sábado, 17 de outubro de 2009

Kansas - Dust in the wind [Maravilhosa]

QUE É BUDISMO?


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O que conhecemos no Ocidente como budismo não é uma filosofia nem uma teologia. Da raiz sânscrita BUDH, budismo significa “despertar” ou “estar desperto”. Como a iluminação constitui a base do budismo, este oferece realmente uma SOTERIOLOGIA, ou um método para se alcançar essa iluminação. Na realidade ele oferece muitas soteriologias. Esses enfoques metodológicos para despertar a iluminação latente são o que estudiosos ocidentais confundiram com tendências sectárias no pensamento e nas práticas budistas.

O budismo poderia ser traduzido como “despertar-ismo”. O começo do budismo assenta na experiência de iluminação mística para a própria vida que teve SIDDGARTHA GAUTAMA [ c.500 A.C]. O titulo de “BUDA” ou “DESPERTO” lhe foi atribuído pó contemporâneos, e a Historia se refere a ele como “O BUDA”.

Houve época em que era comum acreditar-se que o budismo fora um desenvolvimento do que era erroneamente chamado de hinduismo. A filosofia indiana tradicional;[darsana, lit. “pontos de vista”] considera tanto o budismo como o janaismo doutrinas não ortodoxas. E “ não ortodoxas” significa que os conceitos dessas duas tradições divergem das tradições dominantes na Índia.

Há alguma evidencia de que tanto o budismo como o janaismo tem raízes na civilização do Vale do Indo, na cultura agrícola. Acredita-se, principalmente em função de evidencias encontradas em inscrições em selos, que a pratica da meditação e a crença na reencarnação tiveram origem nessa cultura do VALE DO INDO. O BUDA e MAHAVIRA [ fundador do Janaismo] eram primos distantes, mais ou menos contemporâneos, e tinham algumas crenças em comum. A mais interessante das opiniões que eles compartilhavam é a de que eles eram sucessores de uma tradição mais antiga que havia produzido antigos Iluminados.

Na época do BUDA, a maior parte das praticas espirituais na Índia era voltada para se conseguir, ou um nascimento melhor na vida seguinte, ou a libertação do ciclo de nascimentos e mortes. Assim a idéia de reencarnação é fundamental na espiritualidade indiana é a força mtivadora da busca de libertação das vicissitudes da vida.

A iluminação do Buda foi tal que ele transcendeu os limites da cultura indiana. É nuclear no pensamento budista sua insistência em que ele oferece o despertar para verdades universais; além disso, seus métodos são concebidos de modo a guiar a pessoa para despertar por si mesma. Em principio, o despertar para a verdade da vida é potencial em todo mundo a qualquer momento e não depende do budismo. Este, portanto, é um meio de despertar. Foi por isso que o budismo se difundiu rapidamente por toda a Ásia, ao passo que outras religiões dependiam da cultura indiana [e, tipicamente, só se difundiram em função da militância geopolítica].

O despertar do BUDA tirou a ênfase da forma de escapismo e busca de si mesmo envolvida no esforço de sair do mundo de sofrimento e pesar. Grande parte da motivação religiosa pode ser analisada como mera aversão a experiências desagradáveis. A iluminação do Buda penetrou na origem do sofrimento pessoal, abrindo caminho à realização individual. O sofrimento humano nasce da interação de ódio, cobiça e ilusão, tudo isso enraizado na ilusão do ego [karma-ahmkara,lit.”produção do ego”]. Mas se o BUDA tivesse parado nesse ponto, teria sido apenas mais um defensor do pensamento positivo ou da higiene mental.

Por trás da máscara ilusória da personalidade oculta-se o fato do mistério de nosso ser, da força vital que nos dá vida. Assim sendo, em lugar de tentarmos escapar ao nosso ser, o BUDA defendia a descoberta da miraculosa maravilha de nós mesmos – despersonalizada e misteriosa.

A tradição budista/”despertalista”, desde mais ou menos o começo da era cristã, tem se concentrado numa questão:
=> como alcançar um despertar irreversível ou não-retrogradável. As experiências místicas não garantem uma transformação das respostas habituais, mentais e emocionais, à vida; a maioria delas tem efeitos que decrescem com o tempo. Os budistas MAHAYANA procuravam compreender como evoluir para versões mais plenas, mais completas, de suas potencialidades.
Em suma, buscavam dominar o estado desperto, visto que podemos comparar a experiência mística normal com um breve e fugaz momento de despertar, seguido novamente de um aprofundamento no estado de sono. A questão universal era “como despertar e ficar desperto”, ou “como não cair no esquecimento dos despertares que tivemos em vários momentos”.

O budismo é transmitido de instrutor para estudantes. No sentido mais profundo, nossa vida comum é o nosso instrutor. Neste particular, um outro aspecto em que o budismo não é uma doutrina indiana ou hindu é que ele não tem gurus. A veneração de um Guru ou Mestre é entendida como espiritualidade prejudicial e debilitante; e está mais bem resumida na máxima:
=> “se eu me tornar uma muleta para você, então você será um aleijado”.
A história das religiões está cheia de déspotas, ditatoriais, autoritários, que dirigem a vida dos outros. A transferência da síndrome da aprovação paternalista ao Maximo não garante nenhum real progresso em questões espirituais; mas o pior é que ela pode mascarar um verdadeiro comportamento regressivo.

Em japonês, o titulo SANSEI é usado para instrutores. Significando literalmente “que nasceu antes”, ele expressa a transmissão da sabedoria numa liberação viva, na aplicação de princípios iluminados à vida diária, de modo que esses princípios se tornem verdades vivas para o estudante. Como um exercício, a pratica espiritual só produz indivíduos sadios e ajustados quando é seguido de um programa regular e equilibrado.

O budismo, então, é um meio ou método para se alcançar iluminação. Seu despertar liberta o individuo das armadilhas de preocupações triviais, desabrochando-o para mais plena compreensão e apreciação da vida e envolvimento da mesma. A encruzilhada evolutiva que a humanidade enfrenta hoje em dia só pode ser resolvida com êxito se abordarmos os mistérios do nosso ser, reconhecendo as potencialidades evolutivas de cada pessoa. Se o budismo pode ser uma fonte de sabedoria viável e valiosa atualmente, isto se dá somente com relação ao despertar para os mais nobres ideais no seio de toda a humanidade.
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[Texto de Kenneth C.O’Neill_ Formado em Budismo pelo Instituto de Estudos Budistas de Bekerley, Califórnia. Recebeu ordenação e transmissão do Dharma do Templo Nishi Hongam, Kyoto, Japão]




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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

COSMICIDADE


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Cosmicidade é o UNO que abrange tudo. É a TOTALIDADE, tudo aquilo que possamos imaginar de físico e hiperfísico, material e espiritual;é o tudo do TODO. É a divindade Absoluta – REALIDADE - dos místicos. É Deus, o Supremo, dos religionistas. A mente Cósmica; a Alma Universal dos metafísicos.

Nada há fora da Cosmicidade. Tudo o que acontece está em “seu interior”; amor, ódio, atos de fraternidade, atos de atrocidade, guerras, etc.

Como explicar o Mal, perguntam alguns? O mal é a ausência do Bem. Quando se é o Bem, não há o mal. Tudo está em harmonia.

A Cosmicidade-Divindade-Totalidade é harmonia integral, não induz ao mal. Os seres humanos, com seu livre-arbítrio, é que decidem agir dentro da Lei Divina – Cósmica – ou não.
Quando agem fora dessa Lei Suprema, incorrem em erro e aí se manifestam a corrupção, as guerras, as desarmonias em geral; tudo o que é negativo e destrutivo no Homem.

Qual a finalidade do Homem na Terra? Sua finalidade é evoluir, desenvolver-se, despertar, conscientizar-se do que, realmente, ele é. O Homem é Divino em Essência. Traz a Divindade em seu âmago. Como disse Teresa de Ávila, o Homem tem Deus em sua alma. “Nele vivemos, nele nos movemos, nele Temos nosso ser”.

O homem cósmico, é aquele que vive em uníssono com a COSMICIDADE – a Lei Divina. Sendo a Cosmicidade o que inclui Tudo, também é a LEI TOTAL, o AMOR GLOBAL, A SABEDORIA CÓSMICA, DIVINA E INFINITA. Sendo a totalidade também é o cognoscível e o INCOGNOSCÍVEL. Não se pode conhecê-lo – é o eterno Desconhecido, porém conhecido através de suas manifestações ou criações, segundo alguns.

O Homem só pode SENTI-LO e não pode percebê-lo com seu sensor físico.

Apenas os místicos verdadeiros experienciam quase que totalmente. Isso porque o TODO contém as partes, mas nenhuma das partes isoladamente ou em conjunto pode abarcar o TODO. O INFINITO inclui os finitos - as partes – mas o finito não pode, não consegue incluir o Infinito – o Cósmico.

Houve um Homem Cósmico, um Místico, plenamente desperto e realizado – IESCHOUAH [Jesus]que manifestou a Divindade, Sua Cosmicidade, aqui na Terra. Quando afirmou “EU e o PAI Somos UM”, referiu-se a sua REALIZAÇÃO na COSMICIDADE [Alma Cósmica].

Ele pôde asseverar: “quem vê a mim, vê aquele que me enviou”. Que tremenda afirmação! Só um SER verdadeiramente realizado é que poderia dizer tal Realidade-Verdade-Totalidade! Jesus, como médico do corpo e da alma, fez inúmeras curas que só podemos explicar através de Sua vibração e irradiação Cósmicas.

A Cosmicidade irradiava-se, plenamente, de todo seu ser.

Somente quando expressamos AMOR [manifestação de Cosmicidade] é que seremos, realmente, seres cósmicos, cumprindo a vontade da TOTALIDADE. “Deus est Amor, Vida et Lux”; sejamos também LUZ, VIDA e AMOR para lucificarmos, vivificarmos e amorificarmos nossos semelhantes, nossos irmãos, e a nós próprios na COSMICIDADE.

[Texto de Paulo R.M. de Macedo]

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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A Cruz Mais Antiga do Mundo [“ANKH”]

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Talvez uma busca de significado tenha sido o que atraiu a atenção de tantas pessoas para um curioso símbolo conhecido como a CRUX ANSATA ou ANKH. “ANKH” era a palavra egípcia para CHAVE e significava “CHAVE DA VIDA”, ao passo que “CRUX ANSATA” é a interpretação latina para CRUZ COM ALÇA.

A ANKH é um valioso lembrete para muitas pessoas, porque corresponde, não apenas a vida, mas também ao universo. Há uma qualidade estética em sua forma combinando a cruz e a alça, que satisfaz, além dos nossos sentidos físicos, nossa natureza emocional, na qual está oculto seu significado profundo e simbólico.

Na cerâmica pré-dinástica que aparece no livro UMA HISTÓRIA DO EGITO, de JAMES H. BREASTED, há figuras de mulheres unindo as mãos acima da cabeça, como a representar essa alça. Mas não foi encontrado nada da real crux até setecentos anos mais tarde, na Quinta Dinastia – mais de dois mil anos antes de Cristo.

A partir dessa época, em que os reis egípcios eram conhecidos mais como construtores do que como guerreiros, a ANKH foi entalhada em baixos relevos, tumbas e cerâmica, na África, na Palestina e na Mesopotâmia, bem como em moedas e jóias do mundo inteiro.

Nunca foi encontrada alguma prova do significado objetivo da CRUX ANSATA, mas pouco se pode duvidar das idéias esotéricas por trás do objeto físico. Parece que ela tinha três aspectos, para os egípcios antigos, assim como havia três divindades básicas:
 a alça- caos;a exalação ou o espírito santo de Osíris [ que diz no Capitulo XLII do Livro Egípcio dos Mortos, “eu não posso ser pegado com a mão, mas sou aquele que pode te pegar em sua mão. (Salve) Ó OVO! (Salve) Ó OVO!]” -
 e as duas partes da cruz abaixo da alça; a dualidade do pensamento positivo e negativo a constituir a vontade de Osíris cruzada com a mente de sua esposa Isis.

Esse ovo cósmico da criação de fato se manifestava nos inúmeros personagens representados pelos diversos Deuses dos egípcios. Para eles, Osíris, Ísis, e seu filho Hórus, funcionavam do mesmo modo que seu Deus Sol – Ra, a energia criativa nutriente que deu vida a todas as coisas e as fez crescer. Sem começo nem fim, o eterno RA era representado por esse símbolo. Numa CRUX ANSATA, a história simples do GENESIS poderia ser transmitida ao longo da cruz do tempo.

Por falta de compreensão de idéias abstratas, a alma tinha de ser algo tangível para o egípcio comum. Como era impossível pensar em DEUS como uma energia impessoal dando vida a todos os seres, era necessário que os sacerdotes inventassem deuses correspondendo às idéias da criação:
 Osíris, senhor branco do mundo inferior;
 Ísis, a mãe que não carregava apenas uma ANKH, mas também seu filho Hórus;
 Hórus, Deus do SOL.

Dessa pitoresca trindade evoluíram as várias pessoas e os diversos nomes substitutos transmitidos através dos séculos. Os nomes e personagens mudavam, mas os conceitos eram sempre os mesmos.

Os egípcios aprendiam que um deus não era divino a menos que possuísse a chave da vida. Como os faraós representavam ‘ deuses ‘ eram em geral apresentados segurando uma ANKH na mão direita. Este símbolo, segurado por aqueles que eram considerados ‘dignos’, significa que quem estava com ele podia viver no mundo espiritual assim como no mundo físico.

A ANKH pode ter aparecido pela primeira vez quando o homem tomou consciência de si mesmo, pois ela simbolizava aquilo que podia se destacar do seu próprio ser e dizer, “EU SOU”. A principio, dada sua natureza ingênua, os egípcios usavam a ANKH para proteção contra animais selvagens e répteis. Posteriormente, quando eles se tornaram mais religiosos, passaram a colocá-la nas ataduras dos mortos, a fim de que também eles pudessem vaguear sem medo na vida póstuma. Os egípcios eram instruídos no sentido de que cada parte do corpo estava sob a influencia de certo amuleto. Como se acreditava a ANKH renovava a vida e tornava efetiva a ressurreição de toda a pessoa, ela passou a ser o amuleto mais reverenciado de todos. Significava que aquele que a usava alcançaria, não apenas “vida”, mas também a imortalidade.

Em sua Obra, DOUTRINA SECRETA, MADAME BLAVATSKY, nos diz que a CRUX ANSATA é uma outra forma do planeta Vênus; que este planeta é simbolizado por um globo sobre uma cruz e significa, esotericamente, que a humanidade e toda a vida animal se apartaram do circulo espiritual divino e caíram na geração de macho e fêmea. Isto é corroborando o Capitulo II de Gênesis, segundo o qual Deus formou Adão do pó da terra, depois que já tinha feito Adão e Eva, no sentido místico, no sexto dia.

Ísis, a Vênus egípcia, era a figura central nas peças e nos dramas cerimoniais que representavam a morte de seu esposo, Osíris. Sírius, a brilhante estrela de Ísis, marcava o começo do ano quando esses dramas eram realizados. Ás vezes Ísis segurava um lótus, símbolo da natalidade, numa das mãos, e uma ANKH na outra. E como a alça da cruz representava o OVO DA VIDA quer era SAGRADA para ela, os sacerdotes egípcios nunca comiam ovos.

Mais tarde, quando os sacerdotes foram convertidos ao cristianismo, SÃO MARCOS os incentivou a abandonar essas velhas crenças ‘ pagãs ‘. Eles cancelaram os dramas e os hieróglifos que os descreviam, e começaram a fazer escrituras partindo de uma combinação do alfabeto grego e de algumas formas antigas de letras egípcias. Substituíram os encantamentos e as vinhetas do LIVRO DOS MORTOS por frases mais atualizadas e eliminaram todos os amuletos e símbolos, exceto um – A CRUX ANSATA – que até hoje ainda é valorizada.

Carl Jung nos diz que um símbolo é um arquétipo da consciência universal que tem um tremendo impacto na pessoa, conforme o símbolo seja criativo ou destrutivo. Isto, naturalmente, é determinado por seu uso em gerações passadas. A contemplação de um símbolo como a ANKH, com suas conotações espirituais, não pode deixar de influenciar nossas relações com os outros de maneira benéfica.

Não apenas eleva e inspira pensar na vida eterna no outro mundo, mas a idéia de divindade é um guia para a iluminação aqui e agora. O grande poeta americano, Epes Sargent, escreveu: “a alma humana é como um passarinho numa gaiola. Nada pode prová-lo de seus anseios naturais, ou apagar a misteriosa lembrança de sua herança natural”.

Cada um de nós é, de certo modo, uma réplica da CRUX ANSATA, feita à imagem do conceito de Deus. Carregamos conosco a alça da divindade e a cruz da vida. Se combinamos as duas, ao invés de escolhermos uma ou outra, a relação se torna mais intima. Ninguém expressou isso melhor do que Jesus, quando disse:” o Pai e eu somos um”.

Como o gênio da lâmpada de Aladim, nosso circulo de luz criativa requer o estimulo de nossas idéias, para que possa nos servir. Não é de admirar que Osíris dissesse:;”[Salve]Ó OVO! [Salve] Ó OVO!”.

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Texto de Shirley A. Fischer.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O FIM DO MUNDO ? [Profecias]



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Primeira Parte _ Em termos Filosóficos...

Profecia...Que é? Previsão do futuro...que é? É possível “pré-ver”
Ver é uma função ‘imediata’,Eu vejo AGORA aquilo para que dirijo meu olhar. Como pode então essa função ser prévia?

E futuro...que é? Momento posterior a AGORA. Momento posterior...tempo...que é? FLUXO DE ALGUMA COISA? É o tempo uma
“coisa” que vai passando?Não. Duração de consciência? Consciência...que é? Percepção. Função também ‘imediata’.Percebo AGORA. Não posso perceber antes nem depois. Então, como posso ter consciência prévia?

Profecia...que é? Previsão do futuro. Então não pode ser da consciência...OBJETIVA. De que consciência então? Os Psíquica? Subliminar? Supraobjetiva? Fiquemos com ‘psíquica’.

Profecia, então, é previsão psíquica do futuro. Melhorou. Mas...do futuro? Existe isso, psiquicamente? Que é visão? Consciência ou percepção através da função de ver. A função de ver é imediata, a consciência é imediata, a percepção é imediata. A previsão psíquica do futuro é visão imediata do PRESENTE [dilatado? Expandido? Ampliado?]Presente...que é? Conjuntura. Situação atual. Conjunto de fatos e relações do momento. Fatos e relações...são imutáveis? Definitivos? Eternamente rígidos? Não. Nossa experiência como seres humanos no universo grita que não!

Então, profecia é visão psíquica e imediata de um presente MUTÁVEL. Esse presente psiquicamente percebido é o que é devido a fatos e relações do momento. E se os fatos mudarem? E se as relações mudarem? Então, profecia aponta uma TENDENCIA. Se os fatos não mudarem e as relações não mudarem, então “ acontece-rá”.

Fatos...relações...que são? Fato é tudo aquilo que existe ou acontece. Relação...ora, é “ rel-ação”. Ação entre dois ou mais fatores, de que decorre algum fato [ou alguns fatos].

Existem relações que não mudam? Sim. Chamamo-las de LEIS. [Leis Naturais, não decretos humanos].Relações fundamentais de causa e efeito. Conforme a causa, assim é o efeito... e o fato que decorre da relação de causa e efeito – da Lei.

Então, profecia aponta uma tendência do momento CONFORME A LEI. Pode a Lei mudar? Não. Mas há leis. Não uma só. Várias. E conforme sejam postas em ação podem mudar os fatos. São os fatos que decorrem das leis! Estas são imutáveis. Aqueles não.

Então, profecia “pré-Vê” fatos que podem mudar. Do contrário...determinismo, fatalismo! Então, desesperança, medo...por ignorância e egocentrismo.

Mas...fatos podem mudar...por si mesmos? “Que” ou “quem” pode mudar o jogo de leis que gera os fatos? Nós? Até que ponto? A que nível? Não podemos a partir de certo ponto ou certo nível?Então, se NÃO PODEMOS...somos ou estamos “transcendidos”!

Transcendidos...ultrapassados...superados em nossos limites. Ué...temos limites? Não? Que presunção! E que ignorância! Temos limites, sim, e os constatamos a todos instante. Isto é ‘natural’. Não podemos mudar fatos astronômicos,celestes, cósmicos? Isto é “natural”.Porque somos transcendidos.

Em que somos transcendidos? Na consciência objetiva. No EGO! E é só isso que somos...o ego? E é só isso que é o nosso ego... consciência objetiva?Não?Que mais, então? “Algo” – existência e consciência –subliminar, subconsciente. Que é isto? Registro de fatos passados [memória] e conjunto de “programas” preparados pela experiência passada no jogo das leis? Que mais? Nada? Então somos em NADA? Viemos do NADA? Então existe o nosso transcendente imediato e existe o TRANSCENDENTE remoto, profundo, primordial, eterno, infinito, imutável em si mesmo, que é fonte e sede de tudo! Então, somos profundos, primordiais, eternos, infinitos e imutáveis, nesse TRANSCENDENTE que é fonte e sede de tudo!

Profecia, então...que é? Visão do presente “dilatado” que aponta uma tendência do momento conforme a lei do SER TRANSCENDENTE em que somos e que é fonte – eterna e infinita – de tudo! Nossa vida, em nosso ser mais profundo [ou mais profundo do nosso ser], é eterna e infinita. Não no ego! O ego passa, no SER PROFUNDO que não passa. Isto é ‘natural’.

Então...mesmo que a tendência do momento profetizado não mude e destrua o ego - todos os egos! – nossa vida – eterna, infinita – há de persistir, inclusive em outros novos egos, neste ou em algum outro ponto deste universo imenso [infinito?]!

EM DEUS EU SOU!ETERNAMENTE AGORA E INFINITAMENTE AQUI! SEMPRE!


 Segunda Parte _ Em termos “Mais Diretos”...
Como ficou claro [?] no texto acima, uma profecia é uma percepção ‘psíquica’ de uma situação que, para a nossa consciência objetiva, é futura. Isto é, aceita a profecia como verdadeira – o que em si mesmo já é um problema – vai acontecer!
“Logicamente”, as pessoas tomam então como certo que vai acontecer. E se isso vai acontecer representa ou constitui alguma ameaça para o ego, então, “psicologicamente”, as pessoas se tomam de preocupação, medo ou, em caso extremo, desanimo, desesperança, desespero.

Uma profecia é verdadeira ou não. É de fato uma visão “psíquica do futuro”, ou uma “visão produzida pela mente” do vidente, como resultado até mesmo de um processo doentio. É difícil ou mesmo impossível, pelo menos em alguns casos, dizer se certa profecia é verdadeira ou não.(Não confundir verdadeira com logicamente válida, porque a lógica não constitui prova suficiente de verdade).Isso depende de verificação ou constatação, o que só pode ocorrer no momento “futuro”apontado pela própria profecia.

Temos assim de considerar duas alternativas:
[1] a profecia é verdadeira; e
[2] a profecia não é verdadeira.
No segundo caso, a profecia não merece consideração. No primeiro, depende, porque aqui surge uma questão muito interessante: é “boa” a profecia, ou é “má”? Isto é, aquilo que é previsto “vai” ser bom para nós ou ruim? Este ponto é extremamente relevante, porque é justamente aqui que surge o fator psicológico mencionado no primeiro parágrafo desta parte do artigo.

Em função da filosofia que clara [?] e concisamente expus na primeira parte deste artigo, nunca me interessei por profecias. Apesar disso, creio não errar ao afirmar que, via de regra, as profecias que mais despertam interesse são as de acontecimentos trágicos para nós. Essas são as que merecem particularmente a nossa atenção - não só porque se realizadas constituiriam um sofrimento para nós, mas também porque, mesmo não realizadas, fazem muita gente sofrer, por “preocupação e sugestão”.

Coisas maravilhosas tem acontecido no mundo – coisas muito boas. Tem elas sido profetizadas? E que interesse tem isso despertado? Coisas maravilhosas por certo vão acontecer no mundo. Foram ou estão elas sendo profetizadas? E que interesse tem isso despertado?

O fato é que profecias podem ser verdadeiras ou falsas, e”boas” ou “más”. Além disso,podem prever eventos que possam mudar ou eventos que não possam mudar. Se uma profecia é verdadeira [?] e “boa” ... ora viva! ... não preocupa e sua sugestão é construtiva. Se é falsa ]?] e “boa”,, só nos resta lamentar que não se cumpra... e tocar nossa vida em frente, assim como quem jogou na loteria e não ganhou. Se uma profecia é falsa [?] e “má”... que alívio! Mas se é verdadeira [?] e “má”... ai depende de que os eventos nela previstos possam ser mudados ou não. Podem? Então...mãos à obra! Porque somos nós que temos de mudá-los! E se não o fizermos seremos nós que iremos sofrer o cumprimento da profecia, e a natureza não irá chorar nem um pouco...Não podem? Aí caímos na clara [?] filosofia que expus concisamente na primeira parte deste artigo. Que fazer, então? Ora ... tocar a vida em frente! A VIDA!

Com preocupação? Sim, talvez com alguma justa preocupação com o ego – afinal, três dias de trevas, com total falta de energia e sei lá quantas coisas mais, de natureza tétrica, que andam profetizando para os nossos dias, haveriam de ser um sofrimento para o ego; dor é dor. Mas com preocupação com A VIDA! Porque esta vai continuar, mesmo que a nossa vida atual se extinga aqui e agora. Como ela é uma função “cósmica”, não pode deixar de continuar, AQUI E AGORA, SEMPRE, NO TEMPO-ETERNO!

Mas, se é justo que haja alguma preocupação com o ego – afinal, é nele que somos por enquanto - não é sábio nos entregarmos à sugestão negativa daquela profecia. Porque isso não nos aproveitará em nada. Se a profecia for falsa [?], teremos “envenenado”e prejudicado a nossa vida [no ego] à toa. Se for verdadeira [?], teremos vivido mal o tempo que nos tenha restado. Sem dúvida será mais sábio vivermos bem esse tempo, tão precioso, no estado psíquico positivo gerado pelo conhecimento, a vivencia interior e a confiança na VIDA, próprios da filosofia sucintamente apresentada na primeira parte – deste artigo – próprios da FILOSOFIA DE LUZ, VIDA E AMOR!

Terceira Parte – Em termos “Práticos”...
Em termos “práticos”...ora! Já disse: TOCAR A VIDA EM FRENTE! Porque vou me preocupar com o que “ não posso mudar”? Se não posso mudar ... NÃO POSSO MUDAR! Quanta coisa à minha volta “posso”mudar? [ Para melhor, é claro]. Na minha vida? Na vida da minha família? Na vida da sociedade de que sou parte integrante? É isso que é “tocar a vida em frente”: mudar o que posso mudar, enquanto posso mudar.

Ainda em termos “práticos” por que devo confiar necessariamente em profecias, sejam de quem forem? São verdadeiras essas profecias? Posso decidir? Além disso – no equivalente religioso à filosofia acima – acaso Deus não sabe o que está “fazendo”?[Ah...não é Deus? Somos nós que estamos fazendo? Ora, se somos nós que estamos fazendo, pois que façamos outras coisas, que sejam boas! Além disso...QUE SOMOS NÓS?]

Chegaram às nossas mãos alguns recortes de divulgações de profecias para os nossos dias – prevendo três dias de trevas e uma porção de outras coisas do gênero. Lendo-as, víamos o tempo todo, pairando por sobre as palavras impressas, outras palavras tenebrosas:espírito medieval, ignorância, superstição! Em pleno século XXI [E ainda nos orgulhamos de nossos progressos...progressos em que?]

E, se é verdadeira [?] a profecia, não nos esqueçamos de que SOMOS EM DEUS – ETERNAMENTE AGORA E INFINITAMENTE AQUI, SEMPRE!

[Texto de Zanelli Ramos, com adaptação]