quinta-feira, 22 de julho de 2010

Alquimia _Livro Primeiro


Que, de um antigo manuscrito, foi aqui trazido à luz.

O Onipotente Todo-Poderoso DEUS e SENHOR, Aquele Único que é Onisciente e Verdadeiramente Sábio, deu ao Homem compreensão superior à de qualquer de Suas criaturas, para que este possa conhecer as Suas obras e não deixá-las inexploradas. Ora, desde que esse Homem, a quem o Deus onisciente concedeu a inspiração e, assim, a descoberta desta alta e profunda Obra secreta e o grande segredo da antiga ‘Pedra d’Água dos Sábios’, ele deve provar-se na sua correção. Se há algo na Terra que seja coisa natural, esta é a Preparação e o ‘Magisterium da Pedra do Filósofo’, natural, e não da fabricação do Homem, mas totalmente obrada pela Natureza, pois nada acrescenta a ela o Artista. Só a Natureza dirige o crescimento, como no caso de cada cultivador do solo com suas frutas e plantas; só que ele deve ser de mente sutil e ter a graça de DEUS, para que a possa dirigir à medida que a obra se torna evidente na fervura e através dos tempos sucessivos: a saber, no principio é o ‘Subjectum’, que se recebe da Natureza diretamente nas mãos. Aí jaz oculta a Tintura Universal de todos os metais, animais e plantas. É um ‘Corpus’ cru e rudimentar, sem contornos de animal ou planta, mas é no início uma substancia áspera, terrosa, pesada, viscosa, dura e nebulosa, na qual a natureza parou de obrar; mas quando o Homem esclarecido abre tais matérias, investiga em ‘Digestão’ as densas e nebulosas sombras com as quais elas se cercam, eles as purifica, permitindo que o oculto emerja, e através de adicional ‘Sublimação’, sua Alma mais interior, que ali fica escondida, também se separa e é trazida a uma forma corporal. Então será descoberto o que a Natureza tinha oculto m tal substancia, que fora informe, e que poder ‘Magnalia’ o Supremo Criador deu a seu Creato e nele implantou. Pois Deus teve este Creato para todas as outras criaturas, já que no inicio da Criação este poder foi implantado, e Ele ainda o dá diariamente, pois do contrário não seria só impossível a uma pessoa levar tal trabalho natural até o fim desejado, como também seria impossível criar aqui qualquer coisa de útil. Mas o bom e dadivoso Deus não negaceia ao Homem os tesouros e bens que Ele implantou na Natureza, do contrário não teria concedido tais coisas às Suas criaturas; não, Ele criou tudo o que é bom para o Homem, o fez Senhor de toda a Sua criação. Portanto, é próprio do Homem compreender e engajar-se em tal Obra natural e filosófica, pois de outro modo uma criação tão dadivosa e maravilhosa teria sido em vão, contemplaríamos a Natureza como se fôssemos animais sem discernimento, que por aqui perambulam, e seguiríamos vâmente os conselhos de Deus, e não nos ajustaríamos às finalidades da Natureza. ‘Deus autem et Natura, nihil facitum frustra [Deus e a Natureza em vão]. Mas o Deus Todo-Poderoso tudo comanda. Ele ordena e provê para que a forragem seja posta diante do asno e do cavalo, mas que o ser humano racional seja servido de alimentos mais custosos, mais deliciosos. Portanto, aqueles que tentam investigar e que desejam esse ‘Arcanum’ e grande tesouro tão profundamente oculto, na maneira correta, não precisam depender da colheita do ignorante, que não possui conhecimento sob a Luz de nosso Sol.

Os Filósofos e Sábios, bem como os ‘Neotrici e Veteres’, já se envolveram em grandes discussões sobre essa arte secreta, e tentaram indicar, sob muitos nomes diferentes, alegorias e palavras sofismadas, maravilhosamente estranhas, o ‘Subjectum e sua Essentia’, e que espécie de Matéria, que espécie de ‘Corpus’, que espécie de ‘Subjectum’, e quão maravilhosa e secreta é uma Criatura, que tenha incorporado poderes tão fortes, estranhos e celestiais, e com os quais, depois de ‘Digestio’ e purificação, pode-se ajudar a seres humanos, animais, plantas e metais, e pode-se levar sua saúde e perfeição até o mais alto grau, podendo-se também praticar outras maravilhosas ações. Entretanto, todos os que foram e ainda são verdadeiros ‘Philosophi’ unanimemente afirmam que há apenas um único ‘Scopum’ e uma única ‘Materiam’, o ‘Fili Sapientat’, sendo muitos e variados os discursos e escritos sobre ele. Com relação à coisa essencial, entretanto, só há silencio, e tal silencio trancou firmemente suas bocas e sobre elas colocou um sólido ‘Sigili’, pois, caso se tornasse um conhecimento vulgarizado, como o dos padeiros e cervejeiros, o mundo em breve pereceria.

Muitos são os que buscaram esta única RES, que ‘solvit se ipsum, coagulat se ipsum, se ipsum impregnat, mortificat et vivicat’ [dissolve-se, coagula-se, impregna-se, mata-se e revive-se a si própria], mas a maioria de tais pesquisadores falharam, pois se perderam em meio à busca. Portanto, é algo que mais se aproxima do ouro; e é algo que tanto pode ser ganho pelo pobre como pelo rico, seja lá o que for. Mas aquele que, de sua própria boca, venha a falar ‘expressamente sobre este Subjectum’, o faz sob a ameaça da ‘Philosophi execrationem divinam’, e sobre si chama a maldição de Deus.

Quando os filósofos pronunciavam um ‘Execratio’, o Deus Todo-Poderoso respeitava o seu apelo e o outorgava, dando-lhes o que até então Ele havia guardado em Suas próprias mãos por muitos e muitos séculos. Ora, o referido ‘Subjectum’ é de tal natureza, que ele, nossa ‘Magnesia’, não apenas contém uma quantidade em pequenas proporções do Spiritus Vitalis universal, como também um pouco de energia celestial condensada e comprimida em si. Muitos dos que o encontraram ficaram de tal modo intoxicadas pelo seu fumo que se mantiveram em seus lugares e não mais puderam erguer-se. Somente um sábio, e um que conheça tais coisas poderá tomar de uma medida desse mesmo fluido e levá-la para si, desde o lugar onde a encontrou, seja este qual for, mesmo que das profundezas das montanhas. Pela singular e abundante graça de Deus, tanto ricos como pobres possuem a mais absoluta liberdade de tomar disso, para que vá de volta a casa com isso, e coloque isso atrás da chaminé ou em qualquer outro lugar que lhe aprouver onde lhe for conveniente, e poderá começar a trabalhar isso e fazer experimentos, pois poderá deixar isso de lado tão rapidamente que nem seus próprios servos o notarão. Pois esta obra natural não é tão desajeitada como a dos alquimistas comuns, como seus desastrados trastes, seus fogareiros de carvão, suas cubas fundidoras e seus cadinhos de refinação, e com todo o restante de suas tralhas. Não, esta é uma obra que se pode guardar, numa arca fechada, em qualquer aposento que se queira, tão sossegadamente que nem mesmo um gato a encontrará, e, caso necessário, ele poderá prosseguir com seu ofício, tomando cuidado apenas para que a fornalha tenha um testador triplo, e que ele a mantenha no calor certo, deixando que a Natureza siga o seu curso. Quando, finalmente, a Solutio for retirada do ‘Terrestriat’ e fortalecida por longa ‘Digestio’, ficará então livre de ‘Crudae Materiae’ e estará preparada e renascida de forma mais sutil. Subseqüentemente, claro está, este agudo e potente ‘Spiritus’ recebe em certas ocasiões uma quantidade bem medida, como sucede nos casos de bebida e nutrição, ‘per modum inibibitionis et nutriotionis’. E sua potencia assim fica condensada e dia a dia torna-se como se fora novos suportes para seus irmãos, e muito ativa. Em verdade pensas que podes trazer esta obra e levá-la a tal potencia em intensidade oculta imensurável, um ‘Spiritus Vitalis?’ ‘ As Crudae Materiae’ ou o ‘Subjectum’ originam-se das ‘Astris e Constellatio dos céus, descendo para seu reino terreno’, sendo então sacado o ‘spiritus universi secretur’ dos Filósofos, que é o Mercuriuns dos Sábios, e é o principio, o meio e o fim, nos quais, o ‘Aurum Psysicum’ está determinado e oculto, que o alquimista comum pensa poder extrair do ouro ordinário, mas em vão. EEnquanto isso, os Philosophi lidam muito, em seus escritos, sobre Sol e Luna que de todos os metais são os mais duráveis no /_\. Mas isto não deve ser tomado literalmente, pois o seu Sol e Luna, quando levados à sua intia ‘puritaet’, através de preparação verdadeira, natural, correta e filosófica, podem muito bem ser comparados com os corpos celestiais, tais como o sol e a lua, que com o seu brilho iluminam, dia e noite, o alto e o baixo ‘Firmamentum’. Portanto, estes dois nobres metais, como Sol e a Luna dos Filósofos, assemelham-se, por natureza, ao corpo humano, e para os que sabem como prepará-los corretamente e usá-los sabiamente, dão muita saúde, e exceto isso,e acima disso, nada mais deve ser preparado, além do ponto tríplice do Universalis, pois o Spiritus a ser encontrado nestas duas coisas produz consistência, força e virtude, entre outras coisas.

Ora, o Homem perdoado por Deus pode preparar e aprontar um objeto ou substancia do supramencionado vermelho oou branco , do Sol e Luna, o que é chamado de Lapidem Philosophorum, ou a antiqüíssima Pedra d’Água dos Sábios, feita da substância na qual Deus colocou potencia na criação ou gênese do mundo, ou dos materiais freqüentemente mencionados ou Subjectum, os quais Deus, por amor e por graça, implantou no altamente dotado homem divino. Porém, creio, por isso, que a substancia divina deixada para ele na primeira Criação do mundo, do Spiritu Vitali, da Inspiração, tem sobrevivido em todas as espécies de criaturas. Todos receberam o mesmo Spiritum no mencionado Massam, e firmemente oculto nas mais internas profundezas da terra, e foi indicado e permitido aos Sábios desenterrá-lo, extraí-lo, usá-lo realizar as mesmas Miracula com ele, através do santo conhecimento que nele ainda está implantado e com o qual é diariamente suprido.

Ambas as substâncias acima mencionadas, como o Sol e a Lua, ou vermelho e branco, ou, antes, a Preparação, é, e os Mercurii são, os ingredientes na Composição de nosso Lapidis Philosophorum. Ora, as Matéria são no inicio purificadas e purgadas através de bastantes e repetidas Sublimentiones, e então cuidadosamente pesadas e logo depois compostas; também tu não deves ignorar o que representa a potência e a ocasião de ambos os ingredientes mencionados, porém deves saber como dispor ambas as Pondera, secundum proportionem Physicam [de acordo com a analogia da Física], pois uma boa porção da Preparação e do Mercúrio é misturada com uma pequena porco de animae Sollis vel Sulphuris, e então unem-se ambos com delicada mão, parra que finalmente a Preparação e o trabalho mais difícil sejam completados. Mas terás que saber que deverás primeiramente tingir a Preparação com a vermelha Tinctur, todavia ela não se tornará vermelha ‘in continenti’, mas permanecerá branca, pois o Mercurius tem o privilégio de querer ser tingido primeiro, antes de todos os outros. Os ‘Philosophi’ dizem que o fazer em adição com a Anima Solis desta Tinctur do Mercurii, e de onde deve ser tirada. O Fermento do ouro é ouro, justamente como o Fermento da massa é massa. Ademais, é o Fermento do ouro proveniente de sua própria natureza, e então sua potencia é perfeita quando retransformada em terra. E então isso é primeiro o inicio dos Filósofos, a certa e verdadeira Prima Matéria Philosophorum metallorum [a primeira Matéria dos metais dos Filósofos]. Daí para diante os verdadeiros Mestres, experienciados na Arte, começam a estimular seus Ingniam e aproximar-se da Grande Obra. E então o ‘Artifex’ continua com tal obra, e através da benção de Deus, leva-a ao final, para o qual tende e onde é encarnada por Deus, nominalmente, para a abençoadíssima Pedra Filosofal. De modo que de nada senão per Spiritum universali Secretum a verdadera matéria prima Philosophorum é preparada e aprontada. Quem, então, compreender bem este Spiritum Secretum entende também, sem dúvida, os segredos e milagres da Natureza e tem a percepção da luz da Natureza. Pois ela é ‘motus harmonicus Sympaticus e magneticus’, da qual se origina a Harmonia e Concordantia, a magnética e simpática força ou efeito do mais superior e do mais inferior. Porém, nota que a natureza de ambos os ingredientes não é semelhante uma à outra no inicio, por causa de suas opostas qualidades. Pois uma é quente e seca, a outra é fria e úmida, e logicamente,elas devem ser unidas. Mas quando isso está prestes a ocorrer, então suas qualidades opostas devem vagarosamente ser mudadas e igualadas, de modo que nenhuma das suas naturezas opostas, por meio de seu intenso fogo, retire da outra sua potencia. Mas tu jamais poderás juntá-las, pois ambas as naturezas devem elevar-se simultaneamente no poder do fogo. Então a Discrasia será retirada do Corpori, e uma Aequalitas e boa Temperatur são estabelecidas, o que ocorre através da moderada e constante ebulição.

Pois quando ambas as naturezas Sulphur e Meercurius são encerradas em espaço muito apertado e são mantidas sob calor moderado, começam a extenuar suas características opostas e a unir, até finalmente terem todas as qualidades. Elas se tornam Conspiratio e se elevam ao mesmo tempo, e certamente no topo do vidro se encontra número um. Elas estão prontas a consorciar-se, e então o noivo coloca o anel de ouro em sua noiva, dizem os Philosophi. E assim que Mercurius com seu Sulphur, como a água e a terra entre si, estiverem devidamente ebulidos [ quanto mais tempo, melhor], expelem de si todas as suas superfluidades e as partes puras encontram-se e dispõem de seus ‘corlicibi’; de outro modo as partes impuras impedem a unificação e o Ingressus.

Pois o Mercurius, como o primeiro Corpus, é inteiramente imperfeito e pode ‘per anima’ nem ser misturado nem perpetuado, pois nenhum dos Corpus ingressa no outro nem será unido a ele, seja ‘in vere’ ou ‘in radice’. Mas devem essas coisas ser tratadas de modo que uma verdadeira Tinctur se formará, e deverá ser preparada dela um novo Corpus espiritual que provenha de ambos, pois após a purificação um adotada as virtudes do outro, e de vários provém o único, numero et virtute [em numero e força]. Porém, se o fogo for por demais intenso e não for controlado de acordo com as exigências da Natureza, ambos estes acima mencionados serão sufocados ou separados. Se a eles não for dispensado o modo certo de preparo, transformar-se-ão em nada, em trabalho estragado e um Monstrum. Mas quando se proceder prudentemente e com o calor devidamente controlado, então ambas as substâncias se elevarão na Sublimatio do topo ou cúpula do vidro. Então, quando tu colheres estas lindas flores, poderás já desfrutar delas em particularia.

Mas não poderás observar o motum occultum naturae; assim como não poderás ouvir ou ver a erva crescer, pois ninguém pode observar, nem notar, o aumento e desenvolvimento destes dois ingredientes, Mercurii e Sulphuris, por causa de seu sutil, oculto e vagaroso Progressus de hora em hora. Somente por meio de marcas colocadas d semana em semana isso poderá ser observado e uma conclusão tirada, pois o fogo interno é muito delicado e sutil. Porém, por mais vagaroso que o processo possa ser, não terminará até chegar ao final, quando seu intento poderá ser visto, como em todas as plantas, a não ser que tal sutil e competente ebulição seja detida pelo calor demasiado do sol e seja queimada, ou detida por frio de aparição instantânea; ‘ergo qui scit occultum motum naturae, scit perfectum decotionm’ [por isso, aquele que conhece o movimento oculto da Natureza, conhece também a perfeita ebulição ou preparação]. Este motum deve agora tomar seu rumo natural e autodeterminado,apesar de ninguém poder ouvi-lo nem vê-lo, como também ninguém pode compreender. O Centra et ignem invisibilem seminum invisibilum [ o Centro e o fogo invisível]. Por isso deverás deixar tal assunto somente à Natureza, e observá-la, e nenhuma vez tentar opor-se à Natureza, mas depositar nela toda a confiança,até que ela produza seu fruto.

Quando alguém trata a Natureza com calor gentil e agradável, ela faz e produz tudo de si mesma, o que, para o suprimento de um Creati ou para a introdução de uma nova forma, é o objeto de necessidade: pois o Verbo Divino Fiat ainda reside em todas as criaturas e em todas as plantas, e tem sua poderosa força nestes tempos, assim como teve no inicio.

Existem, entretanto, quatro principais Virtudes e Potentias, das quais a nobre Natureza faz uso em cada ebulição; através disso ela completa sua obra e a leva a um final.

A PRIMEIRA VIRTUS
É, e é chamada, ‘appellativa et attracctiva’, pois lhe é possível atrair para si, de longe ou de perto, alimento pelo qual se mostre desejosa de resultados e lugares agradáveis à sua natureza, e ela pode crescer aumentar. E aqui ela não tem um poder magnético, tal como o de um homem por uma mulher, o Mercurius pelo Suplhur, o seco pelo úmido, a Matéria pela forma. Por isso o axioma dos Filósofos é: natura naturam amat, ammplectitur prossequitur. Omnia namquam crescentia, dum radices agunt et vivant, succum ex Terra altrahunt, atque avide arripiunt ilud, quo vivere et augementari sentiunt – isto é, a natureza ama a natureza, a envolve e segue. Pois todas as plantas, quando lançam raízes e começam a viver, tiram a seiva da terra, e a sugam avidamente, pois sentem que deste modo elas podem viver e multiplicar-se. Pois onde há fome e sede, alimento e bebida serão recebidos com avidez esta Virtus e Potentia será desperta e provém do calor e da seca mediana.

A SEGUNDA VIRTUS E POTENTIA
É, e é chamada natura retentiva et coagulativa. Pois a Natureza em si não somente é útil a ela e serve por sua continuação e é vantajosa quando ela carece daquilo que é avidamente produzido de si mesma, mas tem também com ela o laço com o qual ela tira e traz e a segura a si mesma. Sim, a Natureza até se muda em si mesma, pois como tem ela escolhido, destas duas, as mais puras partes, ela separa o resto e as leva à boca e a faz crescer, e não está carecendo de qualquer outra ‘calcinação ou fixação:natura naturam continent’[A natureza retém a natureza], e tal habilidade provém de sua secura, pois o frio constringe as partes obtidas e formas e as reduz, por secura, na Terrae.

A TERCEIRA VIRTUS E POTENTIA
[naturae in rebus generandis et augmentandis]

Est Virtus digestiva, quae fir per putrefactionnem seu in putrefactione [é a força digestiva, que ocorre por meio da putrefação ou na putrefação], em calor e umidade moderados e temperados. Pois a Natureza dirige, muda e introduz um tipo e qualidade, a imperfeição é eliminada, o amargo é adoçado, o autero é abrandado, o áspero é feito liso, o imaturo e selvagem é domado,o que era anteriormente incapaz é agora habilitado e tornando eficiente, e leva à execução finalmente pretendida e perfeição da Obra, e representa os Ingredientia da Compositio.

A QUARTA POTENTIA NATURAE
Est virtus expulsiva mundificativa, segregativa [a força expelente, purificante, separadora] que separa e divide, que purifica e purga, que lava durante a Sublimação ou Decocção.

Ela parte do Sordibus da escuridão e trás consigo um Corpus ou substância pura, transparente, poderosa ou iluminada; ela reúne as Partes homogneis, e é gradualmente liberada do heterogeneis, repele a Vitia e tudo o que for estranho, inspeciona o rude, e dá a cada parte um lugar especial. Isto é causado por – e é proveniente de – agradável calor, constante em umidade apropriada, e isso é a Sublimação e fruta madura que agora cairá da casca. Por isso foi no inicio designado pela Natureza artesãos, a saber: o Patiens é liberado do Agente e será aperfeiçoado. Nam liberatio illa a partibus heterogeneis est vita et perfectio omnis Rei – isto é, para a liberação destas desiguais partes, é a vida a perfeição de todas as coisas. Para o Agens e Patiens que até agora estiveram em contenda um com o outro, de modo que cada um afetava e oferecia resistência de acordo com a resistência de seu oponente – isto é, o quanto for possível ela quebrará a resistência de seu oponente e não se devem unir durante o tempo de sua Decocção, porém a melhor parte deverá ganhar a vitória e expelir o impuro, e subjugá-lo.

Agora, quando todas as Naturalis potentia tiverem desempenhado seu Officium, então virá o novo nascimento e como a fruta madura se apresenta em todas as outras plantas, assim também agora sucederá em nosso Subjecto e obra natural que, quando aperfeiçoada, surpreendentemente em nada mais parece com seu primeiro inicio e não tem mais qualidade, e é nem frio nem seco, nem úmido nem quente, e ´nem masculus nem foemina. Pois o frio é por si mesmo transformado m calor, e o seco em úmido, e o pesado em leve, pois ela é uma nova ‘Quinta Essentia’, um ‘Corpus Spirituale’, e tornou-se um ‘Spiritus Corporales’, tal Corpus é claro e puro, transparente e cristalino: por si mesma, a natureza jamais poderia ter produzido tal corpo enquanto existir o mundo. O Artifex e o homem iluminado, entretanto, auxiliante Deo et natura [pela ajuda de Deus e da Natureza], produziu por meio do seu intelecto a arte, e ele o coloca lá por si mesmo. De modo que subseqüentemente ele encontra uma Miracula e que é chamada: ‘unguentum anima, aurum Philosophorum, flos auri’[o ungüento, a alma, o ouro do filósofo, a flor do ouro]. Theopharastus e outros o chamam de Glutem aquilae.

Agora, o que foi mostrado sobre as quatro ‘potentiis naturae’ foi efetuado por meio do fogo, que deve ser incombustível, agradável à Natureza, e de acordo com a Natureza deve continuar estável e deve também sr vantajoso à Obra: porém nesta Obra dois tipos de fogos são particularmente bem tratados, a saber: o fogo elementar externo que o Artifex produz e o qual aplica à Obra, e depois deste o fogo natural, inato, interno, das substancias. Embora encontre em todas as três coisas primárias ou genera um fogo natural, tal como nos Animalibus, Vegetabilus e Mineralibus, através dos quais ele iniciou e se moveu, mantendo a vida, foi fortificado e aumentado; e pode continuar seu inato poder de continuidade e de virtude radicada de acordo com o caráter de cada um.

Mas o fogo que se encontra em nosso Subjecto em si mesmo não é mínimo entre as criaturas e os minerais. Ele tem oculto dentro d si o mais maravilhoso, o mais potente fogo, confrontado com o qual o fogo externo é semelhante à água, pois nenhum fogo elementar comum pode consumir e destruir o puro ouro, que é a mais durável substancia entre todos os metais, por mais intenso que o fogo possa ser, mas apenas os essenciais /_\ e \¨/ dos filósofos o podem conseguir.

Se tivéssemos hoje este fogo com o qual Moisés queimou o bezerro de ouro e o triturou em pó e o espalhou sobre a água de que então fez os Filhos de Israel beber [Êxodo, cap.32] – que seja esta uma parte da obra alquímica de Moisés, o homem de Deus! Pois ele foi instruído na arte egípcia e nela habilitado. Ou o fogo que o profeta Jeremias escondeu sob o pé da montanha, da qual Moisés avistou a Terra Prometida e onde ele morreu, o fogo que foi recuperado senta anos mais tarde pelos Sábios, os descendentes dos antigos sacerdotes, após o retorno do Cativeiro Babilônico. Porém, no entretempo, o fogo da montanha foi mudado e se transformou em água [II Macabeus, cap. 1 e 2]. O que pensas tu? Não nos deveríamos aquecer nele e manter afastado de nós o frio do inverno?

Tal fogo dormita em nosso Subjecto calma e pacificamente, e não se move espontaneamente. Se agora este secreto e oculto fogo devesse auxiliar seu próprio Corpori, de modo que possa elevar-se e ter seu efeito, e manifestar seu poder e força, para que o Artista possa alcançar o final desejado e predestinado, este fogo deverá ser estimulado pelo fogo elementar externo, ser atiçado e ser trazido para seu curso. Este fogo pode estar em lâmpadas ou em qualquer outro lugar que desejares, ou engedrares, pois ele sozinho é suficientemente capaz de executar a atividade com facilidade, e tal fogo e calor externos devem ser cuidados e mantidos durante todo o tempo, até o final da Sublimação, para que o fogo essencial e interno seja mantido aceso, para que os dois fogos mencionados possam ajudar-se um ao outro e o fogo externo possa dignificar o fogo interno, até que em seu tempo apropriado l se torne tão forte e intenso que rapidamente reduzirá a cinzas, pulverizará, reverterá a si mesmo e igualará a si tudo aquilo que for nele colocado, mas que é, todavia, de sua própria espécie e natureza.

Todavia, é necessário a todo Artifex, à custa do final desejado, saber que entre estes dois fogos mencionados ele mantenha determinada proporção entre o mais externo e o mais interno, e que ele atice o fogo apropriadamente, pois se o deixar fraco, então a Obra será paralisada, e o fogo mais externo não é capaz de aumentar o interno, e desde que ele o atice moderadamente por várias vezes, produzirá um vagaroso efeito de processo muito longo, e quando tiver esperado com tal paciência e obtiver seus dados, então finalmente alcançará seu objetivo. Porém, se alguém fizer um fogo mais forte do que o adequado a este processo, e este for apressado, então o fogo interno padecerá e será inteiramente inepto, a Obra certamente será destruída, e o apressado jamais alcançará seu fim.

Se após a duradoura Decocção e Sublimação as nobres e puras partes do Subject forem gradualmente, e com a vantagem de um tempo calculado, separadas e liberadas da rústica substancia terrosa imprestável, o impulso m tal atividade deverá ser de acordo com a Natureza e deverá ser ajustado com moderação que seja agradável, complacente e vantajosa ao fogo interno, a fim de que o fogo interno essencial não seja destruído por calor demasiadamente intenso, ou mesmo extinguido e tornado imprestável. Não, antes ele será mantido em seu grau natural, será fortificado, enquanto as partes puras e sutis se ajuntam e se reúnem, sendo o imperfeito separado, de modo que as partes puras combinem e o melhor alcance o objetivo em vista. Portanto, tu deves aprender da Natureza sobre o grau deste fogo que a Natureza usa em suas operações até que ela faça amadurecer seus frutos, e disso conhecer a Razão e fazer os cálculos. Pois o fogo essencial interno é realmente aquele que leva o Mercurium Philosophorum à aequalitaet; mas o fogo externo estende-lhe uma mão, para que o fogo interno não seja impedido em sua operação, e, portanto, o externo deverá estar em concordância com o interno e deverá ajustar-se de acordo com o mesmo, e vice-versa. Então, em tal uso do fogo elementar universal, ele deverá ser levado ao calor natural interno, e o calor externo será ajustado a ele, para que este não exceda no CREATO a força do SPIRITUS úmido e quante, o qual é inteiramente ‘subtil’; de outra maneira, a natureza quente de tal ‘spiritus’ seria rapidamente dissolvida, e não poderia mais manter-se unida, e não teria mais potência. Segue daí que um fogo mais intenso do que for necessário para reviver e manter o fogo natural interno implantado em nossa Materiae poderia ser apenas para o impedimento e a deterioração. In natura et illius Creatis et generationibus sit tua Imaginatio, isto é, na natureza e no que foi criado ou trazido por ela deverás mediar. Por isso leva o Spiritum úmido para terra, faze-o secar, agglutinirs e figurs, com um suave fogo. Assim deveras tu também levar o Animam para o Corpus morto e restaurar o que tiveres levado embora, e tu restaurarás o que não tem alma e o que é morto para a vida, para que se eleve e se equipe novamente, porém o que assim o fez não suportará o calor, pois este não se tornará constante como no caso de ter sido recebido espontaneamente com boa vontade, com alegria e com desejo, ficando profundamente impressionado.

E isto é ‘sicci cum humido natuiralis unio et ligamen tum optimun’ [a unificação natural do seco com o úmido, e também a melhor ligação]. Sim, se alguém realmente deseja discutir este assunto: os Sábios mencionam três tipos de fogo, cada um dos quais está encarregado do ‘operis magni’, assim é que cada melhor forma em particular deve em sabedoria e boa prontidão tê-lo também em governo. Assim, ele não trabalhará como um cego, mas de maneira entendida e prudente, como é adequado a um Philosophus inteligente.

O primeiro fogo é o externo, feito pelo Artista ou vigia, o qual os Sábios chamam de ‘ignem frotem’, do qual ‘Reginem’ depende a segurança ou a ruína da Obra inteira, e isto de dois modos:’nemium sumiget cave’ [tome cuidado para que não fumegue demais], mas também é dito:‘combure igne fortissimo’[queime-o com o mais forte fogo].

O segundo fogo é o ninho no qual a Phoenix dos Filósofos tem sua morada, e lá choca ‘ad regenerationem’. Isto não é nada mais que o ‘Vas Philosophorum’. Os Homens Sábios o chamam de ‘ignem corticum’, pois está escrito que a ave ‘Phoenix’ ajuntou todos os gravetos de madeiros balsâmicos com os quais cremou-se a si mesma. Se não fosse assim, a Phoenix morreria de frio e não alcançaria a Perfeição. Sulphura Sulphuribus continentur [os enxofres são mantidos pelos enxofres]. Pois, o ninho deve proteger, assistir, nutrir e vigiar a descendência do pássaro até o final.

O terceiro, entretanto, é o verdadeiro fogo inato do nobre Sulphuris, ele mesmo a ser encontrado ‘in radice subjecti’, e é um ‘Ingrediente’, e ele acalma o ‘Mercurium’ e lhe dá forma; este é o verdadeiro Senhor, sim, o verdadeiro ‘Sigillum Hermetis’. Em relação a este fogo ‘Creberus’ escreve: ‘In profundo mercurii est Suplhur, quod tandem vincit frigiditatem et humiditatem in Mercúrio.Hoc nihil aliud est, quam parvus ignis occultus in mercúrio, quod in mineris nostris exitatur et longo temporis sucesse digerti frigiditatem et humiditatem in mercurio, isto é: Na essência do Mercurii está um enxofre que finalmente subjuga a frieza e a umidade no Mercúrio. Isto nada mais é do que um pequeno fogo oculto no Mercúrio, que é feito presente em nosso Mineris, e na integridade do tempo ele absorve a frieza e a umidade do Mercúrio ou as remove, e isto também é dito sobre o fogo.


FINIS.

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