quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Rumo à Consciência Cósmica

“ Saúde, sanidade, santidade, felicidade - tudo isto são apenas nomes vários para uma e mesma idéia: que o indivíduo, sendo uma parcela distinta - mas não separada do Universo - deve estar em perfeito equilíbrio com o Todo Cósmico, a fim de gozar um bem-estar universal.“
“ Somente o homem inteiramente harmonizado com o universo é um homem perfeito, no corpo e na alma - Um homem feliz...
O homem feliz é o homem cósmico, o homem crístico. Para que o HOMEM-EGO, guiado pelo instinto e pelo intelecto, se possa integrar, como HOMEM-EU, na razão que é o seu centro ainda desconhecido, deve ele realizar exercícios freqüentes e intensos de interiorização, geralmente chamados ¨meditação¨, deve descobrir a verdade central sobre si mesmo, porque esta verdade, uma vez conhecida e vivida, o libertará de todos os males.
É, no entanto, de suma importância, para a felicidade da vida, que o homem consiga ultrapassar as fronteiras da pequena consciência do seu EGO PERIFÉRICO e entre na grande consciência do seu EU CENTRAL.
Ter apenas lido e ouvido falar do mundo espiritual é como fogo pintado numa tela - ao passo que viver e saborear pela vivência a realidade divina é como fogo real. Nem com um museu inteiro de telas de fogo pintado artisticamente se pode iluminar ou aquecer uma sala - mas com uma pequena chama de fogo real pode-se incendiar a maior das florestas e iniciar um calor mundial.
Nem se pense que esses exercícios (Meditação) visem apenas a zona da vida espiritual do homem: eles beneficiam todas as atividades humanas, mesmo as que nada parecem ter que ver com meditação. O comerciante, o industrial, o estadista, a dona de casa - todos eles verificarão que o encontro com o seu centro traz reais benefícios a todas as atividades da vida humana.

Entre os frutos colhidos pela interiorização se contam, entre outros, os seguintes: Segurança interior, certeza em todas as dúvidas, tranqüilidade de espírito, paz da alma, acuidade mental, independência de opiniões alheias, permanente alegria de viver, benevolência para com todos os seres, felicidade em pleno sofrimento, certeza da imortalidade na vida presente.
VOCÊ DESEJA SE ENCONTRAR COM O SEU CENTRO DIVINO?
No contato consciente com o CENTRO DIVINO encontra o homem definitiva segurança e tranqüilidade, paz e impertubável serenidade em todas as vicissitudes da existência, mesmo no meio das mais violentas tragédias e tempestades da vida. Ao passo que o homem que não encontrou esse centro divino é infeliz no meio dos seus gozos; e, por ser infeliz, procura a sua felicidade fora de si, por toda parte, nas periferias do seu ego físico, mental e emocional, num interminável circulo vicioso. O desejo o leva ao gozo, e o gozo gera novos desejos. Há gozo ou sofrimento no ego da personalidade. Enfim, todas as coisas externas nos podem dar gozo ou sofrimento; somente a realidade interna nos pode fazer felizes ou infelizes.
Poderíamos dizer que a semente simboliza o EGO, a planta representa o EU. Se a semente morresse realmente, nunca nasceria a planta. A semente não morre como vida, morre apenas como semente; morre o estreito invólucro que encerra a vida, que, após essa pseudomorte da semente, brota como planta. É exatamente isto que se dá com a semente-ego e a planta-eu: morre a estreiteza do ego para que possa nascer a largueza do Eu. Assim, entendemos por EGO as periferias da nossa natureza material-mental-emocional, que também se chama pessoa, persona ou personalidade; nunca identificamos este termo como o EU. Usamos , invariavelmente, a palavra EU para o CENTRO DIVINO da nossa natureza, que é o indivíduo, a individualidade, aquilo que o Cristo chama a alma, ou o espírito de Deus no homem. O nosso eu espiritual é essencialmente centrípeto, introvertido, tendendo, sempre , ao centro da natureza humana.
O nosso ego físico-mental-emocional é, por sua natureza, centrífugo, extravertido, demandando sempre `as periferias do mundo objetivo. O seu ambiente é o mundo externo, dos sentidos, da inteligência, das emoções. O nosso ego é visceralmente exteriorizante.
Esses dois pólos se acham no Universo. O UNO é do EU, o VERSO é do EGO. Sendo, porém, o curso da nossa evolução de fora para dentro, é natural que primeiro atinjamos o VERSO e, somente mais tarde, o UNO.
Enquanto esses dois componentes do cosmos não estiverem harmonizados no composto único, não haverá paz e sossego na vida humana. No homem profano prevalece o Verso. No homem místico impera o Uno. O Homem Cósmico realiza a grande síntese do Universo: ele e o universo são um. Ele é universificado – é o homem Univérsico.
Considerando que a imensa maioria da humanidade pertence ainda ao mundo dos profanos, é lógico que o primeiro passo a dar está em ultrapassar a face caótica da dispersividade do ego, e entrar na zona mística do eu. E para chegar a essa zona, vem em primeiro lugar a CONCENTRAÇÃO MENTAL, que passa pela MEDITAÇÃO e culmina na CONTEMPLAÇÃO.

Na zona 1 os nossos pensamentos correm, suavemente, em direção paralela, sem esforço ou, até, em forma dispersiva. Com algum esforço, consegue o homem disciplinar as tendências do seu ego, reduzindo a dispersividade ou o paralelismo mental a uma ligeira convergência mental. Em vez de ter 20 ou 10 pensamentos em rápida sucessão, a mente os reduz a 5 ou 2 e, finalmente, a um só pensamento, que enfrenta com o ponto único. A mente está, então, UNIPOLARIZADA – grande vitória para o homem habitualmente pluripolarizado, distraído, dispersivo, indisciplinado. A fim de conseguir a focalização unipolar do pensamento único, convém repetir, audível ou inaudivelmente, algum MANTRA, sempre o mesmo; por exemplo: EU E O PAI SOMOS UM....Pouco a pouco, esse pensamento sucessivo culmina na consciência simultânea: Eu e o pai somos um. A UNIPOLARIDADE DO PENSAMENTO é agora, substituída pela UNIPOLARIDADE DA CONSCIÊNCIA. Morreu a ANÁLISE MENTAL e nasceu a INTUIÇÃO ESPIRITUAL. O meditante superou a zona baixa das tempestades e turbulências e entrou na estratosfera da grande quietude e do silêncio. A linha vertical marca a fronteira entre dois mundos : entre o mundo turbulento do ego, sujeito a tempo, espaço e causalidade – e o mundo tranqüilo do Eu, que habita no eterno, no infinito.

Pela primeira vez, o homem chega a saber, então, que o céu e inferno não são regiões geográficas ou zonas astronômicas, mas sim ESTADOS DE CONSCIÊNCIA. O homem que cruzou a linha divisória, passou da MEDITAÇÃO para a CONTEMPLAÇÃO. Está com o templo (Com-templar).Ele não pensa, não analisa, não medita mais – ele simplesmente CONTEMPLA, visualiza tranqüilamente a suprema Realidade. E, como ele é um canal aberto, as águas vivas da realidade fluem e jorram para dentro desse homem, assim como a plenitude se derrama necessariamente para dentro da vacuidade. Do ponto 3, partem linhas divergentes para a direita, linhas que tanto mais se abrem quanto mais se distanciam do seu nascedouro. Estas linhas, que principiam na zero-dimensão e na zero-duração 3, fronteira entre o EGO e o EU, representam, em seu crescente afastamento, o grau de receptividade do homem. A meditação inicial se transformou em contemplação. Já não há meditação – há, tão-somente, contemplação consciente, altamente consciente. Nunca o homem é tão intensamente consciente como quando todo o seu pensar culminou em intuir. Durante todo esse tempo – embora fora do tempo – mantenha-se o aspirante na permanente vibração espiritual “ Eu e o Pai somos Um” , sem nada pensar, sem nenhuma discursividade mental, em plena simultaneidade consciente, flutuando no imenso oceano do seu profundo “EU SOU”

Isto é orar... ORAR é derivado da palavra latina OS (ORIS), que quer dizer “ boca” . Orar seria, pois, “abrir a boca” – a boca espiritual do Eu. Abrir a boca denota fome. O Espírito Finito EU abre a boca rumo ao Espírito Infinito Deus, cuja presença se lhe tornou intensamente consciente, durante a contemplação. Abre a boca, porque tem fome e sede de justiça. Sente a presença da FONTE, cuja plenitude pode saciar a vacuidade do homem. Nesse momento, a Fonte Divina flui para dentro do recipiente humano. A zona das grandes revelações, que emanam do infinito. Depois de saturar a consciência espiritual, pode o homem regressar, externamente, para o mundo do seu velho EGO – flechas reversivas 5 da figura – sem, todavia, perder o contacto com o mundo divino do seu EU CRISTICO, o qual , daí por diante, aureolará e permeará todas as atividades do Iluminado. UM ÚNICO SEGUNDO DE CONTATO REAL COM O MUNDO DIVINO PODE TRANSFORMAR A VIDA INTEIRA DE UM HOMEM...
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[Trecho do livro: Rumo à consciência cósmica – Humberto Rohden c/adaptação].

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