sábado, 24 de outubro de 2009

ALIENS NAS SAGRADAS ESCRITURAS

[Uma interpretação realista das histórias que envolvem a Arca de Noé e a Arca da Aliança]

Se prestarmos atenção, a chamada civilização cristã, pelo menos aqui no Ocidente, possui dois deuses. Um deles, tal como se manifesta nas Sagradas Escrituras, notadamente no Antigo Testamento, tem todo realismo, solidez existencial e factual.

O outro, numa tremenda deturpação do conteúdo dos Evangelhos, manifesta-se de maneira abstrata, alienada, irreal e formando um conceito supostamente teológico de Santíssima Trindade:um só Deus em três pessoas distintas – Pai, Filho e Espírito Santo. Essa é uma conceituação absurda, forjada pelos próprios teólogos, em que se pretende que três pessoas distintas constituam um só deus, algo que está em total contradição com os ensinamentos de Jesus, bem claros a esse respeito.

Tomando essas reflexões como ponto de partida, e, conseqüentemente, enxergando Deus de outra maneira, tentaremos rigorosamente nos basear naquilo que Ele mesmo nos revela sobre si no “Antigo Testamento” – e no que Jesus nos apresenta em seus ensinamentos, além das inscrições de autores inspirados que compõem o “Novo Testamento”. Com essa sólida base, podemos perceber de maneira bem clara certos pontos das escrituras judaico-cristãs. Tais trechos não só podem como devem ser interpretados à luz de um novo conhecimento, e esse nos leva a CIVILIZAÇÕES EXTRATERRESTRES, MANIFESTAÇÕES UFOLÓGICAS E SERES ALIENIGENAS. Isso, sem duvida, vai constituir os fundamentos reais e autênticos não só de nossos conceitos religiosos como de nossas línguas e, em ultima análise, de nossa civilização.

Começando pelo “Antigo Testamento”, voltemos nossa atenção para um significativo acontecimento, o grande desastre ecológico conhecido como DILÚVIO, cuja universalidade ainda hoje é discutida pelos estudiosos. Além do patriarca NOÉ – nome que vem do Hebraico “NÔACH”,que significa flutuação – a figura mais importante do tal desastre é a da famosa arca, que teria sido construída a mando de Deus para o resgate de Noé, sua família e dos animais que por ali existiam.

Avançados estudos conduzidos pelo grande pesquisador e hermeneuta bíblico ZECHARIA SITCHIN, bem como por BRAD STEIGER e HADVEN HEWES, todos também notáveis UFÓLOGOS, levam à conclusão de que a arca teria sido, na verdade, uma nave submersível dotada do que as civilizações extraterrestres possuíam de mais adiantado e sofisticado do gênero, a fim de suportar as catastróficas intempéries dos supostos 40 dias e 40 noites.

Tabulas Sumerianas
Sobre essa afirmação há indícios fortíssimos em textos apócrifos, especialmente encontrados no ‘Gênesis’ e nos manuscritos de “Qumran”, assim como em referencias de textos sumérios, notadamente na epopéia de “Gilgamesh”, em particular na pessoa de “UTNAPICHTIM” - que seria Noé na versão judaica do acontecimento narrada nos capítulos 6,7 e 8 do referido “Gênesis”. Além das tabulas sumerianas, o pesquisado italiano FREDERICO ARBORIO MELLA menciona uma versão ‘hitita’ do hstórico dilúvio, também antiqüíssima, como também é a famosa “Edda Nórdica”, citada pelo pensador alemão GERD VON HASSLER em sua obra “OS SOBREVIVENTES DO DILÚVIO”, ainda sem versão disponível em português.

No presente trabalho queremos mostrar, dentro de uma linha ufológica de pensamento e interpretação, a diferença que há no texto original da “Bíblia” hebraica entre as palavras usadas para designara ARCA DE NOÉ e a ARCA DA ALIANÇA. Para isso nos amparamos mos capítulos acima citados do livro de Gênesis e no capitulo 25 do “Exodus”, a partir do 10º Versículo.

Apesar de nos textos originais estas serem palavras completamente diferentes, quando o famoso São Jerônimo traduziu tudo para o latim – “VULGATA LATINA” – ele empregou, para ambos os casos, a palavra latina ‘arca’, que assim foi traduzida literalmente para o português.

No caso da Arca de Noé, o vocábulo original hebraico usado para a referida embarcação é “HATEBÁ”, que significa uma nave submersível ou um submarino, jamais uma simples embarcação flutuante, como se pensava até o presente momento. Tal vocábulo é ainda hoje empregado no hebraico falado em Israel. Isso faz lembrar um caso análogo de nave extraterrestre apresentada simplesmente como o nome de “GRANDE PEIXE” – tradução de “dag gadol”, no original hebraico -, aquele provável submarino que recolheu o profeta Jonas, quando este foi atirado ao mar. Tal fato está narrado no Livro de ‘Jonas’, logo no início do capitulo 2.

Instrumento de Comunicação
Já em relação à Arca da Aliança, sua primeira citação no capítulo 25 de ‘Exodus”, quando o próprio Deus teria determinado a Moisés sua confecção, dando os detalhes necessários para isso. No entanto, a oalavra hebraica do texto original massorético é “ARON”, que significa uma cesta, caixa ou mesmo um engenho. Como se vê, a interpretação dada a essa palavra é completamente diferente da empregada no caso da Arca de Noé, como também tem um significado totalmente distinto.

Segundo a história bíblica, a Arca da Aliança seria uma caixa dotada de singulares características determinadas pela própria divindade. Certamente se tratava de um engenho eletrônico ou algo equivalente, tecnologicamente bem acima de nossos atuais artefatos congêneres. Levando-se ainda em consideração as ”Sagradas Escrituras”, tal caixa seria um instrumento altamente preciso de comunicação entre o plano dos ‘ELOHIM’ – mais particularmente de ‘IAHWEH ELOHIM‘, nosso DEMIURGO DE DEUS – e os seres humanos. Para alguns autores, os humanos objetos dessa comunicação seriam especificamente os membros do chamado povo eleito, isto é, os israelitas liderados por Moisés.

As singulares características da Arca da Aliança ainda insinuariam fortemente ser ela dotada de capacidades energéticas e radioativas, que colocariam num plano bem mais concreto e real que aquele puramente sobrenatural, como nos induzem as interpretações do dogmatismo teológico. Por exemplo, tal objeto teria provocado a imediata morte de OZA, narrada no capítulo 6 do segundo Livro de SAMUEL.

Baseado no próprio relato bíblico, a ARCA da ALIANÇA, sob o comando de DAVI, vinha sendo transportada para Jerusalém em um carro de boi especialmente preparado para a tarefa. Em dado momento, a mesma pendeu para a esquerda e ameaçou cair. OZA, que seguia à esquerda do carro,estendeu a mão e segurou. Neste ato teve morte imediata, como que fulminado por algo que a caixa continha ou irradiava. Provavelmente ele não estava preparado para ter contato com tal instrumento e suas emanações letais.

Outro episódio análogo ligado à mesma ARCA DA ALIANÇA – narrado também em SAMUEL, mas desta vez no capítulo 5 de seu primeiro livro –, é o aparecimento de tumores anais e um certo tipo de dolorosas hemorróidas que acometeram a população filistéia, mais precisamente da cidade de ‘Azot’ e redondezas, onde se concentrava. Tudo indica que teriam sido causadas por fortes irradiações que, pela falta de algum tipo especifico de preparação, afetaram aquelas partes do corpo dos filisteus dentro de um determinado raio de alcance local.

EXPLICAÇÃO RACIONAL
Temos nas ‘Sagradas Escrituras Jucaíco-Cristãs’, tanto nos livros que compõem o Antigo Testamento como nos do Novo Testamento, várias e interessantes narrativas que demandam uma explicação mais racional e técnica, que atendem melhor ao raciocínio do homem moderno do que as interpretações teológicas. Tais casos estão descritos em vários livros, notadamente nos escritos que compõem nosso lastro hebraico-cristão. Eles exporiam melhor à humanidade fatos relativos à existência de civilizações extremamente desenvolvidas que, sem a menor sombra de duvidas, vem nos visitando desde tempo imemoriais.

Particularmente no caso da ARCA DA ALIANÇA, ainda usando os textos originais, constamos que ambos os casos – das hemorróidas e do fulminante óbito de Oza – foram justificados como sendo causados pelo repentino acendimento da ira de “IAHWEH”, uma explicação simplista. Tal dedução parece ser um recurso da época, quando tudo tinha que ser explicado sob um ângulo pura e exclusivamente religioso, sobrenatural, sob a égide de uma intervenção divina. Como esses casos, vários outros episódios bíblicos precisam ser desmitificados – ou ‘ DESMITOLOGIZADOS’ -, o que pode ser atingido como um esforço construtivo acompanhado de recursos psicológicos, filosóficos e culturais, mesmo sob a luz de novas concepções teológicas.

Precisamos desenvolver esforços no sentido de desmistificar quadros já bem batidos, pisados e repisados por instituições eclesiásticas, notadamente as mais dogmáticas, que se julgam depositárias exclusivas das revelações feitas pela divindade e, conseqüentemente, as únicas credenciadas a fornecer interpretações “INFALÍVEIS” para os fatos bíblicos. Em nome do esclarecimento e do progresso cientifico e religioso, urge retomarmos o ponto de vista dos antigos padres gregos e latinos, como o grande ”Orígenes de Alexandria” e outros do período patrístico, que adotavam os lemas “FIDES QUAERENS INTELLECTU” = “A FÉ PROCURANDO A INTELIGENCIA”, e “FIDES QUARENS RATIONEM” = ”A FÉ EM BUSCA DA RAZÃO”. Estes devem ser também nossos lemas e o nosso grande esforço.
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[Texto de DOM FERNANDO ANTONIO PUGLIESI, estudou filosofia e teologia na Pontífice Universidade Gregoriana Romana, é bispo da Igreja Católica Apostólica Brasileira em Maceió [AL] e consultor da Revista UFO].

A ELIMINAÇÃO DAS TREVAS


Não nos cansaremos, pois, de repetir que a base da existência está no pensamento criativo. Tomaremos consciência da significação do ritmo como o dínamo subjacente ao nosso labor. Lembraremos o pacto da Luz segundo o qual, dentre todas as coisas, as primeiras em importância para nós são espírito e criação; em segundo lugar vem a saúde; em terceiro a riqueza. Entretanto, se ouvires a voz adocicada do murmurador, insinuando-se na escuridão para dizer: “Primeiro ao riqueza, depois a saúde e por ultimo a criação”, responde:”Conheço-te, homúnculo disfarçado! Novamente vistes de rastos, aproveitando que o guardião ausentou-se para almoçar, deixando a porta aberta. Mais uma vez tiras proveito da inconstância e da fraqueza humana, mais uma vez tentas reanimar a semente da traição. Não importa o disfarce que uses, nós te reconheceremos. Tua reavaliação materialista de valores te revelou, junto com tua influência desagregadora. A próxima evolução não se apóia em tuas bases,homúnculo! Verdadeiramente, teu elaborado disfarce não terá valia para ti. Sabemos sem qualquer duvida que o espírito e a criação encontram-se na base da Existência e podem ser a única salvação da humanidade!”

Penetrando vigilantemente nas leis que governam a humanidade, enxergamos centelhas redentoras em toda parte. Observemos que os homúnculos como protótipos do traiçoeiro Mime, que sonhava aniquilar o heróico Siegfried, sempre revelam suas intenções ocultas,de um modo ou outro. Lembramos quão docemente Mime solapa a vigilância de Siegfried descrevendo em murmúrios como o havia criado e educado. Ele chega mesmo a falar de feitos heróicos a Siegfried, obviamente com a intenção de apoderar-se das recompensas desse gigantesco empenho [empreendimento], enquanto pensa em matar Siegfried à traição. Mas de um modo miraculoso Mime começa a dizer, não o que gostaria de dizer, mas o que verdadeiramente pensa. Na verdade, se observamos atentamente, discerniremos as reais formulas do homúnculo que ele, mais cedo ou mais tarde, pronuncia em nossa presença.

Agucemos nossa atenção;mesmo nas pequenas coisas aprendamos a intensificar a concentração e a estarmos sempre alertas, para que no momento adequado não sejamos obscurecidos por nossos próprios pensamentos mesquinhos e nebulosos. Dizem que o criminoso sempre volta ao local do crime e acaba sendo apanhado. Homúnculos se traem da mesma forma, pois, em ultima analise, tudo que é destrutivo acaba exposto e revelado. Homúnculos temem o futuro, como tantas pessoas que se tornam atéias simplesmente para poderem rejeitar todos os pensamentos sobre o porvir.

A idéia de um “Espírito Orientador”, a idéia da “Liderança Superior” bafeja todas as eras, pois nesse conceito se encontra a oposição, o contrapeso ao homúnculo sombrio. Ao começarmos fazendo um discurso ao homúnculo desmascarado, relembramos algumas promessas da Luz que sem esmorecimento, guiam a humanidade sofredora.

Eis o que ordena a Sabedoria Oriental:

“Na construção de bases ou empreendimentos solenemente afirmados, devemos lembrar que toda construção começa de baixo para cima. Ao construirmos em nome do Senhor, só temos um caminho a tomar – aquele que leva à Fonte Criativa, o caminho da poderosa Hierarquia do Serviço Elevado; a partir dele o contato com o principio criativo impele o espírito da ratificada lei da Hierarquia. Cada construção requer um esforço para o alto. Portanto, só a lei da obediência à Hierarquia pode proceder à tensão oriunda da lei. O que é dado para o alicerce deve portanto, ser bem guardado, pois sem as pedras da fundação a estrutura não poderá se manter ereta.

“Como, então, nos ratificarmos no Ensinamento? Como devemos no aproximar da Mais Elevada Lei da Hierarquia? Somente através do refinamento do raciocínio e da expansão da consciência. Como pode o Comando do Alto ser cumprido se a ratificação de conformidade não estiver presente? Devemos ter a capacidade de aceitar a vastidão do Ensinamento. Só a conformidade permitirá que a taça seja preenchida. Vemos, portanto, que a manifestação da tolerância é digna de uma consciência ampla. No caminho para o Nós, só alcançamos a consecução através da Hierarquia. Assim, somente através do poder da Hierarquia Nós podemos transmitir o que nos é dado, portanto, todas as couraças devem permanecer puras. Como podem novas possibilidades e novas pessoas ser atraídas se não agimos em nome da Hierarquia?

“Como o Nós certamente se pode realizar pela saturação do coração. Aquele que isso alcança é privilegiado, pois a fonte do coração não secará. A imagem do Senhor centralizada no coração não ficará toldada, e a qualquer hora estará pronta para auxiliar. Este método de usar o coração é extremamente antigo, mas exige uma expansão considerável da consciência. Não se deve falar do coração logo no principio, pois é possível sobrecarregá-lo sem qualquer resultado. Igualmente, será inútil falar de amor se o coração ainda não contiver a imagem do Senhor. Mas soará a hora em que se afará necessário apontar o poder do coração. Aconselho recorrermos ao coração, não só porque ali a Imagem do Senhor é límpida, mas também por razões cósmicas;; é mais fácil transpor abismos quando os laços com o Senhor são fortes. Não é fácil, pois, caminhar sem o Senhor. Não devemos repetir em nome do Senhor com os lábios tão somente, devemos revolvê-lo em nosso coração – assim Ele não se afastará, mas será como uma imagem esculpida na pedra pelas torrentes da montanha. Dizemos ‘Cor Reale’ quando o Rei de Copas entra na habitação predestinada. Devemos nos proteger com a Imagem do Senhor.

“O fogo onipresente impregna cada manifestação vital. O fogo onipresente abraça cada ação. O fogo onipresente impele cada esforço, cada inicio – como não nos impregnarmos com o onipresente fogo! O poder cósmico que existe em cada impulso do homem, e no poder criativo, é dirigido para a criatividade consciente. Com que grande cuidado devemos colher e reunir essas energias correspondentes para a criação de um futuro melhor! Só uma luta consciente pela posse do poder de mensuração conjunta [co-mensuração] pode manifestar uma criatividade digna de progresso futuro. Depreende-se daí que cada ser que esteja no caminho para o Nós deve esforçar-se por alcançar criatividade, dirigindo conscienciosamente seu discernimento.

“Quando a consciência desperta nosso reconhecimento da necessidade de termos uma Imagem do Senhor constantemente diante de nós, retiremo-nos para um local tranqüilo e dirijamos o olhar para a Imagem escolhida. Mas lembremos de que é preciso decidir irrevogavelmente, pois a Imagem constante servirá de censura incessante em caso de traição. Após uma contemplação fixa da Imagem, fechemos os olhos, transferindo-a para o terceiro olho. Assim procedendo, receberemos uma Imagem vívida e sentiremos um tremor intenso, especialmente no coração. Em breve a Imagem do Senhor habitará inseparavelmente conosco. Podemos testar-nos fitando o sol e da mesma forma veremos o Senhor diante de nós, às vezes sem colorido, outras vezes vividamente e sempre em movimento. Nossa prece será desvestida de palavras e só o tremor do coração preencherá nossa compreensão. Assim, é possível a cada um realizar alguma coisa muito útil na vida, mas a consciência deverá corresponder.

“Como é importante preservar o fogo do impulso! Sem esse estimulo não podemos impregnar a base, o alicerce, com as melhores potencialidades. As forças aplicadas no início se multiplicam pela ação do fogo do impulso. É necessário, portanto, tentar multiplicar as Forças da Fonte Primeira. Em toda construção é preciso observar a harmonia e o dimensionamento, pois para impregnar nossos começos é necessário dimensionar as medidas dadas com as aplicadas. Fogo e impulso sustentam a vida em cada começo. Sem eles, os inícios perdem sua vitalidade. Por isso, esforcemo-nos para alcançar o Fogo ratificado, oferecido pelo Senhor. Só assim será possível alcançar a saturação ardente. Sim!Sim!sIm!


“Embarcado num navio, certo viajante teve roubada a sua bolsa, contendo todo o seu ouro, os outros todos ficaram indignados, mas a vitima sorriu e disse: ”quem sabe?”

“Veio uma tempestade e o navio naufragou. Só um passageiro foi lançado à praia. Quando os moradores da ilha consideraram sei salvamento um milagre, ele novamente sorriu, dizendo:”Eu apenas paguei mais caro que os outros por minha passagem”.

“Nunca sabemos quando as boas sementes germinarão nem quanto tempo levará para amadurecer a colheita de pensamentos envenenados. Também eles precisam de tempo para sazonar. Cuidado, portanto, como os pensamentos envenenados; nenhum deles desaparecerá sem deixar traços.

“Mas onde fica aquele país, onde está aquela hora, em uma espiga de veneno estará madura? Embora pequenas mas rascantes, farão com que não haja pedaços de pão que não nos rasguem a garganta.

“Será possível não colher o que plantamos? Que a semente seja boa, de outro modo o veneno só gerará veneno. Muito poderá ser evitado, mas o tesouro do coração é o mais precioso. O pensamento, sendo a forma mais elevada de energia, é indissolúvel e pode ser depositado em sedimentos. A manifestação de um experimento com as plantas prova o poder do pensamento. Da mesma forma, um cientista cujo pensamento esteja tenso, pode tirar da estante o livro de que necessita.

“Devemos, portanto, desenvolver o assombroso impulso do fogo que a tudo dá vida. Assim, o fogo impregnado poderá atrair todas as energias correspondentes. No cultivo do pensamento devemos, acima de tudo, nutrir o impulso ardente. Assim como o impulso criativo atrai reverberações, assim o pensamento atrai correspondências. Guardemos, por conseqüência, o impulso do fogo.

“O maior erro das pessoas é se considerarem separadas daquilo que existe. Desse conceito errôneo surge a falta de cooperação. É impossível explicar àquele que se coloca no exterior que é responsável pelo que acontece em seu interior! O pai manifesto de egoísmo já semeou a duvida e o engano para romper o elo com o tesouro da luz.

“Podemos deitar raízes no mundo do pensamento, e assim criar para nós asas no céu e nos alicerces da terra...”

Estudemos sem preconceito a história da humanidade e veremos que, seja qual for o seu disfarce, o homúnculo despreza a Luz, e odeia acima de tudo a Hierarquia da Ventura e do Conhecimento.[Bem-aventurança]. Diante dessa Hierarquia portadora de LUZ, o homúnculo começa, em sua própria confusão, a reiterar suas próprias fórmulas ocultas. Mas tudo que já foi pronunciado deixa de ser perigoso. A fina teia de trevas será instantaneamente destruída pelo fogo do espaço.

No serviço pela grande Cultura não devemos nos limitar a um programa uniforme. Todo padrão leva à tirania. A chama fundamental da Cultura será uma só,mas suas centelhas, na vida, serão extensamente multiplicadas [múltiplas], bem como preciosamente individuais. Tal como um jardineiro dedicado, o verdadeiro portador da cultura não esmagará cruelmente as flores que partilham da vida fora de seu jardim, se elas pertencerem à mesma preciosa espécie que ele zelosamente defende. As manifestações da cultura são tão múltiplas quanto as manifestações infindas de variedades de vida. Elas enobrecem a qualidade de ser, de existir. São os verdadeiros ramos da única e sagrada ‘Árvore”, cujas raízes sustentam o universo.

Se nos perguntarem que espécie de país e que futura constituição sonhamos, podemos responder com plena dignidade:”Visualizamos o país da Grande Cultura”. O país da Grande Cultura será nosso nobre lema. Saberemos que naquele país, onde o CONHECIMENTO e a BELEZA serão alvo de reverencia, existirá PAZ. Que todos os ministros da guerra não se ofendam se tiverem que ceder suas prioridades aos ministros de educação pública. A despeito de todos os homúnculos que espiam dos buracos que se escondem, cumpriremos nossos deveres para com a Grande Cultura e seremos fortalecidos pela certeza de que só restarão homúnculos como inimigos.

Nada pode ser mais nobre que ter os homúnculos por inimigos. Nada pode ser mais puro e elevado que o esforço pela criação do futuro país da Grande Cultura.

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[ Texto apresentado na Reunião dos Jovens Idealistas, New York, 1931, por NICHOLAS HOERICH]

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

HAJA LUZ!



“No principio era o Verbo, e o verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por meio Dele e sem Ele nada foi feito. O que foi feito Nele era a vida, a vida era a Luz dos homens; e a Luz brilha nas trevas, mas as trevas não a apreenderam”. [Bíblia de Jerusalém – Cap. 1 do Ev. Seg. são João].

Todo místico, necessariamente, e o ser humano em geral se perguntam sobre a origem do homem e sua evolução até nossos dias.

A literatura mística é vasta neste sentido e apresenta gama enorme de teorias;algumas recebem e outras não sustentação nos chamados princípios científicos. Não nos cabe examinar a consistência de cada uma!

A ciência moderna teoriza sobre o mesmo assunto e formula equações matemáticas que pretendem comprovar tais teses.

Ora, de acordo com os critérios científicos contemporâneos nada pode ser garantido quanto a origem e evolução do homem;isto vale para cientistas e místicos. Costumamos, assim, admitir a tese mais aceita!

Se nos dermos ao trabalho de examinar o material disponível, verificaremos que a principal preocupação do homem, neste sentido, tem sido desvendar o mistério de seu corpo físico; a origem e evolução do ser físico do homem. A consciência, neste contexto, tem apenas sido um ingrediente, um detalhe.

Em que momento de sua evolução o homem adquiriu consciência? Quando o Verbo se fez carne e a Luz brilhou nas trevas?

O homem [ser humano: homem e mulher] é um ser complexo, misto de entidade material, herdeiro de uma carga genética que o arrasta e entidade espiritual, depositário do conhecimento eterno desde todas as origens, por herança.

Como ser imortal o homem tem reexperimentado a vida material [pela reencarnação] e provocado grandes transformações; a cada dia o ser recria a vida num eterno renascimento. Numa manifestação cíclica, a historia se repete em novos momentos como se uma hoste de seres devesse experimentar a experiência que outros já possuem. É o milagre da vida que se repete na inexorável necessidade de criar e experimentar!

Reflitamos sobre a organização da vida do homem, rapidamente, à luz do conhecimento místico e cientifico mais atual.

EVOLUÇÃO E INVOLUÇÃO
Tudo no universo é energia. Energia significa, movimento, que significa mudança, que significa evolução e involução.

Evolução, em tudo, inicia quando se manifesta o impulso inicial de uma nova ordem ou um propósito mais elevado. Inicia com a percepção de um estado ACIMA daquele já existente, tanto na matéria quanto na mente.

Da mesma forma e no sentido inverso, a involução, em tudo inicia quando se completa a mais elevada forma de expressão ou manifestação no propósito de sua respectiva evolução.

É um ciclo sem repouso:”O momento seguinte da evolução é a involução e desta, novamente a evolução”, num eterno recriar ...

Neste sentido a matéria está evoluindo e aspirando à forma que há de sustentar a vida; tal forma vital permanece evoluindo no sentido daquele organismo mais complexo que, como veículo da Alma, sustente e manifeste a consciência, o que implicará em algum tempo em autoconsciência, ou seja, um ser semelhante ao humano.

Da mesma forma, a própria consciência está evoluindo no sentido de algo ainda mais elevado, a superconsciência cósmica. Em verdade a vida é contínua, através da matéria e da mente, e o corpo humano atua como um catalizador da bioenergia [energia de vida], da mesma forma que a mente. A influência é recíproca entre a energia, o corpo e a mente, sempre num sentido de evolução: tudo é energia!

A energia que se constitui o universo vibra em seu próprio ritmo. Assim, a causa de impulsos ou impressões é vibratória;portanto, o efeito dessas mesmas vibrações é, por sua vez, vibração. Todas as vibrações recebidas pela mente provocam seu efeito especifico, segundo o GRAU DE ATENÇÃO com que as recebemos. Como atributo da Alma a consciência é o aspecto mental da vida, incluindo em seu contexto o raciocínio, a realização e a sensação, de que são forças e causais a imaginação, a aspiração e a inspiração.

Alguém afirmo que “se conhecêssemos nossa própria consciência, conheceríamos os princípios da vida”. Os místicos afirmam ser impossível alcançar o conhecimento pleno de forma exclusivamente intelectual. Os grandes luminares da humanidade, como Einstein, por exemplo, afirmam que sua sabedoria foi resultado de “inspiração”, ou intuição. Confirmando este princípio afirmamos que o autoconhecimento proporcionará a revelação da superconsciência, ou consciência cósmica, segundo o nosso entendimento, a nossa compaixão, o nosso amor.

O que é e Como Ocorre a Consciência
Consciência é o sentimento do que em nós se passa, é o testemunho ou julgamento secreto da alma que aprova ou não as ações individuais. No sentido rigorosamente místico é o aspecto mental da vida, é o centro da vida do homem – “equilibrado entre dois mundos e aberto, naturalmente, a ambos”. É um atributo da Alma.

É a consciência o momento entre o mundano e o cósmico, tem memória do mundano e “é profética em relação ao momento seguinte ou futuro”. E isto porque o “futuro” está passando continuamente pela consciência e tornando-se passado.

Mas a consciência é um espectador, não participa do tempo.

E esta capacidade “profética” do ser humano permite sua interferência no futuro, alterando a consecução de novas causas e novos efeitos, exceto as originais.

Isto é possível em virtude de a memória permitir à consciência transportar-se para o passado e, à imaginação, sentir, antecipar, projetar-se para o que há de ser. Ainda que não absolutamente distintas estas duas funções, não concluamos que a memória seja a única base da imaginação! “É principalmente por meio da imaginação e não tanto da memória que o EU é revelado ao eu”, e que nos tornamos capazes de reconhecer, por toda a consciência, certa mudança que identificamos como evolução. “E será aspirando entrar em contato com essa imaginação criadora de Deus que nos tornaremos inspirados e criaremos aquilo que se realizará em serviço prestado à humanidade”.

Assim sendo, concluímos naturalmente que todas as ações iniciam na essência invisível do corpo e terminam em suas partes mais grosseiras. Estas, são as últimas a serem afetadas, em todos os sentidos! Isto é verdade no que se refere a toda a natureza!

No que se refere ao mundo material, a consciência utiliza os sentidos para tomar conhecimento [a intuição atua noutra freqüência]. Os sentidos são imperfeitos, limitados, proporcionam distorções. A solução para a grande questão da inconfiabilidade dos sentidos é uma só: para que o homem conheça toda a verdade, sobre todas as coisas, deverá aprender a derivar o conhecimento através da mente cósmica, superconsciência ou consciência cósmica e não através da mente material, apenas. Este é o motivo da transmutação a que a vida se propõe. A consciência não se limita na mente nem está num determinado ponto, exclusivamente. Assim como a mente e a consciência penetram todo o corpo, penetram também todo o espaço fora do corpo.

De forma ainda mais abrangente, a consciência cósmica ou superconsciência está difusa por todo o espaço e, o que é da maior importância, penetra a consciência da mente do homem e está constantemente em contato com a mesma, sendo veículo de contato e manifestação.

Relatividade da Existência

Tudo é relativo na existência do homem e do universo. Dois observadores de um mesmo fato ou objeto dificilmente obterão os mesmos resultados.

O mundo físico não passa de “uma ilusão concentrada”, “MAYA” para os hindus; a matéria de fato não existe. Tudo é energia! O pensamento tem o mesmo valor da ação e a morte é o mesmo que a vida!

“O tempo é uma criação psicológica do intelecto humano” – é a duração da consciência;o tempo real não existe. Em física quântica afirma-se que um milionésimo de segundo e 100 bilhões de anos são a mesma coisa se não houve um observador contando o tempo relativo que passa relativamente.

Em última análise “o mundo subatômico não tem estrutura independente e definida”; é necessário que a consciência o defina para que tome forma. “O universo só existe porque é observado”.

A matéria como a compreendemos é um estado especial da energia; a vida é um detalhe, “uma sintonia fina da matéria, que atinge sua razão pela consciência”.

Isto não é apenas a opinião milenar dos místicos, é o resultado sintético da ciência moderna. Não é apenas um sonho, é a probabilidade matemática que a consciência inspirou.

Resumo Místico da Criação
Com base nas reflexões que estudamos acima, podemos afirmar que o homem adquiriu consciência quando sua evolução dual proporcionou os meios. De alguma forma podemos conceber que o homem possuiu consciência antes de sua manifestação material, e mesmo então, certa forma de consciência sempre existiu.

Respondida a primeira pergunta resta a segunda, complemento da anterior: quando o Verbo se fez carne e a Luz brilhou nas trevas?

Na verdade a resposta já foi dada, mas ouçamos uma alegoria mística como última conclusão.

O Ser experimenta o fruto da “árvore proibida”, a consciência, e se torna conhecedor do bem e do mal [relativos], elevando-se à condição de um deus diante da criação. Experimenta então a primeira morte, sujeitando-se aos eternos ciclos da vida. Padece como o grão de trigo ressurgido para uma vida de conquistas e derrotas, de luz e de trevas, de ignorância e conhecimento. ‘AISHÁ’, a Alma do homem, abandona a sua existência perene para enfrentar a luta brutal e amorosa da existência de Maya, a ilusão. Os poderes do universo foram abalados!

Do úmido surge o seco pela ação de ARDAREL, o SENHOR DAS CHAMAS. AISHÁ nada, rasteja, caminha e voa... abre suas asas em busca da maestria! Provou o doce amargo do cálice das amarguras, mas venceu o mundo, pois não sendo deste mundo está no Pai como o Pai está em AISHÁ. Rasga, então, os “VÉUS DE ÍSIS” e redescobre que sua origem é Deus, que ela própria é Deus, e que seu objetivo final é o si mesmo...E a luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a apreenderam. AISHÁ, a quem estava reservada a segunda morte, descobre a Nova Jerusalém e reconquista a eternidade!

É esta a história de todas as coisas.

É esta a tua história que escreves a cada dia!.
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[Texto de Alexandre M. Camargo]





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terça-feira, 20 de outubro de 2009

MUSICA DE WAGNER: O CÁLICE SAGRADO


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Depois de quase quarenta anos de trabalho prodigioso, e, algumas vezes, de oposição tempestuosa, o mundo musical reconheceu RICHARD WILHELM WAGNER como o maior criador na história da arte musical! Mas é o mundo místico que discerne, na sua ópera final, PARSIFAL, a revelação do CÁLICE SAGRADO.

Para compreender PARSIFAL, devemos tratar, inicialmente, das óperas da Tetralogia. A maior parte dos Historiadores diz que Wagner obteve o enredo das óperas da Tetralogia, da epopéia alemã, o NIBELUNGENLIED.

Mas, a visão penetrante de Corrine Heline, no seu livro A MUSICA ESOTERICA DE RICHARD WAGNER, mostra que as óperas da TETRALOGIA representam a ÁGUA, o AR, a TERRA e o FOGO. Das RHEINGOLD [O OURO DO RENO]representa o elemento Água; DIE WALKÜRE [ AS VALQUIRIAS], o elemento Ar; SIGFRIED, o elemento Terra; e DIE, GÖTTERDAMMERUNG [O CREPUSCULO DOS DEUSES], o elemento Fogo. Por conseguinte, tem-se certeza que Wagner teve acesso a ensinamentos místicos.

As óperas da TETRALOGIA formam, supostamente “um vasto caleidoscópio do passado, do presente e do futuro desenvolvimento da raça humana. GÖTTERDAMMERUNG mostra as trevas da materialidade e o caminho da Iniciação pelo amor, que, novamente, conduzirá a Humanidade à Luz do Espírito”.

Se considerarmos as óperas de Wagner como graus de desenvolvimento espiritual, elas apresentar-se-ão nesta ordem:

 TANNHAUSER;
 LOHENGRIN;
 TRISTÃO E ISOLDA;
 PARSIFAL.

À medida que as óperas se sucediam, cada uma apresentava uma maior promessa relativamente à apresentação épica final - a grande, a incomparável PARSIFAL, da qual foi dito: -

“ Do tempo da musica de PARSIFAL, o Homem pode construir uma ponte áurea de som, pela qual poderá comungar as hostes dos anjos e arcanjos”. [ Musica Esotérica de Richard Wagner, por Corine Heline]

Consta, no mundo musical, que LOHENGRIN e PARSIFAL foram calcadas nas lendas medievais do CÁLICE SAGRADO. Diz-se que Wagner obteve textos para as suas óperas, do poeta épico alemão e Minnesinger, WOLFRAM VON ESCHENBACH [1170-1220].

O primeiro autor conhecido que apresentou a lenda do Rei Arthur, de modo literário, foi CHRESTIEN DE TROYES de França [1164-]. A primeira referencia ao Rei Arthur, é de 600 A.D.

Essas lendas, originaram-se das tradicionais histórias de heróis Irlandeses e Gauleses. Antes do ano 1000, elas apareceram entre os Bretões, que disseminaram os contos pela Europa Ocidental, parcialmente, por meio dos Minnesinger. Os trovadores do Sul da França, que correspondem aos Minnesingers da Alemanha, floresceram nos décimo-segundo e décimos-terceiro séculos. Os maiores foram: WALTER VON DER VOGELWEIDE e WOLFRAM VON ESCHENBACH. Posteriormente os Meistersingers sucederam aos Minnesingers.

Se considerarmos um artigo publicado, em Abril de 1958, no “Rosicruciuan Digest” intitulado o “ Misticismo Voltado para a América”, por Donald Atkins, temos toda a razão para acreditar na existência do REI ARTUR. Declara-se que ele foi um descendente direto de JOSE DE ARIMATÉIA, o tio-avô de JESUS. [José foi um dos homens mais ricos do seu tempo. Possuia, entre outras coisas, a sua própria frota de navios e interesses nas minas de estanho da Britannia. Tomou sob seus cuidados, Maria, a Mãe de Jesus, após a crucificação].

Diz-se que o Rei Artur pode ser situado na oitava geração, aproximadamente, 495 a 537 A.D. O mundo místico, entretanto, tem razões para acreditar que o conhecimento do CALICE [ O SAGRADO GRAAL] data de séculos antes de CRISTO.

Por determinação do Imperador NAPOLEÃO III, a ópera de Wagner, TANNHAUSER, foi apresentada, no teatro de Ópera, em Paris, em Março de 1861. Foi vaiada e recebeu assobios da parte dos membros do Jóquei Clube, que se ressentiam com a produção de uma ópera que não continha o habitual bailado no meio do segundo ato. Wagner recusou-se a inserir um bailado e, conseqüentemente, quebrar a continuidade da ópera.

Nessa ocasião, Wagner estava em sérias dificuldades financeiras, dependendo da caridade de alguns amigos,principalmente, LISZT. A partir de 1850, a sua lista de trabalhos literários estava crescendo, rápida e poderosamente, nela se incluindo todos os poemas para as suas óperas posteriores, exceto PARSIFAL.

Em 1864, Ludwig II, da Bavária, ofereceu a Wagner o lugar de diretor real, em Munich, e amplo apoio aos seus projetos dramáticos. O teatro da Ópera de Beirute, construído, exclusivamente, para a produção de suas óperas, foi completado em 1876, e a TETROLOGIA, que Wagner chamou de”DER RING DES NIBELUNGEN” foi apresentada nesse ano.

PARSIFAL, a ultima ópera de Wagner, foi apresentada em 26 de Julho de 1882. A impressão que produziu, foi profunda;e, dessa época em diante, os festivais de Beirute, realizados a intervalos regulares, tornaram-se a meta de incontáveis peregrinações musicais.

Depois da morte de Wagner, em 1883, a sua segunda esposa, Cosina, que era filha de Franz Liszt, continuou com os espetáculos em Beirute.

No teatro de Beirute, a orquestra ficava escondida da audiência, por uma antepara que se inclinava em direção ao palco. E o que era ainda mais surpreendente, ninguém tinha permissão de aplaudir. Wagner, queria que o seu publico passasse pelas mesmas experiências da alma,que os atores estavam apresentando.

Entretanto, os seus temas nobres eram uma afronta a uma sociedade sensual e de prazeres. Que eles façam barulho e fumem, que proíbam que as suas obras sejam apresentadas e as vaiem. Wagner não cederá!

Ele viveu anos difíceis e enfrentou o fato doloroso de não ser reconhecido o seu grande talento. Eles o chamaram de teimoso, mal-humorado, egoísta, exaltado em suas exigências, um monstro e um tolo. Mas, ele não cederia. Ele tinha razão e sabia! E, no fim, triunfou.

As honras a ele tributadas, foram muito além das recebidas por qualquer outro compositor. O tempo provou que seus trabalhos revolucionaram o rumo da ópera e reverberaram em todo o âmbito da arte musical. Obtivemos, assim, o ‘TRABALHO DE ARTE” do futuro, que certa vez foi tão atacado, mas que, finalmente, tornou-se VITORIOSO. Ao criador desse trabalho, podemos aplicar, apropriadamente as palavras de Shakespeare: “ Ele cavalgou o exíguo mundo, como um Colosso”.

DESPERTAR DIVINO
Revisemos os dramas das duas óperas mais reveladoras, LOHENGRIN e PARSIFAL.

A princesa Elsa, heroína de LOHENGRIN, tipificava a personalidade-alma que parece já estar suficientemente desenvolvida para o casamento com o Divino [a Grande Luz] que é representada por LOHENGRIN, o cavaleiro do CÁLICE SAGRADO.

O sonho de Elsa com um cavaleiro numa armadura resplandecente, indica que ela está pronta para passar para um grau mais elevado da sua evolução. Lohengrin aparece num bote puxado por um cisne. Depois que os planos para o casamento foram feitos, Lohengrin pede a Elsa para ter fé - não perguntar o seu nome ou de onde vem. Elsa concorda;tudo parece bem, e são feitos os preparativos para o casamento. Mas, a duvida vence a fé. Elsa faz as perguntas fatais e, desse modo, perde seu lugar na Grande Luz.

Enquanto ainda soam os acordes da marcha nupcial, Lohengrin anuncia, tristemente, à assembléia, que o casamento não terá lugar. Ele canta, então, a declaração que é conhecida como uma das mais dramáticas em todas as óperas – a narrativa: “ NAS TERRAS DISTANTES “. Menciona Monsalvat e os cavaleiros que, ali, guardam o Cálcie Sagrado. Anuncia que seu pai é PARSIFAL e reina sobre todas as coisas; e que, ele mesmo, é Lohengrin. Lohengrin desaparece, então, num bote, puxado, agora, por uma pomba branca.

Tem sido dito que a ópera de ‘PARSIFAL’ está mais próxima da “MUSICA DAS ESFERAS” do que qualquer outra composição feita por mão mortal. Wagner sentiu que ela estava acima da sua época, e solicitou que só fosse apresentada, em Beirute, cinqüenta anos depois da sua morte. Ele a chamava: “Um Festival de Composição Sagrada”. A despeito da oposição completa da Sra. Wagner, a ópera PARSIFAL foi apresentada no Metropolitan Opera House, em Nova York, em 1903. Os direitos autorais expiaram em 1913, e seguiram-se apresentações em Berlim, Paris, Roma, Bolonha, Madrid e Barcelona.

A historia de ‘PARSIFAL’ conduz à genuinidade do “CENTRO DIVINO”. Unicamente por intermédio de Wagner, foi essa revelação mística tratada de modo tão reverente e dramático e teve significado tão maravilhoso. Os acontecimentos que são adiante narrados, são os que ocorrem antes da abertura desta ópera e auxiliam para lhe dar maior compreensão.

O SANTO GRAAL foi o Cálice no qual Cristo bebeu, na última Ceia, com seus discípulos. Esse cálice sagrado, juntamente com a lança sagrada, estavam em perigo de cair nas mãos de infiéis.

Mensageiros santificados levaram o cálice e a lança sagrada a um cavaleiro puro, chamado TITUREL, que construiu, então, um esplêndido santuário, chamado Monsalvat [Monte da Salvação] numa paragem inacessível dos Pirineus, e reuniu uma companhia de cavaleiros de honra imaculada.Esses cavaleiros devotavam-se à guarda do Graal. Uma vez por ano, uma pomba sagrada descia, dos céus, para renovar o poder sagrado do Graal e de seus guardiões.

Titurel, O Chefe dos Cavaleiros, sentindo-se velho, nomeia a seu filho, AMFORTAS, como sucessor.

O Cavaleiro Klingsor, que vive perto do Castelo de Monsalvat, deseja fazer penitencia por seus pecados, pois, a velhice dele se aproxima. Tenta unir-se à Ordem do Graal, mas, é rejeitado. Em revide, consulta um espírito do Mal e projeta a queda desses cavaleiros. Invoca o auxilio de um conjunto de sereias chamadas JOVENS-FLORES, cada uma das quais é meio mulher, meio flor, e vive num jardim mágico.

Verificando que muitos dos cavaleiros perderam a graça em virtude dos encantos das jovens-flores, AMFORTAS resolve verificar o caso, ele mesmo. Leva consigo a lança sagrada, confiante em que ela será poderosa contra a mágica das sereias. Mas, infelizmente, não só ele fica dominado por Kundry, como Klingson toma da lança e lhe faz uma ferida, que não sara.

Amfotas retorna profundamente infeliz para o Castelo de Monsalvat, sofrendo eterno remorso e agonia perpétua, por sua ferida. Entretanto, como sacerdote supremo, è forçado a celebrar os Ritos Sagrados, embora se sinta indigno.

Em vão, procura ele, por todas as partes, um remédio para o seu ferimento e o perdão para o seu pecado. Finalmente, numa visão, ouve uma voz proclamar que, apenas “um tolo sem maldade” [isto é, que desconheça o pecado e possa resistir a tentação] poderá trazer-lhe alivio e que mensageiros Celestiais guiarão tal pessoa a Monsalvat. Segue-se então, a ação da ópera PARSIFAL.

Quando PARSIFAL fere um cisne, ignorando que este se achava sob a proteção do rei, é arrastado por dois cavaleiros à presença de Gurnemanz [um veterano cavaleiro do Graal] que o repreende.
Este acontecimento tem lugar nas proximidades do Castelo de Monsalvat.

Os cavaleiros verificam que PARSIFAL pouco pode dizer de si mesmo. Encontrou um cavaleiro, chamado Sir Lancelot, na floresta, próximo ao seu Lar. Contra os desejos de sua mãe, ele o seguiu até o castelo. Recordava-se de que sua mãe chamava-se HERZELIED [Coração Triste].

Kundry, que vem nesse momento, à cena com um novo remédio para o ferimento de AMFORTAS, oferece mais informações. O pai do jovem era GAMURET. Depois da sua morte em combate, a mãe afastou seu filho, Parsifal, da maladade dos homens, por temer que ele sofresse a mesma sorte. Ela já está morte e PARSIFAL anda errante.

KUNDRY [KUNDRALINA] é um SER estranho que parece ter duas naturezas. Surge, alternadamente, como serva devota do Graal e, sob influencia mágica de Klinhgsor, como mulher terrivelmente bela, que conduz à ruína todos os cavaleiros que caem sob o seu poder. Essa praga, é punição por um crime cometido numa existência prévia, quando, como HERODES, zombou de CRISTO, na cruz. Quem quer que encontre KUNDRY dormindo, pode colocá-la sob seu serviço; sob o domínio de Klingsor, ela é bela; no castelo dos cavaleiros, é como uma fera horrível. Alguns cavaleiros protestam contra a sua presença, mas, GURNEMANZ, defende-a. Ocorre a GURNEMANZ que PARSIFAL talvez seja o “ tolo sem maldade”, enviado para curar a ferida de MAFORTAS. Quando ele conduz Parsifal ao grande salão em que o Graal deve ser desvendado no rito anual, Parsifal é tocado pela beleza e mistério do local, e diz:”Eu mal posso me mover;e, no entanto, estranhamente, sinto-me como se corresse”.

Gurnemanz responde:”Meu filho, viste que aqui o espaço e o tempo estão unidos, e tudo é DEUS”.

Parsifal testemunha o desvendar do Santo Graal. A sua glória flamejante envolve o local e, embora os cavaleiros e donzelas se ajoelhem, em êxtase, Parsifal olha como se a cena não o tocasse. Mais tarde, quando Gurnemanz interroga-o, ele está tão maravilhado que não pode falar. Irritado, Gunermanz expulsa-o do salão e bate a porta.

No mundo exterior, Parsifal resiste às jovens-flores e à presentemente sedutora e bela, Kundry. Enraivecido, Klingsor atira a lança sagrada sobre Parsifal, mas, ao invés de feri-lo como aconteceu com Amfortas, passa sobre sua cabeça e Parsifal fica na sua posse. Parsifal, então, bane a mágica negra de Klingsor e de seu castelo, para sempre. O poder de Klingsor é vencido e o seu palácio se arruína. Embora Kundry tenha rogado uma praga a Parsifal para que tenha uma vida errante, ele vagabundeia, não tanto pelo poder da praga, como pelo fato de que ainda tem muito para aprender.

Anos mais tarde, numa bela manhã de primavera, numa SEXTA-FEIRA SANTA, Parsifal volta. Durante a sua ausência, Amfortas tem se recusado a descobrir o Graal, do qual os cavaleiros recebem o sustento e força, visto que, cada vez que ele o faz, a sua ferida se abre e renova-se a sua agonia.

Corrine Heline diz o seguinte, referentemente ao ferimento de Amfortas: “ A ferida incurável que tem no lado, é o sofrimento da Humanidade, causado pela sua queda na vida dos sentidos – que trouxe consigo necessidade, doença, discórdia, morte e todas as grandes tristezas que sobrecarregam os habitantes da Terra”.

“Essa ferida só pode ser curada pela redenção, pela purificação da natureza sensória inferior e pela transmutação dos seus poderes em faculdades da alma” [A musica esotérica de RICHARD WAGNER”,* por Corrine Heline].

Amfortas, em agonia continua e em desespero, almeja a morte. Ele, porém, deverá viver uma vez que tem a seu cargo o Santo Graal. Em virtude da mote de seu pai, deverá desvendar agora, o Cálice. Como a agonia é maior do que aquilo que pode suportar, suplica aos cavaleiros que o matem.

Nesse ínterim, Gurnemanz revelou a Parsifal o triste estado dos cavaleiros, no castelo. Kundry lá está, na qualidade de empregada do Castelo do Graal. Lava os pés de Parsifal, na fonte de água sagrada e seca-os com seus cabelos [reminescencia de Madalena].Ele a batiza.

O Graal é desvendado. Kundry morre quando se ajoelha ante o altar. Isto representa a completa e final dedicação da personalidade aao serviço da alma.

Parsifal, que penetra no grande salãocom Gunermanz e Kundry, não é percebido;Amfortas está prestes a desvendar o Cálice Sagrado; Parsifal toca o seu ferimento com a lança sagrada, e o cura.
Um pomba branca desce e paira sobre a cabeça de Parsifal.

Parsifal agita suavemente o Santo Graal ante os cavaleiros prosternados. Gurnemanz e Amfortas, os sábios e rei depostos, ajoelham-se ante a Parsifal, que é o Rei-Sábio da Ordem de Melchizedek, o Senhor das Idades. Parsifal é coroado rei, e permanece no castelo como líder dos cavaleiros.

Temos assim:
1_ A vinda de Parsifal;
2_ A tentação de Parsifal;
3_ A Coroação de Parsifal.

Essa disposição é idêntica aos três passos dos antigos mistérios. Foi Pitágoras, o grande filósofo místico do sexto século A.C., quem apresentou a musica e os números como forças e poderes divinos. Estudantes, na escola – templo de Pitágoras, progrediam através de três graus sucessivos; PREPARAÇÃO, PURIFICAÇÃO e PERFEIÇÃO - de modo a alcançar a revelação final do centro divino do homem, em si mesmos.

Por conseguinte, do ponto de vista místico, a ópera PARSIFAL, de Wagner, projeta, na época atual, a essência as sabedoria de Pitágoras. Pela LUZ dessa sabedoria, compreendemos o plano de Wagner para descobrir o Cálice Sagrado, apresentá-lo à visão humana.

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Texto de Edna May Crowley.




Wagner - Parsifal Act I Prelude_1

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Wagner - Parsifal Act I Prelude_2

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Parsifal Fantasia Richard Wagner
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

CORPO, MENTE, ALMA [Conceitos que mudam]


Que é UNIDADE?Estamos acostumados a pensar em unidade como uma coisa única, um estado ou uma condição. No entanto, a idéia de unidade provém de multiplicidade. Quando duas ou mais coisas se fundem numa coisa única, referimo-nos a esta como “unidade”. A introspecção do homem, sua pesquisa de seu próprio interior, remonta a milhares de anos. Raramente, porém, ele encararia a si mesmo como uma entidade singular.

Havia funções do ser do homem que eram marcantemente diferentes umas das outras. Conseqüentemente, o homem durante muito tempo pensou em si mesmo como uma unidade de três substancias ou qualidades. Além disso, a relação entre elas, nele próprio, é um mistério sobre o qual ele continua refletindo. Em geral, essas três diferentes qualidades do ser do homem são denominadas:
ð corpo;
ð mente e;
ð alma

Nessa trindade assim concebida, o homem tem valorizado menos o seu corpo. Tem até sentido certo desprezo por ele. Em suas religiões e filosofias, tem muitas vezes submetido o corpo a mortificações e sacrifícios. OU seja, tem por vezes negado as necessidades do corpo e o tem mesmo torturado.

A antiga escola órfica de filosofia pensava que a carne era má e corrupta. Seus adeptos acreditavam que o corpo aprisionava o elemento divino, isto é, a alma. Ensinavam que a alma estava constantemente buscando a sua liberdade. E essa liberdade era entendida como o vôo da alma de volta a sua origem divina. As escolas socráticas e platônica foram muito influenciadas por essa idéia sobre o corpo.

Filon Judaeus, do primeiro século antes de Cristo, foi um filósofo judeu nascido em Alexandria. Naquela época, as crenças religiosas estavam muito influenciadas pela cultura grega. Para Fílon, Deus transcendia tudo e era eterno. Mas dizia-se que a matéria era “coeterna” com Deus. Havia assim um dualismo: Deus, de um lado, com a matéria opondo-se a Ele, do outro lado. Fílon disse que de Deus descendiam logoi, isto é, forças. Os dois principais “ logoi” eram “bondade e potencia” ou divino poder. E Fílon os chamou de ‘mensageiros’ ou intermediários de Deus.

Fílon ensinava também que havia logoi inferiores. Estes, dizia ele, eram capturados e tornavam-se matéria. A alma [os logoi] era aprisionada nessa matéria. O corpo era matéria; logo, era tido como potencialmente mau. O homem tornou-se pecaminoso, mau, segundo Fílon, pelo mau uso de seu poder da vontade;em outras palavras, ele cedeu a seus sentidos e às tentações do corpo. Somente por meio de meditação e contemplação de suas qualidades divinas, conforme se declarava, poderia o homem elevar-se acima da matéria e do corpo. Essas idéias de Fílon deixaram claras impressões nas teologias judaica e cristã. O Novo Testamento as reflete.

Quais foram as principais causas desses conceitos adversos sobre o corpo humano? Quais são as razões psicológicas por trás deles? Mesmo em culturas primitivas, o homem considerou o corpo como uma coisa evanescente, ou seja, que está constantemente mudando. Como no caso da vida vegetal, observa-se que ele declinava e perdia sua qualidades. O corpo podia ser facilmente ferido ou destruído, inclusive pelo próprio homem. Portanto, não sugeria permanência, imutabilidade ou natureza eterna. Comparado com corpos celestes como o Sol, a Lua e as estrelas, o corpo parecia ser uma criação inferior.

Além disso, para o homem primitivo, os males e as dores do corpo pareciam enfatizar sua falta de pureza. Mesmo os apetites e paixões eram tidos como exemplos de fraqueza do corpo. Eram comparáveis às funções físicas dos animais, que o homem considerava inferiores a ele.

Mas havia ainda a segunda qualidade da natureza trina do homem. Era a parte “pensante”, os processos mentais. Agrupamos esses processos sob o temo geral “mente“, mas havia uma enorme distinção entre essas funções da mente e as do corpo. Havia uma característica intangível na parte pensante do homem. Ela não podia ser vista ou destacada. Para o homem, o aspecto mais impressionante dessa parte pensante era o de que ela era “interior”. Era algo dinâmico que movia o corpo como o homem quisesse. E esse algo interior, falava com ele. Podia mandar e pleitear, mas não era visível.

A IDÉIA DO EU
Por outro lado, o corpo atuava sobre esse algo, sobre essa parte pensante e isso levava o homem a sentir medo, surpresa, felicidade, pesar. Qual era então a parte verdadeira? Qual era a verdadeira entidade ou o verdadeiro homem? Aqui nasceu a idéia do EU encerrado numa casca. Ele era geralmente tido como inerte, passivo. O corpo era movido somente pelo mundo exterior, ou por esse algo interior. O EU, a parte capaz de consciência, era tido como o positivo, real.

Vemos aqui o começo do dualismo, da dicotomia, da divisão do homem em duas partes. Essa idéia da divisão da natureza do homem ainda persiste em muitas religiões e filosofias éticas. Notava-se que essa parte pensante do homem só existia no corpo vivo. Ela deixava o corpo na morte e, assim, era concebida como um atributo daquilo que dava vida ao corpo. Observava-se que a vida entrava e saía do corpo com a respiração. Respiração era ar, e o ar parecia infinito e eterno;portanto, às respiração logo foi atribuída como uma qualidade divina, pelo homem antigo. Por exemplo, em Gênesis 2:7, encontramos:” e formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida;e o homem foi feito em alma vivente”.

Mas se admitimos que a força vital é divina, então ela deve fazer muito mais do que apenas dirigir as funções orgânicas do corpo. O homem achava que ela deveria ter alguma finalidade superior a cumprir no corpo. Qualquer que fosse a forma que o homem concebesse para a Divindade, ela era considerada dotada de uma inteligência superior. Com o desenvolvimento da autoconsciência, o homem adquiriu uma crescente autodisciplina. Começou a sentir fortes reações emocionais a certos aspectos do seu comportamento. Alguns atos do homem fazia com que ele sentisse prazeres; mas esses prazeres não estavam relacionados com as sensações de seus apetites. Havia alguns que eram muito mais sutis e proporcionavam uma espécie de satisfação interior profunda. A essas sensações o homem deu o nome de “bem”;ao seu oposto de “mal”.

Foi fácil para o homem acreditar que era a Divina Essência ou substancia, em seu interior, que lhe indicava o bem. Ela era tida como INTELIGÊNCIA da Divindade no homem. Pensava-se também que essa Inteligência era uma parte superior da natureza do homem. A essa terceira qualidade do ser, o homem deu o nome de ‘ALMA’.

A RAZÃO
O homem logo se apercebeu das ilusões e dos equívocos dos sentidos. Os sentidos relacionavam-se com o corpo finito; portanto, não eram considerados uma fonte confiável para se chegar à verdade e ao conhecimento. A parte pensante do homem, sua razão, parecia proporcionar-lhe iluminação. Em outras palavras, dava-lhe respostas pessoais para muitas de suas experiências. Devido a esse poder atribuído à razão, ela era associada ao aspecto divino do homem. Dizia-se que a razão era um atributo da alma. Plotino, filósofo neoplatônico,disse que a razão é:”alma contemplativa”.

Como deveriam esses três aspectos da natureza do homem ser integrados? Qual deveria ser o poder controlador da natureza humana? Platão relacionou esses três aspectos com as classes da sociedade proposta em sua “Republica Ideal”. Segundo ele, a razão no homem deveria ser como a classe dirigente dos filósofos; a vontade, como a classe guerreira, e deveria fazer valer os ditames da razão; e o corpo deveria ser como os trabalhadores para prover o sustento da razão e da vontade.

A metafísica e o misticismo modernos, reconciliados com a ciência, repudiaram a velha idéia da Trindade e, com essa rejeição, muitas superstições, duvidas, e muitos temores, foram dissipados. Sua primeira proposição e doutrina é a de que “todos os fenômenos, a despeito de suas manifestações, estão inter-relacionados”. Não é reconhecida uma verdadeira dualidade, como de “material, de um lado, e imaterial, de outro”. Esse moderno conceito místico e metafísico também não interpreta que um estado da natureza humana é bom e outro é mau. Sustenta que essas noções são apenas relativas aos valores da mente finita do homem.

A noção de dualidade pressupõe que um estado, uma coisa ou condição,criou a outra. Por que deveria isto ser feito? Que parte de quaisquer duas partes é a superior? Ou por que uma permitiria que a outra fosse inferior ou oposta a ela? Estas questões perseguiram a teoria dualista da realidade durante séculos. Em conseqüência, a metafísica moderna propõe um estado “monístico”.

O ESTADO MONISTICO
O estado monístico, esse “UM”, é o COSMO. Ele é eternamente ativo. O ser, o Cosmo, é ativo porque é a realização do que ele é. O ser é inerentemente positivo, dinâmico. A idéia que o homem tem de não-ser, de um estado negativo, é apenas inferida de ser. É a suposição da ausência daquilo que existe. Inversamente, porém, um nada absoluto não sugere um algo.

A segunda proposição metafísica, é a de que o Cosmo não tem forma. Nenhuma coisa ou expressão, em si mesma, é o Cosmo. Como disse Spinoza, filósofo holandês, o SER É INFINITO EM SEUS ATRIBUTOS. O Cosmo, portanto, em sua eterna atividade, está sempre mudando suas manifestações. Ele é um espectro de energias pulsantes. O espectro eletromagnético e aquilo que chamamos de matéria e vida, tudo isso faz parte dele. O Cosmo é infinito em sua variedade de expressões, mas a percepção que o homem tem das mesmas, sua capacidade de tomar consciência delas, é limitada. Naquilo que o homem chama de TEMPO, algumas dessas manifestações do Cosmo podem lhe parecer constantes; em outras palavras, podem parecer ter uma forma eterna. Mas, novamente, o tempo e a mudança são relativos à consciência e à experiência do homem.

A terceira doutrina principal é a de que, em essência, o Cosmo é o mesmo. Nenhuma de suas expressões tem qualidade superior a de nenhuma outra. Pensar num aspecto do Cosmo como divino e em outros como não divinos é raciocínio humano falaz – é julgar manifestações cósmicas relativamente a seus efeitos mortais.

A ATIVIDADE DO SER
A metafísica moderna tem uma explicação para a atividade do Ser, do Cosmo. Ela propõe que ele oscila entre dois estados, ou pólos, de sua própria natureza. Um pólo é expansão;o outro, contração. Mas essa expansão não deve ser entendida no sentido comum da palavra. Não é um acréscimo, ou seja, crescimento. Não é adição de algo a si mesmo. Como o Cosmo, ou Ser, é TUDO, não há nada que possa ser acrescentado a ele.

Podemos usar a analogia de uma bola de borracha elástica. Se a apertarmos, ela parece diminuir. Na verdade, apenas concentramos sua substancia. Quando aliviamos a pressão, ela se expande novamente:no entanto, não acrescentou nada a sua substancia para se expandir. Conseqüentemente, há polaridades opostas geradas no Ser por essa expansão e contração. Podemos pensar no estado de contração como relativo à “polaridade positiva”, A chamada expansão, por sua densidade menor, tem polaridade ‘negativa’.

É essa pulsação que produz todas as energias e os fenômenos do Cosmo. As energias que assim se produzem guardam então relação umas com as outras, como pólos positivos e negativos. Atraem e repelem, como a ciência demonstra.

Já se tem dito que a natureza abomina o vácuo;ou seja, o SER está continuamente se esforçando para existir. E isso é a própria necessidade do Cosmo. Aquilo que se apercebe da sua necessidade de ser é consciência. Por conseguinte, a metafísica e o misticismo modernos perpetuam um conceito tradicional. Trata-se de que o Cosmo é “AUTOCONSCIENTE”.

A consciência do Ser funciona de vários modos em todas as expressões do Cosmo. Há consciência mesmo na matéria inanimada. Ela está presente na estrutura nuclear da matéria e se manifesta nas polaridades positiva e negativa a que a matéria se conforma. E também no núcleo positivo da célula viva e em sua camada externa negativa.

A consciência de “UMA” energia cósmica pode dominar e ter uma outra. Por exemplo, a energia que impregna a matéria e a torna VIVA, tem grande potência. É relativamente mais positiva do que a matéria, que, por contraste, é negativa. Este aspecto superior de consciência e força, então, domina e controla a matéria. Compele a estrutura da matéria viva a se conformar a ela. É por isso que nas moléculas de DNA e RNA da célula viva o desenvolvimento se faz somente numa direção. A célula viva não retrograda em seu padrão. Só grandes interferências podem produzir uma mutação, um desvio.

Há portanto uma combinação de consciência em cada forma viva, por mais elementar que seja. Essa combinação de consciência é transmitida por um processo evolutivo. Torna-se uma crescente “consciência de grupo”, que inclui todos os estágios anteriores da consciência. Como seres humanos, temos a consciência que é a força energética básica, a centelha da vida. Mas temos também, em nosso interior, a consciência de todas as formas de vida de que o homem ascendeu.

Assim como a célula viva tem a consciência impulsora pela qual ela se esforça para existir, o mesmo acontece com o homem. O complexo organismo do homem – cérebro e sistemas nervosos – dota-o de autoconsciência. ELE SABE QUE EXISTE. Torna-se uma entidade em si mesma. Mas as variações de consciência que se manifestam através do organismo complexo do homem produzem diferentes jogos de sensações. Há fenômenos como a intuição, a razão, as emoções e as sensações mais profundas ou impressões morais.

O homem separou e classificou as diferentes sensações e os diversos sentimentos que vivencia. Como já dissemos, ele se imaginou uma tríade. Por analogia, suponhamos que temos várias cordas de metal esticadas, de diversos comprimentos, como num instrumento musical [uma harpa, por exemplo]. Se fazemos uma forte corrente de ar passar por essas cordas, elas vão emitir diferentes sons. No entanto, é o mesmo volume de ar que produz os diferentes sons. O ar apenas faz as cordas de tensões diferentes vibrarem de modos diferentes.

Analogamente, nosso organismo faz com que as variações da consciência universal em nós produzam diferente sensações. O corpo, a mente e a consciência superior do EU que chamamos de ALMA, são apenas efeitos dessa consciência ÚNICA de grupo em nós. A distinção não está na essência e sim nas funções produzidas. É como o fato de que todas as diferentes notas musicais são não obstante som. Somente quando o ser humano compreender esse conceito deixará de exaltar uma função do seu ser com prejuízo das demais.

O Corpo provém da mesma fonte cósmica divina de que provém aquilo que o homem opta por chamar de Alma. Mas o corpo é limitado no serviço que pode prestar ao ser humano global. Concluindo, como disse o poeta Alexander Pope, “o estudo adequado à humanidade é o ser humano”.

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Texto de Ralph M. Lewis.