sábado, 26 de dezembro de 2009

ORIGEM DAS TRADIÇÕES DO NATAL


Em todos os períodos da historia os homens tem esperado uma era de ouro que elimine as deficiências que parecem existir em suas vidas. Essa era veria a realização dos sonhos e aspirações mais caros aos homens. Profetas, religiosos e sábios há muito previam o advento dessa era, mas não concordavam quanto à época e ao local em que surgiria.

Os videntes religiosos e os profetas das tribos afirmavam que a era de sapiência seria iniciada por um Messias. O próprio titulo “Messias” referia-se ao advento duma personalidade extraordinária. Ele viria a ser o libertador da humanidade, agraciado por Deus com poder de iniciar uma nova era. Nessa esperança há na verdade uma ânsia subconsciente, que revela que os homens desejam contar com um poder superior que os ajude a vencer suas reconhecidas fraquezas.

A palavra “Messias” vem do hebraico. Traduzida literalmente, significa”o ungido”. Essa unção denotava que a pessoa fora consagrada a um poder divino, que lhe conferia o poder de realizar alguma missão. No Velho Testamento, todo rei judeu é mencionado como “Senhor ungido”. Entre os essênios, seu líder espiritual de Retidão, sendo considerado um Messias.

No Velho Testamento, o Messias quase sempre está ligado à descendência de Davi:Pensava-se que a Casa de Davi originaria um Messias, que libertaria o gênero humano dos sofrimentos do mundo. A palavra Cristo na “Septuaginta [*] grega equivale à palavra Messias do Velho Testamento.

Uma vez que essa palavra está ligada aos ensinamentos dos Essênios, é bom que teçamos breve consideração sobre esta seita. Os Essênios eram uma seita secreta que teve destaque pela primeira vez nas praias do Mar Morto. Afirma-se que tiveram origem no Egito. Posteriormente, a colônia ao longo do Mar Morto foi dispersa a outras áreas pelas legiões romanas.

Os essênios esperavam a vinda dum grande salvador. Acreditavam que ele nasceria no seio de sua própria organização, e que seria a reencarnação de um dos grandes líderes do passado. Freqüentemente os Essênios eram tratados por Gentios. Gentio era alguém que não fosse judeu ortodoxo, como não eram os Essênios. Aliás, qualquer individuo que não pertença a uma determinada religião pode ser chamado de ‘gentio’.

NASCIMENTOS IMACULADOS_
Acreditava-se que muitos Messias do passado [que fossem Avatares]tivessem nascido de virgens. Como mostrado em alguns escritos, a Índia teve vários mensageiros divinos que, segundo a tradição, teriam nascido por concepção divina. Um deles recebeu o nome de Krisna, ou Chrishma, o Salvador. Sua mãe teria sido uma virgem chamada ‘Devaki’ que, devido à sua pureza, teria sido escolhida para ser a mãe de Deus.

Existem relatos de que também o Gautama Buda teria nascido duma virgem chamada ‘Maya’. Na Tailândia, havia um Deus-Salvador chamado ‘Codom’, que teria nascido duma virgem, alguns relatos afirmam que ‘Hórus’ nascera da virgem ‘Isis’. Do mesmo modo, Zoroastro, da Pérsia, nascera duma virgem que fora impregnada por uma luz divina que a ela descera.

A noção do nascimento imaculado não é nova, sendo evidenciada por muitos exemplos. Ciro, rei da Pérsia, teria tido origem divina. Ele era chamado de Cristo, o filho ungido de Deus. Lembremo-nos de que ‘Cristo’ é um título, não um nome.

Muitas pessoas acreditavam que Platão, do Quinto Século a.C., era um excelso filho de Deus. Sua mãe teria sido uma virgem chamada ‘Perictione’. Apolônio, que viveu durante a primeira parte da vida de Jesus, teria nascido duma virgem. Conta-se que sua mãe fora informada em sonho que daria à luz um mensageiro de Deus. No mundo ocidental, os Maias de Yucatan tinham um Deus nascido duma virgem. Esse Deus correspondia a Quetzalcoatl, um deus principal, chamado Zamna. Esse nome significa ‘filho unigênito dum deus supremo’.

O MESSIAS CRISTÃO_
Para os cristãos, Jesus, o Cristo, é reconhecido como Messias. Existem várias versões quanto ao local em que Jesus nasceu. O evangelho sinóptico de Mateus diz que Jesus nasceu numa ‘casa’, não numa manjedoura:”E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe...” [Mateus 2:11]. Salientamos que Eusébio, primeiro historiador eclesiástico célebre, diz que Jesus nasceu numa caverna. Assim também diz Jerônimo escritor cristão do Quarto Século. A tradição e os registros essênios afirmam que o menino nasceu à Maria numa gruta essênia perto de Belém. A referência a essa gruta, naturalmente, poderia corresponder ao relato histórico da caverna.

As opiniões de várias autoridades exegéticas divergem quanto à época em que Jesus nasceu. Por exemplo, o Livro de Mateus nos informa que Jesus nasceu no reinado de Herodes. O autor do Livro de Lucas nos informa que Jesus nasceu quando Cirênio era governador da Síria, ou mais tarde. As autoridades exegéticas ou bíblicas afirmam que Cirênio foi governador da Síria duas vezes – de 4 a 1 a.C., e de 5 d.C. – e que durante a sua administração foi realizado um censo para fins de impostos.

Quanto à confusão de datas, não nos esqueçamos de que o próprio Novo Testamento, que nos fornece o relato do nascimento de Jesus, não ficou estabelecido senão após o Quarto Século - ou seja uns quatrocentos anos após o nascimento de Jesus. Nesse ínterim houve muita chance para a confusão de datas.

OS MAGOS_
No relato do nascimento de Jesus estão misturados fato, fantasia e mito. Em geral pouco se conta a respeito de quem era os Magos que levaram presentes a Jesus. Na verdade, o termo ‘Magos’ aparece pela primeira vez nas inscrições cuneiformes, isto é, antiga escrita em forma de cunha encontrada nos rochedos de Behistun. Essas inscrições foram feitas no reinado de Dario, rei da Pérsia, que viveu cinco séculos antes de Cristo.

Os Magos eram uma casta de medas, umas das tribos persas. Eram porém sacerdotes, isto é, uma casta sacerdotal da tribo, considerados como sábios e profetas. Podemos dizer que eram comparáveis aos brâmanes da Índia, uma classe religiosa intelectual. Os Magos remontam à antiga Judéia, mais de seiscentos anos antes de Cristo.

Na verdade, a palavra ‘magia’ se origina de ‘Magos’ que eram conhecidos por suas capacidades divinatórias e de interpretação de sonhos. Famosos pelo conhecimento de Astronomia e astrologia, previam acontecimentos observando os astros. Parte dos ensinamentos dos Magos proclamava a ressurreição futura do homem a uma vida sagrada após a presente. Tudo isto, naturalmente, diz respeito a séculos antes do nascimento de Jesus.

Todos nós conhecemos o relato bíblico da estrela do oriente e o significado que lhe foi atribuído. Astronomicamente, essa estrela é conhecida como ‘estrela de nascer helíaco‘ – que se eleva no horizonte pouco antes do nascer do Sol, sendo invisível à noite. Esse fenômeno já era conhecido séculos antes do nascimento de Jesus. Trata-se dum fenômeno natural, não sobrenatural.

Os antigos egípcios observavam o nascer helíaco de Sírius, conforme constatamos em seus relatos. Sírius é a mais brilhante das estrelas fixas. O nascer de Sírius ocorre a cada 365 dias e 6 horas. O fenômeno duma estrela helíaca se deve ao seu nascer no meridiano solar. A luz dos raios solares a torna invisível à medida que a manhã avança. Os antigos egípcios teriam orientado uma série de seus templos conforme a posição dessa estrela helíaca.

Muitos astrônomos acreditam que era essa estrela que os pastores nômades viram. Em todo o caso, essa estrela os impressionou profundamente, como fizera com os Magos. Aliás, muito antes da época de Jesus era costume que os Magos predissessem que nasceria um avatar sempre aparecesse um grande cometa. Antigos registros mitraístas falam de pastores aclamando o nascimento duma criança de origem divina em função de algum fenômeno celeste.

Nem todos os povos tratavam Jesus pelo mesmo titulo. A palavra ‘Messias é Christos’ em grego. Os gregos, porém, não lhe atribuíam o mesmo significado que os judeus. Para os gregos, Messias ou Cristo não passava dum titulo: Jesus, o Cristo. Os discípulos e Jesus referiam-se a Ele em aramaico como ‘Maran’, que significa Mestre. Os gregos, por sua vez,referiam-se a Jesus como “Kyrios”, que significa Senhor. Entretanto, o titulo “Senhor” referia-se anteriormente a muitas divindades do Egito, Síria e Ásia Menor.

JESUS É EDUCADO NO EGITO_
É interessante conhecermos a respeito da educação de Jesus. Ele aprendeu a ler os livros sagrados em hebraico quando ainda jovem. Seu idioma natal era o aramaico, falado pelos habitantes da Galiléia. A primeira influencia religiosa na vida de Jesus se deu em parte pelo judaísmo, que consistia nas leis dos profetas e na interpretação das escrituras. Naquela época, os fariseus eram uma seita intelectual do judaísmo;eram eles considerados instrutores. Era com os fariseus que Jesus entrava em longas discussões polêmicas.

Autoridades judaicas, bem como outras fontes, afirmam que Jesus estudou no Egito. O ‘Talmude’ judaico diz que Jesus esteve no Egito em sua juventude. Sem duvida nenhuma Jesus também foi instruído pelos Essênios. Como os estudiosos sabem, muitas das doutrinas de Jesus possuem correspondência com pensamentos e pregações anteriores, isto é, não são totalmente originais. Após a prisão de João pelos Romanos, Jesus retornou à Galiléia. Declarou então que chegara a época de cumprir sua missão. Passou a falar às multidões nas praias e nas montanhas. Jesus era chamado pelas massas de ‘Rabi’, que é um titulo adequado para alguém que é sábio e que é venerado pelas pessoas.

O Natal, naturalmente, é a Festa da Natividade. Essa festa ocorre atualmente em 25 de dezembro. De que modo ou por que essa data foi estabelecida? Os primeiros cristãos acreditavam que a criação do mundo tivera início no equinócio vernal. Por isso, a natividade de Jesus, ocorreria nove meses depois, ou em dezembro. É interessante observar que alguns dos antigos pensadores acreditavam que o nascimento de Osíris e de Adônis, o deus grego, teria ocorrido em 25 de dezembro.

O DIA DO NATAL_
As primeiras comemorações do Natal, porém, eram realizadas em 6 de janeiro. Em Roma, no Quarto Século, este costume foi deslocado pelo Papa Libério, que aprovava o dia 25 de dezembro. O dia 6 de janeiro, porém, foi mantido como Festa da Epifania, ou a Festa do Batismo. Até algum tempo depois, o Natal era comemorado no dia 6 de janeiro em Constantinopla, no Oriente, e em 25 de dezembro no Ocidente.

Existe ainda outra importante razão de o Natal ter sido estabelecido em 25 de dezembro. A Igreja Cristã desejava afastar a atenção dos cristãos do chamado festival pagão “Sol Invictus”. Isso significa “Sol Invisível”, sendo época de antiga celebração mitraísta, levada a efeito por volta de 25 de dezembro. Havia também a grande celebração ‘romana’, a ‘Saturnália’, a Festa de Saturno, que culminava por volta de 24 de dezembro. Sendo realizado na mesma época que as outras festividades, os cristãos desejavam que o Natal com elas competisse. Finalmente, no Quinto Século, um dos famosos concílios cristãos escolheu definitivamente a meia-noite de 24 de dezembro como começo do Natal.

COSTUMES NATALINOS_
Muitas das tradições que hoje associamos ao Natal não tiveram origem cristã. O berço do menino, tão difundido nas celebrações natalinas da Europa e da América Latina, foi tomado emprestado ao culto de Adônis. Adônis teria nascido numa caverna, e o berço de Adônis desempenhou importante papel nos ritos antigos.

O festival romano de Saturnália proveu o modelo para a maioria de nossos costumes natalinos. A Saturnália era comemorada entre 17 e 24 de dezembro. Essa era uma ocasião de alegria e contentamento gerais. Enquanto a festividade durava, as escolas ficavam fechadas e não havia punições a criminosos. Toda a distinção de níveis sociais e financeiros era posta de lado, e os escravos podiam sentar-se à mesa com seus amos. Todas as classes trocavam presentes. Presentes comuns eram velas de cera e bonecas de argila para as crianças. As pessoas usavam chapéus cônicos, acendiam velas e comiam doces.

O NATAL_
Outros aspectos do Natal originaram-se em países setentrionais. Os países teutônicos celebravam o Natal, fato que se tornou conhecido pelas sagas irlandesas. As festividades germânicas e escandinavas, mais ao sul, eram realizadas no solstício de inverno, por volta de 21 de dezembro. Por causa das trevas, esse período era considerado o final do ano, e acreditava-se que monstros e espíritos erravam à noite. Mais tarde, porém, essas figuras imaginárias foram transformadas em figuras cômicas visando à festividade.

Na Inglaterra primitiva, os costumes seguiam os da Satunália romana. As pessoas acendiam enormes velas em suas casas e atiravam à lareira um pedaço de lenha, que chamavam de ‘acha de natal’. Após as orações, havia musica, distribuição de maças e nozes, e brincadeiras como o jogo de cabra-cega. As casas e as igrejas eram adornadas com sempre-verdes, especialmente viscos, vestígios da religião céltica.

Não encontraram-se vestígios do pinheirinho de natal antes do Século Dezessete. Entre os povos escandinavos e teutônicos, porém, havia um culto à arvore: acreditavam que as árvores possuíssem um espírito, e que algumas sempre-verdes eram sagradas. Essas árvores eram decoradas, estando isso talvez ligado aos nossos pinheirinhos de natal. Os germânicos também comemoravam sua grande festa de natal, celebrando o ígneo disco solar. Esse era um período de doze noites, entre 25 de dezembro e 6 de janeiro.

O nosso ‘papai noel’ teve origem num santo popular da igreja romana: São Nicolau, que teria sido Bispo de Mira no Quarto Século A.D. São Nicolau tomou parte no Concílio de Nicéia. Sua popularidade repousava nos muitos milagres que lhe são tradicionalmente atribuídos. As pinturas sempre retratam o santo em trajes episcopais e carregando três bolas para presentes. Foi a proximidade da celebração da Festa de São Nicolau com o Natal que acabou resultando na combinação de ambos.

O USO DO AZEVINHO_
O uso do azevinho e de outras plantas para decoração natalina é remanescente das festividades teutônicas e da Saturnália. Os teutônicos eram um povo silvestre. Penduravam sempre-verdes dentro de suas casas, acreditando que elas os protegeriam dos espíritos da floresta. Na velha Inglaterra o azevinho espinhoso era considerado ‘masculino’ e o sem espinho ’feminino’.

Na antiga Boêmia, era costume comum no mês de dezembro assar-se pão e cortarem-se e distribuírem-se maçãs. Árvores frutíferas eram embrulhadas em pano branco para garantir um ano de sorte, isto é, uma boa colheita. O costume de acender-se velas na noite de Natal, advém dos costumes do Dia de Todos os Santos. Pensava-se que na noite desse dia os mortos visitavam a casa de seus parentes. Velas ficavam acesas em sua memória enquanto as pessoas iam à Igreja.
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[Texto Imperator]

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