7 de abr. de 2010

A CATEDRAL DA ARTE


A Catedral Gótica é ainda construída em fundamentos filosóficos, uma vez que tem como suporte conceitual o arcano do “Chamado da Pedra”, que é o início da grande Obra Alquímica no Homem. E tem como suporte plástico a própria pedra, matéria da qual é em grande parte edificada.

A construção em arte gótica [art-gôth; goecia, magia] conserva toda uma representatividade dos símbolos da Alquimia Transcendental.

No hermetismo alquímico, a figura de Cristo é identificada com a Pedra Flosofal [Lápidis Philosophorum], a Pedra Angular.

Destarte, a Obra Alquímica, de cujas etapas de realização a Catedral é uma figuração muda, caracteriza-se essencialmente pela realização no ser humano da Pedra dos Filósofos, pois “quando o Templo for sagrado, as pedras mortas tornar-se-ão vivas, o metal impuro será transmutado em ouro e o Homem recuperará o seu original estado de Inocência e Perfeição” [1].

A MENSAGEM DA ARQUITETURA GÓTICA
Teria sido essa a motivação transcendental que levaria o Imperator H.S.Lewis, a desenhar a catedral da Alma [Liber 777] em estilo gótico, sagrando assim, o Templo da Igreja Interior?

A Planta das Catedrais góticas apresenta a forma de uma cruz latina, templos esses em cujos subterrâneos há uma disposição gráfica muito semelhante à do Templo de Salomão, ou ‘Labirinto de Salomão’ [2], que assim demonstra a emblemática da Obra Cabalística-Alquímica.

As catedrais de Notre-Dame [Nossa Senhora] de Paris, d Chartres, de Amiens, de Bourges, etc., na França; de Wells e de Nuremberg, na Alemanha; de Salisbury, na Inglaterra; e de outras partes da Europa, quase todas com as suas duplas-torres, quais as colunas do Templo da Iniciação [Jachin e Boaz]. A porta do Sarmental existente no transepto da Catedral de Bourges é um síntese-mostruário da simbologia alquimista.

Em todas essas catedrais temos os vitrais coloridos em vermelho, preto e branco [rubedo, nigredo e albedo], símbolo das etapas básicas das operações alquímicas ... E as rosáceas assim coloridas são Mandalas autênticas!

O GÓTICO NO OCIDENTE
Causa espécie o fato de que, na Europa, a arquitetura gótica surgisse repentinamente, algo totalmente novo de repente, estava lá! Não surgiu como parte de um processo, na continuidade da arquitetura romântica, anterior e coexistente. Esta, com sua solução estática, opunha-se frontalmente ao estilo gótico surgido, dinâmico por excelência, pois que dotado de um verticalismo estrutural, a lembrar a saga dos Titãs na escalada do Olimpo. Seus arcos ogivais, abóbodas em cruzeiro e forma de bulbo, apresentaram soluções que superavam amplamente os conhecimentos científicos da época [3]. Devido ao aparecimento insólito do estilo gótico na Europa, em primeiro lugar e depois por todo o Ocidente, será essa forma de arquitetura em catedrais, capelas, palácios, etc., um ‘estilo importado?’Bem, a História da Arte relata que o estilo em questão sofreu enorme influencia da arquitetura árabe, sarracena.

Entrementes, havia [pelo menos a nível exterior] os sérios impedimentos de ordem religiosa e política uma vez que Bizâncio havia se separado de Roma e porque Jerusalém estava em poder dos turcos seljúcidas.

Dessa maneira, necessária se torna uma explicação a nível interior ou mais profundo, quando senão alheio aos cânones históricos e religiosos ortodoxos. É o que procuraremos delinear a seguir.

A CONJUNÇÃO MÍSTICA
Não obstante essas incompatibilidades, se atentarmos para alguns escritos antes secretos da Fraternidade Iniciática, verificaremos que, em 1096, em Constantinopla, deu-se a conjunção secreta do Islamismo [representada pelos Sufis], do Cristianismo [os Templários] e o Judaísmo [os cabalistas hebreus].

Por essa conjunção de natureza profundamente espiritual, tomada como ponto de partida e aliada a outro evento de conhecimento explicito, qual seja, o movimento das Cruzadas, inferimos o seguinte: É fato histórico que, em 1127, sob a inspiração de Bernardo de Claravel, os Templários [em formação] chefiados por Hugo de Paganis, seguiram para a Judéia, com a missão pública de defender os peregrinos cristãos que se dirigiam à Terra Santa. E que, segundo Louis Carpentier [4], os cruzados seguiram também com a missão reservada de buscar as Tábuas da Lei existentes na Arca da Aliança. Ora, para a liberação desses grandes segredos da Alta Iniciação, somente uma situação muito especial deveria ser criada. Eis o que nos descreve Carpentier, ao afirmar que os Templários, os Sufis e os cabalistas Judeus, devido à conjunção, eram depositários de um Conhecimento Superior. Eram filhos do mesmo Pai, o Pai Abraão. Eis a Fraternidade Esotérica, iniciada na Igreja Interior, quando se dissolve a “Nuvem do Santuário”. Efetivamente, Maomé já ensinara que os árabes eram descendentes de Ismael, o filho mais velho do Patriarca. Por seu turno, os cristão eram sabedores de que Jesus descendia em linha direta de Isaac, outro filho de Abraão. E toda a tradição religiosa do judaísmo repousa no berço do mesmo patriarca.

Então, para esse círculo secreto de Altos Iniciados, havia uma só religião [universal, pois], um só templo-catedral do qual o Templo de Salomão [a Sabedoria de Deus] era o protótipo, como síntese da Ciência de Hermes, a Alquimia ‘filha da Cabala’.

Todos esses grandes Iniciados – em especial os Templários – buscavam a Nova Jerusalém e o Santo Graal...

Assim a arquitetura gótica foi introduzida no Ocidente pelos cristãos templários! A Luz Maior daquela Divina Conjunção era e ainda é refletida e representada pela luz que escorre pelos vitrais, entra pelas rosáceas e ilumina, qual archote o Portador da Luz, as regiões sombrias dos Templos e os hieróglifos alquímicos, notadamente nas catedrais góticas francesas. “Os tempos são chegados” e o Templo-Igreja havia tomado o seu lugar na Tradição Cabalística Templos construídos por cristãos iniciados [templários], por islamitas iniciados [sufis] e por cabalistas como Moisés e Ezequiel. Pode ser que nos cultos exteriores desses três grandes movimentos religiosos as pedras estejam mortas e o metal impuro.

Todavia, na Igreja Interior – simbolizada pelas criptas [critpa ferrata, as criptas de Chartres e de Amiens] – “o archote do pensamento alquímico ilumina o Templo do pensamento cristão.” [5]

A CATEDRAL DA ARTE

A Catedral da Alma, construída em forma de uma igreja cristã, em estilo gótico, o Templo de Salomão e o Templo Rosacruz, são na expressão de Fulcanelli, a Mansão Filosofal!

Templo ou Catedral da Arte. Seu estilo arquitetural aliado à estatuária do simbolismo alquímico, demonstram a Unidade na própria Arte, na Ciência e na Religião, essa Unidade simbolizada pelo entrelaçamento dos anéis do Olimpo, do movimento olímpico.

A Obra de Arte é uma expressão espiritual por excelência, pois a Obra do Artista, na sua elaboração, inclui um poder de captação, de intuição ou de ‘sentir’ os quadros da Vida Cósmica.

O Artista ‘contempla’ as imagens arquetípicas do Mundo da Criação [Briah], mundo da Imago [nosso inconsciente]. O artista-místico projeta no exterior, por meio do suporte plástico, tudo aquilo que pode captar dessas vivências no mundo das idéias, como o definia o ‘divino Platão’. Então, essencialmente, ele não cria, mas procria [trabalha para o único Criador], indo ao mundo da ‘imagem que teve a sua morada na alma do artista. Imagens que existem no Espírito que cria. O Espírito Criador em cada artista’.[6] O verdadeiro artista é, assim, um místico autêntico!

Acreditamos que H.S.Lewis tenha ‘visto’ a Catedral da Alma em sua própria essência anímica ou psique, onde foi levado por seu Cristo-Mestre Interior. O Homem é essa Mansão Filosofal, a catedral construída em pedra-viva, sobre o qual o EU-CRISTO constrói a Sua Igreja, Pedro-Pedra da Alquimia.

E o estudante será levado, pela Iniciação, ao seu Sanctum Celestial através dos braços-transeptos da Rosacruz Redentorista, em Luz, em Vida, e habitará no Amor.

Nefer!

-
[Texto de Helio Francisco Fernandes].
Notas.:
[1] Robert Fludd [obra Summum Bonum];
[2] O Labirinto é chamado Absolum Alquímico e seu desenho é de uma Mandala [nota do autor];
[3]Limites Cronológicos do gótico: 1137-1430;
[4] Historiador da Ordem do Templo;
[5]Fulcanelli [O Mistério das Catedrais];
[6]H.Hesse [Narciso e Goldmund
].

6 de abr. de 2010

Cosmicidade


Cosmicidade é o UNO que abrange TUDO. É a TOTALIDADE, tudo aquilo que possamos imaginar de físico e hiperfísico, material e espiritual; é o tudo do TODO. É a divindade Absoluta – REALIDADE – dos místicos. É Deus, o Supremo, dos religionistas. A mente Cósmica; a Alma Universal dos metafísicos.

Nada há fora da Cosmicidade. Tudo o que acontece está em ‘seu interior’; amor, ódio, atos de fraternidade, atos de atrocidade, guerras, etc.

Como explicar o Mal, perguntam alguns? O mal é a ausência do BEM. Quando se é o Bem, não há o mal. Tudo está em harmonia.

A Cosmicidade-Divindade-Totalidade é harmonia integral, não induz ao mal. Os seres humanos, com seu livre-arbítrio, é que decidem agir dentro da Lei Divina – Cósmica – ou não. Quando agem fora dessa Leu Suprema, incorrem em erro e aí se manifestam a corrupção,a s guerras, as desarmonias em geral; tudo o que é negativo e destrutivo no Homem.

Qual a finalidade do Homem na Terra? Sua finalidade é evoluir, desenvolver-se, despertar, conscientizar-se do que, realmente, ele é. O Homem é Divino em essência. Traz a Divindade em seu âmago. Como disse Teresa de Ávila, o Homem tem Deus em sua alma.”Nele vivemos, nele nos movemos, nele Temos o nosso ser”.

O homem cósmico é aquele que vivem em uníssono com a COSMICIDADE – a Lei Divina. Sendo a Cosmicidade o que inclui TUDO, também é a LEI TOTAL, o AMOR GLOBAL, a SABEDORIA CÓSMICA, DIVINA E INFINITA. Sendo a totalidade também é o cognoscível e o INCOGNOSCÍVEL. Não se pode conhecê-lo – é o eterno Desconhecido, porém conhecido através de suas manifestações ou criações, segundo alguns.

O Homem só pode SENTI-LO e não pode percebê-lo com seu sensor físico.

Apenas os místicos verdadeiros o experienciam quase que totalmente. Isso porque o TODO contém as partes, mas nenhuma das partes isoladamente ou em conjunto pode abarcar o TODO. O INFINITO inclui os finitos – as partes - mas o finito não pode, não consegue incluir o Infinito – o Cósmico.

Houve um Homem cósmico, um Místico plenamente desperto e realizado – IESCHOUAH [Jesus] – que manifestou a Divindade, Sua Cosmicidade, aqui na Terra. Quando afirmou “Eu e o Pai somos UM”, referiu-se a sua REALIZAÇÃO na COSMICIDADE [Alma Cósmica].

Ele pôde asseverar: “quem vê a mim, vê aquele que me enviou”. Que tremenda afirmação! Só um SER verdadeiramente realizado é que poderia dizer tal Realidade-Verdade-Totalidade! A Cosmicidade irradiava-se, plenamente, de todo seu ser.

Somente quando expressamos AMOR [manifestação de Cosmicidade] é que seremos, realmente, seres cósmicos, cumprindo a vontade da TOTALIDADE. “Deus est Amor”, Vida et Lux”; sejamos também LUZ, VDA e AMOR para lucificarmos, vivificarmos e amorificarmos nossos semelhantes, nossos irmãos, e a nós próprios na COSMICIDADE.
-
[Texto de Paulo R.M. de Macedo]