20 de fev. de 2012

Dominar sem Violência

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Para diminuir alguém,
Deve-se primeiro engrandecê-lo.
Para enfraquecer alguém,
Deve-se primeiro fortalecê-lo.
Para fazer cair alguém,
Deve-se primeiro exaltá-lo.
Para receber algo,
Deve-se primeiro dá-lo.
Esse deixar amadurecer
É um profundo mistério.
O fraco e flexível
É mais forte que o forte e rígido.
Assim como o peixe
Só pode viver em suas águas,
Assim, só pode o chefe de Estado
Dominar sem violência.

Explicação: As grandes verdades aparecem sempre em forma paradoxal. Já o Cristo afirmava: “Quem quiser ganhar a sua vida perdê-la-á – mas quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, ganhá-la-á”.

E Paulo de Tarso dizia: “Eu morro todos os dias – e é por isso que eu vivo”.

Nos primórdios do cristianismo escreveu Tertuliano: “Eu creio no mundo espiritual – porque é absurdo”.

Estas alternativas paradoxais se referem sempre, uma à dimensão quantitativa ilusória do ego – a outra à dimensão qualitativa e verdadeira do Eu. A vacuidade daquela é a plenitude desta. A ausência daquela é a presença desta. O Universo inteiro funciona sobre a base desta bipolaridade positivo-negativa, sem excetuar o próprio homem. Conhecer e viver isto é sabedoria.
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Lao-Tse_Tao Te King

O Profano, O Iniciado, O Realizado

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Quem desperta em si
As forças criadoras da vida,
Realiza a sua intima essência.
E nela permanece, intangível,
Criando paz e silenciosa maturidade.
Musicas e peças teatrais
Aliciam os transeuntes profanos,
Mas quem se interessa por Tao?...
Não basta ver para enxergá-lo.
Não basta ouvir para compreendê-lo.
Mas quem sabe auscultá-lo,
Esse descobre a plenitude de Tao.
 
Explicação: O homem profano vive nas periferias – é ego-vivente, mas não cosmo-vivido. Vê, ouve, tange as coisas que existem lá fora – mas não sabe o que ele mesmo é por dentro. O profano se identifica com algos ou alguéns – e esta coisificação ou algo-personificação o impede de sentir a sua auto-individualidade, que é o Tao nele, o Eu central, a Realidade Univérsica, o Uno, circundado de Verso.

O profano é um homem versificado, mas não unificado. A infeliz-felicidade que ele goza, graças à sua total estupidez, o impede de sofrer a feliz infelicidade dos iniciandos, e por isto não chega às alturas da feliz felicidade do homem iniciado e realizado.
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Lao-Tse_Tao Te King