16 de fev. de 2012

A Aparente Ausência dos Grandes Chefes

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A presença de um verdadeiro chefe de Estado
É sentida pelo povo como ausência.
Os maiores são amados e louvados,
Os medíocres são ignorados,
Os ambiciosos são desprezados.
Quando um soberano confia em seu povo,
O povo confia nele.
Os chefes sábios são ponderados em suas palavras;
O que eles fazem é bom,
Desempenham a sua tarefa –
Mas o povo tem a impressão
De se guiar a si mesmo.

Explicação: É esta a imagem da verdadeira cosmocracia, a forma perfeita da democracia: cada cidadão é governado por sua própria consciência, e, embora obedeça a leis externas, tema impressão de não obedecer a nenhum governo externo, senão apenas ao seu próprio governo interior, que é a consciência cósmica. Quanto menos o povo percebe a presença do governo de fora, tanto melhor, porque o governo de dentro é tão imperceptível e imponderável como o ar, como a luz, como a vida, cuja presença benéfica todos ignoram.

O homem integral é um homem auto-governado, cosmo-governado, Cristo-governado.

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Lao-Tse_Tao Te King

Cumprimento da Ordem Cósmica

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Quem se ergue às alturas sem desejos,
Enche de silêncio o coração.
E, ainda que todas as turbas ruidosas
Assaltem o homem isento de desejos,
Ele habita em profundo silencio,
Contemplando, sereno, o louco vai-vem,
Porquanto, tudo que existe,
É um incessante vir e voltar,
Um nascer e morrer.
O que retorna, volta ao Imperecível.
Quem isto compreende é sábio.
Quem não o compreende é autor de males.
Quem é empolgado pela Alma do Universo,
Alarga o seu coração.
E o homem de coração largo
É tolerante,
E o tolerante é nobre.
O homem nobre cumpre a ordem cósmica.
E quem cumpre esta ordem,
Se identifica com  Tao, o Infinito.
É imortal como o Tao
E não subjaz a destino algum.

Explicação: Quando o homem ego-pensante se torna cosmo-pensante cedo ou tarde acaba por ser cosmo-pensante:o seu pequeno pensar egóico passa a expandir-se no grande pensar cósmico. No principio, parece que o seu ego-humano sofre prejuízo, perecendo; mas, por fim, verifica que, na linguagem do Mestre, o grão de trigo (ego) não morre realmente, mas expande a sua estreiteza na largueza da planta frutífera (Eu).

As palavras de Lao-Tse acima reproduzidas são uma perfeita paráfrase a essas palavras do Nazareno; ou ainda às palavras de Paulo de Tarso: “Eu morro todos os dias – e é por isso que eu vivo”.    

Todas as verdades dos Grandes Mestres da humanidade aparecem em forma paradoxal.
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Lao-Tse_Tao Te King