26 de jul. de 2010

Aureum Seculum Redivivum [Idade de Ouro Restaurada]


A Antiqüíssima Idade Áurea que já se Passou.
A qual tem ressurgido novamente, florida em encantos, produzindo fragrantes sementes douradas. Esta preciosa e nobre semente é indicada e revelada a todos os verdadeiros ‘sapientiae e doctrinae filis’ por Henricus Madathanus, Theosophus, Medicus et tandem. Dei gratia áurea crucis Frater. [Datum in Monte Abiegno, die 25. Martii Anno 1621].


Epistola de Tiago. 1:5: Se algum de vós carece de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e o não lança em roso, e ser-lhe-á dada.

Prefácio
Ao Leitor Cristão e Virtuoso


Leitor Bondoso e Amante de Deus, e especialmente tu ‘sapientiae e doctrinae filii’, há alguns anos o Deus Todo-Poderoso abriu meus olhos com a iluminação de Seu santo Espírito [do qual recebemos toda a sabedoria e que nos foi enviado através de Cristo por seu Pai], pois tendo orado fervorosa, incessante e constantemente, e O tenho chamado por muitas vezes. E assim contemplei o verdadeiro Centrum in Trigono centri, como a única e verdadeira substancia da Nobre Pedra Filosofal, e embora eu a tivesse em minhas próprias mãos pelo tempo de cinco anos, não sabia como usá-la devida, apropriada e convenientemente, como extrair dele o rubro sangue do leão e o branco glúten da águia, muito menos ainda como misturar, fechar e selar o mesmo de acordo com o proporcional peso da Natureza, ou como submetê-lo ao fogo oculto e proceder com o mesmo, tudo devendo ser feito com conhecimento e cuidado. E, embora tenha eu pesquisado nos ‘scripts, parabolis e variis Philosophorum figuris’ com especial cuidado e entendimento, e com labor diligente tentando descobrir suas múltiplas e estranhas ‘aenigmata’, que existiam em parte somente em suas próprias mentes, descobri ‘reipsa’ que isso foi plena fantasia e insensatez, como também o testemunha o ‘Aurora Philosophorum’. Elas todas são tolices, como todas as ‘praeparationes’, mesmo as de Geber e Albertus Magnus, com suas ‘purgationes, sublimationes, cementationes, distillationes, rectificationes, circulationes, putrefactiones, conjunctiones, solutiones, assensiones, coagulationes, calcinationes, incinerationes, mortificationes, revificationes, etc’. Da mesma maneira são seus tripés, ‘Alanthor’, fornos refletores, fornalhas de fundição, putrescências, esterco de cavalo, cinza, areia, copos de ventosa, frascos de alambique, retortas, fixatórios, etc., coisas sofisticadas, fúteis e inúteis. Pessoalmente, tenho em verdade que admitir isso: especialmente desde que a nobre Natureza, eu se deixa facilmente encontrar em sua própria substancia inata, não conhece nenhuma dessas coisas. Há aqueles que procuram pela ‘materiam lapidis’ no vinho, no corpo imperfeito, no sangue, na marcassita, no mercúrio, no enxofre, na urina, no esterco, no auripigmento, e nas ervas tais como a quélidônia, a pulmonária, o teixo, o hissopo, etc. Theophrastus, em seu ‘Secreto Mágico de Lapide Philosophorum, acertadamente diz sobre elas: tudo isso é vilania e roubo com que descaminham outras pessoas, tomam-lhe dinheiro, gastam e desperdiçam seu tempo inutilmente, seguem apenas suas próprias tolices, mas que não sabem imaginar de antemão os requerimentos da Natureza. Antes, diz-me: O que pensas tu daqueles que queimam a água nas minas da terra, ou estão, também, entre eles pessoas que elevam o valor do vinho ou queimam a urina das criancinhas para fazer com eles seus metais? Ou pensas que tu que entre elas há algum boticário que tem para vender algo com que possas fazer metais? Estúpido, não entendes que estás em erro, que nenhuma dessas coisas pertence à Natureza?Ou queres estar acima de Deus, tu que queres fazer metais usando o sangue? Poderias mesmo tentar fazer um homem de um cavalo, ou uma vaca de um rato, dando bom leite de quebra. Isso, também, seria uma ‘multiplicação’, mas tais coisas não podem acontecer, e assim como não acontecem, tampouco poderás produzir metais com tais ingredientes, pois essa não é uma arte dada pela Natureza. E o que a Natureza produziu, nenhuma arte pode afetar: pois se uma mulher deu à luz um menino, nenhuma arte pode tornar o menino em águia, seja qual for o meio empregado. Após este breve discurso, deverá ser fácil para qualquer pessoa ver como, e sob qual forma, a natureza benedicta deve ser procurada e encontrada. E ninguém deve imaginar, muito menos ser persuadido por nenhum bufão, que ele tenha realmente em suas mãos a ‘veram materiam’, seja por meio de revelação secreta de Deus ou por meio daqueles que pretendem conhecê-Lo., e ninguém deve imaginar que então será capaz de desintegrar a dita ‘veram materiam’ proporcionalmente, para separar o ‘purum ab impuro’ nas mais altas coisas, que ele saiba como purificar tal e entendê-lo completamente. Não, meus caros analistas, de nenhuma forma isso é assim: nisso está a dificuldade. Para tais coisas fazem-se necessárias arte e mente capacitada. Olhem-me, por exemplo: como tender ouvido de mim no inicio, por cinco anos estive familiarizado com a ‘veram materiam lapidis’, mas em todo esse tempo não sabia como proceder com ela, e só no sexto ano foi a chave de sua força confiada a mim, através da secreta revelação de Deus Todo-Poderoso. E os antigos Patriarcas, Profetas e Philosophi’ tem em todos os tempos guardado esta chave no oculto e em segredo, pois o Monarcha in loco dicto diz: Seria um grande roubo, e não mais um segredo, tivessem eles revelado em seus escritos tal assunto, de modo que qualquer remendão ou boticário pudesse entendê-lo, e muito mal poderia ser feito desta maneira, o que seria contra o desejo do Senhor etc. Agora, há muitas razões pelas quais devo escrever este tratado: algumas são mencionadas aqui, outras no Epílogo, e outra razão é que eu não desejo apresentar-me como se tivesse para meu exclusivo uso o ‘talentum a Deo nihi redivivo’ tudo quanto Deus e a Natureza me permitiriam, sobre o grande segredo dos Filósofos, como meus olhos o testemunharam e minhas mãos o tomaram, e como isto foi revelado pela misericórdia de Deus, no tempo certo e em grande poder e glória: e possa o pio leitor, amante de Deus, tomar tudo isso de boa fé e aceitá-lo, examiná-lo habilmente, e não se perturbar se às vezes há palavras misturadas com meus dizeres que aparentam ser contrárias ao texto. Não podia escrever de outra maneira ‘per Theoriam ad praxim’, pois é proibido escrever mais exata e claramente sobre isso ‘in republica chymica’. Mas, sem duvida alguma, todos aqueles que lerem este tratado em verdadeira fé com o olho interno de suas mentes, e que são capazes de enxergá-lo de modo certo, e estudá-lo diligentemente, e que orem em todas as coisas internamente e de todo o coração, desfrutarão, como eu, a maravilhosamente doce fruta filosofal nele oculta e partilhar dele, de acordo com os desejos de Deus. E então eles serão e permanecerão verdadeiros Irmãos da Áurea Cruz, e em eterna aliança, membros escolhidos da Comunidade Filosofal.

Finalmente, serei tão Candido que revelarei meu verdadeiro nome e sobrenome pela seguinte maneira ao leitor inteligente, honrado e Cristão, para que ninguém tenha o direito de elevar a voz contra mim. Então, agora seja sabido a todos que o numero de meu nome é M.DCXII, no qual meu nome inteiro foi inscrito no livro da Natureza por 11 mortos e 7 vivos. Ademais, a letra 5 é a quinta parte do 8, e o 15 é também a quinta parte do 12, e que isso te seja suficiente.

EPIGRAMMA
Ad Sapientiae and doctrinae filios.


Quae sivi: inveni: purgavi saepius: atque Conjunxi: maturavi: Tinctura secuta est Áurea, Naturae centrum dicitur: inde Tot sensus, tot scripta virum, variaeque figurae Omnibus, ingenue fateor, Medicina meetallis: Infirmisque simul: punctum divinitus ortum. Harmanndus Datichus: Auth, famulus.

[O que eu avidamente desejei, tenho encontrado; tenho purificado mais vezes; e Eu tenho unido;tenho levado a amadurecer; a Essência resultante é Dourada, a qual é chamada de centro da Natureza; daí Tantas sensações, tantos escritos dos homens,e múltiplas formas. Em tudo, eu francamente admito, a Medicina em metais; E na debilidade também; o ponto que se eleva dos céus].

Enquanto estive meditando sobre as maravilhas do Altíssimo e sobre os segredos da Natureza oculta e sobre o fogoso e ardente amor do meu próximo, recordei-me da branca ceifa onde Rubem, o filho de Lia, encontrou nos campos e deu as mandrágoras que Raquel recebeu de lia por ter dormido com o patriarca Jacó. Mas meus pensamentos se aprofundaram muito mais e me levaram mais adiante, ate Moisés, e lembrei-me de como ele fez uma beberagem do bezerro do sol, fundido por Aarão, e como ele o queimou com fogo; o moeu até o pó, espalhando este sobre as águas, e deu-o de beber aos Filhos de Israel. E eu me maravilhei muito sobre esta pronta e hábil destruição, que a mão de Deus obrou. Mas, após ponderar sobre isso durante algum tempo, meus olhos foram abertos, assim como acontecera com os dois discípulos em Emaús, que conheceram o Senhor na Partição do Pão, e um coração se inflamou em meu peito. Mas eu me deitei e entrei no sono. E eis que em meu sonho o Rei Salomão me apareceu em todo o seu poder, riqueza e glória, levando consigo todas as mulheres de seu harém: havia três vintenas de rainhas e quatro de concubinas, e virgens inúmeras, porem uma delas era seu meigo amor, mais linda e cara a seu coração, e de acordo com o costume Católico, ela montou uma magnífica procissão, na qual o Centrum era altamente honrado e jubilado, e seu nome era como um supremo ungüento cuja fragrância ultrapassava a de todas as essências. E seu fogoso espírito era uma chave que abria o templo, para entrar no Sagrado Recinto e para empunhar os cornos do altar.

Quando a procissão terminou, Salomão mostrou a mim o unificado ‘Centrum in Itrigoni centri’ e me abriu a compreensão, e me dei conta de que atrás de mim estava uma mulher despida, com uma ferida sangrenta em seu seio, da qual jorrava sangue e água, mas as juntas de suas coxas eram como jóias, produto das mãos de um destro artesão, seu umbigo era como um cálice bem formado de que transbordava o licor, seu ventre era como um monte de trigo ornado com lírios, seus seios eram como duas jovens corças gêmeas, o pescoço era uma torre de marfim, seus olhos como os tanques de peixes em Heshbon, junto ao pórtico de Bath-rabbim: seu nariz era como a torre do Líbano que está voltada para Damasco. Sua cabeça era como o monte Carmelo, mas seu cabelo estava enlaçado em muitas dobras, como a púrpura de um rei. Mas seus vestidos, os quais despira, estavam a seus pés e eram desagradáveis à vista, fétidos e venenosos. E ela começou a falar: Tirei minhas vestes. Como posso eu vesti-las outra vez? Lavei meus pés, devo novamente sujá-los? Os vigias que estavam na cidade encontraram-me, golpearam-me, feriram-me e me tiraram todos os véus. Então estive dominado pelo medo e, inconsciente, cai sobre o solo; mas Salomão me pôs de pé e disse: não temas quando vires a Natureza nua, e o mais oculto que está sob os céus e sobre a terra. Ela é tão linda quanto Tirzã, tão graciosa quanto Jerusalém, tão terrível quanto um exercito sob armas, mas mesmo assim ela é a pura e casta virgem da qual Adão foi feito e criado. Selada e oculta, está a entrada de sua casa, pois ela habita no jardim e dorme nas duplas cavernas de Abraão, nos campos de Efrom, e seu palácio está nas profundezas do Mar Vermelho, e nos profundos e transparentes abismos, o ar lhe deu seu alento e o fogo a criou, sendo por isso a rainha dos campos, leite e mel tem ela em seus seios. Sim, seus lábios como um farto favo, mel e leite estão sob sua língua e o cheiro de seus vestidos é como a fragrância do Líbano para os Sábios, porém uma abominação para os ignorantes. E Salomão ainda disse: Levanta-te, olha todas as minhas mulheres e vê se podes encontrar uma igual a ela. E, em seguida, a mulher tirou de si as vestes e olhei para ela, porém minha mente perdeu a força de julgamento, e meus olhos foram ofuscados: assim não pude reconhecê-la.

Porém, como Salomão observou minha fraqueza, ele separou suas mulheres desta mulher desnuda e disse: Teus pensamentos são vãos e o sol queimou tua mente e tua memória é tão negra como o carvão, assim, tu não podes mais julgar acertadamente, e então, se não quiseres privar teu interesse e aproveitar a presente oportunidade, que te possam novamente refrescar o suor sangrento e as lagrimas brancas como a neve desta virgem nua, limpar teu entendimento e memória e restaurá-la integralmente, para que teus olhos possam perceber os milagres do Altíssimo, a elevação do mais superior, e então poderá sondar as profundezas dos fundamentos de toda a Natureza, o poder e operação de todos os Elementos, e teu entendimento será como a fina prata, e tua memória como o ouro, as cores de todas as pedras preciosas aparecerão diante de teus olhos e conhecerás sua produção, e saberás como separar o bem do mal, o joio do trigo. Tua vida será muito mais pacifica, mas os címbalos de Aarão te acordarão de teus sonhos, e a harpa de Davi, meu pai, de teu sono. Após Salomão assim ter falado, estive muito mais amedrontado, e aterrorizado, em parte por causa de suas palavras, que partiam o coração, e por outra parte, também, pelo grande esplendor desta régia mulher, e Salomão tomou-me pela mão e me guiou, por uma adega de vinhos, para um átrio secreto porém muito majestoso, onde me refrescou com flores e maças, e as janelas eram feitas de cristais transparentes e eu via através deles. E ele disse: Que vês tu? Eu, repliquei, apenas posso ver deste salão o salão do qual acabamos de sair. Á esquerda está tua régia mulher e à direita a virgem nua, e seus olhos estão mais vermelhos que o vinho, seus dentes, mais alvos que o leite, mas suas vestes, a seus pés, estão ainda mais desagradáveis à vista, mais negras e mais sujas que o córrego de Cedron. De todas elas, escolhe uma, disse Salomão, para ser a tua amada. Eu a estimo tanto quanto à minha rainha; agradado como estou com a formosura de minhas esposas, pouco me importo com a abominação das vestes desta virgem. E tão logo o rei terminou de falar, ele virou-se e conversou em tom muito amável com uma de suas rainhas. Entre elas estava uma criada centenária, com um manto cinzentos, uma capa negra sobre a cabeça, incrustada com incontáveis perolas brancas como a neve e forrada com veludo vermelho, e bordada e costurada de maneira artística, com seda azul e amarela, e seu manto era adornado com diversas cores turcas e figuras da Índia; esta velha acenou para mim secretamente e proferiu um sagrado juramento; que era a mãe da virgem nua, que ela fora nascida de seu ventre, que era uma casta, pura e reclusa virgem, que até então jamais sofrera os olhares de um homem sobre si, e apesar de ter ela se deixado usar em todos os lugares, entre as muitas pessoas nas ruas, jamais alguém a vira nua antes daquele momento, e ninguém a tocara, pois ela era a virgem da qual o Profeta disse: Vede, temos aqui um filho nascido entre nós em segredo, que é diferente de todos os outros; vede, a virgem que o gerou, virgem que é chamada ‘Apdorossa’, o que significa: secretamente, a que não pode suportar outros. Porém, enquanto esta sua filha estava ainda por casar, tinha que ter seu dote sob os pés, por causa do presente perigo de guerra, pois poderia ser roubada dele pela soldadesca errante e ser desnudada de sua formosa riqueza. Entretanto, eu não deveria ficar amedrontado por causa de suas repugnantes vestes, mas devia escolher sua filha, antes de qualquer outra, para delicia de minha vida e amor. Então, ela me revelaria uma lixívia para limpar suas vestes, e eu obteria um sal liquido e um óleo não combustível para uso em minha casa, e um tesouro imensurável, e sua mão direita sempre me acariciaria e sua mão esquerda estaria sob minha cabeça. E quando então ia declarar-me categoricamente sobre esse assunto, Salomão voltou-se novamente, viu-me e disse: eu sou o homem mais sábio da Terra; lindas e agradáveis são minhas esposas e o encanto de minhas rainhas ultrapassa o do ouro de Ofir; os adornos de minhas concubinas ofuscam os raios do sol, e a beleza de minhas virgens sobrepuja os raios da lua, assim como de celestial beleza são minhas mulheres, profunda é minha sabedoria e meu conhecimento é inexplicável. No que eu respondi, e meio receoso, eu me inclinei: Vede, tenho encontrando graça diante de teus olhos, e sendo eu pobre, dá-me esta virgem nua. Eu a escolhi entre todas as outras, para toda a minha vida,e apesar de estarem suas vestes sujas e amassadas, eu as limparei e amarei de todo o coração, e ela será como minha irmã e minha noiva, pois ela arrebatou meu coração com um só de seus olhos, com uma corrente de seu pescoço. Quando assim falei, Salomão deu-ma, e havia uma grande comoção no salão entre as mulheres, o que me despertou, e não soube o que me acontecera, acreditando ter sido apenas um sonho, e tive muitos pensamentos sutis sobre meu sonho até à manha. Mas, após haver-me levantado e dito minhas orações, vede! Eu vi as vestes da virgem nua em frente à cama, porém nenhum traço dela. E comecei a amedrontar-me. Todo o meu cabelo eriçou-se sobre minha cabeça e meu corpo inteiro estava banhado de suor frio; porém, tomei coragem, lembrando-me de meu sonho, e pensei novamente sobre ele, receoso do Senhor. Mas meus pensamentos não o explicaram e por essa razão não me atrevi a examinar as vestes, muito menos a reconhecer algo nelas. Então, sai de meu quarto e deixei nele as vestes por algum tempo ‘ex mera tamen ignorantia’, na crença de que, se as tocasse ou as revirasse, algo peculiar me pudesse acontecer, mas em meu sono o odor das vestes envenenou-me e inflamou-me violentamente, de modo que meus olhos não podiam ver o tempo da misericórdia, e não podia meu coração reconhecer a grande sabedoria de Salomão.

Depois que essas vestes estiveram por cinco anos em meu quarto sem que eu soubesse para que serviam, finalmente pensei em queimá-las, para que pudesse limpar o lugar. E passei o dia inteiro a pensar sobre isso. Porém, durante a noite apareceu-me em sonho a centenária mulher e assim me falou bruscamente: Homem ingrato! Por cinco anos te confiei as vestes de minha filha; entre eles estão suas mais preciosas jóias, e durante todo este tempo nem as limpaste nem tiraste delas os insetos e os vermes, e agora, finalmente, queres queimar estas roupas, como se não fosse bastante teres sido a razão da morte e da extinção de minha filha? No que me exaltei e respondi: Como devo entender-te, tu que me acusas de ser um assassino? Por cinco anos meus olhos não contemplaram tua filhas, e nada ouvi dela, como, então, posso ser a causa de sua morte? Ela porem, não me deixou terminar, e disse: É, verdade, as tu pecaste contra Deus, por isso não pudeste obter minha filha? No que me exaltei e respondi: Como devo entender-te, tu que me acusas de ser um assassino? Por cinco anos meus olhos não contemplaram tua filha, e nada ouvi dela, como, então posso ser a causa de sua morte? Ela, porém, não me deixou terminar, e disse: É verdade, mas tu pecaste contra Deus, por isso não pudeste obter minha filha, nem o filosófico ‘Lixivoium’ que te prometi para lavar e limpar suas vestes; pois no inicio, quando Salomão, de boa vontade, te deu minha filha, desprezaste suas vestes, o que enfureceu o Planeta Saturno, que é seu avô, e tão cheio de ira estava ele, que novamente a transformou no que era antes de seu nascimento; e como enfureceste Saturno com tua repulsa, causaste a sua morte, a putrefação e sua final destruição, pois dela o ‘Senior’ disse: Ah, desgraça! Trazer uma mulher desnuda perante mim, quando meu primeiro corpo não era bom d se olhar, e nunca fui mãe até que renasci, quando então ganhei a força das raízes de todas as ervas, e em meu ser mais intimo fui vitoriosa. Tais e outras tantas palavras confrangedoras me eram muito estranhas, mas contive a indignação até o humanamente possível, ao mesmo tempo protestando ‘solemniter’ contra seus doestos: Eu não sabia sobre sua filha, e muito menos sobre sua morte e putrefação, e apesar de ter guardado suas vestes por cinco anos em meu quarto, eu não as conheci, por causa de minha grande cegueira, nem descobri seus usos,e, portanto, era inocente perante Deus e os homens. Esta minha honesta e bem fundada desculpa deve ter agradado bastante à velha, pois ela olhou-me e disse: Sinto e observo em tua mente honesta que és inocente, e tua inocência será retribuída em abundância, pois te revelarei, secretamente e por um bom coração, que minha filha, por muito amor e afeição por ti, deixou-te uma caixa de mármore cinzento como herança, entre suas vestes, a qual sta encoberta por um envoltório áspero, negro e sujo [enquanto isso, ela me deu um copo cheio de lixívia, e continuou falando], esta mesma caixa tu deves limpar do mau cheiro sujidade que recebeu das vestes. Não tens necessidade de uma chave, pois ela se abrirá por si mesma, e encontrarás duas coisas nela: uma alva caixa prateada, cheia de magníficos diamantes polidos, e outra obra de arte em ouro, adornada com valiosos rubis solares. Este é o tesouro e integral legado de minha falecida filha, que ela deixou para que o herdes antes da transformação dela. Se tu somente transferires este tesouro e purificá-lo ao máximo em silencio e fechá-lo, com grande paciência, num porão quente, oculto, fumegante, transparente e úmido, e protegê-lo do entregelamento, da geada, dos raios, dos quentes trovões, e outras destruições, até à colheita do trigo, então perceberás primeiro a inteira glória de tua herança e tomarás parte dela. Então, acordei por uma segunda vez e orei a Deus, cheio de temor, para que Ele me abrisse os olhos a fim de que pudesse encontrar a caixa que me fora prometida no sonho. E, após haver terminado a oração, procurei com grande diligência entre as vestes e encontrei a caixa, porém o envoltório estava firmemente preso a ela, parecendo ter penetrado nela pela natureza, e não fui capaz de retirá-lo. Não podia, pois, limpá-la com a ´lixívia’, nem forçá-la com ferro, aço ou qualquer outro metal. Deixei a caixa mais uma vez, sem saber o que fazer com ela, e a tive por ser de bruxaria, pensando nos dizeres do profeta: “Pois mesmo que laves com ‘lixívia’ e uses bastante sabão, tua iniqüidade ainda te marca perante mim, diz o Senhor Deus.”

E após um ano haver passado, novamente, sem que eu soubesse, após especulações e industriosas deliberações, como retirar o envoltório, finalmente fui passear no jardim, para livrar-me de meus pensamentos melancólicos, e após longo passeio, sentei-me numa pedra áspera e caí em pesado sono. Dormi, mas meu coração permaneceu acordado: apareceu diante de mim a centenária criada e disse: recebeste a herança de minha filha? Em voz triste, respondi-lhe que não, apesar Em voz triste, respondi-lhe que não, apesar de ter encontrado a caixa. Que para mim ainda era impossível retirar dela o envoltório, e a lixívia que me havia dado não fazia efeito em seu envoltório. Após esta exposição, a velha sorriu e disse: Querias, por acaso, comer ostras com as cascas? Não tem elas de ser separadas da casca e preparadas pelo antiqüíssimo planeta e cozinheiro Vulcano? Eu t disse que deves limpar a caixa cinzenta, perfeitamente, com a lixívia que te dei, a qual se originou inteiramente da caixa, que não foi refinada da áspera envoltura externa. Isso tens que especialmente queimar no fogo dos filósofos, então tudo dará certo. E então ela me deu carvões incandescentes, envolvidos em tafetá leve e branco, e instruiu-me ainda e observou que deveria deles fazer um fogo filosófico e bastante habilidosamente queimar nele o envoltório, que logo encontraria a caixa cinzenta. E imediatamente, a cada hora ventos do norte e do sul sopravam ambos varrendo o mesmo tempo através do jardim, e assim acordei, esfreguei então o sono de meus olhos, e notei que os carvões incandescentes envolvidos no branco tafetá estavam aos meus pés; com rapidez e alegria, peguei-os, orei diligentemente, invoquei a Deus, estudei e elaborei dia e noite, e pensei durante isso sobre os grandes e excelentes ditos dos Filósofos, que dizem: ‘Ignis et azoth tibi sufficiunt’. Sobre isso, Esdras diz em seu quarto livro: e ele deu a mim um copo repleto de fogo, e sua forma era como de um fogo, e quando bebi dele, meu coração revelou entendimento, e sabedoria cresceu em meu peito, pois meu espírito reteve sua memória: e minha boca foi aberta e não mais se fechou. O Altíssimo deu o entendimento aos cinco homens, e eles escreveram pelo curso da vida as coisas que lhes foram ditas, em caracteres que não conheciam. Assim, em quarenta dias foram escritos 204 livros, 70 somente para os mais sábios, que eram verdadeiramente dignos disso, e todos foram escritos em madeira de buxo. Procedi então ‘in silentio et spe’, como a velha me revelou em sonho, até que de acordo com a predição de Salomão, após longo tempo, meu conhecimento se tornou prata e minha memória se tornou ouro. Porém, de acordo com as instruções e os ensinamentos da velha criada, eu coloquei e tranquei de maneira apropriada e bastante hábil o tesouro de sua filha, a saber: os esplendidos e luminosos diamantes lunares e os rubis solares, ambos os quais provieram e foram encontrados na caixa e na paisagem. Ouvi a voz de Salomão, que disse: Meu amado é alvo e rosado, o mais distinto entre dez mil. Sua cabeça é como o mais fino ouro, seu cabelo é basto e negro como o corvo. Seus olhos são como os pombos junto às águas, lavados em leite e bem engastdos. Suas faces são como um canteiro de bálsamos, como doces flores. Seus lábios são como lírios, derramando mirra d doce olor. Suas mãos são como anéis de ouro encrustados como berílios. Seu vente é como o brilhante marfim trabalhado com safiras. Suas pernas são como colunas de mármore, colocadas sobre pedestais de fino ouro. Seu semblante é como o Líbano, excelente como os cedros. Sua boa é dulcíssima: sim, ele é todo encantador. Este é meu amado, e este é meu amigo; Ó filhas de Jerusalém. Por isso, deveis retê-lo e não deixá-lo ir, até que o leveis para a casa de sua mãe e para a câmara de sua mãe. E quando Salomão falou estas palavras, eu, não sabendo o que responder-lhe, silenciei, porém queria, mesmo assim, abrir novamente o tesouro fechado, como o qual eu pudesse permanecer sem ser perturbado. Então ouvi uma outra voz: Eu vos concito, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e corças do campo, que não aticeis nem desperteis meu amor, até que ela o queira, pois ela é um jardim fechado, uma fonte vedada, uma nascente selada, o vinhedo em Baal-hamon, o vinhedo em Engeddi, o jardim de frutas e especiarias, a montanha de mirra, a coluna de incenso, a cama, o leito, a coroa, a palmeira e a macieira, a flor de Sarom, a safira, a turquesa, a parede, a torre, a elevação, o jardim das alegrias, o poço do jardim, a nascente da água viva, a filha do rei, e o amor de Salomão em sua concupiscência: ela é a mais cara à sua mãe, e a escolhida pela sua mãe, mas sua cabeça é cheia de orvalho, e suas madeixas, pontilhadas de gostas da noite.

Por meio deste discurso e revelação, fiquei tão bem informado, que conheci o propósito dos Sábios e não toquei no tesouro trancado até que pela permissão da misericórdia divina, pelo trabalho da nobre natureza, e pela operação de minhas próprias mãos, a obra foi felizmente completada.

Logo após esse tempo, justamente no dia em que a lua estava cheia, ocorreu um eclipse do sol, mostrando-se em toda a sua apavorante força, no inicio verde-escuro e com algumas cores misturadas, até, finalmente, tornar-se negro como o carvão, e escureceu o céu e a terra, e muitas pessoas se aterrorizaram, mas eu me rejubilei, pensando na grande misericórdia de Deus e no novo nascimento. Como Cristo nos tem indicado, um grão de trigo deve ser lançado ao solo, para que não apodreça e deixe de dar fruto. E então sucedeu que a escuridão foi encoberta por nuvens, e o sol começou a brilhar através delas, porém, ao mesmo tempo, três quartas partes dele ainda estavam pesadamente obscurecidas: e vede! Um braço irrompeu através das nuvens, e meu corpo tremia à sua vista, e sua mão segurava uma carta, com quatro selos pendentes, na qual estava escrito: Eu sou morena e formosa. Ó filhas de Jerusalém, como as tendas de Quedar, como as cortinas de Salomão: não considerem que eu seja morena, pois o sol me queimou etc. Mas tão logo o ‘fixum’ agiu no ‘humidum’, um arco-íris se estendeu e eu pensei sobre a Aliança do Altíssimo, e sobre a fidelidade de meu “Ductoris”, e sobre o que tenho aprendido, e vede, com a ajuda do planeta e das estrelas fixas, o sol sobrepujou a escuridão, e sobre cada montanha e vale surgiu um claro e aprazível dia; então todo o medo e terror tiveram fim, e todos contemplaram este dia e se rejubilaram, honraram ao Senhor e disseram: O inverno passou, a chuva terminou e se foi; as flores apareceram na terra; o tempo do cantar dos pássaros chegou, e o arrulho das rolinhas é ouvido em nossa terra; a figueira produz seus verdes figos, e as vinhas, com seus macios cachos, dão um bom odor. Por isso, apressemo-nos para apanhar as raposas, as raposinhas que estragam as vinhas, para que possamos colher as uvas em tempo e com elas fazer e tomar vinho, e para que sejamos alimentados no tempo certo com leite e favor de mel – para que possamos comer e saciar-nos. Após o dia haver terminado e caído a noite, o céu inteiro empalideceu, e as setes estrelas surgiram com raios amarelos e seguiram seus cursos naturais através da noite, até que de manhã foram vencidas pela aurora purpúrea do raiar do sol. E vede! Os Sábios que habitavam na terra ergueram-se de seu sono, olharam para os céus e disseram: Quem é esta que parece com a madrugada, é bela como a lua, clara como o sol, e não há nela uma mancha, pois seu ardor é fogoso e não difere da chama do Senhor. Assim, nenhuma água poderá extinguir o amor, nenhum rio o afogará; por isso, nós não a deixaremos, pois ela é nossa irmã e apesar de ser ainda pequena, e não ter seios formados, nós a levaremos de volta à casa de sua mãe, para um átrio brilhante, onde ela esteve antes, para sugar ao seio d sua mãe. Então ela ressurgir como a torre de Davi, construída de baluartes nos quais estão pendurados mil escudos, e as muitas armas de homens poderosos; e enquanto ela prosseguiu, a filha e a louvou abertamente, e as rainhas e as concubinas a louvaram. Porém, eu cai sobre meu rosto, agradeci a Deus e a louvei Seu sagrado nome.

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EPILOGUS
E assim é trazido a um final, meus amados e verdadeiros ‘Sapientae et doctrinae filii’, em todo o seu poder e sua glória, o grande segredo dos Sábios, e a revelação do espírito, sobre o qual o Príncipe e o Monarca ‘Theoph in Apocalypsi Hermetis’, diz: é um único ‘Numen’, um divino, maravilhoso e sagrado ofício, pois que incorpora o mundo inteiro nele, e se tornará verdade com tudo o mais, e verdadeiramente sobrepuja os elementos e as cinco substancias. Olhos não viram, nem ouvidos escutaram, nem entrou no coração de nenhum homem, como o céu tem naturalmente incorporado a verdade deste Espírito; nele a verdade não está só, e por isso é chamado a Isaque e Jacó, deveram sua saúde física, suas longas vidas, e finalmente prosperaram em grande riqueza por meio desse poder. Com a ajuda deste Espírito, os ‘Philosophi’ fundaram as sete artes livres e adquiriram suas fortunas assim. Como ele Noé construiu a Arca, Moises o Tabernáculo, e Salomão o Templo e através dele obteve os vasos de puro ouro para o Templo, e pra a glória de Deus.

Salomão também obrou com ele muitos finos lavores e praticou outros grandes feitos. Com este Espírito, Esdras novamente estabeleceu o Mandamento; e com ele, Miriam, a irmã de Moises, foi hospitaleira. E este Espírito foi muito usado e muito comum entre os profetas do ‘Antigo Testamento’. Da mesma forma, ele é o remédio e a cura de todas as coisas, e a final revelação, o último e mais alto segredo da Natureza. É o Espírito do Senhor que encheu a esfera do reino terrestre, e se movia sobre as águas no início. O mundo não poderia entender e nem torná-lo sem a secreta e graciosa inspiração do Santo Espírito, ou sm ensinamentos secretos. Pois o mundo inteiro espera por ele, por causa de seus poderes, os quais não podem ser bastante apreciados pelos homens, e pelo qual os santos estiveram buscando desde o inicio da criação do mundo e tem ardorosamente desejado ver. Pois este Espírito penetra os sete planetas, levanta as nuvens e enxota as névoas, dá luz a todas as coisas, transforma tudo em ouro e prata, dá saúde abundancia, tesouros, limpa a lepra, curra a hidropsia e a gota, clareia as faces, prolonga a vida, fortalece os tristes, cura os doentes e todos os aflitos, sim, é o segredo de todos os segredos, uma coisa oculta entre todas as coisas ocultas, e é cura e medicina para tudo.

Da mesma maneira, ele é e continua insondável ‘in nature’ e infinito poder e invencível glória, que é uma apaixonada invocação pelo conhecimento, e uma linda coisa entre todas as que estão sob o circulo da lua, como o qual a Natureza é fortificada e o coração e todos os membros são renovados e mantidos em florida juventude, a idade é afastada, a fraqueza destruída, e o mundo inteiro refrescado.

Da mesma maneira, este Espírito é um espírito escolhido entre todos os outros espíritos ou coisas celestiais, que dá saúde, sorte, felicidade, alegria, paz, amor, expelindo todo o mal, destruindo a pobreza e a miséria, fazendo também que ninguém possa nem falar nem pensar em algo mal; ele dá ao homem o que ele deseja das profundezas de seus corações, honras mundanas e longa vida aos que amam a Deus, mas punição eternas aos fazedores do mal, que o usam inapropriadamente.

Ao Altíssimo Deus Todo-Poderoso, que criou esta arte e ao qual apraz revelar este conhecimento a mim, um miserável pecaminoso, através de uma promessa e juramento, a Ele, louvor, honra, glória e agradecimentos, com uma prece verdadeiramente humilde e fervorosa para que Ele dirija meu coração, mente e sentidos por intermédio do Seu Santo Espírito, determinando que eu a ninguém fale sobre este segredo, e que muitos comunique a alguém que não seja temeroso de Deus, nem o revele a nenhuma criatura, para que eu não quebre meu voto e juramento, e rompa os selos celestiais, e assim me torne um perjuro ‘Irmão Áurea Crucis’, e ofenda a Divina Majestade, cometendo grave, imperdoável pecado contra o Espírito santo. Portanto, possam Deus Pai, Filho e Espírito Santo, a Santíssima Trindade, misericordiosamente preservar-me e proteger-me constantemente. Amen, Amen, Amen.
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FINIS

22 de jul. de 2010

Alquimia _Livro Primeiro


Que, de um antigo manuscrito, foi aqui trazido à luz.

O Onipotente Todo-Poderoso DEUS e SENHOR, Aquele Único que é Onisciente e Verdadeiramente Sábio, deu ao Homem compreensão superior à de qualquer de Suas criaturas, para que este possa conhecer as Suas obras e não deixá-las inexploradas. Ora, desde que esse Homem, a quem o Deus onisciente concedeu a inspiração e, assim, a descoberta desta alta e profunda Obra secreta e o grande segredo da antiga ‘Pedra d’Água dos Sábios’, ele deve provar-se na sua correção. Se há algo na Terra que seja coisa natural, esta é a Preparação e o ‘Magisterium da Pedra do Filósofo’, natural, e não da fabricação do Homem, mas totalmente obrada pela Natureza, pois nada acrescenta a ela o Artista. Só a Natureza dirige o crescimento, como no caso de cada cultivador do solo com suas frutas e plantas; só que ele deve ser de mente sutil e ter a graça de DEUS, para que a possa dirigir à medida que a obra se torna evidente na fervura e através dos tempos sucessivos: a saber, no principio é o ‘Subjectum’, que se recebe da Natureza diretamente nas mãos. Aí jaz oculta a Tintura Universal de todos os metais, animais e plantas. É um ‘Corpus’ cru e rudimentar, sem contornos de animal ou planta, mas é no início uma substancia áspera, terrosa, pesada, viscosa, dura e nebulosa, na qual a natureza parou de obrar; mas quando o Homem esclarecido abre tais matérias, investiga em ‘Digestão’ as densas e nebulosas sombras com as quais elas se cercam, eles as purifica, permitindo que o oculto emerja, e através de adicional ‘Sublimação’, sua Alma mais interior, que ali fica escondida, também se separa e é trazida a uma forma corporal. Então será descoberto o que a Natureza tinha oculto m tal substancia, que fora informe, e que poder ‘Magnalia’ o Supremo Criador deu a seu Creato e nele implantou. Pois Deus teve este Creato para todas as outras criaturas, já que no inicio da Criação este poder foi implantado, e Ele ainda o dá diariamente, pois do contrário não seria só impossível a uma pessoa levar tal trabalho natural até o fim desejado, como também seria impossível criar aqui qualquer coisa de útil. Mas o bom e dadivoso Deus não negaceia ao Homem os tesouros e bens que Ele implantou na Natureza, do contrário não teria concedido tais coisas às Suas criaturas; não, Ele criou tudo o que é bom para o Homem, o fez Senhor de toda a Sua criação. Portanto, é próprio do Homem compreender e engajar-se em tal Obra natural e filosófica, pois de outro modo uma criação tão dadivosa e maravilhosa teria sido em vão, contemplaríamos a Natureza como se fôssemos animais sem discernimento, que por aqui perambulam, e seguiríamos vâmente os conselhos de Deus, e não nos ajustaríamos às finalidades da Natureza. ‘Deus autem et Natura, nihil facitum frustra [Deus e a Natureza em vão]. Mas o Deus Todo-Poderoso tudo comanda. Ele ordena e provê para que a forragem seja posta diante do asno e do cavalo, mas que o ser humano racional seja servido de alimentos mais custosos, mais deliciosos. Portanto, aqueles que tentam investigar e que desejam esse ‘Arcanum’ e grande tesouro tão profundamente oculto, na maneira correta, não precisam depender da colheita do ignorante, que não possui conhecimento sob a Luz de nosso Sol.

Os Filósofos e Sábios, bem como os ‘Neotrici e Veteres’, já se envolveram em grandes discussões sobre essa arte secreta, e tentaram indicar, sob muitos nomes diferentes, alegorias e palavras sofismadas, maravilhosamente estranhas, o ‘Subjectum e sua Essentia’, e que espécie de Matéria, que espécie de ‘Corpus’, que espécie de ‘Subjectum’, e quão maravilhosa e secreta é uma Criatura, que tenha incorporado poderes tão fortes, estranhos e celestiais, e com os quais, depois de ‘Digestio’ e purificação, pode-se ajudar a seres humanos, animais, plantas e metais, e pode-se levar sua saúde e perfeição até o mais alto grau, podendo-se também praticar outras maravilhosas ações. Entretanto, todos os que foram e ainda são verdadeiros ‘Philosophi’ unanimemente afirmam que há apenas um único ‘Scopum’ e uma única ‘Materiam’, o ‘Fili Sapientat’, sendo muitos e variados os discursos e escritos sobre ele. Com relação à coisa essencial, entretanto, só há silencio, e tal silencio trancou firmemente suas bocas e sobre elas colocou um sólido ‘Sigili’, pois, caso se tornasse um conhecimento vulgarizado, como o dos padeiros e cervejeiros, o mundo em breve pereceria.

Muitos são os que buscaram esta única RES, que ‘solvit se ipsum, coagulat se ipsum, se ipsum impregnat, mortificat et vivicat’ [dissolve-se, coagula-se, impregna-se, mata-se e revive-se a si própria], mas a maioria de tais pesquisadores falharam, pois se perderam em meio à busca. Portanto, é algo que mais se aproxima do ouro; e é algo que tanto pode ser ganho pelo pobre como pelo rico, seja lá o que for. Mas aquele que, de sua própria boca, venha a falar ‘expressamente sobre este Subjectum’, o faz sob a ameaça da ‘Philosophi execrationem divinam’, e sobre si chama a maldição de Deus.

Quando os filósofos pronunciavam um ‘Execratio’, o Deus Todo-Poderoso respeitava o seu apelo e o outorgava, dando-lhes o que até então Ele havia guardado em Suas próprias mãos por muitos e muitos séculos. Ora, o referido ‘Subjectum’ é de tal natureza, que ele, nossa ‘Magnesia’, não apenas contém uma quantidade em pequenas proporções do Spiritus Vitalis universal, como também um pouco de energia celestial condensada e comprimida em si. Muitos dos que o encontraram ficaram de tal modo intoxicadas pelo seu fumo que se mantiveram em seus lugares e não mais puderam erguer-se. Somente um sábio, e um que conheça tais coisas poderá tomar de uma medida desse mesmo fluido e levá-la para si, desde o lugar onde a encontrou, seja este qual for, mesmo que das profundezas das montanhas. Pela singular e abundante graça de Deus, tanto ricos como pobres possuem a mais absoluta liberdade de tomar disso, para que vá de volta a casa com isso, e coloque isso atrás da chaminé ou em qualquer outro lugar que lhe aprouver onde lhe for conveniente, e poderá começar a trabalhar isso e fazer experimentos, pois poderá deixar isso de lado tão rapidamente que nem seus próprios servos o notarão. Pois esta obra natural não é tão desajeitada como a dos alquimistas comuns, como seus desastrados trastes, seus fogareiros de carvão, suas cubas fundidoras e seus cadinhos de refinação, e com todo o restante de suas tralhas. Não, esta é uma obra que se pode guardar, numa arca fechada, em qualquer aposento que se queira, tão sossegadamente que nem mesmo um gato a encontrará, e, caso necessário, ele poderá prosseguir com seu ofício, tomando cuidado apenas para que a fornalha tenha um testador triplo, e que ele a mantenha no calor certo, deixando que a Natureza siga o seu curso. Quando, finalmente, a Solutio for retirada do ‘Terrestriat’ e fortalecida por longa ‘Digestio’, ficará então livre de ‘Crudae Materiae’ e estará preparada e renascida de forma mais sutil. Subseqüentemente, claro está, este agudo e potente ‘Spiritus’ recebe em certas ocasiões uma quantidade bem medida, como sucede nos casos de bebida e nutrição, ‘per modum inibibitionis et nutriotionis’. E sua potencia assim fica condensada e dia a dia torna-se como se fora novos suportes para seus irmãos, e muito ativa. Em verdade pensas que podes trazer esta obra e levá-la a tal potencia em intensidade oculta imensurável, um ‘Spiritus Vitalis?’ ‘ As Crudae Materiae’ ou o ‘Subjectum’ originam-se das ‘Astris e Constellatio dos céus, descendo para seu reino terreno’, sendo então sacado o ‘spiritus universi secretur’ dos Filósofos, que é o Mercuriuns dos Sábios, e é o principio, o meio e o fim, nos quais, o ‘Aurum Psysicum’ está determinado e oculto, que o alquimista comum pensa poder extrair do ouro ordinário, mas em vão. EEnquanto isso, os Philosophi lidam muito, em seus escritos, sobre Sol e Luna que de todos os metais são os mais duráveis no /_\. Mas isto não deve ser tomado literalmente, pois o seu Sol e Luna, quando levados à sua intia ‘puritaet’, através de preparação verdadeira, natural, correta e filosófica, podem muito bem ser comparados com os corpos celestiais, tais como o sol e a lua, que com o seu brilho iluminam, dia e noite, o alto e o baixo ‘Firmamentum’. Portanto, estes dois nobres metais, como Sol e a Luna dos Filósofos, assemelham-se, por natureza, ao corpo humano, e para os que sabem como prepará-los corretamente e usá-los sabiamente, dão muita saúde, e exceto isso,e acima disso, nada mais deve ser preparado, além do ponto tríplice do Universalis, pois o Spiritus a ser encontrado nestas duas coisas produz consistência, força e virtude, entre outras coisas.

Ora, o Homem perdoado por Deus pode preparar e aprontar um objeto ou substancia do supramencionado vermelho oou branco , do Sol e Luna, o que é chamado de Lapidem Philosophorum, ou a antiqüíssima Pedra d’Água dos Sábios, feita da substância na qual Deus colocou potencia na criação ou gênese do mundo, ou dos materiais freqüentemente mencionados ou Subjectum, os quais Deus, por amor e por graça, implantou no altamente dotado homem divino. Porém, creio, por isso, que a substancia divina deixada para ele na primeira Criação do mundo, do Spiritu Vitali, da Inspiração, tem sobrevivido em todas as espécies de criaturas. Todos receberam o mesmo Spiritum no mencionado Massam, e firmemente oculto nas mais internas profundezas da terra, e foi indicado e permitido aos Sábios desenterrá-lo, extraí-lo, usá-lo realizar as mesmas Miracula com ele, através do santo conhecimento que nele ainda está implantado e com o qual é diariamente suprido.

Ambas as substâncias acima mencionadas, como o Sol e a Lua, ou vermelho e branco, ou, antes, a Preparação, é, e os Mercurii são, os ingredientes na Composição de nosso Lapidis Philosophorum. Ora, as Matéria são no inicio purificadas e purgadas através de bastantes e repetidas Sublimentiones, e então cuidadosamente pesadas e logo depois compostas; também tu não deves ignorar o que representa a potência e a ocasião de ambos os ingredientes mencionados, porém deves saber como dispor ambas as Pondera, secundum proportionem Physicam [de acordo com a analogia da Física], pois uma boa porção da Preparação e do Mercúrio é misturada com uma pequena porco de animae Sollis vel Sulphuris, e então unem-se ambos com delicada mão, parra que finalmente a Preparação e o trabalho mais difícil sejam completados. Mas terás que saber que deverás primeiramente tingir a Preparação com a vermelha Tinctur, todavia ela não se tornará vermelha ‘in continenti’, mas permanecerá branca, pois o Mercurius tem o privilégio de querer ser tingido primeiro, antes de todos os outros. Os ‘Philosophi’ dizem que o fazer em adição com a Anima Solis desta Tinctur do Mercurii, e de onde deve ser tirada. O Fermento do ouro é ouro, justamente como o Fermento da massa é massa. Ademais, é o Fermento do ouro proveniente de sua própria natureza, e então sua potencia é perfeita quando retransformada em terra. E então isso é primeiro o inicio dos Filósofos, a certa e verdadeira Prima Matéria Philosophorum metallorum [a primeira Matéria dos metais dos Filósofos]. Daí para diante os verdadeiros Mestres, experienciados na Arte, começam a estimular seus Ingniam e aproximar-se da Grande Obra. E então o ‘Artifex’ continua com tal obra, e através da benção de Deus, leva-a ao final, para o qual tende e onde é encarnada por Deus, nominalmente, para a abençoadíssima Pedra Filosofal. De modo que de nada senão per Spiritum universali Secretum a verdadera matéria prima Philosophorum é preparada e aprontada. Quem, então, compreender bem este Spiritum Secretum entende também, sem dúvida, os segredos e milagres da Natureza e tem a percepção da luz da Natureza. Pois ela é ‘motus harmonicus Sympaticus e magneticus’, da qual se origina a Harmonia e Concordantia, a magnética e simpática força ou efeito do mais superior e do mais inferior. Porém, nota que a natureza de ambos os ingredientes não é semelhante uma à outra no inicio, por causa de suas opostas qualidades. Pois uma é quente e seca, a outra é fria e úmida, e logicamente,elas devem ser unidas. Mas quando isso está prestes a ocorrer, então suas qualidades opostas devem vagarosamente ser mudadas e igualadas, de modo que nenhuma das suas naturezas opostas, por meio de seu intenso fogo, retire da outra sua potencia. Mas tu jamais poderás juntá-las, pois ambas as naturezas devem elevar-se simultaneamente no poder do fogo. Então a Discrasia será retirada do Corpori, e uma Aequalitas e boa Temperatur são estabelecidas, o que ocorre através da moderada e constante ebulição.

Pois quando ambas as naturezas Sulphur e Meercurius são encerradas em espaço muito apertado e são mantidas sob calor moderado, começam a extenuar suas características opostas e a unir, até finalmente terem todas as qualidades. Elas se tornam Conspiratio e se elevam ao mesmo tempo, e certamente no topo do vidro se encontra número um. Elas estão prontas a consorciar-se, e então o noivo coloca o anel de ouro em sua noiva, dizem os Philosophi. E assim que Mercurius com seu Sulphur, como a água e a terra entre si, estiverem devidamente ebulidos [ quanto mais tempo, melhor], expelem de si todas as suas superfluidades e as partes puras encontram-se e dispõem de seus ‘corlicibi’; de outro modo as partes impuras impedem a unificação e o Ingressus.

Pois o Mercurius, como o primeiro Corpus, é inteiramente imperfeito e pode ‘per anima’ nem ser misturado nem perpetuado, pois nenhum dos Corpus ingressa no outro nem será unido a ele, seja ‘in vere’ ou ‘in radice’. Mas devem essas coisas ser tratadas de modo que uma verdadeira Tinctur se formará, e deverá ser preparada dela um novo Corpus espiritual que provenha de ambos, pois após a purificação um adotada as virtudes do outro, e de vários provém o único, numero et virtute [em numero e força]. Porém, se o fogo for por demais intenso e não for controlado de acordo com as exigências da Natureza, ambos estes acima mencionados serão sufocados ou separados. Se a eles não for dispensado o modo certo de preparo, transformar-se-ão em nada, em trabalho estragado e um Monstrum. Mas quando se proceder prudentemente e com o calor devidamente controlado, então ambas as substâncias se elevarão na Sublimatio do topo ou cúpula do vidro. Então, quando tu colheres estas lindas flores, poderás já desfrutar delas em particularia.

Mas não poderás observar o motum occultum naturae; assim como não poderás ouvir ou ver a erva crescer, pois ninguém pode observar, nem notar, o aumento e desenvolvimento destes dois ingredientes, Mercurii e Sulphuris, por causa de seu sutil, oculto e vagaroso Progressus de hora em hora. Somente por meio de marcas colocadas d semana em semana isso poderá ser observado e uma conclusão tirada, pois o fogo interno é muito delicado e sutil. Porém, por mais vagaroso que o processo possa ser, não terminará até chegar ao final, quando seu intento poderá ser visto, como em todas as plantas, a não ser que tal sutil e competente ebulição seja detida pelo calor demasiado do sol e seja queimada, ou detida por frio de aparição instantânea; ‘ergo qui scit occultum motum naturae, scit perfectum decotionm’ [por isso, aquele que conhece o movimento oculto da Natureza, conhece também a perfeita ebulição ou preparação]. Este motum deve agora tomar seu rumo natural e autodeterminado,apesar de ninguém poder ouvi-lo nem vê-lo, como também ninguém pode compreender. O Centra et ignem invisibilem seminum invisibilum [ o Centro e o fogo invisível]. Por isso deverás deixar tal assunto somente à Natureza, e observá-la, e nenhuma vez tentar opor-se à Natureza, mas depositar nela toda a confiança,até que ela produza seu fruto.

Quando alguém trata a Natureza com calor gentil e agradável, ela faz e produz tudo de si mesma, o que, para o suprimento de um Creati ou para a introdução de uma nova forma, é o objeto de necessidade: pois o Verbo Divino Fiat ainda reside em todas as criaturas e em todas as plantas, e tem sua poderosa força nestes tempos, assim como teve no inicio.

Existem, entretanto, quatro principais Virtudes e Potentias, das quais a nobre Natureza faz uso em cada ebulição; através disso ela completa sua obra e a leva a um final.

A PRIMEIRA VIRTUS
É, e é chamada, ‘appellativa et attracctiva’, pois lhe é possível atrair para si, de longe ou de perto, alimento pelo qual se mostre desejosa de resultados e lugares agradáveis à sua natureza, e ela pode crescer aumentar. E aqui ela não tem um poder magnético, tal como o de um homem por uma mulher, o Mercurius pelo Suplhur, o seco pelo úmido, a Matéria pela forma. Por isso o axioma dos Filósofos é: natura naturam amat, ammplectitur prossequitur. Omnia namquam crescentia, dum radices agunt et vivant, succum ex Terra altrahunt, atque avide arripiunt ilud, quo vivere et augementari sentiunt – isto é, a natureza ama a natureza, a envolve e segue. Pois todas as plantas, quando lançam raízes e começam a viver, tiram a seiva da terra, e a sugam avidamente, pois sentem que deste modo elas podem viver e multiplicar-se. Pois onde há fome e sede, alimento e bebida serão recebidos com avidez esta Virtus e Potentia será desperta e provém do calor e da seca mediana.

A SEGUNDA VIRTUS E POTENTIA
É, e é chamada natura retentiva et coagulativa. Pois a Natureza em si não somente é útil a ela e serve por sua continuação e é vantajosa quando ela carece daquilo que é avidamente produzido de si mesma, mas tem também com ela o laço com o qual ela tira e traz e a segura a si mesma. Sim, a Natureza até se muda em si mesma, pois como tem ela escolhido, destas duas, as mais puras partes, ela separa o resto e as leva à boca e a faz crescer, e não está carecendo de qualquer outra ‘calcinação ou fixação:natura naturam continent’[A natureza retém a natureza], e tal habilidade provém de sua secura, pois o frio constringe as partes obtidas e formas e as reduz, por secura, na Terrae.

A TERCEIRA VIRTUS E POTENTIA
[naturae in rebus generandis et augmentandis]

Est Virtus digestiva, quae fir per putrefactionnem seu in putrefactione [é a força digestiva, que ocorre por meio da putrefação ou na putrefação], em calor e umidade moderados e temperados. Pois a Natureza dirige, muda e introduz um tipo e qualidade, a imperfeição é eliminada, o amargo é adoçado, o autero é abrandado, o áspero é feito liso, o imaturo e selvagem é domado,o que era anteriormente incapaz é agora habilitado e tornando eficiente, e leva à execução finalmente pretendida e perfeição da Obra, e representa os Ingredientia da Compositio.

A QUARTA POTENTIA NATURAE
Est virtus expulsiva mundificativa, segregativa [a força expelente, purificante, separadora] que separa e divide, que purifica e purga, que lava durante a Sublimação ou Decocção.

Ela parte do Sordibus da escuridão e trás consigo um Corpus ou substância pura, transparente, poderosa ou iluminada; ela reúne as Partes homogneis, e é gradualmente liberada do heterogeneis, repele a Vitia e tudo o que for estranho, inspeciona o rude, e dá a cada parte um lugar especial. Isto é causado por – e é proveniente de – agradável calor, constante em umidade apropriada, e isso é a Sublimação e fruta madura que agora cairá da casca. Por isso foi no inicio designado pela Natureza artesãos, a saber: o Patiens é liberado do Agente e será aperfeiçoado. Nam liberatio illa a partibus heterogeneis est vita et perfectio omnis Rei – isto é, para a liberação destas desiguais partes, é a vida a perfeição de todas as coisas. Para o Agens e Patiens que até agora estiveram em contenda um com o outro, de modo que cada um afetava e oferecia resistência de acordo com a resistência de seu oponente – isto é, o quanto for possível ela quebrará a resistência de seu oponente e não se devem unir durante o tempo de sua Decocção, porém a melhor parte deverá ganhar a vitória e expelir o impuro, e subjugá-lo.

Agora, quando todas as Naturalis potentia tiverem desempenhado seu Officium, então virá o novo nascimento e como a fruta madura se apresenta em todas as outras plantas, assim também agora sucederá em nosso Subjecto e obra natural que, quando aperfeiçoada, surpreendentemente em nada mais parece com seu primeiro inicio e não tem mais qualidade, e é nem frio nem seco, nem úmido nem quente, e ´nem masculus nem foemina. Pois o frio é por si mesmo transformado m calor, e o seco em úmido, e o pesado em leve, pois ela é uma nova ‘Quinta Essentia’, um ‘Corpus Spirituale’, e tornou-se um ‘Spiritus Corporales’, tal Corpus é claro e puro, transparente e cristalino: por si mesma, a natureza jamais poderia ter produzido tal corpo enquanto existir o mundo. O Artifex e o homem iluminado, entretanto, auxiliante Deo et natura [pela ajuda de Deus e da Natureza], produziu por meio do seu intelecto a arte, e ele o coloca lá por si mesmo. De modo que subseqüentemente ele encontra uma Miracula e que é chamada: ‘unguentum anima, aurum Philosophorum, flos auri’[o ungüento, a alma, o ouro do filósofo, a flor do ouro]. Theopharastus e outros o chamam de Glutem aquilae.

Agora, o que foi mostrado sobre as quatro ‘potentiis naturae’ foi efetuado por meio do fogo, que deve ser incombustível, agradável à Natureza, e de acordo com a Natureza deve continuar estável e deve também sr vantajoso à Obra: porém nesta Obra dois tipos de fogos são particularmente bem tratados, a saber: o fogo elementar externo que o Artifex produz e o qual aplica à Obra, e depois deste o fogo natural, inato, interno, das substancias. Embora encontre em todas as três coisas primárias ou genera um fogo natural, tal como nos Animalibus, Vegetabilus e Mineralibus, através dos quais ele iniciou e se moveu, mantendo a vida, foi fortificado e aumentado; e pode continuar seu inato poder de continuidade e de virtude radicada de acordo com o caráter de cada um.

Mas o fogo que se encontra em nosso Subjecto em si mesmo não é mínimo entre as criaturas e os minerais. Ele tem oculto dentro d si o mais maravilhoso, o mais potente fogo, confrontado com o qual o fogo externo é semelhante à água, pois nenhum fogo elementar comum pode consumir e destruir o puro ouro, que é a mais durável substancia entre todos os metais, por mais intenso que o fogo possa ser, mas apenas os essenciais /_\ e \¨/ dos filósofos o podem conseguir.

Se tivéssemos hoje este fogo com o qual Moisés queimou o bezerro de ouro e o triturou em pó e o espalhou sobre a água de que então fez os Filhos de Israel beber [Êxodo, cap.32] – que seja esta uma parte da obra alquímica de Moisés, o homem de Deus! Pois ele foi instruído na arte egípcia e nela habilitado. Ou o fogo que o profeta Jeremias escondeu sob o pé da montanha, da qual Moisés avistou a Terra Prometida e onde ele morreu, o fogo que foi recuperado senta anos mais tarde pelos Sábios, os descendentes dos antigos sacerdotes, após o retorno do Cativeiro Babilônico. Porém, no entretempo, o fogo da montanha foi mudado e se transformou em água [II Macabeus, cap. 1 e 2]. O que pensas tu? Não nos deveríamos aquecer nele e manter afastado de nós o frio do inverno?

Tal fogo dormita em nosso Subjecto calma e pacificamente, e não se move espontaneamente. Se agora este secreto e oculto fogo devesse auxiliar seu próprio Corpori, de modo que possa elevar-se e ter seu efeito, e manifestar seu poder e força, para que o Artista possa alcançar o final desejado e predestinado, este fogo deverá ser estimulado pelo fogo elementar externo, ser atiçado e ser trazido para seu curso. Este fogo pode estar em lâmpadas ou em qualquer outro lugar que desejares, ou engedrares, pois ele sozinho é suficientemente capaz de executar a atividade com facilidade, e tal fogo e calor externos devem ser cuidados e mantidos durante todo o tempo, até o final da Sublimação, para que o fogo essencial e interno seja mantido aceso, para que os dois fogos mencionados possam ajudar-se um ao outro e o fogo externo possa dignificar o fogo interno, até que em seu tempo apropriado l se torne tão forte e intenso que rapidamente reduzirá a cinzas, pulverizará, reverterá a si mesmo e igualará a si tudo aquilo que for nele colocado, mas que é, todavia, de sua própria espécie e natureza.

Todavia, é necessário a todo Artifex, à custa do final desejado, saber que entre estes dois fogos mencionados ele mantenha determinada proporção entre o mais externo e o mais interno, e que ele atice o fogo apropriadamente, pois se o deixar fraco, então a Obra será paralisada, e o fogo mais externo não é capaz de aumentar o interno, e desde que ele o atice moderadamente por várias vezes, produzirá um vagaroso efeito de processo muito longo, e quando tiver esperado com tal paciência e obtiver seus dados, então finalmente alcançará seu objetivo. Porém, se alguém fizer um fogo mais forte do que o adequado a este processo, e este for apressado, então o fogo interno padecerá e será inteiramente inepto, a Obra certamente será destruída, e o apressado jamais alcançará seu fim.

Se após a duradoura Decocção e Sublimação as nobres e puras partes do Subject forem gradualmente, e com a vantagem de um tempo calculado, separadas e liberadas da rústica substancia terrosa imprestável, o impulso m tal atividade deverá ser de acordo com a Natureza e deverá ser ajustado com moderação que seja agradável, complacente e vantajosa ao fogo interno, a fim de que o fogo interno essencial não seja destruído por calor demasiadamente intenso, ou mesmo extinguido e tornado imprestável. Não, antes ele será mantido em seu grau natural, será fortificado, enquanto as partes puras e sutis se ajuntam e se reúnem, sendo o imperfeito separado, de modo que as partes puras combinem e o melhor alcance o objetivo em vista. Portanto, tu deves aprender da Natureza sobre o grau deste fogo que a Natureza usa em suas operações até que ela faça amadurecer seus frutos, e disso conhecer a Razão e fazer os cálculos. Pois o fogo essencial interno é realmente aquele que leva o Mercurium Philosophorum à aequalitaet; mas o fogo externo estende-lhe uma mão, para que o fogo interno não seja impedido em sua operação, e, portanto, o externo deverá estar em concordância com o interno e deverá ajustar-se de acordo com o mesmo, e vice-versa. Então, em tal uso do fogo elementar universal, ele deverá ser levado ao calor natural interno, e o calor externo será ajustado a ele, para que este não exceda no CREATO a força do SPIRITUS úmido e quante, o qual é inteiramente ‘subtil’; de outra maneira, a natureza quente de tal ‘spiritus’ seria rapidamente dissolvida, e não poderia mais manter-se unida, e não teria mais potência. Segue daí que um fogo mais intenso do que for necessário para reviver e manter o fogo natural interno implantado em nossa Materiae poderia ser apenas para o impedimento e a deterioração. In natura et illius Creatis et generationibus sit tua Imaginatio, isto é, na natureza e no que foi criado ou trazido por ela deverás mediar. Por isso leva o Spiritum úmido para terra, faze-o secar, agglutinirs e figurs, com um suave fogo. Assim deveras tu também levar o Animam para o Corpus morto e restaurar o que tiveres levado embora, e tu restaurarás o que não tem alma e o que é morto para a vida, para que se eleve e se equipe novamente, porém o que assim o fez não suportará o calor, pois este não se tornará constante como no caso de ter sido recebido espontaneamente com boa vontade, com alegria e com desejo, ficando profundamente impressionado.

E isto é ‘sicci cum humido natuiralis unio et ligamen tum optimun’ [a unificação natural do seco com o úmido, e também a melhor ligação]. Sim, se alguém realmente deseja discutir este assunto: os Sábios mencionam três tipos de fogo, cada um dos quais está encarregado do ‘operis magni’, assim é que cada melhor forma em particular deve em sabedoria e boa prontidão tê-lo também em governo. Assim, ele não trabalhará como um cego, mas de maneira entendida e prudente, como é adequado a um Philosophus inteligente.

O primeiro fogo é o externo, feito pelo Artista ou vigia, o qual os Sábios chamam de ‘ignem frotem’, do qual ‘Reginem’ depende a segurança ou a ruína da Obra inteira, e isto de dois modos:’nemium sumiget cave’ [tome cuidado para que não fumegue demais], mas também é dito:‘combure igne fortissimo’[queime-o com o mais forte fogo].

O segundo fogo é o ninho no qual a Phoenix dos Filósofos tem sua morada, e lá choca ‘ad regenerationem’. Isto não é nada mais que o ‘Vas Philosophorum’. Os Homens Sábios o chamam de ‘ignem corticum’, pois está escrito que a ave ‘Phoenix’ ajuntou todos os gravetos de madeiros balsâmicos com os quais cremou-se a si mesma. Se não fosse assim, a Phoenix morreria de frio e não alcançaria a Perfeição. Sulphura Sulphuribus continentur [os enxofres são mantidos pelos enxofres]. Pois, o ninho deve proteger, assistir, nutrir e vigiar a descendência do pássaro até o final.

O terceiro, entretanto, é o verdadeiro fogo inato do nobre Sulphuris, ele mesmo a ser encontrado ‘in radice subjecti’, e é um ‘Ingrediente’, e ele acalma o ‘Mercurium’ e lhe dá forma; este é o verdadeiro Senhor, sim, o verdadeiro ‘Sigillum Hermetis’. Em relação a este fogo ‘Creberus’ escreve: ‘In profundo mercurii est Suplhur, quod tandem vincit frigiditatem et humiditatem in Mercúrio.Hoc nihil aliud est, quam parvus ignis occultus in mercúrio, quod in mineris nostris exitatur et longo temporis sucesse digerti frigiditatem et humiditatem in mercurio, isto é: Na essência do Mercurii está um enxofre que finalmente subjuga a frieza e a umidade no Mercúrio. Isto nada mais é do que um pequeno fogo oculto no Mercúrio, que é feito presente em nosso Mineris, e na integridade do tempo ele absorve a frieza e a umidade do Mercúrio ou as remove, e isto também é dito sobre o fogo.


FINIS.