quarta-feira, 10 de março de 2010

Introdução à Parapsicologia _ Parte 13

Continuaremos a tratar dos fenômenos PK. Já apresentamos muitos casos, tanto de psicocinésia como de telecinésia. Agora aprofundaremos estes últimos e apresentaremos situações mais conhecidas de muitos dos leitores.

Consideraremos em primeiro lugar o termo TELERGIA, que significa trabalho à distancia, pois deriva de TELE[longe] e ERGON[trabalho]. Trata-se de uma força física que pode ser dirigida à vontade; um fenômeno de liberação de energias motoras do homem, dirigidas pelo psiquismo.

A TELERGIA é dirigida por forças complexas que variam conforme as circunstâncias. É uma exteriorização e transformação de energias fisiológicas; algumas vezes podem ser diferentes energias; elétrica, magnética, vital, motora, etc. Tudo isso é conhecido com o nome de “CONTEÚDO ERGOLÓGICO” do ser humano. Mas deve-se ter em mente que a energia é somente uma, que se conserva e se transforma segundo os diversos efeitos que causa. Em suma, a TELERGIA é um fenômeno paranormal de liberação e transformação da energia corporal.

TELECINÉSIA

Trata-se de ações de movimento ou ruptura de objetos;do efeito da telergia sobre os corpos, movendo-os ou rompendo-os. Aqui o prefixo TELE não significa ‘longe do objeto’ e sim que há ausência de contato físico normal. Neste sentido, trata-se de uma ação a distancia, ainda que pequena.

A diferença entre este fenômeno e a telecinésia está em que esta se realiza mediante uma força psíquica e não física: PSIQUE[alma] e KINESIA[movimento]. A telecinésia, por outro lado, é o movimento por meio de TELERGIA [ou pelo ectoplasma, que veremos mais adiante]; por força física paranormal.

PSICOBULIA
A telecinésia tem também um aspecto psíquico. Neste caso, o fenômeno é dirigido pela mente do dotado, por seu psiquismos, que deixa no fenômeno sinais de sua inteligência, de sua vontade, etc.

Ao conjunto de qualidades psíquicas do dotado – geralmente não conscientes – que acompanha ou dirige os fenômenos paranormais, dá-se o nome de PSICOBULIA, que vem de PSIQUE[alma] e BULE[vontade e reflexão]. A PSICOBULIA [psiquismo inconsciente] representa a vontade e as qualidades do dotado que suscita o fenômeno. TELEBULIA é um termo que representa, não a vontade do dotado, mas de outra pessoa, ausente, cujas idéias ou cujos desejos são captados pelo dotado.

A psicobulia se apresenta com freqüência na telecinésia. Exemplos: uma pessoa pode ter uma dor ou necessidade intensa e provocar um fenômeno correlato. Se um paciente está em estado grave e sente a necessidade de chamar a enfermeira, ela pode captar isso, seja ouvindo a campainha ou vendo que a luz de chamada está piscando. Na realidade, trata-se de um fenômeno complexo, pois o doente pode provocar por telecinésia o soar da campainha, ou a enfermeira pode captá-lo por telepatia. Há casos extraordinários de psicobulia quando uma pessoa é vista em um lugar e depois sabemos que naquele momento ela morreu num outro lugar. Algumas vezes o relógio da casa pára no momento em que morre o avô ou outra pessoa muito chegada, ou se ouve um ruído estranho como se batessem à porta, ou cai um quadro, etc. Mas trata-se de um fenômeno natural que não deve nos causar medo ou pânico. Agora sabemos que isso é um caso de psicobulia, qualidade que todos possuímos em forma latente.

ECTOPLASMA E ECTOPLASMIA

O ECTOPLASMA é uma espécie de substancia que o corpo do dotado parece emitir quando ele está em transe. É como uma massa mais ou menos informe que parece sair do corpo. O termo deriva de ECTOS[fora] e PLASMA[coisa formada ou moldada]. Segundo a parapsicologia, deve ser considerado um fenômeno de condensação da telergia e pode se fazer visível em forma de nuvem, fios, etc. O termo ECTOPLASMIA se usa para descrever o fenômeno considerado como metafisiológico, pois a TELERGIA é mais ou menos moldável. Para resumir, diremos que o ectoplasma é a substância, quer dizer, a telergia condensada, e que a ectoplasmia é o termo que designa esse fenômeno.

Aqui temos um fenômeno mais complexo: a telecinésia dirigida pela psicobulia, formando nuvens, fios, etc.; além disso, o ectoplasma pode ser tão denso que, no caso em que não é visível absorve 75% da radiação de raios infravermelhos. Também projeta sombras e se choca em corpos sólidos que lhe impedem a passagem. Quando se forma de modo visível –que seria um grau maior de condensação da telergia – amolda-se aos desejos do inconsciente [psicobulia] e reproduz imagens plásticas [ideoplastia]. Isto provocou muita confusão no passado, pois alguns dotados reproduziam inconscientemente formas humanas que podiam ser fotografados, como rostos ou mãos, e acreditou-se que eram materializações de pessoas falecidas.

O ectoplasma pode produzir diversos fenômenos relacionados com a telecinésia, ao servir de ‘alavanca’ psíquica para mover objetos. Seus movimentos podem ser lentos ou ágeis e, embora algumas vezes esteja invisível, pode realizar as mesmas funções. O que entra em contato com o objeto é o extrema da ‘alavanca’. O ectoplasma é energia transformada e não um composto químico. Quase sempre essa energia é reabsorvida pelo corpo do dotado e quando se tenta pegá-la desaparece na mão. Quando o ectoplasma é tocado ou iluminado [exceto na ponta], o dotado se queixa de forte dor. Será ele um prolongamento do corpo e da sensibilidade do próprio dotado?

TIPTOLOGIA

Deriva de TYPO[ferir] e LOGOS[palavra]. Trata-se do estudo dos ‘raps’, ou seja, golpes curtos e repetidos. Inclui os fenômenos telérgicos de percussão, como ruídos e batidas que ocorrem nas casas chamadas de ‘assombradas’.

Sob ação da telergia, as mesas e os objetos ficam como se estivessem carregados de eletricidade ou magnetismo. Sob ação da vontade, a telergia atua na estrutura interna da madeira de modo análogo à eletricidade ou ao magnetismo, dando origem a certos tipos de ‘raps’. A tipologia depende muito da psicobulia do dotado, que em muitas ocasiões pode dirigir a localização dos ‘raps’ a até provocá-los ou detê-los, embora não saiba que esteja sendo responsável pelo fenômeno.

POLTERGEIST
[Duende travesso ou perturbador]


Deriva de fenômenos telecinésicos. Seus efeitos são de caráter físico ou fisiciquimico e, ao que parece, são induzidos involuntariamente por um habitante do imóvel ou por qualquer pessoa que freqüente o lugar onde se produz o fenômeno. Sta fenomenologia também recebeu o nome de ‘telecinésia espontânea recorrente’ e os indivíduos que a provocam [em geral adolescentes] são chamados de ‘dotados espontâneos de efeitos físicos’. A nível não consciente, produz-se uma verdadeira psicorragia.

As interpretações e explicações que na antiguidade foram dadas a esse fenômeno estiveram baseadas na superstição. Na mitologia babilônica, grega e romana, dizia-s que esses efeitos eram produzidos por seres etéreos e minúsculos, como ‘duendes’, ‘gnomos’, ‘’anões’, etc. Os assírios os chamavam de ‘dimmu’, seres malignos que se vingavam torturando seus familiares por terem sido sepultados sem a cerimônia mágico-religiosa que lhes correspondia. Alguns povos gregos chamaram-nos de ‘lamias’, seres que se alimentavam de sangue durante a noite. Daí surgiu a lenda balcânica dos ‘vampiros’. Os povos germânicos falaram de gênios escuros, como os ‘kobbold’, anciãos semi-invisíveis que se alimentavam de leite estragado; vingando-se do esquecimento de alimentá-los quebrando vasilhas, produzindo ruído nos móveis, etc. Na Galícia eles eram chamados de ‘duendes’. Mas o cristianismo introduziu a idéia de que são ‘almas’ penadas ou o próprio diabo. Para alguns esoteristas, são as ‘larvas astrais’ e os ‘elementais’.

Exemplo: Em 1967, na Tropicana Arts de Miami, centenas de vasos e objetos de cerâmica saltavam e se estilhaçavam no chão sempre que aparecia no ambiente um empregado cubano muito jovem, chamado Julio Vásques. O fenômeno foi estudado por Roll e Pratt e eles não constataram nenhuma fraude.

FENOMENOLOGIA E ETIOLOGIA

Os dotados espontâneos são geralmente jovens de ambos os sexos, mas o fenômeno é mais observado em meninas. É freqüente verificar-se neles algum quadro de caráter psicopatológico, como neurose de conversão [histeria], esquizofrenia paranóide, oligofrenia, etc., síndromes que também se observam nos chamados ‘médiuns’. Outros sujeitos apresentam problemas psicológicos de adaptação ou têm alguma crise relacionada com a puberdade.

O fator comum a todos esses fenômenos está nos efeitos acústicos. Há ruídos semelhantes aos que se produzem quando se arrastam móveis e correntes; batidas em tabiques, paredes e portas; vozes, ‘raps’, etc. Essa barafunda de sons é conhecida pelo nome de ‘toribismo’, derivado de ‘thorybos’, que significa ruído.

Em segundo lugar, há os fenômenos de deslocamento de objetos de qualquer tamanho. Eles giram, deslocam-se no ar, levitam, colidem com outros objetos, etc. Isso pode ser tão dinâmico que dê a impressão de que os objetos estão animados. Exemplo: Numa aldeia perto de Pirkkala[Finlândia], uma adolescente chamada Emma Lindroes suscitava ao seu redor muitos efeitos cinéticos. Numa ocasião, dois pedaços de madeira se puseram em posição vertical, iniciaram uma dança estranha e se chocaram entre si. Por vezes sapatos foram vistos deslocando-se como se alguém os estivesse calçando.

Com o advento da tecnologia eletrônica e dos dispositivos eletromagnéticos, os fenômenos ‘poltergeist’ recentes revelam notórios distúrbios relacionados com a energia elétrica e os campos magnéticos. Às vezes os interruptores elétricos funcionam sozinhos.

O fenômeno poderia ser provocado por uma emissão irreprimível de energia telérgica [parapsicorragia]. Mas essa energia ainda não foi constatada. De onde provêm? Ao que parece, o balanço ergológico do metabolismo não pode produzir tanta energia.

Alguns parapsicólogos postulam a existência de um campo chamado BETA, cujas forças poderiam ser orientadas numa direção perpendicular ao marco tridimensional, o que implica que sua representação matemática será imaginária[1]. Portanto, até agora ela não foi detectada.

Pode-se supor que uma configuração molecular, microfisica, seja capaz de girar essas forças de noventa graus. Orientadas no meio físico, elas são capazes de interagir com outras partículas do ambiente, provocando efeitos mecânicos, oscilatórios, óticos, térmicos, etc. Essa estrutura microfisica complexa poderia estar integrada por qualquer enzima ou outro tipo de proteína dentre as que formam a estrutura de nossa massa encefálica.

Assim sendo, poder-se-ia imaginar que o cérebro de um ‘médium’ fosse uma válvula moduladora de energia não gerada por nossa massa celular mas regulada, orientada, estimulada ou inibida por esse hipotético mecanismo molecular. Assim como em qualquer outro mecanismo psicovegetativo, os processos mentais inconscientes criariam padrões de modulação muito complexos, o que explicaria o estranho comportamento dos objetos que se deslocam ou se movem no transcorrer do fenômeno.

Muitos supostos poltergeist não foram realmente isso, mas a simples ação de ratos, baratas, do vento, estalidos de tábuas, etc., distorcida pela imaginação excitada.

Estudos recentes trouxeram nova luz aos fenômenos desse tipo. Parece que os adolescentes que os provocam sofrem de ‘agressão reprimida’ e procuram encontrar alguma forma de descarregar essa energia.

Com relação ao fenômeno PK em si, o Dr. John Taylor apresentou uma nova hipótese, fez um experimento especial baseado na rotação dos objetos e pôde constatar a presença de um campo elétrico de baixa freqüência. Sua conclusão é que há uma interação mente-mental de natureza eletromagnética, que se transmite por meio de uma série de ‘ondas procedentes do corpo do dotado e que são controladas pela mente, criando assim um efeito recíproco entre a mente e o objeto, que poderíamos chamar de campo de intencionalidade’. O notável é que todos esses fenômenos podem ser repetidos à vontade.


_

[Texto de Pedro Raúl Morales]

Nenhum comentário:

Postar um comentário