quinta-feira, 8 de outubro de 2009

OS CÁTAROS


Muito se tem ouvido falar sobre OS CATÁROS ou ALBIGENSES, sem, contudo, saber-se o que significam exatamente tais termos.

A palavra “ Cátaro”, que significa “ puro”, foi utilizada pela primeira vez no ano de 1030 DC, para denominar um grupo de pessoas da cidade de Montefeltro, na Itália; a palavra “Albigenses” era utilizada para denominar um grupo de pessoas residentes na cidade de Albi, também na Itália.

Eram – todos – cristãos, mas que professavam crenças não aceitas pela Igreja de Roma. Discordavam da Igreja cristã de Roma, pois tinham como Doutrina a GNOSE do tipo ASCÉTICO, derivada do MANIQUEISMO. O Maniqueísmo, doutrina proposta por Manes Mani, com evidentes bases retiradas do Zoroatrismo, foi um grande movimento esotérico da Igreja Cristã primitiva.

Os Cátaros acreditavam em um Deus único, tendo ele criado todas as coisas de forma dual;acreditavam na reencarnação e praticavam uma moral rígida, devendo evitar todo tipo de pecado. Chamavam-se, a si próprios, de “Os Perfeitos”. Não acreditavam na presença de Cristo na Hóstia. O Papa Inocêncio III não poderia admitir tais “heresias” e lançou, dessarte, contra os Catáros, um anátema fulminante.

Embora o catarismo fosse bastante difundido na Itália, foi na França, na região de Carcassone, onde se falava a LANGUEDOC, que o catarismo foi mais intenso.

Os combates entre as forças do Papa e os Cátaros se iniciam; na França, no Castelo de Montségur, os Cátaros resistem bravamente. Raymond de Perelle, Conde de Foix, Castelão de Montségur, resiste a todos os ataques.

Em março de 1243 parte a expedição punitiva final, sob o comando de Huges d’Arcis, Senescal de Carcassonne, tendo ao seu lado Pedro Amiel, Arcebispo de Narbonne e Durand, Bispo de Albi. Os Cátaros resistem;o Castelo de Montségur é sitiado; surge, então, a figura de uma das filhas de Raymond de Perelle. ESCLARMONDE DE FOIX, que, com bravura inaudita, incita os Cátaros à resistência.

Em 1244 cai a Fortaleza rebelde. No dia 16 de março de 1244, todos os sobreviventes são queimados, ao lado das ruínas de Montségur. Duzentos Cátaros, dentre homens, mulheres e crianças, são lançados à fogueira. Oficialmente, o Cátarismo terminou aí, sendo certo, contudo, que continuou a existir na Europa, mas, subpreticiamente.

Passemos, agora, ao ano de 1968DC, em uma pequena cidade, próxima à cidade de Bristol, na Inglaterra: por puro acaso, se bem que saibamos que o acaso não existe, um médico que havia anos dedicava-se a estudos esotéricos intensos – Arthur Guirdham – vem a conhecer uma moça do local; uma moça simples, sem dotes de erudição. Chamava-se ela Senhorita Mills. Pela sua espontaneidade e pureza,o médico e sua esposa simpatizam imediatamente com ela. Nasce daí uma grande amizade. Certo dia, a Senhorita Mills perguntou ao Dr Guirdham o que significavam as palavras “Raymond” e “Albigenses”, pois tais palavras lhes vinham, continuamente à consciência. Esclareceu que lia muito pouco, afastando-se de imediato a hipótese de tê-las lido em algum livro. Ela não se interessava por nenhum assunto histórico ou parapsicológico, mas acreditava na reencarnação. Fazia anos, tinha sonhos que a aterrorizavam. Em um dos sonhos, fugia de um Castelo Medieval, situado sobre um monte; em outro, via-se descalça, sobre um tablado de madeira coberto de lenha, que, em certo momento, transformava-se em uma fogueira. À sua volta, entre as chamas, via uma multidão de pessoas.

Um dia, pediu a Arthur para que lhe examinasse o flanco, posto que sentia fortes dores, que imaginava serem musculares. Arthur, ao examiná-la, percebeu estupefato no flanco da moça, sinais de queimaduras, como se recentes, mas secas e solidificadas. Disse-lhe então que tais cicatrizes, a seu ver, tinham relação com os seus sonhos com a fogueira. A Srta. Mills respondeu-lhe que durante uma breve viagem que fizera à França, sentiu-se inclinada, sem explicação aparente, a sair do trajeto inicial para visitar uma localidade denominada Carcassonne; ao ver o local, sentiu prazer, mas, ao mesmo tempo, sentiu angustia.

Note-se que, àquela altura, a Srta. Mills ignorava completamente o que fosse o catarismo e a sua tragédia. A partir daquela conversa com Arthur, a Srta. Mills passou a encontrar, quase todos os dias, ao acordar, em um bloco de papel que mantinha sobre o criado-mudo, estranhas ‘mensagens’ de cunho esotérico ou filosófico. Demorou para compreender e acreditar que ela as tivesse escrito durante o sono; a caligrafia era incerta, mas, inequivocamente, a sua. Embora ignorasse História antiga, começava a ter lembranças da Idade Média, e, principalmente, da Língua d’Oc. Posteriormente, nas anotações, surgiram nomes e localidades italianas:Sorano, Desenzano, Brescia, Treviso, Trogir. Surgiu também uma palavra:NIKOLASKI. Descobriu-se que Nicolaski era o nome que os Maniqueístas da Bósnia haviam usado para denominar o Evangelho Eslavo. A cidade de Trogir fora um importante centro dos naniqueístas, quando vieram da Bulgária para a Itália, onde fixaram-se em Albi, tomando o nome de “Albigenses”.

Certo dia, a Srta. Mills encontrou em suas anotações o seguinte: Sol, não – Tesouros, não. Livros, sim – Raymond.

Foi ao Dr. Arthur pedir esclarecimentos; deu-lhe ele a seguinte interpretação:Raymond devia ser Raymond de Perelle, Conde de Foix, Castelão de Monstségur, quando os Cátaros haviam resistido aos exércitos enviados para exterminá-los. “Sol,não” devia ser o repudio à idéia difundida de que o Castelo de MOntségur teria sido dedicado, pelos Druidas, ao culto solar. “Tesouro, não – Livros, sim”. A frase contradizia uma crença em que quatro Cátaros haviam sido depositários de um tesouro, escondido no Castelo. O tesouro consistia em valiosos livros, e não em ouro ou jóias.

Passados alguns meses, a Srta. Mills pergunta a Arthur por qual razão as datas de 14 e 16 de março lhe incutiam terror. Aos 3 de março vê outra mensagem em seu bloco de anotações:” Sorba, Sicília, Sibilia, Jean de Cambiaire, evêque.” O que deixou o Dr Arthur pasmo foi o acento circunflexo sobre a palavra “evêque”: a Sra. Mills, ignorando completamente a língua francesa, não poderia saber a acentuação correta!!!

Surgiram posteriormente, outros nomes:Sorba, Philipa, Arpais. Passou Arthur a pesquisá-los. Corba, e não Sorba, como estava escrito, fora esposa de Raymond de Perelle, Conde de Foix;Philipa, Arpais e Esclarmonde eram suas três filhas, sendo que Esclarmonde morrera queimada, juntamente com a mãe e a avó, na fogueira de Montségur.

No dia 16 de Março a Srta. Mills veio queixar-se a Arthur de dores nos pulsos e nos ombros; lembrava-se também, das datas de 2 e 14 de março. Arthur consultou, então, a maior autoridade em História Cátara; o Professos francês DUVERNOY. Soube então que, antes do ultimo ataque a Montségur, houve uma trégua que durou duas semanas; tal trégua começou no dia 2 de março e terminou no dia 14 de março.Para Arthur estava claro, inquestionavelmente, que a Srta. Mills fora cátara e queimada nas chamas, em Montségur.

Estudando os livros do Professor Duvernoy, soube que os Cátaros haviam sido levados à morte com os pulsos unidos, atrás das costas, por correntes de ferro. A Srta. Mills, repentinamente lembrou-se de tudo: ela fora ESCLARMONDE DE FOIX, terceira filha de Raymonde de Perelle. Encontrou, em seu bloco de anotações,o seguinte: 16 de março de 1244. Três gerações de mulheres. Tal fato adequava-se à realidade histórica, se bem que a Srta. Mills, nunca houvesse estudado História antiga ou os Cátaros. Realmente, na fogueira, tinham morrido, ela – Esclarmonde – sua mãe e sua avó, a Marquesa de Lantar.

Arthur descobriu que Esclarmonde tivera poderes de cura. Subitamente, sem que tais fatos tivessem sido noticiados, a Srta. Mills viu-se procurada por doentes; começou a sentir formigamento nos dedos das mãos e calor; todos os doentes melhoravam após contatos com suas mãos.

Nessa época, ela reencontrou uma velha amiga de infância, que, recentemente, enviuvara: Betty. Betty, ao viajar para a França, fora ao castelo de Montségur e, sem saber por que, sentiu uma sensação de felicidade, como se, assim disse mais tarde, “ tivesse voltado para casa”. Betty passou pela transição alguns meses após voltar para a Inglaterra. Sua mãe entrou em contato com a Srta. Mills, mostrando-lhe anotações que encontrara, de Betty, sobre sua viagem à França, mais exatamente na região de Saint Papoul. Uma das anotações era:Oh, Roger, Roger, Roger! Na prisão de Saint Papoul morrera um cátaro:Roger-Isarn!!!

Na noite de 16 de março de 1972, o Dr Arthur Guirdham sentiu-se muito mal;falatava-lhe o ar, como se não conseguisse respirar. Tal fato deu-lhe a certeza de que ele também fora um dos duzentos Cátaros queimados em Montségur. No dia seguinte, soube que a Srta. Mills tivera sensação semelhante. Após intensos estudos, Arthur chegou a conclusão de que ele fora Roger-Isarn de Fanjeaux e de que a Srta Mills fora Esclarmonde de Foix.

Arthur Guirdham narraria estes fatos, posteriormente, em um livro intitulado: WE ARE ONE ANOTHER.

[Texto de Gabriel César Z. de Inellas]

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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Palavras de Sabedoria Silenciosa

“Assim será a minha palavra,que sair da minha boca; não tornará para mim vazia, mas fará tudo que eu quero e produzirá os efeitos para os quais enviei”. [Isaias,55:11]

Hoje, quando observamos o mundo que nos cerca e nosso lugar dentro dele, vemos que a linguagem é mal empregada, de uma forma alarmante, e que com isso perdeu sua realidade espiritual. Sem sombra de duvida, vivemos numa sociedade muito verbal, mergulhada no ruído ou numa prisão excessivamente verbal, que parece não ter saída. Aspiramos ao encontro de um lugar inteiramente tranqüilo para restaurar o EU e o bom senso coletivo.

Logo além da fronteira do ruído, é possível encontrar esse lugar sereno onde podemos, com toda a calma, vivenciar o centro do silencio a partir do qual nascem o som e a palavra.

O Gênero humano inventou a palavra por medo do silencio. Quanto mais abusamos das palavras, mais nos distanciamos da verdadeira natureza de nosso ser. As palavras se tornam um meio de evasão “racional” da verdadeira realidade do EU.

Agora, na encruzilhada crucial de mudanças rápidas e de ruídos interferindo em todos os aspectos da vida, procuramos um mapa de retorno que conduza a uma vida saudável, à harmonia e à verdadeira criatividade; o retorno ao caminho original do equilíbrio na natureza e em nós mesmos. Para que esse mapa seja desenhado,devemos reavaliar a forma pela qual usamos as palavras, o som e a cor nesta civilização. Então descobriremos a maneira de alcançar o equilíbrio e trabalhar pela reconciliação de todos os “ opostos “.

“Enquanto não tivermos aprendido a usar as palavras de vida, continuaremos a ser discos de cera, reproduzindo palavras numa viola”. Esta observação de Walter de La Mare mostra claramente a importância do uso conveniente da palavra, para que possamos exterminar a tendência a falar como papagaios e a pronunciar palavras sem nenhuma vida ou poder.

O propósito das palavras é expressar o pensamento. Elas são como um envoltório, a manifestação visível do pensamento invisível que nos ajuda a estabelecer a ordem na comunicação com o outro, com a natureza e com o EU interior mais elevado. Ibn Ezrah [1092-1167] dizia:”Um palavra sem o pensamento é como um pé sem músculos”.

O AMBIENTE VERBAL
A humanidade é bombardeada de forma crescente por um imenso dilúvio de palavras vindas de todas as direções. Os meios de comunicação, tanto impressos quanto eletrônicos, são um exemplo disso. Mesmo nesta época moderna dos computadores, as palavras continuam a ser o veiculo de comunicação e conhecimento, e devem ser empregadas convenientemente para que a harmonia seja mantida.

Um individuo deve escolher cuidadosamente o tipo de palavras de que faz uso - e, quanto menos as usar, melhor! As palavras são a forma exterior da realidade interior, em sua maioria são como as roupas com relação ao corpo. Graças à inspiração e a intuição, o individuo pode expressar pensamentos só com palavras essenciais, e assim manter a comunicação clara, simples e precisa.

Assim falou o sábio cabalista:”Falar pouco e fazer muito!” {Adágio dos Pais,1:15].

Somos o que pensamos. Somos o que dizemos. Não deveríamos poluir o ar com conversas inúteis porque, com nossas palavras, invocamos a presença interior e a qualidade dos pensamentos traduzido em palavras torna-se a expressão da verdade interna, a realidade do porvir.

Uma consciência acrescida do poder do silencio entre as palavras é essencial. O uso atento da palavra nos auxilia a sermos produtivos e, ao conservar a energia da palavra pelo silencio, aumentamos nossa potencialidade de viver harmoniosamente e de usar esse poder para o nosso próprio bem e o de toda a humanidade.

Um acontecimento de minha infância que ilustra a necessidade da conservação da energia das palavras torna-se oportuno neste ponto.

O modo com que meu avô ensinou-me essa valiosa lição manteve-se importante por toda a minha vida.”Antes que um individuo nasça”, disse ele, “recebe uma certa quantidade de palavras para usar na vida - como uma espécie de banco cósmico de palavras, tendo cada uma delas o seu valor. Você deve prestar muita atenção e empregar correta e comedidamente as palavras, e estar bem atento à forma pela qual as empregará para se expressar. Cada palavra que você diz é tirada de sua conta cósmica. Por isso sua língua deverá dar sete voltas em sua boca antes que uma só palavra seja emitida. Se assim não fizer, poderá zerar sua conta cedo na vida e ficar mudo”.

Essa declaração impressionou muito o meu jovem ser;ficou gravada em minha consciência como um poder positivo. Ela deve ter-me afetado a tal ponto que inconscientemente escolhi o trabalho artístico de minha vida no Teatro do Silencio. Esse conhecimento comunicado por meu avô é muito antigo e pode ser encontrado em numerosas religiões e filosofias.

PENSAMENTOS PARA A CONTEMPLAÇÃO
Ofereço a seguir alguns pensamentos para contemplação, tirados de tradições cabalísticas e sufis.

Há um provérbio que diz que cada palavra deveria passar por três portas antes de ser emitida. Na primeira porta o guardião pergunta: “Ela é verdadeira?” Na segunda ele pergunta:”Ela é necessária?” E na terceira:”Ela é boa?”.

Ø Uma palavra é como uma flecha:voa muito velozmente.”
Ø “Uma palavra pode dar inicio a uma guerra; uma palavra pode fazer a paz”.
Ø As palavras são como os remédios;deviam ser dosadas com cuidado, pois uma superdose pode ser nociva.”
Ø O sábio economiza suas palavras;os todos amam tagarelar.”

O grande poeta e filosofo Ibn Gabirol[Século XI] nos lembra: “Guardai vossa língua com o mesmo cuidado com que conservais vossas riquezas”. E em Provérbios, 18:21, aprendemos que “a morte e a vida estão em poder da língua...”

QUE É UMA PALAVRA?
Examinemos e observemos agora o que é uma palavra. Na língua hebraica, DAVAR significa “palavra“. De acordo com a Tradição, a Palavra é: um agente dos domínios da Essência, um mecanismo de comunicação com o potencial criador. A palavra simboliza a força criadora da consciência, uma idéia criadora que traz ordem e forma à matéria, uma ponte entre o céu e a terra. A Palavra é mediadora criativa ente Deus e a humanidade;entre os homens; entre o homem e a mulher; entre o Mestre Interior e a personalidade-alma;entre o espírito e a matéria.

DAVAR é formada por três letras, Daleth, Beth e Resh. Cada letra contem um certo poder espiritual e cósmico de grande importância. Empregando-se o código cabalístico das letras, DAVAR significa o seguinte: “O equilíbrio e a harmonia do universo estão contidos no recipiente cósmico, e são vertidos no recipiente formado pelo veiculo humano, o corpo da criação, e no som e nas emissões das forças criadoras. Uma vez no recipiente humano, existe a escolha entre o uso e o abuso, e a lei opera em conseqüência”.

Um outro termo hebraico para “palavra” é AMOR que se soletra Aleph, Mem e Reph, no plural AMARIM. A interpretação cabalística dessa palvra é:”O Poder da vida e da morte, o sem nome, sem tempo e sem espaço, fortifica, infunde e preenche esse recipiente com águas cósmicas de vida pelo som, e inteligentemente modela os pensamentos através do envoltório do organismo humano”.

Um terceiro termo para “palavra”, em aramaico, é MEMRA que se soletra Mem, Yod, Resh, Aleph. Essa palavra é formada pela mesma raiz verbal da palavra AMOR, mas tem a letra dupla Mem. Isso duplica o elemento das águas de vida e o acentua. Uma vez que a letra MEM é o som básico de toda a humanidade, este detalhe é muito importante.

MEMRA implica também a palavra divina que se manifesta em hebraico na palavra HOKHMAH que é SABEDORIA DIVINA que guia a boca e o coração para que emitam a verdade do ser. HOKHMAH é o lado esquerdo do triangulo superior na sagrada arvore da vida da cabala, a força feminina criadora do universo.

MEMRA significa “emissão” e implica a manifestação do poder de Deus, criando o mundo pela “emissão”do som. Essa palavra age como um mensageiro e é análoga à SANTA SHEKINAH, a Presença e Sabedoria Divina em toda a criação.

“As palavras são como o corpo;seus significados são como as almas” – assim se expressa a sabedoria de Ibn Ezrah.

PALAVRAS DA SABEDORIA INSPIRADA
“O ensinamento sem palavras e o trabalho sem ação só são compreendido por muito poucos.” {Lao Tse]

“Se eu não emitir uma palavra, sou seu mestre. Uma vez que a tenha pronunciado, sou seu escravo.” {Ibn Gabirol]

As palavras são movimentos manifestados da boca e da língua que ativam todo o organismo. O individuo pode ser guiado pela sabedoria interior; o murmúrio silencioso da alma, a Consciência do Cósmico dirigida pelo Mestre Interior. Nessa atitude consciente que fala e emite palavras encontra-se o caminho da Luz e do Amor no interior de cada ser e de todos os seres humanos vivos.

Como viajantes de passagem pelo plano físico da vida, devemos estar verdadeiramente conscientes do bom uso das palavras como meio de nos comunicarmos uns com os outros, com o EU e esse plano mais elevado, e com o domínio invisível da realidade e o espaço visível da existência.

Palavras antes da compreensão são vazias. Palavras após a compreensão são poderosas; poderosas e apaziguadoras.

Dizem os Provérbios 16:24:”As palavras elegantes são como um favo de mel – doces para a alma e saudáveis para o corpo”.

Para concluir, gostaria de lhes transmitir algumas palavras de Lao Tse que poderão parecer contraditórias para alguns, mas, pela observação e reflexão, vê-se que elas penetram na verdadeira essência da compreensão.

“Palavras verídicas não são magníficas
Belas palavras não são verídicas
Os homens bons não discutem
Os que discutem não são bons
Os que sabem não são sábios
Os sábios não sabem.” [Lao Tse]

“Palavras!O caminho está além da linguagem
Pois não nele não há
Nem ontem
Nem amanhã
Nem hoje.” [ Hsin Hsin Ming – O terceiro Patriarca ZEN]

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Texto de Samuel Avital.

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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Historia de Deus _ Bóson de Higgs _ LHC _ Tevatron




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Bóson de Higgs é uma partícula elementar escalar maciça hipotética predita para validar o modelo padrão atual de partícula. É a única partícula do modelo padrão que ainda não foi observada, mas representa a chave para explicar a origem da massa das outras partículas elementares. Todas as partículas conhecidas e previstas são divididas em duas classes: férmions (partículas com spin da metade de um número ímpar) e bósons (partículas com spin inteiro). As massas da partícula elementar e as diferenças entre o eletromagnetismo (causado pelo fóton) e a força fraca (causada pelos bósons de W e de Z), são críticas em muitos aspectos da estrutura da matéria microscópica e macroscópica; assim se existir, o bóson de Higgs terá um efeito enorme no mundo em torno de nós.

Até o ano de 2006, nenhuma experiência detectou diretamente a existência do bóson de Higgs, mas há alguma evidência indireta de sua existência. O bóson de Higgs foi predito primeiramente em 1964 pelo físico britânico Peter Higgs, trabalhando as idéias de Philip Anderson. Em 10 de setembro de 2008 entrou em funcionamento “O Grande Colisor de Hádrons", onde se esperava encontrar a prova definitiva do bóson de Higgs.

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LHC volta com metade da capacidade
Sexta-feira, 07 de agosto de 2009 - 12h05


GENEVA - O colisor de partículas construído para reproduzir a origem do universo voltará a funcionar em novembro com menor capacidade energética.

A maior e mais complexa máquina já construída é criação da Organização Europeia para Pesquisas Nucleares (da sigla em francês CERN).

O Large Hadron Collider (LHC) de mais de 9,4 bilhões de dólares se superaqueceu nove dias após sua estreia, em setembro do ano passado, e suas atividades precisaram ser interrompidas.

Em comunicado, o CERN informou que pretende reiniciar as operações do colisor com apenas 3.5 TeV por feixe, até que "uma significativa quantidade de dados seja coletada e a equipe de técnicos esteja acostumada com a máquina."

"O LHC é uma máquina muito mais compreensível do que era há um ano", declarou o diretor geral do CERN, Rolf Heuer, "Podemos esperar bons resultados para o inverno (no hemisfério norte) e para os próximos dois anos."

O LHC recriará as supostas condições da origem do universo, após o "Bing Bang", 13,7 bilhões de anos atrás.

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Em busca do Bóson de Higgs [TEVATRON]
. EDUARDO GERAQUE

[enviado especial da Folha de S.Paulo a Chicago]

O Fermilab, instituto de pesquisa dos Estados Unidos que abriga o Tevatron, maior acelerador de partículas em funcionamento no mundo -- o europeu LHC, bem maior, continua quebrado- poderá surpreender a comunidade científica em todo o mundo até dezembro.

Em Chicago, Dmitri Denisov, diretor da instituição americana, afirmou que eles estão perto de verificar a existência do cobiçado bóson de Higgs. "Nós temos pelo menos 50% de chances de que isso ocorra até o fim do ano", afirmou o dirigente do Fermilab durante a reunião da AAAS (Sociedade Americana para o Avanço da Ciência, na sigla em inglês).

Apesar de não querer criar polêmica, ou uma competição entre o Tevatron e o LHC --gigantesco acelerador de partículas que no ano passado, após a inauguração, pifou- a frase de Denisov serviu para declarar aberta a corrida entre os dois centros de alta energia. Quem conseguirá descobrir, na prática, o bóson de Higgs?

"Não se trata de uma corrida, porque inclusive, do ponto de vista científico, colaboramos muito entre nós", tentou despistar Denisov.

Mas, se a partícula de Higgs realmente existir, o que poderia elucidar definitivamente o mistério físico da massa, ninguém apostaria que ela não surgiria no LHC, acelerador de partículas subterrâneo perto de Genebra, na Suíça. Ainda mais após toda a pompa e circunstância que cercou a inauguração do centro em setembro de 2008.

O projeto europeu, que custou US$ 10 bilhões e começou a ser projetado em 1994, tem como um dos seus primeiros grandes objetivos exatamente descobrir o bóson de Higgs.

Energia na agulha

Para que isso ocorra, entretanto, a primeira informação importante a ser obtida é a massa da partícula. Denisov aposta que ela teria por volta de "150 bilhões de elétrons-volt".

Traduzindo, significa que tanto o Tevatron quanto o LHC têm energia suficiente para criar o bóson. Apesar de a máquina europeia ter uma potência sete vezes maior, aproximadamente, do que a americana.

Mesmo que os planos estejam certos - e que o LHC volte a operar este ano - ele deve passar a funcionar com 5 trilhões de elétrons-volt, e não com os 7 trilhões de elétrons-volt, como estava planejado antes.

Mas é por causa da questão do ruído de fundo, energia que nem sempre é útil para as análises científicas, disseram os cientistas reunidos em Chicago, que o Fermilab poderá ser o vencedor do páreo.

No Tevatron, a colisão é feita entre um próton e seu antipróton. Enquanto no LHC, a "batida" energética é feita entre prótons, depois que eles são lançados, em alta velocidade, no acelerador. No caso europeu, o túnel circular de 27 quilômetros, por exemplo, é percorrido 11 mil vezes por segundo pelo feixe de próton. Mas a operação gera muito ruído, que dificulta a detecção do bóson de Higgs.

A história cronológica das duas instituições também favorece o Fermilab. Inaugurado em 1983, o túnel de 6,3 quilômetros de extensão, que passou por vários aprimoramentos, o maior em 2001, estaria mais azeitado, dizem os cientistas.

Segundo Joe Lykken, do Fermilab, se a descoberta ocorrer, "provavelmente" ela poderá ser identificada na hora.

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O Boletim de Notícias da Física do Instituto Americano de Física, número 821, de 23 de abril de 2007 por Phillip F. Schewe e Ben Stein. PHYSICS NEWS UPDATE

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A BUSCA PELO HIGGS NO TEVATRON ACELERA. Os físicos do colisor Tevatron do Fermilab relataram recentemente seu mais abrangente sumário da física nas mais altas energias em laboratório. Na recente reunião da American Physical Society (APS) em Jacksonville, Florida, eles emitiram dúzias de artigos sobre um amplo espectro de tópicos, muitos dos quais são relacionados, de alguma forma, com o Bóson de Higgs. O Higgs é o ingrediente chave no Modelo Padrão de Física de Altas Energias. É a manifestação, em forma de partícula, do curioso mecanismo que, em um momento inicial da vida do universo, separou os Bósons W e Z (vetores da Força Fraca), dando-lhes massas, enquanto os fótons (vetores da Força Eletromagnética), não. Esta assimetria torna os funcionamentos destas duas Forças no universo bastante diferentes.
A validação desta grandiosa hipótese, por meio da real produção de partículas de Higgs em laboratório, sempre foi uma das razões principais para espatifar prótons de encontro a antiprótons, com uma energia combinada de 2 TeV. Entretanto, a natureza é pródiga em sua criatividade e a busca pelo Higgs, acredita-se, pode ser mascarada pela produção de outros raros cenários de dispersão, alguns quase tão interessantes quanto o próprio Higgs.
Os trabalhos no Tevatron podem ser comparados aos trabalhos na Burgess Shale, o leito fóssil nas Rochosas Canadenses onde os arqueologistas descobriram impressões de organismos desconhecidos nos últimos 600 milhões de anos, inclusive alguns novos Filos. Nenhum novo “Filo” (ou seja, nenhuma nova partícula) foi revelado no encontro da Flórida, mas muito trabalho preparatório – o equivalente no trabalho dos Físicos de Altas Energias a necessária remoção das camadas externas de rocha – foi realizado.
De acordo com Jacobo Konigsberg (Universidade da Florida), porta voz adjunto da colaboração CDF (um dos dois grandes grupos de detecção que funcionam no Tevatron), a procura pelo Higgs está se acelerando devido a vários fatores, inclusive a obtenção de feixes mais intensos e algorítmos cada vez mais sofisticados para discriminar entre eventos significativos e aqueles mais mundanos, uma questão básica quando se observa bilhões de eventos. Aqui está um catálogo dos resulados mais recentes do Tevatron:
Kevin Lannon (Ohio State) relatou a obtenção de um valor mais preciso (170,9 GeV, com uma incerteza de 1%) para a massa do quark Top. Lannon também descreveu a classe de evento no qual uma colisão próton – antipróton resultou na produção de um único quark Top, através de uma interação de força fraca, uma topologia de evento muito mais rara do que aquela na qual é formado um par Top-Antitop, através da força forte. Além disso, a observação desse evento da formação de um Top singelo permite uma primeira medição rudimentar de Vtb, um parâmetro (um em toda uma tabela de números chamada de Matriz CKM, que caracteriza a Força Fraca) proporcional à probabilidade de um quark Top decair em um quark Bottom.
Gerald Blazey (Northern Illinois Univ), antigo porta-voz da colaborção D0, relatou as primeiras observações de cenários de colisão igualmente exóticos, aqueles que apresentam a produção simultânea de bósons W e Z observáveis, e aqueles em que se observa a produção de dois bósons Z. Além disso, ele disse que, quando se combina a nova massa para quark Top com a do bóson W, 80,4 GeV, se pode calcular um provável novo limite superior para a massa do Higgs. Este valor, 144 GeV, é um pouco mais baixo do que se pensava, o que o torna proporcionalmente mais fácil de criar, em termos de energia.
Ulrich Heintz (Boston Univ) relatou a busca por partículas exóticas não prescritas pelo Modelo Padrão. Novamente, nenhuma nova partícula importante foi encontrada, mas novas experiências no manejo da miríade de fenômenos de fundo vão auxiliar a preparar o caminho para o que os cientistas do Tevatron esperam ser sua maior realização: descobrir indícios para o Higgs no meio de uma rica mistura de outras partículas. Para começo de conversa, Heintz introduziu, mas logo descartou, os rumores de pseudo-”calombos”, indicativos do Higgs, nos dados. Os artefatos em questão – o decaimento da exótica partícula em um par de léptons Tau – tinham pouca significância estatística para serem levados a sério, disse ele, ao menos por enquanto.
Outras partículas exóticas não encontradas, mas para as quais foram obtidos novos limites de massa mais baixos, incluem coisas como elétrons excitados (super pesados) ou bósons W e Z, dimensões extra, os assim chamados leptoquarks (que transformariam bósons em léptons e vice-versa) e partículas super-simétricas, uma hipotética família inteira de partículas onde cada bóson conhecido teria sua contraparte fermiônica e vice-versa.
Além das considerações acerca de ter energia suficiente na colisão para criar o Higgs e outras partículas interessantes, um requisito vital na produção de eventos raros é possuir uma grande amostra estatítica. Todos os resultados acima se baseiam em uma amostragem de gravação de dados de um fentobam-inverso (fb-1, uma unidade que denota o montante integrado de eventos de espalhamento, até agora. Até o fim do verão, o montante de dados analisados será de 2 fb-1. Perto do final de 2007, o montante terá dobrado e, no entorno de 2009, dobrado novamente (8 fb-1). Para achar o Higgs, a informação virá de energia e estatísticas.

[Tradução: João Carlos]



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Terça-feira, 24 de novembro de 2009, 14:58

Cientistas testam aceleração de prótons na Suíça

GENEBRA - Cientistas encarregados do maior acelerador de partículas do mundo utilizaram a máquina de US$ 10 bilhões para acelerar feixes de prótons pela primeira vez, hoje. "Foi apenas um teste preliminar", disse um porta-voz da Organização Europeia de Investigação Nuclear (Cern, na sigla em francês). É mais um passo nos experimentos realizados na Suíça, que podem auxiliar nas pesquisas sobre a formação do universo.

A máquina demonstrou que poderia intensificar em 10% a energia dos feixes de prótons que circulam pelo enorme túnel subterrâneo. "Tudo vai muito bem", disse o porta-voz. O novo passo na fase de reativação ocorreu sem inconvenientes, após mais de um ano de interrupção para consertos.

A nova etapa começou na noite de sexta-feira, quando o acelerador lançou os primeiros feixes de partícula em apenas uma direção, e depois em direções opostas, para registrar as primeiras colisões em altos níveis de energia. Essas colisões ficam registradas em vários detectores, que permitem estudar a composição e interação de partículas e forças subatômicas.

O porta-voz disse hoje que a energia do feixe de prótons aumentou de 460 bilhões de elétrons-volts para 540 bilhões. O valor, de qualquer modo, ainda está muito longe da potência necessária para se descobrir os segredos do universo e da matéria.

Segundo o porta-voz, a intenção é ainda este ano chegar a 1,2 bilhão de teraeletrons-volts. Com isso, oficialmente, o mecanismo seria o mais poderoso da história, superando um instalado em Chicago.

A primeira experiência científica no Cern deve ocorrer nos primeiros meses de 2010, quando começará a ocorrer choques de prótons, para se esquadrinhar a composição do universo e suas menores partículas.

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30.03.2010



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30.03.2010

30/03/10 - 21h29 - Atualizado em 30/03/10 - 21h29

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Cientistas recriam o Big Bang em laboratório

A experiência foi feita no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, que fica na fronteira da Suíça com a França.

Foi como assistir ao nascimento do mundo.

Cientistas na Europa alcançaram um feito histórico nesta terça.

Eles recriaram em laboratório a explosão que teria dado origem ao universo. Cientistas têm todos os motivos do mundo para comemorar e não é para menos, afinal, reproduziram em laboratório um mini Big Bang, a explosão que teria dado origem ao universo.

A experiência foi feita no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, que fica na fronteira da Suíça com a França. A 100 metros da superfície, está o túnel circular que tem 27 quilômetros de comprimento. Foi nesse túnel que os cientistas aceleraram prótons, partículas mínimas que formam os átomos, a uma velocidade próxima à da luz: quase 300 mil quilômetros por segundo. Quando os prótons se chocam, surgem partículas menores ainda e são essas partículas elementares da matéria que os cientistas querem estudar.

A gente pode até dizer que foi como assistir ao nascimento do mundo. Muitas pessoas eram contra essa intenção dos cientistas de ''brincar de Deus'' porque temiam que o choque de partículas poderia criar um buraco negro, capaz de engolir tudo em volta dele.

Felizmente, nada disso aconteceu. E tudo indica que em breve o mundo começará a tirar proveito de mais esse avanço da Ciência. Nos próximos dois anos, os pesquisadores vão usar o acelerador gigante para tentar comprovar a existência de uma nova partícula, Bóson de Higgs, também chamada de a Partícula de Deus, porque seria a responsável pela criação das estrelas e planetas. O Bóson de Higgs confirmaria a teoria do Big Bang.

Isso pode ajudar os cientistas a entender a nossa origem. Cientistas brasileiros da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, da Universidade do Estado de São Paulo e da Federal do ABC participam do projeto e vão analisar os dados obtidos pelo acelerador de partículas.

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Segredos da Área 51


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Gestalt-Terapia_Teoria da Reconstrução Humana


[Uma nova abordagem psicológica para o encontro de si mesmo]

A compreensão da mente humana foi buscada inicialmente, na história da Psicologia, por meio da análise isolada das sensações e eventos, através de um tratamento basicamente experimental. Com este objetivo, utilizava-se o método introspectivo, que consistia basicamente de uma meticulosa exploração interna conduzida em si mesmo pelo próprio experimentador. Esta postura, bastante limitada em sua própria concepção, não proporcionou muitos resultados.

Alguns anos mais tarde, Sigmund Freud, criador da Psicanálise, vem alterar esse método ao introduzir o conceito de Inconsciente, postulando que o comportamento e as atitudes humanas não decorrem apenas de ações e reações das quais possui consciência, mas que também possuímos motivações inconscientes totalmente fora de nosso controle.

Durante a década de 60, o Dr Fritz Perls, após uma bem-sucedida carreira como psicanalista, desenvolveu não uma teoria, mas uma nova abordagem para a compreensão da mente humana – a Gestalt-terapia. Inicialmente discípulo de Freud, Perls discordou dele e baseou-se na corrente humanista da Psicologia que surgia, postulando o homem como ente autônomo, livre para tomar suas decisões e imprimir à sua vida o rumo que deseja, como ser plenamente responsável por seus atos.

Perls adotou na base de sua abordagem princípios da psicologia da Gestalt clássica. Estes princípios entendem a percepção humana com base nos conceitos de ‘ figura e fundo ‘. A figura se define como o que percebemos como mais importante num quadro de referencia, apelidado de fundo, composto pelos elementos circundantes e adjacentes a ela.

A Gestalt-terapia considera processos mentais do individuo em função da focalização da figura emergente, buscando seu entendimento e posicionamento em relação ao fundo que se apresenta. Acredita que, na historia da vida do individuo, suas percepções das figuras podem estar prejudicadas e também a forma de suas relações com o fundo. É importante a fluidez das “Gestalten“ (nome dado ao conjunto figura-fundo) na relação figura-fundo, sem uma cristalização, um imobilismo, que seria o grande responsável pela doença. O Inconsciente de Freud, para Perls, não é um fato, mas apenas a não focalização da figura em um fundo indiferenciado.

A abordagem gestáltica valoriza a relação entre as partes, a relação entre a figura e o fundo, e vice-versa, entendendo também que são as relações entre a parte e o todo, e o todo e a parte, que indicarão o caminho a seguir. Por exemplo, num choro de uma pessoa pela morte de seu pai, não importa apenas a qualidade do choro, se é em si boa ou má, mas, além do significado do próprio choro, o da relação entre ele e a realidade total.

O fechamento de um fenômeno clássico da psicologia da Gestalt, segundo o qual ao percebermos figuras abertas, incompletas, as contemplamos de nossa própria forma, de maneira a obtermos percepções completas das mesmas. A abordagem gestáltica busca trabalhar, entre outros, estes tipos de fenômenos em nossa existência, preocupando-nos em fechar as situações que mantemos inacabadas, que nos causam angustia e ansiedade.

O homem é entendido como um projeto, como um ser se fazendo. Sua essência, o que o define e caracteriza como homem, é vista como algo que ele conquista, rejeita e incorpora no dia-a-dia. O homem é um ser existindo permanentemente à procura de seu projeto,do seu completar-se. O homem nasce ‘nada’ e vai se acrescentando indefinidamente. Ele nada mais é do que aquilo que ele decide ser, do que aquilo que ele projeta ser;sua existência surge como uma resultante de seus atos. Assim, a Gestalt-terapia coloca o homem como centro, como valor positivo capaz de se autogerir e regular-se.

Na relação terapêutica, o gestalt-terapeuta torna-se um consultor deste projeto:respeita e participa das ações e decisões do cliente como individuo, sem influenciá-las ou entendê-las como resultado inexorável de causas passadas. Cada cliente é considerado como um ser diferente e especifico em sua individualidade.

Comparando a vida com a construção de uma casa, a pessoa é vista como seu próprio arquiteto e seu próprio calculista, com plena liberdade de mudar seu projeto quando e como achar conveniente. Na verdade, o homem vive entre duas posições:o que almeja, o que projeta, seu eu ideal, e a realidade. A psicoterapia seria a tentativa de fazer a ponte entre os dois momentos existenciais, um permanente processo de busca, de compreensão e aceitação dinâmica da própria realidade.

O gestalt-terapeuta não é um interpretador, não é o “ dono da verdade.“ Trabalha como um facilitador que presta ajuda a seu cliente para que este conheça melhor seu próprio funcionamento e entenda suas situações inacabadas, de modo a completá-las, obtendo a perspectiva da figura completa. Desenvolvida esta capacidade, estará habilitado para a formação e percepção livre de novas figuras.

Para a Gestalt-terapia, da realidade em si pouco ou nada sabemos e também da realidade como chega à nossa mente, ou como m nós ela é representada. O modo de nossa existência depende de como nossa consciência apreende a realidade, de como a encontra, de como lhe dá sentido. É a vivencia das coisas, a interação do homem com elas, que gera um sentido delas para ele. O ser humano é significado, que se forma a partir de informações, além de emoções, sentimentos, raciocínio, lógica, etc. Este entendimento é que lhe permite posicionar-se e deslocar-se na vida da forma como ele próprio determina, a partir de sua percepção global [“gestalt”] individual.

O Dr. Perls afirmava que só o presente existe e mesmo ele é extremamente contingente. O passado não existe mais e o futuro só existe no presente. Não há modo de falar de um ou de outro, a não ser no presente. Daí, o passado do individuo ser compreendido como um dado a compor o fundo, de onde se destaca a figura apresentada. O importante é o presente, o aqui e agora, incluindo a forma como o passado aparece no quadro. Não há uma relação linear entre causa e efeito, um determinismo psicológico. O pressuposto é que o individuo determina seu próprio futuro neste momento, no presente, o único que tem existência real. Suas experiências passadas são enfocadas sem considerá-las como determinantes inflexíveis do agora, numa relação direta de causa e efeito. As emoções sempre são vividas no presente e o encontro fenomenológico no presente é que vai determinar as conformações do comportamento do individuo.

Ao considerar a pessoa como um todo, a Gestalt não valoriza apenas seu discurso verbal, mas sua atitude global: fisionômica, corporal, atitudes externas e emoções demonstradas. O todo formado será sempre único, diferente da mera soma das partes. O terapeuta entra em contato intimo com a realidade, a existência do cliente, vivenciando junto com ele cada particular de seu momento presente, à medida que se desenvolve o contato entre eles. A verdadeira emoção vivida é considerada mais importante que as racionalizações, e o tratamento intelectual ou meramente verbal dado aos sentimentos, permitido acesso vivo, real, imediato, à conformação figura-fundo da pessoa.

A abordagem gestáltica possibilita à pessoa um encontro real consigo mesmo através do outro. Na relação e no contato com esta relação poderá ocorrer o crescimento, proporcionando-lhe a oportunidade de determinar sua existência com base numa visão mais clara de suas situações inacabadas. Na medida em que estas situações forem se completando, novas figuras passarão a ter destaque em novos quadros-fundo de referencia, acompanhando a evolução do ser.

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[Paulo de Tarso Costa, Psicologo]


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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Como Devemos Buscar Aquilo que Perdemos


1] A nós é particularmente imposto, a nós outros homens neste mundo, buscarmos novamente aquilo que perdemos. Agora, se queremos encontrar, não precisamos buscar fora de nós mesmos.

2]Não temos necessidade de aduladores nem de malabaristas que nos encorajem e nos prometam montanhas de ouro para que desejemos tão-somente segui-los e fazê-los brilhar.

3]E quando eu tiver por toda a minha vida assistido e escutado sermões, e ouvido sempre cantos e raciocínios sobre o céu e sobre o novo renascimento, e tiver sido entregue a mim mesmo, não terei progredido em nenhuma dessas circunstancias.

4] Quando se lança uma pedra na água e depois se a retira, ela continua a ser uma pedra dura e conserva a sua forma; mas se ela é jogada no fogo, então adquire uma nova forma em si mesma.

5]Assim acontece contigo, ser humano, mesmo que corras á igreja e desejes ser visto como um ministro do Cristo; isto não é absolutamente suficiente. Entregue a ti mesmo, és como eras antes.

6] Também não é absolutamente suficiente que aprendas todos os livros de memória, e quando passares os dias e os anos a ler todas as escrituras, e quando souberes a Bíblia de memória, não serás melhor perante Deus do que um tratador de porcos, que durante todo esse tempo tratou de porcos, e do que um pobre prisioneiro das trevas, que durante todo esse tempo não viu a luz do dia.

7]De nada te serve tagarelar, mesmo que saibas falar muito de Deus, se desdenhas a simplicidade, como o fazem os hipócritas sobre a besta do Anticristo, que obstruem a luz àqueles que enxergam, como isto aconteceu neste caso. Aqui se aplica o que disse Cristo: “a menos que vos convertais e que vos tornei crianças, não vereis eternamente o reino dos céus. Deveis ser gerados de novo, se quereis ver o reino de Deus”. Eis a verdadeira meta.

8] A arte da eloqüência de nada servem aqui e não precisas de livros nem de destrezas;nisso um pastor de carneiros é tão sábio quanto um doutor e às vezes muito mais. Pois ele se lança antes por sua própria razão na misericórdia de Deus e não tem uma grande dose de intelectualidade; isso porque ele não se guia por esta via, mas simplesmente vai com o pobre publicano ao templo de Cristo, ao passo que o erudito coloca primeiro adiante de si mesmo uma academia e examina preliminarmente com que espírito deverá entrar no templo de Cristo; consulta antes de tudo a opinião dos homens. Queres então buscar Deus com essa ou aquela opinião? Um tem a opinião do Papa, outro a de Lutero, um terceiro a de Calvino, um quarto a de Schwenckfelds, e assim por diante. As opiniões não tem fim.

9] Assim a pobre alma permanece na duvida fora do templo do Cristo; bate à porta, busca e cada vez mais duvida de que seja esse o verdadeiro caminho.

10] Ó tu, alma errante em Babel, que fazes? Afasta-te de todas as opiniões, seja qual for o nome que elas tenham neste mundo. Todas elas não passam de um combate a razão.

11] Não se encontra o novo renascimento nem a nobre pedra no combate, nem em nenhuma sabedoria da razão; deves abandonar tudo o que é deste mundo, por mais brilhante que seja, e entrar em ti mesmo; não fazer outra coisa que reunir num monte teus pecados, com que estás envenenado, e lançá-los na misericórdia de Deus e te evolar para Deus, pedindo-lhe que os esqueça e que te ilumine do Seu espírito.

12]Não há necessidade de discutir muito, mas apenas de ser firme; pois o céu deve se fender e o inferno estremecer, e isto também acontece. Lá deves lançar todos os teus pensamentos com a tua razão,e tudo aquilo que se apresente a ti em teu caminho, a fim de que não desejes deixá-lo (a Deus), sob pena de que ele não te abençoe, como a Jacó, que assim combateu com Deus toda a noite. Mesmo que a consciência diga não, Deus não quer nada de ti.

(Dize):- Quero ser teu; não te deixarei quando me estenderem no tumulo. Que minha vontade seja tua, eu quero aquilo que queiras, Senhor; e mesmo quando os demônios te cerquem, e digam, pára, uma vez chega, é preciso que digas: - Não, meu pensamento e minha vontade não se separarão de Deus, devem permanecer eternamente em Deus; seu amor é maior do que todos os meus pecados. Se vós, diabo e mundo, tendes o corpo mortal como prisioneiro, eu tenho o meu Salvador e meu Regenerador em minha alma; ele me dará um corpo celestial que durará eternamente.

13]Assim, experimenta somente isso e encontrarás maravilhas; logo receberás em ti um que te ajudará a lutar, a combater e a orar; e mesmo quando n ao possas dizer muitas palavras, não é nisso que a coisa consiste, desde que possas tão somente dizer a palavra simples do publicano: ‘ - ah, Deus, tende piedade de mim, pobre pecador’. Mas quando a tua vontade, com toda a tua razão e teus pensamentos forem depositados em Deus, não te separaras Dele, mesmo quando a alma deva se separar do corpo; cruzarás a morte, o inferno e o céu, e entrarás no templo do Cristo a despeito de todos os demônios . A ira de Deus não te poderá deter, por maior e mais poderosa que ela seja em ti; e quando o corpo e a alma queimem na cólera e estejam no meio do inferno entre todos os demônios. Podes no entanto sair de lá e entrar no templo de Cristo, onde receberás a coroa de pérolas aliada à nobre e digna pedra, a pedra angular dos filósofos.

14] Mas abe que o reino do céu está semeado em ti e é pequeno como um grão de mostarda. Receberás uma bem grande jóia da coroa angelical, mas tem cuidado, não a coloques sobre o velho Adão, ou te acontecerá o que aconteceu a Adão. Guarda o que tens. O sofrimento da necessidade é um mau hospede.

15]De um pequeno ramo vem afinal uma árvore, se ele é plantado em campo fértil. Diversos ventos frios e rudes vão se lançar impetuosamente contra o ramo até que ele cresça e se torne uma árvore, há de vacilar. Deves ser exposto à árvore da tentação e também ao desprezo no deserto desse mundo; se não o suportas, nada consegues. Se arrancares o ramo, farás como Adão e tornarás a coisa mais difícil que na primeira vez, mas ele crescerá no jardim de rosas, a despeito do velho Adão. Pois houve um tempo muito depois de Adão, até a humanidade do Cristo, em que a árvore de pérolas se insinuou secretamente por baixo do véu de Moisés, e no entanto ele tornou-se uma árvore em seu tempo, com belos frutos.

16] E se tiveres tombado e perdido a bela coroa, não desesperes; busca, bate à porta, retorna e faze como antes, e verás com que espírito essa mão escreveu. Receberás em seguida uma árvore em lugar de um ramo e dirás:” será que meu ramo se tornou uma arvore durante o meu sono? “ Reconhecerás então de imediato a pedra dos filósofos. Atenta bem para isto.


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Capitulo VII do livro de Jacob Boehme, “ Da Vida Trina do Homem, Segundo o Mistério dos Três Princípios da Manifestação Divina“.
Edição de 1682, traduzida do alemão em 1793 pelo “ Filosofo Desconhecido “.

domingo, 4 de outubro de 2009

Gandhi Teve um Sonho.


[ Os recursos espirituais do ser humano podem enfrentar o desafio dos problemas sociais ]

Nas ultimas décadas temos acumulado mais poder material do que a força moral de que dispomos para usá-lo: estamos hoje ameaçados de desintegração dentro do cadinho de nosso próprio progresso cientifico. Nossa civilização está extremamente rica de poder material,mas se isto constitui um ativo ou um passivo, depende de nossos propósitos e princípios orientadores, através dos quais a força é liberada e manipulada. A ciência e a industria descobrem e desenvolvem o poder material, mas os impulsos do coração humano devem dar-lhe uma expressão digna.

A ciência deve ser resgatada de seu atual papel de destruidora. A mente humana deve ser libertada da ameaça de que o fruto de seu trabalho possa ser o agente de sua própria ruína. Alguns dos lideres científicos do mundo no campo da física nuclear expressaram uma profunda preocupação sobre a maneira como os homens tem usado suas descobertas. Pessoas dotadas de engenhosidade e capacidade criativa devem ter a certeza de que no futuro sua genialidade terá um papel construtivo.

A ciência e a tecnologia devem passar por um novo nascimento de propósitos, a fim de que nossa civilização escape da destruição suicida. Richard Byrd tinha razão ao dizer, pouco depois de uma de suas expedições polares: “ Não são as limitações geográficas do mundo que devem ser mapeadas, mas as morais”...

Pela mesma lógica infalível, Mohandas Karam-chand Gandhi, que se tornou “alma grande”, o Mahatma, desafiou esta era ultramoderna com uma nova descoberta e uma nova avaliação dos recursos ilimitados da vida interior do ser humano. Ele abalou o mundo com sua demonstração dessa força interior, indo de uma vida simples e estritamente disciplinada à dimensão das relações internacionais.

Gandhi teve um sonho, e procurou compartilhá-lo não apenas com sua Índia natal, mas como o mundo. Era um sonho em que todos os homens eram irmãos. Referia-se a um tempo em que as disputas entre as nações e os grandes segmentos da humanidade seriam resolvidas através de meios pacíficos – um sonho relatado há séculos por um certo profeta hebreu ” eles transformarão suas espadas em relhas, e suas lanças em podões; nação não levantará arma contra nação, e eles não mais aprenderão sobre guerras”.

Gandhi introduziu um novo nível de liderança e demonstrou com sua própria vida pessoal essa relação singular entre líder e liderado. Isto pode ser resumido em quatro palavras significativas:

_ humildade;
_ amor;
_ fé;
_ participação
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Quando a vida interior de um individuo está devidamente ajustada aos princípios cósmicos, ele está pronto para se envolver com causas grandiosas. Gandhi sentiu um profundo senso de dever ante a miséria humana, e ousou envolver-se. Por esta razão, pessoas de todos os credos, raças e nacionalidades o admiram e apreciam a contribuição que ele fez para a nossa civilização.

Os que tentam rejeitá-lo como um sonhador precisam ser lembrados que desde tempos imemoriais os homens sonharam e que desses sonhos surgiu todo o progresso real do mundo. A lista desses sonhadores é longa e impressiva – no campo da ciência, da exploração, da filosofia e da religião.

VISÃO
Nesta avançada e pragmática era, necessita-se de homens e mulheres que ousem sonhas e não se contentar em aceitar o ‘ status quo ‘: não apenas aqueles com visão e sensibilidade moral que os capacitam a ver as condições tal como deveriam ser; mas homens e mulheres equipados com a coragem necessária para implementar o principio do “ é preciso “ nos processos da vida pessoal e publica.

Gandhi enfatizou a futilidade de usar a força material a fim de se alcançar metas desejadas, quando seu uso está fora de harmonia com os princípios morais e espirituais. Ele chamou bastante a atenção para a importância de desenvolvermos os dons e disciplinas da vida interior e de nos voltarmos para esses recursos ao lidarmos com problemas sociais complexos. É óbvio que ele tinha uma mensagem importante e atemporal para um mundo onde tanta ênfase está sendo dada aos aspectos materiais da vida e onde tantos estão dependendo da superioridade cientifica e tecnológica para a segurança nacional.

Muitos acreditam que só bombas e foguetes maiores e mais poderosos, bem como ser o primeiro a alcançar e controlar bases estratégicas no espaço sideral, significam defesa adequada. Mas Gandhi nos lembrou que tanta ênfase em defesa materialistica, por importante que seja, não vai nos defender na presença daquilo com que nos confrontamos. Ele chamou a atenção para um poderoso império interior onde pensamentos bons ou maus reinam; onde aspirações nobres ou ignóbeis se agitam; onde esquemas sutis são concebidos; e onde atitudes e disposições são abundantemente geradas e nutridas.

Através de sua vida simples e impar, ele fez uma contribuição inestimável para a nossa civilização. Logo após seu assassinato, o Dr E. Stanley Jones, que por muitos anos fora seu amigo e um estudioso da sua vida, enumerou suas importantes contribuições:

_ [1]Um novo espírito e técnica – Satyagraha ( força da verdade ou resistência da não-violência);

_[2]A ênfase de que o universo moral é uno e que a moral do individuo, do grupo e da nação deve ser a mesma;

_[3]Sua insistência em que os meios e os fins devem ser consistentes;

_[4]O fato de não professar nenhum ideal que ele não incorporasse ou não estivesse em processo de incorporação;

_[5]Uma disposição para sofrer e morrer por seus princípios.


O falecido Primeiro Ministro, Nehru, quando perguntado sobre o que ele considerava como a maior contribuição de Gandhi, respondeu: “ Os Meios e os Fins devem ser consistentes”. Essas opiniões e avaliações feitas sobre Gandhi são típicas daqueles que o conheceram bem. O impacto desse homem humilde foi fortemente sentido tanto pelo Ocidente como pelo Oriente, e pelos lideres políticos,sociais, filosóficos e religiosos de todo o mundo.

[ Texto de William H. Clarck.F.R.C]
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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009
Índia lembra 140º aniversário do nascimento de Gandhi.
Como é tradicional, os principais líderes políticos da Índia renderam hoje uma homenagem ao líder independentista «Mahatma» Gandhi, considerado o pai da pátria, no dia em que cumpriria 140 anos.
Ao túmulo onde foi incinerado o defensor do pacifismo, no memorial de Rajghat, deslocaram-se o primeiro-ministro, Manmohan Singh; o líder da coligação governamental, Sonia Gandhi, e o dirigente da oposição L.K. Advani.
Também acudiram vários ministros e alguns representantes estrangeiros, como o embaixador dos EUA, Timothy Roemer, que destacou a influência «directa e positiva» que as ideias de Gandhi tiveram em Barack Obama.
A cerimónia contou, além disso, com a presença de representantes das religiões budista, bahai, cristã, sique, zoroastra, muçulmana, hindu e judaica, todas presentes na Índia.
Destacou, no entanto a ausência da presidente da Índia, Pratibha Patil, que se encontra de visita à região ocidental de Gujarat (oeste), e que lembrou na véspera a data com um comunicado dirigido a todos os seus compatriotas.
«O aniversário de Gandhi é uma ocasião para que todos reflictamos no trabalho e a vida do pai da nação, Mahatma Gandhi», afirmou o dirigente.
Mohandas Karamchand Gandhi, mais conhecido como «Mahatma» («grande alma») Gandhi, nasceu a 2 de Outubro de 1869 na cidade de Porbandar, situada na actual região de Gujarat.
Após a educação universitária em Inglaterra, Gandhi estabeleceu-se na África do Sul, onde o facto de ser expulso de um comboio por não ser branco lhe levou a iniciar a sua doutrina de desobediência civil contra o Império Britânico.
Já de volta à Índia, liderou o movimento de resistência pacífica contra as autoridades britânicas, com uma mensagem de harmonia entre as distintas religiões que apostava pela diversidade do subcontinente.
A Índia alcançou a sua independência em 1947, mas Gandhi quase não pôde desfrutá-la, porque foi assassinado poucos meses depois por um extremista hindu.
Milhões de indianos ainda se referem a ele respeitosamente como «bapu» («pai»).