sábado, 15 de maio de 2010

Einstein_O Cientista Místico


“A Paz é a única forma de nos sentirmos realmente Humanos” [Albert Einstein]
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Lendo um dos jornais diários, certa manhã de sábado, encontrei um artigo que falava de Einstein, com o título acima, de um cronista muito místico. E, entre outras coisas, absorvi algo muito interessante, no que o próprio jornalista dizia: “identificamos mais facilmente Albert Einstein por aquela célebre foto dele com a língua de fora [captada na festa dos seus 72 anos] e pela sua branca e desalinhada cabeceira. Mas, poucos sabem que o genial matemático, um homem religioso – sem no entanto professar religião nenhuma – alegre e bom, que tocava piano e violino e era, antes de tudo, um místico.”

Sua célebre TEORIA DA RELATIVIDADE, analiticamente pouco compreendida, talvez não seja o mais importante referencial de sua vida e, sim, a sua permanente SINTONIA COM O UNIVERSO CÓSMICO, de onde lhe chegavam, intuitivamente, todas as respostas.

Dizia ele: “Eu penso 99 vezes e nada descubro; deixo de pensar e mergulho no silêncio, e eis que a verdade me é revelada”.

Afirmava que tudo pode ser captado pela intuição e que a diuturna focalização do UNO, ou seja, a Consciência Cósmica, abre os canais e revela todo o universo dos efeitos. Apoiava-se no pensamento intuitivo e não no meramente analítico. E certa vez revelou que as coisas lhe aconteciam como uma Iluminação súbita, quase um êxtase. Para Einstein, DEUS era a LEI, a voz da natureza.

Desde jovem ele tinha uma certa revolta contra as autoridades. Alemão de origem judaica e refugiado nos Estados Unidos nos últimos 20 anos de sua vida, fugindo da perseguição de Hitler, perguntava por que a sinagoga, a igreja e o próprio governo não diziam a verdade sobre Deus, sobre o mundo e sobre o homem?! Que intenções secretas – indagava- tinham as autoridades civis e religiosas para manter o homem nessa ignorância?

Os fatos [efeitos] devem ser analisados, mas a REALIDADE, a Imaginação de Deus, nos é revelada – ele ensinava. Einstein assim intuía; há uma única Fonte e ela se derrama sobre nós se estivermos em SINTONIA, RECEPTIVOS. E dizia ele: “meditar não é pensar, mas esvaziar os canais de toda a substância oriunda dos nossos sentidos e colocar-se diante da plenitude da Fonte.”

Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece.

‘Lá estava um homem cujo corpo ainda vivia na Terra, mas cuja mente habitava as mais remotas plagas do Cosmo” – escreveu Huberto Rohden, o filósofo brasileiro nascido em Tubarão-SC, que conviveu com Einstein na Universidade de Princeton.

Tão desprendido das coisas do mundo era o genial cientista que, certa vez sua empregada encontrou um cheque de elevado valor, com grande atraso, marcando a leitura de um livro. Muitas vezes ele não se lembrava se já havia almoçado e não sabia o número do seu telefone, o deu sua própria casa.

Dizia-se dele que não se perderia no espaço cósmico, mas sabe-se que tantas vezes perdeu o rumo de sua própria residência. Era um distraído-concentrado, porque vivia mentalmente mais no grande Além.

Dizem que numa entrevista à revista “Time” Einstein revelou nunca ter feito experiências empírico-analíticas para descobrir a Teoria da Relatividade, mas que ela lhe veio por intuição. Para ele, a certeza intuitiva era anterior a qualquer prova.

O autor Robet Clark perguntava-se repetidas vezes, por que um cientista como Albert Einstein falava tanto em Deus, embora os teólogos o considerassem uma Ateu. Ele não admitia um Deus pessoal, mas um Deus Supremo, Onipresente e Onisciente, que está no centro de todos os lugares e de todas as coisas como já o intuíra Santo Agostinho, fazendo Einstein sentir-se em meio a uma grande fraternidade universal, sendo essa fraternidade a consubstanciação do próprio Uno, da Cosmo-Consciência. Em síntese, Deus.

Para o Iluminado matemático, Deus não era uma personalidade capaz de premiar ou punir, mas a Invisível Realidade do Universo. É certo que Einstein, não obstante sua entrega à intuição, trabalhou a vida inteira na TEORIA DO CAMPO UNIFICADO, a unidade e identidade de todas as energias e a inexistência de tempo e espaço, porém ele considerava esses esforços como ‘preliminares’, o ‘pensar 99 vezes...’ até que a resposta lhe chegasse intuitivamente, ou seja, até a perfeita sintonia da Fonte, o SILÊNCIO DINÂMICO onde tudo está pronto e acabado.

Certa vez um professor da Universidade de Viena, Ernest Mach, propôs a Einstein que os cientistas partissem do PONTO ZERO e não aceitassem mais nada que não fosse provado experimentalmente. Einstein meneou a cabeça em sina de desaprovação. Porque ele esquadrinhava, sentia algo mais além dos sentidos! Isto é que fazia do sábio cientista um homem religioso, religado, porque religião quer dizer re-ligação [do homem com o Poder Infinito, com a Fonte Plena, com a Alma do Universo]. Algo que Einstein não buscava decifrar, mas intuía e isto lhe bastava.

“O homem pode não achar Deus, mas Deus o achará, se o homem, naturalmente, não se esconder Dele.”

Einstein era uma pessoa feliz, amigo de todos, amava as crianças, tinha mulher e dois filhos e ficava horas tocando violino à cabeceira da cama de uma tia doente. Este fantástico matemático e metafísico nunca se considerava um homem excepcional, detestava a mesquinharia, a brutalidade, o militarismo, a guerra. Justamente por isso cultivava uma simpatia peculiar pela América Latina, sobretudo pelo Brasil, onde tinha parentes por parte de mãe.

Rohden escreveu que Einstein sentia que a América Latina era, entre todos os povos, a parcela da humanidade que preservara, inadulterada, a alma humana e cristã.

Albert Einstein dizia que:”A coisa mais bela que o homem pode experimentar é o mistério. Porque está na raiz de toda ciência e arte.”

PENSAMENTOS DE EINSTEIN

.O homem erudito é um descobridor de fatos que já existem, mas o homem sábio é um criador de valores que não existem e que ele faz existir.

.Deus é a Lei e o Legislador do Universo.

.O meu ideal político é a democracia. Seja cada homem respeitado como um individuo - e ninguém idolatrado.

.Não existe nenhum caminho lógico para a descoberta das Leis elementares do Universo – o único caminho é da intuição.

.O mecanismo do descobrimento não é lógico e intelectual – é uma Iluminação súbita, quase um êxtase. Em seguida é certo, a inteligência analisa e a experiência confirma a intuição. Além disso, há uma conexão com a imaginação.

.O espírito cientifico, fortemente armado com seu método, não existe sem a religiosidade cósmica. Esta se distingue da crença das multidões ingênuas que consideram Deus um ser de quem esperam benignidade e do qual têm o castigo.

.A leitura, após certa idade, distrai excessivamente o espírito humano de suas reflexões criadoras. Todo homem que lê demais e usa o cérebro de menos, adquire a preguiça de pensar.

.A mente avança até o ponto onde pode chegar; mas depois passa para uma dimensão superior, sem saber como lá chegou. Todas as grandes descobertas realizam este salto.

.A imaginação é mais importante do que o conhecimento.

.A maioria de nós prefere olhar para fora e não para dentro de si mesmo.

.A coisa mais bela que o homem pode experimentar é o mistério. É esta a emoção fundamental que está na raiz de toda ciência e arte. O homem que desconhece esse encanto, é incapaz de sentir admiração e estupefação, já está, por assim dizer, morto, e tem os olhos extintos.

.Minha religião consiste numa admiração humilde ao Espírito Superior e Ilimitado que se revela a si mesmo nos mínimos pormenores, que estamos aptos a captar com nossas fracas e irrelevantes mentes. A profunda certeza de um Poder Superior que se revela no Universo, difícil de ser compreendido, forma a minha idéia de Deus.

.A fama, é para os homens, como os cabelos – cresce depois da morte, quando já lhe é de pouca serventia.

.Diante de deus todos somos igualmente sábios e igualmente tolos.

.O desenvolvimento da capacidade geral de pensamento e livre-arbítrio sempre deveria ser colocado em primeiro plano, e não a aquisição de conhecimento especializado. Se uma pessoa domina o fundamental no seu campo de estudo e aprendeu a pensar e a trabalhar livremente, ela, certamente, encontrará o seu caminho e será mais capaz de adaptar-se ao progresso e às mudanças.

.Pessoalmente, sinto-me capaz de atingir o mais alto grau de felicidade possível, através das grandes obras de arte. Delas recebo dons espirituais de tal força que coisa alguma poderia proporcionar-me idênticas sensações. Em minha vida, as visões artísticas têm desmedida influencia. Afinal, o trabalho de pesquisadores e cientistas germina no campo da IMAGINAÇÃO e da INTUIÇÃO.

.Não basta ensinar ao homem uma especialidade. Porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira UM SENTIMENTO um senso prático daquilo que vale a pena ser compreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto.

.A musica e a pesquisa em física originam-se de fontes diferentes, mas são intimamente relacionas e ligadas por um fio comum, que é o desejo de exprimir o desconhecido. As reações divergem, mas os resultados são complementares.

.A inteligência e o caráter das massas são incomparavelmente inferiores à inteligência e ao caráter dos poucos que produzem algo de valor para a comunidade.

.Nossa era deveria ser a do Paraíso na Terra. A humanidade nunca teve, como agora, melhor ensejo de ser feliz.

.A obra do entendimento sobrevive às gerações barulhentas e obstruídas e espalha LUZ e calor através dos séculos.

.Ás vezes me pergunto como pôde ter acontecido de eu ter sido o único a desenvolver a Teoria da Relatividade. A razão, creio eu, é que um adulto normal nunca pára para pensar sobre problemas de ESPAÇO e TEMPO. Isso são coisas que ele pensou quando criança. Mas, o meu desenvolvimento intelectual foi retardado, motivo pelo qual comecei a questionar sobre espaço e tempo somente quando já era adulto. Naturalmente, pude ir muito mais fundo no problema do que uma criança em suas habilidades normais.

.O homem que descobriu uma idéia que nos faculta penetrar, muito pouco embora, o eterno mistério da Natureza, recebeu já grande soma de graça. Se, além disso, sente o amparo, a simpatia e o reconhecimento dos contemporâneos, alcança uma felicidade que mal pode suportar.

.Além das aptidões e das qualidades herdadas, é a TRADIÇÃO que nos faz o que somos. Raramente refletimos no quão pequena é a influência de nosso pensamento consciente sobre nossa conduta e convicções, quando comparadas à poderosa influencia da tradição.

.Sem cultura moral não haverá nenhuma saída para os homens.


CURIOSIDADES SOBRE A VIDA DE EINSTEIN

· Era grande a indiferença que Einstein mostrava pelo dinheiro. Certa vez, quando a arrumadeira limpava sua escrivaninha, encontrou um cheque de 1.500 dólares que estava sendo usado como marcador de livros, com data de vários meses passados.

· Quando era pesquisados e professor em Princeton, um grupo de estudantes perguntou-lhe onde se localizava seu laboratório. Einstein tirou do bolso uma caneta e respondeu: “Aqui”.

· Quando o Instituo de Estudos Superiores de Princeton foi organizado e Einstein concordou em tornar-se membro efetivo dele, a delicada questão do salário teve de ser resolvida. Os diretores pediram-lhe que propusesse a remuneração que deseja receber. À chegada de sua proposta, da Europa, houve geral consternação que motivou, aliás, uma reunião improvisada do Conselho Diretor. Finalmente, concordaram em responder que o seu desejo não seria atendido. O padrão do Instituo tinha de ser levado em conta. Tomava, portanto, a liberdade de comunicar-lhe que lhe tinham fixado salário numa quantia adequada – três vezes maior que a proposta.

IMPORTANTES CONTRIBUIÇÕES CIENTIFICAS DE EINSTEIN

_ Formulou a Teoria da Relatividade;

_ Estabeleceu a base da matemática da estrutura do Universo;

_ Substituiu a Teoria da “Atração Gravitacional” de Newton pela Teoria de um “Campo de Gravitação no Contínuo Espaço-Tempo”;


Einstein nasceu em Wurttemberg, sul da Alemanha, no dia 14 de março de 1879. Faleceu m Princeton a 18 de abril de 1955, com a mesma simplicidade e humildade com que sempre viveu: calma e imperturbavelmente, sem remorsos. – Viveu, portanto, 76 anos.


Einstein foi um ‘homem livre’, disse Baruch Spinoza, de quem Einstein foi um grande admirador.

E=mc2 – “A massa de um corpo é uma medida do seu conteúdo e energia.”

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[Texto de Maria Aparecida Frigeri].

sexta-feira, 14 de maio de 2010

RAMAKRISHNA_O Louco de Deus


Sri Ramakrishna, um santo indiano que viveu no século passado, conseguiu reunir em torno de si gente de todas as crenças e religiões, assumindo uma postura contra a discriminação e o radicalismo, que corroem as bases da busca pelo divino.

De todos os grandes homens da Índia que trilharam o caminho da espiritualidade buscando uma união com Deus, Sri Ramakrishna é um dos mais amados e considerados por sua sabedoria. Os que procuram suas palavras e ensinamentos percebem que a CONSCIÊNCIA DIVINA por ele atingida ultrapassa tempo, espaço e qualquer diferença cultural ou geográfica.

Em seus 50 anos de vida [1836-1886]. Ramakrishna deixou um legado espiritual que se estendeu a todos os continentes, tornando claro que o conhecimento de DEUS não pode ser restrito a determinada época e muito menos é exclusivo de uma só religião. Os estudiosos dizem que sua mensagem é sua CONSCIÊNCIA DE DEUS - quando esta não existe ou é abafada por qualquer motivo, surgem os dogmatismos e opressões que minam os ensinamentos místicos de seu poder transformador.

A UNIVERSALIDADE DO CRIADOR que ele propagava surge de maneira clara em uma de suas frases:”Muitos são os nomes de Deus e infinitas são as formas pelas quais podemos nos aproximar Dele. A forma e o nome que você escolher para adorá-Lo, através deles você o encontrará”.

A tendência para a vida espiritual começou a manifestar-se em Ramakrishna já na infância. Diz-se que seu primeiro êxtase ocorreu aos seis anos, quando caminhava por um arrozal. Sua atenção desviou-se para uma nuvem escura que cobria todos o céu. Em seguida ele notou um bando de ‘grous voando’, com sua brancura destacando-se em meio à escuridão, e ficou absorvido pela beleza da cena, soltando sua imaginação. Acabou perdendo a consciência e caindo ao chão, sendo encontrado mais tarde e levado para casa. Tempos depois, ele explicou: “O excesso de prazer, a emoção, me subjugaram. Foi a primeira vez que experimentei um êxtase.”

EM BUSCA DO ABSOLUTO
A tendência mística na infância concretizou-se na idade adulta, quando Ramakrishna entrou para um templo.

Seu desejo de união com Deus era tamanho que chegava a lhe causar problemas. Ele sentia ansiedade terrível de pensar que, em vida, poderia não ter a graça de contemplar o divino. “O sofrimento me dilacerava”, dizia o Iluminado. ‘Então, pensei: se tiver que ser assim, estou farto desta vida”. E foi exatamente nesse ponto crucial que as coisas começaram a mudar de forma inesperada. Havia uma grande espada pendurada no santuário da deusa Kali, onde ele se encontrava.

Ramakrishna pensou em usá-la para pôr fim à sua angustia: ”Precipitei-me em direção à espada, segurei-a como um louco e, de repente, a sala com todas as suas portas e janelas, e todo o templo desapareceram. Parecia que nada mais existia. Foi então que vi o oceano do ESPÍRITO, sem limites e resplandecente”. A sensação de amplitude foi crescendo em Ramakrishna, as ondas do oceano místico se expandindo à sua volta até que ele perdeu a respiração e a consciência. “Não sei como passei aquele dia e o seguinte. Dentro de mim, movia-se um oceano de alegria ‘indescritível’, e a presença da Mãe Divina”.

Suas visões se intensificaram de tal forma que ele chegou a pensar que estava enlouquecendo. Seu primeiro guru - a monja Bhairavi Brahmani, praticante de ritos ‘ vaishnavas e tântricos’ – lhe mostrou que o caminho por ela seguido era o mais adequado para quem pretendesse atingir o Absoluto. Ramakrishna permaneceu três anos com Bhairavi e então passou a ser instruído pó Totapuri, um sannyasin – pessoa que opta por abandonar as coisas do mundo. O renunciante lhe ensinou os conceitos da NÃO-DUALIDADE, o advaíta, considerado a forma mais elevada da filosofia VEDANTA.

No início do aprendizado, Ramakrishna não conseguia realizar o que Totapuri lhe pedia: libertar seu espírito de todos os objetos e mergulhar no seio de ATMAN, o SER ABSOLUTO. “Não tive nenhuma dificuldade em libertar a mente dos objetos, com exceção de um único: a forma da radiosa Mãe bem-aventurada, essência da consciência pura, que aparecia em minha frente como uma realidade viva. Ela fechavam-me o caminho do além. Tentei várias vezes concentrar a mente nos ensinamentos de advaíta, mas sempre a forma da Mãe se interpunha. Tomado de desespero, disse a Totapuri: “É impossível! Não consigo elevar o espírito ao estado incondicionado.” Ele me respondeu severamente: ‘Como, não? É preciso!’. Olhando em volta, o professor avistou um pequeno vidro, segurou-o na mão e me disse; ‘Concentre a mente neste ponto!’ Concentrei-me com todas as minhas forças e, tão logo a forma graciosa da Mãe apareceu, usei minha discriminação como uma espada e parti em dois pedaços. Não havia então mais nenhum obstáculo em minha mente, que voou na mesma hora para além do plano das coisas condicionadas.”

Seus êxtases eram, muitas vezes, incontrolados. Em algumas ocasiões, enquanto conversava com discípulos, o simples fato de pronunciar um dos nomes de Deus lançava-o ao estado de suprema bem-aventurança, e ele começava a cantar e dançar como se não mais fizesse parte deste mundo – o que levou muitos a chamá-lo de O LOUCO DE DEUS. Vários médicos chegaram a examiná-lo em estado de superconsciência, constatando que seu coração e pulmões haviam parado de funcionar completamente. Então, um discípulo cantava um mantra em seu ouvido e o mestre reassumia sua consciência mundana. Em certas ocasiões, Ramakrishna tentou descrever o que sentia quando a energia KUNDALINI subia através de cada um de seus chakras, mas suas descrições jamais ultrapassaram o chakra laríngeo. Quando a KUNDALINI chegava ao centro de força entre suas sobrancelhas ele mergulhava em Deus e não conseguia mais falar.

OS NOMES DO CRIADOR
“Diferentes pessoas recorrem a Deus por diferentes nomes. Alguns usam Alá, outros Deus, outros Krishna, Siva e Brahman. É como a água de um lago: alguns bebem num local e a chamam de jal; outros, em outro lugar, chamam-na de pani; outros ainda, num terceiro local, chamam-na de água. Os hindus chamam de ‘jal’; os cristão de ‘água’; e os muçulmanos de ‘pani’. Mas é tudo uma mesma coisa.”

Esse pensamento de Ramakrishna não surge por acaso – ele é fruto de sua experiência com as demais religiões. Depois de ter alcançado Deus pelo caminho HINDU, ele conheceu o ISLAMISMO. Essa aproximação se deu a partir de 1866, quando encontrou o muçulmano Govinda Raí, que ele percebeu ser um Iluminado e com quem obteve a iniciação. Em apenas três dias, ele teve a visão de Maomé e, igualmente, atingiu o Absoluto.

O mestre também mergulhou fundo nos conceitos cristãos, da religião sikh e do budismo, mergulho que serviu para Ramakrishna conhecer as várias religiões, mas não para que pregasse uma espécie de sincretismo. Ele voltou a seguir o hinduismo, defendendo a idéia de que um só caminho deve ser escolhido; caso contrário, o buscador corre o risco de não chegar a lugar algum.

Segundo suas palavras, HARMONIA entre as religiões não quer dizer UNIFORMIDADE, mas sim, UNIDADE NA DIVERSIDADE. Desta maneira, sua mensagem não prega uma fusão de religiões, mas uma aproximação e convivência agradável entre todas, baseada no objetivo comum que é a comunhão com Deus. Para alguns, essa idéia de HARMONIA é a maior contribuição de Sri Ramkrishna para o mundo moderno, que ainda se mostras resistente a ela.

O Grande Iluminado tinha uma pequena sala no templo Dakshineswar, nos subúrbios de Calcutá. E, devido à sua postura universalista, o local tornou-se uma espécie de parlamento das religiões do planeta. Pessoas de todo o mundo iam até lá conversar com ele e voltavam abismadas com seu conhecimento, quando não totalmente modificadas em suas concepções ou em sua falta de fé.

OS SEGUIDORES
Sri Ramakrishna deixou o corpo em 15 de agosto de 1886, depois de permanecer doente por muito tempo, mas seu trabalho e busca continuam inspirando seguidores até os dias de hoje. Curiosamente, seu primeiro discípulo foi SARADA DEVI [1853-1920], a mulher que lhe havia sido prometida em casamento desde a infância, conforme o costume indiano da época. Ela juntou-se a ele ao completar 18 anos, quando Ramakrishna já estava dedicado à busca espiritual, vivendo como monge.

O principal discípulo de Ramakrishna foi Swami Vivekananda [1863-1902], considerado o porta-voz do Vedanta do Mundo. Muitos dizem que a maioria das sociedades VENDANTA fundadas nos EUA e Europa até os anos 30 do século XX foi diretamente influenciada por ele ou por pessoas que ouviram suas palestras entre 1893 e 1900.

Na Índia, VIVEKANANDA foi o fundador da ORDEM RAMAKRISHNA, em 1898. Apesar disso, nem todos os seguidores de Ramakrishna acreditam que seu discípulo tenha se mantido fiel às palavras e pensamentos do mestre. Para estes, as preocupações sociais de VIVEKANANDA suplantaram as espirituais, fazendo-o esquecer a necessidade de, antes de tudo, buscar o Absoluto, encontrar Deus. Também foi acusado de deturpar o hinduismo que divulgou no Ocidente, especificamente o Vedanta, aproximando-o do protestantismo. Segundo esse ponto de vista, Vivekananda teria entendido de forma errada as experiências de Ramakrishna com as demais religiões e tentou agrupá-las no que chamou de um FRATERNIDADE PARA OS ADEPTOS DE DIFERENTES CRENÇAS.

A mensagem de Ramakrishna permanece tão clara e atual quanto foi em sua época, e cada vez mais divulgada. Ela surgiu como um sopro de novidade e um alerta para o futuro, em meio a uma humandidade que se tornava cada vez mais materialista. Num período em que a própria crença em Deus estava sendo questionada, a mensagem do Grande Iluminado apareceu como um verdadeiro oásis, no qual um sem-número de pessoas, religiosas ou não, puderam encontrar um caminho de equilíbrio.
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[Texto de Hélcio de Carvalho_Sexto Sentido Especial_Grandes Iluminados]

BUDA_UM HOMEM CONTRA O SOFRIMENTO DO MUNDO


Sozinho, ele mudou a história de vários povos, construindo uma renovada visão de mundo, na qual o sofrimento pode finalmente ser destruído. Esse homem Iluminado foi Sidarta Gautama, o Buda.

Seu nascimento está envolto em poesia e lenda. Segundo as histórias contadas mais correntemente, sua mãe, chamada de Maya [para alguns místicos essa é uma metáfora, pois ilusão, nas tradições indianas, possui o mesmo nome], em um sonho teria visto um elefante com seis presas entrar no seu ventre e fecundá-la com uma pérola. Ao acordar ela não sente qualquer alteração, apenas um ligeiro bem-estar, pois sabe que traz o Iluminado – A LUZ DA ÁSIA – dentro de si.

Após alguns meses, uma criança vem ao mundo,que deixa o ventre de Maya, andando e falando, como seria esperado de um ser tão evoluído espiritualmente. Nesse instante, SIDARTA dá sete passos, olha acima e abaixo, à esquerda e à direita, constatando que não existe outro como ele no universo. Depois, as histórias se confundem, mas todas relatam os perfumes que foram sentidos e os prodígios que aconteceram por toda parte. Ao dar à luz, sua mãe também adquiriu a iluminação e faleceu sete dias depois, ascendendo aos Céus. Assim teve início a saga de BUDA no plano material.

Nascido há mais de 2.500 anos, entre 558 e 567 a.C., SIDARTA GAUTAMA, quer viria a ser conhecido como BUDA, surgiu entre os membros da casta guerreira KSHATRYA, sendo seu pai na época um rei da região de KAPILAVASTU, ao sul do Nepal, onde nasceu sob a filosofia SAMKHYA, um dos três pilares básicos do hinduísmo tradicional.

Percebendo que o menino possuía algo de especial, o pai levou-o aos sábios e videntes, que viram nele todos os traços de um grande Iluminado. Suas mãos e pés traziam as marcas dos animais sagrados e da Grande Montanha; no alto de sua cabeça, onde se localizava o ‘chakra’ coronário, havia uma protuberância. Nesse instante, um dos sábios presentes chorou, pois sabia que, devido a sua idade avançada, não viveria o suficiente ara ser um dos discípulos do Iluminado.

Ao verem os sinais e coincidências de seu nascimento, os sábios profetizaram ao rei que seu filho havia descido ao mundo para ser um grande rei de toda a Terra ou um dos maiores sábios que pisaram no planeta. O rei não queria que seu filho fosse um monge, mas um grande príncipe, e por isso criou-o fechado no palácio, ocultando-lhe tudo que pudesse lembrar o sofrimento do homem. Cercou-o de luxo, mas os sinais continuavam a aparecer. Numa competição de arco e flecha realizada no palácio, SIDARTA lançou uma flecha numa distância assombrosa e, quando ela tocou o solo, a terra se abriu, brotando uma fonte de água límpida que até hoje é procurada sem sucesso por vários mestres e peregrinos. O pai se preocupou, mas preferiu ignorar diversos sinais – como o crescimento do lóbulo das orelhas-, tentando em vão fazer com que o iluminado seguisse o caminho da realeza e se casasse.

AS VERDADES DA VIDA
O matrimonio foi realizado com Isodara, nascida no exato instante em que Sidarta veio ao mundo, e a paixão entre eles, dizem, ocorreu no momento em que seus olhares se cruzaram. A vida do príncipe parecia seguir de acordo com o desejo de seu pai: quando ele saia do palácio para ver como andavam as coisas no reino, os guardas do império iam à frente limpando a sujeira, tirando os mendigos das ruas e tudo que pudesse mostrar como era realmente o mundo. Mas em uma de suas saídas a segurança falhou e o jovem viu três coisas que o perturbaram.:

ð A primeira foi um velho faminto e decrépito. Isso o deixou muito surpreso, pois ele não imaginava que aquilo existisse. Perguntou ao cocheiro que visão era aquela, recebendo a explicação de que era um velho, e que todos um dia chegam a tal estado;
ð A segunda visão foi um doente atacado pela lepra, o que o abalou ainda mais. Novamente ele perguntou o que era aquilo e ouviu que se tratava de um homem doente, como todos na Terra que, cedo ou tarde, acabam acometidos por uma enfermidade;
ð No caminho de volta ele encontrou um cortejo fúnebre e, mais uma vez, perguntou o que era aquela procissão, com um homem deitado. O cocheiro explicou a Sidarta que a morte é o destino final de cada pessoa, não importando a sua condição ou casta.

Esses encontros mudaram a vida do príncipe, que passou a pensar profundamente nos acontecimentos à sua volta, percebendo que seu pai e todos os demais ocultavam-lhe os fatos da vida. Ele percebeu que sua existência havia sido uma grande ilusão, pois o mundo tinha sofrimento, doenças e morte -, fosse quem fosse, ninguém escaparia a isso. Ele não sabia o que ‘fazer’, mas começou a sentir um impulso crescente e resolveu sair uma vez mais. Nesse novo passeio, ele encontrou um grupo de monges mendicantes, e sua curiosidade levou-o a perguntar a seu servo quem eram aqueles homens. O serviçal explicou que eram santos, que escolheram abandonar todas as ligações com as coisas terrenas para encontrar a Iluminação e se livrar do sofrimento. Essa resposta atingiu o coração do príncipe com a força de uma bomba, fazendo-o tomar a decisão de deixar o palácio, os luxos para se tornar um monge e ajudar outros a se libertarem do sofrimento.

A SAÍDA DO PALÁCIO
O dia em que Sidarta abandonou o palácio também foi o dia em que seu filho nasceu. Firme em sua decisão, ele quis ver o filho antes de partir, e o encontrou dormindo. Sem querer acordá-lo, deixou-o com a promessa silenciosa de que um dia voltaria para cuidar dele. Depois, cavalgou com seu servo para longe, trocou de roupa com o serviçal e se dirigiu às montanhas para encontrar os sábios e aprender com eles. O servo retornou e contou o ocorrido ao rei, que ficou desolado, mas nada pôde fazer. Segundo a lenda, o cavalo de Sidarta morreu de tristeza ao voltar para o palácio.

Conforme conta a tradição, o jovem aprendeu o sistema SAMKHYA com o mestre Arada-Kalama, e as técnicas de ioga com o guru Udraka Ramapura. Mas, mesmo assim, seu interior não estava calmo. Ele sentia que deveria partir para outras direções e, com este intuito, rumou com um grupo de ascetas para floresta. Se intuito era praticar mortificações e jejuns para atingir a Iluminação.

Ele percebeu que, por mais que castigasse seu corpo e jejuasse quase até morrer, enfrentasse o Sol ou a chuva sem nada a lhe cobrir o corpo, praticasse as posições de ioga nas mais diversas condições, esses extremismos não o estavam levando a lugar algum.

Quando externou suas preocupações para seus companheiros de senda, eles disseram que ele estava se desviando do caminho, que deveria treinar com mais afinco. Embora ainda fizesse toda a série de mortificações, Sidarta percebia que estava longe de seu objetivo. Em uma das passagens pela floresta, uma moça percebeu o quanto ele estava fraco e ofereceu-lhe um pouco de água e arroz, que ele aceitou de bom grado. Mas seus companheiros, ao ver isso, repreenderam e abandonaram-nos, pois segundo afirmavam ele não era digno do caminho dos SADHUS[renunciantes].

Com as forças renovadas, SIDARTA percebeu que a verdade e a libertação, não estavam nos extremos. Fosse na luxuria ou nas mortificações, ele nunca encontraria as respostas que procurava, pois elas estavam no meio termo, no CAMINHO DO MEIO. Com isso em mente, ele decidiu ir até o fim para descobrir a VERDADE. Para isso, escolheu uma figueira, sentou-se embaixo dela e fez o juramento de que, mesmo se sua carne definhasse e seu sangue secasse, ele só se levantaria dali depois de obter a Iluminação. Tão firmes eram sua determinação e vontade que GAUTAMA a obteve naquela mesma noite.

Foi então que ele percebeu a razão de tudo que ocorria ao homem, soube quem era e quem havia sido, que há 500 encarnações ele vinha se preparando para a Iluminação.

Também percebeu que não havia nada e nem ninguém para auxiliar no seu processo de busca e conhecimento: toda a verdade e o saber estavam em seu interior. Compreendeu que essa mesma verdade se aplicava a todos os seres humanos, que essa era a chave para acabar com o sofrimento.

Conta-se que MARA[rei dos demônios], percebendo que o seu domínio sobre os homens seria afetado, atacou o iluminado com todas as suas artimanhas, desde elefantes enlouquecidos e guerreiros místicos, até belas donzelas em trajes diáfanos. Mas, uma a uma, tais ameaças foram desviadas por SIDARTA, que já havia se tornado o BUDA.

Firmem em seus propósitos, continuou noite adentro e, quando a estrela da manhã surgiu no horizonte, BUDA despertou com toda a força de sua Iluminação. Segundo contam as escrituras budistas, isso ocorreu na lua cheia de maio, que no calendário hindu é chamada de VESAK, data que se tornou especial no budismo – uma espécie de Natal, pois representa o momento em que nasceu o grande salvador do mundo, aquele que havia atingido a Iluminação por si mesmo.

Sidarta tinha 35 anos quando isso aconteceu. Após ter atingido a iluminação, ele ainda permaneceu mais sete dias sentado no local, desenvolvendo uma forma de transmitir aos homens o que havia descoberto, para que não só ele, mas todos, pudessem atingir o estado de BODHI[ILUMINAÇÃO].

O CAMINHO E A VERDADE
No período final de sua meditação, ele havia deduzido quatro VERDADES NOBRES que são:

ð o sofrimento existe; sua origem é o desejo; sem desejo não há sofrimento; pode-se chegar a eliminá-lo por meio da SENDA ÓCTUPLA, que consiste em:

1. intenção correta;
2. visão correta;
3. palavra correta;
4. ação correta;
5. vida correta;
6. esforço correto;
7. mente correta;
8. concentração correta
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Com isso, ele definiu uma didática para ser mantida mesmo após sua partida deste plano. Essa forma de pensamento era inovadora, pois quebrava o sedimentado sistema de castas indiano e colocava em xeque o destaque que os gurus e religiosos usufruíam na sociedade hindu. BUDA ainda foi além, afirmando, em mais de um discurso, que os praticantes do BUDISMO deveriam questionar seus mestres, inclusive ele. Somente a doutrina que sobrevivesse a tal escrutínio teria a chave para a libertação.

Seguindo suas próprias palavras, o Iluminado em Benares mendigando como um sadhu errante foi ter com os cinco renunciantes que o haviam deixado para trás, por não considerá-lo digno de ser monge. Ao chegar ao Parque das Gazelas, proferiu seu primeiro sermão, que tem para o budismo a importância do Sermão da Montanha para o catolicismo. No momento em que os monges o viram, percebem que ele era o Iluminado. Após ouvirem suas palavras, os cinco atingiram SAMADHI [O Supremo estado de Bem-aventurança] e se uniram à ordem que acabava de nascer: O BUDISMO.

A LUZ DA ÁSIA
Sidarta Gautama começou a andar por toda a Ásia e converter um grande número de pessoas, a tal ponto que a classe sacerdotal se viu acuada e pediu que seu pai fizesse algo. Ele convocou Sidarta, que atendeu o pedido do pai. Afinal, embora fosse um Iluminado, ainda atuava com o máximo de ética e educação.

O Buda chegou a seu palácio acompanhado por mais de 20 mil seguidores e, durante sua estadia, converteu o primo ANANDA, que se tornou seu grande amigo e herdeiro de seu legado. Também tornou monge seu filho, e foi repreendido por seu pai. O rei entendia que, apesar de ser um Iluminado, ele não poderia ordenar crianças sem que elas atingissem uma idade mínima, o que foi aceito por Buda e virou regra desde então.

Ainda em sua terra natal, Sidarta foi vitima de intrigas e emboscadas, algumas armadas por seu primo DEVADATA, das quais sempre se livrou. Conta a lenda que Devadata foi tragado por um dos infernos e lá queima em chamas até hoje.

Passados alguns anos, Buda foi visitado por Mara, o Rei dos Demônios, que havia sido vendido na noite de sua Iluminação. Mara lhe perguntou se ele deixaria seu corpo físico e Buda respondeu que sim, três meses a contar daquela data. Ele explicou que a morte e o fim do corpo físico é uma lei universal à qual até ele deveria obedecer, mesmo tendo a capacidade de viver milhares de anos, se assim quisesse.

Depois disso, ele convocou os mais diversos seres, desde demônios serpentes até criaturas celestiais, e ordenou que todos observassem a sua lei, que ela não fosse quebrada e afirmou que, por meio de sua prática, muitos seriam libertados.

Com a saúde abalada em virtude de alguns alimentos que lhe foram ofertados em suas andanças, ele caiu de cama e faleceu aos 80 anos, deitado com a face para o poente e a cabeça em direção ao norte, debaixo de duas árvores. Entrando em êxtase, ele abandonou o corpo em meio a seus discípulos.

Durante o processo de sua morte, Buda vaticinou os cismas que deveriam ocorrer, como de fato ocorreram, e que transformaram o BUDISMO em um amálgama de diferentes visões – uma teia que interliga diferentes pontos de vista, desde o lamaísmo tibetano até o zen-budismo japonês – todas iluminadas pelos ensinamentos da LUZ DA ÁSIA: SIDARTA GAUTAMA, o SAKYAMUNI BUDA.
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[Texto de Alex Alprim_ Sexto Sentido Especial_Grandes Iluminados]

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Maomé _ O Profeta de Alá


Considerado o último dos profetas enviados por Deus para dar Sua mensagem à humanidade, Maomé, passou para a história com o uma das personalidades mais influentes de todos os tempos.

Entre os historiadores não há qualquer dúvida de que Maomé é um dos homens mais influentes da história humana. Para os MUÇULMANOS, a explicação disso está no fato de que toda a obra do profeta veio de Deus.

Muitos acreditam que o imenso fascínio que suas palavras exercem sobre o mundo árabe possa ser explicado pela existência de um ambiente extremamente propício para o desenvolvimento da religião islâmica na época – afinal, ele organizou e deu sentido de UNIDADE a um povo dividido em várias tribos hostis. Vencendo inúmeras adversidades, MAOMÉ conseguiu criar uma nação que, durante um perído relativamente curto, estendeu sua influência sobre uma região ainda mais extensa do que a dominada pelo império romano em seu apogeu. Na verdade, o avanço do ISLAMISMO e da cultura árabe só foi detido graças à batalha de TOURS, FRANÇA, no ano de 733. Se assim não fosse, hoje o chamado mundo ocidental poderia ser essencialmente islâmico.

Parece haver uma certa dificuldade para os ocidentais, e para os cristãos em particular, em entender a figura de Maomé, já que é grande a tendência de compará-lo com Cristo. Só que tal comparação não faz sentido, segundo os muçulmanos, que também consideram Jesus como um de seus profetas. Maomé não é tido como Deus, como ocorre com Cristo, mas como o homem a quem foi dada a missão de transmitir a palavra Dele. Assim, o ponto central da religião é o livro chamado ALCORÃO, visto como uma cópia do ALCORÃO CELESTE, ou ALCORÃO INCRIADO. É uma versão terrena da obra divina, traduzida em forma de letras e sons, e sua composição por MAOMÉ se torna ainda mais surpreendente porque o profeta não sabia ler ou escrever.

Mas conjecturas à parte, apesar da importância de Maomé na formação do Islã, segundo o historiador Huston Smith, em AS RELIGIÕES DO MUNDO, os muçulmanos afirmam que o islamismo não começou com Maomé, mas com Deus, como está escrito no Livro de Gênesis. Com Maomé, o islamismo atingiu sua forma definitiva.

AMBIENTE CONTURBADO
O Grande Profeta Maomé nasceu em Meca por volta de 570 d.C., cidade que, na época, já era considerada santa e um centro de peregrinação. Lá se encontrava a CAABA, O TEMPLO DE PEDRA NEGRA, de formato cúbico, que a tradição diz ter sido construído por ABRAÃO, e que alguns afirmam tratar-se de um meteorito. No entanto, a cidade apresentava um ambiente sem qualquer controle ou organização, inclusive por parte da religião predominante, geralmente apresentada como um politeísmo animista repleto de espíritos chamados ‘jinn’[demônios]. Não existindo qualquer restrições morais, não havia uma justiça eficaz ou organização política. A sociedade era composta por tribos que não tinham um sentido de nação e sequer s consideravam integrantes de um mesmo povo.

Diz-se que a personalidade de Maomé - nome que significa ‘altamente louvado’ – foi fortemente marcado pelos acontecimentos em sua infância. Nascido na influente tribo Koreish, o pai morreu logo após seu nascimento, a mãe quando ele tinha seis anos e o avô, que o criou a partir de então, quando ele completara oito anos. Adotado por um tio, o jovem passou a cuidar de rebanhos.

Esses fatos marcantes o tornaram uma pessoa de bom coração, de temperamento calmo e gentil e preocupado com o sofrimento alheio. Apesar dessa preocupação com seus semelhantes, sua forma de ser o manteve afastado da sociedade corrupta e viciada da época. Os relatos descrevem um ambiente em que o jogo, as orgias e a degeneração dos costumes era a regra, com disputas violentas explodindo freqüentemente entre as tribos.

Maomé tornou-se um comerciante respeitado quando entrou para o ramo das caravanas. Aos 21 anos, conheceu e começou a trabalhar para a rica viúva Khadija, 15 anos mais velha que ele, com quem veio a se casar. Essa união é considerada muito importante, uma vez que, após receber a revelação divina, Maomé foi muitas vezes confortado por sua esposa durante um período em que ninguém acreditava em suas pregações.

A PALAVRA DE ALÁ
Sentindo-se deslocado na sociedade em que vivia, Maomé costumava se retirar para uma caverna no Monte Hira, próxima a Meca. Depois de completar 40 anos, o anjo Gabriel apareceu a sua frente e lhe disse que ele teria uma missão muito especial. As palavras exatas ditas por Gabriel variam de acordo com a tradução, mas basicamente o anjo l he ordenava que lesse o pergaminho que trazia nas mãos, apesar de Maomé não saber ler.

Cheio de dúvidas e achando que poderia estar enlouquecido, o profeta continuou a receber as mensagens. Com o apoio de Khadija, começou a espalhar a palavra de Alá, inicialmente para os familiares e amigos mais próximos, depois conversando com outras pessoas. Foi um período difícil, uma vez que não havia qualquer interesse nos poderosos da região em permitir que uma fé monoteísta ganhasse força.

Segundo Huston Smith, a hostilidade com que sua mensagem foi recebida deve-se a três causas.:

Em primeiro lugar: acabar com as crenças politeístas implicava em reduzir a renda que entrava nos cofres de Meca com as peregrinações – a cidade tinha 360 santuários, um para cada dia do ano lunar.

Em segundo lugar: Os ensinamentos também tinha um fundo moral, que ia contra a licenciosidade a que se entregavam os habitantes do local.

Em terceiro lugar: o conteúdo das mensagens ia diretamente contra a ordem injusta e pregava uma espécie de sistema democrático, uma vez que Maomé insistia na idéia de que todas as pessoas eram iguais perante Alá.

Tais ensinamentos implicavam em acabar com uma série de privilégios dos poderosos e não demoraram a gerar agressões e insultos. Com o passar do tempo e a ineficácia dos ataques verbais, os ataques se tornaram mais contundentes, transformando-se em calúnias e difamações, até chegar às agressões físicas. Mas, como ocorreu com outras religiões, a insistência e a fé de Maomé e de seus até então pouco seguidores fez com que a mensagem ganhasse força e chegasse a mais e mais ouvidos, encontrando respostas positivas. Conta a história que nos primeiros três anos o número de conversões não passava de 40, mas dez anos depois centenas de famílias aclamavam-no como o autêntico porta-voz de Deus.

A HÉGIRA
Em árabe, Hégira significa migração, ou ‘rompimento, partida’. Representa um ponto crucial no desenvolvimento do ISLAMISMO e começou a tomar forma no momento em que os nobres de MECA sentiram-se realmente ameaçados pelo crescimento no número de seguidores do Islã. Sua idéia era simplesmente liquidar Maomé de uma vez por todas.

Foi nesse período que o profeta recebeu a visita de uma delegação de importantes cidadãos da cidade de Yathrib, 450km ao note de Meca, onde seus ensinamentos já começavam a encontrar respostas. A cidade atravessara um momento de imensa dificuldade devido às lutas internas e os cidadãos desejavam a presença de um líder forte, imparcial e sem relação com a cidade. Resultado: Maomé foi escolhido para a função. Como se dispuseram a aceitar os preceitos do Islã, o profeta aceitou a difícil tarefa. Dezenas de famílias partiram de Meca para a cidade e Maomé seguiu posteriormente, perseguido pelos lideres que desejavam a sua morte. Isso ocorreu em 622, ano que marca o inicio do calendário dos muçulmanos.

A cidade passou a ser conhecida como Medina al-Nabi, A Cidade do Profeta, ou apenas Medina, a primeira a se tornar totalmente islâmica. Diz-se que até mesmo aqueles que costumam falar mal de Maomé reconhecem que ele fez um trabalho notável em Medina, atuando como um estadista de primeira linha. Entre seus feitos locais, conseguiu unir as cinco tribos da cidade, três delas judias, e formou uma federação em que o ponto alto era o sentido de justiça social.

Os acontecimentos seguintes envolveram uma verdadeira guerra contra Meca, iniciada dois anos após a hégira, com uma vitória do profeta contra um exercito numericamente muito superior. Essa vitória, no entanto, foi seguida por uma derrota no ano seguinte, na qual o próprio mensageiro de Deus foi ferido. Os historiadores dizem que Meca cometeu um erro ao não iniciar imediatamente o cerco a Medina, dando às forças muçulmanas a possibilidade de reverter a situação. O resultado é que, oito anos após a saída de Meca, Maomé retornava à cidade como seu conquistador e praticamente toda ela se converteu ao islamismo.

A EXPANSÃO
Quando Maomé faleceu em 632 d.C., a maior parte da Arábia já estava dominada e se tornara islâmica. E foi só após sua morte que o alcorão começou a ser redigido, até então guardado na memória dos seguidores. Diz-se que os textos estavam escritos em folhas de palmeiras, peles e pedras, e que o primeiro califa, Abu Bakr, mandou escrever todos os versículos sobre peles vindas da Pérsia.

Maomé morreu no colo de sua esposa preferida, Aisha, e escolheu ser sepultado em Medina, a cidade que adotou. Seu túmulo ficou na mesquita erguida pela comunidade muçulmana logo que chegaram à cidade. A construção original, que serviu como centro religioso e econômico de Medina enquanto Maomé estava vivo, foi ampliada e embelezada pelos governantes posteriores. Mais tarde, ao lado de seu túmulo foram enterrados Abu Bakr e Umar, os dois primeiros califas.

Os califas foram os sucessores de Maomé na liderança dos muçulmanos, sendo que os três primeiros ou eram parentes do profeta ou faziam parte dos primeiros convertidos. O quarto califa foi Ali, primo de Maomé e casado com sua filha Fátima. Foi nessa época que se deu o cisma no islamismo, uma vez que alguns seguidores do profeta entendiam que a sucessão devia ser a partir da descendência direta do profeta. Essa facção minoritária se denominava ‘Shiat Ali’, ou Shia, que é a facção XIITA, hoje a principal do Irã. A facção majoritária, SUNITA, entendia que a liderança e a sucessão cabia a quem de fato detinha o poder. Ali foi assassinado pelos adversários e o califado se instalou em Damasco e depois, em Bagdá, onde permaneceu por 500 anos. A partir de então, a liderança passou a ser exercida pelo sultão de Istambul, até 1924, quando o último sultão turco foi derrubado e o islamismo deixou de ter um califa como líder.

A influencia do ISLAMISMO no mundo ocidental foi grande, tanto nas artes quanto nas ciências, e sentida ainda mais depois que o califado se instalou na península ibérica. Não se tratou de uma influencia religiosa, uma vez que os conquistadores mantiveram a liberdade de pensamento dos conquistados – ainda que muitas conversões tenham sido realizadas no norte da África, por exemplo, de onde o islamismo se espalhou para o restante do continente africano. Nem mesmo o período colonialista, quando os europeus dominaram grande parte da África, foi suficiente para conter sua expansão.

OS PILARES DO ISLÃ
Segundo praticamente todos os especialistas, o credo do Islã, pode ser resumido na frase:

“NÃO HÁ DEUS SENÃO ALÁ, E MAOMÉ É SEU PROFETA”.

Nesta frase esta contido o núcleo da religião, ou seja, o monoteísmo e a revelação por intermédio de Maomé. Um conceito teológico básico do islamismo, explica Huston Smith, é a crença absoluta na realidade de Deus, imaterial e invisível, ainda que não tenha sido o Alcorão que introduziu os árabes no mundo invisível do espírito, ou mesmo no monoteísmo. Os chamados ‘HANIFS’ já tinham chegado a essa postura antes de Maomé. O que o alcorão fez foi acabar com os ídolos religiosos e centralizar a atenção dos fiéis em um único Deus invisível.

Outro conceito teológico tido como uma das causas da ciência islâmica ter se desenvolvido muito mais que a européia, especialmente durante a Idade Média, trata-se da idéia de que o mundo foi criado por ato deliberado da vontade de Alá. Isso implica em um entendimento da matéria como algo real e importante, o que levou ao desenvolvimento da observação cientifica. Esse mesmo conceito também se encontra na idéia de que, por ter sido criado por Alá, que é bondoso, o mundo material só pode ser um lugar bom.

Os muçulmanos possuem obrigações religiosas básicas, chamadas de OS CINCO PILARES DO ISLÃ, que estão relacionadas com o CAMINHO RETO, ou seja, o caminho correto para a vida, explicado por meio de ordens bem claras.

Isso está relacionado com os quatro estágios da revelação de Deus à humanidade.:

=> Primeiro, por intermédio de ABRAÃO, foi a revelação do monoteísmo;

=> O segundo por intermédio de Moisés, foi a revelação dos Dez Mandamentos;

=> a terceira, com Jesus Cristo, foi a revelação da Regra de Ouro, ou seja, ‘devemos fazer aos outros o que gostaríamos que eles nos fizessem’;

=> Restava, então, uma pergunta: como deveríamos amar nossos semelhantes?

Assim, os pilares que regulam a vida dos muçulmanos são:
 o credo;
 a oração;
 a caridade;
 o jejum e a peregrinação a Meca.


Hoje, mais do que nunca, tornou-se fundamental conhecer mais da religião islâmica. Uma onde de interesse pelo islamismo espalhou-se pelo mundo, especialmente nos EUA, que sofreu os atentados terroristas ligados ao radicalismo islâmico. No entanto, muitos estudiosos entendem que a falta de conhecimento sobre o Islã é crônica na sociedade ocidental, algo que já vem dos tempos das cruzadas e se fundamenta principalmente no preconceito.

Fala-se muito que, ao considerar os atos radicais e violentos de organizações muçulmanas, os ocidentais tendem a esquecer os atos igualmente terríveis praticados por outras religiões no passado, inclusive a católica. Ao se levantar esses assuntos é importante lembrar que os muçulmanos consideram Jesus como um de seus profetas, e a mensagem de amor ao próximo transmitida por ele é encarada com tanta seriedade e respeito quanto o é pelos cristãos.

Por esse motivo, obter informação e conhecimentos sem preconceitos é fundamental para obter um ponto de vista equilibrado sobre realidades que, aparentemente, encontram-se tão distantes da nossa
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[Texto de Gilberto Schoereder_Sexto Sentido Especial_Grandes Iluminados]

Quem foi Cristo afinal?


Ainda envolta em muitos mistérios, a vida de Jesus Cristo causou uma revolução sem precedentes na humanidade. Mas e o lado místico do grande avatar, seus ensinamentos esotéricos?

É quase uma unanimidade que Jesus tenha sido o homem mais influente da História humana, ainda que com o atual crescimento do islamismo os muçulmanos possam reclamar a mesma situação para Maomé. Mas Jesus ultrapassa a fronteira das religiões, uma vez que também é um profeta para os muçulmanos, e na Índia é reverenciado como um ‘AVATAR’ da divindade Vishnu. O mais interessante é que esse jovem mestre, nascido na Galiléia há mais de 2 mil anos, alterou para sempre a sociedade no planeta e é muito pouco mencionado nos documentos de sua época.

Hoje, talvez mais do que nunca, estuda-se a vida de Cristo na tentativa de decifrar os mistérios que ainda envolvem sua passagem pela Terra, especialmente dos 12 aos 30 anos, período completamente obscuro no Novo Testamento. Numa época consumista como a nossa, muitos falam sobre Jesus e suas mensagens para a humanidade – há inclusive aqueles que afirmam receber instruções diretamente dele -, utilizando sua figura de forma puramente comercial, totalmente contrária aos seus ensinamentos básicos.

Arqueólogos vêm tentando comprovar ou desmitificar passagens bíblicas, relativas ao Velho e ao Novo Testamento, e novas descobertas jogam luz no conhecimento histórico sobre o mestre, desde as TEORIAS envolvendo a estrela que iluminou o céu após o seu nascimento – que seria um cometa – até a recente possível descoberta do local em que Jesus foi batizado na Jordânia.

Como se não bastasse, em tempos mais próximos Jesus também passou a ser entendido por alguns como um extraterrestre de poderes e conhecimentos muito acima dos humanos, atuando na Terra como parte de um processo de esclarecimento e limpeza do planeta – um conceito que também faz parte dos milenares conhecimentos da Índia.

INFÂNCIA
Embora a maioria dos historiadores cristãos não aceite a idéia, outros pesquisadores e historiadores afirmam que a passagem de Jesus pela Índia está fartamente documentada nos Iamastérios. Essa ida já estaria evidenciada em seu nascimento: o incenso e o ouro levados pelos magos Gaspar e Baltazar vinham de Ladakh – o incenso com a finalidade de reconhecer o novo avatar, e o ouro como dote para que, a partir dos 11 anos, ele pudesse se instruir em Ladakh e conhecer o budismo.

No Tibete, o jovem rabino ficou conhecido como Issa, um grande profeta, uma emanação de Buda. E, ao contrário do que acreditam os cristãos, Jesus não teria morrido na cruz, mas na Índia, tendo sua sepultura em Srinagar, onde também é conhecido como o profeta Yuz Asaf. Alguns historiadores afirmam que essa passagem de Jesus pela Índia não ocorreu, e a idéia apenas começou a ser apresentada após a publicação de um livro do viajante russo Nicolas Notovitch, “The Unknown Life of Jesus [A Vida Desconhecida de Jesus], em que o autor falava sobre documentos que teria encontrado sobre Issa, relacionando-o com Jesus. Mas a tradição tibetana e indiana é bem mais antiga, e estudiosos entendem que a semelhança entre os ensinamentos de Jesus e dos tibetanos é evidente demais para ser negada. Da mesma forma fala-se de sua viagem ao Egisto e à Pérsia, onde teria estudado o Zoroastrismo, na época em que tinha cerca de 16 anos.

A dificuldade dos historiadores está em conciliar informações e datas contraditórias que vêm tanto do Tibete, quanto dos evangelhos considerados apócrifos, mas que contém informações importantes sobre os anos misteriosos do Cristo. Segundo o professor Fida Hassnain – historiador nascido em Srinagar, Índia, e autor do livros ‘Jesus, a Verdade e a Vida´[Madras Editora]-,na primeira etapa da viagem à Índia, o mestre teria entrado em contato com seguidores do JAINISMO, religião que defendia a purificação da alma pela pureza de vida, não-violência, ações e pensamentos nobres, generosidade com todos os seres e dieta vegetariana.

Depois, ele teria ido a Varanasi, e existiriam textos sobre seus sermões na região, que irritaram os sacerdotes brâmanes. Logo após, Jesus teria entrado em contato com BUDISTAS e vivido entre eles por seis anos, quando iniciou a viagem de volta à sua terra natal, cruzando a Pérsia até chegar em Israel. Mais uma vez, ele teria se dirigido ao Egito, onde havia estado antes, e visitado mosteiros dos ESSÊNIOS com seu pais terrenos.

Fida Hassnain também diz que Jesus esteve na Grécia e Inglaterra, esta última viagem realizada como acompanhante de José de Arimatéia, ESSÊNIO rico e importador de estanho entre Cornawall e Fenícia. Essa viagem figura em lendas apenas - que dizem que Jesus construiu uma igreja em Glastonbury e que a mãe de Maria seria de Cornwall. Para a maioria dos pesquisadores, no entanto, essa é apenas uma tentativa de aproximar Cristo do Ocidente, transformando sua verdadeira origem.

INFLUÊNCIAS
Historiadores ortodoxos também têm posturas contraditórias, algumas vezes reconhecendo uma relação entre os ensinamentos cristãos e os de outras religiões, outras vezes entendendo que tudo o que Cristo disse estava dentro da ortodoxia judaica.

Arnold Toynbee, um dos mais famosos historiadores do mundo, diz que o cristianismo venceu uma verdadeira batalha para se tornar a religião universal no Oriente Médio e Mediterrâneo. Essa competição entre religiões ocorreu após a unificação política com o Império Romano, em que muitos deuses e deusas desapareceram e deixaram ‘lugares vagos’. Assim, o papel de Mãe, que já fora de Isis, Cibele, Ártemis ou Deméter, foi assumido por Maria, com os mesmos atributos de Ísis. E com a morte de Zeus no mundo helênico, Javé assumiu seu lugar.

Toynbee também diz que os relatos mais antigos sobre Cristo foram escritos por devotos que já haviam passado a acreditar que o mestre não tivera qualquer pai humano, assim como os faraós, que se diziam ter sido fecundados por um deus. O historiador também assinala paralelos com religiões como o HINDUISMO, uma vez que Jesus havia repudiado a sugestão de ser Deus – informação contida nas próprias escrituras, ainda que renegada por grande parte do clero católico. Em pelo menos dois pronunciamentos registrados, Jesus teria afirmado que ele e Deus não eram o mesmo ser, o que o historiador entende como uma postura hindu – ou seja, um homem que anulou o seu ego e com isso abriu o véu que oculta a realidade espiritual suprema. ‘Essa visão direta da realidade espiritual maior’, escreve Toynbee, ‘pode ter sido a experiência que levou seus adeptos não-judeus a deificá-lo’, algo que, como judeu, ele não poderia aceitar. O historiador ainda explica que, assim como outros rabinos de sua época, Jesus pode ter-se denominado ‘filho de Javé’, uma frase comumente utilizada para indicar relação de amizade e confiança mútuas.

Seguindo a trilha de outros estudiosos, Toynbee também situa Jesus num ambiente cultural limitado, entendendo que, como judeu ortodoxo, seus horizontes étnico e geográfico limitava-se ao judaísmo palestino, e mesmo quando enviou os discípulos em expedição missionária, eles foram instruídos para se dirigis apenas aos judeus – uma postura que contradiz as informações de que Jesus esteve na Índia e em outros países absorvendo culturas. Grande parte dos historiadores do período entende que os SADUCEUS concordaram com a condenação de Cristo pelas autoridades romanas porque ele havia permitido que a população judaica de Jerusalém o aclamasse como o Messias, aquele que iria libertar o povo judeu, e não pode discordar de suas interpretações dos textos sagrados, idênticas às de outros rabinos. Assim, a revolta da população, que poderia terminar em imensa matança, foi evitada com a morte de um único judeu.

O escritor Sérgio de Souza Carvalho, autor de ‘Os Mestres da Terra’ [Hemus editora], também cita evangelhos apócrifos como exemplo da influência hindu nas palavras de Jesus, especialmente o chamado ‘Evangelho de Tomé’, encontrado no Alto Egito em 1945. Nele, Jesus utilizaria idéias que os judeus desconheciam, mas muito comuns na Índia. Carvalho desenvolveu um pensamento diferente de Tonynbee ao afirmar que Jesus entrou em conflito com as autoridades justamente por se utilizar de métodos pouco ortodoxos, como a escolha de homens simples para discípulos, a convivência com prostitutas, uma vida itinerante e uma preocupação com os pobres e oprimidos, apesar de ter se recusado a ser um líder político.

APÓS A CRUCIFICAÇÃO
A crença na crucificação e ressurreição de Jesus Cristo é um ponto fundamental do cristianismo e da Igreja Católica, mas não é compartilhado por outras religiões que também têm em Jesus uma figura especial.

Para os HINDUS, por exemplo, Cristo não morreu na cruz, mas sobreviveu e retornou à Índia, onde faleceu anos depois. Diz-se que ele possuía o conhecimento dos iogues, que são capazes de reduzir sua respiração para dar a impressão de estarem mortos. Hassain cita um texto sobre a crucificação de Jesus, que eles chamavam de ISHA NATHA, no qual é explicado que Jesus entrou em estado de superconsciência, ou ‘samandhi’ mesmo antes da tortura. Um de seus mestres, CHETAN NATHA, viu em meditação o que ocorria com Cristo/Isha Natha e se transportou para Israel, tornando seu corpo mais leve que o ar. Ele pegou o corpo de Jesus do sepulcro, despertou-o do transe profundo em que se encontrava e conduziu-o para a Índia, onde estabeleceu um ‘ashram’ nas terras baixas do Himalaia.

A seita muçulmana AHMADDIYA, segundo Souza Carvalho, não aceita a morte de Jesus na cruz, acreditando que ele faleceu de velhice na Cachemira, onde teria se casado e tido um filho. O professor Fida Hassnain diz que os ESSÊNIOS também têm uma versão diferente para o que ocorreu após a crucificação – versão obtida do livro “The Crucifixion by na Eye Witness” [A Crucificação Segundo uma Testemunha Ocular], lançado em Chicago em 1907. Segundo se diz, o livro foi publicado originalmente em 1873, mas acabou sendo retirado de circulação e todos os exemplares foram destruídos. Uma cópia teria ficado em poder da ORDEM MAÇÔNICA em Massaschussets. O texto seria a tradução de um manuscrito em latim, em poder da FRATERNIDADE MAÇÔNICA DA ALEMANHA, que continha uma carta escrita por um membro da ORDEM DOS ESSÊNIOS a outro membro na Alexandria, sete anos após a crucificação.

O texto diz que dois ‘irmãos’ de ordem, José e Nicodemos, influentes tanto junto a Pilatos quanto aos judeus, foram os que removeram o corpo de Cristo da cruz, depois que um terremoto afastou as pessoas do local. Eles não acreditavam que o mestre estivesse morto, já que ele teria passado menos de sete horas crucificado. Quando viram seu estado, perceberam que ainda era possível salva-lo usando ungüentos de grande poder curador. O corpo foi então colocado no sepulcro pertencente a José de Arimatéia. Defumaram a gruta com aloé e outras ervas, e fecharam a entrada com uma pedra grande. Trinta horas depois, um ruído foi ouvido. Os ESSÊNIOS perceberam que seus lábios se moviam e ele respirava. Assim que Jesus se recuperou foi escondido em um centro essênio.

RESSURREIÇÃO E RETORNO
Seguindo esses estudos paralelos, as inúmeras aparições de Cristo após sua morte, registradas nos evangelhos, devem ser entendidas não como aparições no sentido MÍSTICO, mas FÍSICAS mesmo. Na verdade, passagens de LUCAS[24:36-40 e 24:36-42] são citadas como exemplos d que isto de fato ocorreu. Durante encontros dos discípulos, que discutiam se Cristo tinha ou não ressuscitado, Jesus surgiu para eles. O texto diz:

“Enquanto ainda falavam dessas coisas, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: A paz esteja convosco. Espantados, todos pensaram estar vendo um espírito. Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados e por que essas dúvidas nos vossos corações? Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo; apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho”. E ainda: “Mas vacilando eles ainda, e estando transportados de alegria, perguntou: Tendes aqui alguma coisa para comer? Então ofereceram-lhe um pedaço de peixe assados. Ele tomou e comeu à vista deles”.

Dessa maneira, as inúmeras aparições foram para mostrar aos discípulos que ele estava vivo e que não se tratava de um milagre.

Em João 10:16 também estaria a indicação de que Jesus partiria em viagem, quando diz: “Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão minha voz”. Os muçulmanos costumam dizer que, após ter sido salvo da cruz, Jesus partiu numa odisséia, guiado e protegido por Alá, tendo vivido até os 120 anos.

Claro que os indícios de que Jesus teria vivido e morrido na Cachemira muito depois da crucificação não são reconhecidas pela história oficial, mas isso é o que menos importa. A mensagem do jovem rabino permaneceu viva durante dois milênios, foi acolhida pelas mais diferentes culturas e cravou raízes nos quatro cantos do mundo. ‘AMA O PRÓXIMO COMO A TI MESMO’ nunca foi tão relevante como nos tempos atuais, em que pessoas continuam se matando em nome de ideais distorcidos, sem perceber que em essência falam a mesma língua e procuram a mesma espiritualidade esquecida.

ENCARNAÇÕES
Segundo o visionário Edgar Cayce, um dos mais famosos paranormais de todos os tempos, Cristo teve uma série de encarnações antes daquela que o consagrou o grande mestre Jesus. Em vários de seus transes, nos quais fazia curas milagrosas e revelações espantosas, Cayce relatou que Jesus teria sido Ram ou Rama, na Índia, por volta de 2000 a.C., assim como Buda, o que confirmaria a noção tibetana de que ele seria uma encarnação do grande iluminado.

No entanto, explica o paranormal, tudo teria começado com a criação da primeira alma por Deus, Amilius, que fizera parte dos atos da criação divina. Essa alma, que seria Jesus não foi materializada e, tendo sido a primeira criação de Deus, liderou a segunda geração de espíritos que vieram ao plano terrestre para ajudar os que aqui haviam ficado presos à matéria. Essa aparição na Terra, apenas em espírito, teria ocorrido por volta de 200 mil anos atrás, época em que ainda existia o continente da ATLÂNTIDA. Isso evidentemente contraria a idéia de que os humanos primitivos surgiram há pelo menos 2 milhões de anos, bem como a noção de que ‘MU’ precedeu a ‘ATLANTIDA’.

Glenn Sanderfur, que escreveu o livro LIVES OF THE MÁSTER:THE REST OFF THE JESUS STORY [Vidas do Mestre: O restante da História de Jesus] baseado nos escritos psíquicos de Edgar Cayce, disse que as revelações de Cayce não contrariam a Bíblia ao supor a existência de almas na Terra anteriores a Adão. Segundo o autor, a ‘New Catholic Encyclopedia’ diz que nem as escrituras, nem os ensinamentos da Igreja negam a possibilidade da existência de pré-adamitas. Essas almas aprisionadas nos corpos materiais seriam conhecidas como filhos e filhas do homem, ou filhos de BELIAL.

Depois, Deus e Amilius criaram um novo tipo de corpo para essas almas, e o primeiro deles, Adão, foi habitado por Amilius. Posteriormente, a alma se manifestou como o profeta ENOQUE, e como um sacerdote egípcio chamado RA, por volta de 10.500 a.C. O mesmo AMILIUS teria sido HERMES, posteriormente chamado de HERMES TRISMEGISTOS pelos gregos. Reencarnou ainda como MELQUIZEDEQUE, como JOSÉ e ainda como ZEND. Este último teria sido o pai de ZARATUSTRA e, provavelmente, quem lhe passou o conhecimento que redundou no ZOROASTRISMO, que muitos estudiosos entenderam ter uma relação bem próxima com o CRISTIANISMO. Por fim, a alma assumiu o corpo de JESUS e deixou sua marca indelével na História da Humanidade.
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[Texto de Gilberto Schoereder_Sexto Sentido Especial_Grandes Iluminados]

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Palavras Impensadas Podem Ferir


A vencedora da competição escolar levantou-se e inclinou-se para a platéia. Uma mulher cochichou para sua amiga: “Eu quisera ter uma filha esperta assim!” Na cadeira de metal ao seu lado uma garotinha se mexeu nervosamente e olhou para sua mãe com tristeza no olhar.

Numa casa de convalescença, uma senhora idosa, apoiando-se em seus cotovelos, levantou-se para se despedir do seu visitante:”Venha outra vez no próximo fim de semana!” Suplicou-lhe ela. “Se eu não tiver mais nada a fazer, eu virei!”, respondeu-lhe o homem enquanto saiu.

Um artista retira o véu de uma escultura, e o ouve alguém da turba à sua frente exclamar: “Como ela é feia!”

Cenas semelhantes ocorrem com freqüência, simplesmente porque algumas pessoas nunca aprenderam a ser discretas. Dizem impulsivamente qualquer coisa que lhes vem à mente, e chamam isto de ‘franqueza’, inconscientes da infelicidade que provocam. Isto poderia ser evitado se, em vez disso, tais pessoas desenvolvessem a capacidade de inverter mentalmente os papéis – imaginando com se sentiriam no lugar da outra pessoa.

Ter ‘tato’ é a arte de permanecer polido, firme, e, não obstante, ser sincero diante de uma situação embaraçosa, e, com um pouco de sensibilidade, isto pode ser aprendido para o proveito de todos. Rakph Waldo Emerson escreveu: “ A imperfeição nas maneiras é normalmente imperfeição de discernimento” - - e a percepção do sentimento das outras pessoas é, de igual modo, a chave para se ter mais tato no trato com os outros.

Alguns podem atribuir pouca importância ao efeito de suas desconsiderações, pensando que a mágoa que eles causam é apenas temporária. A verdade, porém, é que essa mágoa pode arruinar sem necessidade o dia de alguém, ou pode vir a ser lembrada muito tempo depois, como aconteceu no caso de Sara.

Sara, uma mulher de fala branda, torna-se amarga quando recorda o funeral de seu filho, que foi acompanhado por uma grande multidão de pessoas. Ela enxuga as lágrimas que lhe vêm toda vez que faz menção a Lenny, o filho mongolóide de cinco anos de idade que ela perdeu. Sara esclarece: “Supõe-se que condolências sejam um meio de se compartilhar da dor; no entanto, elas nos trouxeram mais angústia, porque ouvimos muitas vezes: “Ainda bem que não foi o seu outro filho!” Eles deveriam saber que nós amávamos Lenny tanto quanto ao seu irmão”.

Constantemente damos as nossas opiniões, tomamos decisões, assumimos posições; e revisamos o modo como nos comunicamos - e tais ações nem sempre condizem com a nossa personalidade, nem sequer com aquilo que queríamos comunicar. Descobrimos que parecemos muito ásperos ou muito submissos, porque falamos ou agimos mais rápido do que pensamos. Como podemos, então, melhorar a nossa auto-estima e o nosso relacionamento para com os outros?

É importante sabermos o que queremos e nisso sermos positivos. Contudo, ao expressarmos o nosso ponto de vista, devemos também considerar o sentimento dos outros. O critério correto talvez esteja contido num ditado de carpinteiro: “A melhor regra para o falar é a mesma que para a carpintaria – medir duas vezes e serrar uma só”.

Isto é tudo o que o tato é – um meio de se comunicar sentimentos, mesmo a ira ou uma indiferença de opinião, de modo civilizado. E os diplomatas reconhecem o tato como um instrumento poderoso para se chegar a acordos satisfatórios em tempos de crise. Não é tanto o que é dito, e sim como é dito, que conta. A escolha adequada das palavras pode fazer uma grande diferença.

Quando eu era ainda garoto, minha família e eu costumávamos visitar uma professora aposentada, que vivia numa bela casa. Eu achava que ela era a mais amável anfitriã, porque ela sempre nos levava ao lugar mais confortável da casa. ‘Vamos para o terraço, onde está mais fresco!’ dizia ela no verão – mudando, no inverno, para: “Vamos para perto do fogo, onde é mais aconchegante’.. mais tarde, quando minhas pernas eram compridas o suficiente para que eu me sentasse em seu sofá de veludo branco, sem que meus pés nele tocassem, compreendi que a professora assim nos mantivera, a nós crianças, com jeito, fora de sua sala de estar.

Todos os dias, a vida nos coloca numa variedade de situações incomodas. Algumas dessas situações são de menor importância, enquanto outras são muito aborrecidas. Queremos saber, por exemplo, como informar ao fumante que está junto da gente, que a sua poluição do ar que ambos respiramos é incomoda para nós? Ou, como dizer ‘não’ ao amigo que está sempre pedindo emprestado tudo o que possuímos, como se vivêssemos numa comuna? Como confessar a uma criança que sua pintura está bem colorida, mas não é nenhuma obra-prima? A lista é infindável.

Usualmente reagimos a estas situações de maneira dócil, agressivamente, ou com tato.

As pessoas dóceis deixam-se levar facilmente pelos caprichos de todos, convencidas de que esta é a melhor solução para continuarem em segurança. Assim agindo, apenas se condenam a enfrentar novamente os mesmos problemas e, eventualmente ressentem-se por serem tratadas como fantoches.

Ron se enquadrava nesta categoria. Ele não sabia dizer ‘não’ diplomaticamente e, em vez disso, acabava dizendo ‘sim’. Por isto, prometera ele o seu apoio a muitas instituições de caridade, ainda que não tivesse possibilidade de cumprir todos esses compromissos.
Falando s obre a sua mudança de atitude, Ron explica: “Um dia, percebi que eu não ajudava muito a nenhuma daquelas organizações e que estava decepcionando pessoas que contavam comigo. Então escolhi as duas causas favoritas, abrindo mão das outras, e ainda estou espantado de como foi fácil resolver o problema com tato. Nunca estive antes tão envolvido com as duas obras de caridade que retive”.

Em contraste, as pessoas agressivas são despóticas. Impõem suas idéias aos outros, criando animosidade aonde quer que vão, porque lançam mão de insultos, zombaria ou berros, para que prevaleçam sobre os demais. Elas desanimam todo mundo.

Brenda, uma estudante universitária, é uma vitima destas condições. Seus pais divorciados casaram-se ambos outra vez, de modo que agora ela tem duas famílias. ‘Dupla dor de cabeça!’ diz Brenda. “Eu supliquei ao meu pai e a minha mãe para não fazerem comentários difamatórios um acerca do outro quando eu estivesse por perto, mas eles persistem em fazer isto. Eu sou parte de ambos, e me sinto pessoalmente atingida quando um ou o outro é ferido em sua dignidade, de modo que cheguei ao ponto de não sentir mais prazer em visitar qualquer um deles.”

Entre os dois extremos – dóceis e agressivos – as pessoas de fino trato saem vencedoras. Não se deixam intimidar; sabem onde pisam e dizem o que pensam de modo construtivo, cuidando para não ofender ninguém deliberadamente. Seu elogio ou sua critica, são genuínos, desfazendo qualquer mal-entendido, e eles fazem amigos fiéis.

Usar de tato para com as pessoas, positivamente, é um bem para o proveito de todos.

E um bom local para se começar é em casa, porque, como Eugene Kennedy escreveu; “É no seio de nossas famílias e através delas que nos tornamos mais humanos”.
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[Texto de Annick O. Shinn].

terça-feira, 11 de maio de 2010

Esperanto a Língua do Homem


Nesta era moderna, o homem sente que a Terra se torna cada vez menor. Sua noção de ‘países estrangeiros distantes’ tem mudado para a de ‘vizinhos próximos’. Seus antepassados viajavam meses para chegar a lugares que ele agora alcança em poucas horas de vôo. A crescente explosão demográfica mundial tem exigido recursos materiais cada vez maiores, que se encontram dispersos pelo globo em poder de ‘potências estrangeiras’. Este fato demonstra claramente nossa condição de interdependência como países. A interdependência, por sua vez, torna a comunicação um fator absolutamente necessário entre os países que possuem e os que precisam de recursos. Entretanto, desde os dias da Torre de Babel [ou coisa que o valha], o homem desenvolveu sua comunicação apenas no seio de sua tribo ou de seu clã, uma vez que esse era o limite de seu mundo. Mais recentemente, porém, o homem foi tomando consciência de um mundo ‘exterior’ maior e de muitas línguas. Que pode ele fazer para comunicar-se?

Há duas soluções possíveis: o individuo aprender todas as línguas, OU ‘todos’ os indivíduos aprenderem uma língua comum. Os habitantes dos países de fala inglesa dizem que não existe problema: “Todo mundo fala inglês!” Mas é somente eles que se jactam disto. M verdade, conforme estatísticas, apenas ‘dez por cento’ da população mundial fala inglês. E muitos dentre estes estão empregados, no mundo inteiro, em funções criadas tão-somente para a comunicação com aqueles que só falam o inglês. São eles os intermediários que servem de ponte para o abismo que separa a minoria da maioria de ‘noventa por cento’.

A civilização criou outros problemas [o Terceiro Mundo, por exemplo]. Povos que durante muito tempo estiveram sob o domínio de culturas como a inglesa, a francesa, a espanhola, a portuguesa, etc, sofrem um problema psicológico como nações recém independentes, ao se confrontarem com seus antigos idiomas coloniais. Tais povos querem esquecer seu passado infeliz. Orgulham-se de seu idioma nativo, e insistem em seu uso. Sua herança [inclusive o idioma nativo] é coisa preciosa para eles e deve ser preservada. Calcula-se que existem alguns milhares de idiomas diferentes. Estatísticas fáceis de ser obter mostram que há cerca de trezentos idiomas falados por pelo menos um milhão de indivíduos. Entre estes idiomas estão o estoniano, o congolês e o macedônio, falados por pelo menos um milhão de pessoas. Os povos dessas culturas não querem e não devem abandonar seus idiomas. Assim mesmo, a crescente necessidade de comunicação continua sendo um grande problema. O que fazer?

UMA NOVA LÍNGUA
Cerca de cem anos atrás, um jovem polonês sofria com este tipo de problema, embora talvez por razões um tanto diferentes. Luiz L.Zemenhof, filho de um professor e censor, morando em Bialystok, região da Polônia ocupada pela Rússia, sofreu pessoalmente as tristes condições resultantes da confusão de línguas. Nessa cidade polonesa, era proibido falar o polonês. O ensino era ministrado em russo, e todos os procedimentos legais também eram efetuados em russo. A literatura polonesa, igualmente proibida, só podia ser conseguida clandestinamente. Nessa cidade havia pessoas de várias nações, como em muitas das históricas cidades européias. Os habitantes falavam russo, polonês, alemão, iídiche ou hebraico, conforme sua origem. Era inevitável que eventualmente ocorressem muitas lutas e amargos conflitos. Isto era um espetáculo deprimente para que um jovem frágil e sensível suportasse. De fato, isto afligiu a mente de Zamenhof, levando-o a buscar uma solução para esse problema tão angustiante. Ele concluiu que a língua e a religião eram a fonte dessa amargura. Convenceu-se de que era necessária uma segunda ‘língua para conversação’ que não interferisse com a língua nativa, a língua nacional usada em família ou secretamente.

Em 1887, após dez anos de intenso trabalho e aperfeiçoamento, e com pequeno auxilio financeiro, o jovem Zamenhof publicou seu livreto intitulado ‘Língua Internacional’. Usara o pseudônimo de ‘Dr. Esperanto’[que significa aquele que espera]a fim de proteger sua identidade e escapar de certas penalidades ou censura. O sucesso foi imediato, e a língua logo tornou-se conhecida simplesmente como “Esperanto”. Evidentemente o mundo já estava esperando essa resposta ao seus problemas de comunicação. O uso do ESPERANTO logo propagou-se por todo o mundo, motivando a realização de um congresso internacional, que ocorreu em Boulognesur-Met, na França, em 1905. Desde então, realizou-se anualmente um congresso internacional, com exceção de 1914, devido à eclosão da Primeira Guerra Mundial. O Grande Congresso de 1981, realizou-se no Brasil, na cidade de Brasília. O esperanto tem florescido em ciclos, com recessos temporários devidos às Grandes Guerras. Ditadores e Políticos de má vontade encabeçam a lista dos que têm procurado impedir a propagação do Esperanto, pelo menos até os dias atuais. Sendo de natureza não lucrativa, esta língua também tem sofrido por causa da pequena publicidade, como a maioria dos movimentos minoritários.

Nenhuma língua pode ser aprendida sem um sincero esforço. Não obstante, dentre todas as línguas, o Esperanto é a mais fácil de se aprender. A razão disto? Ele está estruturado cientificamente para evitar os obstáculos comuns que dificultam a aprendizagem da maioria das ‘segundas línguas’. O Esperanto é freqüentemente usado como introdução às línguas estrangeiras mais tradicionais. Quais os segredos da atração por uma língua tão fácil? Por que a sonoridade flui musical e naturalmente? Por que ele está sendo falado hoje em mais de noventa e três países? Que há nele que possibilita a pessoas de diferentes culturas falarem-no com a mesma facilidade?

O Esperanto é uma língua fonética: ‘uma letra – um som’. Escreve-se como se pronuncia e pronuncia-se como se escreve. O acento tônico cai ‘sempre’ na penúltima sílaba. As dezesseis regras básicas ‘não’ admitem exceções. ‘Não há’ verbos irregulares [o terror de todos os estudantes de línguas]. Não há sons difíceis de se pronunciar para pessoas de diferentes nacionalidades. O vocabulário é relativamente pequeno devido ao uso sistemático e abundante de prefixos e sufixos. Por exemplo: o bono – o bem; bona- bom ou boa; bone – bondosamente; boneco [pronuncia-se ‘bonetso’] – a bondade; plibona – melhor; plejbona [pronuncia-se pleibona] – o melhor de todos; malbona – ruim; bonulo – um indivíduo bom.

Um dos principais fatores da aceitação universal do Esperanto é o fato de ser ele ‘neutro’. É ‘apocaliptico’ visto não pertencer a qualquer nação ou cultura. O orgulho e o nacionalismo de todos os países, especialmente dos menos favorecidos, opõem resistência à adoção de uma língua de outra nacionalidade. Por isto, o Esperanto pode ser aprendido ‘igualmente’ por ‘todas’ as nações, grandes ou pequenas. No entanto, alguns eruditos sofisticados contestam, ‘mas é uma língua artificial!’Sim, exatamente como ‘todas’ as línguas. Todas foram criadas pelo homem algum dia no passado. O Esperanto, sendo cientificamente construído, tem a vantagem de evitar todas as incômodas excentricidades das línguas ‘naturais’ [e nacionalistas].

Em nosso mundo economicamente conturbado, os serviços de tradução e de intérpretes estão exaurindo os recursos financeiros de todas as organizações que servem ao relacionamento dos povos. As Nações Unidas, o Mercado Comum Europeu, a Organização da Unidade Africana, e grupos semelhantes necessitam empregar exércitos de tradutores e interpretes num exaustivo esforço para manter seus membros informados. Mas por melhor que seja, esse serviço inclui no máximo nove idiomas. Por conseguinte, cada representante deve conhecer no mínimo uma das línguas oficiais, a despeito de sua língua nativa. Quanto tempo ainda teremos de esperar para que se compreenda que, com o esperanto [que, diga-se de passagem, com freqüência aprende-se sozinho], um esforço conjunto através das Nações Unidas, por exemplo, possibilitaria a ‘todos os cidadãos do mundo’ se comunicarem com clareza em não mais que ‘uma’ geração! Visualize isto por um momento!

O Esperanto não é um brinquedo, tampouco um sonho impossível. Embora seja ainda relativamente uma criança [ com pouco mais de 100 anos de idade] entre as línguas do mundo, ele está solidamente estabelecido e seu uso em crescente expansão. Há atualmente 127 dicionários técnicos e vocabulários em cerca de cinqüenta ramos de ciência, filosofia, tecnologia, bem como manuais publicados na Língua Internacional Esperanto. A literatura também é vasta, contando com obras traduzidas e romances ‘originais’, contos, peças teatrais, poesias, bem como trabalhos científicos, filosóficos e didáticos. Só a Biblioteca da Associação Britânica de Esperanto conta com cerca de 30.000 volumes registrados. Há também numerosos periódicos publicados em Esperanto no mundo inteiro. Cerca de vinte e três estações de rádio transmitem regularmente programas em esperanto. A Associação Universal de Esperanto, com sede em Rotterdam, mantém relações de consulta com a Organização das Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos. Há milhares de clubes e associações de esperanto no mundo inteiro.

Para que o mundo desfrute da verdadeira fraternidade humana, a compreensão e o entendimento mútuos devem ser diretos. Embora a tradução de línguas nos tenha levado longe em nossa civilização, ela se compara à fotografia de um lugar, à gravação de uma boa musica, a um perfume, ou ao sabor artificial. Tudo isto é verdadeiramente artificial! Qualquer ser humano ‘pode’ comunicar-se diretamente com seu semelhante, se decididamente o quiser.

Agora teste sua capacidade lingüística pelo pequeno texto que se segue: “Inteligenta persono lernas la lingvon Esperanto rapide kaj facile. Simpla, fleksebla, belsona, gi estas la praktica solvo de la problemo de universala interkompreno. Esperanto meritas viam seriozan konsideron”. Tradução: “Uma pessoa inteligente aprende a língua Esperanto rápida e facilmente. Simples, flexível, sonora, ela é a solução prática do problema da compreensão mútua universal. O Esperanto merece sua séria consideração.
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Feliz é o homem que plantou em seu coração as sementes da benevolência; o fruto será a caridade e o amor. “A Ti Concedo”.

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[Texto de Cris R. Warnken].

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Experiência, Felicidade e Sabedoria


Ouvi alguém afirmar que um certo profissional era o mais experiente em sua profissão porque era o que estava há mais tempo atuando naquela atividade. Acho interessante a idéia de idade cronológica ou tempo de permanência em certa atividade serem considerados condições suficientes e obrigatórias de aquisição de uma qualidade chamada experiência.

Por esta analogia, tempo/experiência, seria forçoso afirmar-se que experiência é algo concreto e que uma pessoa, nas condições aqui consideradas, teria experiência mesmo que não o quisesse ou buscasse.

Refletindo sobre esta idéia,podemos considerar alguns aspectos que podem modificar tais afirmações. O primeiro aspecto é o de que uma pessoa só pode adquirir experiência no que vivencia. Um veterano piloto de avião não é necessariamente experiente para o comando de um navio e vice-versa. Alguém pode ser muito hábil e seguro em uma atividade e, ao mesmo tempo, completamente inseguro em outra.

Devemos considerar, também, as habilidade inatas, o talento, o nível de inteligência, a capacidade maior ou menor de percepção e elaboração de novas informações, de reflexão, a vontade, o interesse, a coragem, a dedicação, as características físicas, a saúde, etc. Há que se considerar, ainda, o meio onde a pessoa atuou, com quem aprendeu, em que escola, em que família, como foi alimentada, onde morou e outras condições que lhe foram oferecidas e que compuseram a sua visão de mundo.

Nas habilidades inatas e no talento sabemos que, mesmo pessoas submetidas às mesmas condições de vivência não se tornam robôs, como que fabricados m série. Nem todos se tornam virtuosos em uma arte, um esporte, uma profissão. Nem todos os médicos, professores, atletas, advogados, artífices, pilotos de corrida, obtêm os mesmos resultados, como exemplo. A realidade mostra isso. Alunos de uma mesma turma não tiram as mesmas notas. Os troféus e outras honrarias são dados aos vencedores e nem todos vencem as provas de que participam. Nem todos os que participam de uma guerra se tornam neuróticos. Nem todas as pessoas submetidas aos mesmos fatos e situações reagem da mesma forma. Como já foi dito, alguém pode ser muito criativo e produtivo em uma atividade e inapto para outra. Este quer muito e produz muito, aquele se contenta com bem menos.

Podemos então concluir que não existe algo concreto e único que se possa chamar de experiência, uma qualidade que se adquire com o tempo assim como a idade e as rugas. Que experiência é processo, que é relativa, assim como pessoas são diferentes, cada pessoa é uma ‘experiência’ diferente. Principalmente, o que diferencia uma experiência da outra é o resultado: ‘umas pessoas se tornam sábias e exemplares com a vida; outras se tornam amargas e derrotistas; Outras ainda nada apreendem. A realidade nos mostra isso,claramente. Umas se tornam grandes lideres, dedicam-se a causas de grande magnitude. Entre seus colegas de caminha há os que se contentam com uma vida modesta e sem grandes ambições. Há líderes e liderados, patrões e empregados, chefes e chefiados, tudo em diversos níveis, e nem poderia ser de outra forma. Tem que haver pessoas para todos os tipos de atividades. Há sabedoria nesta regra.

Pelo mesmo caminho vai a felicidade. Não consigo desvincular a idéia de felicidade da nostalgia do Paraíso. Nós tendemos a considerar felicidade como algo pronto, concreto e definitivo. De alguma forma, nós humanos sabemos que é possível e almejamos um estado de plenitude que é nossa ‘necessidade-mãe’, a maior das necessidades do homem, razão de ser de sua existência e evolução. Isto nos permite supor que todas as ações humanas, até mesmo a satisfação de suas necessidades de sobrevivência são, de uma forma, elaboradas no sentido de criar um estado de satisfação ideal, ainda que repetitivo e penoso, porque equivocado, que sirva de ensaio, de protótipo de um estado de satisfação definitivo, que parece ser a tal felicidade. Religião, religação, reintegração.

Pensando em felicidade, podemos compará-la com liberdade. Falar de liberdade é mais fácil. Podemos falar de liberdade de opinião, liberdade de ir e vir, liberdade física, de estilo de vida, de pensamento etc. Liberdade também nos oferece a noção de processo, de caminho, de conquista passo a passo: libertação, ação de libertar. Mais liberdade, menos liberdade. Apesar de ser uma noção subjetiva, conceitual, é mais fácil de ser caracterizada, idealizada, legislada, projetada, até por comparação, com outras épocas da história da humanidade, com outras culturas.

Felicidade, porém, é um conceito mais complexo. Uma pessoa pode sentir-se feliz intimamente, mesmo sem estar gozando de liberdade física ou ideológica, por exemplo. Para esta afirmação temos que buscar um sentido, fatos, explicação. Sra que alguém de elevado status espiritual e anímico, um iluminado, um destemido moral, um Cristo, um Ghandi sentir-se-ia menos feliz em si mesmo ainda que posto em um cárcere? Sentir-se-ia menos livre? Sabemos de pessoas que conservam sua noção de liberdade e satisfação intima mesmo nas piores privações. Madre Teresa de Calcutá, por exemplo. Eis a resposta.

Facilmente, por este caminho, podemos definir em que pode consistir a felicidade. É, acima de tudo, um estado de espírito e de alma. Mas, e o processo de construção da felicidade, assim como o processo de libertação? É possível? Claro que sim. A prática mística é um caminho. Os ensinamentos são um caminho. A experiência proveitosa e consciente ao longo da vida é um caminho. A experiência! Eis que dela volta! A crença no Bem é um caminho. A prática do Bem é um caminho. A fé verdadeira e inequívoca é um caminho. A virtude é um caminho. O amor.

Citando o Dalai Lama: “Uma grande questão sublinha a nossa experiência, quer a examinemos conscientemente ou não: qual é o propósito da vida? Desde o seu nascimento, todo ser humano almeja a felicidade e foge do sofrimento. Não existem condições sociais, níveis de educação ou ideologias que alterem esse fato. Do fundo de nosso ser, simplesmente desejamos ter contentamento. Portanto, é importante descobrir o que nos pode trazer o mais alto grau de felicidade.”

E a sabedoria? É tudo isso. É a noção de liberdade. É a construção da felicidade apesar e acima de tudo. É a construção acabada de tudo isto, no mais fundo do peito, no corpo na mente e na alma. Pensamento, palavra e ação. No ser. Na luz, na Vida e no Amor.


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Nota: As citações do Dalai Lama foram colhidas no livro de sua autoria “O Caminho da Tranqüilidade”, Editora Sextante, tradução de Maria Luiza Newlands Silveira e Márcia Claudia Alves, ano de 2000, páginas de 13 e 20.

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[Texto de Sérgio Elifas Wanderley]