sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Auto-Estima


A auto-estima é um estado psicológico-emocional de ser que rege nossa resposta a nossas experiências no mundo. A verdadeira auto-estima não permite nem a inflação de ego nem a falsa humildade. É o estado de consciência equilibrado entre esses dois extremos, o estado equilibrado que alcança maturidade.

Um dos meios quais podemos conhecer melhor a nós mesmos com relação à auto-estima é meditando sobre três poderosos atributos do principio espiritual de Amor. O primeiro desses três atributos é ‘perdão’. A barreira mais forte ao perdão é a culpa. Todos já sentimos culpa em alguma ocasião, e sabemos que ela é com freqüência um poderoso estimulo ao auto-exame. Mas a culpa pode também ser uma emoção debilitante que venha solapar nossa autoconfiança. É importante lembrar que o auto-exame muitas vezes nos surpreende,e revelando-nos nossas forças assim como nossas fraquezas.

Quando ficamos perdidos em sentimentos de culpa, muitas vezes nos tornamos também defensivos e críticos dos outros. Assim tentamos trazer um sendo de equilíbrio pra a situação. Perdoar, tanto a nós mesmos quanto a outrem, pode ajudar a curar as feridas que todos trazemos como um aspecto natural da vida.

Ao meditar sobre o perdão, pense numa situação de sua vida que você ache intuitivamente que requer perdão. Talvez alguém lhe feito alguma coisa que você ache que não pode ser perdoado. Ou talvez você ache que fez alguma coisa pela qual não pode se perdoar. Pode ser algo do presente ou do passado. Você pode saber intelectualmente que quer perdoar, mas é incapaz de mudar seus sentimentos ou seu comportamento.

APRENDENDO A PERDOAR A SI MESMO
Primeiro que tudo, você precisa perdoar a si mesmo por não ser capaz de perdoar. Com freqüência somos muito duros para com nós mesmos e os outros, por ‘não sermos suficientemente espirituais’. Saiba que o processo de crescimento faz sentido; que você não pode dar o segundo passo antes de dar o primeiro. Peça compreensão ao Eu interior e, depois, escute a silente e sutil voz interior.

O Eu Interior nunca assume papel de juiz, nem é vingativo nem indiferente. Percebe a situação claramente e quer agir para o maior bem de todo mundo envolvido. Ás vezes isso pode significar a renuncia a uma relação. Outras vezes pode significar permitir-se amar novamente e fazer o possível para recuperar uma relação.

Se você está aprendendo a perdoar a si mesmo, é muito importante que se lembre de que está ‘aprendendo a compreender a sua real responsabilidade’ numa relação ou situação.

Somos muitas vezes incapazes de perdoar a nós mesmos porque estamos assumindo responsabilidade demais pelo que aconteceu ou está acontecendo. Do mesmo modo, tendemos a ter dificuldade para perdoar os outros por lhes atribuirmos responsabilidade demais, ou seja, nós os estamos culpando. Encontrar uma perspectiva equilibrada em qualquer situação que envolva questões de responsabilidade e perdão leva tempo, reflexão persistente e a disposição de considerar novas idéias.

A verdadeira auto-estima vem sabermos que nossa compreensão do Eu se aprofunda com a experiência. Estamos aprendendo a confiar em nosso próprio compromisso pessoal com o crescimento espiritual. Isto quer dizer que já demonstramos a nós mesmos que podemos mudar, que nossa consciência está evoluindo à medida que enfrentamos os desafios de nossa situação particular.

CONFIANÇA
O segundo atributo do amor que contribui para a auto-estima é a ‘confiança’. A barreira básica à confiança é o medo. Todos já tivemos experiência da maneira como o medo tende a minar a autoconfiança e distorcer nossas percepções. Por outro lado, a confiança nos proporciona grandes reservas de força interior e verdadeira compreensão profunda das circunstancias da vida. A confiança é um estado de ser enraizado em nosso mais profundo compromisso com realidades espirituais. É a base de nossa relação com o mundo que nos cerca e, o que é mais importante, com o Eu interior. Se tivermos experiências na vida, particularmente na infância, em que acreditemos que nossa confiança foi quebrada ou traída, então precisamos aprender novamente a confiar. A ferida está dentro de nós mesmos, de modo que temos de ‘ir lá dentro’ para curá-la. Do contrário, o medo torna-se uma reação habitual que de repente envenena o que pensamos, sentimos e fazemos.

Ao meditar sobre a confiança, pense no que você mais deseja na vida agora mesmo, ou talvez no que você mais valoriza. Sinta o amor irradiando-se do seu coração para esse desejo. Pouco a pouco deixe o amor encher todo o seu ser. Decida-se a abandonar quaisquer temores que possa ter de perder aquilo que valoriza [quer tenha consciência desses temores ou não]. Novamente peça compreensão ao seu Eu interior. Ele sabe como ajudá-lo a abandonar temores que foram gerados por suas próprias experiências de vida.

Às vezes o Eu Interior pode impeli-lo a falar de seus sentimentos com um amigo de confiança, um conselheiro, ou mesmo um membro da família. O medo usualmente começa quando nos sentimos isolados, desprotegidos, não amados e incompreendidos. O falarmos de nossos medos com alguém em quem confiamos muitas vezes ‘cura’, simplesmente porque então não nos sentimos mais sozinhos.

Enquanto você se envolve nesse processo de fortalecer a confiança abandonando o medo, é importante lembrar que você é responsável por suas escolhas. Se fazemos escolhas baseadas no medo, tendemos a recriar as circunstancias que antes produziram esse medo. Por outro lado, se resolvemos confiar na sutil e silente voz interior, pouco a pouco aprendemos a fazer escolhas que criam condições harmoniosas em nossa vida pessoal e no mundo ao nosso redor.

COMPAIXÃO
O terceiro atributo do amor que contribui para a auto-estima é a ‘compaixão’. Uma das mais fortes barreiras à compaixão é a intolerância, ou a tendência de assumir papel de juiz. É muito importante lembrar que, toda vez que nos sentimos como juizes ou superiores a uma outra pessoa, estamos criando em nossa vida interior condições que contribuem para a perda da auto-estima. Isto se deve a que sabemos, em nosso coração, que também nós temos aspectos difíceis em nossa personalidade e em nossa conduta, que nos tornam vulneráveis ao julgamento dos outros. Ironicamente, a intolerância é uma atitude que muitas vezes nos faz sentir fortes e poderosos com relação ao mundo que nos cerca. Mas isso é uma ‘ilusão’, pois a intolerância nos separa do Eu Interior, que é a verdadeira fonte de nossa força e capacidade de agir para o maior bem de nós mesmos e dos outros.

Ao meditar sobre a compaixão, pense numa situação ou num problema de sua vida, atualmente, que faz você se sentir zangado, ciumento ou frustrado. Se pudéssemos, muitas vezes simplesmente ignoraríamos o problema. Muito provavelmente, estamos ante o desafio de mudar nossa atitude para com a situação, de modo a agirmos construtivamente.

Ajuda começarmos sendo tão honestos quanto possível para com nós mesmos quanto à verdadeira natureza e à intensidade dos nossos sentimentos. Tenhamos em mente que emoções fortes como raiva, ciúme e frustração, interferem na capacidade de pensar com clareza. E se ignorarmos essas emoções ou tentarmos ‘nos colocar acima delas’, elas continuarão a interferir em nossa capacidade de pensar claramente. É melhor aceitarmos nossas emoções e trabalharmos para acalmá-las, do que as negarmos. Temos de começar com o desejo sincero de resolver a situação ou o problema.

Enquanto continua a meditar sobre a compaixão, imagine-se circundado pela clara e branca luz da compreensão espiritual. Tenha em mente que deseja mudar seus sentimentos e seu comportamento, e gradativamente se permita acreditar que a resolução é possível. Sinta suas emoções tornarem-se mais calmas, mais tranqüilas, à medida que você sente em seu coração que o verdadeiro ‘insight’ virá. E uma coisa muito importante é que abandone quaisquer pensamentos ou sentimentos de que está certo e o outro está errado. Tenha em mente que cada um de nós, à sua própria maneira, contribui para o maior significado e propósito da experiência humana.

Dependendo da força dos seus sentimentos de raiva, ciúme ou frustração, relativamente à situação, talvez você precise meditar durante alguns dias sobre simplesmente acreditar que a resolução é possível.

Gradualmente, à medida que você vai se tornando mais tranqüilo e mais determinado a compreender, permita que o Eu interior lhe mostre a verdadeira natureza da situação. O ‘insight’ poderá vir através do impulso de ler certos trechos de um livro ou uma monografia, ou de se aconselhar com certa pessoa. Ou virá simplesmente um momento em que você saberá como agir para o maior bem de todo mundo envolvido. Escute esses impulsos do Eu interior, sabendo sempre que na ocasião oportuna, se seu desejo for sincero, você encontrará o caminho.

A auto-estima não requer perfeição de nossa parte. Antes, requer um coração compreensivo e a sabedoria que adquirimos por experiência. Se esperamos perfeição de personalidades humanas, imediatamente criamos condições antiéticas ao crescimento espiritual, porque crescemos por reconhecermos e aceitarmos nossas limitações e nossas diferenças individuais.

De vês em quando, todos temos problemas de auto-estima. Isto faz parte naturalmente da vida, na medida em que corremos riscos, cometemos erros, aprendemos, amadurecemos, experimentamos, voltamo-nos para os outros, envolvendo-nos na miríade de experiências disponíveis para cada um de nós. Enquanto nos esforçamos para viver conforme nossos ideais espirituais, a aspiração precisa ser equilibrada pela aceitação de quem nós somos e do que podemos razoavelmente realizar.

Nutrimos a auto-estima em nosso âmago lentamente, um dia por vez, um passo de cada vez. Seja o que for que esteja acontecendo em nossas circunstâncias exteriores, se sabemos em nosso coração que estamos fazendo o melhor que podemos, isto é bastante. Á medida que meditamos sobre perdão, confiança e compaixão, estamos basicamente curando nosso relacionamento com o Eu interior. Quando nos comprometemos com a exploração de realidades interiores, aceitamos também responsabilidades mais profundas no mundo ao nosso redor. A aceitação dessas responsabilidades é o fundamento da verdadeira auto-estima.
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Texto de Judy Child.

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