sábado, 5 de dezembro de 2009

GEOMETRIA SAGRADA_CÍRCULOS NO SOLO:AS NOVAS EVIDÊNCIAS.


Até hoje já surgiram mais de 5 mil círculos ‘desenhados’ em plantações de todo o planeta. Enquanto o fenômeno continua acontecendo em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, os cientistas procuram ainda uma boa teoria para tentar explicá-los.

Nos tempos modernos, o inexplicado fenômeno dos CROP CIRCLES, desenhos circulares feitos aparando-se as lavouras, foi notado inicialmente em 1973. Mas foi só uma década mais tarde que ele começou a se manifestar de maneira quantitativa. Até agora, já surgiram mais de 5 mil “círculos aparados”, a maioria na Inglaterra. Recentemente, a Índia anunciou que desde 1986 ocorreram mais de 2 mil formações circulares só naquele país. Até mesmo no Brasil já houve notícias do surgimento de ‘crop circles’, a mais recente no Rio Grande do Sul.

Seriam esses desenhos circulares o trabalho de velhinhos aposentados querendo se divertir pregando peças na imprensa? Seriam obra de artistas excêntricos usando os campos férteis da Terra como tela para satisfazer seus egos monstruosos? Se você acredita nessas hipóteses, saiba que não está em minoria. Sim, em 1990 dois aposentados ingleses andaram fazendo confusos desenhos circulares nas lavouras de sua terra, patéticos quando comparados à exatidão matemática e à complexidade geométrica do fenômeno genuíno. Desde então, muitos embusteiros surgiram em cena, alguns para desacreditar os pesquisadores, alguns por lucro, outros porque são sociopatas ou porque realmente acreditam que podem se comunicar com o fenômeno. Por causa disso, pode-se dizer que cerca de 30% das formações são engodos ou foram feitos por gente tentando se comunicar. [Os estudiosos do fenômeno,alias, garantem que há algum tipo de comunicação acontecendo, embora ninguém saiba explicar direito qual a mensagem que está sendo passada através dessa linguagem de símbolos].

O problema em falsificar um ‘crop circle’ é que se precisa de algum objeto para aplainar a plantação até o chão, e ao fazer isso os talos das plantas acabam se quebrando. Nas formações genuínas, os caules não são quebrados, mas curvados, normalmente até uns 3 centímetros do chão – e isto os humanos ainda não conseguiram fazer. Este é um método simples de se identificar o verdadeiro fenômeno. Outra característica de identificação é que as formações são construídas usando a GEOMETRIA EUCLIDIANA, altamente complexa, e a alteração da estrutura magnética, fazendo com que a bússola não funcione direito na área de sua formação.

Tire dos ‘crop circles’ seus possíveis meios de construção, suas referencias exatas a lugares sagrados ancestrais, suas anomalias físicas e magnéticas e chegaremos à essência do fenômeno: a geometria – ou GEOMETRIA SAGRADA, se preferir, a linguagem básica da criação. A mesma que está presente em todas as formas terrenas – nas plantas baixas das velhas catedrais, nos elementos básicos dos cristais, nas mandalas budistas, nos monumentos antigos, até mesmo na música. A geometria, aliás, é a música congelada em sua forma física, e o pesquisador Paul Vigay conseguiu ‘tocar’ a mensagem dos ‘crop circles’ programando as proporções matemáticas dos desenhos em um computador.

Segue, vídeo demonstrativo sobre:
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Apoiado nas pesquisas de seus compatriotas John Mitchell e Hamish Miller, bem como nas do astrônomo americano Gerald Hawkins, da Universidade de Boston, o pesquisador inglês Freddy Silva propõe que os desenhos dos ‘crop circles’ são uma forma de comunicação a nível molecular, algo que tem a ver com o mistério da vida.

Silva começa citando o círculo de pedras de Avebury, um antigo lugar sagrado na Inglaterra, construído para homenagear a fertilidade da Mãe Terra. Sua semelhança com uma fotografia microscópica de um ovo sendo fertilizado é notável. Essas imagens tornam-se ainda mais impressionantes quando comparadas ao desenho de um ‘crop circl’ que apareceu em Ogbourne Maizey em julho de 1991, o qual é quase uma cópia da planta baixa de Avebury. Como muitos outros círculos de pedra espalhados pelo mundo, Avebury atua como um ponto coletor das linhas de energia da Terra, e era usado ritualmente como um lugar onde o indivíduo podia, pela meditação, entrar em conexão com essa energia e assim se comunicar com os planos superiores da existência.

A formação que surgiu em Chiseldon em 1996 também tem suas raízes nos elementos básicos da criação. “É o modelo da pulsação da vida cósmica, representado pelo principio da alternação, conforme nos ensina o Taoísmo”, afirma Silva. De acordo com o taoísmo, toda a vida e todo o universo progridem seguindo um ritmo de alternação e oscilação. Tudo se alterna para o seu oposto. Este princípio, conhecido como yng-yang, é representado por um desenho que demonstra que a Unidade, ou Deus [representado como o grande circulo envolvente],está dividida em duas partes iguais, uma divisão feita por dois círculos interiores. Esse processo de divisão pode ser levado ao infinito, mas, a qualquer ponto, a soma das circunferências dos pequenos círculos será sempre igual à do circulo maior original. “Assim, este antigo diagrama mostra que, no começo e no fim, toda diferenciação funde-se em Deus”, diz Fredy Silva.

Símbolos cosmológicos similares foram o tema predominante nos ‘crop circles’ que apareceram na Inglaterra. A bela formação de Windmill Hill, por exemplo, tem muita semelhança com o símbolo budista tibetano chamado de Gakyil ou ‘roda da felicidade’, um símbolo não-dualista que representa a energia primordial. Segundo esta escola, a iluminação, a união com o Criador, ocorre em três etapas:


ð a base;
ð o caminho;
ð e a fruta.

Durante o caminho, perde-se a ilusão do dualismo e ‘formas mais elevadas de consciência’ se manifestam; adquire-se a capacidade de ver coisa apesar da distância, ler pensamentos, fazer milagres. A fruta é a ‘realização total’, uma completa liberação da existência condicionada e com uma sabedoria perfeita e onisciente. Estes três estágios, estão interligados e são interdependentes.
Três que são um: A Sagrada Trindade. O belo circulo desenhado numa lavoura de Windmil Hill é uma alegoria geométrica do Gakyil, mas qual é a sua mensagem? Será que há alguma ligação aqui? Será que alguém estava querendo dizer aos ingleses para eles meditarem e entrarem no ritmo da energia da Terra para conversar com Deus?

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[Texto de Lu Gomes]


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Adendo:
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

HAVERÁ UM ELO PERDIDO?


A GRANDE BOLA AZUL-TURQUESA esfriou e coalesceu numa massa vibrante de rocha e água. O fogo do Sol reaqueceu o planeta Terra e uma temperatura agradável, após sua criação [purificadora e como numa forja], transformando o mundo numa transbordante e agitada panela de cozido. Talvez todos os elementos de um cozido vivo já estivessem na panela quando foram alcançadas as temperaturas indutoras de vida.

Impérios oceânicos floresceram e caíram. Algas, esponjas, lesmas, trilobites e corais, reinaram e morreram, sedimentando no piso oceânico e formando o solo fértil de que a futura vida seria extraída pela face cálida do Sol.

Vieram então as samambaias, árvores, insetos e peixes. E surgiram dinossauros daquela rica lama da Terra irrequieta. Qualquer pessoa que tivesse parado para procurar um elo perdido seria prontamente consumida por uma criatura mais ambiciosa. A mãe-Terra inchou e se contraiu, elevando seus solos, cuspindo suas águas, e se contraiu e se espremeu – quantas vezes, não podemos saber.

Solos oceânicos ricos e fertilizados pelos dejetos de trilhões de mortos, elevaram-se à luz do Sol, cheios da rica lama da vida, empurrando novamente para cima os resíduos de tudo o que já existia antes. Não havia nada chamado homem,mas todos os seus processos estavam sendo ali tentados e refinados, preparados para a associação final. De certo modo, percebendo através dos sentidos mais primitivos, ele já estava ali.

A BUSCA_QUAL FOI O ELO PERDIDO? Haveria um macaco em transformação – um macaco menos cabeludo, menos enfadonho, mais genial, mais intrépido e criativo? Como sabemos mais sobre o fim do que sobre o começo, tentamos remontar ao passado para extrapolar a partir do que conhecemos hoje. O macaco morre, o homem morre. Ambos retornam a um denominador comum: o pó, o barro primordial, ou, mais poeticamente, a carne de Deus.

O fato de que houvesse um elo, um elo tangível, entre todos os níveis da Criação, desde o mais baixo até o mais alto, pareceria um modo ordenado de fazer um mundo. Como a mente do homem é ordenada, ele deseja comprovar que a criação do mundo funciona dessa maneira. E admite também, com magnanimidade, que sua mente é um reflexo de Deus, a mente do Criador. Por conseguinte, suas idéias mais sublimes devem ser verdadeiras; o caso deve se encerrar em ordem. Mas há um detalhe incômodo. Onde está a prova? Onde estão os elos perdidos?

Naturalmente, o mundo é um lugar muito grande, de modo que alguns indivíduos podem ter ainda a esperança de encontrar esses elos, mas não é intrigante que nenhum tenha sido encontrado após tantos anos de sondagem nas profundezas da Terra?

Ás vezes, se não se consegue encontrar nenhuma resposta, talvez tenha sido feita a pergunta errada. Haverá um elo perdido entre gelo e água? Ou entre água e vapor? Em ambos os casos, as diversas formas de água, que para uma mente desinformada não seriam reconhecidas como o mesmo material, na realidade são o mesmo material, porém, em diferentes níveis ou taxas de intensidade. Será então um macaco do mesmo material de um homem, diferindo apenas em nível ou taxa de intensidade? Mais grandiosamente, será tudo feito do mesmo material, diferindo apenas desse modo?

A EVIDÊNCIA_A evidência não é suspeita. Nós a temos por toda parte ao nosso redor, e toda evidência é boa evidência, assim como todos os assuntos de fotografia são bons assuntos. O que precisa ser objeto de sua suspeita e inspecionado regularmente são a máquina fotográfica e o filme. O homem nunca olha para nada diretamente;antes, apercebe-se de tudo através de uma série de filtros chamados crença, preconceito, e conhecimento estereotipado. O aspecto do homem que se vê tipicamente é o do intelecto,racional, curiosamente misturado com o sentimental e emocional. Uma forma mais límpida de conhecimento é apreendida quando o racional e o emocional são apagados. Mas essa maneira secreta de obter novo conhecimento só é conhecida dos místicos.

Em seus primeiros bilhão e meio de anos a Terra era um irrequieto caldeirão de mares quentes, rocha fundida, e fenômenos violentos. Depois, em meados da sua juventude, ela produziu suas primeiras e grosseiras criaturas. Há cerca de 500 milhões de anos ela vem enchendo pastéis dos mais diversos tipos com um único e homogêneo recheio, que contém todos os sabores do universo. Nessa analogia, os pastéis são os corpos ou as formas vibratórias que existem na Terra, e o recheio é a alma, a mente universal de Deus. É essa alma que é, não um elo perdido, mas um elo oculto, entre todas as coisas criadas.

Quando o investigador ou explorador racional busca elos perdidos em sua vida, ele se dirige para fora, como todos nós fizemos. Vemos cinzas, pó, e as camadas de eras profundamente longas. Isto é um símbolo, como um imenso monumento, um mausoléu de terríveis maravilhas para o pequeno homem que teme a morte encerre tudo. Um dia, após muita busca exaustiva, ele tem de enfrentar a si mesmo e descobrir, espantado, que dentro de si mesmo está o universo vivo, a fonte da juventude, a pérola sem preço, o oráculo.

Um elo perdido? Isto se torna uma questão supérflua, errônea [como a busca de gelo no deserto], baseada numa compreensão fragmentada da vida. Serão as espécies separadas de modo que precisem de um elo, quando na realidade estão ligadas espiritualmente? Estarão as criaturas sobre a Terra, ou serão elas parte da Terra? Talvez esta seja uma questão mais genuína e importante.

A GRANDE DENOMINAÇÃO_Adão deu nome aos animais e às coisas da Terra. Todos os dias esse pobre e caluniado homenzinho se levantava e ia trabalhar. Havia um mundo inteiro para denominar! Separação, diferenciação, fragmentação, estavam apenas começando, seguidas de rápida confusão. Sem dúvida essa foi uma tarefa prodigiosa para um só homem.

Depois disso, a ciência esteve sempre exageradamente impressionada com esse feito e determinou-se a aumentar a confusão enfatizando diferenças entre as criaturas. Aristóteles foi um perito nisso, e como catalogar é uma coisa que o homem de qualquer forma adora fazer, Aristóteles foi prontamente enaltecido.

Não tenhamos a menor duvida, o velho Adão foi o primeiro cientista. Aristóteles popularizou a técnica, um grupo encarregado de denominar foi mantido para a época seguinte, e isto se tornou bastante intenso em nossos dias. Os cientistas provavelmente nunca vão desistir de catalogar, embora hoje percebam que as divisões e os relatórios são infinitos. Naturalmente, o trabalho de catalogar é útil, mas o empenho neste sentido não deve ser confundido com a busca da Verdade – ainda que o primeiro seja preliminar a esta última, assim como exercícios são louváveis, desde que a pessoa não os confunda com o verdadeiro trabalho.

Esta velha espécie adâmica, ainda viva e bem hoje em dia, vê elos perdidos em algo que nunca esteve separado, a não ser o seu ego de Deus, quando foi expulso do Paraíso. Mas há um tempo para separação e um tempo para reunião. É essa reunião da vida e, portanto, do homem com Deus, que o místico procura realizar em seu próprio âmago. E isso é uma questão de o homem se lembrar daquilo que esqueceu: que ele nunca está fora de contato com Deus, a Consciência Cósmica, porque está criado como parte Dela.

UMA NOVA VISÃO_Na realidade há um novo Adão, que conhece o espectro ou a escala do Ser como uma faixa de existência que começa em Deus e termina em deus [e terminar é apenas um novo começo], na qual uma pedra, uma folha, uma porta e, analogamente, um dinossauro, um macaco e um homem são realmente evoluções e revoluções de uma única idéia, que é VIDA – a expressão de deus, o corpo do Cristo em múltiplas formas. E, sendo esse espectro perfeito, não contém separações, elos ou lapsos dando solavancos. Lapsos existem somente na capacidade do homem para compreender, certamente não na cósmica criação e ordem das coisas.

Mas a incômoda questão não parece desaparecer. Em alguma época do passado geológico, o homem, tal como o conhecemos, não existia. Que criatura deu origem a ele? Como somos muito associados aos macacos, fisiologicamente, esta é a escolha dos cientistas. Os defensores da Criação afirmam que veio de Deus e, do barro ou pó da terra, moldou a forma do homem e nela soprou vida divina - produzindo assim um nascimento imaculado e miraculoso.

Como quer que tenha ocorrido, o nascimento do primeiro ser humano da Terra teoricamente elevou o nível de inteligência deste planeta.

UM CATALISADOR DE CONSCIÊNCIA _ Arthur Clarke, em sua obra de ficção, 2001, Uma Odisséia do Espaço, faz com que um estranho monólito, a Anomalia, sônica e misticamente eleve o nível de inteligência de alguns macacos. Não conhecemos monólitos assim, nem é provável que os encontremos. Mas na literatura sagrada encontramos nascimentos imaculados e miraculosos, como de Zoroastro, Jesus e mais alguns, cada um dos quais, por seu nascimento, e por sua presença, elevou em muitos graus a consciência da humanidade como um todo.

Poderia essa mesma condição miraculosa ter ocorrido à mais alta forma de vida da Terra antes do homem? Pode ser uma idéia abominável para alguns que um macaco possa ter produzido o proto-homem da Terra. Não obstante, a natureza não despreza a si mesma e sim segue o caminho mais fácil para seu meio de reproduzir a si própria em níveis superiores, mais inteligentes. Seria então o nascimento imaculado e miraculoso o alto mecanismo da evolução neste planeta?

Não podemos saber ao certo; antes, ficamos entregues a nossas melhores conjeturas. A Terra é pó e água, misturados com luz solar, e sobre tudo isso é aplicado o encantamento místico que mal estamos começando a aprender.

O homem, que foi feito do mesmo pó dos dinossauros e de miríades de outras criaturas há muito extintas, hoje toma o lugar delas. Ele ainda é bruto, porém, mais sofisticado [ainda em transformação]. O pó eterno é uma espécie de elo;literalmente, um solo comum de toda a vida. E não é um fim. Por que haveria de ser, quando a época mais excitante ainda está para vir? O novo Adão está emergindo - o Adão reunido a Deus, que cuidará para sempre do jardim perfeito, realizando o Reino do Céu. Não estará o seu próprio corpo agora mesmo se formando a partir dos nosso corpos, dos bilhões de corpos que já passaram?

E o ser desse tipo [o novo Adão], será que pensa em si mesmo como o ápice da Criação, muito superior às algas e esponjas de que seu pó, durante aqueles 500 milhões de anos, vem provindo, crescendo e caindo? Será que ele se considera tão superior à Terra que possa usá-la como um solo inconstante e eterno?

Não. Esse novo ser é diferente, porque se lembrou do esquecido Deus.

Somos as próprias criaturas que precisam deixar a velha natureza se tornar extinta para fazer o pó para a forma superior, o novo homem que está vindo.

E o novo Adão realmente surge. De todo o pó, e todo o conhecimento e todas as experiências, surge ele. E está unificado com a Terra [e, portanto, unificado com Deus] e não vê elos perdidos; ele é do pó, da luz solar, formado imaculadamente, miraculosamente, de Deus.

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[Texto de Philip A. Clausen]




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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A ORIGEM E TRAJETÓRIA DO HOMEM


Da catástrofe total à migração global, uma análise da evolução humana.

Entre 12 e três mil anos atrás houve um profundo crescimento da civilização terrestre. Inúmeros templos foram erguidos no Peru, os primeiros complexos urbanos e pirâmides foram construídos no Egito, sociedade agrícolas foram planejadas e estabelecidas, vastas civilizações surgiram no antigo Oriente Médio, e houve várias mudanças no Extremo Oriente, com conseqüências de longo alcance no desenvolvimento de complexas sociedades por toda a Bacia do Pacífico. Essa movimentação contém indícios sobre nosso desenvolvimento, mas qual teria sido a nossa verdadeira origem? Muitos desses complexos de templos se concentravam em torno de “mitos de libertação” anteriores.

O livro “ The Golden Bough: A Study in Magic and Religion [A Grande Ramificação: estudo de Mágica e Religião]”, de James Frazier, mostra relatos de mais de 40 cataclismos no Oriente, e grandes textos do Ocidente, inclusive Timeus e Crítias, de Platão, mencionam civilizações de um protomundo interligadas por todos o planeta, da África e da Ásia. Em ‘Crítias’ Platão escreveu: “Uma ilha maior em extensão que a Líbia e a Ásia, quando submergiu devido a um terremoto, tornou-se uma barreira instransponível de todo aos viajantes que zarpavam daqui para qualquer parte do oceano”. Lendas e histórias populares também aludem a antigos mundos destruídos “na terra do Sol poente”, o Ocidente, e temos o relato do grande dilúvio nos primeiros 12 capítulos do Gênesis bíblico, propriamente uma condensação de uma história oral bem mais antiga, de uma época em que os seres humanos viviam por centenas de anos.

DEUSES E SEMIDEUSES_ Os textos egípcios também se referem a uma época em que sua civilização era governada pelos deuses e por seres semidivinos, capazes de viajar grandes distâncias para transmitir conhecimento. A própria base da civilização egípcia subentende o fornecimento de um alto nível de conhecimento aplicado de matemática, hidráulica e engenharia, altos níveis de contato com sociedades distantes e treinamento mental elevado vindo de seres como Osíris, capazes de demonstrar verdades aos povos da Terra. Antigos historiadores, como Jorge Sincelo, Maneto e Heródoto, falam de uma história superior que existia antes da ‘era comum’ da humanidade, remontando há pelo menos 36 mil anos. No mundo inteiro, encontramos muralhas, templos e monumentos de pedra com inscrições descrevendo civilizações deste protomundo. O “Kebra Nagast” etíope, por exemplo, fala de “um transporte aéreo avançado”, e os textos sânscritos descrevem os vimanas, “carruagens movidas à luz”, que no dia-a-dia ligavam civilizações adiantadas aos povos da Terra. Há também evidências da utilização de tipos especiais de eletricidade, de química e metalurgia de vanguarda, de perícia em medicina, anestesiologia, e de cirurgias sem sangue, além de uma engenharia civil aprimorada e da padronização de medidas para a construção. Mas onde estariam estas civilizações sofisticadas hoje em dia?

Por vários séculos, de 11 a 15 mil anos atrás, uma rápida mudança no clima global deu fim à Idade do Gelo ou período pleistoceno. Geleiras que cobriam grande parte da Europa e América do Norte começaram a derreter-se. Sabemos que o Sudeste da Ásia constituía um único e imenso continente, até que três dramáticos descongelamentos elevaram em 100m ou mais o nível dos oceanos, inundando muitas regiões costeiras e transformando locais elevados em inúmeras ilhas. A costa que se perdeu era tão grande quanto a Índia. Este mesmo derretimento e inundação romperam imensos reservatórios de gelo em Ontário, Canadá, onde 480 mil km2 de gelo glacial entraram em colapso, vazando uma enorme quantidade de água no Atlântico Norte e diminuindo sua salinidade. No interior das Américas, ocorreu a inundação cataclísmica de Bonneville, com a liberação de centenas de quilômetros cúbicos de água a partir do rompimento dos reservatórios de gelo. A última destas bruscas elevações dos mares, entre 12 e 9,5 mil anos atrás, foi acrescida de ondas gigantes geradas por rupturas na crosta terrestre, na medida em que as placas de gelo se desmanchavam e ocorria uma atividade vulcânica regional. Uma recente pesquisa da Sociedade Meteorológica Mundial mostra que dois dos súbitos episódios de aquecimento observados no núcleo de gelo da Groenlândia se refletem no gelo do Mar de Rosas, na Antártida. Os dados obtidos no núcleo de geleiras sugerem que metade do aumento de temperatura, de aproximadamente 10ºC, ocorreu em menos de uma década e meia, há cerca de 11.645 anos. Portanto, podemos deduzir que o colapso catastrófico de sociedades lendárias como a Atlântida, a história bíblica de Noé, os Unapashtim dos textos acadianos anteriores à bíblia e a cidade anterior ao período áureo da Grécia descrita no Timeus de Platão, podem corresponder a estes eventos geológicos.

AVANÇOS NO GELO_ Os pesquisadores descobriram que a glaciação da época pleistocena, de 1,8 milhões a 11 mil anos atrás, não foi tão constante como se acreditava. Consistiu em vários avanços do gelo intercalados por períodos mais quentes, durante os quais o gelo recuava e prevalecia um clima comparativamente ameno. As civilizações humanas podem ter-se desenvolvido nos períodos interglaciais, e algumas destas populações poderiam ter migrado em decorrência da catástrofe geológica. Dizem as lendas que os atlantes se deslocaram para a Grécia e Egito - e possivelmente para regiões da América do Norte, inclusive para a península do Yucatán - para fundar estas notáveis civilizações. Mas o que teria ocorrido com as culturas do Extremo Oriente? Da época do afundamento da plataforma costeira e de alterações nas manchas solares, há lendas de migração maciça de povos do sudeste asiático, por terra e mar. Elas se deram para a costa da China, ao norte, para o Oceano Índico, a oeste, e para a Austrália e Polinésia, ao sul.

Quais são as outras evidencias de civilizações proto-históricas no Oriente? Descobrimos que os primeiros registros de linguagem remontam há mais de 30 mil anos atrás, a petroglifos indianos encontrados perto de Bhopal, e alguns dos aborígines australianos. Estes vestígios, interessantes ilustrações em rochas, vão além das simples formas animais pintadas nas cavernas de Lascaux, por exemplo, que remontam há 17 mil anos atrás. Antigos ‘glifos’ também aparecem no Novo Mundo, onde encontramos geometrias sagradas e imagens de humanos com seis dedos, conforme visto no Brasil. Evidências bem precisas de alterações solares e de supernovas também aparecem em hieróglifos no mundo inteiro, da África a América do Sul.

EXPLORAÇÃO MARÍTIMA_ O explorador Thor Heyderdahl foi um contínuo defensor da noção de um contato trans-oceânico e de uma migração no Pacífico Sul, em direção às Américas. Mais famoso pela sua expedição no Kon-Tiki, que provou que os ilhes de Rapa Nui podiam estabelecer comércio com os povos da América do Sul, Heyerdahl destacou as semelhanças entre as estruturas de pedra da Ilha de Páscoa e as estruturas incas e pré-incaicas no Peru. Mais recentemente, após um estudo prolongado das correntes oceânicas - como os efeitos do El Nino -, o explorador propagou a crença de que os povos marítimos poderiam ter tanto imigrado para a América do Sul como emigrado dela. Antes da sua morte, ele tentou demonstrar a possibilidade de os egípcios e fenícios terem viajado do Egito para as Ilhas Canárias e, como Cristóvão Colombo, terem aberto caminhos de ida e volta para o Novo Mundo.

A posição de Heyerdahl contesta a maioria das crenças dos antropólogos norte-americanos contrários à difusão. Estes acreditam que as Américas só vieram a ser povoadas através da migração asiática pela Beríngia, no estreito de Bering, a partir da Sibéria. Mas este ponto de vista também está sendo contraditado pelas recentes evidências arqueológicas de Monte Vede, no Chile, e da Toca do Boqueirão da Pedra Furada, no Estado do Piauí, ambos indicando a presença de uma série de povos de cultura marítima com capacidade de cruzar grandes barreiras oceânicas. Até há pouco tempo, a maioria dos antropólogos afirmava que os artefatos de ossos de Clovis, no Novo México, Estados Unidos, remontavam há apenas 11.600 anos atrás e eram os restos mais antigos do Novo Mundo. Mas algumas outras teorias antropológicas levam em conta que, antes de Clovis, povos asiáticos entraram na América do Norte, pelo noroeste, entre 15 e 12 mil anos atrás, no fim da última era glacial, passando pelo Alasca e Canadá,e depois avançando para as Américas Central e do Sul.

No entanto, novas evidências sugerem que a antiga travessia não se deu exclusivamente para a América do Norte. Houve possivelmente, numa data bem anterior, uma migração costeira nas latitudes sul e uma transferência de ilha em ilha pelo Médio Pacífico até as Américas. O que é mais interessante nas gravações em pedra encontradas na Toca do Boqueirão, no Piauí, é que a datação por métodos de carbono 14 sugere uma idade entre 30 e 48 mil anos para esses vestígios. Isto mostra que o surgimento do homem no hemisfério sul do Novo Mundo se deu muito antes do que se pensava.

Contudo, a arte rupestre primitiva não é tudo que há sobre civilizações antes de 12 mil anos atrás. Do outro lado do continente sul-americano, em Monte Verde, sul do Chile, a uns 50km do litoral do Pacífico, o doutor Thomas Dilehey e seus outros cientistas recuperaram possivelmente os mais antigos artefatos e restos humanos das Américas. Enquanto a maior parte do sítio de Monte Vede foi datada em 12.500 anos, a datação de possíveis instrumentos de pedra descobertos por Dilehey no local remonta a uns 3.000 anos, conforme o cientista publicou em A Late Pleistocene Settelement in Chile [Uma Colonização Pleistocena Tardia no Chile]. Dilehey e sua equipe descobriram ainda evidencias de instrumentos, brinquedos e assentamentos simétricos que sugerem que o mais antigo ramo da cultura civilizada desenvolvido no hemisfério sul do Novo Mundo originou-se da Ásia. Detalhes na trama têxtil dos tecidos da época e nos padrões geométricos das cerâmicas encontrados nas ruínas costeiras, do Peru, Equador e até o México, são muitíssimo parecidos com os da cultura Joman, do Extremo Oriente.

Isto não quer dizer que a América do Norte esteve completamente desprovida de antigas culturas. O arqueólogo Albrt C. Goodyear, do Instituto de Arqueologia e Antropologia da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, examinou locais como Cactus Hill e Saltville, no Estado de Virgínia, e sítios arqueológicos próximos a Topper, na Carolina do Sul, e Meadwcroft, na Pensilvânia, encontrando evidências de uma ocupação no leste do país que remonta há mais de 12 mil anos atrás. Elas apenas não são tão antigas quanto o sítio da Toca do Boqueirão, no Brasil. Outra impressionante prova arqueológica dos primeiros seres humanos na antiga América do Norte vem da descoberta, em El Cedral, ao sul de Monterrey, no México, de ossos de mamutes em torno de uma construção de 3 mil anos de idade. Também na Europa Central e na Rússia foram identificadas duas civilizações que remontam há mais de 12 mil anos ou ao fim do Pleistoceno. A primeira, chamada “aurinaciana”, floresceu de 40 a 28 mil anos atrás, seguida pela “gravetiana”, de 28 a 22 mil anos. Milhares de figuras esculpidas e ornamentos pessoais destes povos foram descobertos e documentados.

ESTÁTUAS GIGANTES_ Mas todas estas civilizações se desenvolveram em separado? Rapa Nui, também chamada de Ilha de Páscoa, e o arquipélago havaiano estão entre as localidades mais remotas do Pacífico. Os rostos esculpidos nas estátuas gigantescas da Ilha de Páscoa sempre suscitaram dúvidas quanto ao povo que as construiu e à tecnologia que utilizaram. No entanto, as características das mãos e os gestos simbólicos dos dedos das estátuas sugerem claramente uma antiga ligação com as ilhas do sudeste asiático. Além disso, figuras e representações artísticas encontradas no Equador revelam imagens que se assemelham as dos deuses da pré-dinastia egípcia. O que se cogitou no Congresso sobre Mistérios Não Resolvidos, ocorrido em Viena, em 2001, é que isto sugere fortemente uma comunicação global entre os povos do passado. Mas como podiam se corresponder entre si, se estavam imensamente distantes. E que tipo de sistema de transporte utilizavam? Para confirmar a teoria das antigas migrações globais, foi conduzido na Universidade Emory um estudo do movimento dos genes humanos.

O professor Douglas Wallace concluiu que as ilhas do Pacifico e as regiões indígenas ao norte e ao sul da América do Norte foram povoados por asiáticos, mostrando traços de DNA de uma linhagem genética vinda de uma fonte comum, de uma Eva primitiva originada na África, que posteriormente se estendeu para a Ásia. Analisando o DNA mitocondrial de grupos indígenas norte-americanos muito distantes entre si, Wallace e outros cientistas puderam sugerir que os primeiros ameríndios a se comunicar entravam nas Américas entre 42 e 21 mil anos atrás, ao passo que os ancestrais da atual nação Na-Dine chegaram entre 16 e 5 mil anos. Wallace também descobriu uma linhagem de DNA que foi para América do Norte, possivelmente da Europa, em épocas pré-históricas. Contudo, há uma impressionante evidência genética de pelo menos quatro linhagens dos primeiros humanos associando as Américas ao continente asiático, em diferentes períodos pré-históricos, tanto antes quanto que depois de eventos cataclísmicos.

Com o uso de diferentes estudos genéticos, está se desenhando um quadro mais complexo de migração global. A maior parte da nossa informação genética é armazenada na forma de DNA nos núcleos das nossas células, mas outros corpos delas também possuem essa informação, como as mitocôndrias. Seu material genético-chamado de mtDNA – é transmitido apenas pelas mulheres, já quem a mitocôndria do esperma masculino não sobrevive à fertilização. Logo, além da evidência arqueológica, lingüística e das correlações arquitetônicas, as descobertas genéticas também podem ser usadas para apoiar a teoria de migração pelo Pacífico. Do ponto de vista da genética populacional, os investigadores dos mistérios da Ilha de Páscoa concluíram que houve certas mutações de DNA em polinésios, micronésios e sul-asiáticos, puxando para as Américas, mas que isto não se deu em qualquer outro lugar. Tal fato acaba por corroborar a evidencia arqueológica e lingüística de ligação entre asiáticos e polinésios. O trabalho adicional de John Clegg e Érika Hegelberg nesta questão da relação do Dna mitocondrial de populações atuais e restos de esqueletos do Pacífico, tem ajudado a delinear a rota de migração de viajantes protochineses e protopolinésios.

CULTURA E AGRICULTURA_ Além das considerações de semelhanças genéticas, certos aspectos das culturas da América Central e do Sul têm uma notável semelhança com elementos culturais observados na Ásia e nas Ilhas do Pacífico, particularmente o complexo uso em terra e no oceano de canais e sistemas hidráulicos, plataformas em três fileiras e centros cerimoniais em vários níveis. Estes elementos revelam um intertravamento estrutural que requer um projeto matemático bem elaborado. Câmaras retangulares submersas foram descobertas na área do Lago Titicaca, perto de Tiaguanaco, que já foi um grande centro de aprendizado do mundo antigo, sede de um museu etnográfico entalhado com tipos faciais de índios e asiáticos.

A história arquitetônica das antigas estruturas de Tiahuanaco e das elevações em terraços cobre pelo menos 3 mil anos, e é evidente que o desenvolvimento e conservação, por parte dos povos andinos, de importantes e persistentes noções do mundo espiritual sobre planos cerimoniais em nichos e canais de água entrecruzados, como malhas no topo do mundo, se encaixavam na cosmologia do Oriente. Simultaneamente, os centros rituais mostram um difundida reverência por Parcha Mama, a Mãe Terra, também chamada de Mãe Cuna, Rada, Sita e Quan-yin no Oriente.

Será que todos os povos indígenas do mundo compartilhavam ritos de passagem cosmológica antes da vinda do monoteísmo com o seu sistema de crença, sempre voltado para o Sol? Cidades submersas estão atualmente sendo descobertas no mundo inteiro. O Instituto Nacional de Tecnologia Oceânica da Índia, localizou, à 40m de profundidade. No Golfo de Cambaia, uma série de estruturas subterrâneas de provavelmente mais de 8 mil anos de idade. Esta descoberta foi anunciada oficialmente em 19 de maio de 2001, pelo ministro de Ciência e Tecnologia do país, Murli Manohas Joshi. O Golfo de Cambaia – também conhecido como Golfo de Khambat – é uma área tectonicamente ativa, cuja profundidade tem se alterado desde o fim da última era glacial. Na verdade, o Golfo só se formou entre 7,7 e 6,9 mil anos atrás. As estruturas recentemente descobertas poderiam ter até 12 mil anos e ter submergido em decorrência de um abalo sísmico.

ESTRUTURAS URBANAS_ As ruínas do golfo foram encontradas ao longo de uma extensão de 9km, perto do litoral, na província indiana de Gujarat, em dezembro de 2000, e por seis meses foram investigadas com técnicas acústicas e sonar. Segundo relatos dos exploradores, estruturas urbanas encontradas submersas, aparentemente incluindo um celeiro, um grande estabelecimento de banhos e uma cidadela, se parecem com as das principais cidades da civilização do Vale do Indo, com padrões geométricos regulares. Uma coincidência. Uma investigação feita em novembro de 2001 incluiu uma dragagem para recuperar artefatos históricos, tendo o ministro Joshi mencionado a existência não apenas de estruturas simétricas feitas pelo homem, a uma profundidade de 40m, mas também de vestígios de um antigo rio submerso, em cujos bancos já haviam sido encontrados artefatos curiosos.

Um bloco de madeira colhido na dragagem foi datado entre 7,,5 e 9,5 mil anos de idade, milhares de anos mais velhos que a civilização do Vale do Rio Indo. Embora tenham sido encontrados sítios arqueológicos de 20 mil anos atrás no Estado de Gujarat, a descoberta do Golfo de Cambaia é claramente a mais importante descoberta submarina naquele país, e mais uma incômoda pedra no grande quebra-cabeça que se tornou o estudo de nossas verdadeiras origens. Plataformas submersas semelhantes, encontradas perto do litoral de Taiwan, na área japonesa de Yonaguni, também seguem um sistema terrestre e oceânico semelhante ao dos terraços repletos de vegetação de templos da América do Sul e das Ilhas do Pacífico. Estes canais foram projetados para a prática ritualística. Geralmente amplas, suas múltiplas escadarias e rampas serviam provavelmente como estágios de um ritual em que as multidões se dispunham em um plano elevado ou em frente aos terraços para unir-se à subida e descida da grande luz da criação que se movia pelo céu do leste para o oeste.

Concentrações de calcário que lembram os terraços litorâneos encontrados em vários sítios da Ilha Ryukyuan, na fronteira com Taiwan, têm arestas vivas, passarelas em ângulos retos e arranjos arquitetônicos incomuns, que convenceram o professor Masaki Kimura, da Universidade de Okinawa, no Japão, a associar esta área geológica às chamadas “Três Terras de MU” dos textos históricos daquele país e da China. Kimura diz que “o continente perdido de MU pode ter-se localizado no Arquipélago Ryukyu, e pode ter afundado após a última era glacial”. Em 1998, este autor teve oportunidade de se juntar a equipes de mergulhadores e enfrentar as fortes correntes de 4 a 5 nós por hora perto da ilha mais meridional do Japão, à 50km de Taiwan, no intuito de filmar algumas das estruturas no fundo do oceano. Encontrou-se um imenso templo submerso de 50 m de comprimento, com nove diferentes plataformas, que tem incrível semelhança com o modelo de múltiplas escadarias encontrados acidentalmente do nível do mar, nas Ilhas Ryukyu, ligadas a Yonaguni e Okinawa.

A descoberta deste monumento veio confirmar uma localidade prenunciada em 1973, no livro “As Chaves de Enoch: O Livro do Conhecimento”, deste autor, com relação a uma ampla malha mundial de túneis e monumentos, interligada com a Grande Pirâmide. Num local abaixo do nível do mar, perto das praias de Yonaguni, existem duas construções em forma de tartaruga estilizadas, uma em cima da outra. Estudos de Kimura descrevem a existência de várias formas feitas pelo homem, agora submersas, incluindo plataformas e estruturas piramidais em degraus. Estas imensas estruturas, reexaminadas por nós e outros exploradores europeus, norte-americanos, australianos, entre 1997 e 1999, mostram detalhes simétricos regulares demais para serem resultado da dinâmica dos mares. Ou seja, são artificiais e construídas possivelmente com tecnologia superior a da época.

CONTINENTE PERDIDO_ Estruturas submarinas com formas nitidamente artificiais foram documentadas em pelo menos oito diferentes localidades das Ilhas Ryukyu. As lendas folclóricas do Japão, Taiwan e Filipinas descrevem um tema mitológico de sobrevivência que prevalece em muitas destas ilhas. Todas as culturas locais falam da busca por um continente perdido. Alexander Dalrymple, em seu secular relato Na Historical Collection of the Several Voyages and Discoveries in the South Pacific Ocean [Uma Coleção Histórica de Diversas Viagens e Descobertas no Oceano Pacífico Sul], de 1770, baseando-se num estudo sobre lendas polinésias e sutras japoneses, argumentou já em 1767 que as crenças num grande continente perdido ao sul do Oceano Pacífico indicavam a existência de uma linha costeira contínua, que ele chamava de Lemúria. Os japoneses falam de Hori e outras culturas chamam este continente perdido de MU.

Os peritos do Instituto Oceanográfico Scripps levantaram a possibilidade de as massas continentais já terem se estendido muito além da costa atual da China e do Japão, quando o nível do mar era 50m mais baixo. Uma investigação posterior dos navegadores, perto da Ilha de Yonaguni, no Mar do Leste da China, pode corroborar os relatos de estruturas semelhantes as de UM nas águas em torno de Taiwan. Os templos encontrados tem características subaéreas, mostrando que já estiveram acima do nível do mar, e que afundaram pela elevação dos mares em um certo período. Bem distante dali, estudos recentes com sonares descobriram possíveis ruínas submersas noutra área indicada pelo mapa de As Chaves de Enoch. Estão ao norte da Península de Yucatán, perto de Guanahacabibes, no extremo oeste de Cuba. Trata-se de uma área de 20km2 pontilhada de grandes pedras ou estruturas megalíticas.

CIDADE SUBMERSA_ Elas foram relatadas pela primeira vez por Paulina Zelitsky, engenheira oceanográfica que agora vive em havana. As surpreendentes formações rochosas submarinas que aparecem nas leituras do sonar sugerem uma cidade submersa construída no período pré-clássico, povoada então por uma civilização avançada como a da primeira cultura de Teotihuacán, no Yucatán. Os contornos nas imagens do sonar lembram pirâmides, estradas e edifícios. Uma descoberta desta escala indica, para alguns historiadores e escritores, a descoberta das fronteiras das civilizações perdidas de Atlan ou Zarahemla. Para alguns, pode ser a descoberta de antigos portais estelares para a inteligência evolutiva superior que já teria estado em contato com os povos indígenas das Américas.

O afundamento do sítio a oeste de Cuba pode ser simplesmente resultado de falhas existentes nesta área. Manuel Iturralde Vinent, um dos principais geólogos do país e membro do Museu Nacional de Cuba, disse ser cedo para se saber o que as imagens indicam, embora, após examinar as evidências, tenha sentido a necessidade de uma investigação adicional. Rochas vulcânicas recuperadas no sítio sugerem que a planície submarina já esteve acima do nível do mar, apesar da sua enorme profundidade. Embora já não haja vulcões ativos em Cuba, há evidência geológica de que uma série de antigas erupções perto do Yucatán tenha criado os movimentos tectônicos de afundamento ainda hoje observados. Há clara evidência botânica, geológica e ambiental de que o fundo do oceano existente entre o Yucatán e o México já foi terra firme. Ainda é difícil explicar 607m de afundamento de 20km2 de terra no Golfo de Yucatán, mas os estudos geológicos indicam que a fragmentação do continente em ilhas e o afundamento da ponte de terra deve ter ocorrido gradualmente antes de 1.000 a.C., possivelmente já em 48 mil a.C. E quanto às migrações transasiáticas em direção a Europa? De acordo com especialistas, existem antigos e pequenos padrões de migração focalizados do sudeste da Ásia, ao longo de rotas de comércio, passando pela Índia, os Emirados Árabes Unidos e a antiga área da Mesopotâmia, e daí estendendo-se até o Mediterrâneo.

Para a comprovação arqueológica, podemos começar com as descobertas de uma antiga cultura em Takla Makan, no Uzbequistão, na Ásia Central. Nesta área, próximo ao lendário Deserto de Gobi, se estende a grande Bacia de Tarim, também conhecida como Takla Makan, que significa “aquele que entra, não retorna”. Peritos chineses e norte-americanos identificaram a oeste desta vasta área desértica, em Sinkiang, restos de grandes assentamentos de um povo anterior ao europeu. Restos de ancestrais europeus, de 6 mil a 800 anos atrás, mostram uma técnica de preservação quase perfeita.

Na década de 30 foi descoberto na Ásia Central um artefato especial: uma escápula de elefante entalhada que reunia notáveis pictografias, tanto de uma escrita oracular chinesa feita em osso, como de um tipo de escrita egípcia. Felizmente, foi feito um decalque detalhado do osso antes que ele se perdesse na Segunda Guerra Mundial. A escrita pictográfica, com pelo menos 500 anos de idade,é um exemplo de comunicação entre antigos estudiosos chineses e egípcios, e sugere um alto nível de intercâmbio científico entre civilizações distantes que compartilhavam um entendimento de múltiplos sistemas estelares.

ASTRONOMIA E COSMOLOGIA_ Este registro de antiga correspondência sobre astronomia e cosmologia foi apresentado por este escritor aos especialistas da Universidade de Chicago, durante um evento científico, como confirmação de uma história multi-lingüística do chamado “bom deus Imhotep”, egípcio, com rosto de esfinge, ensinando os sacerdotes-cientistas da época em várias línguas – inclusive a chinesa - a respeito de uma complexa realidade cósmica. A mensagem na escápula de elefante mostra o planeta Terra circundado por múltiplos sistemas estelares.

Se estas vastas migrações de povos e de culturas pelos desertos e oceanos foram precipitadas por cataclismos globais, nós nos perguntamos qual teria sido a causa e se poderiam acontecer de novo. De acordo com o livro as Chaves de Enoch, já mencionado, o derretimento extremamente rápido do gelo polar libera um torque mecânico que põe em movimento um imenso volume de água. Em alguns casos, isto se dá tão violentamente que o manto externo da Terra desliza em torno do núcleo interno, provocando um súbito deslocamento de placas tectônicas. Contudo, simples mudanças climáticas provocadas por eventos geofísicos ou mudanças solares são suficientes para exterminar civilizações. Em extenso estudo dos núcleos de gelo glacial, combinado como a análise de sedimentos marítimos profundos, indica que as temperaturas da Terra se elevaram em diversas ocasiões do passado, em 103, 82, 60, 35 e 10 mil anos atrás.

Esta cronologia se assemelha à teoria de períodos de mudança climática gradual de Milankovitch, de 41 mil anos, combinados com os ciclos de 22 mil anos de precessão, que estão refletidos nos padrões circulares e concêntricos de muitos dos centros megalíticos do mundo, tais como Stonehenge, Woodhenge, Rujum al-Jiri, Napta e Cahokia. Os templos astrofísicos ao redor do mundo, como cronomonitores de ciclos planetários, tem proporcionado aos estudantes de história mais informações sobre o universo vivo que estes monumentos representam. Nos últimos 30 anos, autores tem visitado nos seis continentes grandes monumentos que refletem uma história global mais ampla. Temos diante de nós, ocultos, dicionários da idade da pedra, estruturas que calculam o tempo e revelam a migração e renovação da humanidade através de eras.

Ao observarmos o universo com os seus ritmos cósmicos, descortinam-se diante de nós uma beleza indescritível, bem como grandes perigos. Os antigos compreendiam estes monumentos como parte de algo maior que eles próprios, e entendiam o seu lugar na ordem geral como peças geométricas sagradas de um código bioenergético vivo. Precisamos recuperar este senso perdido de unidade mundial, recolocando os artefatos da história nos devidos lugares. Á medida que entendemos a mensagem dos ossos de oráculo, os artefatos e as lições precisas de astrofísica inseridas na arquitetura mundial, que se repetem aqui e ali em diferentes pontos do globo, uma mensagem torna-se evidente: bem antes das escrituras, o registro oral de proto-comunicação sugere a existência de altos níveis de difusão cultural dos povos tanto do Oriente quanto do Ocidente.

COMPREENSÃO AVANÇADA_ Com as novas descobertas de evidências de civilização avançada antes dos registros cronológicos, alcança-se o conhecimento de antigas civilizações, que é necessário para integrar a civilização mundial. As recomposições arcaicas dos templos, santuários e pontos de medição, do Oriente ao Ocidente, das Terras da China e do Japão ao Egito e Ocidente, mostram uma compreensão avançada de cosmologia e da trajetória solar. Independentemente dos cataclismos terrestres, da destruição provocada por manchas solares ou dos desastres que terminaram com a vida nestes antigos centros, os símbolos no fundo do oceano se comunicam com a mesma acuracidade e precisão que a da grande arquitetura da Ásia e do Oriente. Próximo, como uma casa representando a “malha divina” na Terra e refletindo os céus.

As novas descobertas da genética e da arqueologia submarina tem ampliado intensamente a nossa visão, mostrado vastos movimentos migratórios dos povos asiáticos para as Américas, em decorrência das alegadas catástrofes globais e mudanças cataclísmicas no fim da última era glacial. Com a quebra dos paradigmas arqueológicos, surgiram novas realidades de intercâmbio entre Oriente e Ocidente, e dos povos que viveram nesta fase com “outros seres”. Monumentos das profundezas estão se movendo e se revelando, ajudando-nos a compreender as peças perdidas da história do nosso planeta e dos ciclos anteriores da humanidade, que os antigos conheciam.

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[ Texto de J.J. Hurtak., PHD., e Desiree Hurtak, MSC, renomados cientistas e conferencistas internacionais, dirigentes da The Academy For Future Science, dos Estados Unidos. J.J.Hurtak é especialista em sensoriamento remoto e autor de O Livro do Conhecimento: As Chaves de Enoch, editado no Brasil pela Academia para Ciência Futura.]



quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A PSIQUIATRIA COMO INSTRUMENTO DA IDEOLOGIA


Não é de hoje que se questiona o poder coercitivo que as ciências que lidam com a saúde mental podem exercer. Às vezes o patrulhamento se dá de forma velada, conforme podemos constatar em inúmeros exemplos de casos citados por autores como Thomas Szasz. Mas também ocorre de forma explicita, brutal, cerceando a liberdade de ser do individuo. Como exemplo, temos a psiquiatria da antiga União Soviética. O depoimento do psiquiatra ucraniano Semyon Gluzman reafirma a necessidade de estarmos constantemente atentos aos abusos perpetrados em nome de ideologias.

Durante os anos 70, Gluzman foi preso como agitador anti-sociético e condenado a trabalhar por dez anos em uma madereira na Sibéria, onde recebia uma alimentação à base de larvas. Foi condenado por ter protestado contra a utilização abusiva da psiquiatria na avaliação de dissidentes políticos, declarados mentalmente doentes e, portanto, confinados a instituições mentais e campos de trabalhos forçados por tempo indeterminado.

A sua estória, porém, começou bem antes de seu nascimento, com o advento da psiquiatria soviética. Desde o seu início, os psiquiatras podiam tolher a liberdade das pessoas, declarando-as mentalmente insanas. Embora tenha sido durante a era de Stálin que a psiquiatria soviética realmente se especializou nesta repressão, um dos casos mais famosos aconteceu um século antes da implantação do stalinismo. No início do século 19, Pyotr Chaadayev publicou uma critica ao czar Nicolau I. O próprio czar o declarou insano, sentenciando Chaadayev a um ano de prisão domiciliar e “cuidados médicos gratuitos”.

Mas foi nos anos 30 que a psiquiatria soviética adquiriu os contornos dos abusos sistemáticos tão bem conhecidos hoje em dia. Criaram-se os hospitais psiquiátricos especiais, sendo um dos mais famosos o Instituto de Psiquiatria Forense de Serbski, na Rua Kropotkin, em Moscou. Fundado em 1921, esse instituto utilizou tratamentos relativamente humanos até 1948. A partir daquele ano, sob o comando do psiquiatra e membro do partido comunista Daniil Romanovich Lunts, os procedimentos foram modificados e perduraram por mais de 30 anos. Durante esse período, Lunts atestou a insanidade de mais de mil dissidentes políticos.

Em seu depoimento, Gluzman diz:”Eu tinha 7 anos de idade quando Stalin morreu. Para a minha família, esse dia foi um feriado secreto. Todos choravam por que o “pai” Stálin estava morto,mas meus pais permaneceram em casa. Ficaram sentados à mesa e, a cada cinco minutos, diziam:’Por que só agora? Por que não antes?’ Eles me criaram para ser antitotalitário, mas me avisaram para manter isso em segredo. Tinham medo. Não queriam que eu terminasse na prisão”.

Em seu segundo dia no Instituto Médico de Klev, Gluzman encontrou um professor que mudou sua vida. Passou-lhe o conceito de uma psiquiatria preocupada não apenas com estudos clínicos, mas com uma busca de caráter ético.Em 1971, decepcionou-se com a profissão escolhida ao ver um colega sujeitar um adolescente rebelde a injeções de sufazina,droga que mantém os pacientes dóceis através de febres altas e dores intensas. O tratamento dispensado ao adolescente durou quatro dias, febres acima de 40º. Sempre que sua febre caia, a enfermeira lhe administrava outra injeção, caracterizando um verdadeiro quadro de tortura.

Embora inda não tivesse se tornado um dissidente de fato, Gluzman passou a ouvir as transmissões radiofônicas da Voz da América, através da qual tomou conhecimento dos abusos perpetrados contra pessoas sãs que se indispunham contra o governo. O caso melhor documentado se referia ao general Pyotr Grigorievich Grigorenko, que caira em desgraça por questionar publicamente a situação dos direitos humanos de organizações anti-stalinistas. Grigorenko foi condenado a um tratamento compulsório no Hospital Psiquiátrico Especial, em Chernyakhovsk, na região de Kaliningrado, por tempo indeterminado.

Após pesquisarem durante um ano, Gluzman e um colega coletaram uma série de evidências através de publicações não-oficiais. Contudo, foi apenas em março de 72 que se viu “promovido” de simples médico a dissidente do governo soviético. Crto dia, às 6 horas da manhã, seis homens da KGB invadiram seu apartamento e o reviraram durante horas. Embora sua mãe estivesse se recuperando de um ataque cardíaco, revistaram a cama, gavetas, lustres, escaninhos, enquanto ele e seu pai aguardavam com resignação o inevitável. Como se fora uma premonição, dias antes havia retirado do apartamento todos os samisdat – documentos proibidos, artigos e livros como os de Soljenitsin, bem como o dossiê referente a Grigorenko.

Gluzman foi levado a um dos escritórios da KGB e interrogado sobre seus estudos, documentação e amigos dissidentes. Foi acusado de manter correspondência com um americano chamado Ralph Makarov, ocasião em que começou a ser seguido. Depois de puxar pela memória, Gluzman lembrou-se de que sete anos antes, quando tinha 20 anos, havia encontrado um grupo de turistas estrangeiros durante as férias que passava com amigos. Um dos turistas era Makarov, que lhe pediu os endereços para se corresponderem no futuro. Amedrontados, todos se recusaram a fornecer seus endereços, com exceção de Gluzman, que se sentiu constrangido em não-fazê-lo. A seguir, esqueceu-se do fato, mas a KGB não.

Após o interrogatório foi liberado por não terem sido encontradas evidencias suficientes. Quando estava saindo da sala, ouviu o encarregado das investigações dizer a seus auxiliares: “Não se preocupem, daqui a pouco o pegaremos novamente”. Exatamente dois meses depois, Gluzman foi detido num ponto de ônibus, a caminho de seu trabalho. Pressentiu que aquele era um momento decisivo e que sua vida nunca mais seria a mesma. Foi levado a julgamento secreto em outubro daquele ano, acusado de agitação e propaganda anti-soviética, embora as denúncias de Grigorenko jamais tenham sido citadas no tribunal. Esse material poderia trazer problemas às autoridades soviéticas.

Tanto informantes como alguns de seus amigos testemunharam contra ele, afirmando que havia declarado não existirem direitos humanos na URSS,que o anti-semitismo era evidente, que os dissidentes eram enviados a campos de concentração políticos que a repressão da Primavera de Praga, em 1968, havia sido um erro. Embora magoado, Gluzman desculpou os amigos que testemunharam contra ele, alegando que estavam com medo e que, no fim das contas, se considerava mais feliz do que eles. Um psiquiatra, grande amigo seu, suicidou-se após uma bebedeira seguida ao depoimento.

Gluzman foi condenado a sete anos de trabalhos forçados, seguidos de três anos de exílio na Sibéria. Conversou por alguns momentos com seus pais, que não encontrava havia mais de sete meses, e foi enviado a Mordovia, campo de prisioneiros nos Montes Urais. Durante os dez anos que lá passou, conseguiu escrever um Manual de Psiquiatria para Dissidentes, em parceria com Vladimir Bukovsky, seu colega e também prisioneiro. Retornou a Kiev em 1982, após uma década de exílio. Como não tinha permissão para trabalhar como psiquiatra, passou a fazer atendimento pediátrico.

Vivendo hoje em dia em Nova Orleans[EUA], Gluzman deixou para trás aquele longo período de pesadelo. A psiquiatria dos países e nações do antigo regime soviético se vê agora confrontada com as transformações ocorridas – deixando de ser um instrumento de repressão paa se tornar uma verdadeira disciplina médica.

Passaram-se mais de dez anos desde que Gluzman foi lbertado, mas muito da velha psiquiatria ainda permanece. Georgii Morozov, ex-diretor do infame Instituto Serbski de Moscou, por exemplo, ainda mantém o títulohonorário de diretor, continuando a ser prestigiado não apenas pelos militares como pelo ministro da Saúde. Entre suas vitimas estão Valdimir Bukovsky e o generak Grigorenko.

Além desses, outros dissidentes notáveis foram dignosticados por Morozov como portadores de “esquizofrenia”, estado no qual mantinham “idéias delirantes de perseguição e de que eram grandes reformadores. Neste estado”, segundo ele, “os pacientes podem às vezes desempenhar papel dos chamados profetas patológicos e idealistas morbidamente apaixonados por suas ilusões, exercendo certa influencia sobre indivíduos mentamente sãos que, não sendo especialistas, não conseguem avaliar corretamente a condição de doença mental do indivíduo”.

[Texto da AITA – Associação Internacional de Terapias Avançadas]


domingo, 29 de novembro de 2009

A MENTE MATERIAL E A MENTE ESPIRITUAL


Todo ser humano encerra em si um EU elevado e puro e outro EU baixo e mau que, através das idades, vai crescendo e purificando-se, como tem igualmente um corpo ou mente corpórea, que é apenas uma coisa transitória que não vai além do presente dia de hoje.

O espírito está cheio de idéias sugestivas, instigadoras, e de aspirações nobilíssimas que recebe do Poder Supremo.

O corpo ou a mente corpórea considera bárbaras essas idéias e denomina tais aspirações de utopias.

A mente espiritual contém em si possibilidades e forças muito maiores, mais fortes e poderosas do que todâs aquelas que até agora tanto o homem como a mulher tem possuído e desfrutado, através de todas as eras.

A mente material ou corpórea diz-nos que só podemos viver como nas épocas anteriores viveram os nossos antepassados. O espírito só anela libertar-se das cadeias e dores que o corpo lhe impõe, ao passo que a mente física se empenha em nos demonstrar que nascemos já fadados para o mal, para sofrer, e que, quanto mais avançarmos na senda do progresso, mais sofreremos. O espírito deseja ser o seu próprio guia, tanto no caminho do bem, como no do mal, e encontrar em si próprio a direção adequada e propicia para ele.

A mente material diz-nos, pelo contrário, que devemos aceitar a mesma norma de vida até aqui seguida pelos outros, a mesma bandeira pelos outros asteada e sugerida pelo entusiasmo de opiniões rotineiras, crenças velhas e velhos preconceitos.

“Nunca mintas a ti próprio”, eis um provérbio ou rifão que freqüentemene se ouve. Porém, a quel EU se refere?

Já por diversas vezes, temos dito que cada um de nós tem em si duas mentalidades, a física e a espiritual.

O espírito é uma força e um mistério. Tudo quanto sabemos ou podemos chegar a conchecer a seu respeito é que existe e que estende a sua ação sobre todas as coisas e fenômenos da vida física, pois vemos e verificamos os resultados dela em tudo, mas muitos dos seus efeitos escapam à percepção dos nossos sentidos físicos.

O que vemos de uma coisa qualquer, árvore, animal, pedra ou homem, é apenas uma parte mínima dessa mesma coisa. Existe uma força que mantém durante um espaço de tempo mais ou menos longo, a pedra e o homem na forma e sob o aspecto em que os nossos olhos físicos os vêem, e esta força atua constantemente sobre eles, em um grau maior ou menor. É esta força que forma a flor, desde o pólen até a sua completa maturação e esplendor. Quando tal força cessa de atuar sobre a flor, sobre o homem, determina o que se chama a decadência e a morte. Esta força está transformando continua e constantemente a forma de todos os seres constituídos pela matéria organizada. Nem a planta, nem o animal, nem o homem conservam hoje exatamente a mesma forma física que tiveram ontem ou hão de ter amanhã. A esta força que está sempre ativa e que é, de certo modo, a criadora de todas as formas que a matéria apresenta aos nossos olhos, é que nós damos o nome especial de ‘espirito’.

O ver, o raciocinar, o apreciar e julgar da vida e de tudo quanto se lhe refere ou lhe é inerente, no conhecimento desta força, é o que se chama a “mente espiritual”.

Em virtude desse conhecimento, possuímos o maravilhoso poder de fazer uso desta força e dirigi-la, logo que a descobrimos e sabemos que existe, para nossa saúde, para a nossa felicidade e para a paz eterna da nossa mente. Nada mais somos do que um composto desta força e, portanto, a estamos atraindo constantemente, para ser convertida, depois, em parte do nosso próprio ser. Quanto maior a quantidade de força que o nosso organismo encerra, tanto maior será também o nosso conhecimento.

No começo da nossa existência física, deixamos essa força agir cegamente, porque ignoramos completamente essa condição especial, a que damos o nome de ‘mente material’. Porém, à medida que a mente cresce e se fortalece, torna-se mais esperta e um dia interroga-se a si própria:”por que havemos de sofrer tanto? Por que hão de ser tão grandes as nossas dores e penas? Por que parece que só tenhamos nascido para adoecer e morrer?

Esta pergunta é o primeiro grito de alerta e despertar que a mente espiritual solta. E toda interrogação feita com o firme desejo de saber, de adquirir o conhecimento da verdade, há de forçosamente ter a satisfatória resposta, um dia, mais cedo ou mais tarde.

A mente material é uma parte do nosso EU, de que o corpo se tem apoderado por ele próprio tem sido educado também. É como se disséssemos a uma criança que são as rodas de um barco que o fazem mover-se, sem nada lhe dizer nem explicar a respeito do próprio vapor, que é incontestavelmente a força motriz das rodas.

O menino educado nessa falsa idéia, quando o barco se recusasse a navegar, procuraria a causa disso nas próprias rodas. É isto justamente o que a muitos sucede, pois tem a pretensão de alcançar a saúde e o vigor dos seus movimentos só pelo fato de alimentar-se bem, isto é, muito, o seu corpo material, sem pensar que a imperfeição ou dano pode estar no verdadeiro motor, única fonte de força – a mente.

A mente material ou corpórea considera e julga tudo sob o ponto de vista físico somente, vendo apenas aquilo que em nosso próprio corpo material está contido. Em compensação, a nossa mente espiritual vê o corpo somente como um instrumento de que há de servir-se o nosso verdadeiro EU, para se pôr em contato com as coisas do mundo material.

A mente corpórea ou física vê, na morte do corpo, o fim de todas as coisas, ao passo que a mente espiritual só vê, na morte do corpo, uma nova libertação do espírito, o ato de abandonar este instrumento, já gasto ou imprestável, inútil, porquanto o espírito sabe que, embora invisível para os olhos materiais, existe sempre, como antes da morte do corpo.

A mente material julga que a força nos provém toda dos músculos e nervos, sem mesmo admitir que, ao menos em parte, ela possa provir-nos de uma fonte muito diversa e alheia a ele e fôra dele, e só nesse poder confia para agir no mundo físico, como nós confiamos também na palavra ou na pena, para nos comunicarmos com os outros homens. Chegará contudo a descobrir um dia, a mente espiritual, que o pensamento pode influir sobre as pessoas, embora se encontrem muitas milhas distantes de nós, tanto a favor como contra os nossos interesses.

A mente material não acredita que o seu pensamento seja uma coisa tão real e verdadeira como a água que bebemos ou o ar que respiramos. Mas a mente espiritual sabe, pelo contrário, que cada um dos mil pensamentos por nós formulados todos os dias, secretamente, é uma coisa real, um elemento verdadeiro que atua sobre a pessoa ou pessoas para as quais é dirigido; como igualmente sabe, também que toda matéria nada mais é do que manifestação do espírito ou força; que tudo quanto é material ou físico continuamente se está modificando de acordo com o espírito, que se exterioriza a si próprio sob a forma por nós denominada matéria.

Por conseguinte, se com firmeza, persistência e Constancia, mantivermos em nossa mente espiritual idéias de saúde, força, fortuna, ventura, e a possibilidade de readquirir ou recuperar as nossas perdidas energias, essas mesmas idéias terão a sua expressão física no corpo, providenciando de forma que nunca decaia, e não tenha fim o seu vigor, nem sequer diminua, antes aumente a acuidade de cada um de seus sentidos físicos.

A mente material acredita que a matéria, isto é, o que os nossos sentidos físicos nos fazem conhecer, é tudo ou quase tudo quanto existe neste mundo.

Do seu lado, a mente espiritual apenas considera a matéria como a expressão mais baixa e grosseira do espírito, sabendo também que ela é uma diminutíssima parte de tudo quanto existe.

A mente material entriste-se ante ao aspecto da decadência e da morte. A mente espiritual nenhuma importância liga a tudo isso, por saber que o espírito ou a força que o move tomará novamente o corpo ou a árvore apodrecida e, vivificando todos os seus elementos, com eles constituirá outra vez alguma nova forma material de vida e de beleza. A mente do corpo acredita que os únicos sentidos que o homem possui são os sentidos físicos da vista, da audição, do tato, do olfato e do paladar, porém, a mente mais elevada, a mente do espírito, sabe que ele é possuidor de mais outros sentidos por nós desconhecidos, semelhantes aos físicos, porém ainda mais poderosos e de muito maior alcance.

A mente do corpo tem sido denominada, em diversas ocasiões, “mente material, mente mortal ou mente carnal.” Todos esses termos se referem a uma spo e mesma coisa, isto é, a essa parte do nosso EU que tem sido educada no erro, pelo próprio corpo. Aquele que tivesse nascido e se tivesse educado sempre entre pessoas que acreditam ser a terra uma superfície plana e que não gira em volta do sol, acreditá-lo-ia também, tal e qual elas o acreditam.

É exatamente assim que absorvemos, durante os primeiros anos juvenis de nossa existência terrestre, todos os pensamentos das pessoas que nos rodeiam ou que mais próximas estão de nós, as quais crêem que é unicamente o corpo que constitui o seu ser e de todas as coisas julgam pelo que os sentidos lhes mostram. É isto que constitui a nossa mente material.

Vendo a mente material que se produz a decadência, a disolução e a morte em toda criatura humana, ou antes o que ela julga como tal desconhecedora do fato de que a mente espiritual ou o verdadeiro EU nada mais faz com tal processo do que abandonar um invólucro já gasto e inútil,pensa que a decadência e a morte são sempre o fim de todo ente humano, de todo organismo vivo. Por esse motivo, não pode evitar a tristeza e o desalent oriundos de semelhante erro, que preenche literalmente a maior parte de nossa existência terrestre. Um dos resultados dessa tristeza, que nasce da falta de esperança, é um espírito desassossegado que põe o Maximo em proporcionar-se todas as alegrias e os prazeres, sem ver que são justos e retos na atual existência do corpo. É este um erro enorme. Toda energia que por acaso se adquira em semelhante disposição de espírito, não pode ser, de nenhuma forma, duradoura, trazendo, além disso, consigo, em partilha, muita dor e, miséria física.

A mente espiritual ensina-nos, pelo contrário, que o prazer e a alegria são os maiores estímulos da existência. Mas estes prazeres e alegrias são muito diversos dos prazeres e alegrias apreciados pela mente material. A mente espiritual – que sempre está aberta às mais elevadas e puras idéias da vida – ensina-nos que existe uma lei que regula o exercício de cada um dos sentidos psíquicos e, quando conhecemose seguimos fielmente esta lei, diminui a fonte das nossas dores até estancar-se totalmente, e aumenta a dos nossos prazeres, que crescem tanto mais, quanto mais cresce a observância da dita lei.

Por ‘mente espiritual’ compreendemos uma visão mental muito mais nítida e clara das coisas e forças existentes, ao mesmo tempo, em nós e no Universo, e das quais a Humanidade tem vivido até agora na maior ignorância.

Atualmente, chega até nós um diminuto vislumbre destas forças e, embora a sua claridade não seja muita, ela tem sido suficiente para convencer a alguns de que as causas reais e verdadeiras da dor humana foram ignoradas nos tempos antigos. Na realidade, a Humanidade tem sido como aquêles meninos que acreditam ser o moleiro de quem, do interior das velas, mói o grão, porque alguém lhe disse isto. E até que não se lhes diga o contrário, os meninos estarão na completa ignorância de que é o vento que faz girar o moinho.

Não se imagine que este exemplo seja uma imagem exagerada da ignorância dos homens, a qual repele a idéia de que o pensamento é um elemento que nos rodeia por todos os lados constituindo uma força propulsora tão potente como o próprio vento, com a diferença que, dirigida às cegas pelos homens, no domínio da mente material e da ignorância, fez girar as velas do ‘moinho humano’ em direções diversas, ora boas, ora más, proporcionando uma vezes resultados magníficos e outras vezes verdadeiros desastres.

O corpo não é constituído dos trajes que ele usa e, contudo, a mente material raciocina como se assim fosse. Não conhece que ele nada mais é do que uma espécie de roupa para o espírito, pela ignorância em que está de que o corpo e o espírito são duas coisas inteiramente diversas, julgando assim que é o corpo aquilo que apenas constitui o homem e a mulher. E quando esse homem e essa mulher caem acabrunhados pelos sofrimentos morais e físicos, empregam todos os seus esforços em refazer o ‘vestido’ em farrapos, sem se lembrarem de restaurar e reforçar antes a força interior, o verdadeiro fabricante da roupa.

Não há provavelmente, duas individualidades em quem a mente corpórea e a espiritual operem e raciocinem exatamente da mesma forma. Em alguns parece não te despertado ainda a mente espiritual. Emm outros começa já a entreabrir os olhos como os nossos olhos físicos fazem, quando despertamos, aparecendo-nos todas as coisas vagas e indistintas. Outos estão quase completamente acordados e sentem que, em volta deles, existem certas e determinadas forças em que nunca tinham pensado, embora se servissem delas. Nestes, já está travada a luta pelo predomínio entre a mente espiritual e a corporal, luta que, algumas vezes, pode ser acompanhada de grandes perturbações físicas, dores fortíssimas e absoluta carência de tranqüilidade de espírito.

A mente corpórea, enquanto não foi subjugada e totalmente vencida e convencida da verdade, é sempre recebida pela mente espiritual de lança em riste e em tom de desafio.

A parte ignorante de nosso EU opõe uma resistência hecúlea a despender-se dos seus modos habituais e rotineiros de pensar; e em cada caso tem o espírito de travar uma renhida batalha para nos induzir firmemente à convicção e libetação de um erro qualquer estabelecido.

A mente física só deseja seguir sempre os caminhos rotineiros de suas idéias cediças. Quer fazer e continuar sempre a fazer apenas o que tem feito, o que seus antepassados fizeram. É isto oq eu sucede atualmente à imensa maioria dos homens, e, à medida que os anos passam, mais espêssa e dura se torna a crosta de seus velhos pensamentos e, portanto, maior dificuldade encontra em se modificar ou renunciar às suas velhas e errôneas crenças.

Quer e deseja viver sempe na casa onde longos anos tem vivido, vestir segundo seus antigos hábitos, i aos seus negócios ou ocupações e voltar cotidiniamente à sua casa à mesma hora, e isto durante anos e anos.

Ao chegar a certa idade nega-se absolutamente a aprender qualquer coisa de novo e até chega a menosprezar todas as artes, como a música, a pintura e outros trabalhos artísticos que muito contribuíram não sópara o distrair, mas também para lhe robustecer a mente espiritual, proporcionando-lhe o repouso necessário, sem mencionar o prazer que o espírito sente em ensinar ao corpo maior habilidade, destreza e aptidão para uma profissão ou ofício.

No exercício de qualquer arte,a mente corpórea apenas sabe ver o meio de ganhar dinheiro e nunca de tornar aprazível e variada a existência, destruindo toda a fadiga e repousando, assim, a parte da inteligência dedicada aos negócios ou preocupações habituais, aumentando, deste modo ou destarte, a saúde e o vigor do espírito e do corpo. A mente material mantém fixa a idéia, à medida que o corpo avança em idade, que já demasiado velho para aprender. É isto o que dizem muitíssimas pessoas antes de terem chegado ao que chama meia-idade, aceitando como incontestável e invencível a idéia de se irem fazendo velhos.

A mente material diz-lhes que o seu corpo se irá debilitando gradualmente, perdendo, pouco a pouco, as forças juvenis até chegar, por fim, à morte.

A inteligência ou mente corpórea diz que sempre assim tem sido e, portanto, assim será sempre também no futuro, e aceita esta idéia sem sequer discuti-la ao menos. “Isto tem de ser assim”, diz ela, com plena inconsciência do que diz.

Dizer que uma coisa há de ser é a maior força que se pode por em ação para que se realize. A mente material vê que o corpo corre para uma decadência gradual, lenta por vezes, é certo, porém inevitável. E embora trate, de quando em quando, de afastar esse espetáculo da vista, a idéia reaparece uma vez ou outra, como sugestionada pela morde de seus contemporâneos, o que nela desperta a idéia de que há de ser; e este estado mental suscitado por essa frase é o que determinará a inevitável decadência física.

O espírito, ou antes, a mente melhor inspirada diz: - “Quando alguém sentir que está entrando no caminho da fraqueza ou decadência, dirija o seu pensamento, com toda a energia que lhe for possível, para idéias de saúde, bem-estar e vigor; pense em coisas mateiais alegres, saudáveis, animadoras, que encerram tais idéias; por exemplo, nas encasteladas nuvens, na fresca brisa, nas espumante cascata, nas tempestades do oceano, no bosque de robles seculares ou pássaros que, nos viridentes ramos, soltam alegres e harmoniosos gorgeios, cheios de vida e de movimentos.”

Agindo assim, atrairemos uma positiva e verdadeira corrente de vida e saúde, encerrada nas coisa materiais aqui mencionadas e outras semelhantes. E, acima de tudo isso e com isso, se aprende a confiar no Poder Supremo que formou todas essas belas coisas e muitas mais, o que constitui a infinita e imortal parte do nosso EU mais elevado, isto é, a nossa mente espiritual; à medida que a nossa fé no dito Poder aumente, aumentarão também as nossas forças.

Responde a mente material:”Isto é um absurdo! Se o meu corpo está doente, devo procurar curá-lo com coisas materiais que possa ver e senti; isto é, e só isto, o que tenho a fazer. Quanto ao pensamento, é indiferente pensar na enfermidade ou na saúde.”

Pode acontecer que qualquer mente que comece a despertar e sentir toda a força destas verdades, permita em muitos casos, que a sua própria mente material ridicularize e menospreze alguma destas idéias, sendo coadjuvada por outras mentes espirituais, ainda não despertas também de todo a estas verdades e em quem a ‘ignorancia’ é a força mais positiva e nela radicda transitoriamente.

Há pessoas que, com um telescópio na mão, não vêem tão longe quanto outras podem ver, sendo possível, por esse motivo, que elas duvidem, de boa-fé, ser verdade o que as outras dizem ver. Embora tais pessoas não digam nem desmintam as crenças de quem já tem a mente mais desperta e esclarecida,nem por isso deixa de atuar o seu pensamento como uma barreira ou cortina que intercepta a luz da verdade e a impede de chegar aos seus olhos.

Porém, quando a mente espiritual começou uma vez a despertar, nada pode deter o seu acordar definitivo. Só a ação da matéria pode retardá-lo mais ou menos.

“o nosso verdadeiro EU pode não se encontrar onde se encontra o nosso corpo. Ele está sempre onde está o nosso pensamento – no negócio, no escritório, na oficina ou junto de alguém para quem nos sentimos atraídos pelos laços de afeto ou de rancor, e ainda em lugares muito afastados do ponto aonde se encontra o nosso corpo. O nosso verdadeiro EU move-se com a mesma inconcebível rapidez com que o faz o nosso pensamento.”

E a mente material diz: “Isto é um absurdo. O meu EU está sempre onde o meu corpo se encontra e em nenhuma outra parte.”

Muitos dos pensamentos ou idéias que repelimos às vezes como impossíveis ou filhos de pura fantasia, são apenas procedentes da mente espiritual, e é a ‘mente fisica’ quem a repele e menospreza.

Não nos ocorre idéia alguma que não encerre em si mesma alguma verdade; o que sucede é que nem sempre somos capazes de descobri-la e compreende-la de um modo perfeito. Há alguns séculos ou talvez ml anos que um homem pôde ter concebido a idéia de que o vapor existia como fonte de força e poder inestinguíveis. Era necessário, para isso, produzir um certo progresso – progresso na manufatura do ferro, na construção de estradas e nas necessidades criadas pelos homens. Mas isto não impede que a idéia de aproveitar o vapor como orgem de força, não fosse uma verdade. Mantida esta verdade, uma série de mentalidades acabou por trazer as aplicações do vapor à sua presente e relativa perfeição, para o que a dita idéia teve que lutar contra as negações e obstáculos que iam lançando em seu caminho e mentes materiais, cegas e grosseiras.

Quando uma idéia qualquer nos ocorre, e dizemos a nós próprios: “Bem,eis aqui uma coisa que poderia ser muito boa, embora não veja, neste momento, como possa acontecer”,deitamos por terra uma grande barreira, abrindo um largo caminho para a realização das mais novas e extraordinárias possibilidades em nós latentes.

A mente espiritual sabe hoje que possui, para conseguir toda espécie de fenômenos sobre o mundo físico, um poder muito maior do que a maior parte das pessoas pensa, e vê que, a esse respeito, o mundo se acha imerso nas mais densas trevas da crassa ignorância.

Todavia o homem espiritual conhece já o caminho a seguir para conseguir uma saúde perfeita, para se libertar da decadência e ainda da morte física, para se transladar de um ponto a outro e observar quanto quiser, inteiramente independente do corpo e para conseguir todas as coisas materiais de que tenha necessidade ou desejo, mediante somente a ação da prece ou súplica silenciosa em comum com os outros homens[*] ou isoladamente.

A condição mental que mais devemos desejar é o completo domínio da mente espiritual. Isto porém não significa que a mente material ou corpo deva ser inteiramente e em toda ocasião martirizado pelo espírito; significa apenas que a sua resistência e oposição aos impulsos do espírito tem de ser vencidas. Nada mais significa senão que a mente material ou o corpo não deve empenhar-se em predominar sobre o espírito, quando, na realidade, ela constitui somente a parte inferior da personalidade humana. Pelo “predominio do espírito” esse especial estado em que o corpo coopera de boa vontade e alegremente em todos os desejos da mentalidade espiritual.

É então que o espírito poderá gozar de todas as suas faculdades e poderes, pois não terá de desbaratar nenhuma porção da sua força em vencer a hostilidade da mente material.

Podemos, então, empregar todas as nossas energias na empresa que deve ou há de trazer-nos toda espécie de bens materiais, aumentando cada vez mais as nossas potencias, a nossa paz e a nossa felicidade, até chegar à realização do que hoje, decerto, seria tido por milagre.

A mente material ou física nunca se deve misturar com a espiritual em coisa alguma do se possa referir às privações ou castigos que a nós próprios infligimos, por pecados ou faltas cometidas. Bastaria só esta mistura para nos levar a convertermo-nos em verdadeiros fanáticos, em homens inexoráveis e sem piedade, tanto para conosco como para com o próximo. Esta grande e indubitável perversão da verdade tem dado origem a frases cruéis, tais como estas: crucificar, subjugar o corpo, martirizar a carne. Foi desta mesma perversão ou má compreensão da verdade que brotaram essas ‘ordens religiosas’ ou associações de homens e mulheres que, caindo ao extremo do exagero, procuram a santidade na privação de todo conforto e no próprio martírio.

A palavra “santidade” significa ação integral do espírito sobre o corpo, mediante o conhecimento, a fé profunda em nossa capacidade para atrairmos o auxilio do Poder Supremo, em maior proporção de dia para dia.

Quando perdemos a paciência conosco, quando não nos podemos suportar a nós próprios – devido às repetidas investidas e ataques da mente material ou por nossos freqüentes delitos e recaídas nos pecados que nos assediam ou por vivermos em determinados períodos de irresistível intemperança – nenhum bem faremos em nosso favor pensando sempre mal de nós e apostrofando-nos com os piores epítetos.

O homem nunca deve chamar-se a si próprio: mísero pecador, e ainda menos com maior energia e intensidade do que chamaria os outros. Ao pronunciar esta frase, materializamos a idéia nela contida e, pelo menos temporariamente, convertemo-la em realidade.

Se muito freqüentemente pusermos diante de nosso espírito a visão de sermos um miserável pecador, o que inconscientemente faremos é que essa visão se converta em um ideal que, de dia para dia, se robustecerá cada vez mais, produzindo-nos grave dano, até obrigar-nos a retroceder no caminho do nosso progresso, o que nos arruinará o nosso próprio corpo. Porque, após esse estado mental que tem sido preconizado nos tempos passados, vem sempre a dureza de coração, a hipocrisia, a falta de caridade pelo próximo, a misantropia e a mesquinha concepção da vida – estados mentais próprios apenas para nos trazerem toda espécie de enfermidades físicas.

Quando a mente material permanecer no sítio quelhe corresponde, ou antes quando nos convencermos da existência verdadeira desta força espiritual, dentro e fora de nós ao mesmo tempo, e quando aprendermos a fazer uso dela com ‘retidão’ – pois de alguma forma temos usado dela em todos os tempos – compreenderemos então as palavras de Paulo:”A morte absorvida na vitória”, e o pavor e a aflição da morte desaparecerão. Então se converterá a vida em uma marcha triunfal, caminhando do prazer de hoje aos prazeres vindouros; e a palavra VIVER significará somente ALEGRIA.

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Notas:
[*] Bases do Circulo Esotérico da Comunhão do Pensamento.

[Texto retirado do, Volume 4º, Capitulo 5º do Livro Nossas Forças Mentais, pg. 43/54 de Prentice Mulford, Editora “O Pensamento”.


VIAGEM ATRAVÉS DO TEMPO – SERIAM OS ETs PROCEDENTES DO FUTURO?


Na Teoria da Relatividade Geral de Einstein, o tempo num determinado local se acelera e desacelera quando se passa por corpos de grande massa, como estrelas e galáxias. Ao se aproximar do Sol, por exemplo, uma nave estraplanetária teria deformado o tempo medido em eventual relógio em seu interior. Desta mesma forma, um segundo na Terra não é o mesmo que um segundo em Marte. Se pudéssemos espalhar relógios pelo universo, notaríamos que eles se movimentam a velocidades diferentes, nos diversos pontos onde se encontram. E ao praticar navegações por distintos pontos do cosmos, um veículo estaria sujeito a inúmeras variações no transcorrer de seu tempo, conforme se aproxima ou distancia de corpos de grande massa.

A pergunta que fica no ar, então, é: seres pertencentes a uma tecnologia mas avançada teriam como tirar proveito disso para fazer viagens espaciais? Aparentemente, sim. Boa parte dos ufólogos da atualidade acredita que nossos visitantes extraterrestres têm capacidade de vencer grandes distancias através do uso calculado de conceitos que envolvem a manipulação do tempo. Os elementos essenciais para isso estão espalhados pelo universo e são justamente as estrelas, os buracos negros e, mais recentemente descorbertos, os buracos de minhoca [Do inglês wormholes]. Estes seriam, a grosso modo, a ligação de dois ou mais buracos negros, interligando distintas e as vezes longínquas posições do universo – ou de vários universos.

Em 1935, Einstein e o cientista Nathan Rosen deduziram que a solução das equações da relatividade geral permitia a existência de “pontes temporais” no cosmos, originalmente chamadas de Pontes de Einstein-Rosen. Correntemente, são os conhecidos buracos de minhoca, que receberam esse nome em virtude de terem imaginariamente formas irregulares, tais como canais. Estas pontes uniriam distantes regiões do espaço-tempo e, viajando-se através de uma delas, poder-se-ia mover mais rápido do que a luz viajando pelo espaço-tempo normal. Os buracos de minhoca seriam poderosos atalhos que encurtariam distâncias astronômicas.

Antes da morte de Einstein, o matemático Kurt Gödel, que também trabalhava na Universidade de Princenton, teria encontrado uma solução para as equações da relatividade geral que, em tese, permitiram a viagem através do tempo proposta por seus antecessores. Esta solução mostrava que o tempo poderia ser distorcido pela rotação do universo, gerando ‘redemoinhos’ que possibilitariam a alguém, movendo-se na direção de tal rotação, chegar ao mesmo ponto no espaço, mas atrás no tempo. Antes de Gödel, no entanto, Einstein havia concluído que, como o universo não está em rotação, a solução de Gödel não se aplicava. Estava criado um impasse, até que, em 1955, o físico norte-americano John Archibald Wheeler cunhou o termo buraco negro. Ele escerveu um artigo sobe geometrodinâmica mostrando que as pontes de Einstein-Rosen poderiam ligar não somente distintas regiões do universo, formando um túnel de espaço-tempo, mas também universos paralelos.

Em 1963, o matemático Roy Patrick Kerr, da Nova Zelândia, encontrou outra solução nas equações de Einstein para um buraco negro em rotação. Nesta solução, tecnicamente, tal buraco negro não colapsa para um ponto, ou para o que os cientistas chamam de “SINGULARIDADE” como previsto nos estudos anteriores. Ele concentraria sua ação num gigantesco anel de nêutrons em rotação.Em termos mais simples, um anel desse gênero teria um equilíbrio gravitacional, através de forla centrífuga, que impediria um colapso que o encerraria em si mesmo. É muito difícil conceber de forma mental como isso se daria, mas cientistas chegaram a equações matemáticas de grande complexidade que garantiriam, em tese, que o anel formado seria um redemoinho que conectaria não somente regiões do espaço, mas também regiões do tempo, como um buraco de minhoca. Apropriadamente empregado, tal redemoinho poderia ser usado como uma máquina do tempo.

Nossa ciência tem conhecimento disso apenas teoricamente, com algum respaldo em observações astronômicas através de telescópios óticos e radiotelescópios. Outras civilizações mais avançadas poderiam ter maiores e mais complestas informações a respeito, usando-as de uma forma prática que, entre outras coisas, as permitiriam usar as próprias forças naturais do universo em seu favor. Segundo nossos conhecimentos a respeito dessa área da astronomia – já apelidade de opináutica [ De opi, que significa buraco + náutica, que se usa para navegação] -, a maior dificuldade para o uso dos buracos de minhoca como máquina do tempo é a energia necessária para sua operação, que teria que ser de uma quantidade fabulosa. Seria preciso usar a energia nuclear de uma estrela, ou a proveniente da operação com antimatéria, para se lograr êxito na empreitada. E essas são apenas conjecturas teóricas sobre as quais temos pouco ou nenhum conhecimento.

O segundo problema que se enfrentaria é falta de estabilidade do sistema. Um buraco n egro em rotação pode ser instável, se excreta massa. Efeitos quânticos também podem acumular-se e destruir o redemoinho. Na verdade, a teoria prevê que os redemoinhos ou buracos de minhocas sobrevivam somente uma fração de tempotão curta que nem a luz conseguiria atravessá-lo. O outro grande problema para se usar um buraco negro ou de minhoca como ponte entre dois locais é que a força desses objetos estelares seria tão grande que despedaçaria qualquer corpo que se aproximasse de suas redondezas, primeiro sugando-o ao seu interior e, uma vez lá, exercendo sobre ele uma pressão descomunal. Portanto, embora teoricamente possível, uma viagem no tempo não é praticável.

AUMENTO DE MASSA _ O postulado fundamental da TEORIA DA RELATIVIDADE de Einsteins, que até os dias de hoje se mantém como padrão de entendimento na área, é de que o limite universal de velocidade é a que a luz atingiria em sua propagação no vácuo, algo pouco menor do que 300 mil km por segundo. Para se ter idéia dessa grandeza e das distâncias que envolvem os corpos estelares, se o Sol se extinguisse neste instante, sua luz ainda brilharia sobre a Terra por pouco mais de oito minutos, que é o tempo necessário para que viaje da posição onde está nossa estrela-mãe até nosso planeta. Ao extinguir-se, os últimos raios do Sol precisariam dos tais minutos para atingir a Terra. Isso equivale a dizer que cada instante em que recebemos a luz e o calor solares, eles já tem oito minutos de duração viajando pelo espaço.

A estrela mais próxima da Terra, fora do Sistema Solar, é Alfa da Constelação do Centauro, que está a pouco mais de 4,4 anos-luz da Terra. Seu brilho, portanto, precisa de quatro anos e alguns meses para atingir nosso planeta. Se num determinado instante a estrela deixar de existir, talvez por uma explosão, por exemplo, só perceberemos o fato quase meia década depois, porque a luz que ela emitiu antes de extinguir-se ainda estaria chegando à Terra. Isso à fantástica velocidade de 300 mil km por segundo. Em sua trajetória, ao passar por corpos de grande massa, poderia sofrer alterações, cujos impactos estãos sendo estimados por astrônomos.

Qualquer corpo do universo, quando acelerado, tem sua massa inercial aumentada em função da velocidade atingida. Assim, quanto maior a velocidade do corpo, maior a massa inercial, o que implica que será necessário muito mais energia para fazê-lo acelerar e, conseqüentemente, desacelerar. Em outras palavras, para fazer a velocidade de um corpo aumentar até 100 km/h, por exemplo, gasta-se muito mais energia do que para acelerar um corpo a 10 km/h, ou mais ainda para outro que esteja a 1km/h. Assim, para corpos que estejam próximos à velocidade da luz, a quantidade de energia necessária para aumentar sua velocidade é absurdamente alta, algo quase inimaginável.

Já a relação da velocidade com o tempo é inversa. Quanto maior a velocidade de um determinado corpo em movimento, mais lentamente o tempo passa para ele. Daí o exemplo clássico da Astronáutica: um pai que viaja numa espaçonave, próximo à velocidade da luz, quando volta ao ponto de partida estará mais novo do que o filho que ficou na Terra. Assim, a velocidade do fluxo de tempo é tanto mais lenta quanto maior a velocidade do corpo, de forma que, à velocidade da luz, esse fluxo de tempo seria nulo. Mas, ainda assim, por mais que isso fosse um benefício para quem gostaria de viajar a velocidades supralumínicas [acima da luz], ainda haveria o impasse da fabulosa quantidade de energia necessária para acelerar o corpo a tal velocidade, para que se pudesse usufruir de um retardamento no envelhecimento de quem estivesse dentro da nave espacial. Pode-se chamar de velocidade de fluxo de tempo a relação entre o fluxo de tempo propriamente dito no corpo em movimento e o fluxo de tempo no referencial que se toma por base - aquele que fica parado com relação ao qual medimos nossa velocidade. Assim, se relativamente ao fluxo de tempo no referencial, para cada segundo transcorrido, o tempo decorrido no corpo em movimento fosse de 0,5 segundo, a velocidade de fluxo de tempo seria de 0,5 – 0,5 segundo para o corpo em movimento, dividido por um segundo no referencial.

VELOCIDADE DA LUZ _ A constatação que se pode fazer a partir daí é bastante interessante: quando o corpo está em repouso, sua velocidade no espaço é mínima ou nula, e sua velocidade de fluxo de tempo é máxima. Ou seja, para cada segundo que se passa no referencial, passa-se um segundo para o corpo. Dessa forma, quando o corpo está à velocidade da luz, algo apenas imaginário para o ser humano, sua velocidade no espaço é máxima e sua velocidade de fluxo de tempo é mínima. Portanto, poder-se-ia dizer que o delocamente de um segundo no tempo equivale a um deslocamento no espaço de 300 mil km. A viagem para o futuro, em tese, é perfeitamente possível segundo a já citada Teoria da Relatividade. Fazendo-se aumentar a velocidade de um corpo, o tempo passará mais vagarosamente para ele em relação ao referencial de partida. Assim, para cada segundo que se passa para o corpo, passará um segundo e mais alguma coisa para o referencial parado. Esse “mais alguma coisa” pode ser uma fração do valor total. A velocidade do corpo, nessa interpretação da teoria de Einstein, determinará a “velocidade” da viagem no tempo.

E se chegar a dois-terços da velocidade da luz, para cada segundo que passar para o corpo, passará 1,34 segundo para o referencial. Assim, ao final de 10 anos de viagem, o corpo em viagem pelo universo terá se “adiantado” no tempo em mais de três anos. Embora complexas para o leitor, estas constatações são matemáticas e precisas. Infelizmente, nada podemos fazer para testá-las na prática...

De qualquer forma, seguindo a mesma analogia, para fazer o corpo ganhar velocidade é preciso a ação de uma força descomunal para acelerá-lo. E quanto maior a velocidade que se deseja atingir, maior terá que ser a força a ser empregada, devido ao aumento da massa inercial,como já foi colocado anteriormente. Isso significa que mais e mais energia será necessária para continuar a aceleração ou manter a velocidade atingida. Segundo a conhecidíssima formula de Einstein, a energia que o corpo absorve, com o aumento da massa inercial, é definida por sua clássica fórmula, E=m.C2, onde E é a energia necessária, m é a massa considerada e C2 é a velocidade da luz elevada ao quadrado. Matematicamente falando, a energia necessária para acelerar um corpo até certa velocidade é sempre a mesma. Entretanto, a força produzida pela energia é que determina a aceleração, e assim, se a energia for aplicada lentamente, o corpo demorará bastante até chegar à velocidade desejada. Desta forma, o fluxo de energia também pode influir no tempo gasto na hipotética viagem ao futuro.

VIAGEM AO PASSADO_ E para o passado, é possível viajarmos? Será um dia, mas certamente não tão ‘simplesmente” quanto viajar ao futuro. O raciocínio que geralmente se faz, relativamente aos efeitos do aumento da velocidade quando se atinge velocidade supralimínicas, é incorreto. Ainda que se ignore a impossibilidade de se ultrapassar a velocidade da luz para viajar ao futuro, não podemos usar a mesma lógica para viajar ao passado. Um imaginária jornada à Antiguidade, por exemplo, seria uma impossibilidade mesmo segundo o avançado postulado de Einstein ou aqueles dele derivados. Mesmo que a velocidade de um veículo fosse maior do que a da luz, ele não seria levado ao passado. Na realidade, o corpo teria seu tempo, retrocedido e uma pessoa em seu interior, por exemplo, ficaria mais nova. Mas não haveria o retrocesso do próprio tempo.

A menos é claro, que se descubra no futuro alguma condição que permita rever aquilo que Einstein tão brilhatemente descobriu, um teoria sobre a qual cientistas das mais diversas áreas, há décadas, se debruçaram para ampliar ou modificar. No entanto, a julgar pelo fato de que, num dado momento de nossa história, surgiu um Albert Einstein para criar um “regulamento” que permitia ao homem sonhar com viagens no tempo, talvez possamos soltar nossa imaginação e esperar que essa mesma história nos presenteie com outro ser com seu brilhantismo e intuição, que nos dê mais respostas às perguntas que tanto nos inquietam. Essa nossa trajetória histórica, que contemplamos neste instante, por já ser algo concreto para outras civilizações mais avançadas, que estiveram e resolveram os problemas que hoje nos retém ao nosso próprio tempo.
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[Texto de Sheyllah Salles Pires]

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VIAGENS ATRAVÉS DE BURACOS NEGROS
A idéia de que espaçonaves podem navegar rapidamente através do universo usando buracos negros como portais de alta velocidade é um antigo clichê da ficção cientifica. Mas, ultimamente, o consenso entre cientistas é que buracos negros são tão destrutíveis que espaçonaves seriam transformadas em migalhas subatômicas se seus pilotos tentasse usá-los. Então, novamente, talvez não seja a hora de se falar no assunto. Mas, de qualquer maneira, um novo estudo da Universidade de Utah, dirigido pelo físico Lior Burko, um israelense de 34 anos, levanta a possibilidade de que esses corpos celestes não destruiriam as coisas que a ele se acercariam. Assim, o potencial de viagem pelo hiperespaço permanece em aberto.

“É uma possibilidade real que os buracos negros possam ajudar-nos a viajar a locais remotos do universo, ou a outros universos”, disse Burko. Para ele, isso dependeria da topologia do universo, algo que não conhecemos bem. “Não estou discutindo se é uma coisa prática ou não, mas, talvez daqui a mil anos, com certeza será mais simples”. No esquema de Burko, buracos negros podem ser portais para outros buracos, os de minhoca. Estes seriam construções teóricas equivalentes a túneis ou atalhos entre pontos distantes do universo, que se distinguiriam em diferentes tempos ou mesmo em diferentes universos paralelos.

As idéias de Burko não são novas. Buracos de minhoca foram popularizados pelo físico Kip Thorne, nos anos 80. Eram o meio de transporte interestelar da série “Contato”, de Carl Sagan. Mas estudos subseqüentes sobre eles sugeriram que seria impossível utilizá-los como portais. O interior dos buracos negros são infinitamente densos, de maneira que eles exerceriam destruição maciça a corpos que nele adentrem. “Seriam como marés distorcendo objetos que se aproximem, rasgando-a em suas partículas subatômicas”, disse ainda Burko.

Curiosamente, é o interior infinitamente denso destes misteriosos corpos celestes que dá a eles seu potencial para facilitar viagem no tempo e espaço. Dentro de um buraco negro, o tecido do universo entra em colapso num ponto de curvatura infinita, conhecido como “singularidade” tempo-espaço, onde as leis da física não se aplicam mais. É o equivalente a dizer que um buraco negro altera a estrutura do universo de forma irreversível. E há muitos por aí. Quando se interligam, formam canais que são os tais buracos de minhoca [Do inglês wormholes]. É através desses canais que, teoricamente, uma nave interplanetária suficientemente resistente à gigantesca pressão viajaria de um ponto a outro do universo. Um atalho e tanto.

Foi o mesmo que Burko quem recentemente sugeriu que alguns buracos negros podem ser tão destrutivos como outros.”Sob certas circunstancias, podem até agir como aberturas para buracos de minhocas”. Seus trabalhos anteriores comprovaram que singularidades mais fracas estão presentes em buracos negros de uma espécie peculiar, os rotativos. Num artigo publicado na revista Physical Review Letters, o cientista alega que, sob certas circunstâncias, podem existir singularidades híbridas, compostas de um setor forte, que é destrutivo, e um setor fraco, que não é. Qualquer astronave que entrasse no setor fraco poderia, em tese, passar através dele sem ser danificada. Para isso seria necessário um grande equilbrio e controle por parte de seus eventuais pilotos. Tudo é teórico, é claro, mas a possibilidade de uma singularidade fraca, se confirmada, aumenta o potencial para se usar buracos negros para viagem interestelares.”No momento, este tipo de viagem pelo hiperespaço não está descartada”, disse Burko.

Já o físico Richard Gott, autor de Time Travel in Einstein’s Universe [Viagem no tempo num universo de Einstein], disse que hipóteses como essas abrem possibilidades interessantes. “Uma singulardade fraca pode ser um atalho do atalho. Acertá-lo representa pular para uma nova região do tempo, algum lugar muito distante ou talvez outro universo”. Burko acrescenta que sua teoria se baseia em presunções não provadas, e que mais trabalho deve ser feito.Ele diz que pouco é sabido sobre a gravidade quântica – casamento da física quântica com a teoria clássica da gravidade – e que leis físicas ainda não conhecdas podem tornar viagens hiperespaciais impossíveis.

“E mesmo a idéia de viagens como essas sejam possíveis, fazê-lo ainda está longe de nossas capacidades”. Para exemplificar isso, Burko disse que um buraco negro no centro da Via Láctea pode ser um candidato a portal interestelar, mas está a 26 mil anos-luz de distância de nós. Mesmo viajando a velocidade próxima à da luz, o que é impensável,levaria ainda 30 mil anos para chegarmos até esse portal.
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[Texto elaborado pela Equipe Ufo a partir de noticias e informações traduzidas por Pedro Paulo Luz Cunha]