sexta-feira, 16 de abril de 2010

O PEREGRINO


É quase proverbial que o homem insatisfeito vagueia, e o homem que não se encontrou, que não encontrou seu lugar no plano do Criador, está [tem de estar] sempre insatisfeito. Por trás das coisas do cotidiano e das coisas simples da vida, na música, em arte e viagens, ele procura ler os sinais e símbolos para o significado do seu próprio ser. Eis por que as antigas culturas do Egito, da Índia e da Grécia, nos atraem à primeira vista.

Minha primeira vez longe de casa, no entanto, não me levou ao Egito ou à Índia, e sim à Islândia e às ilhas Feróes. Mas mesmo ali eu procurei e o passado me falou. Primeiro na velha arquidioceses em Kirkjuboin, nas Feróes; depois, na casa de Joannes Paturson onde o rei Sverre nasceu. Estranhamente eu fora afetado mas não podia dizer por quê. Um sentimento de volta ao lar? Ou seria apenas a claridade de verão duma noite nórdica? Não, era certamente algo mais.

Aconteceu novamente, desta vez em Reykjavik, na casa-museu de Ejnar Jonsson, o escultor.

Outra viagem para o exterior, desta vez à Holanda. Certas ruas m Amsterdã suscitaram aquele mesmo sentimento de reconhecimento. Deu-se o mesmo em Heidelberg na Alemanha, e no percurso para a velha Universidade de Basel, Suíça, que me atraiu todo dia.

Isto aconteceu antes que eu ouvisse falar na reencarnação e na importância do passado na vida de todos nós. Então, a arrebatadora aura do Egito, Islândia, e de outros lugares onde estive, começou a me atrair para casa. A fraternidade mística do passado e a fraternidade mística do presente eram uma só, e eu era parte dessa unidade. Parei de vaguear porque não mais estava insatisfeito. Tendo encontrado a mim mesmo, eu estava em casa, sem necessidade alguma de vaguear.
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[Texto de Gudve Gjellstad]

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