenda que Marais havia feito e encontrando-se perfeitamente no meio, mesmo que os insetos individuais fossem cegos. Realizou então um experimento simples, mas fascinante.

Enterrou uma grande placa de aço vários cm mais larga que o cupinzeiro e mais alta que sua profundidade atravessando-o bem pelo centro da fenda, de maneira a dividir o montículo e todo o cupinzeiro em duas partes separadas:"Os construtores que trabalham num dos lados da fenda nada sabem sobre aqueles que se acham do outro lado.

Não obstante, os cupins constroem uma abóbada ou torre semelhante em ambos os lados da placa. Quando, eventualmente, você retira a placa, as duas metades se ajustam perfeitamente depois que o corte divisório é reparado.

Não podemos escapar da conclusão extrema de que em algum lugar há um plano preconcebido que os cupins meramente executam" (Marais, 1973).

Com base neste ponto de vista, tal plano existiria dentro do campo mórfico da colônia como um todo.

Por ressonância mórfica, esta abrangeria uma memória coletiva de todas as colônias de cupins do passado, a ela semelhantes, bem como uma memória do próprio passado da colônia, por auto-ressonância.

De maneira semelhante, o comportamento de cardumes de peixes e de bandos de pássaros exibe uma coordenação que, até agora, desafiou as explicações.

Por exemplo, bandos enormes de narcejas setentrionais podem voar descrevendo curvas ou inclinando-se lateralmente como se fosse um único superorganismo, e a velocidade com a qual as "ondas de manobra" passam através do bando é rápida demais para admitir qualquer explicação mecanicista simples.

A idéia de que sua coordenação ocorre por intermédio do campo mórfico do bando, o qual se estende à volta de cada pássaro individual e os abraça a todos parece fazer mais sentido (Sheldrake,1988).De modo semelhante, pode-se pensar que os campos mórficos sociais coordenam o comportamento de manadas de renas, de grupos de baleias e de todos os padrões de organização social.

Os mesmos princípios deveriam aplicar-se às sociedades humanas (Sheldrake,1988).

Por exemplo, os membros de uma tribo tradicional estão incluídos nos âmbitos do campo social da tribo e dos campos de seus padrões culturais.

Esses campos possuem uma vida própria e fornecem à tribo seus padrões de organização habituais, mantidos por auto-ressonância com a própria tribo no passado. Dessa maneira, o campo da tribo inclui não apenas os seus membros vivos, mas também os seus membros do passado.

De fato, no mundo inteiro, a presença invisível dos ancestrais na vida dos grupos sociais tradicionais é explicitamente reconhecida.

As Controvérsias Continuam
As teorias vitalistas da natureza da vida atribuíam sua organização propositada a almas não-materiais, ou a fatores vitais a que deram vários outros nomes.

As teorias mecanicistas sempre negaram a existência de tais entidades "místicas", mas acabaram tendo de reinventá-Ias sob novos disfarces.

Os vitalistas sempre criticaram o reducionismo da abordagem mecanicista e chamaram a atenção para suas limitações e para suas insuficiências.

Os mecanicistas sempre criticaram o vitalismo com base na alegação de que ele é estéril, contando com misteriosas entidades hipotéticas inacessíveis à investigação experimental.

Quanto à abordagem mecanicista, apontam eles, tem sido, ao contrário, muito produtiva e tem proporcionado uma compreensão de muitos aspectos dos organismos, tais como o código genético para as proteínas, aspectos que eram antes completamente desconhecidos e insuspeitados.

Entretanto, durante mais de sessenta anos, os organicistas têm tentado transcender a controvérsia vitalismo-mecanicismo enfatizando as propriedades holísticas dos organismos vivos.

Eles consideram os organismos biológicos como exemplos de sistemas holísticos que se encontram em todos os níveis de complexidade, desde os átomos até as galáxias (Koestler,1967; Whyte,1974).

Alguns organicistas, especialmente os defensores da abordagem sistêmica, retiveram a metáfora da máquina, mas adotaram versões mais sofisticadas dessa metáfora (Varela,1979).

Os teóricos sistêmicos, em parte por receio de serem rotulados de vitalistas, têm evitado, em geral, propor que há novos tipos de entidades causais na natureza, tais como almas ou campos desconhecidos da física.

Em vez disso, os problemas devem ser entendidos em termos abstratos, tais como transferência de informações e feedback, sem se preocupar muito com a base física desses processos, os quais se presume, implicitamente, que dependem apenas das forças e dos campos conhecidos da física (Capra,1982).

Outros organicistas concentraram-se na idéia de campos organizadores, tais como campos morfogenéticos.

Tais campos, até certo ponto, desmistificam a antiga concepção de almas, mas ao mesmo tempo mistificam a idéia de campos, dotando-os de propriedades surpreendentes, com as quais nem sequer sonhava a física do século XIX.

O problema é que a natureza desses campos permaneceu obscura.

Os mecanicistas habitualmente os criticam pelos mesmos motivos que os levam a criticar os fatores vitais: são inacessíveis à investigação experimental.

Essa crítica é procedente caso se considere que os campos morfogenéticos nada mais são que uma maneira de falar sobre interações físico-químicas complexas, embora convencionais, ou como reflexos de verdades matemáticas eternas num domínio platônico transcendental.

No entanto, se os campos morfogenéticos (assim como outros tipos de campos mórficos) são considerados habituais, eles se tornam experimentalmente testáveis. Esses campos contêm uma memória inerente dada por ressonância mórfica, e, como tais, diferem das concepções correntes dos campos conhecidos da física, os quais, como ainda se supõe, são governados por leis eternas.

De acordo com a hipótese da causação formativa, os campos mórficos não funcionam apenas nos organismos vivos, mas também em cristais, em moléculas e em outros sistemas físicos.

Estes são igualmente organizados por campos com uma memória inerente. Agora que se pensa que toda a natureza é evolucionista, não é mais possível aceitar como inquestionável a idéia convencional de que todos os sistemas físicos e químicos são governados por leis eternas da natureza.

As assim chamadas leis da natureza podem ser, isto sim, semelhantes a hábitos mantidos por ressonância mórfica.

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Referências bibliográficas
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Harvard University Press.
Publicado por Adalberto Tripicchio em 15/9/07

domingo, 20 de dezembro de 2009

HOLISMO_Entendendo a sublime missão dos seres humanos


Não importa o que façamos: muitos de nós, antes mesmo de nascer, fomos predestinados a reencontrar aqui a paz divina e transmiti-la a tantos quantos, na Terra, a desejarem.

“Todos os seres humanos vieram para a vida com um objetivo individual e coletivo. Na maioria das vezes ignorado, ele é a razão única da presença do homem na sociedade. Estaria na ignorância destas questões a explicação para muitos de nossos sofrimentos e inquietações diante da necessidade de evoluir e incorporar o conhecimento universal?”

A sociedade que conhecemos se organiza de diversas formas, que estão estabelecidas de acordo com a cultura e a maneira de viver próprias do ser humano. Rompendo as barreiras que separam o homem de Deus, e sua infinita paz e amor, ele mergulha num outro universo. Nada se sabe a respeito deste outro mundo ou estado de consciência em que se está adentrando. Tomando para si a liberdade que o Criador lhe concedeu, como uma posse de sua essência, o homem passa a criar seu próprio universo e realidade. Torna-se então um Deus isolado dos outros deuses, seus irmãos, que também inventam simultaneamente seus próprios universos.

Todos estes mundos, entretanto, possuem algo em comum: são originados pelo livre-arbítrio. Nesta dimensão do livre-arbítrio, Deus é colocado sempre em segundo plano, pois primeiramente concentra-se a vontade humana. É uma tentativa de quebrar as regras, de fazer diferente, de seguir qualquer caminho que não seja aquele que conduz à eternidade. O homem busca experimentar as sensações que este desligamento do Pai lhe proporciona, imergindo-se mais e mais nesta nova dimensão. As sensações ora são excitantes, ora deprimentes. Trata-se de uma oscilação de estados de consciência que, esotericamente, chamamos de dualidade. Vivendo desta forma em guiado por uma consciência dualista, o homem tende sempre para um dos dois aspectos. Mas a paz superior não se encontram em nenhum deles. É um estado de consciência transcendental, que não pertence ao mundo em que vivemos.

Todos nós podemos entrar em contato com ela, que, evidentemente, não significa superioridade num sentido depreciativo a supostos elementos inferiores. Podemos e precisamos contatar permanentemente a consciência superior, a do equilíbrio, que está acima da dualidade e das questões da dimensão do livre-arbítrio. A grande maioria das pessoas, infelizmente, está demasiadamente afastada desta chama interna, que é a consciência superior, a divindade, o Deus que habita dentro de cada um de nós. Estão tão imersos no aspecto da excitação, que esquecem ser este um elemento oposto da depressão, e vice-versa. Nenhum destes caminhos é aquele, tão propagado e ensinado por Jesus e outros mestres, que nos conduz verdadeiramente ao estado de equilíbrio, paz superior e união com Deus.

ESQUECENDO AS ORIGENS_ O ser humano foi criado e é geneticamente tendencioso a viver neste estado constante de dualidade. Ele recebeu de seus antepassados o estimulo da excitação como o elemento que propiciou o surgimento da vida. Isto, entretanto, pode ser modificado e depende tão somente de cada um. Assim, surge a necessidade da transformação interior.


Vivendo sob a égide do livre-arbítrio, grande parte dos seres humanos está afastada de Deus, embora em muitos casos estejam em busca de um reencontro com Ele. A ilusão é o caminho que, acreditamos, nos conduzirá ao Criador. Contudo, nada mais é do que um disfarce, uma distração e tentação para um novo afastamento da paz superior. É ao mesmo tempo uma possibilidade que pode ou não ser experimentada, dependendo tão somente do grau de determinação de uma alma em atingir seu objetivo de reintegração à unidade divina.

A ilusão se manifesta de diferentes formas em nossa sociedade, mas para cada pessoa existem valores e culturas diferentes que, invariavelmente, devem ser respeitados. A questão não é apontar erros, mas mostrar que existe algo mais, além da cultura conhecida por todos os homens. O certo e errado devem ser estabelecidos por cada ser humano, pois seu caminho e busca é o mais importante. Se estivermos satisfeitos em qualquer atividade ou ação que estejamos executando, sabendo estar de acordo com a busca espiritual, nada mais importa. Mas se, ao contrário, algo nos inquieta e nos faz buscar um novo sentido e redirecionamento para a vida, é porque em nossas ações e pensamentos ainda não estamos buscando o reencontro com a paz superior. Não importa o que façamos: muitos de nós, antes mesmo de nascer, fomos predestinados a reencontrar a paz divina e transmiti-la a tantos quantos a desejarem na Terra. A inquietação existe e continuará existindo enquanto não nos entregarmos para a grande e maravilhosa busca do conhecimento de si mesmo, do reencontro e da reintegração total com Deus, coma paz, o amor e o conhecimento universal.

O processo de retorno à consciência original pode ser analisado cientifica e espiritualmente. Envolve diversos questionamentos e centenas de estudos nas mais variadas áreas do conhecimento humano, até mesmo na medicina. Mas por necessitar de uma abordagem mais ampla, específica e completa destes aspectos, não é neles que nos concentraremos a princípio. Retornar à consciência original significa desapegar-se dos elementos da dimensão do livre-arbítrio, unificando-se a um outro universo. Este, na maioria das vezes, é definido como desconhecido, mas é tão conhecido quanto o mundo material. As pessoas estão apenas adormecidas em relação às suas verdadeiras origens, que é o universo de onde realmente viemos. Pois, nós não iremos para outro mundo após a morte, ao contrário, simplesmente acordaremos, como que de um sonho, e voltaremos a viver verdadeiramente. Isto ocorre, porque somos almas, seres espirituais encarnados em corpos humanos, para experimentar uma vida transitória, da qual poderemos retirar lições importantes para o espírito.


Não estamos aqui para cumprir nenhuma necessidade do mundo material. Viemos em função de uma atração cármica [Carma é a atuação da Lei de causa e efeito], pela necessidade de ajudar determinados seres, ou, ainda, a humanidade como um todo. Não somos isolados do universo. Somos também instrumentos pelos quais Deus manifesta sua vontade e, para que isto se torne possível, faz-se necessário nos tornarmos receptivos à realização dela. Devemos, então, abrir mão de nossa vontade individual, permitindo a assimilação de uma maior, que não se encontra fora e em nenhum outro lugar que não seja em nós mesmos.

Toda verdade e todo conhecimento estão em nosso interior,assim o poder e o amor divino também estão, como uma semente pronta para brotar, aguardando tão somente que as condições para isto sejam criadas.

“Devemos abrir mão do orgulho, do egoísmo, das vaidades, para que possamos vislumbrar uma causa mais ampla, que não somente nos favoreça, mas a toda sociedade.”

Devemos nos unir a uma causa coletiva, o bem-estar da humanidade e seu despertar para a realidade divina. Isso pode ser feito e inúmeras maneiras, e nem sempre será pela propagação do conhecimento, mas principalmente do amor. Pela recepção fraterna deste sentimento muitos verão novamente a chama da luz que os conduzirá ao caminho da regeneração.

NECESSIDADE DE TRANSFORMAÇÃO _ Aqueles que sofrem, não por acaso, precisam de uma mão estendida em sua direção para que possam levantar-se e reiniciar sua caminhada. Nada nem ninguém no universo escapa à lei de causa e efeito, por isto, nem sempre poderemos ajudar completamente alguém. Mas a mão estendida é como a luz iluminando o caminho da regeneração. É a esperança, a renascer no coração dos homens, de que o amor ainda exista, sempre existiu e continuará existindo.


A maior necessidade do homem atualmente, é sem duvida, a transformação interior. Nesse processo, é preciso que cada ser humano e espiritual procure assumir em sua totalidade aquilo que é, ou seja, sua verdadeira identidade cósmica. É muito difícil, infelizmente, para um bom número de pessoas, assumir sua verdadeira condição como ser cósmico. Enredadas num cotidiano exclusivamente materialista, não conseguem encontrar tempo para se dedicar a uma profunda reflexão sobre os mais altos valores da vida, que são a moralidade e a espiritualidade. Cada um deve encontrar este momento valioso e necessário para o crescimento interno. Pois, certamente, quando a força de vontade interior for maior que a externa e ilusória, se iniciará o processo de transformação espiritual. Assumir totalmente quem somos perante a família, colegas de trabalho e todos que conhecemos não é uma tarefa fácil. É preciso força para isso, e ela só virá com o tempo. Somente através dela seremos capazes de falar mais alto que a ilusão, e então poderemos nos manifestar em toda plenitude de nossa alma.

Tudo isso ocorre quando “despertamos” para uma nova necessidade, a de nos conhecer. Afinal, quem somos, de onde viemos e para onde vamos? Faz-se necessário ‘sentir’ a verdade que está dentro de nós. Mas como confrontá-la com a forma de agir da maioria das pessoas? Será que conseguiremos subsistir sendo tão diferentes de tantos iguais? Enquanto esta duvida permanecer estaremos a caminho da plenitude. Quando a certeza da vitória sobre a ilusão estiver consolidada em nosso interior teremos conquistado a liberdade. E ser livre significa não se permitir influenciar. Temos diversos costumes em nossa sociedade que, fazendo parte da cultura, são considerados normais pela maioria. Entretanto, eles somente são aceitáveis em favor de nosso crescimento espiritual. Mas num determinado momento o confronto entre ambos será evidente e inevitável.

Não existe outro caminho, senão aquele que chamamos de renúncia, que não é o abandono, mas uma opção. Renunciar a certos costumes estabelecidos pela sociedade não significa afastar-se dela, até porque é nela que devemos estar presentes. Apenas precisamos optar por aquilo que merece maior prioridade. Se acreditamos em Deus, é necessário entender que Ele está em primeiro lugar em nossa vida, assim como, por exemplo, se a prática do roubo é o que ocupa este lugar então é nisso que iremos acreditar. Estando Deus em primeiro lugar, todo o resto não pode ser mais importante que Ele. A crença primária é que determina se estamos de fato buscando uma maior espiritualização, ou se estamos apenas enredados nos costumes da sociedade. Mas acreditar Nele significa não somente colocá-lo em primeiro lugar, mas também, agir em prol de Sua causa.

Todos nós somos uma forma de energia, modelada conforme as condições do mundo em que vivemos, vibrando num determinado nível. Esta energia, que pe da mesma matéria com a qual são feitas todas as coisas, manifesta-se de forma inteligente através do homem. Este pode ser considerado o rei da criação, pois a ele Deus concedeu o poder de criar, infinitamente, todos os universos que existem. Somos, portanto, partículas desta energia, que é a matéria da qual é feito todo o universo, em diferentes dimensões, níveis e realidades. Enfim, somos manifestações de Deus, que é a origem de toda a vida e de tudo o que existe. Como deuses criadores, precisamos urgentemente aprender a distribuir melhor esta energia e aplicá-la através de decisões. É a partir daí que o homem aprenderá a criar uma realidade agradável, de modo que atenda à necessidade de todos os seres humanos, igualmente. É preciso sentir a existência de Deus dentro de nós, para que, através desta constatação, possamos perceber a necessidade de amar ao próximo e agir no sentido de construir um mundo melhor.

A UTILIZAÇÃO DA ENERGIA DIVINA_ Quando descobrimos a formula mágica que nos liga em definitivo à energia da criação, nos tornamos tão fortes e poderosos como Jesus ao realizar milagres, ou tão sábios quanto Buda. Tudo depende do processo de transformação interior, que pode se desenvolver a curto ou a longo prazo. A verdadeira necessidade do ser humano é encontrar algo que o satisfaça para sempre. E isso existe, mas não está nas ilusões do mundo, nem nas criações de nossa mente, mas no profundo amor que está dentro de nós.


Não existem melhores palavras para definir como é possível chegar até aqui. É preferível deixar esta tarefa a encargo de cada buscador espiritual. A dica a ser dada se refere à forma de utilização da energia infinita da criação, uma vez que ela seja descoberta, se não for corretamente controlada e distribuída, poderá causar dores de cabeça. É preciso ter muito cuidado para não desperdiçar essa energia sagrada, desviando-a para caminhos de ilusão que não trarão um retorno positivo para a alma. A sensação é de que, enfim, nos tornamos deuses e nada mais nos é impossível.


A força de vontade é tamanha, e tão bem definida, que acreditamos mover até mesmo montanhas. Entramos num estado de consciência em que, se bem treinados, podemos até mesmo realizar milagres. É preciso, porém, escolher o direcionamento que será dado a esta energia infinita da criação. Todos nós temos metas na vida a serem realizadas, como, por exemplo, de ordem profissional. Basta que tenhamos consciência de tudo que queremos atingir, e então ordenemos mentalmente:


“Esta energia será direcionada para o meu desenvolvimento profissional, auxiliando-me na velocidade do raciocínio, na memória, na capacidade para resolver problemas e de realizar tudo aquilo que me proponho no trabalho, que também faz parte do meu objetivo de vida”.

Feito isso, se a escolha estiver realmente bem definida em nossa mente, atingiremos um estado de equilíbrio total na relação entre o céu e a terra, entre o mundo espiritual e o físico, entre o Deus que somos e o que manifestamos. A energia será aplicada conforme decidimos e as vantagens disso serão imensas.


Como buscador espiritual, creio que possa dar uma palavra pessoal sobre estes fatos. Tudo o que foi relatado, já aconteceu comigo e, portanto, é para mim algo comprovado e consolidado internamente. Sempre acreditei que somos deuses encarnados na Terra, e tão poderosos que muitos ainda não conseguem acreditar. A falta de crença nessa força maior, que está dentro de nós, é o que faz com que seja desperdiçada toda a energia infinita de Deus. É como ligar uma mangueira por onde sai uma água límpida, pura e cristalina, de forma abundante, e a apontar diretamente para o esgoto, deixando-a ligada por um longo tempo. Se alguém tiver as sensações descritas anteriormente, e não acreditar nisso, certamente experimentará o lado oposto da experiência: a angustia, a tristeza e o sentimento de fracasso. A energia divina está presente em nossa vida a todo instante, sem exceção. Nós é que insistimos em ignorá-la. Mas quando acreditamos infinitamente nela nos tornamos, igualmente, poderosos. A crença ativará dentro de nós, pois a confiança no aspecto positivo é o melhor caminho. Mas cada um deverá chegar sozinho a esta conclusão, por meio de seu próprio estudo.
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[Texto de Leandro Pires, pesquisador de assuntos místicos e esotéricos]