10 de mar. de 2010

Introdução à Parapsicologia _ Parte 1


Vivemos numa época em que se fala abertamente dos fenômenos psíquicos [paranormal], sem nenhum temor. Mas isso não foi sempre assim. Houve uma época em que isso era tão perigoso que até podia trazer como conseqüência a morte na fogueira. Depois, em fins do século dezoito e começo do século dezenove, alguns cientistas começaram a se interessar por esses temas, e foi em meados deste século, em 1953, que a parapsicologia finalmente adquiriu caráter cientifico.

Mas bem poucas pessoas sabem disso. Se agente perguntar, “que é parapsicologia, ou quem são os parapsicólogos?”, seguramente vai obter respostas que não terão relação alguma com a verdade. Alguns acreditarão que se trata da prática de artes para ler a sorte, adivinhar o futuro,desenvolver poderes mágicos e mentais, praticar curas e até entrar em contato com extraterrestres.

E isso acontece precisamente devido ao desconhecimento do tema e também porque, como os cientistas dedicados a esse estudo não se uniram para formar uma associação de classe, assim como fazem os médicos, advogados, engenheiros, qualquer pessoa se intitula parapsicólogo, anuncia-se assim pela imprensa escrita e falada e começa a dar consultas para adivinhar o futuro ou encontrar tesouros ocultos. E isto é o que muita gente pensa que é a parapsicologia, inclusive aquelas mesmas pessoas, que não fazem a menor idéia do que é realmente essa disciplina [que, como veremos em artigos sucessivos, já é uma verdadeira ciência].

Apesar disso, as pessoas que se anunciam como parapsicólogas têm sua importância no estudo dos fenômenos psíquicos, de modo que também explicaremos como elas se classificam segundo as faculdades que supostamente podem desenvolver. Mas antes de mais nada devemos dizer que é necessário eliminar da mente a crença em que toda pessoa que diz ter alguma faculdade psíquica [ou que de fato a tem] é um parapsicólogo. Não. Parapsicólogo é um indivíduo devidamente qualificado, com formação acadêmica que lhe permite dedicar-se ao estudo desses fenômenos, para entendê-los e nos poder então explicar como e por que ocorrem. Os parapsicólogos autonomeados que produzem os fenômenos são chamados de ‘dotados’.

Feito este esclarecimento, começaremos explicando como nasceu a parapsicologia e, nos artigos subseqüentes, analisaremos o que ela estuda, faremos uma classificação dos fenômenos psíquicos mais importantes e dos que ocorrem com mais freqüência.

Os fenômenos psíquicos não são novos; sempre existiram. Mas, na antiguidade e na Idade Média, eram interpretados segundo as idéias supersticiosas da época. Mesmo hoje em dia ainda há grupos que atribuem sua origem ao diabo ou satanás. Na religião católica isto já foi superado; muitos eminentes representantes da Igreja, como jesuítas, são parapsicólogos, como é o caso do Padre Gonzáles Quevedo. Na Universidade Luterana do vaticano há uma cadeira de Parapsicologia.

A primeira sociedade de pesquisa psíquica nasceu em 1882. Mesmo antes, porém, em 1870, William Crookes, Prêmio Nobel de Química, comunicou suas observações à comunidade cientifica de Londres. O tema despertou grande interesse, embora os cientistas que se ‘atreviam’ a estudá-lo fossem tachados de loucos ou tolos. Depois foi fundada na América do Norte a Sociedade Americana para Pesquisa Psíquica e realizaram-se congressos internacionais, o que causou grande agitação nos círculos da ciência ortodoxa.

O nome, PARAPSICOLOGIA, foi criado na Alemanha por Max Dessoir, em 1889, e começou a ser usado nos Estados Unidos a partir de 1908. Mas foi somente em 1934 que ele foi difundido, graças aos trabalhos desenvolvidos, juntamente com sua esposa, pelo Dr. Joseph Panks Rhine, licenciado em Ciências Biológicas pela Universidade de Duke, na Carolina do Norte, no campo da telepatia, faculdade que finalmente pôde ser comprovada. Ao analisarmos esta faculdade, nos artigos seguintes, explicaremos com detalhes os trabalhos desse eminente cientista e parapsicólogo.

Em 1953 foi realizado em Utrech, Holanda, um Congresso Internacional de Parapsicologia. Aí se deu pela primeira vez uma aula sobre o tema, ministrada pelo Dr. W.H.C. Tenhaeff e, desde então, a parapsicologia está reconhecida como ciência.

Como podemos então perceber, a parapsicologia tem apenas alguns anos de existência. Diríamos que ela ainda está usando fraldas, mas, a cada dia que passa, mais cientistas se dedicam seriamente ao seu estudo, no que pesem as dificuldades que encontram em muitos de seus colegas, além da má imagem que as pessoas inescrupulosas, ou mesmo ignorantes, estão causando ao se anunciarem como parapsicólogos e realizarem atividades que nada têm a ver com essa nobre ciência.

Atualmente, a maioria dos teóricos do tema argumentam que sua definição não corresponde aos fenômenos que ele estuda. Do ponto de vista etimológico, a palavra ‘parapsicologia’ implica que os fenômenos estão totalmente contidos no campo da psicologia, mas a parapsicologia realmente abrange outros campos, como a biologia, a física, a química, etc. Por esta razão tentou-se empregar o termo PSICOTRÔNICA, que no entanto não conseguiu substituir o termo ‘parapsicologia’.

A definição de psicotrônica é: ‘ciência que, de maneira interdisciplinar, estuda os campos de interação entre pessoas e seu meio ambiente, tanto interno como externo, e os processos energéticos envolvidos nessa interação’. A psicotrônica reconhece que a matéria, a energia e a consciência, estão interligadas. Como ciências afins, para compreender a verdadeira natureza e a origem dos fenômenos paranormais, ela se apóia na parapsicologia, na biologia, na física, na matemática, na sociologia, e até tem de pedir às vezes a orientação dos ilusionistas, devido a que há muitas pessoas que afirmam possuir faculdades psíquicas e o que realmente fazem são truques.

Em nosso artigo seguinte, começaremos a classificar os fenômenos paranormais e os ‘dotados’, isto é, as pessoas que os produzem. Daremos uma explicação cientifica de cada um deles, com relatos de fenômenos autênticos que ocorreram a certas pessoas, que, por não conhecerem ou saberem nada sobre o assunto, se assustaram ou traumatizaram. Esperamos que esses artigos sirvam para os leitores conseguirem uma compreensão mais clara dos fenômenos da vida, bem como para que possam se orientar melhor.
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[Texto do Prof.Pedro Raúl Morales].

Introdução à Parapsicologia _ Parte 2

Continuamos a informação prometida no artigo anterior. Desta vez trataremos de classificar os fenômenos ‘paranormais e dotados’, vale dizer, as pessoas que percebem ou produzem fenômenos psíquicos que não são comuns.

Mas antes quero me referir a uma característica ou função mental denominada PANTOMNÉSIA. Este termo significa ‘memória total ou completa’. Implica em que nosso subconsciente nunca esquece nada, tem tudo arquivado. Em certas condições, como durante sonhos, estados de relaxamento, etc., recordamos coisas que nos aconteceram muito tempo atrás. Por meio de técnicas hipnóticas, pode-se recordar até o momento do nascimento. Relacionada também com este fenômeno, temos a CRIPTOMNÉSIA, ou ‘memória de coisas ocultas’,que é uma memória não reconhecida como tal, pois a pessoa encontra coisas que tinha sido perdidas muito tempo antes, ou de repente vem à sua mente consciente o nome de alguém que a pessoa conheceu muitos anos atrás e de quem já não se lembrava. A Criptominésia faz parte da Pantomnésia. Um exemplo clássico desse fenômeno ocorreu com a Divina Comédia de Dante. O Cântico número 13 perdido e ninguém sabia onde estava. Em maio de 1321, o filho menor de Dante sonhou que seu pai se aproximava dele e o levava a um quarto onde havia passado os últimos anos de sua vida, e ali indicava um lugar. Quando acordou, procurou esse lugar e nele achou o manuscrito. Evidentemente, trata-se de um caso de Criptominésia. Em algum momento o rapaz viu seu pai guardar ali o cântico, ou ouviu ele dizer onde estava o manuscrito Depois essa informação passou para o subconsciente e, com o tempo, voltou através de um sonho, devido ao alvoroço das pessoas que tentavam encontrar esse escrito, provocando na mente do rapaz o desejo de descobrir seu paradeiro.

A pessoa que se dedica ao estudo da Parapsicologia deve considerar muito, tanto a Pantomnésia quanto a Criptominésia, pois alguns fenômenos, como o que descrevi, não são realmente parapsicológicos nem paranormais. Mais adiante, quando fizermos de fato a classificação, consideraremos também alguns outros sentidos que temos, como seres humanos, a fim de compreendermos que muitas coisas que assustavam nossos avós eram na realidade fenômenos naturais, captados através do sistema nervoso.

De um ponto de vista muito geral ou global, os fenômenos paranormais se classificam em ‘sensoriais e extra-sensoriais’.

Os fenômenos ‘sensoriais’ são aqueles que se captam ou se produzem com a participação de nossos sentidos físicos. Os ‘extra-sensoriais’, por sua vez, são captados ou produzidos por vias indiretas, sem a participação direta do sistema nervoso, embora este acabe sempre participando numa fase secundária, a fim de que nosso cérebro compreenda o fenômeno. Como exemplos gerais, entre os fenômenos sensoriais temos a RADIESTESIA e, entre os extra-sensoriais, a TELEPATIA.

Quanto aos ‘dotados’, classificam-se conforme os fenômenos que captam ou produzem. Se o dotado é de efeitos sensoriais, chama-se ‘sensitivo’, e se é de efeitos extra-sensoriais, ‘paragnosta ou metagnomo’. Como foi explicado no artigo anterior, é possível que um parapsicólogo seja dotado, embora isso não seja muito comum, e sim uma coisa muito rara. Também foram encontrados dotados tanto sensitivos quanto paragnostas, o mais famosos dos quais foi ‘Douglas Hume’, que podia produzir à vontade todos os fenômenos psíquicos.

Recentemente foram conseguidos muitos avanços na compreensão dos mecanismos emocionais e cerebrais dos ‘dotados’, bem como das características e da produção dos fenômenos paranormais. Sabe-se agora que:

1_ Esses fenômenos costumam ser acompanhados de experiências subjetivas de forte teor emocional.

2_ Os dotados produzem mais e melhor quando trabalham em seu ambiente natural. Na presença de um pesquisador ou de um parapsicólogo, o êxito está condicionado ao grau de simpatia ou de amizade que existia entre eles, assim como a que os experimentos sejam motivadores e não aborreçam o dotado.

3_ Os casos de fenômenos espontâneos se produzem principalmente em estados especiais do cérebro denominados ‘Estados Alterados de Consciência’. Também influi muito a confiança em si mesmo.

Para produzir esses estados de consciência, as técnicas mais usadas tem sido a hipnose e os sonhos controlados, que são praticadas em diversos laboratórios, como é o caso do “Maimonides Medical Center de Nova Iorque”.

Segundo uma das hipóteses, o centro de controle das percepções paranormais está localizado a nível do rinencéfalo. Nas técnicas de relaxamento, hipnose, privação sensorial mediante o sonho, os êxtases místicos, etc., o rinencéfalo adquire um papel predominante, porque pode transmitir a mensagem recebida para a zona cortical ou o córtex cerebral, onde ela se torna consciente. Não obstante, isso deve ser feito com muito cuidado e controle, pois, do contrário, a mente consciente poderia perder o controle do subconsciente e então a pessoa perderia também o controle de suas funções básicas e a capacidade de raciocinar, podendo chegar à loucura ou à perda total ou parcial da realidade.

Os estados alterados de consciência podem ocorrer pelas seguintes vias normais:

1_ Via TROFOTRÓPICA _ que consiste numa diminuição dos estímulos sensoriais, como acontece no relaxamento, no transe hipnótico ou magnético, no sonho, no isolamento numa câmara de silêncio, etc.

2_ Via ERGOTRÓFICA _ ou por excitação. O medo, o arrebatamento ou êxtase místico, a introdução súbita de uma pessoa em água muito fria ou muito quente, a crença de estar na presença de um Santo ou de um Mestre de conhecimento espiritual, ou a presença real de um destes, podem produzir esse fenômeno e dar origem à captação ou à produção de fenômenos paranormais. Exemplos clássico são as curas chamadas de milagrosas, que se produzem em grutas famosas, como a de Lourdes. O doente se apresenta com muita fé e grande esperança, mas ignora que a água é gelada. Quando é introduzido de repente na água, o estímulo pode provocar uma cura paranormal. Um parapsicólogo francês, Robert Toquet, calculou que, em condições de paranormalidade, a divisão das células pode se acelerar até 30 vezes em relação à normal. Se isso é possível, nada há de estranho em que um mal seja curado em questão de minutos ou de algumas horas; mas como até pouco tempo não se compreendia esse fenômeno, dizia-se que era um milagre.

Voltando aos ‘dotados’, todos o somos, mas em estado potencial. Em outras palavras, ocasionalmente, todos temos a experiência de algum fenômeno psíquico. A diferença entre um dotado natural e um potencial está em que, no primeiro, os fenômenos são transferidos de modo natural e espontâneo das áreas mais profundas do cérebro para a superfície e aí se tornam conscientes, ao passo que no outro não ocorre isso, e sim nosso cérebro guarda a informação em suas zonas mais profundas, sem que o saibamos. Mas algumas vezes se produz uma sensação estranha, como angustia, ou o pressentimento de algo sem saber exatamente o que. Ainda não se conhece o mecanismo de transferência de uma zona do cérebro para outra, nem está claro como nosso cérebro pode receber informação por via extra-sensorial. Não obstante, a Parapsicologia, como toda ciência, continua pesquisando, e tem-se a esperança de que algum dia se chegue a conhecer tudo isso, de modo que os fenômenos psíquicos possam ser desenvolvidos em muito mais pessoas, para que eles tenham aplicação prática e positiva.

No artigo que virá a seguir, explicaremos a relação dos sentidos físicos com os fenômenos que no passado eram considerados milagrosos ou paranormais, mas que não são perfeitamente naturais.
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[Texto de Pedro Raúl Morales]