segunda-feira, 21 de junho de 2010

Nossas Forças Mentais

Pensamentos de Prentice Mulford

Prentice Mulford, não escreveu para aqueles desventurados que procuram iludir as suas horas de lazer com a leitura de livros superficiais que lhes acariciam suavemente a fantasia e despertam os instintos animais, nem tampouco escreveu para os que se comprazem em considerar os problemas da vida, abstraindo-os da própria vida, e ligam importância máxima ao processo lógico do intelecto.


Assim, imagino eu, os espiritistas dirão unanimemente que Mulford é um do seus, e os teosofistas acharão nele, em germe, todas as suas doutrinas mais ou menos fantásticas, e os ocultistas e sectários do Novo Pensamento, outros e outros mais, hão de ver, em Prentice Mulford, apenas o representante de uma idéia, e procurarão restringir-lhe a obra nos limites de uma teoria ou de um dogma mais ou menos cientifico que os amigos do misticismo, que hoje florescem em tão grande numero como brotam nos bosques os cogumelos, proclamarão Mulford um grande místico e, desfolhando do conjunto dos seus escritos algumas sentenças, as porão em confronto com as dos grandes e solitários místicos cristãos. Entretanto, Mulford não foi um místico, no sentido ordinário da palavra. Certamente um homem que pôde escrever palavras como estas: “Todas as coisas podem servir de ponto de partida no mundo; todos os nossos esforços e todos os nossos atos nos levam a Deus”. Devia ter visto bem fundo no mistério da vida e devia possuir em si a luz espiritual que é a própria de todos os chefes ideais da Humanidade. Mas ao contrário dos verdadeiros místicos, ele nada nos disse da vida do espírito quando se une a Deus; nada sabe contar-nos que se eleva à contemplação da divindade e no êxtase supremo acha a satisfação de todos os seus desejos; e em vão procuraremos nele a descrição da perfeita beatitude, daquele que, como o pobrezinho de Assis, soube purificar a sua alma e fazer dela um digno receptáculo da bondade divina que se manifesta em todos os atos e em todos os pensamentos...Ele, Mulford, só nos fala dos meios para chegarmos a Deus, mas sobre o principio e fim da vida nada tem que dizer-nos.

“Aqui está todo o valor da obra de Prentice Mulford; não nas teorias tomadas separadamente, algumas das quais, como a da existência de uma mente superior e de uma mente inferior, e a da diferença entre espírito e matéria, e a da reencarnação, etc, que, discutíveis assim como estão expostas, se prestam amiúde a conclusões absolutamente inaceitáveis."

Portanto, segue um pouco dos pensamentos de Prentice Mulford.:
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DEUS
Um Supremo Poder e Sabedoria que rege o Universo. A Inteligência Suprema é infinita e penetra o espaço ilimitado. A Suprema Sabedoria, Poder e Inteligência está em tudo quanto existe, desde o átomo até o astro.

Ela existe mais do que todas as coisas. A Inteligência Suprema é todas as coisas e constitui cada átomo da montanha, do mar, da árvore, da ave, do animal,do homem e da mulher. Nem o homem nem os seres que lhe são superiores podem conceber a Sabedoria Suprema, mas o homem receberá sempre com alegria profunda os vislumbres da luz e da Inteligência Suprema, que lhe permitirão trabalhar para a sua felicidade final, ainda que sem compreender nunca todo o mistério dela.

O Supremo Poder nos governa e rege, como governa e rege os sóis todos os sistemas de mundos que giram no espaço. Quanto mais profundamente conhecermos esta sublime e inexaurível sabedoria, tanto mais aprenderemos a pedir que ela penetre em nós, constituindo-se uma parte de nós mesmos, para deste modo, fazer-nos cada vez mais perfeitos.

Estejamos cheios de fé no que temos que pedir agora e todos os dias, para que essa fé nos faça compreender e crer que tudo quanto existe é parte do Infinito Espírito de Deus e que todas as coisas são boas, porque Deus está nelas e, finalmente, que tudo aquilo que reconhecemos como formando parte de Deus existe e age necessariamente para o nosso bem.

O fixarmos toda a nossa força espiritual numa só coisa nos aproxima dela, quer esteja perto, quer esteja longe o ponto de contato. Antes deste efetuar-se, o espírito é como que uma mão aberta com todos os dedos estendidos; quando a idéia se fixa, tendo desenvolvido toda a sua ação, o espírito vem a ser como um punho, completa e fortemente fechado.
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O faquir hindu, ainda que de inteligência muito pouco cultivada, chega facilmente a ser habilíssimo em enviar o seu espírito fora do corpo, com o qual fica, entretanto, ligado por meio da invisível e esplendorosa corrente de vida que, na Bíblia, se chama ‘o fio de prata’. Se este fio chega a romper-se, o corpo e o espírito ficam completamente separados, e o corpo morre. Semeiam-lhe arroz sobre o tumulo e o arroz germina; semeiam-lhe e vigiam o ataúde cuidadosamente e a sua cova. Permanece assim durante muitas semanas e quando o desenterram ... e está vivo ainda!
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Se nos houvessem ensinado a vida e o poder do espírito, desde a nossa primeira infância, reconhecendo-o como uma realidade, a memória do nosso espírito teria sido educada de maneira que se recordaria de todos os acidentes de sua própria existência, anterior ao despertar do nosso corpo. Como, porém, nos tem ensinado sempre a encararmos o plano espiritual como um mito, temos considerado também um mito a sua memória.
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COMO VIVEMOS DURANTE O SONO
Na natureza não há transições violentas. Os seres que morrem na terra não entram diretamente numa condição gloriosa,’a menos que tenham já vivido com o pensamento nela’. Eles vão onde os chamam os seus pensamentos cotidianos; amigos os recebem à sua chegada como hospedes bem vindos na sua moradia; mas não são hospedes e não podem ficar nesta coletividade se a elas não pertencem pelo espírito. Se os seus pensamentos foram inferiores, eles devem, depois de certo tempo, voltar à ordem espiritual em que viveram ao deixarem o corpo, não podendo edificar acima deste estado. É necessário construir por si mesmo a própria casa no céu. Por isso, é mais vantajoso começar cá na terra a edificá-la conscientemente, do que esperar a perda do corpo; porque a lei eterna quer que cada qual a construa por si mesmo.
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Seria, por assim dizer, tentarmos diretamente o abandono dos prazeres materiais para realizar e viver uma existência mais elevada e pura, porque toda a abnegação há de ter um propósito; e aqui é o de rompermos inteiramente com os prazeres efêmeros que deixam sempre através de si penas duradouras, e assim alcançarmos um imenso prazer que nunca é seguido de remorsos de espécie alguma.
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Se pudésseis seguir direto para as mais altas regiões do pensamento, se pudésseis atravessar a corrente dos pensamentos obscuros e materiais que vos circundam por todas as partes, achar-vos-eis numa região esplendida, onde brilha um sol sem nuvens, onde desabrocham flores radiosas, paisagem sublime e encantada; uni-vos-íeis aos seres chamados pelo vosso desejo e que são da mesma raça espiritual; descansaríeis num delicioso langor que vos permitiria, entretanto, contemplar cenas de encanto inefável; seríeis, enfim, consciente da vida.
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Todo lugar onde se reúnem pessoas de baixa mentalidade, posto mais ou menos sob a influencia de paixões rasteiras, seja qual for o seu caráter distintivo, será sempre um foco de más idéias, e essas idéias saem dali, formando como um arroio, posto que invisível,e fluem e correm da mesma forma que a água que emana de uma fonte. Nas grandes cidades, todos esses lugares malsãos formam milhares de arroios de elementos espirituais impuros, juntando-se uns aos outros e formando uma corrente na qual nos deixamos inesperadamente cair, permitindo que suavemente nos arraste. Toda reunião de pessoas faladoras, ferinas e amigas do escândalo não é mais do que um conjunto de espíritos afins. É isso o que acontece em toda família onde reinam a desordem, a malquerença e a incivilidade. A alta sociedade, da mesma forma que a que chamamos inferior na escala social, pode, de igual modo, contribuir para o aumento dessa baixa corrente espiritual.

Os espíritos mais puros não podem viver nessa corrente espiritual inferior sem serem afetados de modo bastante desfavorável, o que lhes exige um dispêndio continuo de forças para se defenderem contra ela, andando em companhia de espíritos inferiores, que nos cegam com a sua obscuridade e nos esmagam com o seu peso enorme.

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Não é possível, em nossa situação atual, compreender como muitas pessoas se vêem afastadas do êxito e atiradas para um plano inferior de vida, inconscientemente arrastadas e, ainda, em parte, cegas e confundidas pelas baixas correntes espirituais que as rodeiam. Tem que aceitar estas condições de vida como uma necessidade, que as inteligências mais perspicazes não podem compreender.

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O pecado que indubitavelmente se encerra na paixão pelo ouro, se estriba precisamente em amar mais o ouro do que as coisas necessárias que o ouro nos proporciona.

A ARTE DE ESQUECER
Para obtermos o maior êxito num negocio qualquer, para fazermos os maiores progressos numa arte ou para conseguirmos o mais lisonjeiro resultado num estudo determinado, é de absoluta necessidade que, durante o dia e em repetidas ocasiões, nos esqueçamos de tudo e concentremos todas as nossas forças naquele negocio, naquela arte ou naquele estudo; ainda será bom, antes de entregarmo-nos a ele, deixarmos em mais completo repouso a nossa inteligência para reunir novas forças com que empreender com mais impulso o objeto proposto.
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DA FORMAÇÃO DO ESPÍRITO
As idéias e os pensamentos são verdadeiro alimento do nosso espírito, da mesma forma que o pão é o alimento natural do corpo. Toda idéia velha é literalmente ‘velha’, produtora só de elementos ou substancias já sem força nenhuma e não apropriadas para a nutrição do espírito.

Milhares de homens padecem, sempre, por esta causa, de uma verdadeira ‘fome de espírito’. É que, com a sua educação mundana, ou por outra, a parte do espírito educada descuidadamente, de conformidade com o sentir geral e o modo de ser que em redor dele se desenvolvem, são incapazes de seguir as advertências e os conselhos do espírito, os quais tomam sempre por ilusões falazes ou fantasias enganosas geradas no seu próprio cérebro.

Toda idéia nova é um elemento novo de vida e vem renovar as forças da existência. Toda idéia nova, todo novo desejo, todo novo propósito nos enche de esperança e vigor. O segredo de uma vida eterna e feliz está em desejar sempre, com plena atividade, tudo quanto é novo, ou por outra, olvidar as coisas que já passaram e ativar as coisas que estão por vir. A velhice apodera-se do homem que olha sempre para trás e vive no que já passou. O Eu de hoje não é o mesmo de ontem, assim como o Eu de amanhã não será tampouco o mesmo de hoje. “Eu morro todos os dias”, disse Paulo, e o dizia pensando em que a idéia que ontem era viva nele, se achava morta hoje, e a despia de si, da mesma forma que se despe um vestido velho, pondo em seu lugar outras idéias novas.

Para que o nosso espírito se conduza sempre são e forte, convém que esqueçamos cada dia ‘algo’ do que fica atrás; não conservemos nunca em nós uma idéia morta, nem façamos mais uso dela, pois, em vez de ser-nos útil, nos prejudicará. Expulsemos de nosso espírito as idéias mortas, da mesma forma que o corpo diariamente deita fora uma porção de tecidos mortos.

Se, porventura, nos acostumamos a um tipo de alimentos, a uma droga qualquer ou a um estimulante, chegaremos a não poder prescindir dele e assim acabaremos por ser verdadeiros escravos. O fluxo perene das nossas idéias chega a abrir caminho, por onde escapa do nosso calabouço toda a miséria espiritual e material.

Nas elevadas esferas da inteligência humana estão sempre aqueles que, alegres e satisfeitos, confiam em futuros triunfos e grande felicidade. Tem vivido de conformidade com a Lei e a sua alegria é prova disso. Neles, ‘a fé se transforma em vitória’. Eles sabem que, mantendo a sua inteligência em estado apropriado para a inspeção das suas idéias e pensamentos atraem a si uma constante corrente de felicidade e poder, e, com o auxilio desse poder e dessa felicidade, terão sempre sorte em tudo,sem desgostos, sem penas, sem fraquezas.

Com o esforço que fizermos para afastar de nós toda inveja, toda tristeza, todo rancor ou qualquer outro pensamento impuro, desembaraçamos o caminho para tornar possível áquela confiança. Todo pensamento que pode causar-nos algum dano é um pensamento impuro.

Para o espírito, o pensamento ou a idéia é uma coisa tão real e verdadeira como o é para nós uma pedra. Portanto, o nosso espírito pode, por assim dizer, cobrir-nos de imundícies ou de flores.

É, de absoluta necessidade à inteligência alimentar-se de idéias elevadas, como visões de grandeza e beleza da existência, para adquirir a possibilidade de dar-lhes expressão adequada.

Não poderíamos, com toda a segurança conservar um dom qualquer, um talento, uma capacidade determinada, sem nos por em comunicação com os outros.

Quanto mais o espírito cresce em riqueza e elevação de pensamentos e idéias, impulsionado pelo conhecimento do seu próprio poder, com tanto mais afinco busca a melhor direção e o melhor modo de exprimir externamente esta riqueza. “O que liberalmente dá, liberalmente recebe” eis uma lei que vigora no mundo espiritual.

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A LEI DO TRIUNFO
A fortuna ou a sorte de cada um de nós nunca é uma obra de casualidade, como não o é, tampouco, o nascimento e o crescimento de uma arvore. Nós, como a árvore, somos o produto de uma combinação de elementos, determinada pela ação de certas leis. Assim podemos, conhecendo e aproveitando o conhecimento dessas leis, fazer de nós mesmos tudo aquilo que quisermos.

O espírito, e não o corpo, é o nosso verdadeiro Eu. O nosso espírito e o nosso pensamento são substâncias invisíveis, mas tão reais como o ar, a água e os metais. Operam independentemente de nosso corpo, abandonam-no e penetram no corpo de outras pessoas, estejam perto ou longe, movendo-o e exercendo nelas a sua influencia; e tudo isso fazem, quer esteja o nosso corpo dormindo ou desperto.

Este é o nosso poder real e positivo. E quando melhor aprendermos a conhecer o modo pelo qual opera esse poder, quando melhor aprendermos a servir-nos dele e dirigi-lo como nos convenha, faremos negócios mais proveitosos, terão nossas empresas melhor êxito e efetuaremos, numa hora apenas, aquilo que dantes não podíamos executar numa semana. Além disso, com o seu continuado exercício, iremos sempre aumentando a força desse poder. Isto foi o único fundamento dos milagres; nisto, somente nisto, consistiu a magia e o poder oculto dos tempos antigos.

A nossa mentalidade atual não é mais do que um conjunto de substancias espirituais que vieram se reunindo desde tempos imemoriais, o qual passou já por muitos e muitos corpos físicos. A inteligência do homem é um imã que tem o poder de atrair os elementos espirituais e lançá-los logo fora de si outra vez.

Segundo a classe de elementos espirituais de que esteja mais carregado o imã – a nossa mente – ou conforme a classe dos que receba com maior freqüência, tal será a classe do que atrai para si. Se, pois, pensamos com freqüência, ou mantemos o mais constante possível, em nosso cérebro, idéias de confiança, amizade, energia, poder, justiça, ordem e exatidão, a nossa inteligência atrairá cada dia mais elementos espirituais da mesma classe.

Entre todos os outros elementos espirituais, existem também os elementos do êxito e do triunfo, e todos eles são de uma tão positiva realidade como o que vemos e tocamos; se dirigimos sempre o nosso imã para o desejado sentido, aumentaremos constantemente em força, para a atração desses elementos.

O nosso pensamento flutua, pois, no ar, atraindo para si pensamentos análogos ou afins de outros homens, a quem, contudo, nunca vimos nem veremos tampouco.

Quando determinados pensamentos vêm chocar-se e unir-se a outros, juntando-se no mesmo propósito ou objetivo, surge dessa união um duplo poder para o êxito, quer habitem numa mesma casa os corpos de onde saíram tais pensamentos, ou se achem milhares de léguas afastados uns dos outros.

Um pensamento atrai sempre outro da mesma espécie. Mantenhamos fixa em nossa mente uma idéia qualquer; por exemplo, a de força ou saúde, e atrairemos, cada vez mais, maior número, elementos-idéias de saúde e força. Mantenhamos por muito tempo na mente a idéia de energia, adiantamento, atividade, e nos enriqueceremos de elementos que nos darão energia e nos impelirão a avançar.

Quando estamos bem confiantes e bem determinados, em estado sereno de inteligência, a dirigir a nossa atividade à consecução de alguma aspiração importante, baseada interiormente na retidão e na justiça, o incomensurável poder do nosso espírito atrairá para nós, silenciosamente, enquanto nos mantivermos no reto caminho, a cooperação daquelas pessoas de cujo auxilio necessitamos para os nossos fins.

Uma idéia ou um pensamento, seja bom ou mau, é uma coisa, uma construção, formada por elementos invisíveis, mas tão reais como o é uma arvore, uma flor ou qualquer outro dos objetos que vemos e tocamos, e existe ainda antes que a tenhamos concebido de fora, pois o nosso cérebro está continuamente modelando, construindo e atraindo novos pensamentos e idéias.

Se, porém, formularmos o nosso pensamento por meio de palavras que pronunciamos em voz alta no retiro e na quietude do nosso quarto, agimos com maior força sobre os outros homens do que se o tivéssemos pensado somente; se duas pessoas, cordial e amavelmente, falam juntas, com um propósito comum, de algum negócio ou empresa importante, lançarão de si, proporcionalmente, um volume maior de forças do que haveria feito cada uma em separado, forças que exercerão a sua influencia sobre outras pessoas com relação ao assunto de que se trata.

Assim, pois, sempre que pensamos, os nossos pensamentos afetam, em bem ou mal, a nossa fortuna ou sorte, e sempre que falamos juntamente com outros, damos origem a uma força mais ou menos considerável, capaz de proporcionar-nos ou tirar-nos saúde, bons amigos e até dinheiro.

Se ponderarmos sobre a idéia de que não havemos de alcançar êxito em tal ou qual empresa, e não repelimos, em seguida, esta idéia, ela, por si só, atrairá outras de desanimo, nos trará a desconfiança em nós mesmos e nos aproximará de pessoas que terão de prejudicar-nos em nossa saúde, que nos privarão das nossas habilidades e, finalmente, nos porão em contato com aqueles homens que somente sabem ajudar a ruína e o aniquilamento dos outros. Desta maneira, teremos posto em ação o nosso poder espiritual para o dano, da mesma forma que podemos nos servir de estrada de ferro para nos transportar rapidamente a grandes distancias ou podemos nos lançar sob uma locomotiva que nos esmagaria.

Ao fixarmos todo o plano ou intento de negocio em nossa mente, com a idéia persistente de sairmos bem dele, isto é, de obtermos o triunfo, promovemos a geração de uma energia espiritual que não pouco nos auxiliará as nossas próprias forças.

Não malgastamos o nosso poder na procura dessas forças auxiliares apenas com o nosso corpo; a continuada reflexão sobre elas leva a nossa mente à ação e não há duvida que temos de alcançar o nosso propósito, se persistirmos em manter este estado da nossa mente.

É um poder que, para o bem ou para o mal, está sempre em ação ao redor de nós, ainda que não o percebamos, pois não é o corpo a única fonte de poder de que dispomos; o corpo, na realidade, não é mais do que o instrumento que a inteligência ou o espírito usa para a sua ação.

O pensar com persistência num propósito ou desejo que tenhamos formado, mas pensar unicamente e em nada mais, criará em nós um poder tão verdadeiro e de tão positivos resultados como os de uma roldana que levanta grandes pedras para a construção de um edifício.

Todo êxito comercial se funda precisamente neste continuo fluxo de idéias e planos novos.

O nosso espírito, ou o nosso pensamento, exerce a sua ação sobre os outros, apesar de estar o nosso corpo adormecido, da mesma sorte que atua sobre aqueles cujos corpos estejam também dormindo.

Se não temos feito propósito algum, o nosso espírito ir-se-ia com outros que tampouco o tem, e não termos um propósito determinado na vida, seguirmos simplesmente o impulso dos outros, é o mesmo que não termos onde concentrar o nosso poder espiritual. E se não concentramos este, que é o nosso verdadeiro poder, senão que o dispersamos, dedicando-nos hoje a uma coisa, amanhã a outra, só lograremos inquietar inutilmente e estontear a nossa inteligência e, enquanto ela permanecer em estado tão lamentável, o nosso corpo não gozará nunca de boa saúde.

A maldade é também um elemento real, e a pessoa que pensa nela deita fora de si elemento que pode agir contra nós, ainda que essa pessoa nunca dissesse nem fizesse nada que nos desagradasse; e somente podemos opor-nos com êxito a essa maléfica ação, lançando contra o seu elemento de maldade os elementos espirituais de amizade e do bem. A idéia do bem para os outros homens é o mais forte dos elementos invisíveis, e pode, portanto, vencer e destruir a ação da idéia de maldade, que é a mais fraca, pondo-nos assim, fora do alcance dos seus maléficos efeitos.

Em virtude dessa mesma lei, é perigoso criarmos inimigos, por boa e justa que seja a causa.

Se empregarmos, por exemplo, as nossas energias durante três meses seguidos, na consecução de um fim determinado e, ao cabo desse tempo, caímos desalentados, abandonando o nosso propósito, desprezamos também os elementos espirituais que naquelas nossas energias chegaram a construir com o seu poder de atração. Não sabemos, então, onde nem como esse poder operou, pois não conhecemos o fim da sua obra; não podemos, porém, duvidar da sua ação que nos atraiu a cooperação daquelas pessoas que nos são simpáticas ou cujos auxílios temos necessitado.

Se, com persistência, mantemos em nossa mente o desejo de obter o auxilio ou a cooperação da pessoa que melhor possa auxiliar os nosso planos, a ela precisamente se dirigirá esta nossa potencia da atração espiritual e, por fim, se cumprirá em toda a exatidão o nosso desejo mental. Se, porém o nosso desejo não se funda na honra ou na honestidade, esta mesma lei atrairá para nós aqueles que tampouco fundam as suas ações naquilo que é honesto e honrado.

O talento para uma arte ou profissão, de qualquer classe que seja, é uma coisa; e é inteiramente outra o talento de que se necessita para dar-lhe o devido impulso; para obter o melhor êxito é necessário possuir as duas classes de talento. O mundo recompensa sempre melhor aqueles que as possuem realmente. Centenas de inventores e artistas malogram precisamente por não cultivarem em si mesmos a ciência de ‘impulsionar-se a si próprios’ nas suas obras.

E esta ciência podemos aprender muito bem só pelo nosso esforço. È certo que chegaremos a adquiri-la, se nos virmos sempre, imaginativamente, fortes, limpos e honrados como queremos aparecer ante as pessoas, fazendo-nos agradáveis a todos. À força de representarmo-nos essas qualidades na imaginação, acabaremos por convertê-las em coisas verdadeiramente reais, porque aquilo que realizamos em espírito é, em realidade, aquilo que, com maior força, anelamos espiritualmente e convertemos numa realidade.

A pobreza vem, muitas vezes, de afastarmo-nos e fugirmos demasiado das pessoas, como também do medo de assumirmos sucessivas responsabilidades.

Se nos vemos sempre a nós mesmos imaginativamente desconfiados, temerosos, abandonados, a mesma lei que temos falado nos conformará segundo essas qualidades. Importa-nos fazer que a nossa inteligência siga um processo, inteiramente diferente. Temos que ver-nos a nós mesmos resolutos e animados, fazendo que, em nossa mente, se eleve cada vez mais a estima da nossa própria individualidade, que vamos continuamente construindo pelos meios que já temos exposto. É impossível obter o menor êxito, ou atrair-nos a menor fortuna, se permanecermos sempre a um canto. Quando o nosso espírito nos leva o corpo diante de alguma pessoa, é como se levasse consigo o instrumento que há de facilitar a exteriorização de um volume de energia espiritual cada vez maior, para exercer a sua influencia sobre a aludida pessoa.

Pensar que não temos de achar senão dificuldades e entorpecimentos em nossos negócios, é pormos a nossa mente em situação de um imã que não atrairá mais do que entorpecimentos e dificuldades, primeiro espiritualmente, mas, em seguida, de uma realidade terrenalmente positiva.

Ao apresentar-se ante nos uma dificuldade qualquer, não temos que fazer mais do que dirigir a nossa mente, como se fosse um imã, para uma direção de onde receba novas forças, novas idéias e planos com que vencer essas dificuldades. Se estamos em desavença com alguma pessoa ou pensando sempre em injustiças, o que conseguimos é renovar no mundo invisível, uma e muitas vezes a mesma disputa ou injustiça. Ao lamentarmo-nos de um agravo que se nos fez, quer falamo-lo mentalmente, quer falemos dele a outras pessoas, gastamos a mesma força que poderia servir-nos para expulsar a lembrança do que nos causou agravo ou descontentamento.

Desejamos com incansável persistência a posse de um ‘juízo claro’ e este dom nos será, afinal concedido.

Demo-nos todo o descanso possível; não nos espante nunca o repouso que concedemos ao nosso corpo, pois, enquanto o corpo descansa, a nossa inteligência engendra planos para os nossos êxitos futuros e, à medida que estes planos ou propósitos se nos acodem, sentimo-nos impelidos a exteriorizá-los por meio do nosso corpo.

Uma assistência estável e um bom soldo vitalício como alguns pedem, não é melhor caminho para chegar a um triunfo grande e definitivo. Se, em nosso negocio e profissão, temos chegado a adquirir a maior recompensa ou paga, sucede que, daí por diante, já não estamos suficientemente remunerados; cumpre-nos aspirar, então, a estabelecer o próprio negócio, baseando-se na nossa habilidade adquirida, pois não nos temos de contentar com dirigir por conta alheia o que é devido ao nosso esforço e apresentado ao publico por outros homens, que ficam com as três quartas partes dos lucros.
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CONTEMPLANDO O LÍRIO DOS CAMPOS
Sobre este tema: “Contemplando o lírio dos campos”, vou agora pregar um sermão, que pode ser ouvido por toda gente, pois nada há nele de desagradável para quem quer que seja.

Não será uma exortação à luta, bem à guerra, mas simples palavras de paz e esperança...

Esperança é do que mais necessita hoje o mundo, pois que está cheio de homens desesperados.

E é principalmente assim, porque em todas as prédicas anteriores se tem, sobretudo, posto em relevo o nosso lado mau, fazendo-nos ver o que nos sobreviverá, se persistirmos em seguir tão erradas sendas.

Muito pouco se tem dito do bem que possuímos e do nosso poder para nos tornarmos melhores.

Temos sido maus, porque a maioria das religiões tem pensado mal do homem e feito com que ele pensasse mal de si mesmo.

Todo aquele que pensar mal de si próprio, está, na verdade, muito perto de ser ‘mau’.

A escritura diz: ‘Assim como o homem pensa, assim ele é’.

Quando um homem forma de si um mísero conceito, com facilidade se embriaga ou faz ainda coisas piores.

O orgulho ou a dignidade, que eleva em nosso espírito o conceito de nós mesmos, isto é, o nosso amor-próprio, é o que nos guarda e impede de cometermos ações más e torpes.

A nossa raça acha-se, precisamente, agora, no momento psicológico em que começa a compreender que todos os homens e todas as mulheres são possuidores de potencias enormes, muito maiores do que imaginam e, quando conhecerem o meio de utilizá-las, saberão livrar-se de qualquer mal.

Um lírio, como qualquer outra planta, cresce e aformoseia-se sob o influxo de leis universais, da mesma forma que o homem e a mulher; e o homem ou a mulher têm crescido através das remotas e inumeráveis idades, sob a influencia das mesmas leis que o lírio campestre.

É um grande equivoco supor que um homem e uma mulher de inteligência regular possam ser o resultado unicamente do curtíssimo espaço de tempo que vivemos neste mundo. É bem possível que, antes da vida atual, todos nós tenhamos vivido já numa planta ou mineral. Nosso ponto de partida para entrar na existência, teve, talvez, origem na profundidade dos mares, surgiu de um imenso bloco de gelo ou foi arremessado ao espaço por um vulcão, envolto em fogo, fumo, cinzas, vivendo em seguida, centenares de séculos no âmago de uma montanha pós-pliocênica. Depois, evoluindo sempre, ora sob uma, ora sob outra forma, adquirindo constantemente um pouco mais de inteligência e força em cada uma de nossas sucessivas transformações, aperfeiçoamo-nos também gradualmente, até atingir o grau de adiantamento em que nos encontramos agora e que, certamente, não é grande coisa ainda.

O lírio tem uma vida que lhe é própria e uma inteligência que lhe é peculiar também, como a inteligência de qualquer de nós difere, naturalmente, da dos outros. Muitas pessoas acreditam que a faculdade da inteligência é privativa do ser humano e denominam ‘instinto’ a todas as manifestações que observam nos animais ou nas plantas, sem estabelecer diferença alguma entre umas e outras.

Eu creio, pelo contrário, que a inteligência é tão comum a todos os ‘seres’ como o próprio ar; a única diferença é que cada forma de vida goza dela em maior ou menor proporção. O homem, é indubitavelmente, entre todos os seres terrestres, o que em si contém uma inteligência mais vasta, ou, por outros termos, ante todos os seres orgânicos é o homem quem mais desenvolvido tem o que se chama ‘pensamento’. O pensamento é uma substancia poderosa e capaz de rarificar-se até o mais alto grau, e tão tênue que não pode ser vista nem apreciada por nenhum de nossos sentidos.

Aquele que possuir esta substancia mais pura e em maior quantidade, mas extensa e perfeita vida gozará. Os pensadores são os que vivem mais. Pelo nome de homens pensadores, não quero designar os literatos e ainda menos os solícitos investigadores de alfarrábios ou assíduos freqüentadores de bibliotecas, muitos dos quais não passam de simples plagiários que apenas vivem dos pensamentos e idéias alheias; como pensadores, considero os que renovam continuamente sua inteligência e cujo cérebro engendra, sem fadiga, idéias originais e próprias. Tal gênero de vida espiritual vai-lhe renovando incessantemente o corpo e a inteligência.

O lírio tem a inteligência suficiente para desabrochar por si do seio da terra, quando o calor do astro rei o chama, da mesma forma que o homem tem a inteligência, ou pode tê-la, de sair para receber o sol num dia alegre e bom, absorvendo a vida e o poder que o calor solar envia ao nosso planeta. Os que assim não fazem e permanecem as cinco sextas partes do dia encerrados em habitações hermeticamente fechadas, acabam por se tornar débeis e raquíticos como a pobre plantinha que cresce na obscuridade de uma estufa.

O lírio tem também sensibilidade bastante para ir crescendo à luz do sol. Se o colocarmos dentro de casa, notaremos imediatamente que ele se inclina para o lado de onde lhe vem a luz, e isto sucede unicamente pelo fato de que ele precisa de luz para viver.

O lírio conhece as suas necessidades e busca o melhor meio de satisfazê-las, pois compreende, ou antes, sente que a luz é benéfica para ele. O homem vai em busca de alimento por igual motivo, embora s diga que os atos humanos são o resultado de inteligência e se classifique em instinto a ação da planta que, no fundo, é idêntica à nossa.

Aproximamo-nos do fogo para nos aquecermos, porque sentimos que o fogo é uma coisa boa para nós, sobretudo se o tempo está muito frio; o gato sai a tomar sol exatamente pela mesma razão.

A única diferença consiste em que, vaidosamente, o homem chama inteligência o sentido que o impele a procurar o que lhe é bom e útil, e denomina instinto o mesmo sentido na planta ou no animal. Onde está a diferença essencial? O lírio diferencia-se vantajosamente de nós em não se afligir inutilmente pelo dia de amanha,pois que não trabalha. Aspira a água, o ar, o calo solar e outros elementos dispersos pela terra e pela atmosfera, na justa medida do que necessita, para cada minuto da sua existência, para cada hora, para cada dia. Nunca atrai excesso de água,ar ou calor para guardá-los para o dia seguinte, com medo de que amanhã lhe possa faltar. Ao passo que nós trabalhamos constantemente e nos extenuamos para ganhar um pouco de dinheiro, de que hoje não temos absoluta necessidade, mas que anelamos tão-somente para nos livrarmos de uma futura miséria que, deseja já, nos apavora.

Se ele fizesse como nós, gastaria toda a sua força m amontoar este suprimento em excesso e nunca se tornaria um lírio perfeito e capaz de ultrapassar Salomão em toda a sua glória. As vestes do lírio, da rosa ou de qualquer outra flor são tão belas, tão finas e delicadas como tudo o que de mais belo possa ser produzido pelas artes mais perfeitas e adiantadas dos homens.

Enquanto vive, ela é de uma formosura esplendida que, a seu lado, os nossos mais finos e preciosos artefatos são de uma beleza fria e sem brilho, começando a desbotar-se-lhes as pálidas cores, mas das damos por findas. O lírio vai sempre crescendo e tornando-se cada dia mais belo. Um traje que amanhã brilhasse mais do que hoje mostrasse sempre, em seu tecido, novos e mais formosos matizes, durasse ele, embora, só quinze dias, seria certamente apreciadíssimo pelo homem mais exigente, e pago como o melhor de todos.

Se o lírio, em sua rudimentar inteligência, se afligisse e se preocupasse com receio de que o sol pudesse deixar de brilhar e esparzir sobre a terra os seus raios, ou s inquietasse com a idéia de lhe faltar talvez a água amanhã, isto é, como dizemos do dinheiro ou do alimento, nossa quase única preocupação, converter-se-ia rapidamente numa espécie de flor degenerada e pobre, pois, procedendo assim, nada mais faria do que depauperar em inquietações vãs as forças de que careceria para reunir e assimilar os elementos necessários para chegar a ser um lírio. Se um ser, qualquer que seja o grau de sua inteligência, se aflige em vão e se preocupa mais do que o razoável para atender às suas necessidades cotidianas, dando às coisas mais valor do que tem, nada mais faz do que desbaratar inutilmente uma parte das forças de atração de que realmente precisa para o seu crescimento e sua saúde, para manter as próprias energias e aumentar a sua prosperidade.

Quero que se entenda isto na verdadeira acepção da palavra e não em sentido metafórico ou figurado.

O que digo é que, quando a inteligência rudimentar do lírio, ou antes, a sua força mental, se assim acharem melhor, se não preocupa absolutamente com o que possa suceder-lhe amanhã, atrai os elementos de que carece para o dia de hoje; da mesma forma, a inteligência humana, liberta das perturbações, cuidados e dores, atrai ou pode atrair os elementos de que realmente hoje necessita. A necessidade da hora presente é a única e verdadeira necessidade.

Todas as manhas necessitamos de almoçar, mas não precisamos hoje do almoço de amanhã. Todavia, em dez vezes, nove pelo menos, sentimo-nos preocupados, direta ou indiretamente, de uma ou de outra maneira, acerca do nosso almoço de amanhã, subtraindo, assim, maior ou menor quantidades das forças de que carecemos. Assim como o lírio, livre completamente da menor inquietação e receio pelo dia de amanhã, dirige o seu poder atrativo para crescer e adornar-se esplendorosamente, assimilando todos os elementos e substancias que tem ao seu alcance, a inteligência humana que lograr libertar-se completamente das inquietações e angustias que desperta no homem o receio do futuro ou do terrível dia de amanhã, conseguirá atrair forças muito maiores de que necessita para a exteriorização dos seus intuitos, e aumento de sua felicidade presente. Alhear-se-á porém, de nós, este grande poder, apenas surja em nosso espírito o desassossego, perturbação e temor de qualquer acontecimento futuro.

Falo aqui do poder para levar avante e fazer progredir qualquer espécie de negócio ou mister, tanto daquele que se dedica a educa e instruir o povo, como dos simples varredores das ruas.

Todo homem de negócio sabe, por experiência própria, que se acha nas melhores condições para conseguir o desejado êxito, quando pode fixar toda a sua força mental no plano já de antemão formado, prescindindo de quaisquer outros meios. Todo artista conhece também que, se conseguir fixar, concentrar, absorver totalmente a sua inteligência na obra que está executando, mais probabilidades terá de ela sair uma obra-prima. Colocamo-nos, deste modo, nas condições necessárias para fazermos uso da nossa potencia criadora e, ainda mais, para atrairmos maior quantidade de poder, o qual fica em nós para sempre.

Já estou ouvindo alguém dizer: “não posso deixar de inquietar-me. Os tempos estão muito difíceis; os ganhos são poucos e a vida é cara; tenho muitos filhos e é necessário dar-lhes casa, alimento e roupa. Essas idéias não se afastam um só momento de minha mente, nem de noite nem de dia, absorvendo-me por completo toda a atenção. Bem quisera afastar do meu espírito estes terríveis pensamentos e não me preocupar com eles, mas tudo é baldado. Não consigo tranqüilizar-me”.


Vedes, leitor amigo, que procurei dar às vossas dúvidas e objeções toda a força de que são suscetíveis e, se achardes que ainda são poucas, podeis juntar-lhes tudo o que a vossa fértil imaginação sugerir, pois de todas sairão igualmente triunfantes os meus argumentos.

È quase sempre um engano dizer que não podemos evitar ou suplantar nossa inquietação, pelo menos no que diz respeito ao presente.

Quanto ao resultado,é fora de toda duvida que um permanente estado de inquietação nos há de prejudicar infalivelmente a saúde, trazendo-nos o inevitável enfraquecimento da inteligência, a velhice precoce do corpo e, o que ainda é pior, a perda ou, pelo menos, a diminuição do nosso poder mental atrativo. Se soubéssemos imitar o lírio, viveríamos são e alegres, pois que só nos devemos preocupar com o dia de hoje, porquanto é o único que nos pertence, embora tenhamos ou julguemos ter ante nós milhares de dias.

Um homem não pode fazer, cada dia, mais do que as refeições desse dia, embora tenha dinheiro para pagar dez mil. Se nos encontrarmos envolvido numa multidão tomada de pânico, não teremos outro remédio senão ir com os outros e ser, talvez, esmagados por eles. Viver como vivem, atualmente, milhares e milhares de homens, é o mesmo que nos acharmos no meio de uma multidão tomada de pânico que produz nela o medo da miséria ou até o receio de que, talvez, amanhã careça de qualquer coisa que reputa de primeira necessidade. Esta espécie de medo, seja qual for a causa, terá sempre a perda do poder mental. O que aconselho é que todas as pessoas devem evitar a sua própria inquietação, e não acho no meu dicionário termo mais próprio do que este: devem. Está claro que ninguém, atualmente, pode deixar de sentir inquietação mais ou menos profunda por alguma coisa, pois esse habito nasceu conosco e já antes de nós as gerações passadas, os nossos avós, se preocuparam também com o futuro; porém, não evita que sejam da mesma forma funestos os resultados do deixar o nosso espírito apavorar-se sempre pelo dia de amanhã.

A lei vai envolta na própria ação e não tem misericórdia com ninguém. É tão certo que nos cai em cima e nos esmaga, se nos pusermos m seu caminho, como é certo que nos esmagará uma locomotiva, se nos deitarmos ante sua marcha vertiginosa. O melhor, pois, é converter m vantajosa essa lei, tirando proveito dela e tomando-a no sentido mais reto.

Como consegui-lo? Pensando em coisas alegres e amenas, que despertam em nós a esperança em vez de cogitarmos de coisas tristes, que nos desalentem. Pensando nos nosso triunfos, em lugar de meditar na nossa decadência. E como o universo está governado por uma lei fixa e imutável, com certeza aprenderemos a cimentar-nos ou estabelecer-nos firmemente sobre esta lei: “Se refletirmos em coisas alegres e divertidas, só motivos de júbilos atrairemos para nós. Se meditarmos em coisas tristes, cortamos o fio invisível que nos prendia e relacionava com a alegria, pondo-nos imediatamente em comunicação com um ambiente negro que só nos traz coisas tristes, desagradáveis e funestas.”

Não digamos nunca que isso não tem importância ou é pueril. Que coisa há no universo que seja pueril? Muitos consideram a germinação de uma semente como coisa pueril e sem importância; mas ninguém conhece a verdadeira causa dessa germinação, que só se produz se metermos a semente dentro da terra onde há de receber uma certa quantidade de calor que, combinado com a umidade do solo, a fará germinar. A constante ebulição de uma pequena chaleira posta ao fogo, deu a Watt a primeira idéia para o aproveitamento da força do vapor, isto é, a chaleira ensinou-se pela primeira vez, a idéia da potencia positiva do vapor, ou,antes, surgiu-lhe a idéia de sua utilização. O vapor é uma força, não existe a este respeito a menor duvida. Mas, por que e como possui ele esta força? Ninguém o sabe, e contundo, não há no mundo coisa tão simples e tão pueril como esta.

A ARTE DE ESTUDAR
Todos os livros do mundo não podem ensinar um homem a ser um bom marinheiro; não terá outro remédio senão formar-se por si próprio. É certo que a memória auxilia muito, entretanto a aprendizagem será deficiente se, no exercício de qualquer arte ou profissão, a teoria não se juntar à pratica.

O melhor é deixar que a mente siga os seus próprios conselhos e ensinamentos nas próprias intuições, guiadas pelo espírito, cuja maneira de ver pode ser maior, e mais alta a sua aspiração. Se sujeitarmos a mente às regras feitas e estabelecidas por outros, apenas produziremos imitações e cópias. Ninguém pode sr repentinamente iniciado numa arte qualquer.

A intuição é o nosso mestre interior e tal mestre reside em todos nós.

VANTAGEM E DESVANTAGEM DA ASSOCIAÇÃO
A lei da correspondência entre as coisas espirituais e materiais é maravilhosamente exata em todos os seus modos de ação. As pessoas cuja disposição mental é regulada pela baixeza e absolutismo ou crassa ignorância, atraem coisas dúbias, sórdidas e baixas. As pessoas sempre desalentadas, descrentes e sem confiança no que fazem,nunca podem obter o menor êxito, e só vivem para servir de pesado fardo aos outros. A esperança, a absoluta confiança em si próprio e a alegria atraem sempre os elementos do triunfo. A situação mental de um homem, quer o conheçamos pessoalmente, quer não, descortinar-nos-á com toda a nitidez o caminho que segue nesta vida, da mesma forma que o modo de trajar e a aparência de uma mulher dentro de sua casa nos revelará a sua disposição mental.

O estado mental sempre confiante, cheio de esperança e decidido a levar avante os seus propósitos, mantendo-os em constante vibração, atrai os elementos, as causas e os poderes necessários para a cabal realização desses propósitos.

Não necessitamos estar sempre a falar para agradarmos aos outros; os que estiverem perto de nós sentirão quão agradáveis são os nossos pensamentos, se eles forem deveras agradáveis. Também não temos necessidade de falar para fazermos sentir aos outros impressões penosas, pois basta que pensemos, pois basta que pensemos em coisas desagradáveis. O imã de qualquer pessoa é o seu pensamento. A influência ou poder magnético nada mais é do que a idéia que fazemos sentir aos outros.

Se as nossas idéias forem de desalento, tristeza, ciúme, ódio, censura, burla, serão veementemente repelidas pelos outros. Se, ao contrário, são de confiança e carinho, com o propósito formal de procurar todo o bem possível para os outros, embora por um só instante, exercerão sobre todos absoluta atração, mediante a união e convivência com pessoas de mais baixa espiritualidade.

O apreço em que nos possam ter os outros e a impressão de encanto e agrado que exercemos sobre nossos amigos dependem muito mais de nossos pensamentos do que de nossas palavras.

Os elementos substanciais que não podemos ver com os olhos do nosso corpo são dez mil vezes mais numerosos do que aqueles que vemos. O mandamento de Cristo: ‘Faze o bem àqueles que te odeiam”, funda-s em um fato cientifico e em uma lei natural.

De maneira que ‘fazer bem’ é atrairmos todos os elementos de poder e força construtora que lês tem na natureza; da mesma forma que fazer mal é, pelo contrário, atrair todos os perniciosos elementos de destruição. Se tivermos abertos os olhos da alma, eles nos preservarão toda a sua vida odiando, morrerão odiados, isto é, os que vivem pelo gládio morrerão pela espada ou, em palavras mais simples, quem com ferro mata, com ferro morre.

A ESCRAVIDÃO DO MEDO
A mais comum e, todavia, a menos conhecida de todas as formas de escravidão é aquela m que nos sentimos dominados pelos pensamentos ou idéias que nos rodeiam e no meio das quais vivemos. Pode acontecer estarmos a serviço de alguém, e, nesse caso, é natural que façamos todo o possível para merecer o nosso salário; mas apesar disso, nos sentiremos, talvez, continuamente perturbados com o receio d não cumprirmos o nosso dever a contento dos nossos superiores e de podermos ser despedidos de um momento para outro, vivendo, assim, empolgados pelo constante temor de cair na miséria, se ficarmos sem trabalho, ou de nos vermos obrigados a prosseguir uma luta pela existência em piores condições.

Sucede isto porque – não nos cansaremos de o repetir – o pensamento é uma substancia, e esta substancia, ao ser emitida por uma só mentalidade, é absorvida por outras.

Se por acaso não temos, neste mundo, outra mira ou aspiração do que a de estar ao serviço de alguém, em troca de algo, é certo que, mais ou menos, sentiremos pesar sobre nós esse enorme fardo.

Nunca abandonemos o nosso plano e, se virmos boa razão para persistir em determinado caminho ou direção, não permitamos, embora se trate de coisas de somenos importância, que ninguém nos dissuada dele.

O medo tem chegado a converter-se, para muitos milhões de homens, no seu sentimento habitual, achando-se em todas as esferas da vida humana e de todas as partes e continuadamente se dirige para nós, nas emanações.

Há, pois uma enorme vantagem em nos libertarmos quanto antes do cativeiro do medo, que é, neste mundo, uma parte perene de desditas, misérias e enfermidades.

Viver em continuo temor, em continuo receio, em continuo medo de alguma coisa, quer se trate da quebra d amizades, da perda de afeições ou simples relação de dinheiro ou de alguma situação proveitosa, é tomar seguramente e seguir com precisão a melhor via para chegar à perda do que tem sido causa do nosso temor.

Aprendamos a encarar e desafiar, no terreno do que chamamos pura imaginação, tudo o que nos possa amedrontar, quer se trate de um homem, de uma mulher, de uma divida que não podemos pagar ou de qualquer provável catástrofe. O que deste modo a nossa fantasia imaginava, opera em nossa mente como se fosse uma realidade, aumentando de um modo positivo nossas energias mentais e espirituais.

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Aquele que quiser triunfar mental, ideal ou espiritualmente, deve viver sempre, mover-se, pensar e proceder, como se já houvesse obtido o almejado triunfo; de outra forma, não o obterá nunca. Os verdadeiros reis no império e domínio da mente são aqueles que pensam e formam sempre o melhor conceito de si próprios e se tem em grande estima, ainda que se vejam obrigados a permanecer temporariamente no que o mundo chama situações humildes, como s estivessem sentados sobre um trono.

A nossa mente e o nosso espírito vivem sempre muito mais adiantados do que a nossa vida terrena e os nossos sentidos materiais.

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O corpo, em certo sentido, não é mais do que um produto, uma organização momentânea, destinada a servir unicamente um dia. A nossa mente é um produto, uma organização distinta, que nasceu há milhos de anos e que, em seu progressivo crescimento, tem empregado uma multidão d corpos; e,com o uso desses numerosos corpos, tem ido crescendo e formando-se, desde a sua primitiva origem até a sua condição atual, com todo o seu poder e todas as suas capacidades.

Cada novo corpo que temos usado, cada nova existência que temos gasto nada mais é do que um dos vários trajes que o nosso ente espiritual usou; e o que chamamos de morte, não tem sido, nem é outra coisa, senão o abandono deste traje, por ignorância dos meios para mantê-lo, não só em bom estado, mas também de refazê-lo continuamente e dar-lhe maior força, beleza e vitalidade.

Todo pensamento é uma coisa real, embora o não possamos ver com os nossos olhos físicos ou externos, como uma arvore, uma flor ou um fruto. Os nossos pensamentos estão sempre modelando os nossos músculos e põem a sua forma e seus movimentos em concordância com o seu caráter.

Existem imensas possibilidades que ignoramos na natureza, nos elementos, no homem e fora do homem. E essas possibilidades descobrem-se tão depressa como o homem conhece a maneira de fazer uso dessas forças, sobre a natureza e sobre si próprio. Essas possibilidades e os milagres são uma e a mesma coisa.

A mente, deveras forte e sã,é a que pode manter reunidas, quando quiser, todas as suas forças e que, tendo cultivado o poder de esquecer, esquece sempre o que quer e pelo tempo que quer, o que lhe pode causar perturbação ou desgosto, concentrando suas forças no que lhe há de produzir alegria e proveito a si próprio e aos outros.
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Existe uma lei mediante a qual uma verdade ou parte dessa verdade que se apossou da mente, acaba por se arraigar nela com mais afinco de dia para dia, e deixa-se nitidamente sentir como verdade, se não lhe for feita violenta oposição.

Existe igualmente outra lei, mediante a qual toda prece da mente humana há de se determinar, em tempos vindouros, para o homem, a sua representação material.

A ignorância é a mãe de toda miséria e de todas as dores.

As mentalidades mais aptas e bem dotadas para a compreensão e obtenção de todas as coisas, procurarão conservá-las sempre secretas, da mesma forma que nenhum de nós se afadiga, de certo, a proclamar o som de clarim tudo quanto constitui a parte mais intima e recôndita da sua própria vida. Não é natural que tais coisas se dêem nem que se possam obter num dia, num mês ou num ano.

Só aquele que forem capazes de perseverar na fee durante anos, hão de realizá-los.

Na realidade, toda expressão física que a natureza contém, pertença a que reino pertencer, nada mais ´do que a encarnação materializada de um pensamento.

Se pensardes continua e fixamente em qualquer doença, com toda a certeza vireis a sofrer dela por fim, pois que aquilo em que persistentemente pensamos, virá a realizar-se certamente um dia, mais cedo ou mais tarde, no mundo material.

É natural que o corpo peça para seu sustento aquilo que mais se aproxima da sua natureza terrena. A espiritualização vai nos elevando pouco a pouco, afastando-nos, portanto, cada vez mais dos desejos baixos e grosseiros.

O medo em sua essência, nada mais é do que a carência do domínio de nossa própria mente, ou por outra, falta de domínio sobre a espécie de pensamentos que exteriorizamos.

Aquele que está sempre temendo, como que cultivando em si o estado de receio a respeito de qualquer coisa, nada mais faz do que criar em seu ânimo o medo e o receio de tudo.

Analisando o nosso estado de medo, veremos que ele martiriza muito mais a nossa mente do que o poderia fazer a própria coisa temida.

A maior parte das vezes, a timidez nada mais é do que o resultado do nosso estulto empenho em vencer de uma assentada muitas dificuldades juntas, quando, no mundo das realidades físicas, temos de procurar vencê-las, uma a uma, por sua vez.

Com maior presteza do que a própria eletricidade, o nosso pensamento se dirige de um assunto a outro, podendo até dar-se o caso de inconscientemente educarmos essa faculdade peculiar do espírito, de forma tal que seja totalmente impossível mantê-lo fixo em uma só coisa, ao passo que, mediante a cultura intelectual, o repouso mental e a reflexão em tudo o que se fizer, podemos educar o nosso pensamento e mantê-lo fixo no assunto que quisermos, pondo-nos até no estado mental que mais nos convenha.

Nos negócios cotidianos, vemos milhares e milhares d pessoas que se não atrevem a sequer a pensar na possibilidade de avançar um único passo na estrada de seu adiantamento e bem-estar, só pelo fato d terem de despender para isso uma soma um pouco maior do que aquela que dispõem pelos seus ganhos, e tão grande é o seu espanto ou estupefação que, sem tardar um segundo, arremessam para longe do espírito o que consideram inteiramente inexeqüível, sem dar tempo à mente para com ela se familiarizar.

Se, porém, em lugar disto, permitirem que tal idéia permaneça e se arraigue em seu espírito, chegariam talvez, um dia, a descobrir os meios ou, pelo menos, os caminhos a trilhar para a aquisição do dinheiro necessário para implantarem e levar avante com êxito essa mesma idéia que, à primeira vista, tacharam de insensata, tão pouco viável a acharam.

Todas as pessoas podem fazer frente aos maiores perigos e conservarem-se serenas nas mais difíceis conjunturas, inesperadas lutas e vicissitudes, quando possuírem o necessário poder para manter a mente fixa no que estão fazendo, no próprio momento, quer se trate de algo muito importante, quer de ações triviais e pueris.

O que importa realmente é não pensarmos em muitas coisas ao mesmo tempo e não pensarmos em coisas diversa enquanto estamos praticando um determinado ato.

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O Justo não deseja vingar-se do mal que lhe fizeram, mas unicamente a reparação do dano sofrido.

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