15 de mai. de 2010

Einstein_O Cientista Místico


“A Paz é a única forma de nos sentirmos realmente Humanos” [Albert Einstein]
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Lendo um dos jornais diários, certa manhã de sábado, encontrei um artigo que falava de Einstein, com o título acima, de um cronista muito místico. E, entre outras coisas, absorvi algo muito interessante, no que o próprio jornalista dizia: “identificamos mais facilmente Albert Einstein por aquela célebre foto dele com a língua de fora [captada na festa dos seus 72 anos] e pela sua branca e desalinhada cabeceira. Mas, poucos sabem que o genial matemático, um homem religioso – sem no entanto professar religião nenhuma – alegre e bom, que tocava piano e violino e era, antes de tudo, um místico.”

Sua célebre TEORIA DA RELATIVIDADE, analiticamente pouco compreendida, talvez não seja o mais importante referencial de sua vida e, sim, a sua permanente SINTONIA COM O UNIVERSO CÓSMICO, de onde lhe chegavam, intuitivamente, todas as respostas.

Dizia ele: “Eu penso 99 vezes e nada descubro; deixo de pensar e mergulho no silêncio, e eis que a verdade me é revelada”.

Afirmava que tudo pode ser captado pela intuição e que a diuturna focalização do UNO, ou seja, a Consciência Cósmica, abre os canais e revela todo o universo dos efeitos. Apoiava-se no pensamento intuitivo e não no meramente analítico. E certa vez revelou que as coisas lhe aconteciam como uma Iluminação súbita, quase um êxtase. Para Einstein, DEUS era a LEI, a voz da natureza.

Desde jovem ele tinha uma certa revolta contra as autoridades. Alemão de origem judaica e refugiado nos Estados Unidos nos últimos 20 anos de sua vida, fugindo da perseguição de Hitler, perguntava por que a sinagoga, a igreja e o próprio governo não diziam a verdade sobre Deus, sobre o mundo e sobre o homem?! Que intenções secretas – indagava- tinham as autoridades civis e religiosas para manter o homem nessa ignorância?

Os fatos [efeitos] devem ser analisados, mas a REALIDADE, a Imaginação de Deus, nos é revelada – ele ensinava. Einstein assim intuía; há uma única Fonte e ela se derrama sobre nós se estivermos em SINTONIA, RECEPTIVOS. E dizia ele: “meditar não é pensar, mas esvaziar os canais de toda a substância oriunda dos nossos sentidos e colocar-se diante da plenitude da Fonte.”

Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece.

‘Lá estava um homem cujo corpo ainda vivia na Terra, mas cuja mente habitava as mais remotas plagas do Cosmo” – escreveu Huberto Rohden, o filósofo brasileiro nascido em Tubarão-SC, que conviveu com Einstein na Universidade de Princeton.

Tão desprendido das coisas do mundo era o genial cientista que, certa vez sua empregada encontrou um cheque de elevado valor, com grande atraso, marcando a leitura de um livro. Muitas vezes ele não se lembrava se já havia almoçado e não sabia o número do seu telefone, o deu sua própria casa.

Dizia-se dele que não se perderia no espaço cósmico, mas sabe-se que tantas vezes perdeu o rumo de sua própria residência. Era um distraído-concentrado, porque vivia mentalmente mais no grande Além.

Dizem que numa entrevista à revista “Time” Einstein revelou nunca ter feito experiências empírico-analíticas para descobrir a Teoria da Relatividade, mas que ela lhe veio por intuição. Para ele, a certeza intuitiva era anterior a qualquer prova.

O autor Robet Clark perguntava-se repetidas vezes, por que um cientista como Albert Einstein falava tanto em Deus, embora os teólogos o considerassem uma Ateu. Ele não admitia um Deus pessoal, mas um Deus Supremo, Onipresente e Onisciente, que está no centro de todos os lugares e de todas as coisas como já o intuíra Santo Agostinho, fazendo Einstein sentir-se em meio a uma grande fraternidade universal, sendo essa fraternidade a consubstanciação do próprio Uno, da Cosmo-Consciência. Em síntese, Deus.

Para o Iluminado matemático, Deus não era uma personalidade capaz de premiar ou punir, mas a Invisível Realidade do Universo. É certo que Einstein, não obstante sua entrega à intuição, trabalhou a vida inteira na TEORIA DO CAMPO UNIFICADO, a unidade e identidade de todas as energias e a inexistência de tempo e espaço, porém ele considerava esses esforços como ‘preliminares’, o ‘pensar 99 vezes...’ até que a resposta lhe chegasse intuitivamente, ou seja, até a perfeita sintonia da Fonte, o SILÊNCIO DINÂMICO onde tudo está pronto e acabado.

Certa vez um professor da Universidade de Viena, Ernest Mach, propôs a Einstein que os cientistas partissem do PONTO ZERO e não aceitassem mais nada que não fosse provado experimentalmente. Einstein meneou a cabeça em sina de desaprovação. Porque ele esquadrinhava, sentia algo mais além dos sentidos! Isto é que fazia do sábio cientista um homem religioso, religado, porque religião quer dizer re-ligação [do homem com o Poder Infinito, com a Fonte Plena, com a Alma do Universo]. Algo que Einstein não buscava decifrar, mas intuía e isto lhe bastava.

“O homem pode não achar Deus, mas Deus o achará, se o homem, naturalmente, não se esconder Dele.”

Einstein era uma pessoa feliz, amigo de todos, amava as crianças, tinha mulher e dois filhos e ficava horas tocando violino à cabeceira da cama de uma tia doente. Este fantástico matemático e metafísico nunca se considerava um homem excepcional, detestava a mesquinharia, a brutalidade, o militarismo, a guerra. Justamente por isso cultivava uma simpatia peculiar pela América Latina, sobretudo pelo Brasil, onde tinha parentes por parte de mãe.

Rohden escreveu que Einstein sentia que a América Latina era, entre todos os povos, a parcela da humanidade que preservara, inadulterada, a alma humana e cristã.

Albert Einstein dizia que:”A coisa mais bela que o homem pode experimentar é o mistério. Porque está na raiz de toda ciência e arte.”

PENSAMENTOS DE EINSTEIN

.O homem erudito é um descobridor de fatos que já existem, mas o homem sábio é um criador de valores que não existem e que ele faz existir.

.Deus é a Lei e o Legislador do Universo.

.O meu ideal político é a democracia. Seja cada homem respeitado como um individuo - e ninguém idolatrado.

.Não existe nenhum caminho lógico para a descoberta das Leis elementares do Universo – o único caminho é da intuição.

.O mecanismo do descobrimento não é lógico e intelectual – é uma Iluminação súbita, quase um êxtase. Em seguida é certo, a inteligência analisa e a experiência confirma a intuição. Além disso, há uma conexão com a imaginação.

.O espírito cientifico, fortemente armado com seu método, não existe sem a religiosidade cósmica. Esta se distingue da crença das multidões ingênuas que consideram Deus um ser de quem esperam benignidade e do qual têm o castigo.

.A leitura, após certa idade, distrai excessivamente o espírito humano de suas reflexões criadoras. Todo homem que lê demais e usa o cérebro de menos, adquire a preguiça de pensar.

.A mente avança até o ponto onde pode chegar; mas depois passa para uma dimensão superior, sem saber como lá chegou. Todas as grandes descobertas realizam este salto.

.A imaginação é mais importante do que o conhecimento.

.A maioria de nós prefere olhar para fora e não para dentro de si mesmo.

.A coisa mais bela que o homem pode experimentar é o mistério. É esta a emoção fundamental que está na raiz de toda ciência e arte. O homem que desconhece esse encanto, é incapaz de sentir admiração e estupefação, já está, por assim dizer, morto, e tem os olhos extintos.

.Minha religião consiste numa admiração humilde ao Espírito Superior e Ilimitado que se revela a si mesmo nos mínimos pormenores, que estamos aptos a captar com nossas fracas e irrelevantes mentes. A profunda certeza de um Poder Superior que se revela no Universo, difícil de ser compreendido, forma a minha idéia de Deus.

.A fama, é para os homens, como os cabelos – cresce depois da morte, quando já lhe é de pouca serventia.

.Diante de deus todos somos igualmente sábios e igualmente tolos.

.O desenvolvimento da capacidade geral de pensamento e livre-arbítrio sempre deveria ser colocado em primeiro plano, e não a aquisição de conhecimento especializado. Se uma pessoa domina o fundamental no seu campo de estudo e aprendeu a pensar e a trabalhar livremente, ela, certamente, encontrará o seu caminho e será mais capaz de adaptar-se ao progresso e às mudanças.

.Pessoalmente, sinto-me capaz de atingir o mais alto grau de felicidade possível, através das grandes obras de arte. Delas recebo dons espirituais de tal força que coisa alguma poderia proporcionar-me idênticas sensações. Em minha vida, as visões artísticas têm desmedida influencia. Afinal, o trabalho de pesquisadores e cientistas germina no campo da IMAGINAÇÃO e da INTUIÇÃO.

.Não basta ensinar ao homem uma especialidade. Porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira UM SENTIMENTO um senso prático daquilo que vale a pena ser compreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto.

.A musica e a pesquisa em física originam-se de fontes diferentes, mas são intimamente relacionas e ligadas por um fio comum, que é o desejo de exprimir o desconhecido. As reações divergem, mas os resultados são complementares.

.A inteligência e o caráter das massas são incomparavelmente inferiores à inteligência e ao caráter dos poucos que produzem algo de valor para a comunidade.

.Nossa era deveria ser a do Paraíso na Terra. A humanidade nunca teve, como agora, melhor ensejo de ser feliz.

.A obra do entendimento sobrevive às gerações barulhentas e obstruídas e espalha LUZ e calor através dos séculos.

.Ás vezes me pergunto como pôde ter acontecido de eu ter sido o único a desenvolver a Teoria da Relatividade. A razão, creio eu, é que um adulto normal nunca pára para pensar sobre problemas de ESPAÇO e TEMPO. Isso são coisas que ele pensou quando criança. Mas, o meu desenvolvimento intelectual foi retardado, motivo pelo qual comecei a questionar sobre espaço e tempo somente quando já era adulto. Naturalmente, pude ir muito mais fundo no problema do que uma criança em suas habilidades normais.

.O homem que descobriu uma idéia que nos faculta penetrar, muito pouco embora, o eterno mistério da Natureza, recebeu já grande soma de graça. Se, além disso, sente o amparo, a simpatia e o reconhecimento dos contemporâneos, alcança uma felicidade que mal pode suportar.

.Além das aptidões e das qualidades herdadas, é a TRADIÇÃO que nos faz o que somos. Raramente refletimos no quão pequena é a influência de nosso pensamento consciente sobre nossa conduta e convicções, quando comparadas à poderosa influencia da tradição.

.Sem cultura moral não haverá nenhuma saída para os homens.


CURIOSIDADES SOBRE A VIDA DE EINSTEIN

· Era grande a indiferença que Einstein mostrava pelo dinheiro. Certa vez, quando a arrumadeira limpava sua escrivaninha, encontrou um cheque de 1.500 dólares que estava sendo usado como marcador de livros, com data de vários meses passados.

· Quando era pesquisados e professor em Princeton, um grupo de estudantes perguntou-lhe onde se localizava seu laboratório. Einstein tirou do bolso uma caneta e respondeu: “Aqui”.

· Quando o Instituo de Estudos Superiores de Princeton foi organizado e Einstein concordou em tornar-se membro efetivo dele, a delicada questão do salário teve de ser resolvida. Os diretores pediram-lhe que propusesse a remuneração que deseja receber. À chegada de sua proposta, da Europa, houve geral consternação que motivou, aliás, uma reunião improvisada do Conselho Diretor. Finalmente, concordaram em responder que o seu desejo não seria atendido. O padrão do Instituo tinha de ser levado em conta. Tomava, portanto, a liberdade de comunicar-lhe que lhe tinham fixado salário numa quantia adequada – três vezes maior que a proposta.

IMPORTANTES CONTRIBUIÇÕES CIENTIFICAS DE EINSTEIN

_ Formulou a Teoria da Relatividade;

_ Estabeleceu a base da matemática da estrutura do Universo;

_ Substituiu a Teoria da “Atração Gravitacional” de Newton pela Teoria de um “Campo de Gravitação no Contínuo Espaço-Tempo”;


Einstein nasceu em Wurttemberg, sul da Alemanha, no dia 14 de março de 1879. Faleceu m Princeton a 18 de abril de 1955, com a mesma simplicidade e humildade com que sempre viveu: calma e imperturbavelmente, sem remorsos. – Viveu, portanto, 76 anos.


Einstein foi um ‘homem livre’, disse Baruch Spinoza, de quem Einstein foi um grande admirador.

E=mc2 – “A massa de um corpo é uma medida do seu conteúdo e energia.”

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[Texto de Maria Aparecida Frigeri].

14 de mai. de 2010

RAMAKRISHNA_O Louco de Deus


Sri Ramakrishna, um santo indiano que viveu no século passado, conseguiu reunir em torno de si gente de todas as crenças e religiões, assumindo uma postura contra a discriminação e o radicalismo, que corroem as bases da busca pelo divino.

De todos os grandes homens da Índia que trilharam o caminho da espiritualidade buscando uma união com Deus, Sri Ramakrishna é um dos mais amados e considerados por sua sabedoria. Os que procuram suas palavras e ensinamentos percebem que a CONSCIÊNCIA DIVINA por ele atingida ultrapassa tempo, espaço e qualquer diferença cultural ou geográfica.

Em seus 50 anos de vida [1836-1886]. Ramakrishna deixou um legado espiritual que se estendeu a todos os continentes, tornando claro que o conhecimento de DEUS não pode ser restrito a determinada época e muito menos é exclusivo de uma só religião. Os estudiosos dizem que sua mensagem é sua CONSCIÊNCIA DE DEUS - quando esta não existe ou é abafada por qualquer motivo, surgem os dogmatismos e opressões que minam os ensinamentos místicos de seu poder transformador.

A UNIVERSALIDADE DO CRIADOR que ele propagava surge de maneira clara em uma de suas frases:”Muitos são os nomes de Deus e infinitas são as formas pelas quais podemos nos aproximar Dele. A forma e o nome que você escolher para adorá-Lo, através deles você o encontrará”.

A tendência para a vida espiritual começou a manifestar-se em Ramakrishna já na infância. Diz-se que seu primeiro êxtase ocorreu aos seis anos, quando caminhava por um arrozal. Sua atenção desviou-se para uma nuvem escura que cobria todos o céu. Em seguida ele notou um bando de ‘grous voando’, com sua brancura destacando-se em meio à escuridão, e ficou absorvido pela beleza da cena, soltando sua imaginação. Acabou perdendo a consciência e caindo ao chão, sendo encontrado mais tarde e levado para casa. Tempos depois, ele explicou: “O excesso de prazer, a emoção, me subjugaram. Foi a primeira vez que experimentei um êxtase.”

EM BUSCA DO ABSOLUTO
A tendência mística na infância concretizou-se na idade adulta, quando Ramakrishna entrou para um templo.

Seu desejo de união com Deus era tamanho que chegava a lhe causar problemas. Ele sentia ansiedade terrível de pensar que, em vida, poderia não ter a graça de contemplar o divino. “O sofrimento me dilacerava”, dizia o Iluminado. ‘Então, pensei: se tiver que ser assim, estou farto desta vida”. E foi exatamente nesse ponto crucial que as coisas começaram a mudar de forma inesperada. Havia uma grande espada pendurada no santuário da deusa Kali, onde ele se encontrava.

Ramakrishna pensou em usá-la para pôr fim à sua angustia: ”Precipitei-me em direção à espada, segurei-a como um louco e, de repente, a sala com todas as suas portas e janelas, e todo o templo desapareceram. Parecia que nada mais existia. Foi então que vi o oceano do ESPÍRITO, sem limites e resplandecente”. A sensação de amplitude foi crescendo em Ramakrishna, as ondas do oceano místico se expandindo à sua volta até que ele perdeu a respiração e a consciência. “Não sei como passei aquele dia e o seguinte. Dentro de mim, movia-se um oceano de alegria ‘indescritível’, e a presença da Mãe Divina”.

Suas visões se intensificaram de tal forma que ele chegou a pensar que estava enlouquecendo. Seu primeiro guru - a monja Bhairavi Brahmani, praticante de ritos ‘ vaishnavas e tântricos’ – lhe mostrou que o caminho por ela seguido era o mais adequado para quem pretendesse atingir o Absoluto. Ramakrishna permaneceu três anos com Bhairavi e então passou a ser instruído pó Totapuri, um sannyasin – pessoa que opta por abandonar as coisas do mundo. O renunciante lhe ensinou os conceitos da NÃO-DUALIDADE, o advaíta, considerado a forma mais elevada da filosofia VEDANTA.

No início do aprendizado, Ramakrishna não conseguia realizar o que Totapuri lhe pedia: libertar seu espírito de todos os objetos e mergulhar no seio de ATMAN, o SER ABSOLUTO. “Não tive nenhuma dificuldade em libertar a mente dos objetos, com exceção de um único: a forma da radiosa Mãe bem-aventurada, essência da consciência pura, que aparecia em minha frente como uma realidade viva. Ela fechavam-me o caminho do além. Tentei várias vezes concentrar a mente nos ensinamentos de advaíta, mas sempre a forma da Mãe se interpunha. Tomado de desespero, disse a Totapuri: “É impossível! Não consigo elevar o espírito ao estado incondicionado.” Ele me respondeu severamente: ‘Como, não? É preciso!’. Olhando em volta, o professor avistou um pequeno vidro, segurou-o na mão e me disse; ‘Concentre a mente neste ponto!’ Concentrei-me com todas as minhas forças e, tão logo a forma graciosa da Mãe apareceu, usei minha discriminação como uma espada e parti em dois pedaços. Não havia então mais nenhum obstáculo em minha mente, que voou na mesma hora para além do plano das coisas condicionadas.”

Seus êxtases eram, muitas vezes, incontrolados. Em algumas ocasiões, enquanto conversava com discípulos, o simples fato de pronunciar um dos nomes de Deus lançava-o ao estado de suprema bem-aventurança, e ele começava a cantar e dançar como se não mais fizesse parte deste mundo – o que levou muitos a chamá-lo de O LOUCO DE DEUS. Vários médicos chegaram a examiná-lo em estado de superconsciência, constatando que seu coração e pulmões haviam parado de funcionar completamente. Então, um discípulo cantava um mantra em seu ouvido e o mestre reassumia sua consciência mundana. Em certas ocasiões, Ramakrishna tentou descrever o que sentia quando a energia KUNDALINI subia através de cada um de seus chakras, mas suas descrições jamais ultrapassaram o chakra laríngeo. Quando a KUNDALINI chegava ao centro de força entre suas sobrancelhas ele mergulhava em Deus e não conseguia mais falar.

OS NOMES DO CRIADOR
“Diferentes pessoas recorrem a Deus por diferentes nomes. Alguns usam Alá, outros Deus, outros Krishna, Siva e Brahman. É como a água de um lago: alguns bebem num local e a chamam de jal; outros, em outro lugar, chamam-na de pani; outros ainda, num terceiro local, chamam-na de água. Os hindus chamam de ‘jal’; os cristão de ‘água’; e os muçulmanos de ‘pani’. Mas é tudo uma mesma coisa.”

Esse pensamento de Ramakrishna não surge por acaso – ele é fruto de sua experiência com as demais religiões. Depois de ter alcançado Deus pelo caminho HINDU, ele conheceu o ISLAMISMO. Essa aproximação se deu a partir de 1866, quando encontrou o muçulmano Govinda Raí, que ele percebeu ser um Iluminado e com quem obteve a iniciação. Em apenas três dias, ele teve a visão de Maomé e, igualmente, atingiu o Absoluto.

O mestre também mergulhou fundo nos conceitos cristãos, da religião sikh e do budismo, mergulho que serviu para Ramakrishna conhecer as várias religiões, mas não para que pregasse uma espécie de sincretismo. Ele voltou a seguir o hinduismo, defendendo a idéia de que um só caminho deve ser escolhido; caso contrário, o buscador corre o risco de não chegar a lugar algum.

Segundo suas palavras, HARMONIA entre as religiões não quer dizer UNIFORMIDADE, mas sim, UNIDADE NA DIVERSIDADE. Desta maneira, sua mensagem não prega uma fusão de religiões, mas uma aproximação e convivência agradável entre todas, baseada no objetivo comum que é a comunhão com Deus. Para alguns, essa idéia de HARMONIA é a maior contribuição de Sri Ramkrishna para o mundo moderno, que ainda se mostras resistente a ela.

O Grande Iluminado tinha uma pequena sala no templo Dakshineswar, nos subúrbios de Calcutá. E, devido à sua postura universalista, o local tornou-se uma espécie de parlamento das religiões do planeta. Pessoas de todo o mundo iam até lá conversar com ele e voltavam abismadas com seu conhecimento, quando não totalmente modificadas em suas concepções ou em sua falta de fé.

OS SEGUIDORES
Sri Ramakrishna deixou o corpo em 15 de agosto de 1886, depois de permanecer doente por muito tempo, mas seu trabalho e busca continuam inspirando seguidores até os dias de hoje. Curiosamente, seu primeiro discípulo foi SARADA DEVI [1853-1920], a mulher que lhe havia sido prometida em casamento desde a infância, conforme o costume indiano da época. Ela juntou-se a ele ao completar 18 anos, quando Ramakrishna já estava dedicado à busca espiritual, vivendo como monge.

O principal discípulo de Ramakrishna foi Swami Vivekananda [1863-1902], considerado o porta-voz do Vedanta do Mundo. Muitos dizem que a maioria das sociedades VENDANTA fundadas nos EUA e Europa até os anos 30 do século XX foi diretamente influenciada por ele ou por pessoas que ouviram suas palestras entre 1893 e 1900.

Na Índia, VIVEKANANDA foi o fundador da ORDEM RAMAKRISHNA, em 1898. Apesar disso, nem todos os seguidores de Ramakrishna acreditam que seu discípulo tenha se mantido fiel às palavras e pensamentos do mestre. Para estes, as preocupações sociais de VIVEKANANDA suplantaram as espirituais, fazendo-o esquecer a necessidade de, antes de tudo, buscar o Absoluto, encontrar Deus. Também foi acusado de deturpar o hinduismo que divulgou no Ocidente, especificamente o Vedanta, aproximando-o do protestantismo. Segundo esse ponto de vista, Vivekananda teria entendido de forma errada as experiências de Ramakrishna com as demais religiões e tentou agrupá-las no que chamou de um FRATERNIDADE PARA OS ADEPTOS DE DIFERENTES CRENÇAS.

A mensagem de Ramakrishna permanece tão clara e atual quanto foi em sua época, e cada vez mais divulgada. Ela surgiu como um sopro de novidade e um alerta para o futuro, em meio a uma humandidade que se tornava cada vez mais materialista. Num período em que a própria crença em Deus estava sendo questionada, a mensagem do Grande Iluminado apareceu como um verdadeiro oásis, no qual um sem-número de pessoas, religiosas ou não, puderam encontrar um caminho de equilíbrio.
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[Texto de Hélcio de Carvalho_Sexto Sentido Especial_Grandes Iluminados]