sábado, 26 de fevereiro de 2011

Sócrates

A julgar pelo busto, salvo entre as ruínas da escultura antiga, Sócrates, mesmo para um filosofo, estava longe de ser belo. Calvo, rosto grande e redondo, olhos fundos e arregalados, um nariz largo e túrgido, indicativo da sua assiduidade em numerosos simposions – sua cabeça lembrava antes a de um carregador do que a do mais celebre dos filósofos. Mas se atentarmos melhor, veremos, através da bruteza da pedra, algo da humanitária bondade e da simplicidade natural que faziam daquele pensador de rude aspecto o amado dos mais distintos jovens de Atenas. Mui pouco sabemos sobre ele, embora mesmo assim o conheçamos mais intimamente do que a aristocrático Platão ou ao reservado e douto Aristóteles. Após dois mil e trezentos anos podemos ainda vê-lo com seu desajeitado sempre vestido com a mesma túnica surrada, a passear pela Agora, indiferente aos rumores políticos, reunindo no pórtico do templo os jovens encontradiços para lhes pedir a definição dos termos das coisas que afirmavam.

Era bem variado o bando desses moços exameantes em torno dele e que ajudavam a criar a filosofia européia. Havia-os ricos, como Platão e Alcebíades, que gostavam imensamente de sua analise critica da democracia ateniense; havia-os socialistas, como Antístenes, que apreciavam a pobreza despreocupada do mestre e dela faziam sua religião; havia-os também anarquistas, como Aristipo, que sonhavam um mundo sem senhores e escravos, onde todos fossem despreocupados e livres como Sócrates. Os problemas que agitam a sociedade atual e fornecem matéria para infindos debates entre os moços,  já interessavam também aquele pequeno grupo de pensadores e conservadores, que sentiam, tal qual o mestre, que a vida sem tais debates seria indigna de um homem. Cada escola de idéias sociais teve lá seu representante e, talvez, sua origem.

Como vivia o mestre, é coisa que dificilmente alguém poderá saber. Não trabalhava, nem se preocupava com o dia de amanhã. Comia quando os discípulos pediam lhes desse a honra de tê-lo as suas mesas; naturalmente apreciavam a companhia do filosofo, pois que Sócrates tinha ares de um homem bem alimentado. Em casa não o acolhiam benevolentemente; para sua mulher, Xantipa, ele era um mandrião imprestável, que dava a sua família mais notoriedade do que pão. Xantipa gostava de falar quase tanto com Sócrates e dos dois juntos deveriam ter travado interessantes diálogos que Platão deixou de registrar. Ela, contudo, amava-o e sofreu de vê-lo morrer, mesmo aos setenta anos.

Por que seus discípulos o veneravam tanto?
Talvez por ser tanto homem como filosofo: havia, com grande risco, salvado a vida de Alcebíades em uma batalha; e sabia beber como homem distinto – sem constrangimento e excessos. Mas sem duvida o amavam mais pela modéstia de sua sabedoria: Sócrates não proclamava tê-la e sim, procurá-la; era amador e não profissional da sabedoria. Conta-se que o oráculo de Delfos, com  excepcional bom senso, o declarara o mais sábio dos gregos; e ele interpretava estas palavras como aprovação do agnosticismo, que era o ponto de partida de sua filosofia – “Só sei uma coisa e é que nada sei.” A filosofia começa quando aprendemos a duvidar – especialmente a duvidar das nossas crenças prediletas, seus dogmas e axiomas.

Quem sabe se essas crenças prediletas se tornaram para nós certeza por causa de algum secreto desejo, que, vestido com a roupagem do pensamento, furtivamente as fez nascer? Inexiste verdadeira filosofia enquanto o espírito não se volta para examinar a si próprio. “Gnothi Seaunton”, disse Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo.”

Antes dele houve, naturalmente, outros filósofos; robustar mentalidades com Tales e Heraclito, espíritos sutis como Parmênides e Zenon de Eléia, ‘videntes’ como Pitágoras e Empédocles; mas em sua maioria foram filósofos físicos; procuravam conhecer a ‘physis’, ou natureza das coisas exteriores, e as leis e elementos componentes do mundo material e mensurável. Isto é muito bom, disse Sócrates; mas existe matéria infinitamente mais digna da meditação dos filósofos do que estas arvores e pedras e mesmo do que todas aquelas estrelas: é o espírito do homem. Que é o homem, e que poderá tornar-se?

Entrou a sondar a alma  humana, desvendando idéias preconcebidas e pondo em duvida suas convicções. Se os homens se referiam a justiça, ele, calmo, perguntava: - To ti? Que é isso? Que significais com as palavras abstratas, por meio das quais explicais tão facilmente os problemas da vida e da morte? Que compreendeis por honra, virtude, moralidade, patriotismo? Que compreendeis por vós mesmos? Era dessas questões morais que Sócrates gostava de tratar. Alguns dos submetidos a este ‘metodo socratico’, a estes pedidos de definições precisas e esclarecimentos das coisas e analise exata, redargüiam que ele mais perguntava do que respondia, deixando os espíritos mais confusos do que antes. Todavia Sócrates legou a filosofia duas respostas muito precisas a dois de nossos mais difíceis problemas: - Qual a significação de virtude?
– Qual o melhor governo?

Nenhum assunto poderia ter mais vital importância para os jovens atenienses daquela geração. Os sofistas lhes haviam destruído a primitiva fé nos deuses do Olimpo e no código moral que tão abundantemente tirava suas sanções do medo que os homens tinham daquelas onipresentes e inúmeras divindades; aparentemente não havia motivo para um homem não proceder com entendesse, uma vez que se mantivesse dentro dos limites traçados pelas leis. Um individualismo desintegrador enfraquecera o caráter ateniense, tornando por fim a cidade presa dos espartanos severamente educados. E, quanto as coisas publicas, que mais ridículo do que aquela exaltada democracia da populaça, aquele governo feito com discussões do povo, a leviana escolha, demissão e execução de generais, e a escolha sem seleção de lavradores e mercadores, por meio da ordem alfabética, para membros da suprema corte nacional? Como se desenvolver em Atenas uma nova moralidade natural, e como salvar o país?

Foi pelo responder a estas perguntas que Sócrates deveu a morte e a imortalidade. Os cidadãos mais antigos o honrariam se ele tentasse restaurar a velha fé politeísta, se houvesse conduzido seu bando de almas emancipadas aos templos e bosques sagrados e as fizesse novamente sacrificar aos deuses de seu país. Mas Sócrates sentiu que seria isso a estéril política do suicídio, um regredir para dentro dos túmulos, e não um progredir ‘por sobre os túmulos’. Tinha sua própria fé religiosa; acreditava em um Deus e esperava, com a humildade habitual, que a morte não o destruiria totalmente; [1]Cf. a história, de Voltaire, de dois atenienses conversando sobre Sócrates: “Ateu é quem diz que existe um só Deus”. Dicionário Filosófico, palavra ‘Socrates.’mas reconhecia não poder basear-se em tão incerta teologia um duradouro corpo de preceitos morais. Se fosse possível edificar um sistema de moral absolutamente independente das doutrinas religiosas, e com tanta autoridade para ateus como para crentes, poderiam então as teologias surgir e desaparecer sem afrouxar os vínculos morais que convertem indivíduos indisciplinados em cidadãos pacíficos de uma comunidade.

Se, por exemplo, ‘bom’ significasse ‘inteligente, e virtude significasse sabedoria; se se pudesse ensinar os homens a ver claro aquilo que é de seu verdadeiro interesse, a prever os remotos resultados de seus atos, a submeter a exame, e coordenar seus desejos, fazendo-os sair de um caos esterilizador e convertendo-os em harmonia criadora visando a um fim – isto, talvez, proporcionasse ao homem educado e artificializado a moralidade que para os iletrados se radica nos preceitos ouvidos, repetidamente e na observância das exterioridades. Porventura todos os pecados não passarão de erros, visões parciais das coisas e sinais de pouca idade de espírito? O homem inteligente pode ter os mesmos impulsos violentos e anti-sociais do ignorante; mas certo os refreará melhor, deixando mais vezes de imitar os animais. E numa sociedade inteligentemente dirigida – na qual se restitue ao individuo, com um aumento de suas faculdades, mais do que  a porção de liberdade que lhe foi tomada – todos os homens achariam vantagem em um bom e correto proceder social, e bastaria somente a boa vontade.

Mas se o governo é caos e absurdo, se impera sem auxiliar e ordena sem guiar – como poderemos persuadir aos indivíduos a obedecer as leis e a confiar os atos de seu próprio interesse nos limites do bem geral? Não admira que um Alcebíades se insurja contra um Estado que desconfia dos homens aptos e reverencia mais o numero do que o saber. Não é também de admirar exista o caos onde não há pensamento e que a multidão tome resoluções rápidas e ineptas para depois arrepender-se consternadamente. Não é superstição rasteira acreditar-se que a maior sabedoria depende da maior quantidade de pessoas?  Não se tem sempre visto, ao contrario, que as multidões são  mais insensatas, violentas e cruéis do que os homens isolados? Não é vexatório que elas se deixem guiar por oradores que ‘vão zoando frases em longos discursos como vasos de bronze que, percutidos, continuam a soar enquanto não se lhe encoste a mão? [1]Protágoras, de Platão, secc 329. Não há duvida que a direção de um país é matéria para a qual nunca os homens poderão ser assaz inteligentes, exigindo ao invés, toda a contribuição intelectual dos mais apurados espíritos. Como pode salvar-se ou ser forte uma sociedade a não ser quando guiada pelos mais sábios?

Imagine-se a reação do partido popular em Atenas a esse evangelho aristocrata num tempo em que a guerra exigia se silenciasse toda critica e quando a minoria rica e letrada estava a planejar um revolução. Avaliem-se os sentimentos do chefe democrático Anitos cujo filho se tornara discípulo de Sócrates, renegara em seguida os deuses de seu pai, e rira-se das idéias deste. Aristófanes não predissera exatamente esse resultado da substituição artificial das antigas virtudes pela inteligência anti-social? [2]
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[2]Em ‘As Nuvens’ [439 a.C] Aristófanes mete a bulha Sócrates e sua “Lógica da Filosofia”, onde se ensina a arte de dar razão a quem a tenha. Filipedes bate o pai no terreno em que este costumava batê-lo, ficando assim saldadas as contas. A sátira parece ter sido simples gracejo, pois vemos Aristófanes freqüentemente ao lado de Sócrates; ambos comungavam no mesmo desprezo da democracia; e Platão recomenda ‘As Nuvens’ a Dionísio. Como a peça foi representada vinte e dois anos antes do julgamento de Sócrates, não pode ter contribuído para acarretar o trágico desenlace da vida do filosofo.
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Sócrates levantou-se e dirigiu-se ao banheiro com Criton, que nos mandou ficar a espera; e esperamos, a conversar e a falar sobre...a grandeza da nossa dor; ele era como um pai de quem íamos nos ver separados, e teríamos de passar como órfãos o resto de nossa vida... Já se avizinhava então a hora do por do sol, pois se passara muito tempo desde que Sócrates se dirigiu a sala do banheiro. Ao sair sentou-se novamente conosco...mas não nos dissemos muita coisa. Em pouco entrou o servidor dos Onze...e se postou junto dele, dizendo: “A vós Sócrates, que reconheço ser o mais nobre, mais delicado e o melhor de todos os que tem estado neste lugar, não atribuirei sentimentos de outros homens, que se encolerizam e praguejam contra mim, quando, em obediência as autoridades, mando-os beber o veneno; tenho a certeza de que não vos enraivecereis, já que cabe a outros, não a mim, a culpa deste ato. Assim, eu vos saúdo e exorto a sofrer animosamente o que não pode ser evitado; conheceis a minha missão.” E nesse ponto, prorrompendo em pranto, voltou-se e retirou-se.

Vendo-o sair, Sócrates disse: “ Retribuo tua saudação e procederei segundo mandas”. Em seguida para nós: “Este homem é cativante; desde que estou preso, vem sempre ver-me e agora mostra-se generosamente condoído de minha sorte. Mas devemos fazer o que ele diz, Criton; que tragam a taça, se já prepararam o veneno; se não, que o faça o encarregado disso.”

Criton respondeu: “mas os raios do sol ainda luminam os cimos dos montes e muitos houve que toaram a bebida   mais tarde; e depois de a mandarem tomar, ainda os deixaram comer e beber e entregaram-se aos prazeres do amor; não vos apresseis, portanto; ainda não chegou a hora”.

Replicou-lhe Sócrates: “Sim, Criton, esses a que vos referes andaram bem procedendo assim, já que achavam proveitosa a demora; quanto a mim, tenho razão de não me portar desse modo, pois não julgo que lucre alguma coisa bebendo um pouco mais tarde o veneno; estaria a preservar uma vida que já perdi; com isso apenas me enganaria a mim próprio. Peço-vos, pois, que façais o que digo”.

Ouvindo estas palavras, Criton fez um sinal, a um escravi que se achava perto, o escravo afastou-se, em seguida voltou com o carcereiro a trazer a taça de veneno. Disse-lhe Sócrates: “meu bom amigo, como tendes experiência destas coisas, dizei-me como devo proceder”. O carcereiro respondeu: “Ponde-vos a andar até sentirdes as pernas fracas; deitai-vos após e o veneno produzirá seu efeito.” Ao mesmo tempo oferecia a taça a Socrates, que, do modo mais natural e gentil, sem o menor medo, nem mudança de cor ou de expressão, olhando fixamente o carcereiro, conforme era seu costume olhar os homens, tomou  a taça e disse: “Que achais da idéia duma libação a algum deus, derramando um pouco desta bebida? Posso ou não fazê-la?” O carcereiro respondeu: “nós, Sócrates, preparamos apenas a quantidade que julgamos necessária.” “Compreendo”, voltou o filosofo “mesmo assim devo pedir aos deuses que favoreçam a minha viagem deste mundo para o outro – e possa este meu desejo, que será a minha prece, ser atendido por eles.” Então, levando a taça aos lábios, bebeu rápida e corajosamente a cicuta.

Ate esse instante a maioria dos presentes conseguira dominar a própria dor; mas vendo-o começar a beber e por fim esgotar a taça, não mais nos pudemos conter; a despeito de meus esforços, o pranto borbotou-me dos olhos; cobri o rosto e chorei por mim mesmo. Pois não pranteava, certamente, por ele, e sim a evocação de minha desgraça de perder tal companheiro. Não fui o primeiro, pois Criton, sentindo-se incapaz de recalcar as lagrimas, levantou-se e retirou-se; eu acompanhei-o; e nesse instante Apolodoro, que estivera a chorar todo o tempo, prorrompeu em altos soluços, que acabaram de fazer-nos fraquejar. Unicamente Sócrates se mantinha calmo: “Para que tanto espalhafato?” perguntou. “Mandei que as mulheres saíssem, sobretudo para assim não procederem, pois ouvi dizer que um homem deve morrer em paz. Acalmem-se, e conformem-se”. Ouvindo tais palavras, sentimo-nos envergonhados e represamos as lagrimas; e ele pôs-se a andar, até que, conforme disse, as pernas começaram a fraquear-lhe; deitou-se então de costas, de acordo com as instruções recebidas; e o homem que lhe dera o veneno vez em vez observava-lhe os pés e as pernas; depois de algum tempo, apertou-lhe os pés com força e perguntou-lhe se o sentia; Sócrates respondeu: “Não”; e em seguida apertou-lhe as pernas, cada vez mais para cima,  e mostrou-nos que estavam frias e hirtas. E então Sócrates notou-lhes o estado e disse: “Quando o veneno chegar ao coração, será o fim de tudo”. Já começava a sentir  frio o baixo ventre quando descobriu o rosto (pois o havia velado) e disse – e foram as suas ultimas palavras -: Criton, devo um galo a Asclépio; não esqueça de pagar essa divida”. “Assim o farei, respondeu Criton. Mais alguma coisa?” Esta pergunta não obteve resposta, mas daí a alguns minutos viram-no estremecer. O carcereiro descobriu-o; tinha os olhos parados. Criton fechou-lhe as pálpebras e a boca.

Tal o fim do nosso amigo, a quem com verdade chamarei o mais sábio, o mais justo e o melhor de todos os homens que conheci.

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Sobreveio em seguida a revolução; os homens travaram, pró e contra, luta de morte. Vitoriosa a democracia, decidiu-se o destino de Sócrates: por mais pacifico que se houvesse mostrado, era ele o chefe intelectual dos revoltosos, e fonte da abominada filosofia aristocrática e o corruptor dos moços, a que, com suas discussões, embebedara. Melhor seria que Sócrates perecesse – disseram Anitos e Melitos.

O restante da história todos sabem, pois Platão o descreveu em prosa mais bela que a poesia. Temos a ventura de conhecer aquela simples e corajosa [se não lendaria] apologia ou defesa, na qual o protomartir da filosofia proclama o direito e a necessidade da liberdade do pensamento, põe em realce seu valor para o estado e se recusa a pedir mercê a multidão que sempre desprezara. Tinha ela poder para perdoa-lo; Sócrates desdenhou esse perdão. Era uma singular confirmação de suas teorias o quererem os juizes vê-lo absolvido, enquanto a turba, enraivecida, votava pela morte. Não havia ele negado os deuses? Infelizes os que ensinam aos homens mais coisas do que eles podem aprender...

Condenaram-no, por isso, a beber cicuta. Seus amigos foram a prisão e facultaram-lhe o meio fácil de evadir-se; haviam subornado a todos os funcionários a quem dependia sua liberdade. Sócrates recusou. Tinha então setenta anos de idade [399 a.C]; talvez julgasse ser tempo de morrer; melhor ocasião de morrer tão utilmente talvez nunca mais se lhe deparasse. “Mostrai-vos alegres”, exortou aos amigos que se entristeciam, “e dizei-vos que ides unicamente sepultar o meu corpo”. “Ao acabar de proferir tais palavras”, diz Platão num dos mais sublimes fragmentos da literatura do mundo [1] Fedon, ns. 116-118, trad. Inglesa Jowett.
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[Will Durant_Historia da Filosofia]

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Platão _O Ambiente _ Filosofia

Olhando um mapa da Europa observareis que a Grécia se assemelha ao esqueleto de uma mão a meter os dedos crispados no Mediterrâneo. Ao sul fica a ilha de Creta, onde aqueles dedos rapinantes empolgaram, no segundo milênio antes de Cristo, os primórdios da civilização e da cultura. Para leste, além do mar Egeu, demora a Ásia Menor, hoje tranqüila e apática, mas nos dias preplatonicos pletora de trafego comercial. A oeste, para além do mar Jônico, fica a Itália, como torre inclinada sobre o mar, e a Sicília e a Espanha, nas quais, naqueles tempos havia prosperas colônias gregas; e, por fim, as Colunas de Hercules [Gibraltar], sombria passagem que não muitos, dentre os antigos nautas, se atreviam a transpor. E para o norte, as regiões ainda inconquistadas e semibarbaras da Tessalia, do Epiro, da Macedônia, através das quais vieram as poderosas hordas incubadoras do gênio da Grécia de Homero e Péricles.

Olhando novamente o mapa, notareis as inúmeras reintrancias da costa e as elevações do terreno; por toda parte, golfos e baías, e o mar a intrometer-se pelas terras; e todo o solo a deprimir-se,a alterar-se formando montanhas e outeiros. A Grécia foi fracionadas por estas barreiras naturais do mar e do solo; as viagens e comunicações eram muito mais difíceis e perigosas do que agora; cada fração, portanto, possuía vida econômica própria, governo  independente e instituições, dialetos, religião e cultura peculiares. Quase sempre uma ou duas cidades e, em torno delas, galgando as vertentes das montanhas, zonas rurais interiores: tais as ‘cidades-estados’ de Eubéia, Leocris, Etolia, Focida, Beocia, Acaia, Argólida, Elida, Arcádia, Messenia e Lacônia – com sua Sparta – e Atica – com sua Atenas.

Observai pela ultima vez o mapa, atentando na posição de Atenas: dentre as cidades importantes da Grécia é a mais oriental. Achava-se favoravelmente situada para ser a porta por onde os gregos se dirigissem às cidades comerciais da Ásia Menor e estas cidades, mais antigas, fizessem penetrar seu fausto e cultura no seio da Grécia adolescente. Tinha um admirável porto, o Pireu, no qual inúmeros navios encontravam abrigo. E possuía ainda boa marinha mercante.

De 490 a 470 AC., esquecendo rivalidades e unindo forças, Sparta e Atenas reagiram contra a tentativa dos persas de Dario e Xerxes para converterem a Grécia em colônia de um império asiático. Nesta luta da jovem Europa contra o Oriente senil, Sparta forneceu o exercito, e Atenas, a armada. Finda a guerra, Sparta desmobilizou suas tropas e sofreu as naturais perturbações econômicas conseqüentes aquela campanha, ao passo que Atenas converteu sua armada em navios mercantes, tornando-se uma das cidades mais comerciais da antiguidade. Sparta recaiu na estagnação e insulamento da vida agrícola, enquanto Atenas se fazia mercado e porto de muito movimento, ponto de convergência de homens de numerosas raças e de diversos cultos e costumes, cujo contato e rivalidades provocaram paralelos, analise e reflexão.

As tradições e os dogmas se reduzem a um mínimo em tais centros de variado concurso de povos; onde existem mil crenças, propendemos a encarar com ceticismo a todas. Provavelmente os mercadores foram os primeiros céticos; com o muito que viam não podiam crer muito; e o pendor geral dos comerciantes a classificarem todos os homens como tolos ou velhacos, era de molde a faze-los por em duvida quaisquer credos. Gradualmente, também, desenvolvia-se entre eles a ciência; o cultivo das matemáticas tomara incremento com a crescente complexidade das transações mercantis; e o da astronomia, com as crescentes audácias da navegação. O acumulo das riquezas trouxe o lazer e a segurança – condições básicas para a investigação e as especulação; já os homens não se limitavam a pedir as estrelas que os orientassem nos mares; pediam-lhes também a explicação dos enigmas do universo; os primeiros filósofos gregos foram astrônomos. “Orgulhosos de suas realizações”, diz Aristóteles [Política], os homens empreenderam-nas muito maiores depois da guerra com os persas; dedicaram-se a todos os estudos e procuraram amplia-los cada vez mais. Em seguida, cobrando maior arrojo, tentaram dar explicações naturais a fenômenos e sucessos até então atribuídos a agentes e poderes sobrenaturais; a magia e os ritos cederam lugar a ciência e ao exame critico – e a filosofia nasceu.

Esta filosofia era, a principio, física; tinha por objeto o mundo material e procurava a ultima e irredutível substancia constitutiva das coisas. O remate natural desta espécie de especulações foi o materialismo de Demócrito [460-360 AC]:”nada existe, na realidade, a não ser atomos e espaço”. Esta foi uma das principais correntes da filosofia grega; conservou-se subtérrea algum tempo nos dias de Platão, para emergir com Epicuro [342-270 AC], e tornar-se torrente de eloqüência com Lucrecio [98-55 AC]. Entretanto, o mais característico e fertil desenvolvimento da filosofia grega corporificou-se nos sofistas, filósofos ambulantes que analisavam o intimo de sua própria natureza, de preferência ao mundo das coisas materiais. Eram, todos, muito hábeis [Georgias e Hipias, por exemplo]e, muitos deles, profundos [Protágoras, Prodicos]. Em nossa filosofia de hoje sobre o espirito e a conduta do homem, raro será o problema ou a solução que eles não tivessem conhecido ou discutido. Formulavam questões a respeito de tudo; mostravam-se a vontade na presença dos tabus religiosos ou políticos; e ousadamente traziam todas as crenças e instituições perante o tribunal da razão. Em política, dividiam-se em duas escolas. Uma, como a de Rosseau, asseverava que a natureza é boa e a civilização má; que pela natureza todos os homens são iguais, havendo–se tornado desiguais devido a instituição artificial das classes; e que a lei é uma invenção dos mais fortes para acorrentarem e dominarem os mais fracos. Outra escola [revivida em Nietzsche] proclamava que a natureza se acha além do bem e do mal; que naturalmente os homens são desiguais; que a moralidade é uma invenção dos fracos para limitarem e embaraçarem a ação dos fortes; que a dominação é a suprema virtude e o supremo desejo do homem; e que todas as formas de governo, a mais sabia e natural é a aristocracia.

Sem duvida este ataque a democracia foi o reflexo da ascensão duma minoria abastada em Atenas, a qual se denominava a si mesmo Partido Oligárquico e acusava a democracia de ser vergonhosamente inepta. De certo modo, não havia lá grande democracia a acusar, pois dos 400.000 habitantes de Atenas 250.000 eram escravos, sem quaisquer direitos políticos; e dos 150.000 homens livres ou cidadãos, só reduzido numero se apresentava na Eclésia, ou assembléia geral, onde as coisas publicas eram debatidas e resolvidas. Mesmo assim essa democracia mostrou-se tão perfeita e completa que jamais houve outra igual; o poder supremo era a assembléia; e a mais alta corporação oficial, o Dicasterio, ou corte suprema, se compunha de mais de mil membros [para tornar muito dispendioso o suborno], tirados na ordem alfabética da lista geral dos cidadãos. Nenhuma instituição poderia ter sido mais democrática nem, no dizer de seus antagonistas, mais absurda.

Durante a prolongada guerra peloponesica [430-400AC], na qual o poder militar de Sparta combateu e afinal derrotou o poder naval de Atenas, o partido oligárquico ateniense, dirigido por Critias, advogou o abandono da democria, pela sua ineficiência na guerra, e secretamente aplaudiu o governo aristocratico de Sparta. Muitos dos chefes oligarcas foram desterrados; mas quando os atenienses se renderam, uma das condições da paz spartana foi a repatriação desses aritocratas exilados. Mal haviam regressado, com Critias a frente, rompe a revolução dos ricos contra o partido ‘democratico’ que governava no decurso dessa guerra calamitosa. A revolução falhou e Critias foi morto no campo de batalha.

Ora, Critias era discípulo de Sócrates e tio de Platão.
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[Will Durant_Historia da Filosofia]

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

10 Teorias sobre os Aliens

A criação da vida na Terra permanece um mistério. Apesar das várias explicações e teorias sobre a expansão da vida humana no planeta, a maioria dos conceitos acaba caindo em ensinamentos religiosos, ou em algum poder divino ou espiritual. A impossibilidade de vida alienígena parece bastante sólida para muita gente, mas a esperança é a última que morre e imaginação não falta aos humanos. Segundo algumas teorias dessa lista – às vezes absurdas –, os ETs estão conosco já faz um tempo. Confira:

1) Nossos criadores alienígenas
Não é de hoje que algumas pessoas acreditam que os ETs ajudaram a popular a Terra. A primeira teoria do tipo, de Erich von Däniken, chamou a atenção em 1968, mas o conceito existe desde meados do século 19. A população humana teria sido influenciada por um grupo de extraterrestres que visitaram o planeta no passado. Eles estavam diretamente envolvidos na evolução dos primatas, incluindo humanos, através de engenharia genética e/ou cruzamento, ajudando no desenvolvimento das culturas, tecnologias e religiões humanas. Uma variante comum da ideia inclui propostas que as divindades das diversas religiões, incluindo os anjos e demônios, são na verdade extraterrestres, que as pessoas acreditaram serem seres divinos graças às suas tecnologias avançadas. A teoria afirma que os extraterrestres propositadamente enganaram a população humana para acreditar que eles eram deuses, criando a religião para ajudar as pessoas a evoluírem de forma mais eficiente. O “paradoxo de Fermi” é a aparente contradição entre as estimativas de alta probabilidade da existência de civilizações extraterrestres e a falta de evidências a favor, ou de contato com, tais civilizações. Foi proposto que, com a idade atual do universo e seu vasto número de estrelas, se a Terra era típica, a vida extraterrestre deveria ser comum. Em resposta a este paradoxo, a “hipótese zoológico” tem sido sugerida. Ela afirma que os ETs evitam que sua presença seja conhecida pela humanidade, ou evitam exercer influência sobre o desenvolvimento, algo semelhante a um tratador que observa animais em um zoológico. Os adeptos da hipótese acham que a Terra e os seres humanos estão sendo secretamente examinados. Um manuscrito de 1915, de Charles Fort, o romance “X”, descreve como os seres de Marte controlam eventos na Terra. O manuscrito foi queimado, mas uma citação que sobreviveu dá gás a teoria: “A Terra é uma fazenda. Nós somos propriedade de alguém”.

2) Anjos e demônios
A ideia de antigos ETs gerou uma religião chamada Raëlism. O Movimento Raeliano ensina que a vida na Terra foi cientificamente criada por uma espécie de extraterrestres, que eles chamam de Elohim. Os membros do Elohim apareceram para os humanos e foram confundidos com anjos, querubins, ou deuses. A Bíblia está repleta de relatos de anjos e demônios. O texto menciona milhões de anjos e suas experiências na Terra e nos céus. Na tradição cristã, os demônios são semelhantes aos anjos: espirituais, imutáveis e imortais. Os livros relatam que um grupo de 200 anjos rebeldes, ou Vigilantes, deixou o céu e desceu à Terra para se casar com mulheres humanas e ter filhos com elas. O Alcorão também descreve uma história de anjos. Um dos anjos foi Iblis (Satanás/Lúcifer), que se rebelou e foi expulso para a Terra, onde criou um desentendimento entre a humanidade. A ideia da intervenção alienígena na Terra também pode ser encontrada na moderna filosofia religiosa de Thelema. Thelema foi desenvolvida pelo escritor britânico Aleister Crowley. O Livro da Lei seria um ditado direto de uma entidade chamada Aiwass, que Aleister identificou mais tarde como seu próprio Santo Anjo da Guarda. A religião está fundada na ideia de que o século 20 marcou o início do Aeon de Horus, em que um novo código ético seria seguido: “Faze o que tu queres, há de ser tudo da lei”.

3) Os homens de preto
A hipótese extraterrestre é a teoria de que alguns objetos voadores não identificados (OVNIs) são mais bem explicados como sendo alienígenas. A ideia parece simples para os seres humanos modernos, mas é um conceito relativamente novo, que se originou dos “avistamentos de discos voadores” nos anos 1940-1960. Um dos temas emergentes nesses eventos é dos Homens de Preto. Os Homens de Preto são homens ou alienígenas, vestidos em ternos pretos, que assediam ou ameaçam testemunhas de OVNIs para mantê-las quietas sobre o que viram. Na maioria dos casos, os homens dizem ser agentes do governo, mas frequentemente sugerem que eles próprios podem ser alienígenas. As pessoas que relataram ter encontrado os homens de preto muitas vezes os descrevem como homens de baixa estatura, com uma tez bronzeada e profundamente escura. Eles sempre parecem ter informações detalhadas sobre a pessoa, como se o indivíduo estivesse sob vigilância durante um longo período de tempo. Eles têm sido descritos como parecendo confusos com a natureza de elementos cotidianos, tais como canetas, utensílios de cozinha ou alimentos, e utilizam gírias ultrapassadas. Eles costumam se identificar, mas quando a pessoa verifica a identificação, descobre que o nome não existe ou está morto por algum tempo. Outras características que definem os homens de preto são sorrisos largos e gargalhadas desconcertantes. Alguns pesquisadores sugerem semelhanças entre os Homens de Preto e contos demoníacos. Os seres são uma manifestação moderna do mesmo fenômeno que antes era interpretado como o diabo, ou encontros com fadas. O termo “homem negro” tem sido usado há séculos em referência ao diabo. Durante a Idade Média, o negro não era uma pessoa com características africanas, mas sim um homem vestido de preto. Nos tempos modernos, um outro fenômeno conhecido como “o homem sorridente” tornou-se associado com os homens de preto, e vários relatórios de atividade paranormal. Estas criaturas são maiores e caracterizam-se por um rosto sorrindo largamente. Na maioria dos casos, as pessoas descrevem uma estranha sensação de não serem capazes de focalizar o homem sorridente.

4) Desenvolvimento tecnológico
Durante a Segunda Guerra Mundial, pilotos de aviões descreviam vários OVNIs e fenômenos aéreos misteriosos nos céus europeus e no centro de operações do Pacífico. No rescaldo da guerra, o mundo entrou numa era de avanço técnico significativo. Um exemplo é o Lockheed SR-71 Blackbird, um avião americano desenvolvido no início dos anos 1960. A aeronave de reconhecimento estratégico detém atualmente o recorde de velocidade no ar. Em 1976, o SR-71 Blackbird atingiu 3,529.6 km/h. A embarcação foi tripulada por Eldon W. Joersz durante o vôo de registro, mas é altamente capaz de decolar e pousar sem assistência. Nos tempos modernos, organizações alegam a existência de um governo mundial de “acobertamento” de informações relativas aos objetos voadores não identificados e encontros com extraterrestres. As pessoas alegam que os avanços técnicos que os seres humanos têm experimentado desde a Segunda Guerra Mundial foram alcançados com a ajuda de extraterrestres. O desenvolvimento de armas nucleares despertou um interesse crescente no caminho evolutivo da humanidade, levando a uma era de abduções e avistamentos. Alguns apontam para as previsões globais de perturbações climáticas e apocalipse, identificando-as como um precursor para a intervenção secreta extraterrestre na Terra.

5) Cabelo de anjo
Cabelo de anjo é uma substância que “cai” de OVNIs. É descrito como sendo parecido com uma teia de aranha ou uma gelatina. O cabelo de anjo foi relatado em aparições da Virgem Maria. Esse fato tem intrigado os antigos crentes de alienígenas, e tem sido usado como uma possível indicação da influência extraterrestre em relatos de avistamentos da Virgem Maria e Jesus. Relatos históricos afirmam que a substância se desintegra, ou evapora, em um curto espaço de tempo. Uma teoria é de que a substância é “ar ionizado de um campo eletromagnético” que circunda uma nave. O incidente mais relatado de cabelo de anjo ocorreu em Oloron, França, em 1952. O evento foi caracterizado por uma grande quantidade de avistamentos de aeronaves sem explicação. Em novembro de 1959, na cidade de Évora, Portugal, o cabelo de anjo foi coletado e analisado por técnicos das forças armadas e cientistas da Universidade de Lisboa. Conclusões diziam que a substância era tão avançada que poderia ser um organismo unicelular, um produto vegetal, não animal. As pessoas têm ligado referências da Bíblia ao fenômeno. “Pó de pirlimpimpim” também já foi relacionado. A partir do século 14, os humanos começaram a mencionar uma substância gelatinosa chamada estrela de geléia, uma gelatina transparente ou branco acinzentada, que tende a evaporar-se logo após a queda. No passado, a substância estava conectada a chuvas de meteoros. Há também a “grama de anjo”, que ocorre quando curtos fios metálicos caem ao chão, entrelaçados. No entanto, esse fenômeno tem explicação, e vem de certos aviões militares.

6) Greys
Greys são uma espécie alienígena, a mais amplamente associada com o fenômeno da abdução, pois realizam experiências médicas em seres humanos. A teoria é de que eles são diferentes em muitos aspectos, incluindo sua natureza, disposições morais, intenções e aparência física. Uma descrição comum são seres de pequeno porte, assexuados, com a pele cinzenta lisa, cabeça e olhos grandes. Lembram humanóides que possuem formas reduzidas, ou uma falta completa de órgãos humanos externos, tais como nariz, orelhas ou órgãos sexuais. As pessoas têm relatado dois grupos distintos de Greys, um sendo muito mais alto. Isto levou à sugestão de que os Greys menores não são biologicamente vivos, mas sim robôs “servos”. Os relatos de encontros com Greys compõem aproximadamente 50% na Austrália, 43% nos Estados Unidos, 90% no Canadá, 67% no Brasil, 20% na Europa Continental, e 12% na Grã-Bretanha . Foi proposto que o planeta desses seres está localizado no sistema da estrela Zeta Reticuli. É dito que os Greys costumam olhar nos olhos para induzir estados alucinógenos ou diretamente provocar emoções diferentes nas pessoas. De acordo com o biólogo reprodutivo inglês Jack Cohen, a imagem típica de um Grey, uma vez que teria evoluído em um mundo com diferentes condições ambientais e ecológicas da Terra, é muito fisiologicamente semelhante a um ser humano para ser crível como uma espécie alienígena. Isso ainda levou à teoria de que esses seres extraterrestres tiveram influência sobre a evolução da vida na Terra no passado distante, ou que eles são uma antiga raça de humanos que foi forçada a abandonar o planeta, mas que ainda o visita.

7) Mutilação animal
Mutilação de gado, ovelhas e cavalos é um fenômeno que ocorre sob circunstâncias excepcionais ou anômalas. Uma característica marcante desses incidentes é a natureza cirúrgica da mutilação. As criaturas são frequentemente encontradas completamente sem sangue, faltando órgãos internos. Não há nenhum ponto óbvio de incisão. Outra ocorrência estranha é que os corpos dos animais são encontrados abandonados em uma área onde não há marcas ou pegadas perto da carcaça, mesmo quando o corpo é encontrado em terreno macio ou lama. As feridas do tipo cirúrgicas observadas parecem ser feitas por calor intenso e um instrumento muito forte e preciso. Muitas vezes, a carne é removida do osso de forma exata, como ao redor da mandíbula. O primeiro caso relatado de mutilação ocorreu perto de Alamosa, Colorado, EUA, em 1967. O evento envolveu uma égua chamada Lady, que foi descoberta com a cabeça e o pescoço esfolado. Os cortes na égua eram muito precisos e nenhum sangue foi encontrado. Segundo o proprietário do animal, havia um cheiro medicinal forte no ar que rodeava o cadáver. 15 marcas circulares afiladas foram perfuradas no solo. Esta prova foi descoberta em uma área de quase 5 mil metros quadrados. Similar a outros casos de mutilação de animais, a área circundante ao animal mostrou um aumento nos níveis de radiação. Os animais mutilados são evitados por predadores de grande porte, tais como coiotes, lobos, raposas, cães, gambás, texugos. Da mesma forma, animais domésticos ficam visivelmente agitados e com medo da carcaça. Segundo análises, quase 90% do gado mutilado têm entre 4 e 5 anos de idade. Testes mostram que os animais tinham níveis anormalmente elevados ou baixos de vitaminas ou minerais, e presença de produtos químicos normalmente não encontrados neles. Em um caso envolvendo uma vaca mutilada, as amostras de fígado do animal foram encontradas completamente desprovidas de cobre e contendo quatro vezes o nível normal de potássio, zinco e fósforo. Várias hipóteses têm sido escritas, sugerindo que as mutilações de gado são cometidas por ETs que estão recolhendo material genético para fins desconhecidos. Alguns sugerem que, como vacas formam uma parte significativa da dieta humana global, um estudo está sendo realizado sobre este elemento da cadeia alimentar humana.

8 ) Teoria da Nave da Lua
Ao longo dos anos, tem sido atribuída à nossa lua algumas características estranhas. A lua é o quinto maior satélite natural do sistema solar. Acredita-se que foi criada por um impacto gigante entre a jovem Terra e um corpo do tamanho de Marte. A lua está, aparentemente, na órbita errada para o seu tamanho. Dados indicam que as regiões do interior da lua são menos densas do que as externas, o que dá origem à especulação inevitável que ela poderia ser oca. Algumas dessas reclamações vêm do fato de que quando os meteoros atingem a lua, ela treme como um sino. Em julho de 1970, cientistas propuseram a Teoria da Nave da Lua. As alegações da teoria pseudocientífica são de que a lua da Terra pode ser uma nave alienígena. Ela seria um planetóide oco criado por seres desconhecidos com tecnologia muito superior a qualquer outra na Terra. Grandes máquinas teriam sido usadas para derreter rochas e formar grandes cavidades no interior da lua. Ela seria uma concha com uma camada externa feita a partir de escórias metálicas rochosas. A nave teria sido então colocada em órbita ao redor da Terra. Os defensores da teoria destacam fotos de OVNIs tiradas pela NASA em missões à lua e constatações de asteróides e meteoros que só criam crateras rasas na superfície da lua, e produzem um piso convexo até a cratera, em vez de côncavo como o esperado, reforçando a ideia de uma concha rígida. A lua também parece ser muito mais antiga do que se esperava, talvez até mais do que a Terra ou o sol. A idade mais antiga da Terra é estimada em 4,6 bilhões de anos, enquanto rochas lunares foram datadas em 5,3 bilhões de anos. A composição química do pó das rochas é muito diferente das próprias rochas. Isso indica que a superfície lunar pode ter sido transferida de outro lugar. A crosta da lua é um mistério. Quando a NASA registrou uma perfuração a poucos centímetros na superfície da lua, parecia que lascas de metal eram visíveis. A lua da Terra também é o único satélite natural do sistema solar que tem uma órbita circular quase perfeita. Como explicar a coincidência de que a lua está exatamente na distância certa para cobrir completamente o sol durante um eclipse? Para finalizar, os astrônomos profissionais foram gradualmente desencorajados de investigar um fenômeno que tem sido relatado na lua por mil anos. É uma alteração de luz, cor e outras aparências, de curta duração, conhecido como fenômeno transitório lunar.

9) Milagre do Sol
A partir de maio de 1917, três crianças da cidade de Fátima, Portugal, começaram a descrever uma mulher, que ficou conhecida como Nossa Senhora de Fátima. A mulher era mais brilhante que o sol, derramava raios de luz mais claros e mais fortes do que uma bola de cristal, atravessados por raios do sol. O ser sempre aparecia para as crianças no dia 13, por seis meses consecutivos em 1917, com início em 13 de maio. De acordo com Lúcia Santo, 10 anos, a mulher confidenciou às crianças três segredos, agora conhecidos como os três segredos de Fátima. Em três ocasiões diferentes, antes do Milagre do Sol, as crianças relataram que a mulher lhes havia prometido que iria, em 13 de outubro de 1917, revelar sua identidade e fazer um milagre para que todos acreditassem. Em 13 de outubro de 1917, o Milagre do Sol foi testemunhado e relatado por 50.000 a 100.000 pessoas nos campos de Cova da Iria, perto de Fátima, Portugal. De acordo com muitas declarações, depois de uma queda de chuva, as nuvens escuras sumiram e apareceu um sol opaco, como um disco giratório no céu. Era significativamente mais maçante do que o normal, e lançava luzes multicoloridas. Diz-se que seus raios resvalaram a Terra em ziguezague. As roupas das pessoas, antes molhadas, ficaram completamente secas de repente, bem como o chão molhado e lamacento. O evento durou aproximadamente dez minutos. O Milagre do Sol foi marcado por uma grande quantidade de cabelo de anjo sobre a Terra. Os três segredos que a mulher confiou às crianças têm sido altamente controversos na Igreja Católica, e foram revelados ao público em diferentes períodos de tempo. O Primeiro Segredo teria sido uma visão do inferno. O Segundo Segredo foi uma declaração de que a Primeira Guerra Mundial iria terminar, bem como a previsão da Segunda Guerra Mundial. A segunda metade do segredo inclui informações sobre a Rússia e pede que se torne consagrada ao Imaculado Coração. Nota-se que o Segundo Segredo não foi revelado até 1941, após a Segunda Guerra Mundial ter começado. A maior parte da controvérsia, no entanto, é com o Terceiro Segredo, que foi revelado em 2000 e inclui informações sobre a perseguição dos cristãos no século 20, que culminou com o atentado falhado contra o Papa João Paulo II. Porém, referências históricas para o Terceiro Segredo indicam algo totalmente diferente, com informações sobre o apocalipse, uma grande apostasia, e infiltração satânica na Igreja Católica. Se você não está familiarizado com o termo, apostasia é a desfiliação formal, ou abandono de religião por uma pessoa.

10) Fotografia do homem do espaço em Solway Firth
Em 23 de maio de 1964, o bombeiro Jim Templeton tirou três fotos de sua filha de 5 anos durante uma viagem para Burgh Marsh, com vista para o Solway Firth em Cumbria, na Inglaterra. As únicas pessoas relatadas na área pantanosa aquele dia eram um par de velhas senhoras, e animais muito longe da localidade da foto. Na segunda imagem da menina, uma figura branca pode ser vista no que parece ser um traje espacial. Jim insiste que ele não viu a figura até que suas fotografias foram reveladas. Analistas da Kodak confirmaram que a foto era genuína. Até este dia, a imagem permanece inexplicada e uma fonte de fascínio internacional. Quando a foto foi tirada, em 1964, os trajes espaciais humanos estavam em sua infância. Após o lançamento nacional da fotografia, Jim Templeton afirmou que foi visitado por dois homens que disseram ser do governo. Os homens tentaram fazer com que ele admitisse que havia fotografado uma pessoa, mas ele se recusou. No mesmo período de tempo que a foto foi tirada, um lançamento de míssil foi abortado por causa de dois grandes homens que foram testemunhados no campo de tiro. Os técnicos relataram que eles se assemelhavam ao homem espacial de Solway Firth. Ufólogos têm usado a fotografia como prova de que vida extraterrestre influenciou o programa espacial moderno, incluindo trajes espaciais. [Listverse]

[Fonte.: hypescience.com]

Acelerador LHC dará força a teoria unificadora da física

O físico e matemático americano Edward Witten é hoje um dos principais nomes da teoria das cordas: uma ideia antiga da física que afirma que as menores unidades formadoras da matéria e da energia (incluindo a luz) são cordas vibratórias.

Apesar de ainda não ser comprovada, já que as cordas nunca foram "vistas", Witten aposta que a teoria terá avanços significativos nos próximos anos.

O cientista ficou conhecido internacionalmente ao encabeçar uma revolução recente na física teórica. Ele e seus colegas uniformizaram cinco variantes das cordas, em 1995, ao criar a "teoria M", considerada a versão mais robusta da ideia. Enquanto esteve no Brasil para um curso no Instituto de Física Teórica da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Witten disse que os aceleradores de partículas, como o LHC, poderão validar a teoria em breve --um grande passo para uma visão definitiva das leis que regem o Universo.

O sr. é hoje um dos principais nomes da teoria das cordas. Como explica as cordas e o fato de não haver ainda comprovação para ela?
Edward Witten - Na física moderna, há duas teorias importantes: a mecânica quântica, que trata dos átomos e das partículas subatômicas, e a teoria da relatividade, de Albert Einstein, que trabalha as grandes escalas do Universo. As cordas são uma tentativa de unir essas duas teorias a partir de um modelo único que descreva, com eficiência, as diferentes forças da natureza [a teoria das cordas descreve a formação da matéria ao afirmar que a menor unidade da matéria são "cordas" em movimento].

Mas há quem diga que as cordas são quase uma "profecia", já que não há dados experimentais sobre elas.
A teoria não tem nada de profética. Alguns cientistas não a entendem direito e não compreendem porque ela ainda não foi comprovada. Outras teorias da física, como a mecânica quântica, estão mais desenvolvidas. Só isso.

Essa comprovação virá pelos experimentos com os aceleradores de partículas?
A teoria das cordas tem mais de 40 anos, mas ainda faltam algumas explicações. Os aceleradores de partículas como o LHC [o acelerador de partículas mais potente do mundo, que fica em Genebra, na Suíça] podem explicar a natureza e revelar indícios de outras dimensões. Por isso, poderão contribuir para explicar as cordas.

As cordas [conforme postulado pela teoria] vibram em 11 dimensões, sendo três dimensões espaciais, a dimensão do tempo e outras tantas que não conseguimos perceber. Os aceleradores podem mostrar isso. Eu conheço alguns cientistas que trabalham no LHC, e temos mantido contato. Não acho que a comprovação da teoria venha em dez anos, como dizem por aí. Nem sei de onde veio a ideia de "dez anos". A comprovação pode vir antes.

A teoria também trata da origem da matéria. Por que existe uma obsessão para explicar o começo de tudo?
Porque isso é realmente fascinante. Há muitas perguntas sem resposta. É normal que a gente queira achar respostas, e existem muitas possibilidades sendo levantadas. Há físicos que dizem que o Universo está dentro de um buraco negro. Não há evidências suficientes para isso, mas a ideia faz sentido. Se o Universo estiver num buraco negro, ele será o máximo que você conseguirá enxergar. E, como os buracos negros são realmente muito grandes, sim, nós podemos estar dentro de um deles.
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[Fonte: CFSP]

A Cabala

Muitos daqueles que se empenharam em apreender o significado da Cabala e expandir sua filosofia falharam porque tornaram complexo o que era simples, tanto por confundirem exposição com interpretação, como por considerarem parte da Cabala informação que, essencialmente, não guardava para com ela qualquer relação.

Talvez você conheça o conto de Andersen.:” A Veste do Imperador”. Nesse conto, certos alfaiates insidiosos, por meio de um elaborado engodo, levaram o Imperador, bem como sua Corte e seus súditos, a acreditar que ele estava vestido com suntuosos trajes, quando, na realidade, ele não vestia coisa alguma além de sua roupa de baixo. Só a simplicidade da mente de uma criança pode perceber o engodo. Algo parecido tem ocorrido com o estudo da Cabala. Estudiosos do passo e do presente, como os alfaiates desse conto, tem se empenhado em ornar o assunto com atavios de sua própria imaginação, até que a simplicidade original ficou totalmente perdida numa mixórdia de belas palavras e frases pomposas.

Isto pode ter sido impressionante, porém, foi certamente deletério, pois dificultou, ao invés de facilitar, a tarefa de escrever sobre a Cabala. No decorrer dos anos, este procedimento persistiu a tal ponto que, hoje, tornou-se emaranhado numa especulação de superfluidades sem qualquer relação para com a própria Cabala.

A doutrina esotérica contida na Cabala é comum a todos os povos antigos, pois, nela encontramos idéias parecidas ou idênticas, comuns ao acervo de chineses, hindus, egípcios, babilônios, assírios, caldeus, bem como de judeus e cristãos. Por este motivo, existem muitas Cabalas.

O mais completo registro de informação sobre o assunto é o Livro do Esplendor, ou Zoar, a fonte autentica para o conhecimento relativo à natureza e à doutrina da Cabala. Nem o fato de que os estudiosos tem contestado a antiguidade do Zoar, nem o fato de que eles estão em desacordo quanto a ser este livro obra de um ou de muitos homens, absolutamente desfazem sua utilidade para nós.

“O Zoar”, como o Dr. J. Abelson tão apropriadamente observa em sua Introdução à versão inglesa do Zoar, de 1931, por Harry Sperling e Maurice Simon, “é um acervo de tratados, textos, extratos e excertos de textos, pertencentes a diversos períodos mas assemelhando-se todos no método de interpretação mística da Tora, bem como na desconcertante anonimidade em que estão protegidos ... Do exame global do assunto, chega-se irresistivelmente à conclusão de que o Zoar, longe de ser uma obra homogênea, consiste de uma compilação de grande quantidade de informação extraída de muitos estágios de pensamento místico judaico e não judaico, além de cobrir muitos séculos. Muitos de suas doutrinas, fundamentais e suplementares, podem ser encontradas nos trechos mais antigos dos Talmudes babilônio e palestino, bem como na farta literatura apocalíptica judaica, produzida nos séculos imediatamente anteriores e posteriores à destruição do segundo Templo.

“Ensaios sobre lei judaica e interpretações bíblicas (que muitas vezes são quase repetições verbais de passagens contidas nos dois textos revistos do Talmude); especulações sobre teologia, teosofia e cosmogonia, que encontram paralelo na literatura helenística e que em alguns casos, mostram semelhança com certas idéias contidas no Zed Avesta ( fato que induziu alguns estudiosos a situar boa parte dos fundamentos do Zoar na religião do antigo zoroastrismo). Os tipos alegóricos de exegese de que Philo foi o expoente Maximo; teorias gnosticas sobre a relação entre o humano e o divino; reproduções de crenças medievais concernentes a astrologia, fisiognomia, necromancia, magia e metempsicose, que são estranhas ao espírito judaico, todos estes elementos se embaralham, caoticamente, nas paginas do Zoar. Um verdadeiro deposito de anacronismos, incongruências e surpresas!”-               
O fato é que, o  Telesma, ou Talismã, era tido em grande apreço pelos Taumaturgos da antiguidade. Encontramos prova de sua universalidade na China, Índia, Egito e entre as nações semíticas, os gregos e romanos, bem como entre os povos antigos da América Central, Peru, Australásia e das ilhas do Pacifico. Na verdade, parecem existir todos os motivos para se acreditar que a arte telêsmica  estava em voga entre os habitantes da Atlântida e foi por eles transmitida às raças sobreviventes. Chegou até nós através dos hebreus, que a adaptaram a seu próprio sistema teológico, dando-lhe uma forma modificada. Faremos aqui, um breve relato sobre a mesma, na medida em que está ligada diretamente à Astrologia e ao Poder dos Números.

A mente humana tem que possuir, necessariamente, métodos concretos de expressão, dentre os quais o mais comum e limitado é a linguagem. Por outro lado, o Simbolismo pode ser considerado a linguagem comum da humanidade, como o é também dos deuses. O universo é um símbolo; o homem também. Cor, Numero, Forma – o que são, senão símbolos? Um circulo, um triangulo, um quadrado, uma cruz – não passam de letras numa linguagem universal, o único meio natural através do qual podemos compelir a mensagem dos deuses. Tal era a crença dos pitagóricos e taumaturgos da Grécia antiga.

Usualmente, a matéria contida no Zoar é classificada em quatro títulos: Cabala Prática, Literal, Tradicional, e Dogmática.

Talvez seja interessante lembrarmos que os livros do Velho Testamento, a saber: Gênesis, Êxodo, Levitico, Números e Deuteronômio (usualmente referidos como o Pentateuco) foram considerados a escritura sagrada até a época de Isais. Em grande parte, forma escritos em babilônio ou assírio, em caracteres cuneiformes, e foram subseqüentemente traduzidos pelos escribas e profetas para a língua corrente do povo. Isto explicaria as numerosas edições e revisões, bem como o grande repertório de comentários transmitidos oralmente pelos metafísicos. Do acervo desta tradição oral foi que uma obra como o Zoar foi extraída.

Assim sendo temos que, o Zoar expõe a cabala dividida em quatro categorias gerais:

1_ A Cabala Prática, que trata da magia talismânica e cerimonial;

2_ A Cabala Literal, que está dividida em três partes:
ð       Gematria, ou método aritmético para substituir cada palavra por uma outra de igual valor numérico;
ð       Notaricon, ou escolha de certas letras do começo, do meio ou do fim de palavras de uma frase, segundo uma regra, para formar uma única palavra;
ð       Temurah, ou método para formar cifras, substituindo as letras de uma palavra por outras, segundo um sistema.

3_ A Cabala Tradicional, ou seja, a parte da doutrina cabalística que se afirma ter sido transmitida apenas oralmente.

4_ A Cabala Dogmática, que esboça um sistema de metafísica.

Nossas principais fontes de informação sobre a Cabala são o Zoar, ou Livro do Esplendor, e o ensaio metafísico conhecido com Sepher Yezirah, ou Livro da Criação. O Sepher Yezirah tem sido considerado “uma das mais antigas, das primeiras obras notáveis da mente humana.”

É necessário portanto, conhecer as categorias da cabala antes de ingressar na arte telêsmica, pois nada é levado à perfeição nessa arte sem o emprego mágico de nomes e números.

Por emprego mágico devemos entender algo distinto do emprego natural, como a diferença entre o poder supremo da vontade criativa no homem e o poder vegetativo inerente à mente e aos corpos naturais.

Em primeiro lugar, então, examinemos um pouco da origem da própria Cabala:

“Infelizmente, a história judaica não é conhecida pelo leitor comum, a menos que ele seja, especificamente, um estudioso da Bíblia; mesmo  assim, quase sempre seu estudo é restrito à história contida nas próprias narrativas da Bíblia. Estas, pouco nos revelam do  que desejamos conhecer; e o expendermos demasiado esforço em mera historia expositiva dificilmente  nos será útil.

No entanto, é preciso notar que, até a época de Ezra, o Escriba (458 a.C), a Tora (como os judeus denominavam os livros de Moises; ou Pentateuco, como os gregos a eles se referiam) sintetizava as Escrituras dos hebreus. Algumas pessoas tem declarado que, quando Moises desceu do Monte Sinai, após ter recebido os Dez Mandamentos, deu instruções orais aos Anciãos e Eleitos quanto à maneira como os Mandamentos deveriam ser interpretados e aplicados. É preciso lembrar que os  hebreus, naquela época, eram um povo em fuga, dirigido por uma rígida teocracia. A voz de Deus lhes falava constantemente, regulando, não somente o seu culto, mas, também a sua vida, nos mínimos detalhes. Naturalmente, essa prescrição era dirigida, não ao próprio individuo, mas, a Moisés (posteriormente, aos eleitos que o sucederam). Portanto, a palavra de Deus tinha de ser constantemente interpretada, a fim de que fosse aplicável a condições transitórias, e seu significado tinha de ser estendido a circunstancias antes inexistentes, pois, a mudança era uma lei da civilização, naquela época como hoje em dia.

Em seu livro, “O Alvorecer da História” (“The Dawn of History”, Scribener’s 1917), C.F. Keary escreveu: “ A história dos israelitas de modo geral pode ser sintetizada como a constante expressão e o triunfo final do desejo de trocar sua vida simples e seu governo teocrático por um sistema que os pudesse nivelar com as nações vizinhas. Presentemente, é sua religião que eles querem trocar, ou pelo esplendoroso  ritual do Egito, ou pelos credos extravagantes das nações asiáticas; e, logo insensatamente esquecidos das inclemências de um Ramsés ou de um Tiglath-Pileser, desejam um rei para os governar, a fim de que possam ‘assumir seu lugar’ entre as demais monarquias orientais.”

Por outro lado, Adolph Franck, em seu livro “A Cabala” (“The Kabbalah”, tradução inglesa, New York, 1926), escreveu: “ Desde sua origem até seu retorno do cativeiro babilônio, o povo hebreu, como todas as outras nações em sua infância, não conheceu outras fontes da verdade, outros preceptores da mente, além do profeta, do sacerdote e do poeta; e, a despeito da obvia diferença entre eles, o ultimo é muitas vezes confundido com os anteriores. A instrução não era da competência do Sacerdote; ele simplesmente atraia os olhos para a pompa das cerimônias religiosas. E quanto aos instrutores, aqueles, na verdade, que elevam a religião à categoria de Ciência e substituem a linguagem intuitiva pela expressão dogmática, em suma, quanto aos teólogos, não há menção, nem de seu nome nem de sua existência, durante todo aquele período.”

Em ultima análise, portanto, nossa pesquisa da origem da Cabla está sujeita a ser desalentadora e difícil. É interessante, o fato de alguns escritores terem declarado que a Cabala e o Talmude evoluíram mais ou menos paralelamente, representando este o acervo ortodoxo de instrução relativa à lei civil e à lei canônica, e, aquela, ensinamento avançado, ou mesmo herético, a pretexto de comentários sobre o Pentateuco.

Seja como for (seja sua origem antiga ou recente, isto não depreciará seu valor para nós), a Cabala efetivamente encerra um ponto de vista sublime e inteiramente digno de nossa mais profunda consideração e reverencia, sobre Deus e a Criação.

           
Os princípios da Cabala:

O homem é o objeto de todas as considerações mágicas, como é também o agente de todas as operações mágicas. Os cabalistas dividem o Homem em quatro princípios a saber: Espírito, Mente, Alma e Corpo, que correspondem aos quatro ‘elementos’: Fogo, Ar, Água e Terra. Dentre eles, o Espírito e a Mente são desprovidos de Forma, enquanto o Corpo Fluido, ou Alma, e o Corpo Físico, possuem Forma. Ainda existem três aspectos do Espírito, que são Vida, Vontade e Esforço, e três aspectos da Mente: Percepção, Razão e Memória. As propriedades da Alma também são três: Desejo, Imaginação e Emoção;como três são as do Corpo: Absorção, Circulação, Excreção. Sob um aspecto a Natureza é volátil, sob outro fixa, e sob um terceiro mutável.

A Humanidade consiste em três categorias: Almas Decaídas, Almas Elementares e Almas Demoníacas. Há distinção entre o Espírito e a Alma. O Espírito propriamente dito é de origem Divina, uma parte intima de uma hierarquia espiritual à qual se relaciona diretamente e da qual recebe energia e orientação. Essas ‘luzes prisioneiras’ estão relacionadas com a Divindade através das hierarquias espirituais a que pertencem e das quais são os representantes terrestres.

A Alma, por sua vez, não é de origem Divina, mas derivada indiretamente da natureza-essência através da ação da Imaginação Humana – ou, como no caso dos animais, pelo Desejo e sentido instintivo.

As Almas Decaídas são as que caíram de seu estado primitivo incorrupto e, por meio da regeneração, recuperarão eventualmente a herança perdida.

As Almas Elementares são as que chegaram à geração humana no decurso da evolução natural ou da arte mágica e, dentre elas, as Sílfides são as que mais se aproximam da raça humana. Chegando como estranhas a uma atmosfera para a qual seus poderes ainda não estão suficientemente evoluídos, nascem como simplórios, naturais e tolos, condições que são sucessivamente aperfeiçoadas durante suas encarnações. Uma vez enredadas no sistema humano de evolução, não podem mais recuar. Mas a sua humanidade lhes proporciona uma imortalidade que não conseguiriam alcançar de outro modo. Na mesma categoria das Almas Elementares estão as Ondinas,  as Salamandras e os Gnomos, sendo tais nomes ligados a elementos de Água, Fogo e Terra, assim como as Sílfides estão ligadas ao Ar.

As Almas Demoníacas são as que, pela violência, atiraram-se na vida humana por meio de obsessão, domínio e infestação de corpos humanos, quer em frenesi ou transe, quer na epilepsia ou outras condições anormais da mente e do corpo. São como ladrões que se apossam da casa quando o proprietário se ausenta. Contudo, algumas delas vêm ao mundo por vontade dos deuses, agindo por meio de influencias siderais, para cumprir destinos grandiosos, bem como para despojar e castigar as nações, e são demônios desde o momento em que nascem. Como referencia a uma delas, o Cristo disse: “Sois  os doze que escolhi e um dentre vós é um demônio”, querendo indicar Judas Iscariotes. Daí se constata que nem todas as formas humanas estão investidas com almas humanas.

Existem também determinadas períodos e estações em que os anjos e arcanjos são temporariamente investidos com a carne humana para cumprirem os elevados objetivos da vida, tais como mestres e profetas, ou outros mensageiros da paz; todavia, apesar de obedecerem às leis da encarnação humana mortal, todos eles estão livres da macula da alma e, em todos os demais aspectos, agem sob inspiração direta ao Espírito. A essa alta categoria pertencia Melquisedeque, Rei da Virtude, “sem pai e sem mãe, não tendo inicio da vida nem fim de seus dias”, com o qual falou Abraão de forma registrada no Gênesis. Melquisedeque era, na  verdade uma representação do Cristo, um grande e poderoso espírito sob forma humana temporária que então reinava sobre a Caldéia, sobre os filhos dos Magos.

Entretanto, existem também os espíritos da natureza de Apolion, que são “Príncipes da Escuridão”, e cujo domínio se exerce sobre as “estrelas errantes sobre as quais se estende a negra escuridão por séculos e séculos”. Tais seres malévolos, agindo sob as leis de sua própria natureza, manifestam-se ocasionalmente sob forma humana para um julgamento  mais rápido do mundo. São os Calígulas e Neros da história da humanidade.

A Terra é, portanto, palco de uma grande variedade de almas diferentes e isso acontece porque ela se encontra em equilíbrio entre os Céus e os Infernos, num estado em que o bem e o mal podem conviver juntos. É, de fato, o Campo de Armagedon, onde terá que se travar a grande batalha entre os Poderes da Luz e os Poderes das Trevas.

Os Cabalistas mencionam Sete Céus e Sete Infernos, presididos pelos Sete Arcanjos e pelos Sete Príncipes do Mal. Os Arcanjos das Sete Esferas de Luz são: Miguel, Gabriel, Raphael, Zadkiel, Uriel e Zophkiel, que representam o Poder, A Graça, o Zelo, o Poder Salvador, a Justiça, o Esplendor e o Mistério dos Deuses. Esses nomes são invocados, sob os símbolos adequados, na arte telesmica da qual a Kabalah constitui parte essencial.

Miguel, o arcanjo relacionado com o Sol, tem seu nome derivado das silabas Mi, “aquele que”; cah, “como”; al, “deus”; ou seja, “Aquele que como Deus”. Gabriel vem de Gibur, “poder”; Kamiel, de Chem ou Kam, “calor”; Raphael, de Raphah, “curar”; Zadkiel, de Zadok, “justiça”; Uriel, de Aur, “luz”; e Zophkiel, de Zophek, “segredo”. Como entidades espirituais, são a incorporação expressa dos atributos Divinos, embora enquanto não revelados a nós continuem a representar apenas certas concepções humanas do Ser Divino expresso em termos de caráter humano. Toda definição é uma limitação e toda limitação é uma imperfeição; ainda assim, Deus é pura Perfeição e está além dos limites de qualquer definição.


A ARTE DOS CÁLCULOS
Como já foi dito anteriormente, a Cabala LIteral se divide em três partes e agora passaremos a examinar mais detidamente cada uma delas.

A GEMATRIA atribui um determinado valor numérico a cada letra de um nome ou palavra. Os cabalistas atribuem os seguintes valores às letras hebraicas e caldéias, aqui substituídas pelos equivalentes em ‘inglês’, observando-se a devida ordem:

_Unidades: a1, b2, g3, d4, e5, v6, z7, ch8, th9.
_Dezenas: y10, k21, l30, m40, n50, s60, o70, p80, ts90.
_Centenas: q100, r200, sh300, t400.
_Finais: ch500, m600, n700, p800, ts900.
Atribuí-se a Pitágoras a preservação de uma antiga tabela de números, com a respectiva interpretação. É a seguinte:

A1, b2, c3, d4, e5, f6, g7, h8, i9, k10, l20, m30, n40, o50, p60, q70, r80, s90, t100, u200, V300, W400, X500, Y600, Z700, Hi800, Hu900.

A INTERPRETAÇÃO

1.     ambição, paixão, objetivo.
2.     morte, destruição.
3.     destino, fé, religião.
4.     força, estabilidade, poder.
5.     casamento, felicidade, as estrelas.
6.     realização, obtenção.
7.     descanso, liberdade, o caminho.
8.     proteção, eqüidade.
9.     pesar, magoa, ansiedade.
10.sucesso, lógica, renovação.
11.ofensa, dissimulação, discórdia.
12.a cidade, uma aldeia, uma testemunha.
13.obliqüidade, um caminho sinuoso.
14.sacrifício, rendição.
15.virtude, cultura, piedade.
16.luxúria, sensualidade.
17.infortúnio, descaso, perda.
18.vicio, brutalidade, aspereza.
19.tolice, insanidade.
20.sabedoria, abnegação, austeridade.
21.criação, mistérios, compreensão.
22.castigo, vingança, calamidade.
23.preconceito, ignorância.
24.viagem, alteração.
25.inteligência, prole.
26.beneficência, altruísmo.
27.bravura, firmeza.
28.amor, presentes.
29.noticias, informação.
30.fama, casamento.
31.integridade, ambição.
32.união, beijos, casamento.
33.suavidade, castidade.
34.sofrimento, dor, recompensa.
35.saúde, paz, felicidade.
36.gênio, intelecto profundo.
37.fidelidade, felicidade doméstica.
38. malicia, avareza, mutilação.
39.honra, credito, louvor.
40.feriado, festa, casamentos.
41.vergonha, desgraça.
42.vida curta e infeliz.
43.igrejas, templos, adoração.
44.soberania, elevação, poder.
45.prole, população.
46.produção, fertilidade.
47.vida longa e feliz.
48. julgamento, tribunal, juiz.
49.avareza, espírito mercenário.
50.alivio, perdão, liberdade.
-
60. perda do cônjuge.
70. ciência, iniciação.
80. proteção, recuperação, convalescença.
90. aflição, magoa, erro, cegueira.
100. favor divino.
_
200. hesitação, medo.
300. defesa, filosofia, crença.
400. viagens longas.
500. santidade, virtude.
600. perfeição.
700. poder, domínio.
800. império, conquista.
900. discórdia, erupção, guerra.
1000. simpatia, mercê.
_
Além desses, a tabela contém alguns números específicos, que são os seguintes:

81.  o adepto.
120. honra, patriotismo, louvor.
215. magoa, infortúnio.
318. mensageiro divino.
350. justiça, confiança, esperança.
360. casa, lar, sociedade.
365. a ciência dos astros.
490. sacerdócio, ministério.
666. inimigo, malicia, tramas.
1095.reserva, silencio.
1260. aborrecimentos, terrores.
1390. perseguição.

Infelizmente, o método a ser seguido na utilização de tais números não chegou até nós, mas concebo que um método semelhante ao ‘notaricon hebraico’ não esteja totalmente errado. Assim, o nome do grande ‘Napoleão’ é numerado da seguinte maneira:

n.40
a. 1
p.60
o.50
l.20
e. 5
o.50
n.40
e. 5
_
271

b. 2
u.200
o.50
n.40
a. 1
p.60
a. 1
r.80
t.100
e. 5
-
539

A soma desses números é 810, que é igual a 800= império, conquista e 10=sucesso, lógica, renovação. As palavras “império, conquista, sucesso e renovação”…certamente, possuem uma singular adequação ao caso em pauta. É óbvio, porém, que a importância de um nome seria alterada pela mudança de um idioma para outro, assim como é razoável presumir-se que o idioma pátrio original deva ser adotado em cada caso.

A GEMATRIA atribui um valor definido a cada letra, como já vimos. A soma dos números correspondentes à letra de um nome é, então, reconvertida em letras de valor equivalente e, assim, revela o significado do nome. Dessa forma, lemos que o anjo falou a João de Patmos, que teria caído de joelhos para adorá-lo, mas foi proibido de fazê-lo. O anjo refere-se a si mesmo como homem, um dos “guardiões das palavras do Livro Sagrado.” A palavra “homem” em hebraico é Aish, cujo valor é: A=1 + i=10 + sh=300 = 311

E o nome do grande registrador é Raphael:
R=200 + ph=80 + a=1 + l=30 = 311.

Por isso, João de Patmos era da Ordem dos Registradores e da Hierarquia de Raphael.

Da Ordem dos Calculadores e Medidores é a Inteligência de Sepher; da Ordem dos Ordenadores é Juízes é a Inteligência de Zadok; e estas, como outras, são extraídas das Sagrada Escritura, onde seus ritos são referidos dissimuladamente.

Conseqüentemente, se alguém souber o nome de seu rito, tome a soma de seu nome e converta-a, através da Gematria, segundo as regras da arte cabalística. Assim, o nome “Sepharial”, da Ordem do Sepher, é computado da seguinte maneira:

S=60 + ph=80 + r=200 + i=10+ a=1 + l=30 = 381 que equivale a: a=1 + sh=300 + p=80 = 381, sendo a palavra Asoph derivada da raiz Ashp = observador de astros ou astrólogo, os antigos astrólogos caldeus sendo conhecidos como Ashpim.

O ‘Notaricon’ é utilizado para extrair da Sagrada Escritura os nomes Divinos e os dos anjos ou espíritos. A arte telêsmica requer que tais nomes sejam empregados na construção de Talismãs, de vez que, por sua correspondência em valor numérico, exercem uma forte influencia sobre todas as coisas que tenham o mesmo valor da raiz.

Assim, tomando-se as letras do inicio ou do final das palavras, e através de outras medidas de natureza secreta, derivam-se os nomes das Forças Espirituais. O Ser Divino possui força e presença infinitas e, portanto, seus nomes, que expressam uma variedade infinita de forças, inteligências e formas no universo, jamais se poderão esgotar. Em conseqüência, o cabalista procura apenas discernir aqueles que são eficazes na questão em pauta.

Os setenta e dois nomes Divinos são derivados de um determinado trecho de três versos do Êxodo que se iniciam pelas palavras ‘Vayiso, Vayibo e Vayot’, respectivamente. São os ‘Shemhamphore’ correspondentes aos setenta e dois Anciãos que governam a Igreja Universal, ou seja, o Reino Espiritual Médio. O métodos nesse caso é o seguinte:

O primeiro verso é escrito em caracteres hebraicos, que são em número de setenta e dois, da direita para a esquerda, como é costume nos textos semitas. O segundo verso é escrito da esquerda para a direita e o terceiro da direita para a esquerda, como é normal, usando-se sempre o texto hebraico. Então, lendo-se como uma palavra as três letras que coincidem, tem-se setenta e duas palavras de três letras, às quais adiciona-se o afixo dos nomes sagrados, El ou Jah. Do texto ‘Tu és o poderoso Senhor eterno” deriva-se o poderoso nome ‘Agla’; e da afirmação sagrada “O Senhor nosso Deus é o único Deus” deriva-se o nome ‘Yaya’.

Assim:
‘Jehova Alohenu Jehovah Achad’.

Da mesma forma, do texto “Sua unidade tem uma só fonte, uma só fonte tem Sua individualdiade, Sua vicissitude é uma só” tem-se o nome mágico ‘Ararita’, que se encontra inscrito no Selo de Salomão, o Rei. Do texto “Santo e abençoado é Ele” deriva-se o nome ‘Hagaba’. Da frase na profética benção de Jacó “Até a chegada de Shiloh”, quando o patriarca estava predizendo o destino de Judá, tem-se o nome ‘Jesu’. O cabalista bem informado sabe, porém, que este texto se refere à ascensão no horizonte da estrela ‘Shuleh’ na constelação de Escorpião; pois Leão, o leão de Judá, com Cefeu, o legislador, logo abaixo, não sai do Meio do Céu até que Escorpião surja no Leste.

Prosseguindo, do texto “O Senhor nosso Rei é verdadeiro” tem-se a palavra ‘Amem’.

O Temurah, que significa ‘permuta’, também fornece suas interpretações secretas pela transposição e troca de letras de acordo com as regras cabalísticas estabelecidas na ‘Tabela de Tsiruph’; e através da aplicação disto à Gematria e ao Notaricon derivam-se os nomes dos espíritos e anjos cujos ofícios estão expressos nos textos dos quais são derivados. Alguns desses espíritos são malignos e recebem a denominação de ‘vasos de iniqüidade’ e ‘vasos de ira’, como também de ‘espíritos mentirosos’.

Cada homem é assediado por algumas tentações oriundas de sua associação com o mundo dos espíritos, cada bom auxilio subentendendo um possível mau pela perversão, e a esse mau correspondem as forças malignas. Conseqüentemente, o homem possui tanto um anjo da guarda como um espírito mau que o assedia e, portanto, pode inclinar-se tanto para o bem como para o mal, ficando, enquanto no meio termo, num estado de equilíbrio e liberdade. Ademais, diz-se que a preferência entre os homens vem da força superior dos espíritos ligados a um individuo em relação à força dos espíritos ligados a outro, pois, pela intensidade de sua vontade, tais homens são capazes de unir-se com as forças do bem ou do mal que lhes são atribuídas por natureza.

Cada tarefa empreendida pelo homem está sob uma dupla influencia de poderes espirituais, que o levam à perfeição ou o derrubam. Entre os cabalistas existe um método de derivar os nomes dos espíritos que influenciam o nascimento de um homem. Estabelecido o horóscopo, as letras do alfabeto hebraico são dispostas na ordem dos signos, partido do Ascendente; as letras que incidem nas posições do Sol, da Lua e do regente do Ascendente, quando reunidas, produzem o nome do anjo ou Inteligência benéfica. Mas o mesmo calculo feito a partir do Descendente do horóscopo produz o nome do espírito mau, ou Cacodemônio. Há quem afirme, porém, que as posições dos planetas benéficos devem ser levadas em conta, junto com a posição do regente do Ascendente, para derivar o nome do Agatodemônio; quanto as posições dos planetas maléficos, junto com a posição do regente do Descendente, devem ser consideradas na computação do nome do Cacodemônio. Mas os nomes, em si, tem apenas os significados que lhes são atribuídos; sua verdadeira eficácia reside na correspondência numérica que possuem com a natureza dos símbolos empregados e sua relação com o objetivo em pauta, e, conseqüentemente, em confirmarem a mente na fé e intenção sem as quais, somadas à ação conjunta da vontade e imaginação, nenhum trabalho mágico poderá ser completado. Pois a vontade é a força masculina e a imaginação o poder feminino que, por sua união, são capazes de criar aquilo que se deseja.

As invocações no circulo mágico, as conjurações de espíritos ao cristal, a construção de talismãs, sinetes, selos e outras obras de arte taumatúrgica tem suas raízes nesse acordo secreto entre a Natureza e a Alma do Homem, através do qual o Espírito reage à matéria e a Força reage à forma, de modo que a forma material de cada símbolo representa a encarnação de uma Força Espiritual correspondente.                

_
A Cabala Dogmática: Um pouco sobre o seu sistema de metafísica:

Os cabalistas costumavam descrever a Criação como o resultado de certas emanações ou ‘fluxos eferentes’ – [flourings forth]da Divindade. Havia dez dessas emanações, ou desses aspectos, e suas denominações procuravam denotar suas ascendência relativa. Seus nomes eram: Coroa, Sabedoria, Compreensão, Misericórdia, Fortaleza, Beleza, Vitória, Glória, Estabilidade e Reino.

Os Deuses da ‘Grande Assembléia’ [Paut Neteru] e esta contida no papiro conhecido como ‘Nesi Amsu’.

Fala o Deus Ra: “ Eu estava só, pois, nada havia sido produzido; Eu não tinha emitido de mim mesmo nem Shu e Tefnut e, de Um, tornei-me três: Eles emanaram de mim e passaram a existir na Terra ... Shu e Tefnut geraram Seb e Nut, e Nut gerou Osíris, Horus – Khent – an Maa, Set, Isis e Nephthys, em um só nascimento.”

Podemos talvez perceber mais claramente a relação entre os ‘Sephirot’ e a ‘Grande Assembléia’, se os dispusermos da seguinte maneira:


OS SEPHIROT [10 fluxos eferentes da Divindade]
1.     [Coroa] Kether
2.     [Sabedoria] Chokmah
3.     [Compreensão] Binah
4.     [Misericórdia] Chesed
5.     [Fortaleza] Geburah
6.     [Beleza] Tiphereth
7.     [Vitória] Netzach
8.     [Glória] Hod
9.     [Estabilidade] Yesad
10.[Reino] Malkuth

PAUT NETERU
1.     Ra
2.     Shu
3.     Tefnut
4.     Seb
5.     Nut
6.     Osíris
7.     Hórus
8.     Nephthys
9.     Set
10.Isis

A base do pensamento cabalístico repousa na explanação de que a Criação consiste em uma série de emanações ou concentrações de energia divina.

Segundo a explanação cabalística, a Criação foi uma emanação, um gradual desdobramento em estágios, estados, ou concentrações de certos aspectos da divina energia. A eles refere-se usualmente o ‘Zohar’ como graus, ou portas, e três palavras do versículo inicial do Gênesis representam três emanações particularmente sagradas, constituindo uma trindade potencial de que surgem, todos os demais graus. Estas palavras, “No principio [criou]Deus”, ou, em Hebraico, “Bereshith [bara] Elohim”, tornaram-se três aspectos da Divindade, formando um mundo superior. Prosseguindo em sua contemplação do primeiro capitulo de Gênesis, os autores do Zohar atribuiriam um aspecto diferente da Divindade a cada dia da Criação, e chamaram esses sete ‘dias’ do mundo inferior.

MUNDO SUPERIOR
_Sephirot
1.     Kether
2.     Chokmah
3.     Binah

_Gênesis
1.     B’
2.     Reshith
3.     Elohim

MUNDO INFERIOR
1º dia: Chesed
2º dia: Geburah
3º dia: Tiphereth
4º dia: Netzach
5º dia: Hod
6º dia: Yesod
7º dia: Malkuth

Se tivéssemos de fazer um diagrama da estrutura da criação, tal como a Cabala a descreve, deveríamos representá-la por um conjunto de três triângulos, cujos vértices seriam os SEPHIROTH, com um ponto isolada, abaixo dos triângulos, representando MALKUTH.

_Primeiro Triangulo, com o vértice para cima:
1ª ponta: Kether
2ª ponta: Chokmah
3ª ponta: Binah

_Segundo Triangulo, com o vértice para baixo:
4ª ponta: Chesed
5ª ponta: Geburah
6ª ponta: Tiphereth

_Terceiro Triangulo, com o vértice para baixo:
7ª ponta: Netzach
8ª ponta: Hod
9ª ponta: Yesod
10ª ponta: Malkuth

Declara o ‘Sepher Yezirah’: “A década oriunda do ‘nada’ compõe-se das seguintes dez infinidades:

1.     O infinito do principio;
2.     O infinito do fim;
3.     O infinito do bem;
4.     O infinito do mal;
5.     O infinito da altura;
6.     O infinito de profundidade;
7.     O infinito do Leste;
8.     O infinito do Oeste;
9.     O infinito do Norte;
10.O infinito do Sul.


  • YHUH [Yod; He; Uav; He]Formam as iniciais dos sagrado nome de Deus, YHUH.”

“Deus decretou e criou as três matizes e’, n, /c, combinou-as, ponderou-as e as modificou, e com estas três matizes, formou no mundo, no ano, e no homem, macho e fêmea.”

O Sepher Yezirah pode assim ser classificado:
I.  Os Sephiroth;
II. O alfabeto hebraico;
III.As três letras matizes;
IV. As sete letras duplas;
V.  As doze letras simples
VI. Reapresentação do Tema.

Os Sephiroth e as infinidades correspondem-se da seguinte maneira:
1.     Kether – Começo;
2.     Malkhuth – Fim;
3.     Chokmah – Bem;
4.     Binah – Mal.

Os Sephiroth de construção correspondem a: Altura, Profundidade, Leste, Oeste, Norte, Sul.

As três matizes são: e’, n, /c, correspondem aos fonemas: a, m, ch. Estas letras são as matizes no universo, no ano, e no corpo humano. São como uma balança, com /c atuando sempre como o ponto de equilíbrio.

_N
No universo = água;
No ano = frio;
No homem = corpo.


_ /C
No universo = ar;
No ano = umidade;
No homem = coração.

- E’
No universo = fogo;
No ano = calor;
No homem = cabeça.

O segredo: “Deus é o Deus de todo o Universo, O começo, o meio, e o fim da Criação.”

As sete letras duplas, a exemplo das três matizes aplicam-se de 3 modos: ao universo, ao ano, ao homem:

ð           No universo aplicam-se aos sete astros: Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio, Lua, bem como às seis dimensões do espaço e ao Templo Sagrado.
ð           No ano, constituem os sete dias da criação;
ð           No homem: 2 olhos, 2 ouvidos, 2 narinas e a boca.

O principal fim das 7 letras duplas é simbolizar as oposições que se manifestam na vida: Sabedoria/Nescidade; Riqueza/Pobreza; Fetilidade/Esterilidade; Vida/Morte; Domínio/Escravidão; Paz/Guerra; Beleza/Fealdade.

As doze letras representam as 12 direções obliquas do espaço e, também, simbolizam as funções de falar, pensar, caminhar, ver, ouvir, agir, copular, cheirar, dormir, irritar-se, engolir e rir.

No Universo, elas formas os doze signos do zodíaco: Áries, touro, gêmeos, câncer, leão, virgem, libra, escorpião, sagitário, capricórnio, aquário, peixes.

No ano são os 12 meses hebraicos: nissam [março/abril], iyar [abril/maio], Sivan [maio/junho], tamus [junho/julho], as [julho]agosto], eleil [agosto/setembro], tishri [setembro/outubro], marcheshvan [outubro/novembro], kislev [novembro/dezembro], teves [dezsembro/janeiro], schwat [janeiro/fevereiro], adar [fevereiro/março].

No homem, representam as partes principais do corpo, 2 pés, 2 duas mãos, dois rins, o intestino delgado, o estomago, a vesicula biliar, o esofago, o fígado e o baço. 

SUMÁRIO:
Portanto, a Cabala trata da natureza da Divindade, do processo da Criação, da questão do bem e do mal, enfim, de todas as questões teológicas e filosóficas fundamentais.

Tanto o Zoar quanto o Sepher Yezirah começam pela Criação, ampliando pormenorizadamente o relato do Gênesis.

O Rig-Veda, dos hindus, expõe idéias consonantes com a Bíblia Cristã e as obras cabalísticas.

A base do pensamento cabalístico repousa na explanação de que a Criação consiste em uma série de emanações ou concentrações de energia divina.

Como Abraão compreendeu a grande verdade do caráter trino da Criação, através do pensamento, palavra e ação, Deus celebrou com ele uma aliança espiritual e física, pela qual o universo e o homem pudessem ser preservados.

O homem só se pode aperceber do reino divino pelo contato com seu correspondente tangível, visível e finito, denominado Natureza. Esta, conforme o pensamento cabalístico, compõe-se, não somente de dimensões do espaço, com seus pontos intermediários, mas, também das antíteses da vida que são introduzidas por meio de várias ações ou funções características do homem.

COMENTÁRIO ESPECIAL

A frase, “Ele é um acima de três, três estão acima de sete, sete estão acima de doze, e todos estão ligados”, é uma expressão sumária. Encerra, sinteticamente, todo o tema da Cabala. É a chave que pode abrir as portas de seus significados ocultos, se corretamente usada.

Essa frase delineia o esquema ou plano da Cabala e é suficiente para recordar suas divisões especiais. Nas palavras, “Ele é um acima de três”, lembra que Deus transcende nossa capacidade de análise; Ele é Absoluto, o Infinito, a fonte, o ponto de emanação de tudo o que se segue. Na Tabela dos números divinos, Ele é a Unidade que se situa acima, ou por trás de todos os números, e a todos inclui. Para além das fronteiras de nossa limitada capacidade de concepção, encontra-se o Uno ilimitado, que só podemos apreender dentro daquelas fronteiras aquém do três, que representa  Sua criação imediata.

Que representa esse três? Representa os aspectos do Infinito, do Ser que não podemos apreender com nossas faculdades objetivas. Trata-se dos aspectos transcendentes de Sua natureza, que formam uma Trindade; Coroa, Sabedoria, e Inteligência. Este divino triangulo ilustra como o Ser Infinito, que é invisível, intangível e imutável, incute-se de maneira visível, tangível e mutável, nos sentidos do homem. Ele persiste como o Sacratíssimo, no âmbito intelectual ou mental, em que Deus pode ser apreendido mais ou menos à maneira da harmonização de Moises, com Ele, na Montanha. Representa, também, o campo do espaço sideral onde se movem três astros de oitava superior, Netuno, Urano, e Plutão, ou Vulcano (?), cuja influencia se faria sentir somente quando a humanidade tivesse atingido um estagio superior de evolução.

Não devemos esquecer que essa trindade se refere às três letras matizes do hebraico, as quais são os três elementos que os antigos consideraram primordiais: ar, água e fogo. Era natural, portanto, que os filósofos gregos se preocupassem em descobrir qual deles era o primeiro. E muito mais relevante se torna a doutrina de Pitágoras (que, segundo afirmam alguns teria sido um estudioso da Cabala), de que, no começo, tudo era numero e proporção.

“Três estão acima de sete.” Os Sagrados Sephiroth Superiores, que constituem o Mundo Superior, ou a Trindade Superior, transcendem as dimensões do espaço e a própria Terra. Situam-se anteriormente aos dias da Criação, aos astros que influenciam toda vida terrena.

Não obstante, esses sete elementos são também Sephiroth e, por conseguinte, aspectos da Divindade. São eles: Misericórdia, Fortaleza, Beleza, Vitória, Gloria (ou Esplendor), Estabilidade (ou Base), e Reino. Como “dias”, Sephiroth, ou astros, são capazes de poderes e influencias incalculáveis, pois regem também as letras duplas do hebraico, que expressam as oposições da vida.

“Sete estão acima de doze” significa que as dimensões do espaço representam ponto oblíquos que alteram sua força, assim como a escala musical tem sustenidos e bemóis que modificam os tons.

Sendo os doze elementos as letras simples do hebraico, ilustram a expansão e a universalidade do esquema da Criação. Variando os aspectos fundamentais dos sete elementos, como o fazem, e emprestando-lhes cor e nuança, esses doze elementos proporcionam perspectiva suficiente para o pensamento criativo se expandir em qualquer direção, sem quebrar a unidade em que ‘todos estão ligados’.

Foi Eliphas Levi quem caracterizou a Cabala como “uma filosofia simples como o alfabeto, profunda e infinita como a Palavra; teoremas mais perfeitos e lúcidos do que os de Pitágoras; uma teologia extremamente sintética; um infinito que cabe na mão de uma criança.” Isto está realmente bem expresso e descreve exatamente o sistema que vemos sintetizado naquela frase do Sepher Yezirah. A inteligência versada na estrutura da Cabala pode perscrutar números e letras para desvendar filosofia, ou, partindo de correspondências indicadas, descobrir fatos do universo, do ano e do homem.

Outrossim, o cabalista pode, a partir de uma única letra hebraica, escrever um ensaio metafísico, ou, a partir de uma só palavra desvendar um segredo da Natureza, como  a relação intrínseca formulada em numero, na palavra escrita e na palavra falada. Cada partícula é um elo de uma cadeia pela qual o universo é unificado, explicado, e se revela como manifestação do Infinito. Num vaivém entre o todo e suas partes, as lançadeiras da mente podem tecer-lhe uma veste de verdade, a partir dos elementos disponíveis: apenas os multicores fios da delicada teia da verdade e o tecelão. E o cabalista assim procede unificado com Deus, na harmonia de intenso silencio e profunda meditação.

Isto é realmente impressionante. Por mais que se expanda o padrão e por mais intricado que seja o tecido, o fio é sempre divino e a veste bela e infinita. Há profundeza e riqueza na poesia e na filosofia das coisas singelas que fazem crescer a admiração de como elas foram criadas. É só começar com qualquer fio e amarrá-lo ao seguinte, para, ante a inteligência maravilhada, o infinito despontar e acenar do alto. É suficiente extinguir a duvida e a descrença ao seu primeiro alento, e deixar o buscador com todo o seu ser vibrando na expectativa do que poderá emergir quando seus dedos mentais tiverem amarrado fios suficientes para revelarem claramente o padrão, de modo que ele possa percebê-lo como a própria Divindade o deve perceber.

“Alguns homens”, escreveu Moisés Maimonides, “lutam pela riqueza; outros gostariam de ser fortes e sadios; outros, ainda, almejam fama e glória. Mas os sábios aplicam seu coração à sabedoria, a fim de que, sabendo, possam compreender o propósito da vida e conduzir seu destino, antes que advenham as trevas.”

A mente inquiridora e o espírito buscador arremessam-se à frente com renovada esperança; e a confusão e a conturbação cedem lugar à paz. A vã pesquisa entre as coisas exteriores é abandonada e toda a energia do buscador é dirigida para o seu próprio âmago, a fim de que sua sagrada e inata herança, por tanto tempo negada, possa novamente ser reclamada, completa e em toda sua beleza, pois, agora, a Chave Secreta há tanto tempo oculta ao homem, resplandece como um farol nas trevas da noite. “Ele é uma acima de três, três estão acima de sete, sete estão acima de doze, e todos estão ligados!”

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[Fontes: A Cabala Desvendada, Titulo Original: Kabala Unveiled, por Temporator Escriba, 3ª Edição, Agosto/1996, Biblioteca Rozacruz. E, Arcanos_ Manual ed Ocultismo_Sepharial, por Francisco Alves]