quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Agir pela Não-Interferência

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Não exaltes os homens iminentes.
Para que não surja rivalidade entre o povo.
Não exibas os tesouros raros,
Para que o povo não os ambicione.
Não despertes as cobiças,
Para que as almas não sejam profanadas.
O governo do sábio não desperta paixões,
Mas procura manter o povo na sobriedade,
E dar-lhe as coisas necessárias.
Não lhe oferece erudição,
Mas dá-lhe cultura de coração.
O sábio governa pelo não-agir.
E tudo permanece em ordem.

Explicação: É importante manter a distancia entre o governo e o povo. A democracia meramente horizontal é auto-destruidora. Deve haver, na democracia, um principio de  hierarquia, de desnível, de ectropia; do contrário, o nivelamento entre governante e governados degenera em entropia paralisante – como um lago que não move uma turbina, porque lhe falta o desnível ectrópico da cachoeira. Sendo que o governo meramente democrático é o regime de ego para ego, sem nenhuma referência ao Eu, toda a democracia, sendo liberdade sem autoridade, acaba fatalmente num caos centrifugo, por falta de um principio de coesão centrípeta. Verso sem Uno dá caos – somente Verso regido pelo Uno dá harmonia.

Este capitulo visualiza o futuro da democracia em forma de cosmocracia, que é igualdade horizontal com desigualdade vertical. O governo não pode ser simplesmente um cidadão democrático, mas deve revestir-se também de algo hierárquico ou cósmico.

A “Politeia” [República] de Platão, advoga, basicamente, esse mesmo principio de entropia ectrópica, de nível compensado pelo desnível, de horizontalidade sublimada pela verticalidade.*


[*Sobre esse assunto, leia o interessado o livro “Educação do Homem Integral” de Huberto Rohden – Alvorada – São Paulo]     
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Lao-Tse_Tao Te King

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