quarta-feira, 20 de julho de 2011

John Dewey_Educação

Mas apesar de tudo o pragmatismo não era “uma completa filosofia americana”; não conglobava todo o espírito da América maior, que jaz a sul e a oeste dos estados de New England. Era uma filosofia altamente moralista e que traia as origens puritanas do seu autor. James falava de resultados práticos e de matérias de fato, e logo depois saltava, com a velocidade da esperança, da terra para o céu. Começara com uma saudável reação contra a metafísica e a epistemologia e dele fora esperada uma filosofia da natureza e da sociedade; mas ao cabo o que saiu foi uma exaltação apologética da respeitabilidade intelectual de cada crença. Quando aprenderá a filosofia a deixar para a religião essas perplexidades da outra vida e para a psicologia as sutis dificuldades do processo do conhecimento, para entregar-se unicamente à iluminação dos propósitos humanos e à coordenação e elevação da vida humana?

As circunstancias nada deixaram de fazer para preparar John Dewey como o filosofo que expressasse o pensamento da América consciente. Nascido em 1859, em Burlington, estado de Vermont, fez lá seus estudos e absorveu a velha cultura antes de  aventurar-se a uma nova. Mas tomou logo o conselho de Greeley e mudou-se para oeste, a ensinar filosofia nas universidades de Minnesota [1888-9], Michigan [1889-94] e Chicago [1894-1904]. Unicamente então retornou para o leste, afim de agregar-se e depois chefiar o departamento de filosofia da universidade de Columbia. Os primeiros vinte anos passados em Vermont lhe deram aquela quase rústica simplicidade que ainda conserva agora que o mundo inteiro o aclama. Depois, em seus vinte anos de vida no “Middle west”, estudou a vasta América da qual a mentalidade ocidental se mostra, com tanto orgulho, ignorante; aprendeu a conhecer suas limitações e forças; e quando chegou o tempo de escrever a sua própria filosofia, deu aos leitores e discípulos uma interpretação do sadio e simples naturalismo que está por baixo das superstições “provincianas” da América. Compôs a filosofia como Whitman escreveu a poesia -  não de um estado, mas do continente.

Dewey deu nos olhos do mundo com o seu trabalho na Escola de Educação, de Chicago. Foi por esta epoca que se revelou a resoluta inclinação experimental do seu pensamento; agora, trinta anos mais tarde, seu espírito ainda está aberto a todos os movimentos da educação, sem que arrefeça o seu interesse pelas “escolas de amanhã”. Talvez o maior livro de Dewey seja Democracy and Education, de onde emergem as varias linhas da sua filosofia centrada na tarefa de desenvolver uma melhor geração de homens. Todos os professores progressistas reconhecem a sua liderança, e dificilmente será encontrada uma escola na América que não mostre a sua influencia. Encontramo-lo ativo por toda parte, na tarefa de refazer as escolas do mundo; despendeu dois anos na China, prelecionando professores sobre a reforma da educação, e apresentou ao governo turco um relatório sobre a reorgarnização das escolas nacionais.  

Completando a exigência de Spencer, de mais ciência e menos literatura na educação, Dewey acrescenta que a ciência não será apenas de livros, mas chegará ao aluno por meio da pratica de  ocupações. Não mostra grande interesse pela educação ‘liberal’, termo usado originariamente para indicar a cultura de um ‘homem livre”, isto é, um homem que nunca trabalhou; tal educação será adequada a uma classe ociosa da aristocracia, não a uma vida industrial e democrática. Agora que quase todos estamos envolvidos pela industrialização da Europa e da América, as lições que precisamos aprender são as que o “fazer útil” ensina. A cultura escolástica produz o snobismo aristocrata, mas o aprender trabalhando em comum favorece a democracia. Em uma sociedade industrial a escola será uma oficina em miniatura ou uma comunidade reduzida; e ensinará, pela pratica do fazer e experimentar, todas as artes e disciplinas necessárias a ordem social. E finalmente a educação deve ser concebida, não como mero preparo para a maturidade [daí a nossa absurda idéia de que a educação deve parar depois da adolescência], mas como crescimento continuo do espírito e continua iluminação da vida. Em um sentido, as escolas só nos podem dar a instrumentalidade do crescimento mental; o resto vem da nossa absorção e interpretação da experiência. A educação real começa depois de deixada a escola – e não há razão para que não perdure até a morte.

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