segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Moralidade ou Ética?

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Quem vive nas profundezas do seu ser
Nada sabe de virtuosidade
Dele brotam espontaneamente
As intimas forças da vida.
Quem vive na superfície do seu agir
Não pode fazer brotar as forças profundas.
Quem vive nos abismos da sua alma
Ignora a moralidade do seu agir.
Desconhece o que seja ego-agência.
Quem vive na superfície da sua alma
Age egoicamente, visando fins externos.
O amor impele ao agir,
Mas não quer nada para si.
A justiça impele ao agir,
Ms não age por ambição.
A moral também impele ao agir,
E, se não consegue o que quer,
Recorre à violência.
Por isto, ó homem, reconhece:
Quem não tem a visão do Tao,
Age por virtuosidade.
Quem não tem virtuosidade
Age pela caridade.
Quem nem disto é capaz,
Obedece a ritos e tradições.
Mas a dependência de ritualismos
É o ínfimo grau da moralidade.
É mesmo o inicio da decadência.
Quem julga poder substituir pela inteligência
A cultura do coração,
Esse é um tolo.
Pelo que, atende a isto:
O homem correto
Age por uma lei interna,
E não por mandamentos externos.
Bebe as águas da Fonte,
E não dos canais.
Transcende estes
E vai sempre à origem daquela.

Explicação: Através destas palavras se verifica que Lao-Tse, 6 séculos antes da era cristã, já atingira a sabedoria do Cristo, que a maioria dos cristão não atingiu 21 séculos depois da proclamação do Evangelho.

Confundir moralidade com ética, civilização com cultura, convenções sociais com convicção individual – tudo isto equivale a soletrar o ‘abc’ da verdade na escola primária do ego, mas não é ingressar na Universidade Cósmica do Eu.

A verdadeira cultura sapiencial, como se vê, não obedece a nenhuma tabela evolutiva dependente de tempo e espaço; a verdadeira sabedoria nada tem que ver com circunstancias externas; ela age pela própria substancia interna, cuja atuação pode, certamente, ser facilitada ou dificultada pelo ambiente, favorável ou desfavorável, mas não é causada nem impossibilitada pelas circunstancias.

Há sublimes verticalidades no meio de vastas horizontalidades.

Existem blocos erráticos em planícies sem nenhuma afinidade.

A tendência de certas sociedades espiritualistas em quererem subordinar toda a evolução do homem ao ambiente externo, não merece o nome de filosofia, no sentido de consciência da realidade; não passa de arranjos oportunistas para o uso de principiantes.

Lao-Tse disse verdades que hoje, em 27 séculos mais tarde, não foram atingidas pelo grosso da humanidade.
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Lao-Tse_Tao Te King