sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Teorias da conspiração: mito ou realidade?

"Teoria da conspiração" é a denominação atribuída às idéias paranóicas sobre a existência de ações clandestinas, patrocinadas por agentes adversos, a nos causarem grande prejuízo e destruição. Tais concepções são condenadas ao ostracismo e seus defensores expostos ao ridículo, pois essas teorias são produzidas por mentes doentias e sua única utilidade é a criação de histórias de ficção. Exemplos dessas mentiras estão por toda a parte e, no Brasil, multiplicam-se exponencialmente em ano de eleição presidencial.

O que pouca gente sabe é que as principais potências mundiais dão enorme importância às teorias da conspiração e possuem estruturas muito especializadas nesse mister - seus serviços de inteligência. Isso significa que teorias da conspiração constituem terreno nebuloso e potencialmente perigoso. É justamente por esse motivo que não se mencionará aqui nenhuma teoria da conspiração em especial porque, como todos sabemos, elas não existem, não é mesmo?

Entretanto, algumas sutilezas que sempre passam despercebidas merecem especial atenção. Assim, deve-se suspeitar da impunidade institucional, pois ela não é apenas mera conseqüência de deficiências estruturais generalizadas, mas sim a promiscuidade de autoridades com o poder e a pior manifestação da corrupção dos tribunais. Deve-se suspeitar de autoridades e governantes que sempre afirmam que tudo está dentro da normalidade e sob controle, pelo simples fato de que isso é mentira. Deve-se suspeitar de infiltração por organizações criminosas em projetos e empreendimentos obscuros, notadamente os de interesse nacional que, a despeito do grande esforço, tempo e recursos envidados, nunca dão certo. Deve-se suspeitar, sim, de ações clandestinas e da atuação de serviços de inteligência estrangeiros nas tragédias e graves "acidentes", particularmente os que atingem setores estratégicos do poder nacional, que geralmente custam vidas de pessoas inocentes, cujas apurações nunca apontam culpados e que são rapidamente esquecidos.

Por fim, mais que suspeita é a certeza de que estes últimos casos sempre encobrem crimes de traição à pátria e à soberania nacional, perpetrados nos mais elevados escalões governamentais.

Portanto, proteger-nos contra essas ameaças é a razão de ser dos serviços de inteligência nacionais, guardiões do estado e da sociedade brasileira. Todavia, a eficiência dessas organizações no país é bastante discutível. Basta relembrar algumas contingências nacionais recentes, pois nossos serviços de inteligência foram incapazes de prever invasões criminosas que vitimaram o próprio Congresso Nacional; o caos da aviação brasileira, que comprometeu a segurança dos vôos no país, entre 2006 e 2007; a ocupação da sensível usina hidrelétrica de Tucuruí, que vulnerabilizou o abastecimento nacional de energia; a destruição de centros de pesquisa da Embrapa, que comprometeu o nosso desenvolvimento científico-tecnológico; os ataques da organização criminosa PCC, que dominou e atemorizou completamente todo estado de São Paulo, em 2006; e não descobriram absolutamente nada sobre o grampo ilegal do qual foram vítimas o senador Demóstenes Torres e o então Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, em 2008, que ameaçou as instâncias máximas dos poderes da República.

O resultado de tudo isso, hoje? Uma Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) que continua incógnita, onerosa e sem controle; a impunidade do mais grave escândalo nacional de inteligência, cujos culpados nunca foram realmente apontados; e a inação e rápido esquecimento das autoridades nacionais sobre fatos dessa gravidade.

O que realmente está acontecendo? Certamente, nada. Tudo está rigorosamente dentro da normalidade e sob controle. Afinal, como todos nós sabemos, teorias da conspiração não existem, não é mesmo?

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[Texto de André Soares]

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