sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

APEGOS COMO OBSTÁCULOS AO CRESCIMENTO


Uma compreensão do processo de apego pessoal a pessoas, objetos e idéias.

A atividade criadora é essencialmente a direção de energias;ou, em outros termos, um emprego de forças. Podemos atribuir duas fases ao processo criativo. A primeira lida com as forças de conseptualização, pelas quais formamos um resultado desejado em nossa consciência. Essa fase pode ser chamada de visualização. Depois, dirigimos as forças capazes de dar manifestação ao resultado desejado. Nesta segunda fase, a visualização continua, acompanhada das ações mentais e físicas apropriadas.

Essas duas fases só podem ser separadas analiticamente. Na maior parte do tempo funcionam simultaneamente [mesmo quando não estamos plenamente conscientes delas].É útil lembrar que as atividades criativas não precisam ser conscientes; na verdade, a mente humana está sempre criando. Mas, por enquanto, vamos restringir nossa análise ao trabalho criativo deliberado.

Uma coisa é certa: como envolve a direção habilidosa de forças em cada fase, a criatividade requer visão, decisão e poder. Conseqüentemente, se alguma coisa bloqueia nossa visão, ou nos faz vacilar, ou exaure nossas energias, torna-se uma barreira para a criatividade; tornando-nos menos poderosos, impede nossa consecução pessoal.

Os estudantes de misticismo estão envolvidos num trabalho muito importante. Incidentalmente, sentem a necessidade de criar novas situações e novas circunstâncias, tanto para autopreparação quanto para servir aos outros. Precisamente devido à importância do seu trabalho e à criatividade que ele requer é que cedo ou tarde eles se defrontam com uma exortação a que se libertem de apegos.

Ora, isso pode ser bastante incômodo. Tendo se tornado mais sensíveis e capazes de reação emocional, em virtude de estudo sério, provações, testes e consecuções, aquele conselho parece estranhamente inoportuno, como se tivesse o objetivo de privá-los exatamente das coisas que agora deveriam ser ainda mais desfrutadas. A recomendação de diminuir apegos parece a muitos uma solicitação no sentido de que se tornem arredios, de que se isolem de companhia humana e efetivamente renunciem ao gozo de um aspecto considerável da vida humana.

Entretanto,eliminar ou diminuir apegos não é equivalente a tornar-se alienado da vida humana. Nem significa tornar-se emocionalmente frio ou inumano nas relações com outras pessoas. Antes, tem a ver com ‘libertar a consciência’. Em termos simples, a eliminação de apegos permite o avanço para um nível mais alto de consciência ou perceptibilidade. Dessa perspectiva mais elevada, o estudante pode encarar os eventos da vida com mais percepção; e, devido a essa perspectiva mais abrangente, dirigir energias mais proficientemente.


O SIGNIFICADO DO APEGO
Para compreendermos como pode ser isso, precisamos explorar mais o conceito de apego. Que significa “apego?” Pode-se definir apego como um sentimento que liga uma pessoa a outra pessoa, a uma coisa, uma causa ou um ideal. E há conotações correlatas de estar amarrado. Assim, duas coisas se destacam nessa definição: uma ligação e um mecanismo emocional.

Comumente, no tocante ao indivíduo, a palavra ‘apego’ sugere algo que ele está tentando manter ou a que está tentando se agarrar, a um grau em que está aparentemente amarrado a isso. Portanto, vamos começar explorando esta idéia de apego pela consideração da causa desse desejo de agarrar-se ao objeto de apego.

Evidentemente, as pessoas se agarram a coisas tão tenazmente porque sentem que, se as soltassem ou perdessem, isto iria de algum modo diminuir o ego ou reduzir sua importância. Esta idéia vem de nosso hábito de associar objetos do nosso ambiente a nós mesmos, de um modo tal que esses objetos ou essas posses parecem fazer parte de nós. Na linguagem da psicologia social, os objetos tornam-se parte do nosso EU expandido,do ambiente ou espaço imediato exterior a nós mesmos, sobre o qual exercemos controle. Cognitiva e emocionalmente, esse ego expandido é incorporado à auto-imagem da pessoa, levando a comportamentos que defenderão e ajudarão a reter os objetos em questão.

Além disso, estamos culturalmente condicionados a medir nosso próprio valor e o valor dos outros seres humanos por quantidades; isto é, por acumulações disso ou daquilo. Com efeito, a medida das posses torna-se a medida da pessoa. Dado esse condicionamento, é uma tendência natural um indivíduo apegar-se a suas posses.

Posses, como a palavra está sendo usada aqui, podem incluir coisas intangíveis como títulos, graus, cargos, e mesmo conceitos e teorias. Mas por favor entenda o leitor que posses em si mesma não são o ponto desta análise. Se fossem, estaríamos apenas enfocando a ganância ou cobiça. Na realidade, precisamos evitar qualquer concentração estreita em posses, porque objetos de apego podem ser também pessoas, grupos, causas, localidades, ou períodos de tempo. Além do mais, a natureza da coisa é irrelevante.

APEGO COMO UM PROCESSO
Vamos transcender essa focalização em objetos. É vital perceber que objetos não são apegos. O apego é um ‘processo’ e os objetos são apenas um ponto focal para esse processo. É por isto que o caráter do objeto tem tão pouco importância. Seja ou não um objeto percebido como bom ou mau, ele pode facilmente tornar-se o foco do apego. Portanto, não está em questão o objeto e sim um fenômeno mais abrangente que transcende meros objetos. O apego é o resultado de uma seqüência de ações que inclui adquirir, possuir e manter. Por conseguinte, é do processo de apego que devemos nos ocupar.

Que é, então, esse processo? Em outras palavras, como se formam os apegos? Muito facilmente, ao que parece. Quando um objeto é identificado na consciência, uma energia é investida nele. Se esse processo continua, é alcançado um ponto em que existe um investimento algo permanente das energias da consciência. Com essa permanência, dá-se um apego. É por isto que qualquer coisa em que as energias da consciência podem ser investidas pode se tornar um objeto de apego.

O apego freqüentemente resulta de dirigir conscientemente energias. Muitas vezes formamos apegos intencionalmente; ou seja, tomamos a decisão de comprometer nossas energias pessoais. Entretanto, somos todos sujeitos à formação de hábitos. As coisas que fazemos com suficiente freqüência tornam-se habituais. Esse mecanismo de formação de hábitos é na realidade nada menos que o investimento de energia relativamente permanente, que constitui o apego.

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“É essencial ao desenvolvimento do SER aprender a ver a si mesmo como o EU interior; não como ‘incrustações’, atributos, atribuições ou posses. É um equívoco atribuir muita importância a qualquer coisa externa, por mais emocionalmente satisfatória ou aparentemente significativa que seja.”
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Desperdícios de energia podem também ocorrer com relação a apegos conscientemente aprovados. Coisas associadas, correta ou erroneamente, ao foco do apego, podem se tornar elas próprias novos focos. Isto pode acontecer facilmente se o elo entre elas e o objeto original não é questionado, ou se seu próprio mérito não é examinado. Pertencem a essa categoria coisas como aquisições culturais, isto é, prescrições e proscrições, definições da realidade, e assim por diante. Incluem-se também crenças e superstições, muitas da quais são comumente aceitas pelo indivíduo ‘in totum’ e sem questionamento.

Reiterando, então, o apego nada mais é que um processo em que investimos persistentemente nossas energias mediante uma direção volitiva, ou em que permitimos um desperdício de energia por força de hábito ou por não estarmos conscientes disso. Uma vez estabelecidos, os apegos continuam exaurindo nossas energias. Essas energias são então perdidas, no sentido de que fluem por seu próprio potencial.

Que os apegos não resultam necessariamente de direção, consciente é um ponto que merece ênfase. Muitos apegos podem existir de maneira totalmente desconhecida, insuspeita até, de modo que nossas energias pessoais podem ser gastas sem a nossa decisão. Na verdade, a própria simplicidade do processo de formação do apego constitui uma grande parte do problema.

APEGOS INIBIDORES
Vamos abordar essa questão do apego de um outro ângulo. É um objeto de apego algo a que estamos nos prendendo ou, inversamente, algo a que fomos ligados? Na realidade, ambas as coisas. Um apego tem menos a ver com o que temos e mais com algo que ‘tem a nós’. Mas é importante enfatizar que os apegos não são objetos que se agarram a nós. Objetos não tem poder ou capacidade para fazer isso. Pelo contrário, nós é que nos apegamos a eles.

Simplesmente, objetos de apego, sejam eles bens materiais, pessoas, idéias ou qualquer outra coisa, tornam-se assim porque colocamos energia neles. Sentindo necessidade de nos prendermos a ele, como se temêssemos perdê-los, investimos consciência nessas coisas que são exteriores a nós, de maneira que nos permitam conservá-las ou manter controle sobre elas. Somos nós que ligamos nossas energias a objetos e é assim que chegamos a ficar presos por apegos. Consciente ou inconscientemente, essa ligação é feita por nós mesmos.

Mesmo assim, que problema existe realmente num apego? Simplesmente o seguinte: ele é adverso ao progresso do SER, porque prejudica o autoconhecimento, bloqueia a visão interior, inibe a tomada de decisões e exaure as energias criativas. Ora, uma declaração tão forte requer explicação.

O investimento de energias num objeto de apego dá vida própria a esse objeto, por assim dizer. Ele se torna reificado, quer dizer, uma coisa em si mesma. E, como assume existência própria, tende a se tornar congelado em imagem, uma realidade fixa. E por ser aceito como uma realidade inalterável, reage de maneira inibidora sobre qualquer coisa a ele associada.

O apego a objetos do ego expandido inibe o verdadeiro autoconhecimento. É essencial ao desenvolvimento do SER aprender a ver a si mesmo como o EU interior; não como ‘incrustações’, atributos, atribuições ou posses. Misticamente falando, é um equívoco atribuir muita importância a qualquer coisa externa, por mais emocionalmente satisfatória ou aparentemente significativa que seja.

Vamos considerar novamente as posses. Objetos materiais podem ser acumulados como uma compensação para as privações das necessidades da vida. Um outro motivo para adquirir e manter bens materiais é o poder sobre os outros. E uma terceira razão é a vaidade por uma evidência de sucesso.

Mas as pessoas dão importância demais a essas coisas. Por um lado, tornam-se sentimentais quanto à origem de seus bens. Por outro lado, tornam-se muito defensivas quanto à retenção ou perda dessas coisas valorizadas, no futuro. Tremendas energias são necessárias para adquirir, manter e defender bens materiais.

CRIANDO FALSAS IMAGENS DE SI MESMO
O duplo problema, então, é que energias são bloqueadas e ligadas a realidades que só servem para dar à pessoa uma ilusão de força e uma falsa segurança neste mundo material efêmero.

As pessoas permitem que muito da imagem que tem de si mesmas se torne dependente dessas posses materiais. Embora o avarento seja muitas vezes usado como exemplo de apego a coisas materiais, muitas pessoas são igualmente apegadas a suas posses, poucas ou muitas, se não por causa de seu valor intrínseco, então por sentimentalismo. Focalizadas nesses objetos, elas estão presas a realidades materiais e, não, livres para se mover sem grilhões no mundo. Além disso, outras pessoas podem manipulá-las controlando, fornecendo ou ameaçando suas posses.

Certamente, embora possa haver objeção, existem apegos nobres. Por exemplo, há alguma coisa errada num ‘sentimento que liga alguém’ a uma pessoa, um grupo ou uma idéia? Talvez não, desde que essa ligação seja consciente e voluntária, no sentido de um compromisso analisado.Mas o hábito intervém e a direção consciente é transformada em habitual. E esse caráter automático é perigoso. Embora seja verdade que o heroísmo freqüentemente resulte de uma ligação emocional a um ideal ou mesmo a uma pessoa, todos já testemunhamos as tragédias que podem resultar de pessoas serem irrestritamente leais a um indivíduo, um grupo ou uma idéia.

Com o apego a pessoas, grupos ou relacionamentos, vem a dependência do conceito de si mesmo em relação a outrem. E essas outras pessoas podem manipular e controlar. O indivíduo conhece pouco de si mesmo fora das relações com os outros. Quanto mais importantes são esses outros indivíduos, mais podem controlar, mais influenciam. Para se ajustar a eles, a pessoa tem de violar os conselhos do EU interior ou se recusar totalmente a escutar a voz do EU interior. Na busca da validação externa, é comum uma terrível necessidade de aprovação a qualquer custo pessoal.

AS ILUSÕES DO PENSAMENTO
O apego a idéias ou conceitos não é nada melhor. Nenhum conceito faz plena justiça à verdade. Afinal, todas as idéias são apenas ilusões, úteis ou prejudiciais. A visão é bloqueada pelo apego, porque a pessoa não pode ver o novo a menos que a possibilidade de uma nova visão seja admitida. O apego impede as pessoas de verem coisas novas ou diferentes, ou de verem velhas coisas de novas maneiras. E elas não apenas deixam de ver; nem sequer procuram. Assim, sua realidade se torna tipicamente fixa. Só uma catástrofe pode abalar seu conjunto de crenças. No âmbito pessoal, essa fixidez é equivalente a não-adaptabilidade; no âmbito social, é causa de revolução.

Talvez o mais poderoso apego no campo das idéias seja às criações pessoais. Mais progresso tem sido obstruído por isso do que por qualquer outra causa. Mais deturpação de ciência e pesquisa tem ocorrido por causa disso do que se pode avaliar. A força desse tipo de apego chegou a impelir um cientista famoso a deturpar a realidade para ajustá-la a suas idéias. Ele foi flagrado desgastando uma pedra saliente na Grande Pirâmide de Quéops, porque suas medidas estavam ligeiramente em desacordo com sua teoria!

As mais das vezes, é à atual imagem de si mesma que a pessoa se apega. Quaisquer que tenham sido as razões, essa imagem foi cuidadosamente construída e reforçada com atavios externos simbólicos. O resultado é a fixação de métodos e modos de agir. Para impedir mudanças, há uma necessidade urgente de controle. Esse tipo de pessoa está sempre querendo impor seu jeito pessoal, egocêntrico. Outra manifestação de apego a uma auto-imagem arraigada é a forte fixação no corpo físico ou em seus adornos. Outra ainda é o medo, a falta de coragem, a confiança exclusiva em procedimentos ou métodos conhecido ou comprovados.

O apego prejudica a plenitude da vida no presente, porque está caracteristicamente relacionado com o passado e o futuro. Tendemos a nos apegar às coisas do passado, tentando reviver os momentos que elas simbolizam. Inversamente, há coisas que esperamos alcançar no futuro é, de certo modo, gastamos tempo e energia possuindo-as mentalmente por antecipação.

Há também o apego generalizado ao passado e ao futuro, isto é, a épocas recentes, remotas ou projetadas. Uma manifestação disso é a preocupação com memórias, no sentido de constantes lembranças. Isto funciona como uma poderosa defesa contra as realidades do presente. Por outro lado, aqueles que se apegam ao futuro empenham-se em planejar, fazendo-o incessantemente, sem qualquer concretização. Esta é mais uma defesa contra viver plenamente no presente.

Até aqui estivemos lidando com apegos em grande parte no sentido de decisão consciente. Energias podem ser continuamente dirigidas para uma multiplicidade de objetos externos, sabiamente ou não. Se conscientemente dirigidas, elas podem ser conscientemente retiradas do processo. Energias que fluem por si mesmas ficam perdidas para outros usos. O resultado é dissipação e desperdício, tanto pior que isso acontece inadvertidamente.

Entretanto, muitos apegos podem ser formados sem nenhuma consciência do processo ou de seus resultados. Muitos resultam de condicionamento cultural. São os apegos propostos pela sociedade: os “deve-se isso, não se deve aquilo”.

O EU E A REALIDADE
O SER não deve ter por deuses coisas externas como posses, pessoas, ou mesmo metas. Isso não deve acontecer conscientemente nem por um processo inconsciente traiçoeiro. A realidade do indivíduo deve estar ancorada somente no EU e para esse EU deve ele se voltar em busca de significado e plenitude de vida.

O apego não é nenhum número de valores ou de objetos valorizados. É uma valorização no sentido de atribuição rígida de valor feita pelo próprio indivíduo. E as energias criadoras não são meramente retidas pelos objetos de apego; são continuamente dirigidas para eles, do suprimento disponível para uso imediato. Alimentar esses numerosos apegos é um processo ativo, mesmo que ele prossiga inconscientemente. É um processo que consome energia e consciência. O poder de direção, portanto, é seriamente diminuído por apegos, porque as energias disponíveis já estão em uso, comprometidas.

Assim sendo, a razão para a exortação a que se a pessoa se livre de apegos está em que eles constituem sérios bloqueios ao processo criativo, tanto na visualização quanto na manifestação de coisas novas. Por conseguinte, essa exortação é um convite ao aumento do poder pessoal. Menos embaraçado por apegos, o indivíduo pode criar o que é necessário e pode fazê-lo no momento mais propício.

Neste ponto é preciso enfatizar que o apego e prazer não são sinônimos. Isto é, objetos materiais e expressões imateriais, bem como pessoas, podem ser legítimas fontes de prazer. Pessoas proporcionam a motivação para o SER prestar serviço útil. Coisas materiais, também, de modo algum são prejudiciais a que se alcance um estado superior de consciência, a menos que haja apego. Bens materiais, dinheiro, propriedades, são apenas formas de energia. Justificadamente, essas coisas fluem para o SER na quantidade apropriada, para serem devidamente empregadas; mas o SER não investe energia demais nelas, ao ponto de ter apego.

É PRECISO RENUNCIAR?
A História oferece exemplos de indivíduos que aparentemente foram capazes de renunciar a bens materiais, relações humanas, ou ambas as coisas. Sem dúvida, isto ainda ocorre hoje em dia. Mas para aqueles que precisam viver conforme a sua época na sociedade em geral, essa renúncia parece extremamente difícil, se não impossível. E o fato é que essa grande renúncia é desnecessária. Não são os objetos, nem as pessoas, nem as idéias, que são prejudiciais à consecução. O elemento prejudicial é o apego a essas coisas.

Alguns exemplos de objetos de apego típicos já foram dados. Naturalmente, uma lista completa seria interminável. É melhor compreender a natureza geral do apego, como um processo. Na realidade, todos temos apegos pessoais, ocultos ou evidentes. Portanto, tendo considerado a natureza geral e o significado do apego, vamos considerar uma questão mais crucial: que podemos fazer a respeito de apegos em nossa vida pessoal?

Podemos realmente fazer bastante, se tivermos coragem de agir. O apego a coisas e pessoas está mais sob nosso controle do que costumamos admitir. Por conseguinte, é sábio examinarmos periodicamente nossos apegos pessoais, pois a natureza deles revela muito a nosso respeito. Especialmente, sua natureza mostra onde nos sentimos fracos quanto a nós mesmos, a tal ponto que temos de resguardar nossa auto-imagem apegando-nos a esses fatores externos.

O apego é evidente na maneira como defendemos nossas posses, idéias, criações, e nossos conceitos [por orgulho], a despeito de sua validade ou utilidade. Quanta energia é desperdiçada nesse empenho por pessoas que podiam evitar isso! Muitos apegos são alimentados e se permite que se desenvolvam, muitas vezes com plena consciência de um crescente envolvimento emocional e, muito freqüentemente, contrariando a voz da Consciência.

O Há duas coisas a que o SER não se pode dar o luxo, são: displicência e dissipação de energias. Como já foi dito, o SER tem um trabalho importante a fazer, que consiste em dirigir forças, e essa atividade diretora requer energias. A prática do misticismo é realmente jubilosa e compensadora, e também envolve preparação, disciplina e serviço. Conseqüentemente, os comportamentos da ‘pessoa comum’ são muitas vezes inaceitáveis na vida mística. O que pode ser feito com segurança depende do trabalho que o indivíduo tem a fazer.

O PAPEL DO MÍSTICO NA VIDA
O desperdício de energia é uma tragédia para a pessoa consciente. O verdadeiro estudante está sempre ocupado dirigindo corretamente energias para fins de desenvolvimento pessoal e para prestar serviço outrem e, portanto, não dispõe de energia para desperdiçar nem de tempo para esbanjar. Além disso, não depende de coisas ou condições aparentemente fixas, mas adapta-se plenamente ao mundo das mudanças, ao mundo do presente. Isto implica não estar limitado a apegos do passado ou ao futuro, a objetos ou lugares, nem sustentado pela falsa segurança desses apegos. O místico é livre para se mover e mudar para ser tudo o que pode ser. O estudante desperto decide conscientemente o que é que tem valor, não por aceitar as indicações de outrem, ou valorizando uma coisa somente porque a possua ou não, ou porque ela tenha sido perdida.

Uma coisa são os apegos de que temos consciência. Afinal, sabemos que eles existem e tomamos evidentemente a decisão de dirigir nossas energias nesse sentido. Pelo menos trata-se de uma decisão consciente, mesmo que nem sempre seja sábia. Mas, e os apegos de que não temos consciência? Aí está a triste fonte de muito desperdício de energia, gasta sem nosso conhecimento. Durante meses, anos, vidas inteiras, esses apegos exaurem continuamente nossas energias, bloqueando nossa criatividade e obstruindo o caminho para uma realização pessoal mais efetiva e maior serviço a outrem.

Os apegos são mais facilmente abandonados por pessoas fortes, confiantes. Pessoas fracas, que se prendem mais criticamente às coisas, são menos aptas a abandoná-las e, muitas vezes, tem de ser privadas de seus objetos de apego para que percebam sua verdadeira posição. A reavaliação, que nos é forçada pelos traumas da vida, há de periodicamente nos expor como somos e revelar apegos cujas energias precisamos recuperar.

Mas podemos descobrir apegos de um modo menos doloroso. Como? Meditando com este objetivo, que é o meio mais seguro. Podemos também tomar consciência de certos comportamentos sutis e habituais que, em si mesmos, constituem ou resultam de apego. Sem dúvida, muitos apegos existem somente porque não são descobertos. Por exame, portanto, podemos fazer a descoberta pessoal de apegos. Alguns, podemos então enfrentar e eliminar, outros, podemos achar tão ridículos que desapareçam à primeira luz desse exame.

Não precisamos nos tornar vitimas de perdas desnecessárias de energia. Não devemos perder nosso poder diretor, próprio do domínio pessoal, deixando que energias sejam exauridas por apegos insensatos. Quando apegos são dissolvidos, energias são liberadas para uso mais nobre. Libertado de apegos, o SER é um criador mais poderoso, com mais energias livremente ao seu comando, para serem prontamente empregadas para serviço no único tempo real: “agora”. Descoberta, exame e eliminação de apegos são fatores importantes para a compreensão da vida. Estejamos atentos aos nossos apegos, pois precisamos ser dirigidos. [Texto de Herbert George Baker]

SIGA O FLUXO


Qual é o ingrediente mágico de nossa vida que nos faz sentir ‘ligados?’ Como podemos encontrá-lo? Ontem eu antecipei um dia deprimente, a despeito do Sol. Meu humor inarmônico foi intensificado pela agitação dos bazares de rua. Caminhei na pesada atmosfera da multidão, limpando a garganta algumas vezes, na esperança de limpar minha mente de seu estado grogue de ensolarada confusão, em que nada combinava, se ajustava, ou se harmonizava.

Logo me vi encalhada num grupo diante de uma barraca de plumas. Leves como um fluido sutil, delicadas e suaves, as plumas me aliviaram. Respirei profundamente, e para fora esvoaçaram as plumas da minha cabeça. Minha visão limpou. Peguei um prendedor de pluma e o enfiei no meu cabelo. O prendedor e o cabelo eram castanhos, bronzeados, e dourados nas extremidades. Senti o começo de uma ligação dinâmica, uma dança de volta à vida.

Como tinha mudado o meu humor? Que nome podemos dar ao evento fugaz que causara a mudança? Nos campos de filosofia, ciência física, saúde holística, psicologia e dança, há um consenso de que esse fenômeno é denominado “fluxo, um processo de movimento mental, emocional ou físico, básico para todas as atividades completadas com êxito.”

Cinco dançarinos, como algas marinhas delicadamente enroscadas, na beira do oceano e movendo-se com a maré, elevando-se juntas. Corpos quentes, e a respiração; costas roçadas, um braço na cintura, que se vai depois para se unir a uma outra mão. Coerção capitulada a um oceano existencial e, para além da fronteira do espaço dos dançarinos, tudo o mais vai desaparecendo.

Isso é fluxo, em dança improvisacional bem-sucedida.Escreve o psicólogo Dr. Mihaly Csikszentmihaly, no número de junho de 1976 de ‘Psicologia Hoje’: “quando estamos completamente imersos no que estamos fazendo e perdemos o senso de ego e de tempo, estamos num estado de ‘fluxo’. A pessoa ganha uma consciência intensificada de seu envolvimento físico com a atividade, e seu gozo é enormemente reforçado”. Transferimos a ação de um campo cerebral para um lugar físico de total absorção.

O Dr. Csikszentmihalyi entrevistou 125 pessoas em várias atividades e constatou que a maior recompensa era o estado alterado de ser que ocorria quando elas mais estavam gostando da atividade – aquele estado alterado de ‘fluxo’. Um alpinista disse: ”você fica tão envolvido no que está fazendo que não pensa em si mesmo como algo à parte do ato imediato”.

O FLUXO DA VIDA:
Em seu livro, ‘Dança Moderna’, Gay Cheney e Janet Strader apresentam dicas para se fazer dança improvisacional, que lembram muito as descobertas do Dr. Csikszentmihalyi a respeito do fluxo. Por exemplo, ele verificou que as pessoas que estão em fluxo vivem uma intensa focalização da atenção na atividade, de modo que a concentração se torna progressivamente intensa e automática. “O jogo é uma luta, mas a concentração é como respirar - você nunca pensa nela”, disse um exímio jogador de xadrez. Cheney e Strader dizem que os dançarinos ficam totalmente “dentro” da dança. “Dentro” é um estado em que todas as considerações externas, inclusive de tempo, são menos importantes do que a improvisação. A pessoa não está preocupada com sua aparência ou com o que vem depois. Como na concentração do jogador de xadrez, “você nunca pensa nela”.

Como não há senso de ego no fluxo, segundo o Dr. Csikszentmihalyi, um jogador de tênis nãopergunta, “será que estou indo bem?” Se o momento é dividido, de sorte que o jogador percebe sua ação de fora, então o fluxo cessa. Analogamente, se uma dançarina sai daquele estado de “dentro”, perde seu fluxo. Para conseguir e m anter o estado de “dentro”, Cheney e Strader sugerem a focalização num outro ponto [ nomovimento, no ritmo, ou em coisas tangíveis como uma barra para exercício de dança].

Um outro fator no fluxo é a clareza da resposta que o indivíduo obtém da atividade, o senso interno de correção. Mas ele não se detém para avaliar isso. Um jogador de basquete disse numa entrevista que, se ele tinha um grande jogo, só percebia isto depois que o jogo terminava. Analogamente, enquanto o corpo e a mente da pessoa não funcionam juntos no mesmo instante, ela permanece mentalmente na periferia da dança. Não há senso de correção ou centralidade. A pessoa está apenas observando e não fluindo.

Não deve ser inferido que, nessa condição, há um abandono do controle, pelo contrário, o participante vive um alto senso de controle. O jogador de xadrez diz, “embora eu não tenha consciência de coisas específicas, tenho um sentimento geral de bem-estar e estou em total controle do meu mundo”. Fluir em dança cria na pessoa um fantástico senso de autoconfiança, autocontrole, em uma poderosa ligação com o fluxo da vida. Cheney e Strader comentam: “um dos importantes resultados da improvisação de dança bem-sucedida é o desenvolvimento de sua sensibilidade – ao tempo, ao espaço, à energia, e a outras pessoas”. Acima de tudo, a pessoa desenvolve sensibilidade para com ela própria. Finalmente, um dançarino de rock disse ao Dr. Csikszentmihalyi:” se eu tenho espaço suficiente, sinto que irradio energia para a atmosfera. Eu me torno uno com a atmosfera”.

TORNE-SE UNO COM A MÚSICA:
Na dança, meu estado pessoal mais elevado ocorre quando eu me torno uma com a música. Então, através do fluxo, EU SOU a música. A primeira vez que esse espantoso fenômeno aconteceu, eu estava dançando sozinha em casa, ao som de blues. Descontraída, eu podia escutar com uma intensidade que me tornava absorta nos sons. Pressões externas e considerações quanto a outro tempo e espaço, desapareceram. Eu dancei totalmente centrada, mente e corpo, dentro da música.

Deu-se então o segundo passo para eu me tornar a música. Perdi a consciência do meu Corpo como uma entidade à parte que reagia à musica em termos de pés, mãos, e quadris movendo-se com pequenos vácuos de tempo entre ouvir e o movimento, para assimilar a dança à música. Em lugar disso, houve um acontecimento simultâneo: a presença da música e minha reação a ela na movimentação do corpo existiam ao mesmo tempo, juntas. Eu acreditava que não havia a menor brecha de tempo ou espaço cortando essa corrente existencial. No entanto, mesmo nesse ponto do processo eu tinha uma consciência profunda de que meu corpo continuava controlando o movimento; não um conhecimento intelectual [eu não pensava nisso], mas antes uma consciência intuitiva. Embora eu me sentisse extremamente centrada, as três entidades, música, movimento e corpo, continuavam separadas, com o corpo no comando. Portanto, pensando melhor, havia sim brechas imperceptíveis.

Aconteceu então uma coisa espantosa. Eu avancei um pouco mais e a experiência se concretizou. De súbito vi mentalmente formas e linhas criadas pela presença da música. Por certo não eram formas físicas. Não estavam apoiadas sobre o solo ou dispostas no sofá. Não obstante, eram reais. E eu ‘era’ aquelas formas, no sentido de que meu corpo, enquanto dançava, ia assumindo as mesmas. Eu era o fino e ondulante canto d uma flauta, o tom cheio e pressagioso de uma batida de tambor.

Nesse ponto do processo de fluir, minha mente não dirigia o movimento do meu corpo. As três entidades de música, pessoa e movimento estavam, verdadeiramente, afinal unidas, cada qual assumindo igual responsabilidade pela ação. Instantaneamente os sons musicais tornaram-se formas e minha mente observava deleitada, como um espectador interessado, meu corpo recriando as formas. ‘Eu tinha me tornando a música’.

Não sou a única dançarina que sentiu isso. No livro, ‘A experiência da Dança’, de Myron Nadel, já a seguinte citação de Alexander Sakharoff: ”nós, Clotilde Sakharoff e eu, não dançamos ao som da música, ou com acompanhamento musical; nós dançamos ‘a música’. E acrescenta ele que Isadora Duncan lhe ensinara isso – “para Isadora, não havia música de dança, e sim música pura executada como dança”.

TRANSCENDENDO O ESTADO MENTE-CORPO
Em seu livro sobre bio-retro alimentação, ‘Nova Mente,Novo Corpo’, a cientista Bárbara Brown discute as possibilidades futurísticas de se traduzir a atividades das ondas cerebrais em música e arte. “Alguns laboratórios, inclusive o meu”, diz ela, “já desenvolveram formas primitivas de biomúsica. A idéia de transformar sinais biológicos em formas musicais ou artísticas esteticamente aceitáveis parece oferecer, teoricamente, novos e excitantes tipos de terapias. A música e/ou a arte produzidas pelas funções da mente e do corpo e fielmente traduzidas, não apenas representam o ser da pessoa, mas ‘são’ literalmente o ser da pessoa”.

Essa declaração da Senhora Brown, comprova minha descoberta de que a essência da pessoa pode mudar de um estado mente-corpo para um estado musical. Eu não criei a música originalmente, como ela argumenta. Transformei sons externos já existentes [a música] em estados mentais que meu corpo traduziu para formas em movimento. Inverti o processo ou suplementei o ciclo. Mas, independentemente da direção da energia elétrica do fluxo, estou convencida de que quando entramos totalmente no processo de tipo meditativo do fluxo, alguns de nós, dançarinos, podemos nos tornar a música e realmente o fazemos.

Ampliando a idéia do fluxo de modo a incluir a saúde holística, Manocher Moviai, Diretor do Centro Breema Shiatsu de Albany, Califórnia, orienta-nos no sentido de ‘seguir o fluxo’. As técnicas de cura que ele ensina sustentam que somos o Universo por natureza; que as leis que regem o Universo podem ser aplicadas a nós e que, se trabalhamos com essas leis, aceitando o que existe e usando esses elementos, entramos em equilíbrio com a natureza. Moviai acrescenta: “quando estamos em equilíbrio com a natureza ‘fluímos’, e estamos bem”. Quando lhe perguntam como Hara, a força ou energia vital do corpo, é controlada de modo a entrarmos nesse fluxo, ele responde com um paradoxo: ‘Hara é o ponto inicial e terminal de todos os caminhos da energia, mas nem todo caminho tem um começo e um fim”.

Embora essa observação seja metafísica,as aulas do Sr. Moviai, são práticas, porque tratam da maneira correta de respirar, acentuando os aspectos positivos de nossa vida para conseguirmos o fluxo. “Quando estivermos nele, não faremos as perguntas”, diz ele, “pois, quando estamos em fluxo, nenhuma parte de nós fica do lado de fora olhando para dentro e fazendo perguntas, que não são então necessárias”. Segundo o Sr. Moviai, começamos com a vitalidade que realmente temos; usamos a substância que de fato possuímos. Sintonizamo-nos com nós mesmos. Como na dança improvisacional, passamos para “dentro” e nos sentimos realizados.

Um enfoque filosófico do fluxo é apresentado por John Dewey, quando ele fala de “ter uma experiência”, em seu livro, ‘A Arte como Experiência’. Diz ele: “na experiência real, que é uma situação completa em si mesma, que se destaca do que veio antes e do que se segue, cada parte sucessiva flui livremente, sem costura e sem hiatos, para aquilo que resulta. Devido a essa contínua interfusão, não há buracos, junções mecânicas, nem centros mortos”. Para Dewey ter “uma experiência” é “influir”.

E ele prossegue dizendo que, na verdadeira experiência, diferentes atos, episódios e ocorrências, fundem-se num unidade. “Colhe-se a impressão de que há primeiro duas entidades independentes e já prontas, que são então manipuladas de modo a dar origem a uma terceira”. [Como acontece na dança improvisacional bem-sucedida].

O FIM É UM COMEÇO:
Dewey indica também como a ação terminal é importante no fluxo. Se uma atividade foi tão automática que não permitiu um senso do que ela significa e de para onde está se desenvolvendo, o que resulta é hábito e não percepção sensível.”A ação chega a um fim, mas não a um fecho ou uma consumação na consciência. O encerramento correto de um circuito de energia é o oposto de parada ou interrupção, de Êxtase. Sem o devido encerramento, o fim fica sem um sentimento de realização e qualidade estética que proporcione integração à atividade seguinte”. Em fluxo, no final de uma atividade a pessoa é levada à seguinte, enriquecida.

Cinco dançarinos rodopiam às nuanças da música que ouvem através de seus corpos. Fluindo, eles se entregam até que corpo e música, como duas coisas, fundem-se para se tornar uma terceira entidade: a dança. O tempo se escoa; o cenário se desfoca da dança excitada para a dança tranqüila, da resposta sólida para a resposta líquida. Através do espaço e do ritmo, sem ninguém guiando, ninguém seguindo, eles se tocam, separam-se, voltam e se fundem. No momento certo, vem o fim.

Anais Nin, dançarina e escritora, fala do fluxo no primeiro volume de seu diário. “ Eu costumava construir catedrais; catedrais de sentimentos, para o amor, o amor ao semelhante, o amor como prece, o amor como comunhão,sem um forte sentimento de continuidade, de detalhe e permanência. Construídas contra o fluxo e a mobilidade da vida, desafiando esse fluxo. Depois, com Henry Miller e sua esposa, June, e graças a análise com Rank, comecei a fluir, e não construir. Ontem, o fluxo pareceu tão fácil...deixando a vida fluir a gente pode alcançar estados de nirvana, de sonho, e bem-aventuranças de outros tipos”.

Aquele dia em que eu comprei o prendedor de pluma foi um dia em que tive a experiência de minhas catedrais fundirem-se e me transportarem para dentro do fluxo da vida, como faz a dança.”Como ele se funde bem com a cor do seu cabelo”, disse uma mulher. E eu pensei em quadros de Renoir e Klimt, nos quais a vida se funde e flui. Eu tinha me focalizado no meu prendedor castanho e mergulhado totalmente “dentro” da minha dança improvisacional de caminhar pela rua. Límpida então, eu me abri como asas, atraindo o Sol e permitindo que sua energia corresse livremente e com fluidez através das plumas e do cabelo, carregando-me completamente antes de passar a rodopios que envolviam meu espaço e me levavam a me ligar ao padrão perfeitamente fundido do movimento fluente que estava em toda parte.
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[Texto de Beverly Kalinin_é uma escritora free-lance e instrutora de dança holística na Califórnia. Este artigo é em parte extraído de seu livro de auto-ajuda, “Poder aos Dançarinos!”.]

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O QUE HÁ DE VERDADE SOBRE A TEORIA DA TERRA OCA


A idéia de que a Terra possui um buraco em seu interior, onde hospedaria uma civilização subterrânea, não é nova. Em várias religiões a crença no inferno é uma expressão disso. O primeiro homem a tentar provar essa teoria foi o norte-americano John Cleves Symmes, que acreditava que nosso planeta fosse constituído por uma série de esferas concêntricas, com buracos de 6.400 km de extensão, nos pólos Norte e Sul. Sem se importar em parecer ridículo perante a comunidade cientifica. Symmes escreveu, deu palestras e fez um vigoroso ‘lobby’ com o objetivo de arrecadar dinheiro para uma expedição ao interior dos pólos, onde acreditava que conheceria criaturas intraterrestres e daria início a um intercâmbio e até comércio com elas. Desde então, ele é lembrado em todo o mundo como pioneiro da teoria, tendo, inclusive, servido de inspiração para o livro de ficção cientifica ‘A Narrativa de Artur Gordon Pym’ do escritor Edgar Allan Poe [Editora L&PM,1997].

Symmes, como precursor da tese de que seres estariam habitando o interior da Terra, encorajou gerações de pensadores a imaginar uma nova geologia terrestre e a sonhar com uma fabulosa raça que, secretamente, estaria dividindo o planeta com os seres da superfície. O primeiro a ser infectado por suas idéias foi seu filho Americus, que manteve contato com outros discípulos dessa teoria e, em 1878, publicou uma antologia das palestras de seu pai. Anos antes, em 1871, o médium M.L.Sherman já havia publicado ‘The Hollow Clobe’ [O Globo Oco, ainda sem tradução no Brasil], baseado em suas supostas comunicações com os mortos. Helena Petrovna Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica, também escreveu sobre o tema Terra Oca em dois trabalhos clássicos:Ísis sem Véu [Editora Pensamento, 1995] e A Doutrina Secreta [Idem, 1979]. Frederick Culmer publicou ‘The Inner World [O Mundo Interno, ainda sem tradução no Brasil] e, exatamente 20 anos depois surgiu o Livro ‘The Phanton of the Poles [ O Fantasma dos Pólos, idem], de Willian Red.

Ainda sobre à suposta existência dos intraterrestres podemos encontrar, desde 1931,o trabalho de um proeminente membro da Ordem Rosacruz, Spencer Lewis, a obra ‘Lemúria o Continente Perdido do Pacífico’ [Biblioteca Rosacruz, 1945]. Nela, o autor discorre sobre os sobreviventes de uma raça submersa no antigo continente de Lemúria, que estariam morando no interior do Monte Shasta, no norte da Califórnia. A hipótese já havia sido aventada no século 19 pelo biólogo Ernest Hackel, segundo o qual Lemúria era o lar hipotético do ‘Homo Sapiens’ orignal. Contudo, não existe evidência geológica ou biológica de que tal lugar tenha realmente existido. Lewis também acredita nos mistérios que envolvem aquela região. “ Há muitos anos, era bastante comum ouvir histórias no norte da Califórnia sobre estranhas pessoas que pareciam surgir de florestas da região, e que corriam de volta para se esconder se vissem alguém, Ocasionalmente, um desses seres ia até as pequenas cidades para trocar pó de ouro por aparelhos modernos”. Ele ainda levou seus seguidores em expedições à montanha a fim de encontrar a colônia secreta lemúrica, o que garantiu não ser difícil, pois seus habitantes teria características especiais, como cerca de 2m de altura. Teriam também grandes testas e uma espécie de terceiro olho, com a finalidade de perceber uma outra realidade, supostamente mais próxima de Deus.

MONTE SHASTA:
Todas essas lendas persistiram ao longo dos tempos, alimentadas por vários estudiosos do desconhecido e pesquisadores do fenômeno UFO. Numa publicação de 1993, um militar norte-americano aposentado e supostamente conhecedor de vários segredos ufológicos declarou que o Monte Shasta teria uma área muito ‘carregada’ energeticamente, o que impediria que forças negras penetrassem em qualquer lugar próximo a ele. Segundo o militar, que se identifica apenas por Comandante X, grupos de lemurianos, seres espaciais e elementais da natureza trabalhariam em conjunto no local, meditando diariamente no subsolo, zelando pelo planeta e por seu lar sagrado, salvos de ataques psíquicos e mentais. Já o ufólogo da Califórnia Bill Hamilton relatou ter conhecido uma jovem loira muito bonita, de olhos amendoados e pequenos dentes, que teria passado por uma experiência surpreendente. Após identificar-se como Bonnie, a moça afirmou ter nascido em 1951 numa cidade chamada Telos, construída dentro de uma caverna artificial, à cerca de 1,5 km do Monte Shasta. A jovem teria dito a Hamilton que, juntamente com sua amiga e um colega telosiano, viajara através de tubulações e visitara outras cidades subterrâneas, habitadas por sobreviventes de Lemúria e Atlântida. Um dos tubos levaria até uma cidade localizada no Brasil, no Estado de Mato Grosso. O pesquisador declarou que os lemurianos são membros de uma espécie de federação cósmica que os liga às inteligências extraterrestres.

Já no final do século 19, uma religião baseada nas doutrinas da Terra Oca surgiu sob o comando do norte-americano Cyrus Teed. Ele afirmava ter sido contatado por ninguém menos que a Mãe do Universo, um ser mítico que lhe teria dado a importante missão de salvar o mundo. Fundou uma comunidade utópica, localizada em Fort Myers, na Flórida, e dedicou-se ao que batizou de ‘koreshanidade’, segundo a qual:”o universo seria uma célula, um globo oco. O corpo físico disso é a Terra, e o Sol, o centro”. Para Teed, nós vivemos dentro da célula, assim como o Sol, a Lua, os planetas e as estrelas. Noutras palavras, o universo estaria dentro e fora. Menos radical que ele: Marshal B. Gardner escreveu, em 1913, o livro o Journey to Earrth’s Interior [Jornada ao Centro da Terra, ainda sem tradução no Brasil], retomando o modelo exposto por John Cleves Symmes. Para Gardner haveria uma espécie de sol no interior do planeta, com 183 m de diâmetro. Ele proporcionaria ao mundo subterrâneo um clima prazeroso, permitindo aos seus habitantes viver no esplendor tropical. Neste período, o conceito da Terra Oca, considerado fisicamente impossível para os cientistas, tinha convencido por completo alguns ocultistas.

Outra grande figura do ocultismo a defender a teoria foi Guy Warren Ballard, que, sob o pseudônimo Dodfré Ray King, em 1930 escreveu ‘Unveiled Mysteries [Mistérios Revelados, idem], um livro sobre sua extraordinária experiência. O autor conta que, quando estava no Monte Shasta, um estranho indivíduo lhe ofereceu uma bebida cremosa. Após bebê-la, Ballard pôde perceber que o homem se tratava de Saint Germain, um mestre imortal que teria vivido no Tbete. Ballard disse que se encontrou com o santo muitas vezes e, em sua companhia, fez várias viagens fora do corpo pela Terra, explorando um magnífico mundo cientifico de maravilhas espirituais. Ele teria, ainda, conhecido extraterrestres que viviam abaixo da superfície. Sobre as montanhas de Grand Teton, no Estado norte-americano de Wyoming, Ballard afirma te assistido a uma conferência com outros 12 mestres venusianos, contando histórias similares em seu livro seguinte, ‘The Magic Presence’ [A Presença Mágica, idem].

SERES BENEVOLENTES:
Juntamente com sua esposa Edna e o filho Donald, ele viajou pelos Estados Unidos e concedeu palestras para muitas platéias, que mais tarde juntaram-se ao seu grupo de ocultismo. Até o famoso autor Richard Sharpe Shaver aparecer, quase todos que defendiam a existência de seres abaixo da superfície terrestre acreditavam que eles eram benevolentes, avançados e que queriam ser conhecidos pelos humanos. Shaver, entretanto, tinha outra história para contar. Ele ganhou notoriedade após a Segunda Guerra Mundial como autor de uma série de livros e artigos sobre ficção científica. Especializou-se em abordar supostas avançadas culturas pré-históricas que teriam construído cidades em cavernas da crosta terrestre. Shaver depois defendia a tese de que algumas de tais raças teriam abandonado a Terra para viver noutros planetas. Pode-se dizer que ele defendia uma versão mais tecnológica do inferno! Sua história começou em setembro de 1943, em Chicago, quando Ray Palmer, o editor da revista ‘Amazing Stories [Histórias Fantásticas], recebeu a carta de um misterioso leitor que afirmava conhecer o alfabeto lemuriano. Tratava-se justamente de Richard Shaver, que após ter seu relato publicado na edição de janeiro de 1944 daquela publicação, começou a se corresponder regularmente com seu editor.

Ele contou a Palmer sobre seus encontros com criaturas demoníacas, conhecidas como ‘deros’, que ele dizia serem robôs que viviam nas profundezas. Só que não seriam exatamente robôs, no sentido literal da palavra. Segundo Shaver, robô era simplesmente uma designação dada às raças produzidas através da engenharia genética, que os titãs – habitantes gigantes de Lemúria - haviam criado. Alguns deles,com mais de 90m de altura, teriam vivido na superfície terrestre há 12 mil anos, quando foram forçados a deixar o planeta. Imaginação fértil? Sem dúvida, como se descobriria depois. Mas as histórias de Shaver tiveram grande impacto sobre os defensores da teoria da Terra Oca. Ele dizia ainda que a maioria dos ‘deros’teriam ido para o interior das cavernas para evitar a radiação mortal emanada pelo Sol. Entretanto, determinados resíduos genéticos dos titãs teriam permanecido na superfície do planeta, acostumando-se a ela e tornando-se a raça humana existente hoje. Os ‘deros’eram então considerados seres degenerados que teriam tido acesso à tecnologia dos titãs, utilizada para atingir o máximo de prazer sexual durante longas orgias. Eles também usavam suas máquinas em sessões de rapto e tortura de seres terrestres, ou ainda na captura de ‘teros’, seres subterrâneos benévolos.

RECORDANDO LEMÚRIA:
Entre 1945 e 1948, a ‘Amazing Stories’ e sua companheira ‘Fantastic Adventures [Aventuras Fantásticas]publicaram excitantes e aterradores contos sobre os supostos mundos subterrâneos. Muitos desses artigos apareciam assinados por Shaver, mas era Palmer quem os escrevia. O primiro, ‘Recordando Lemúria’, saiu na edição de março d 1945, trazendo em sua introdução vívidas memórias de Shaver de quando era chamado Mutan Mion e teria vivido há milhares de anos em Sub Atlan, uma das grandes cidades de Lemúria. Como conseqüência, centenas de cartas chegaram à redação da revista, enviadas por leitores que também afirmavam ter se encontrado com os ‘deros’. Isso fez com que Chester S. Geier, um dos consultores mais regulares da ‘Amazing Stories’, lançasse o Clube Shaver do Mistério para lidar com as cartas recebidas e investigar a existência dos ‘deros’ e ‘teros’. Palmer e Shaver tinham causado um movimento e tanto na década de 40.E tal movimento não cessou até hoje.

Mas nem todos os leitores ficaram satisfeitos com o material divulgado na revista, a maioria do qual visivelmente fantasioso. Convencidos de que algumas histórias que estavam sendo publicadas não passavam de meras fraudes, voltaram-se contra o movimento, fazendo com que, em 1948 a ‘Amazing Stories’ cancelasse a série de artigos de Shaver. Antes disso, outro leitor da revista que afirmou ter se encontrado com um ‘deros’ e conhecido os mundos subterrâneos foi Maurice Doreal. Assim como Ballard, Doreal disse que esteve com mestres ascensionados habitantes do Monte Shasta, mas garantiu que os seres não eram de Lemúria, e sim de Atlântida. Segundo ele, os atlantes e os lemurianos viveriam em grandes cavernas no centro da Terra, de onde saíam regularmente ou eram visitados por seres de outros sistemas planetários. Seu grupo de ocultismo, a Fraternidade do Templo Branco, segundo ele, teria sede na Constelação das Plêiades e estaria envolvido numa complexa guerra interestelar e diplomática, detalhada por Doreal em seus manuscritos.

Há ainda relatos da existência de uma suposta metrópole extraterrestre chamada Arco-Íris, que estaria abandonada sob o gelo, segundo declarou W.C Hefferlin. Embora seus habitantes tivessem saído do lugar há muito tempo, deixaram lá sua avançada tecnologia. No entanto, o relato de Hefferlin não impressionou as pessoas e ele acabou saindo de cena por um ano, reaparecendo depois com o apoio do prestigiado grupo de ocultismo Bordeland Sciences Research Association [BSRA]. Em várias publicações da BSRA, Hefferlin e sua esposa Gladys relataram que os habitantes de Arco-Íris eram uma raça que povoou o planeta Marte, fugindo de lá para escapar de um tal Povo Cobra. Quando a atmosfera do planeta tornou-se irrespirável, eles mudaram-se para a Terra e se fixaram na Antártica, que naquela época era um paraíso tropical. Os marcianos teriam fundado sete grandes cidades, sendo Arco-Íris a maior de todas. Infelizmente, o tal povo Cobra teria descoberto onde eles se encontram e os atacou, o que fez com que a Terra saísse de seu eixo, tornando a Antártica um lugar gelado.

A existência de Arco-Íris foi novamente aventada em 1951, numa publicação de Robert Ernest chamada ‘The Subterraneam World of Agharta [O Mundo Subterrâneo de Agharta, ainda sem tradução no Brasil], e novamente em 1960, no Rainbow City and the nner Earth People [A Cidade Arco-Íris e o Povo do Centro da Terra, idem], de Michael Barton. Este último autor também reviveu o mistério de Shaver, relatando que venusianos e mestres sublimes estariam aliados numa guerra contra os ‘deros’. Barton ainda afirmou ter recebido comunicações psíquicas do então falecido Marshall Gardner, que teria endossado seu livro entusiasticamente. Um próximo passo dessa saga, desde os anos 40, a teoria da Terra Oca passou gradativamente a incorporar elementos do nazismo, visivelmente influenciada por autores de origem alemã.

SIMPATIA PELO NAZISMO:
Alguns seguidores mais ferrenhos e autores que defendem a tese de que o planeta abriga uma civilização interna mostram não somente uma fascinação pelo tema, como também uma simpatia assumida pelo nazismo. A exemplo disso temos o canadense Ernest Zundel, que, junto a vários grupos neonazistas, afirmava que o holocausto nunca aconteceu. No livro UFOs, Nazi Secret Weapons? [UFOs, Armas Secretas Nazistas, ainda sem tradução no Brasil] ele afirmou que, quando a Segunda Guerra Mundial acabou, Adolf Hitler e seu último batalhão de soldados embarcaram num submarino e foram para a Patagônia Argentina. Lá eles teriam estabelecido uma base, dentro do Pólo Sul, para manobras e pouso de avançados discos voadores. Mas, segundo Zundel, quando as forças aliadas e os norte-americanos souberam o que estava acontecendo, despacharam para a região o almirante Richard E. Byrd e uma expedição científica – na verdade, uma espécie de exército – para atacar a base nazista. No entanto, Byrd e seus homens não foram páreos para as armas dos alemães.

Para Zundel, ainda, os nazistas eram representantes na Terra de civilizações subterrâneas, o que seria o real motivo de crerem em sua superioridade racial. Em 1978, com a publicação de ‘Secret Nazi Polar Expeditios’ [Expedições Polares Secretas Nazistas, idem], ele pediu financiamento para sua própria expedição ao Pólo Sul, em que planejava alugar um avião com uma enorme suástica pintada na fuselagem. Delirantemente, ele dizia que o símbolo não somente serviria para mostrar sua ideologia, como também permitiria que os habitantes do centro do planeta reconhecessem que era um amigo. Quase ao mesmo tempo, uma expedição ao outro pólo, o Norte, estava sendo planejada por Tawani Shoush, um piloto aposentado do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA e presidente da Sociedade Internacional para a Terra Completa. Ele queria pilotar um dirigível sobre o pólo, aonde, juntamente com seus companheiros, iria se encontrar com os moradores nórdicos do centro do planeta, possivelmente permanecendo lá para sempre.
“O mundo subterrâneo é melhor que o nosso”, disse ao colunista do jornal ‘Chicago Tribune’, Bob Greene, em 1978. Embora tenha negado ser simpatizante da ideologia nazista, seu símbolo também era uma suástica. Mas nem as expedições de Zundel ou Shoush decolaram. Outro trabalho que teve influência nos destinos da teoria da Terra Oca tinha natureza anti-semita e pró-nazista, ‘Kingdoms Within Earth’ [Reinos Dentro da Terra, idem], de Norma Cox, defendia que uma conspiração sionista internacional estaria escondendo a verdade sobre o tema. Para a racista Cox, tal política seria parte de um plano que usaria o Pólo Sul para escravizar a raça humana. Neste e em outros livros, ela alertou que nos Estados Unidos os cristãos brancos seriam alvos de extinção e que, brevemente, o próprio Jesus Cristo iria iniciar uma batalha contra os demoníacos moradores do centro do planeta e seus aliados na superfície...

Já nos anos 80, um inusitado movimento chamado ‘Lado Negro’ cresceu dentro da comunidade ufológica internacional. Propagando relatos de misteriosas mutilações de gado e teorias conspiracionistas, os membros do ‘Lado Negro’ afirmavam que um governo mundial secreto teria se associado a determinadas raças de seres extraterrestres para formar uma aliança maligna e gerar o mal entre os humanos. Parte dos integrantes desse movimento, inspirados em autores como Milton Willian Cooper, alegava que em cavernas sob o Deserto do Novo México, especialmente em Dulce, cientistas do governo e Ets trabalhariam juntos para criar andróides sem alma. Estes serviriam como escravos quando uma suposta Nova Ordem Mundial submetesse o mundo aos seus desígnios. Ativistas do ‘Lado Negro’ também garantiam existir enormes túneis entrecortando o planeta e ligando laboratórios, bases militares secretas e outras instalações, tudo controlado pela liga governo-aliens. Afirmava-se que existiriam cerca de 50 bases apenas nos Estados Unidos, onde experiências com ETs eram realizadas.

ANTÁRTIDA TROPICAL:
Segundo o misterioso Comandante X, que também influenciou esse movimento, muitas bases estariam interligadas por avançados sistemas de trens subterrâneos, alguns nas mãos de seres do espaço amigáveis e outros capturados por ‘grays’[Cinzas], ‘deros’ e outras entidades contrárias à raça humana. Como se vê, a teoria de que existe um mundo dentro do nosso planeta é levada a sério por muitas pessoas, ocultistas ou não, e tem fortíssimo apelo emocional. Muitos a defendem com unhas e dentes. Entretanto, a ciência tem afirmado continuamente que tal hipótese seria impossível, que a Terra simplesmente não poderia ter a cavidade central que se imagina. Portanto, o assunto estaria encerrado. Assim como essa mesma ciência, um dia, também ridicularizou a tese que defendia a existência de um peixe pré-histórico, conhecido como celacanto, e as afirmações de que a Antártida nunca poderia ter sido um lugar tropical. Resta-nos ter paciência para saber qual é a verdade nesse emaranhado de fatos e fantasias.

ADEPTOS DA TEORIA DA TERRA OCA crêem que o planeta seja entrecortado por túneis, que ligariam os mais diversos pontos do globo, entre eles Machu Pichu, nos Andes peruanos, certas partes da Amazônia e as pirâmides do Egito. A luz que emanaria do interior da Terra seria responsável pelas auroras boreais.
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[Texto de Thiago Luiz Tichetti]

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

QUE É O VERDADEIRO CONHECIMENTO?


A busca do conhecimento sempre foi uma busca esquiva, principalmente porque não estamos certos do que é exatamente o conhecimento ou quais os benefícios que ele nos traz. Geralmente supõe-se que o conhecimento produz uma transformação em nossa vida. Mas não é definido o modo pelo qual essa transformação ocorre. Pode-se perguntar: o conhecimento faz por nós algo que acarreta uma transformação, ou somos nós que usamos o conhecimento para concretizar algum fim almejado?

Afirma-seque vários canais levam ao conhecimento ou constituem seus componentes básicos. O “mistério” do conhecimento, se nos é lícito chamá-lo assim, vem intrigando a mente humana há séculos. Filósofos da antiga Grécia, como Sócrates, Platão e Aristóteles, inclusive os sofistas e as escolas jônicas, buscavam uma definição concisa e abrangente do conhecimento. Hoje ‘conhecimento’ continua sendo um termo que comumente se usa mas que comumente não se compreende.

Além disso, certas palavras aumentam a confusão sobre a natureza do conhecimento. Tais palavras indicam um tipo de conhecimento cuja origem é supostamente sobrenatural – indicando que ele transcende os processos mentais normais, que se trata de um substituto do conhecimento ou que nada mais é que uma concatenação de pensamentos, ou seja, uma cadeia de idéias correlacionadas.

Em particular, palavras como fé, crença e razão fornecem elementos para o conhecimento. Elas são tão familiares que temos a certeza de que compreendemos essas palavras e sua relação e diferenças. Mas compreendemos realmente?

PERSCRUTANDO A FÉ
Comecemos com uma análise da fé. Não recorreremos à convencional definição do dicionário. Antes, vamos compreendê-la a partir de uma análise mais pessoal do uso comum do termo.

Não podemos, por exemplo, afirmar que são permutáveis os significados de fé e experiência. De ordinário, ao termos a experiência de algo isso se dá por meio de nossas faculdades sensoriais, como a visão, audição, tato, paladar e olfato. Além disso, a experiência é direta e imediata. Por exemplo, quando percebemos uma rosa, seu aroma, cor e forma são percebidos diretamente como sensações que identificamos como o objeto que reconhecemos ser uma rosa. Em outras palavras, entre nós e a rosa não há nenhum intermediário além das impressões por ela irradiadas. Não estamos aceitando a existência da rosa com base em boatos ou em qualquer outra fonte que não o próprio objeto.

Por conseguinte, a fé não é uma experiência direta e imediata; entretanto, em geral é considerada equivalente à experiência direta e, portanto, com o mesmo valor de conhecimento. Isso levanta a questão: qual é a verdadeira qualidade do conhecimento?
Em essência, o conhecimento sempre é o mesmo. Ele pode apresentar-se de diferentes modos; contudo, a despeito das idéias de que seja composto, sempre terá a mesma essência, isto é, a qualidade em que o conhecimento consiste.

Essa qualidade do verdadeiro conhecimento é a realidade, a qual deve ser acessível à percepção objetiva humana, ou seja, deve ser vista, sentida, ouvida, etc. Deve ser aquilo que nós ou outros possam perceber como realidade. Mas será que isso desqualifica de verdadeiro conhecimento aquilo que aprendemos por estudo? Talvez jamais venhamos a ter a experiência pessoal de uma realidade lida num livro didático ou de História; não obstante, o conteúdo desses livros são denominados de conhecimento. Esse conhecimento, porém, não passa d um substituto socialmente aceito de nosso próprio conhecimento intimo, adquirido.

Passamos a reconhecer como autorizada certas fontes de informação. Nesse sentido, autoridade implica que a fonte, o autor ou informante, teve a experiência real do que nos conta ou tem motivos para crer que sua afirmação é uma realidade demonstrável. Há uma visível diferença entre fé e esse substituto socialmente aceito para o conhecimento. A fé aceita como fonte autorizada aquilo que não pode ser comprovado por todos, inversamente, ao lermos um livro didático ou de História, podemos presumir que o autor é uma autoridade e que pode ou vai comprovar o que expôs.

O que normalmente se chama de ‘fé cega’ ocorre quando a fonte de conhecimento não é contestada, ainda que pareça contrária aos fatos ou à experiência pessoal. Isso se evidencia mais comumente em se tratando de religião. A fonte de ‘fé cega’ pode ser considerada sobrenatural e infalível. Pode-se, então, crer que é um sacrilégio questionar a essência dessa fé. Obviamente, seu conteúdo não é conhecimento do ponto de vista realístico, objetivo. A pessoa que recorre ‘à fé cega’ está volitivamente se privando de ser receptiva ao verdadeiro conhecimento. O conhecimento qual contradiga a fé que essa pessoa nutre, ainda que comprovado pelos fatos, com freqüência é por ela considerado indício de um propósito maligno de difamar sua fé.

CRENÇA – GERAL E PESSOAL:
Que dizer sobre a crença do ponto de vista de uma convicção pessoal? Há duas espécies genéricas de crença. A primeira pode ser considerada geral – um conceito ou idéia de ampla circulação considerado irrefutável. Em termos psicológicos, implica verdade, dado o número de pessoas que têm crença análoga. Entretanto, há na história inúmeros casos em que se acreditava numa explicação de algum fenômeno natural e em que a explicação era errada. O indivíduo precisava ter coragem para refutar uma noção amplamente aceita, mesmo quando podia provar explícita e objetivamente que a noção estava errada.

O outro tipo de crença é a ‘convicção pessoal’. Esta não é influenciada pelas opiniões alheias. Podemos ter chegado a essa crença por meio de nossos próprios processos mentais, não necessariamente por raciocínio intencional. Por exemplo, pode chegar à atenção da pessoa algum evento - algum acontecimento ou fenômeno – para o qual ela não tem nenhuma explicação definida. Pensando sobre isso, associando idéias sem usar qualquer método formal de raciocínio, a pessoa obtêm uma convicção pessoal sobre a causa do fenômeno ou ocorrência.

O que com toda a probabilidade aconteceu foi que o indivíduo extraiu da memória várias idéias correlatas, que forneceram, em termos de crença, uma convicção pessoal ‘plausível’. Constituirão conhecimento essas crenças, ainda que não tenham sido nem provadas nem refutadas? Um tipo de convicção pessoal é o tipo por ‘conhecimento intuitivo’. Tais impressões intuitivas, que lampejam na consciência sem elaborações, têm uma indubitável veracidade. O esclarecimento pessoal da iluminação produzido por essas impressões lhes confere a essência de verdadeiro conhecimento.

Entretanto, geralmente o indivíduo não consegue reduzir essas impressões intuitivas à concretude factual. Pode ser incapaz de provar sua crença a outrem. Além disso, os outros podem ser incapazes de refutá-la. Essa forma de conhecimento subjetivo não contém a objetividade da realidade e, portanto, em grande parte só traz benefício imediato à pessoa que teve o esclarecimento intuitivo. O recipiente, pois, tem a obrigação moral de dar concretude a seu conhecimento intuitivo, isto é, deve tentar lhe conferir a realidade passível de ser percebida pelos outros e de tornar-se conhecimento geral. O processo por meio do qual se consegue isso é a razão.

A VELHA QUESTÃO DA RAZÃO:
E que é a razão? Uma vez mais, defrontamo-nos com um tema que vem ocupando a mente dos filósofos há séculos, sendo, porém, essencial para nossa investigação da natureza do conhecimento.

Iniciemos nossa análise afirmando que os pensamentos são idéias, e que as idéias são elaboradas por nossas faculdades de ‘percepção e concepção’. A percepção é a consciência que temos das sensações captadas por nossas faculdades sensoriais. A concepção consiste na recordação de impressões registradas na memória, sendo também o reagrupamento dessas impressões numa nova ordem e imagem mental. Exemplo disso é a faculdade da imaginação.

A razão é a integração e associação mais precisa e intencional de nossas idéias. Nesse processo a mente busca uma relação definida entre idéias particulares, para chegar a uma conclusão satisfatória. A conclusão depende totalmente do ordenamento das idéias que a consistem.

Há dois métodos gerais de raciocínio: dedutivo e indutivo. O dedutivo é o processo de raciocínio que parte da idéia ou dos princípios gerais em direção às particularidades. Por conseguinte, o processo dedutivo parte de uma idéia geral que, para a mente, não é auto-explicativa, ou seja, não é em si mesma conclusiva. A razão, portanto, pelo uso de uma análise progressiva, procura um meio de examinar a idéia em consideração como um todo compreensivo, e não como um pensamento indefinido.

Exemplificando, podemos levantar a questão:a vida inteligente é um fenômeno cósmico universal ou está limitada à Terra apenas? Para responder a essa pergunta, poderíamos recorrer ao processo de raciocínio dedutivo, isto é, poderíamos buscar os elementos que se relacionam e que provam ou refutam o conceito.

O processo de raciocínio indutivo consiste em tomar uma idéia que se percebe ser completa em si mesma, e depois, por observação e análise, determinar de que modo por ela ser correlacionada a ‘particularidades’ para formar uma idéia geral. Sucintamente, o método indutivo parte do particular para o geral.

O raciocínio, porém, só é aceitável como ‘verdadeiro conhecimento’ se suas conclusões oportunamente puderem ser evidenciadas ‘objetivamente’. Se a conclusão não puder ser percebida objetivamente, trata-se apenas de crença, de um substituto do conhecimento. Trata-se de uma identidade temporária que a mente conferiu à experiência. Não obstante, a razão é um tipo de conhecimento mais confiável, dada a cogitação que requer.

Pelo que foi exposto, talvez pareça que, para adquirirmos conhecimento, consideramos mais confiável o recurso a nossas faculdades sensoriais, como a visão, o tato, a audição, etc. Contudo, todos em geral sabemos que nossos sentidos podem nos enganar. Por exemplo, quando olhamos os trilhos de uma estrada de ferro, estes parecem convergir a certa distância; entretanto, se chegarmos a esse local, perceberemos que a convergência não passa de uma ilusão de óptica. Do mesmo modo, o paladar e o olfato também podem nos enganar.

Será que podemos afirmar, portanto, que, quando a maioria das pessoas percebem do mesmo modo um objeto, trata-se de uma realidade? Não: a qualidade ‘numênica’ do objeto, isto é, a coisa em si pode ser bem diferente do que os seres humanos percebem. Aristóteles afirmou que os fenômenos numênicos opõem-se aos fenômenos dos sentidos. Tais fenômenos constituem ‘realidade’ e, portanto, verdadeiro conhecimento.

Cada um dos três temas que analisamos – i.e., fé, crença e razão – faz contribuição fundamental para o que se aceita como verdadeiro conhecimento. Contudo, nenhum deles, em si mesmo, é conhecimento absoluto.

A contribuição da fé está em sua pressuposição de autoridade. A contribuição da crença consiste na substituição de plausibilidade em ausência do fato. E a contribuição da razão para o conhecimento consiste num processo que visa ao ordenamento sistemático de idéias, de modo a fazê-las parecer realidade para a mente, que, por conseguinte, pode aceitá-las como verdadeiro conhecimento. [Texto de R.M.L]

domingo, 24 de janeiro de 2010

ETs: Quem são, de onde vêm e o que querem do ser humano?


Nos registros históricos tailandeses observa-se a crença daquele povo no poder de raciocínio do homem sobre os acontecimentos, usando a informação como meio de distinção. No final do século XIX,alguns países europeus estavam conquistando a Ásia e a tendência seria englobar as populações locais num curto período de tempo. Coube ao rei tailandês Rama escolher o processo de defesa contra os invasores, provavelmente baseado na milenar obra literária “A Arte da Guerra”, escrita pelo chinês Sun Tzu, com conceito claro para o combate: “Conhecendo o exército de seu inimigo e seu próprio exército, você vencerá a guerra”. Mesmo que em termos de guerra não haja vencedores, há um ganho fantástico de experiência na consecução desta regra básica.

Rama estou e interpretou o comportamento de seus inimigos, ingleses, franceses e norte-americanos. E lhes enviou presentes e agrados, como jóias e esculturas de elefantes, animais adorados pelos tailandeses. Em seguida, vendeu papoula, matéria-prima do ópio, aos ingleses que abasteceram Hong Kong, a caminho da China. Ele percebeu que agradar imperialistas suscetíveis a vaidades e a ambições evitou a conquista militar de seu país e preservou a cultura originária dos tempos do antigo Sião, nome que a Tailândia tinha no passado.

Mas, afinal, por que iniciar um artigo sobre extraterrestres com uma passagem histórica de um povo quase desconhecido? Talvez, por funcionar como um alerta contido, tal qual o que foi expresso no verso do novelista francês René Martin: “Lembre os erros do passado. Pense bem no futuro. E o porvir está fadado a lhe sorrir contente”. E de fato, para termos uma boa relação com os seres que nos visitam, ainda que eles estejam em vantagem tecnológica sobre nós, é aconselhável que os conheçamos a fundo. No entanto, passado mais de meio século do estabelecimento da Ufologia, o conhecimento e a análise comportamental dos ETs ainda deixam lacunas a serem preenchidas.

Com o acesso a vários vestígios e provas testemunhais de sua atuação, o enigma parece querer provocar o indivíduo comum, chamar-lhe a atenção para a importância da interação com nossos visitantes espaciais. Persiste uma ansiedade latente em todo ufólogo, de poder exibir a confirmação definitiva da existência de discos voadores a toda a sociedade. Contudo, é inadequado basear a pesquisa do fascinante Fenômeno UFO apenas em leituras, descrições de avistamentos, percursos e formatos de naves extraterrestres. Queremos compreender o que está se passando e por que este fenômeno secular ainda persiste. Quem são, enfim, os seres que nos visitam e por quê? Em nossa tentativa de compreender o assunto, uma série de evidências das passagens dos discos voadores em nosso meio foi detalhadamente registrada, como gravações de ruídos de uma UFO, em vários incidentes, e fragmentos de nave acidentadas como no Caso Ubatuba, ocorrido em São Paulo, em 1957.

ALTA CREDIBILIDADE: A análise espectrográfica destes fragmentos revelou alta concentração de magnésio e ausência de qualquer outro elemento metálico. Temos também inúmeras escritas supostamente provenientes de nossos visitantes, uma até produzida no embornal do mineiro Arlindo Gabriel, coberto de estranhas inscrições e desenhos deixados durante um contato com aliens em Baependi [MG] em 1979. E, claro, além disso tudo, temos ainda dezenas de fotos, filmes e gravações em vídeos de UFOs, cuja autenticidade foi comprovada por laboratórios de alta credibilidade e especialistas em análise computadorizada.

A somar-se a tantas evidências temos ainda o testemunho de pilotos civis e militares de observações de naves terrestres. Alguns desses profissionais chegaram a sofrer a imposição, com sérias conseqüências, da chamada lei do silêncio, imposta pelo governo norte-americano através da diretriz JANAP 146. Porém, por mais que sejam inequívocos e impactantes, esses fatos caminham por um labirinto que se bifurca gradativamente, levando-nos cada vez mais longe das respostas. Isso sem falar da política de desinformação adotada por certos governos.

Mesmo assim, a prudência e o raciocínio nos recomendam manter uma proximidade de nossos visitantes cósmicos, buscando conhecê-los cada vez mais. Mas como, se são eles que determinam a aproximação que fazem de nós? Temos a consciência de que os ETs sabem mais sobre nossa espécie do que nós sobre a deles, e essa é uma vantagem visível em qualquer relato de abdução. Isso é bom ou ruim? Sendo eles profundos conhecedores de nossa espécie, poderiam um dia voltar contra nós, talvez até mesmo usando o que aprenderam sobre nossa espécie, em suas ações de abdução?

USO DE NOSSAS FRAQUEZAS: Parece que estamos diante da situação em que um melhor amigo nosso pode, no futuro, ser nosso pior inimigo, simplesmente pelo conhecimento de nossas fraquezas.. Podemos aqui citar um ditado proveniente da velha espionagem, que mostra o verdadeiro sentido e peso de uma informação:”Conhecer o que o inimigo sabe que nós sabemos que eles sabem do que nós conhecemos sobre ele.” Pode parecer confuso, mas é simples: precisamos saber dos ETs exatamente aquilo que eles sabem a nosso respeito, se é possível sem deixar que eles saibam exatamente o que nós sabemos sobre eles.

Ao chegarmos neste ponto de raciocínio, em busca de uma lógica humana para tentar captar e compreender a inteligência alienígena, é necessário citar o pioneiro ufólogo mineiro Húlvio Brandt Aleixo: “Os seres que controlam os UFOs não são humanos e vêm de vários planetas. Vivem na atmosfera, nos recônditos da Terra e através do cosmos. Tem grande poder sobre os elementos da natureza, em macro e micro escala, incluindo a mente humana”. Aleixo acredita que os alienígenas são criaturas enganadoras, mentirosos e que agem de maneira furtiva e subversiva. Possuiriam agentes infiltrados em todos os níveis e segmentos da sociedade, a maior parte atuando inconsciente e cegamente.

“Sua maior ambição é a posse da alma humana que, por ser imortal, é a jóia preciosa do universo. A maneira mais eficaz de conseguir isto é fazer com que nossos corpos, mediante matança maciça, lhes entreguem seus espíritos”, afirmou em artigo a uma edição da Revista Ufo. O que o pioneiro estudioso quis dizer dos extraterrestres, quando se refere à sua ambição pela alma humana? Estariam os aliens vindo à Terra, ou monitorando-a em busca de nossa essência espiritual? Esta é uma conjectura descartada como absurda por muita gente, mas que merece melhor reflexão. Até o momento, não há depoimentos de abduzidos que, ao serem levados para dentro das naves alienígenas, atravessando seus corredores ou visitando seus aposentos, tenham se deparado com cores, quadros ou sons musicais que indiquem algum tipo de emoção por parte desses abdutores. Parece que são frios e mecânicos. E imagina-se que a única emoção que cobriu as paredes dessas naves foram provavelmente, os gritos dos abduzidos impotentes durante os exames físicos a que são submetidos, sem prévio consentimento. Oras, é a alma humana que nos agracia com diversas emoções.

ECOSSISTEMA PLENO: Talvez os alienígenas entendam que seja conveniente conquistar um planeta com um ecossistema em pleno funcionamento, assumindo os habitantes e suas respectivas energias. Isso seria o mesmo que dizer que, caso tenham interesse em nossos recursos naturais, incluindo a alma humana, fariam algum esforço para impedir que nos destruamos. De fato, frases como “vocês, terráqueos, devem parar com os experimentos atômicos e cuidar da preservação ecológica da Terra”, são muitas vezes ouvidas por abduzidos, com as mais diversas variações. Tanto que chegam a ser implantadas em suas mentes pelos abdutores. Talvez elas visem demonstrar que de nada serviria aos interesses desses alienígenas um confronto declarado com os terrestres, como na fictícia situação mostrada no filme Independence Day [1996], pois isso destruiria o planeta e tudo aquilo que lhes iria pertencer de qualquer maneira, de forma subliminar.

Assim, a melhor opção que resta aos nossos visitantes é avançar sem serem notados ou considerados inimigos. Mas é exatamente assim que agem conosco. Enfim, nada melhor do que conquistar um planeta intacto, com todos os seus monumentos e ecossistemas balanceados e em perfeita harmonia, assumindo inclusive as energias da alma humana. E se for a eles possível fazer-nos acreditar que se tratem de amigos celestiais ou angelicais, ainda melhor. Estarão conhecendo nosso exército sem que tenhamos a mínima chance de fazer o mesmo. E mais uma vez a vantagem desses seres sobre nós se mostra inequívoca.

Mas está clara essa intenção? E se estiver, por que nossos visitantes esperam tanto tempo para deixar-nos perceber por que motivos que vêm a Terra? Acho que a resposta para a primeira indagação está cada vez mais subentendida na ação sorrateira, camuflada e dissimulada que nossos visitantes realizam, já na condição de verdadeiros intrusos. Já a resposta para a segunda só poderá ser encontrada, ou cogitada, por quem conseguir ver a anterior: “ Poderia ter agido em épocas mais antigas e propícias a uma chegada e posse”, diriam alguns ufólogos. Sim, é verdade. Mas ocorre que somente de pouco tempo para cá a raça humana passou a sofrer com as ameaças de destruição total por armas atômicas. E somente de umas décadas para cá uma ação por parte de nossos intrusos passou a ser, para eles, mais urgente e necessária. Talvez isso explique também porque a incidência de UFOs aumentou sobre o planeta após a invenção da bomba atômica, nos anos 40.

O presidente John Kennedy costumava afirmar que: “...os homens sempre usarão as armas que fabricam”. O que impede os aliens de terem desconfiança de que um dia nós efetivamente iremos usar, contra nós mesmos, as armas que construímos? Ameaças de todos os lados, às vezes vindas de países governados por fanáticos religiosos, não faltam. E quanto à questão do tempo que teriam levado os aliens a apressar sua eventual intervenção, temos que ter em mente que seu fluxo de tempo nada tem a ver com o nosso, e que pode transcorrer para eles mais lento ou acelerado para nós. Assim, o que pode significar uma década para nossa espécie, poder ser um dia ou um minuto para eles. E vice-versa. “Tempo é apenas um conceito”, já dizia Albert Einstein. Até dos tempos bíblicos temos exemplo disso, quando o próprio Cristo fazia profecias de fatos futuros referindo-se a eles em termos de dias, quando em realidade estava querendo indicar anos. Os adventistas do sétimo dia são especialistas nesta descoberta, ao analisarem a Bíblia e os segredos que contém. Recentemente, estes religiosos produziram nos Estados Unidos uma coletânea de documentários em vídeo intitulada Ligações Perigosas, e uma delas, que leva o título d O Brinquedo do Anjo caído, é especialmente dedicada à tomada de consciência dos fiéis em relação aos UFOs, “...tanto físicos quanto os de outras dimensões”, segundo o documento. E inclusive no ambiente em que chamam de subespaço, que gera contatos através dos mecanismos de visão remota, uma faculdade mental que permitiria aos humanos captar informações de fatos acontecendo em regiões longínquas do globo.

MILAGRES DA CRIAÇÃO: É importante lembrar os levantamentos de alguns ufólogos sobre uma ou mais raças que teriam terríveis poderes, podendo desviar o homem de seu caminho e influenciar seu livre arbítrio. Conheceriam até os poderosos milagres do Criador e saberiam elaborar e executar alguns deles. Estes seres apenas não teriam o poder de infiltrar-se no pensamento humano. Ainda falando de Jesus, precisamos ter em mente a expressão a eles atribuída: “Sereis senhores do silêncio e escravos das palavras”. Sobre isso, existem religiosos que nos surpreendem. É o caso do monsenhor Corrado Balducci, um dos teólogos do Vaticano, que declarou: “Que diferença faz se os anjos, em vez de asas, tiverem astronaves?”. Estranho que tal crença parta do monsenhor, quando por anos a fio o Vaticano não tem sido um aliado da Ufologia.

Também não podemos nos esquecer dos implantes, que tem sido a forma mais intrusa da atuação de ETs em nossos corpos. Uma maneira de manter cativos e sob controle os abduzidos, que alguns ufólogos chegam a qualificar como pessoas escolhidas para fazerem parte deste tipo de invasão, uma espécie de batalhão de cavalos de Tróia. Nós, humanos, copiamos os implantes alienígenas e sua operação quando usamos algo semelhante para controlar certos animais que correm riscos de extinção. São as coleiras eletrônicas, radiotransmissoras, usadas para manter determinados indivíduos de espécies ameaçadas sob ininterrupto controle. Assim como podemos usar esses instrumentos para beneficio dos pobres animais, podemos empregá-los em sua dizimação. Os implantes alienígenas são denunciadores de uma trama que ocorre no plano físico.

Reparemos em nossa própria história. Sempre soubemos nos aproveitar de raças inferiores em nosso planeta, fazendo experimentos com elas e confundindo suas tradições. A título de exemplo, temos o que se passou aqui na América do Sul, no século XVI, com uma antiga civilização pré-colombiana, os musquitas.Quando o desbravador espanhol Fernando Jiménez de Quesaba deparou-se com as choupanas dos musquistas, que lembravam verdadeiros vespeiros ou colônias de moscas, viu que de seus telhados de palha pendiam lâminas de puro ouro que oscilavam ao vento. A busca incansável do invasor espanhol pelo ‘El Dorado’ findou-se ao descobrir uma realidade acima da compreensão européia da Idade Média. Os musquitas lhe contaram a história de um ‘chefe de ouro’, um líder tribal que se fazia untar de óleos vegetais e depois tinha todo seu corpo coberto com pó de ouro.

Em seguida, o chefe era levado por seus seguidores para navegar nos lagos montanhosos da Colômbia, neles mergulhando para sentir as vibrações mentais que tanto aspirava. Era essa a função do ouro para eles, nada mais. Estes contos excitaram os espanhóis, tanto que Quesada chegou a perder cerca de 2.500 homens em vários confrontos com os nativos, durante pilhagens de peças artesanais do metal. Os indígenas, por outro lado, tinham o hábito de mascar folhas da planta que dá origem à cocaína, amassadas e juntas à raízes secas de algumas árvores. Atingiam, dessa forma, um estágio de dormência cerebral, viajando no que se passou a ser conhecido pelo espanhóis como xamanismo. Era neste estado em que o chefe mergulhava nos límpidos lagos das montanhas colombiana e se sentia penetrar em outras dimensões.

Este foi o ponto decisivo para fazer os espanhóis crerem no tal ‘El Dorado’, e que fosse um lugar sagrado onde ocorriam cerimônias de sacrifício de crianças, para serem sangradas diante de deuses pagãos que precisavam absorver o poder de suas jovens e fortes almas!Na realidade, ‘El Dorado’ ra o termo com que os indígenas se referiam ao chefe tribal e não a um determinado local, com culturas diferentes e entendimentos diversos. Mas como os espanhóis haviam confiscado bastante ouro dos musquitas, passaram a crer somente no valor material de tal bem e não foram capazes de perceber o conteúdo nativo espiritual que ele proporciona. Mais tarde, a lenda veio a ser confirmada ao ser encontrada uma peça em ouro maciço onde se via um ser circundado por outras figuras menores sobre uma jangada.

O fato mais importante a ser destacado para justificar a narração acima é que encontramos nos registros de muitas civilizações antigas, em todos os continentes, e inclusive no ‘Velho Testamento’, a necessidade do sacrifício humano como forma de agradar aos deuses de nossos antepassados. Mas que deuses eram esses? Esta sede de absorção de almas humanas nos lança para mais um lado negativo no entendimento da ação de algumas entidades extraterrestres e o risco que estamos correndo com sua aproximação da Terra. Hoje, somos evidentemente uma civilização mas esclarecida, com conhecimentos amplos sobre espiritualidade e, desta forma, mais céticos em relação às exigências de qualquer divindade que apenas nos encaminhem para o sacrifício humano.

LIBERAÇÃO DE ENERGIA: Se levamos em consideração que a cada grave acidente há uma grande perda de vidas humanas, num só lugar e momento, como em quedas de aviões, naufrágios, desastres de trem, terremotos etc, podemos constar que ocorreu uma concentração na liberação de energia ou almas, provenientes de corpos humanos mortos no plano físico. É neste exato instante que esta força invisível, de grande poder, se desprende do planeta e se dirige para um determinado ponto no cosmos. Este pode parecer um pensamento insano, aterrador ou mesmo surrealista. Mas alguns cientistas, principalmente russos, já identificaram por meio de satélites e outros instrumentos que ocorre um direcionamento de energia após grandes catástrofes, da Terra para um determinado ponto na direção de certas estrelas.

Igualmente, muitos de nós,estudiosos do Fenômeno UFO, estamos familiarizados com o conceito esotérico do cordão de prata. Suas implicações e explicações de seu funcionamento são bastante extensas para detalharmos aqui. Mas basta que entendamos que cada ser humano possui um cordão umbilical invisível que os liga a uma forca no universo. Para os lendários atlantes, segundo registros, esta força possuiria o nome de AKACHA, algo ou um local de onde se originava a vida de todas as coisas, pessoas e animais, e onde se decidiam as reencarnações. Talvez esse conceito de cordão de prata tenha ligação com situações vividas por abduzidos, que as captaram das criaturas que os levaram para dentro de naves extraterrestres.

Não é raro que esses seres se apresentem às vitimas com expressões do tipo:”Não temos permissão para entrar em contato com os humanos nem interferir em sua história”, ou “estamos aqui para evitar que a raça humana continue avançando no conhecimento atômico e cause o próprio extermínio sobre a face da Terra”. E assim, numa eterna dissimulação, que não tem servido para nos orientar sobre a ação de nossos abdutores, muito pelo contrário, chegamos à conclusão incômoda de que alguns deles mentem descaradamente sobre suas ações e seus interesses no ser humano.

Por que os alienígenas nunca difundiram uma mensagem clara, objetiva e de alcance para todos os terrestres sobre sua existência? Alguns ufólogos argumentam que, devido a uma suposta lei cósmica, eles não podem intervir em nosso viver. Mas aparições de figuras religiosas, hoje já decifradas como de origem extraterrestre, tem sido registradas por milhares de pessoas, tanto na Bahia quanto na Iugoslávia. Elas não interferem em nosso cotidiano? Claro, e talvez ainda sirvam para nos confundir ou subjugar, sob o argumento de que os ETs, assim como nós, também são feitos à imagem e semelhança de um Criador comum.

CURAS MÉDICAS: Vale ressaltar que a própria Bíblia, com toda certeza, garante que a comunicação com Deus é direta. Não são necessários intermediários. “Quando duas ou mais pessoas mencionarem meu nom, Eu estarei presente”. O papa João XXIII escreveu uma encíclica três meses antes de sua morte, na qual enfatizava que “Deus imprimiu no coração do homem a fé. E ao coração ele deve obedecer”. Na obra ‘Curas Médicas por Ets’, a autora Virginia Aronson, propõe uma nova abordagem em relação à ação de entidades extraterrestres e aparência angelical. A capa do livro é muito sugestiva e o conteúdo apresenta o argumento, bastante interessante, de que alienígenas de certa linhagem estariam buscando o contato definitivo com os humanos através da cura de enfermidades graves. E, ainda, através da canalização dos ensinamentos vibratórios e energéticos, que nos facilitarão dar prosseguimento ao desejo de curar ao próximo, latente em todos nós.

No entanto, somos incomodados pelo clamor de Húlvio Brandt Aleixo, de que os ETs faltam com a verdade. E isto nos torna vulneráveis em nossas crenças. Precisamos selecionar e separar o joio do trigo com toda cautela. Devemos identificar os alienígenas que não representam uma ameaça, e não pretendemos ser desviados de nosso objetivo magno, que é o de evoluir, sem fraquejar em relação à nossa sobrevivência física e astral. Aceitamos todos os alienígenas como uma regra básica, no sentido de uma interação positiva e aconselhável. Contudo, toda regra tem sua exceção e, na Ufologia, ela está evidente. Queiram ou não, os ETs interferem em nossas vidas. Os alienígenas atravessaram nossos céus e se infiltraram em nossa cultura. E tal o imperador Júlio César, ao cruzar o Rio Rubicão, lançaram sua sorte, talvez plagiando o grande líder romano: vieram, viram e venceram. [Texto de Atila Martins].