sexta-feira, 12 de março de 2010

Pensamentos Involuntários


Pensamentos muitas vezes podem impedir os processos mentais, do mesmo modo que obstáculos obstruem nosso progresso físico. Os pensamentos advêm ao primeiro plano da consciência, dominando nossa atenção, de dois modos. O primeiro, naturalmente, é pela vontade, pela recordação intencional de incidentes, pelo desejo de recordar-se de algo gravado na memória. Obviamente, esses pensamentos estão totalmente sob nosso controle. Podemos inibi-los ou afastá-los sempre que não os desejemos.

Os outros pensamentos são os do tipo involuntário. Tais pensamentos nos advêm por sugestão ou porque verdadeiramente dominam a nossa mente subconsciente. Dois dos fatores que explicam nossa atenção ou concentração são a intensidade e a extensidade das impressões. Por exemplo, quanto mais intenso ou alto for um som, tanto mais compelirá nossa atenção auditiva. Conseqüentemente, se nos colocarmos em posição tal que estejamos sujeitos a intensos ou extensos estímulos sugestivos provenientes das coisas – dos objetos – de nosso ambiente, podemos estar certos de que essas coisas, como pensamentos, dominarão nossa consciência, quer os desejemos ou não. Durante um período de meditação, por exemplo, podemos não querer pensar em certa marca de cigarros. Mas se nos colocarmos defronte de uma janela de modo que um anuncio luminoso de certa marca de cigarros nos distrais, sugerindo continuamente sua finalidade, não podemos ficar alheios a esse pensamento.

Talvez os pensamentos involuntários mais insistentes sejam os do último tipo – pensamentos que dominam nossa mente subconsciente. Estes podem surgir de hábitos há muito estabelecidos. Tão logo a pessoa esteja passiva, o estimulo do habito surte efeito, talvez como desejo intenso que domina a sua atenção até que ela o satisfaça. Muitos indivíduos, infelizmente, não podem relaxar por mais de alguns segundos sem sentirem o desejo de fumar. Devem saciar o hábito com um cigarro ou charuto para que voltem à normalidade, e até então são incapazes de se concentrar em outras questões. Esta é uma condição fisiológica ou nervosa, resultante do hábito de fumar. O pensamento dominante, porém, pode ter também uma causa psicológica. Pode haver um temor latente, um complexo de ansiedade, o resultado de alguma preocupação profundamente arraigada que chega ao primeiro plano da consciência tão logo a mente esteja relaxada.

OS BUSCADORES DE PRAZER
O hábito de prazer físico e ócio igualmente constitui uma força dominante para nós. Quando a pessoa começa a ler um texto, um livro, uma monografia ou alguma literatura que exija esforço mental [ e qualquer literatura valiosa o faz], se a pessoa é inclinada à indolência mental, a mente se rebela contra a concentração. Ela procura fugir ao domínio que lhe é imposto.

Como um alivio, pensamentos distrativos de prazer irromperão na consciência. Primeiro, sentiremos a inclinação de fugir à obrigação de ler e estudar. Em seguida, relacionada com esse desejo, advirão idéias de coisas que são física e mentalmente isentas de esforço, atividades que podem ser empreendidas a qualquer momento como alternativa. Começaremos até mesmo a justificar essas alternativas. Explicamos a nós mesmos por que precisamos dar uma cochilada, dar um passeio em volta da quadra ou telefonar a um amigo ao invés de fazer aquilo que é melhor para nós. Quando nos submetemos a essas fugas, enfraquecemos a nossa vontade e fortalecemos os pensamentos involuntários e os desejos.

Em termos psicológicos, naturalmente, quando deixados aos nossos próprios recursos e sem nenhuma compulsão externa, sempre fazemos aquilo que desejamos. Mesmo quando ‘nossa consciência nos incomoda’, como diz o ditado, e conscientemente fazemos o contrário do que devíamos, agimos segundo o nosso desejo mais intenso. Somos criaturas de desejo, e somos sempre motivados pelos impulsos mais fortes do momento. Um homem que embora com relutância voluntariamente deixa a fresca sombra de sua casa para ir consertar uma cerca quebrada sob o escaldante sol de verão está fazendo o que deseja; ele pode até argumentar consigo mesmo que preferia estar à sombra fresca a trabalhar sob o sol escaldante. Em verdade, porém, ele prefere a satisfação psicológica, o prazer mental d realizar algo necessário, a qualquer sensação de negligência, mesmo a da agradável sombra de sua casa. Caso contrário, não cumpriria a obrigação.

O CULTIVO DA MENTE
Como é que podemos, pois, nos libertar de pensamentos não desejados, de hábitos e desejos que tanto conflitam com os novos pensamentos que desejamos cultivar?

Antes de mais nada é essencial formularmos claramente os pensamentos que desejamos cultivar na mente, e idealizar esses pensamentos. Usemos mais uma vez a analogia do estudo. O estudo constitui esforço. Entretanto, o interesse e a prática diminuem o esforço necessário ao estudo. O simplesmente querer estudar não é inspirador e certamente não despertará suficiente entusiasmo para que se oponha à tentação de não estudar. Pergunte-se a você mesmo: Por que eu desejo estudar? É necessário não apenas que tenha um assunto em mente, mas que esteja certo de que tal assunto é pessoalmente atrativo. O assunto deve estimular a imaginação. Você deve poder idealizar os benefícios do mesmo, isto é, antever seus resultados prazerosos e as oportunidades que advêm do estudo do assunto.

Tenho ouvido certos adultos, conscientes da necessidade de maior instrução, dizerem:”Neste inverno vou fazer algum tipo de curso, não importa qual”. À guisa de análise, acompanhava os esforços dessas pessoas e os descobria muito incoerentes. Cedo ou tarde elas abandonavam qualquer tentativa de estudar e voltavam ao seu modo tolo de vida. Não havia qualquer motivação por trás de sua inclinação de estudar. Não havia qualquer anseio especifico que o estudo pudesse satisfazer, nem havia qualquer estimulo para que o estudo continuasse; este era todo trabalho e nenhum prazer.

Se não está certo quanto àquilo que você deseja estudar, ou por que, então não o comece. Semelhante atitude não faria com que o estudo fosse uma prioridade em sua consciência. O estudo tornar-se-ia presa fácil dos estímulos mais vigorosos de outros hábitos e outros desejos. A intenção de estudar logo seria afastada da mente.

Suponha que um individuo tivesse a impressão de que gostaria de estudar Filosofia e talvez não fosse capaz de dizer por que esse pensamento o atraía. Antes de ele verdadeiramente começar um estudo sistemático da filosofia moderna e antiga, seria aconselhável que fosse a uma biblioteca publica ou a alguma loja de livros usados e lesse um esboço elementar da vida de alguns dos filósofos. Se após ter lido a obra a sabedoria dos antigos sábios estimulasse suas idéias, se ele sentisse que estava explorando um mundo novo, se colhesse muita satisfação da leitura desses tópicos, saberia então que o estudo do assunto ser-lhe-ia. Se, porém, ele não puder formar um ideal, isto é, se não puder achar uma razão suficiente e lógica para estudar esse assunto, é melhor que não o encare.

ANÁLISE DOS PENSAMENTOS INVOLUNTÁRIOS
Outro meio de lidar com pensamentos involuntários e desejos, é analisá-los. A análise enfraquece a influencia que eles tem sobre nós. Quando você tiver algum impulso de realizar algo de que não teria orgulho, analise-o primeiro em sua mente. Não sinta simplesmente os pensamentos e sensações de modo global. Descubra em que consistem eles. Que é que os causa? Se esses pensamentos e sensações possuem aspectos repugnantes, não obscureça tais aspectos. Não os coloque de lado em favor dos aspectos mais atraentes. Coloque os aspectos desfavoráveis ‘à luz da razão’.

Esse tipo de análise diminui a influência que os pensamentos ou desejos podem exercer sobre a nossa consciência. Muitas vezes somos motivados por pensamentos que em seu todo talvez pareçam agradáveis. Mas quando submetemos esses pensamentos a análise, suas falácias tornam-se evidentes e isso obscurece o antigo atrativo, fazendo com que seja fácil eliminar esses pensamentos ou desejos.

Recentemente tive um debate com um estudante sobre a questão da libertação de pensamentos indesejáveis durante a meditação. Revelou-me ele um método fácil que tem aplicado com sucesso. Sempre que o estudante era distraído por um fluxo de desejos ou pensamentos involuntários, tomava ele um bloco de rascunho e caneta e escrevia acerca desses sentimentos e pensamentos. Terminando de escrever, rasgava as folhas de papel e as jogava no lixo. Com a destruição dos papéis, fazia a afirmação d que sua mente estava livre daqueles pensamentos. Podia então facilmente concentrar-se no fim em mente.

Na verdade, é psicológica a única relação que existe entre escrever os seus pensamentos indesejáveis e depois destruir as folhas de papel e a limpeza mental. Ao escrever, a pessoa é obrigada a analisar seus pensamentos e emoções mais cuidadosamente para que possa formulá-los em palavras; conseqüentemente todas as suas fraquezas tornam-se evidentes. Expressos desta maneira, os pensamentos perdem seus atrativos quando a pessoa está prestes a destruir os papéis. Eis por que se afirma que “a confissão faz bem à alma’. Ela libera emoções reprimidas e converte pensamento em ação – em energia que é então gasta.

Tente este método caso sinta o mesmo conflito com pensamentos involuntários. Não se esqueça também de analisar com clareza seus pensamentos ‘desejados’ de modo que conheça o rumo que está tomando. Desse modo os pensamentos desejados dar-lhe-ão o necessário ímpeto naquela direção.
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[Texto do Imperator]

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