sábado, 31 de outubro de 2009

Penetrando nos poderosos arquivos do inconsciente


[Todo ser humano tem dentro de si um fabuloso arquivo de imagens e fatos vividos nesta e noutras encarnações. Acessá-lo, no entanto, requer treino e completo conhecimento de seus limites]

O vastíssimo oceano da nossa psique emerge uma pequenina ilha: o nosso consciente, do qual o ego é o centro. Ao consciente caber a atenção, a direção dos pensamentos e a elaboração mental das informações recebidas. Tudo isso forma o ego. Segundo CARL GUSTAV JUNG, ele é um dado complexo, formado primeiramente por uma percepção geral do nosso corpo, existência e, a seguir, pelos registros da nossa memória. Todos temos uma certa idéia de nossa existência anterior, em outras vidas, pois acumulamos uma longa série de recordações. Esses dois fatores são os principais componentes do ego, que nos possibilitam considerá-lo um complexo de fatos psíquicos. Sua força de atração é tão poderosa quanto a de um ímã: ele atrai os conteúdos do inconsciente e chama para si as impressões do exterior, que se tornam conscientes do seu contato – que, caso não aconteça, permanecerão inconscientes. O ego é, portanto, o centro de nossas atenções e desejos, o cerne indispensável da consciência.

A nossa pequenina ilha, o consciente, existe num oceano ilimitado, que chamaremos de subconsciente e inconsciente. O subconsciente, ou pré-consciente, é a camada mais superficial do inconsciente, onde se encontram as recordações que podemos evocar com facilidade, s lembranças que nos marcam bastante e que podem ser chamadas ao consciente a qualquer momento. Enfim, é o depósito das informações mais utilizadas por nós na elaboração da idéia que está sendo produzida no momento. Na psicologia junguiana,o inconsciente se divide em inconsciente pessoal e coletivo. O primeiro é uma camada onde ficam registrados os fatos que foram esquecidos totalmente, por falta de uso ou porque foram reprimidos. São recordações dolorosas de serem relembradas, impregnadas de grande potencial emotivo, mas que são incompatíveis com as atitude do consciente.

Já o inconsciente coletivo corresponde às mais profundas camadas do inconsciente, onde ficam armazenadas as imagens que não provêm de experiências pessoais, mas sim imagens universais, as formas mais antigas com que a imaginação humana procurava explicar o mundo. A essa imagens Jung deu o nome de arquétipos. Temos, portanto, em nosso inconsciente, as imagens arquetípicas que representam conceitos de Deus, de energia, de anjos ou demônios, e que ali foram depositadas, talvez, por experiências constantes e repetidas que vêm sendo vividas por nossa humanidade desde os primórdios da nossa existência. As imagens arquetípicas são encontradas com grande riqueza nos contos de fada, mitos, etc. Exemplos disso são as representações do pai, o repressor, o Zeus, o deus do trovão, o déspota, e da mãe que embala, alimenta, a Deméter que fecunda e faz brotar a vida. Para haver um perfeito equilíbrio da psique, é preciso que exista uma comunicação entre consciente e inconsciente. As pessoas que preferem viver somente no mundo da consciência, e não aceitam a comunicação com o inconsciente, vivem dirigidas somente pelas leis formais, criadas racionalmente, mas que, muitas vezes, não estão de acordo com as sábias leis universais, as quais somente o inconsciente tem acesso. A comunicação com o inconsciente é o primeiro passo para todos aqueles que pretendem estudar os fenômenos psíquicos, pois é somente de lá que poderão ser obtidas todas as informações necessárias a uma melhor compreensão da vida e do universo.

MERGULHO NO UNIVERSO
Ao contrário do consciente, que através dos sentidos limita o homem a uma percepção fragmentada do que está a sua volta, se prendendo em detalhes, o inconsciente capta tudo aquilo que faz parte do todo em que estamos mergulhados. Uma interessante representação disso aconteceu com um ‘bancário‘ que passou por uma experiência surpreendente.

Era um dia de trabalho comum quando,ao final do expediente, foi notado o desaparecimento de documentos importantes do ‘caixa’ ao lado do seu. Um colega, responsável pelos documentos que sumiram, estava desesperado:”Eles estavam aqui, bem atrás de mim! Como podem ter sumido?”

Mas os documentos não apareceram. Era preciso apresentá-los logo ou o rapaz teria que responder a um inquérito. No ultimo dia do prazo, o ‘bancário’ em questão, teve a idéia de submeter o colega a um ‘transe hipnótico’, no qual talvez se recordaria do local em que havia guardado os documentos. Como tinha feito um curso de hipnose e se achava em condições de colocá-lo em transe, os dois resolveram fazer a experiência. Em transe hipnótico, o ‘bancário’ fez com que seu colega regredisse até o dia do ocorrido. E ele começou a falar:”Estou trabalhando no caixa. O grande movimento de clientes não permite que desvie minha atenção. Coloco os documentos atrás de mim, numa prateleira para encaminhá-los no final do expediente. Vejo o servente que se aproxima...Ele pega os documentos por engano e os leva para o terceiro andar, onde os guarda numa pilha de documentos para serem arquivados... A pilha foi guardada numa caixa de papelão, que está em tal lugar, em tal andar...”

Terminado o transe, ambos foram imediatamente à procura dos documentos. E lá estavam eles, exatamente como tinha sido revelado em transe hipnótico: guardados juntamente com outros documentos, arquivados na sala e andar descritos. Esse fato fez com que o ‘bancário’ refletisse sobre nossa capacidade de perceber o que acontece ao nosso redor, mesmo que inconscientemente. “Participamos de tudo, meu colega só não foi capaz de revelar fatos que não viu”. Com isso, podemos ter uma vaga idéia de quantas informações chegam ao nosso inconsciente, uma infinidade, mesmo que não tenhamos o mínimo conhecimento consciente delas. E embora estas lembranças estejam arraigadas em nós, existem muitas chaves de acesso ao inconsciente, como sons, sabores, cheiros, etc., que podem subitamente evocá-las, transformando-as em imagens conscientes.

É nesse arquivo do inconsciente que ficam gravados todos os acontecimentos bloqueados, por algum motivo, à nossa lembrança. O grande trabalho dos hipnólogos ou terapeutas é trazer essas informações à memória, de maneira que o arquivo possa ser recuperado intacto. Sabe-se que a atividade elétrica do cérebro decai à medida que a pessoa vai mergulhando no transe. Isso pode ser registrado através de encefalógrafos. Estas variações de potencial do ritmo cerebral foram denominadas de ondas cerebrais, designadas por quatro letras do alfabeto grego, e são medidas em ciclos por segundo.
=> Em geral, 14 ou mais ciclos por segundo são chamados de ondas BETA;
=> Entre 7 e 14 são ondas ALFA;
=> De 4 a 7 são chamados ondas TETA;
=> Menos de 4 são as ondas DELTA.

Quando a pessoa está totalmente desperta se encontra no estágio BETA, plenamente consciente. Já quando passa ao estado que antecede o sono, podemos dizer que atingiu o ALFA. Ao adormecer, passa para TETA, e em sono profundo para DELTA, retornando em seguida a teta e alfa. Este ciclo leva aproximadamente 45 minutos. Os sonhos só acontecem quando a pessoa está em ALFA, estágio que tem duração de apenas cinco minutos. Dependendo do número de horas que a pessoa dorme, este ciclo [ALFA-TETA-DELTA-TETA-ALFA]se repete quatro ou cinco vezes em uma noite. Em transe, o paciente é levado a ALFA e a TETA, e à medida que a atividade de seu cérebro vai decaindo, o foco de sua consciência é gradativamente levado aos estados mais profundos de seu inconsciente, de onde, então as lembranças são resgatadas.

CENAS DE VIDAS PASSADAS
O inconsciente se comunica com o consciente através de símbolos, que chegam com os sonhos, durante os estados de profunda meditação ou em qualquer momento em que suas ondas cerebrais alcancem o ritmo ALFA. O terapeuta, em primeiro lugar, procura identificar a simbologia que chega à mente do paciente em transe, pois ela pode ser uma teatralização do inconsciente, que pretende dar uma mensagem ao consciente. Feito isso, poderá então conduzi-lo às lembranças arquivadas, que podem ter as mais diversas origens, como cenas de vidas passadas, lembranças de contatos extraterrenos, abduções, e tantos outros acontecimentos marcantes que ficam armazenados no arquivo do inconsciente. O acesso ao inconsciente é algo indispensável a todos os que procuram uma realidade maior e respostas àquelas aflições da alma. Se elas existem, é um sinal de que algum fato importante ficou retiro num cantinho muito profundo da sua psique e, seja lá o que for, todos tem o direito, como seres humanos e universais, de conhecer a totalidade de sua própria existência.
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[Texto de Márcia Villas-Bôas, estudiosa de assuntos esotéricos e diretora do Colégio dos Magos]

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ADENDO:
Os cientistas pensavam outrora que o cérebro reduzia a atividade durante o sono porque os instrumentos de gravação (eletroencefalógrafos e semelhantes) acusavam uma redução de produção de impulsos de ondas cerebrais enquanto seu sujeito dormia. Mais recentemente, entretanto, descobriu-se que na verdade, a produção de ondas cerebrais aumenta durante o sono e mesmo durante o estado Alfa de vigília. Em tais ocasiões, a energia avança para o interior e realiza diversas tarefas necessárias ao corpo e à psique.

Assim, quando alguém entra nos estados Alfa e mais profundos, as atividades da mente em relação ao corpo aumentarão. A cura, por exemplo, progride enquanto dormimos. Durante varias formas de meditação penetra-se no nível Alfa, emitindo “ondas Alfa”, quando a atenção da mente e a consciência se dirigem para o interior. Desenvolvendo-se a capacidade de penetrar neste estado consciente e voluntariamente, você pode iniciar o controle e aumentar os benefícios desta energia orientada para dentro de si mesmo. E ainda, pode-se aumentar a quantidade total de energia disponível, já que existe progressivamente menos perda por motivo de dissipação.

Exercício 1. Para Entrar no Estado Alfa

Diariamente, por alguns minutos, praticar a seguinte fórmula:

Assuma uma posição confortável (sentado, de pé ou deitado)
Olhe para cima e fixe seu olhar em um ponto qualquer de atenção e prenda-o neste lugar.
Respire 5 vezes sem esforço e de modo completo exale tranqüilamente enquanto silenciosamente vai dizendo para si mesmo, “R... E... L... A.. X... E”.
Meça a quinta respiração com uma contagem regressiva de cinco para um e feche seus olhos quando atingir a contagem um. Então silenciosamente diga para você mesmo a palavra “ALFA” (que sugerirá sua entrada no estado Alfa). Com os olhos fechados, permaneça nesse estado Alfa passivo durante dois minutos, permitindo que seu corpo se relaxe completamente, respirando com profundidade o tempo todo. Sugira a você mesmo que no final de dois minutos você retornara a seu estado ordinário, sentindo a consciência vazia, sua mente e seu corpo claros e fortes.

Usando este exercício, você eventualmente será capaz de penetrar no estado Alfa prontamente a fim de repousar (diga ao seu subconsciente que este dois minutos valerão para você uma hora de repouso), introduzindo a informação desejada em sua consciência, ou tornando favoráveis as mudanças em sua composição.
Porém, a fim de empregar este estado para libertar seu verdadeiro eu de sua programação negativa do passado e permitir a expressão de sua natureza real, você deve experimentar-se a si mesmo como consciência, separada da mente e do corpo. Experimente o exercício seguinte agora para ver quão facilmente você pode afastar-se de algumas de suas tensões e começar a fazer a separação.


Exercício 2. Para eliminar Tensões Psíquicas Negativas

1. Assuma uma posição confortável (sentado, de pé ou deitado).
2. Respire profundamente cinco vezes e deixa-se relaxar completamente com cada respiração
3. Permita que todo o peso de seu corpo caia no fundo como se você se entregasse à gravidade e penetre num estado de ser mais relaxado e mais profundo.
4. Abandone seus braços e mãos para baixo no seu lado e silenciosamente diga para você mesmo: “Agora estou me afastando de todas as tensões e venenos psíquicos negativos”.
5. Sacuda levemente suas mãos e deixe as tensões da sua mente e do seu corpo fluir de seus braços e mãos para a terra. Quando sentir que isto esta acontecendo, respire profunda e completamente, de maneira repousante e substitua essas tensões por energia e ar positivos e limpos.
Você observara que na verdade não fez coisa alguma, simplesmente permitiu que alguma coisa acontecesse criando o pensamento e entregando-se a sua realização. Empregando diariamente durante cinco a quinze minutos, este exercício pode liberar tensões profundas em sua mente e em seu corpo, permitindo que você acalma seu organismo sempre que quiser.
Estes exercícios simples ajudarão a experimentar-se a si mesmo como um ser espiritual, com uma mente e um corpo para sua expressão. A compreensão desse processo coloca você em uma posição melhor para assumir a responsabilidade da organização de suas atividades.

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[“Do Jardim do Éden à Era de Aquarius – O livro da Cura Natural”
Greg Brodsky]
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