13 de dez. de 2011

O Desejo Deve Ser Forte

O Yoga Ramakrishna ilustra, com uma parábola, a intensidade do desejo que precisamos ter:

  • O mestre levou o discípulo para perto de um lago.
- Hoje vou ensiná-lo o que significa a verdadeira devoção – disse.
Pediu ao discípulo que entrasse com ele no lago e, segurando a cabeça do rapaz, colocou-a debaixo d’água.
O primeiro minuto passou. No meio do segundo minuto, o rapaz já se debatia com todas as forças para livrar-se da mão do mestre e poder voltar à superfície.
No final do segundo minuto, o mestre soltou-o. O rapaz, com o coração disparado, levantou-se ofegante.
- O senhor quer me matar! – gritava.
O mestre esperou que ele se acalmasse e disse:
- Não desejei matá-lo porque, se desejasse, você não estaria mais aqui. Queria apenas saber o que sentiu enquanto estava debaixo d’água.
- Eu me senti morrendo! Tudo que desejava na vida era respirar um pouco de ar!
- É exatamente isso. A verdadeira devoção só aparece quando só temos um desejo, e morreremos se não conseguirmos realizá-lo.


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Contos do Alquimista_ Paulo Coelho.

O Jogral de Nossa Senhora

Conta uma lenda medieval que, com o Menino Jesus nos braços, Nossa Senhora resolveu descer à Terra e visitar um mosteiro.

Orgulhosos, todos os padres fizeram uma grande fila, e cada um postava-se diante da Virgem, procurando homenagear a mãe e o filho. Um declamou poemas, outro mostrou suas iluminuras para a bíblia, um terceiro disse o nome de todos os santos. E assim por diante, monge após monge mostrou seu talento e sua dedicação aos dois.

No último lugar da fila havia um padre, o mais humilde do convento, que nunca havia aprendido os sábios textos da época. Seus pais eram pessoas simples, que trabalhavam num velho circo das redondezas, e tudo que lhe haviam ensinado era atirar bolas pra cima e fazer alguns malabarismos.

Quando chegou sua vez, os outros padres quiseram encerrar as homenagens, porque o antigo malabarista não tinha nada de importante para dizer, e podia desmoralizar a imagem do convento. Entretanto, no fundo do seu coração, também ele sentia uma imensa necessidade de dar alguma coisa de si para Jesus e a Virgem.

Envergonhado, sentindo o olhar reprovador dos seus irmãos, ele tirou algumas laranjas do bolso e começou a jogá-las para cima, fazendo malabarismos – que era a única coisa que sabia fazer.

Foi só neste instante que o Menino Jesus sorriu, e começou a bater  palmas no colo de Nossa Senhora. E foi para ele que a Virgem estendeu os braços, deixando que segurasse um pouco a criança.

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Contos do Alquimista_Paulo Coelho.